Traduções de português para português do Brasil é a fresca novidade que nos traz o blogue Diário de Lisboa divulgado oportunamente pelo Aviz.
É extremamente útil para quem trabalha no meio científico se se quiser passar a palavra para o lado de lá através de termos técnicos adequados de modo a que a comunicação entre Portugueses e Brasileiros seja a mais clara possível. De facto é muito difícil para um Português seguir um texto técnico-científico escrito em português do Brasil e vice-versa, tal é a diversidade de adaptações de novos termos e palavras realizadas em cada um dos dois países.
quarta-feira, fevereiro 18, 2004
terça-feira, fevereiro 17, 2004
A minha Europa: visita de Massoud ao PE em 2001
A 7 de Abril de 2001 o Parlamento Europeu recebeu Ahmed Shah Massoud, o líder da guerrilha afegã que na altura era a única oposição ao pior regime do planeta, o regime talibã. O Parlamento chamou a atenção para o problema afegão, mas na altura muita gente assobiou para o ar.
Massoud foi morto a 9 de Setembro de 2001 no Afeganistão por um comando da Al-Qaeda.
A 11 de Setembro aconteceu o que todos bem sabemos. Alguns dos eurodeputados que desprezaram a visita de Massoud e os arautos da defesa do mundo ocidental do dia 10 para o dia 11 de Setembro ficaram de repente sensíveis e conhecedores profundos dos crimes contra a humanidade que se cometiam no Afeganistão. No mesmo dia o Parlamento Europeu percebeu tragicamente que estava cheio de razão quando decidiu convidar Massoud, isto apesar das imundices que, de cabeça perdida, alguns anti-europeistas iam descarregando sobre a União Europeia nos debates que se multiplicavam pelas cadeias de televisão de todo o mundo.
Massoud foi morto a 9 de Setembro de 2001 no Afeganistão por um comando da Al-Qaeda.
A 11 de Setembro aconteceu o que todos bem sabemos. Alguns dos eurodeputados que desprezaram a visita de Massoud e os arautos da defesa do mundo ocidental do dia 10 para o dia 11 de Setembro ficaram de repente sensíveis e conhecedores profundos dos crimes contra a humanidade que se cometiam no Afeganistão. No mesmo dia o Parlamento Europeu percebeu tragicamente que estava cheio de razão quando decidiu convidar Massoud, isto apesar das imundices que, de cabeça perdida, alguns anti-europeistas iam descarregando sobre a União Europeia nos debates que se multiplicavam pelas cadeias de televisão de todo o mundo.
Iraque: Regard de Bernard-Henri Lévy
Je rentrais de cet autre monde. Tout le temps qu'a duré le débat sur la question de savoir si renverser Saddam était la priorité du moment et si le sort de la planènte se jouait, ou non, à Bagdad, j'étais dans le trou noir de Karachi. Et je ne pouvait pas, je ne peux toujours pas, ne pas songer que cette guerre irakienne (...) témognait d'une singulière erreur de calcul historique.
Un régime déjà largement désarmé quand, dans le bas-fonds des villes pakistanaises, se trafiquaient les secrets nucléaires.
Un des derniers diactateurs politiques, répertorié dans les bestiaires anciens, à l'heure où je voyais se dresser des bêtes sans espèce, aux ambitions sans limites, pour qui la politique n'est, au mieux, qu'une fiction utile.
Et, contre ce dictateur, à l'appui de cette guerre-spectacle donnée en pâture à l'opinion mondiale, une coalition de fortune où - suprême dérision - l'on prétendait enrôler ce même Pakistan que je voyais devenir la propre maison du Diable.
Bernard-Henri Lévy, «Qui a tué Daniel Pearl», Editions Grasset (2003).
Un régime déjà largement désarmé quand, dans le bas-fonds des villes pakistanaises, se trafiquaient les secrets nucléaires.
Un des derniers diactateurs politiques, répertorié dans les bestiaires anciens, à l'heure où je voyais se dresser des bêtes sans espèce, aux ambitions sans limites, pour qui la politique n'est, au mieux, qu'une fiction utile.
Et, contre ce dictateur, à l'appui de cette guerre-spectacle donnée en pâture à l'opinion mondiale, une coalition de fortune où - suprême dérision - l'on prétendait enrôler ce même Pakistan que je voyais devenir la propre maison du Diable.
Bernard-Henri Lévy, «Qui a tué Daniel Pearl», Editions Grasset (2003).
segunda-feira, fevereiro 16, 2004
Descoberta a galáxia mais distante
Com a ajuda do telescópio espacial Hubble foi descoberta a galáxia mais distante observada até hoje. Está a cerca de 13 mil milhões de anos-luz da Terra. A descoberta foi conseguida através do efeito de lente gravitacional. Mais informações sobre esta descoberta pode ser encontrada aqui.
A nova galáxia - distorcida pelo efeito de lente gravitacional - é delimitada
por uma linha branca.
A nova galáxia - distorcida pelo efeito de lente gravitacional - é delimitada
por uma linha branca.
sábado, fevereiro 14, 2004
É assim? Assim como?
Não sou de letras, a minha formação é científica, mas fico abismado com a praga do "É assim" proferido no inicio de cada frase! Ouvi esta crónica do Fernando Alves na TSF sobre o "É assim" e não poderia ser mais certeira. É contagiante, muitas das pessoas que mais aprecio do ponto de vista afectivo e intelectual já estão contaminadas pelo "É assim". Eu próprio já dei por mim uma vez ou outra a guinar no último momento para um esfarrapado "É o seguinte". Alguns dos nossos comentadores políticos mais interessantes derrapam frequentemente para o "É assim" com uma facilidade abismal (se estivesse a comer uma perna de frango com batatas fritas de pacote ficaria com um osso atravessado na garganta). A passada semana um dos últimos redutos da minha admiração intelectual, o Prof. Carlos Amaral Dias, deu uma interessantíssima entrevista à Rádio Universidade. Durante a referida entrevista repetiu "É assim" umas três vezes. Desespero...É assim...
sexta-feira, fevereiro 13, 2004
Uma boa crítica a Coimbra
O Prof. Carlos Fiolhais publicou esta excelente crónica no Primeiro de Janeiro onde faz uma crítica certeira à cidade de Coimbra. Mas não se limita a criticar, lança também algumas perspectivas interessantes para o futuro próximo da cidade.
Para desgosto de alguns mais provincianos, Carlos Fiolhais não fala de tunas, de cadeados, de bebedeiras, de praxes, daquela Coimbra que uns aprenderam a conhecer nos Kalkitos, nas caixas de corn flakes e nos filmes da Amália. Fiolhais fala da Coimbra de hoje e fala bem.
Para desgosto de alguns mais provincianos, Carlos Fiolhais não fala de tunas, de cadeados, de bebedeiras, de praxes, daquela Coimbra que uns aprenderam a conhecer nos Kalkitos, nas caixas de corn flakes e nos filmes da Amália. Fiolhais fala da Coimbra de hoje e fala bem.
Cavalos & Unicórnios
A Sofia da Fénix continua a produzir. O seu novo livro chama-se "Segredos em Terras de Cavalos & Unicórnios". O mistério é desvendado com a ajuda de um cientista que parece um cowboy. Original. Andamos fartos de cientistas representados por um daqueles arcaicos professores Pardal de oculozinhos e de bata.
quinta-feira, fevereiro 12, 2004
Água!
O mais relevante resultado científico obtido pelas actuais missões que se encontram em Marte foi a descoberta de água na calote polar de dióxido de carbono existente no pólo sul do planeta vermelho pela sonda europeia Mars Express, que presentemente se encontra em órbita.
Calote de dióxido de carbono no pólo sul de Marte.
(Imagem do sítio da Agência Espacial Europeia)
Espectro laboratorial de uma mistura de gelo e dióxido de carbono gelado.
(Imagem do sítio da Agência Espacial Europeia)
Os robots Opportunity e Spirit continuam a serpentear o solo marciano enquanto captam imagens, perfuram rochas, recolhem e analisam amostras de poeiras marcianas. Está previsto que percorram no mínimo 200 metros da superfície marciana. Não parece muito, mas a quantidade de dados recolhidos é imensa e só daqui a alguns meses é que a dimensão dos resultados destas missões poderá ser avaliada.
Calote de dióxido de carbono no pólo sul de Marte.
(Imagem do sítio da Agência Espacial Europeia)
Espectro laboratorial de uma mistura de gelo e dióxido de carbono gelado.
(Imagem do sítio da Agência Espacial Europeia)
Os robots Opportunity e Spirit continuam a serpentear o solo marciano enquanto captam imagens, perfuram rochas, recolhem e analisam amostras de poeiras marcianas. Está previsto que percorram no mínimo 200 metros da superfície marciana. Não parece muito, mas a quantidade de dados recolhidos é imensa e só daqui a alguns meses é que a dimensão dos resultados destas missões poderá ser avaliada.
quarta-feira, fevereiro 11, 2004
Astrologia subsidiada pelo Estado III
Competindo a esta Alta Autoridade assegurar a observância dos fins genéricos e específicos da actividade da televisão, garantindo o respeito pelos interesses do público, nomeadamente pela apreciação dos comportamentos susceptíveis de configurar violação das normas legais aplicáveis aos órgãos da comunicação social e, em particular zelar pela realização dos objectivos de serviço público da televisão, deliberou a Alta Autoridade advertir a RTP para a conveniência de rever aspectos do conteúdo da referida rubrica, nos moldes em que é apresentada no Programa “Praça da Alegria”, no que, em especial, se refere à predição de acontecimentos futuros, concretos e precisos, de natureza pessoal, sentimental ou profissional.
Resposta da Alta Autoridade para a Comunicação Social a uma queixa contra a rubrica de astrologia no programa "Praça da Alegria" da RTP, 27 de Setembro de 2003
Qual foi a resposta da RTP? Aumentar o tempo de antena da Sra. astróloga Cristina Candeias e equipar o estúdio com um écran gigante onde esta senhora projecta as suas cartas astrais. Isto é um país terceiro mundista. Há mais uma queixa na Alta Autoridade que demonstra as duas violações à lei já aqui apresentadas.
Astrologia subsidiada pelo Estado II
Resposta da Alta Autoridade para a Comunicação Social a uma queixa contra a rubrica de astrologia no programa "Praça da Alegria" da RTP, 27 de Setembro de 2003
Qual foi a resposta da RTP? Aumentar o tempo de antena da Sra. astróloga Cristina Candeias e equipar o estúdio com um écran gigante onde esta senhora projecta as suas cartas astrais. Isto é um país terceiro mundista. Há mais uma queixa na Alta Autoridade que demonstra as duas violações à lei já aqui apresentadas.
Astrologia subsidiada pelo Estado II
terça-feira, fevereiro 10, 2004
Latim obrigatório
Das profundezas da minha formação científica e tecnológica acho que o ensino do latim deveria ser obrigatório na escola. Até poderia ser apenas um ano. Nem que nesse ano se aprendesse apenas noções básicas de latim, pelo menos algo que não fizesse de nós povo latino um analfabeto em latim.
O pouquíssimo que "pesquei" (não se pode dizer que aprendi) de latim até hoje foi à custa da ciência e da aprendizagem da língua italiana. De certa forma tenho vergonha de não saber um mínimo aceitável de latim. Tenho vergonha que colegas meus alemães igualmente cientistas e engenheiros saibam pelo menos um mínimo de latim e eu, latino, pouco ou nada sei. Na Alemanha existe pelo menos uma opção de latim no liceu, enquanto no meu liceu a única opção para aprender latim era a de mudar para a área de letras.
Este é um tema que me assalta a memória cada vez que visito o interessante blogue do Latinista Ilustre.
O pouquíssimo que "pesquei" (não se pode dizer que aprendi) de latim até hoje foi à custa da ciência e da aprendizagem da língua italiana. De certa forma tenho vergonha de não saber um mínimo aceitável de latim. Tenho vergonha que colegas meus alemães igualmente cientistas e engenheiros saibam pelo menos um mínimo de latim e eu, latino, pouco ou nada sei. Na Alemanha existe pelo menos uma opção de latim no liceu, enquanto no meu liceu a única opção para aprender latim era a de mudar para a área de letras.
Este é um tema que me assalta a memória cada vez que visito o interessante blogue do Latinista Ilustre.
sábado, fevereiro 07, 2004
Portugal Único 5 : A lógica de pagar para pagar
No jornal Expresso de 8 de Novembro de 2003 podemos ler as seguintes declarações do Prof. Carlos Fernandes, especialista em transportes:
"Se as SCUT mudarem para portagem, o custo real dessa auto-estrada aumenta 40 %"
Só as praças de portagem e equipamentos de cobrança representam 5% a 15% dos custos. Nas SCUT este valor anda mais perto dos 15% devido ao elevado número de nós de acesso. A estes custos adicionam-se os custos de operação das portagens e a manutenção, aumentando os custos de operação das auto-estradas para cima dos 40%.
Perante este cenário, pagar para pagar parece ser a lógica das nossas auto-estradas. Soa a algo inteligente? Não? É por estas e por outras que os países do Sul são muitas vezes gozados pelas suas estratégias absurdas. De facto este tipo de sistemas são adoptados por países do Sul da Europa, nomeadamente pela França, Espanha, Portugal e Itália. Em países como a Holanda ou Alemanha as auto-estradas são gratuitas. Nos países em que não são gratuitas (Suíça, Áustria, Rep. Checa, Eslováquia, etc), existe um sistema de vinhetas, bem mais em conta do que os preços praticados por cá. A título de exemplo, na Suíça uma vinheta válida para um período de um ano que permite circular em todas as auto-estradas do país custa apenas 27,50 €.
A IP5 poderá passar a ter portagens. Poderão chamar-se as portagens de S. Pedro...
Além do mais é um absurdo ter que parar para pagar (quantas vezes uns longos 15 minutos) num tipo de estrada que foi concebido para ser rápida, para aumentar a produtividade das nações. Relembro que nos EUA e na Alemanha as auto-estradas são gratuitas, isto deve querer dizer alguma coisa.
Por exemplo, se todos os carros que entram numa cidade como Lisboa perderem três minutos em média para pagar a portagem (o que é uma perspectiva optimista ponderando as horas de ponta com as horas de menor tráfego), para 100 mil veículos que entram em Lisboa por dia passando pelas portagens, chegamos ao valor de 300 mil minutos perdidos por dia, ou seja 5000 horas, ou seja 625 dias trabalho. É equivalente a 625 trabalhadores não trabalharem todos dias na cidade de Lisboa. 625 trabalhadores é um número de empregados que poderia ser o de uma grande empresa. A fábrica da Nissan na Holanda tem metade deste número de trabalhadores…
Noto que estes veículos não pagam para entrar na cidade mas para sair da auto-estrada. Ao contrário seria mais inteligente criando parques de estacionamento e transportes alternativos logo na periferia.
É certo, agora há a Via Verde. Conhecem as últimas da Via Verde? Os utentes que já tinham adquirido o dispositivo de leitura, tiveram que o comprar pela segunda vez por causa de um desdobramento em duas empresas da empresa que explorava a Via Verde. Agora só para ter o dispositivo no carro paga-se 10 € por ano! E se se pagar 30 € adquire-se o dispositivo em definitivo, isto depois de o terem comprado já uma vez. Acham isto normal? A pilha para o dispositivo custa 6 € e só pode ser adquirida nos postos da BRISA…Nós portugueses somos muito molezinhos.
Salte até ao Portugal Único 4, mas cuidado não escorregue no musgo
"Se as SCUT mudarem para portagem, o custo real dessa auto-estrada aumenta 40 %"
Só as praças de portagem e equipamentos de cobrança representam 5% a 15% dos custos. Nas SCUT este valor anda mais perto dos 15% devido ao elevado número de nós de acesso. A estes custos adicionam-se os custos de operação das portagens e a manutenção, aumentando os custos de operação das auto-estradas para cima dos 40%.
Perante este cenário, pagar para pagar parece ser a lógica das nossas auto-estradas. Soa a algo inteligente? Não? É por estas e por outras que os países do Sul são muitas vezes gozados pelas suas estratégias absurdas. De facto este tipo de sistemas são adoptados por países do Sul da Europa, nomeadamente pela França, Espanha, Portugal e Itália. Em países como a Holanda ou Alemanha as auto-estradas são gratuitas. Nos países em que não são gratuitas (Suíça, Áustria, Rep. Checa, Eslováquia, etc), existe um sistema de vinhetas, bem mais em conta do que os preços praticados por cá. A título de exemplo, na Suíça uma vinheta válida para um período de um ano que permite circular em todas as auto-estradas do país custa apenas 27,50 €.
A IP5 poderá passar a ter portagens. Poderão chamar-se as portagens de S. Pedro...
Além do mais é um absurdo ter que parar para pagar (quantas vezes uns longos 15 minutos) num tipo de estrada que foi concebido para ser rápida, para aumentar a produtividade das nações. Relembro que nos EUA e na Alemanha as auto-estradas são gratuitas, isto deve querer dizer alguma coisa.
Por exemplo, se todos os carros que entram numa cidade como Lisboa perderem três minutos em média para pagar a portagem (o que é uma perspectiva optimista ponderando as horas de ponta com as horas de menor tráfego), para 100 mil veículos que entram em Lisboa por dia passando pelas portagens, chegamos ao valor de 300 mil minutos perdidos por dia, ou seja 5000 horas, ou seja 625 dias trabalho. É equivalente a 625 trabalhadores não trabalharem todos dias na cidade de Lisboa. 625 trabalhadores é um número de empregados que poderia ser o de uma grande empresa. A fábrica da Nissan na Holanda tem metade deste número de trabalhadores…
Noto que estes veículos não pagam para entrar na cidade mas para sair da auto-estrada. Ao contrário seria mais inteligente criando parques de estacionamento e transportes alternativos logo na periferia.
É certo, agora há a Via Verde. Conhecem as últimas da Via Verde? Os utentes que já tinham adquirido o dispositivo de leitura, tiveram que o comprar pela segunda vez por causa de um desdobramento em duas empresas da empresa que explorava a Via Verde. Agora só para ter o dispositivo no carro paga-se 10 € por ano! E se se pagar 30 € adquire-se o dispositivo em definitivo, isto depois de o terem comprado já uma vez. Acham isto normal? A pilha para o dispositivo custa 6 € e só pode ser adquirida nos postos da BRISA…Nós portugueses somos muito molezinhos.
Salte até ao Portugal Único 4, mas cuidado não escorregue no musgo
sexta-feira, fevereiro 06, 2004
Armas de quê? Não sejamos tolinhos!
Uma democracia liberal que pudesse travar uma guerra rápida e decisiva, mais ou menos em todas as gerações, para defender a sua liberdade e independência seria muito mais saudável e realizada do que aquela que apenas conhecesse a paz contínua.
"O Fim da História e o Último Homem", Francis Fukuyama, Gradiva, 2a. ed., pag. 316, 1992.
Poupem-me com a treta das armas de destruição em massa! Há gente com responsabilidade política nos EUA que acredita piamente e segue a doutrina acima descrita. Peritos Russos e Americanos de armas de destruição em massa apontavam uma série de outros países como muito mais perigosos do que o Iraque (a ARTE e a BBC têm excelentes reportagens onde isso é bem descrito). Só havia um motivo para invadir o Iraque – que era um motivo válido – esse motivo era a democratização do país. O problema é que não se pode querer democratizar o Iraque e ser simultaneamente aliado de uma ditadura bem pior, como é o caso da ditadura Saudita. Com a agravante de o regime Saudita ser muito mais perigoso do ponto de vista militar do que o era o Iraque de Saddam e talvez bem mais do que se pensa, tal como o expressaram os cientistas russos e americanos nas referidas reportagens.
Um copo de vinho, uma maçã e um orgasmo
Recentemente demonstrou-se cientificamente que o consumo de um copo de vinho tinto por dia faz bem à circulação sanguínea. Mas, uma maçã por dia, em vez de um copo de vinho, faz muito mais pela saúde e dispensa os efeitos secundários causados pelo álcool. Mas…um orgasmo por dia faz muito melhor do que uma maçã e um copo de vinho juntos, não só à circulação mas também ao bem estar físico e psicológico do indivíduo.
O problema da filosofia de Fukuyama é que se fica pelo copo de vinho, ou seja uma guerra por geração não livra cada geração dos efeitos secundários de cada guerra, que poderão ser gravíssimos. Eu cá por mim prefiro o orgasmo. Prefiro os grandes desafios dos descobrimentos dos nossos horizontes físicos (o Universo, a genética, o infinitamente pequeno, etc.) e do nosso mundo interior (a psicologia, o pensamento, etc.). São acontecimentos que vão desde algo tão simples como os Jogos Olímpicos até à grandeza e complexidade de uma missão a Marte ou da descoberta de uma forma de vida extra-terrestre.
São escolhas como esta que distinguem as pessoas que não acham muita piada ao que está a acontecer no mundo dos liberais da facção de Francis Fukuyama.
"O Fim da História e o Último Homem", Francis Fukuyama, Gradiva, 2a. ed., pag. 316, 1992.
Poupem-me com a treta das armas de destruição em massa! Há gente com responsabilidade política nos EUA que acredita piamente e segue a doutrina acima descrita. Peritos Russos e Americanos de armas de destruição em massa apontavam uma série de outros países como muito mais perigosos do que o Iraque (a ARTE e a BBC têm excelentes reportagens onde isso é bem descrito). Só havia um motivo para invadir o Iraque – que era um motivo válido – esse motivo era a democratização do país. O problema é que não se pode querer democratizar o Iraque e ser simultaneamente aliado de uma ditadura bem pior, como é o caso da ditadura Saudita. Com a agravante de o regime Saudita ser muito mais perigoso do ponto de vista militar do que o era o Iraque de Saddam e talvez bem mais do que se pensa, tal como o expressaram os cientistas russos e americanos nas referidas reportagens.
Um copo de vinho, uma maçã e um orgasmo
Recentemente demonstrou-se cientificamente que o consumo de um copo de vinho tinto por dia faz bem à circulação sanguínea. Mas, uma maçã por dia, em vez de um copo de vinho, faz muito mais pela saúde e dispensa os efeitos secundários causados pelo álcool. Mas…um orgasmo por dia faz muito melhor do que uma maçã e um copo de vinho juntos, não só à circulação mas também ao bem estar físico e psicológico do indivíduo.
O problema da filosofia de Fukuyama é que se fica pelo copo de vinho, ou seja uma guerra por geração não livra cada geração dos efeitos secundários de cada guerra, que poderão ser gravíssimos. Eu cá por mim prefiro o orgasmo. Prefiro os grandes desafios dos descobrimentos dos nossos horizontes físicos (o Universo, a genética, o infinitamente pequeno, etc.) e do nosso mundo interior (a psicologia, o pensamento, etc.). São acontecimentos que vão desde algo tão simples como os Jogos Olímpicos até à grandeza e complexidade de uma missão a Marte ou da descoberta de uma forma de vida extra-terrestre.
São escolhas como esta que distinguem as pessoas que não acham muita piada ao que está a acontecer no mundo dos liberais da facção de Francis Fukuyama.
quarta-feira, fevereiro 04, 2004
terça-feira, fevereiro 03, 2004
The Smiths/ Morrissey
O Alexandre Andrade do Blog sobre Kleist elaborou uma lista das suas 10 preferidas dos Smiths. Desde os meus tempos de acne que sou um grande apreciador dos Smiths e da carreira a solo do Morrissey, por isso não resisto a deixar aqui também algumas das minhas preferências:
Last night I dreamt that somebody loved me
(é a minha preferida, gosto daquela atmosfera tipo fim dos tempos criada
pela amalgama de sons do início do tema)
Girl Afraid
(esta era a minha preferida quando tinha acne)
The Last of the Famous International Playboys
Heaven knows I'm miserable now
Reel around the fountain
The More You Ignore Me, the Closer I Get
Still ill
Panic
Everyday Is Like Sunday
We Hate It When Our Friends Become Successful
(Quando oiço esta imagino o Vasco Graça Moura a espumar de raiva
após o José Saramago ter ganho o prémio Nobel)
Last night I dreamt that somebody loved me
(é a minha preferida, gosto daquela atmosfera tipo fim dos tempos criada
pela amalgama de sons do início do tema)
Girl Afraid
(esta era a minha preferida quando tinha acne)
The Last of the Famous International Playboys
Heaven knows I'm miserable now
Reel around the fountain
The More You Ignore Me, the Closer I Get
Still ill
Panic
Everyday Is Like Sunday
We Hate It When Our Friends Become Successful
(Quando oiço esta imagino o Vasco Graça Moura a espumar de raiva
após o José Saramago ter ganho o prémio Nobel)
segunda-feira, fevereiro 02, 2004
O segundo bissexto
Já todos ouvimos falar de anos bissextos, mas existem também os segundos bissextos. Tal como o dia extra (29 de Fevereiro) que serve para ajustar o tempo que leva a Terra a completar uma órbita à volta do Sol (365,24219 dias), o segundo bissexto, é um segundo extra que é introduzido para ajustar o tempo que o nosso planeta leva a completar uma revolução em torno do seu eixo.
No final de 2003 estava previsto a adição de um segundo bissexto de modo a que Tempo Universal Coordenado coincida a menos de 0,9 segundos com o tempo astronómico, o qual é baseado na rotação da Terra. Mas afinal não foi necessário porque a velocidade de rotação da Terra aumentou ligeiramente.
A primeira vez que se introduziu um segundo bissexto foi em 30 de Junho de 1972. Desde então, os segundos bissextos têm sido introduzidos a 30 de Junho ou a 31 de Dezembro. Nesses dias o tempo decorre da seguinte maneira: 23h59m59s, 23h59m60s, 00h00m00s, etc., ou seja 23h59m60s é o segundo extra introduzido.
No final de 2003 estava previsto a adição de um segundo bissexto de modo a que Tempo Universal Coordenado coincida a menos de 0,9 segundos com o tempo astronómico, o qual é baseado na rotação da Terra. Mas afinal não foi necessário porque a velocidade de rotação da Terra aumentou ligeiramente.
A primeira vez que se introduziu um segundo bissexto foi em 30 de Junho de 1972. Desde então, os segundos bissextos têm sido introduzidos a 30 de Junho ou a 31 de Dezembro. Nesses dias o tempo decorre da seguinte maneira: 23h59m59s, 23h59m60s, 00h00m00s, etc., ou seja 23h59m60s é o segundo extra introduzido.
sábado, janeiro 31, 2004
Conheçam-nos melhor
O Fernando Alves veio fazer-nos uma visita. O resultado poderá ser ouvido amanhã, domingo, pelas 12.05 h na TSF. Deste modo poderão conhecer melhor o que alguns dos membros da Klepsýdra e da Aba de Heisenberg andam a fazer ao dinheiro dos contribuintes.
sexta-feira, janeiro 30, 2004
Colaborar com a ditadura Saudita
Podemos ler no Relações Bilaterais de Junho, publicação do Ministério da Defesa, a seguinte notícia:
"Realizou-se nos passados dias 03 e 04 de Junho, a visita oficial à Arábia Saudita de Sua Excelência o Ministro de Estado e da Defesa Nacional, Dr. Paulo Portas, que, na ocasião, foi recebido pelo seu homólogo, Príncipe Abdel Aziz.
Para além da troca de impressões sobre a situação internacional, durante as conversações foram debatidos diversos assuntos de interesse para ambas as Partes, de que se destacam a possibilidade de incremento da cooperação ao nível industrial de Defesa, particularmente no domínio da manutenção aeronáutica, bem como a eventual frequência de cursos ministrados nas nossas Academias Militares por Oficiais sauditas. Foi ainda sugerida a celebração de um acordo de cooperação bilateral no domínio da Defesa, cuja proposta de texto está já a ser preparada na DGPDN."
No rescaldo da Guerra do Iraque, o mesmo Portas que apertou a mão ao representante do despotismo saudita sugeriu que a próxima ditadura a abater fosse Cuba, propondo o slogan "Cuba Livre" para as T-shirts da Juventude Popular. A podre ditadura cubana é miserável, mas está muito longe do nível de violência do regime saudita, das execuções na praça pública através de decapitação a golpe de sabre de infiéis e de criminosos, dos apedrejamentos públicos de mulheres impuras, da lavagem ao cérebro de jovens e de crianças nas escolas públicas sauditas em que se aprende que o ocidente é o demónio e os EUA o grande Satã (como o mostra uma recente reportagem da BBC).
Algo não está a bater certo, pois não? Apoiámos o derrube da ditadura Iraquiana e cultivamos relações militares com uma ditadura ainda pior... E Portas? A miséria do seu discurso fica a nu perante estas contradições.
"Realizou-se nos passados dias 03 e 04 de Junho, a visita oficial à Arábia Saudita de Sua Excelência o Ministro de Estado e da Defesa Nacional, Dr. Paulo Portas, que, na ocasião, foi recebido pelo seu homólogo, Príncipe Abdel Aziz.
Para além da troca de impressões sobre a situação internacional, durante as conversações foram debatidos diversos assuntos de interesse para ambas as Partes, de que se destacam a possibilidade de incremento da cooperação ao nível industrial de Defesa, particularmente no domínio da manutenção aeronáutica, bem como a eventual frequência de cursos ministrados nas nossas Academias Militares por Oficiais sauditas. Foi ainda sugerida a celebração de um acordo de cooperação bilateral no domínio da Defesa, cuja proposta de texto está já a ser preparada na DGPDN."
No rescaldo da Guerra do Iraque, o mesmo Portas que apertou a mão ao representante do despotismo saudita sugeriu que a próxima ditadura a abater fosse Cuba, propondo o slogan "Cuba Livre" para as T-shirts da Juventude Popular. A podre ditadura cubana é miserável, mas está muito longe do nível de violência do regime saudita, das execuções na praça pública através de decapitação a golpe de sabre de infiéis e de criminosos, dos apedrejamentos públicos de mulheres impuras, da lavagem ao cérebro de jovens e de crianças nas escolas públicas sauditas em que se aprende que o ocidente é o demónio e os EUA o grande Satã (como o mostra uma recente reportagem da BBC).
Algo não está a bater certo, pois não? Apoiámos o derrube da ditadura Iraquiana e cultivamos relações militares com uma ditadura ainda pior... E Portas? A miséria do seu discurso fica a nu perante estas contradições.
quinta-feira, janeiro 29, 2004
Um fiel retrato da NATO
Durante alguns dias este cartaz do filme "Ripoux 3" andou a bombardear-me a vista. Descobri que continha algo de revelador. Poderia ser o retrato perfeito do que é hoje a NATO!
© Gaumont Buena Vista International (GBVI)
- Le Maître de óculos escuros propícios a todo tipo de interpretações sabemos todos quem é.
- O ar very british e a fisionomia Blairiana do actor Thierry Lhermitte, le Disciple, dispensa mais comentários.
- Mas é l'Elève, o personagem representado pelo actor de origem húngara, Lorant Deutsch, a figura mais interessante. Reparem naquele ar de xico esperto, meio manhoso, a cabeça ligeiramente inclinada a espreitar por cima do ombro do Mestre. Tem um ar confiante e ameaçador porque está ao lado do Mestre. Este personagem poderia ser o primeiro ministro polaco, Leszek Miller, ou José Maria Aznar. O lado manhoso da NATO, aqueles que só arreganham os dentes quando têm as costas quentes. Mas este personagem assentaria também que nem uma luva aos Rumfelds da nossa lusitânia. Aqueles espertalhaços que não têm o mínimo sentido de prioridades, que já se esqueceram da área florestal recém ardida equivalente à área do Luxemburgo, que se estão a borrifar para a ciência e a educação, mas que acham importante estoirar dinheiro em vãs missões militares para estar sempre nas boas graças do Mestre. É o Portugal xico esperto de que não nos livramos tão cedo. É por isso que foi tão importante o exemplo dessa Europa que soube fazer um manguito ao Mestre. Serve-nos de exemplo países pequenos como a Bélgica ou o Luxemburgo.
© Gaumont Buena Vista International (GBVI)
- Le Maître de óculos escuros propícios a todo tipo de interpretações sabemos todos quem é.
- O ar very british e a fisionomia Blairiana do actor Thierry Lhermitte, le Disciple, dispensa mais comentários.
- Mas é l'Elève, o personagem representado pelo actor de origem húngara, Lorant Deutsch, a figura mais interessante. Reparem naquele ar de xico esperto, meio manhoso, a cabeça ligeiramente inclinada a espreitar por cima do ombro do Mestre. Tem um ar confiante e ameaçador porque está ao lado do Mestre. Este personagem poderia ser o primeiro ministro polaco, Leszek Miller, ou José Maria Aznar. O lado manhoso da NATO, aqueles que só arreganham os dentes quando têm as costas quentes. Mas este personagem assentaria também que nem uma luva aos Rumfelds da nossa lusitânia. Aqueles espertalhaços que não têm o mínimo sentido de prioridades, que já se esqueceram da área florestal recém ardida equivalente à área do Luxemburgo, que se estão a borrifar para a ciência e a educação, mas que acham importante estoirar dinheiro em vãs missões militares para estar sempre nas boas graças do Mestre. É o Portugal xico esperto de que não nos livramos tão cedo. É por isso que foi tão importante o exemplo dessa Europa que soube fazer um manguito ao Mestre. Serve-nos de exemplo países pequenos como a Bélgica ou o Luxemburgo.
quarta-feira, janeiro 28, 2004
À espera de tradução oficial
Dýnom, dánom, na kopečku stála, dýnom, dánom, na mňa pozerala.
Dýnom, dánom, nepozeraj na mňa, dýnom, dánom, nepôjdeš ty za mňa.
Dýnom, dánom, nepozeraj na mňa, dýnom, dánom, nepôjdeš ty za mňa.
terça-feira, janeiro 27, 2004
Chulice no aeroporto
O aeroporto de Lisboa aderiu à esperteza saloia de fazer cobrar os carrinhos de transporte de bagagens. Este sistema é uma espécie de mensagem de boas-vindas ao contrário para todos aqueles que chegam cansados, que dão voltas e voltas através do caótico percurso até ao tapete de recolha de bagagens, muitas das vezes sem euros à mão – quando ainda se traz no bolso dinheiro de um país fora da zona euro – e sem o cartão de crédito certo para se poder alugar um carrinho. É trocar o conforto pela ganância! Para que é que se pagam taxas de aeroporto? Querem ganhar dinheiro à custa do conforto? Então larguem os passageiros no meio da pista ao lado de autocarros a pagar, quem não pagar vai a pé! Ou então só vão para o tapete de recolha as bagagens de quem pagar um extra, quem não pagar vai buscar a bagagem ao porão de carga! Se assim for estamos conversados! Se é para isto que pagamos taxas de aeroporto, então para a próxima desembarca-se no Porto ou em Faro!
sexta-feira, janeiro 23, 2004
Boomerang: Francis Fukuyama
“…a autorização para o uso da força (contra o Iraque) no seguimento da invasão do Kwait indiciam o tipo de acção internacional que poderá ser possível no futuro.”
Francis Fukuyama, 1992, “O fim da história e o último homem”
É muito interessante ler a obra de Fukuyama 12 anos depois, especialmente depois do “espalhanço” dos tigres asiáticos. Para além disso, encontram-se estas belas pérolas de futurologia política.
Francis Fukuyama, 1992, “O fim da história e o último homem”
É muito interessante ler a obra de Fukuyama 12 anos depois, especialmente depois do “espalhanço” dos tigres asiáticos. Para além disso, encontram-se estas belas pérolas de futurologia política.
quinta-feira, janeiro 22, 2004
Imigração científica e não só
O Nuno do Mar Salgado (que suspeito ter sido meu adversário de basquete aqui no distrito de Coimbra) ironiza sobre a abertura do nosso mercado de trabalho a 6500 imigrantes. Note-se que este número foi calculado tomando em consideração que não sairia nenhum português do país. Hoje um estudo anunciado pela SIC dava conta que estão a sair mais Portugueses do país do que estrangeiros a entrar! Mas o mais grave foi o Ministro da Administração Interna gabar-se de que finalmente poderão emitir vistos de residência em APENAS 6 meses!!! Só 6 meses de precariedade não é nada! Está-se mesmo a ver que qualquer empresa fica sentada à espera 6 meses que um trabalhador receba o seu visto de residência.
Tortuosos caminhos da ciência
O artigo da IEEE Spectrum por mim anteriormente comentado descreve a perturbação causada nos meios científicos nos EUA pelas novas políticas da homeland security, independentemente da fuga de cérebros da Europa para a América do Norte que o Nuno do Mar Salgado refere. Problema este que já tinha sido objecto de uma proposição da Comissão Europeia no passado dia 18 de Julho, intitulada «Lutte contre la fuite des cerveaux», que eu andava a guardar para comentar aqui na Klepsýdra. A diferença de salários e de oportunidades são bem descritas no dossier da Time referido pelo Nuno. O caso português é ainda pior, e quem voltou ao país por pura carolice e voluntarismo pensa duas vezes se foi uma boa ideia perante muita indiferença política e algumas insinuações do tipo: «esses cientistas querem é subsídios» (julgam que a ciência nos EUA estaria onde está se não fosse a maior fatia do investimento Americano nos últimos 30 anos ter ido para o armamento, que «subsidia» ciência, empresas tecnológicas privadas e afins).
Nisto julgo que eu e o Nuno estamos de acordo. No entanto eu acho que o Muro que continua a ser construído entre os EUA e o México é bem mais grave do que as preocupações do Nuno sobre Le Pen na Europa (Le Pen bem que gostaria de erguer um muro entre a França e o resto da Europa, já o afirmou uma vez!).
Tortuosos caminhos da ciência
O artigo da IEEE Spectrum por mim anteriormente comentado descreve a perturbação causada nos meios científicos nos EUA pelas novas políticas da homeland security, independentemente da fuga de cérebros da Europa para a América do Norte que o Nuno do Mar Salgado refere. Problema este que já tinha sido objecto de uma proposição da Comissão Europeia no passado dia 18 de Julho, intitulada «Lutte contre la fuite des cerveaux», que eu andava a guardar para comentar aqui na Klepsýdra. A diferença de salários e de oportunidades são bem descritas no dossier da Time referido pelo Nuno. O caso português é ainda pior, e quem voltou ao país por pura carolice e voluntarismo pensa duas vezes se foi uma boa ideia perante muita indiferença política e algumas insinuações do tipo: «esses cientistas querem é subsídios» (julgam que a ciência nos EUA estaria onde está se não fosse a maior fatia do investimento Americano nos últimos 30 anos ter ido para o armamento, que «subsidia» ciência, empresas tecnológicas privadas e afins).
Nisto julgo que eu e o Nuno estamos de acordo. No entanto eu acho que o Muro que continua a ser construído entre os EUA e o México é bem mais grave do que as preocupações do Nuno sobre Le Pen na Europa (Le Pen bem que gostaria de erguer um muro entre a França e o resto da Europa, já o afirmou uma vez!).
quarta-feira, janeiro 21, 2004
Astrologia subsidiada pelo Estado II
Mais tempo de antena para a astrologia do que para o Judaísmo e o Islão
A astrologia como é apresentada pela Sra. Cristina Candeias na "Praça da Alegria" não pode ser considerada como uma rubrica de entretenimento. A Sra. Cristina Candeias publicou um livro recentemente, “Karma e felicidade” - com a ajuda de publicidade que lhe aufere a sua participação na “Praça da Alegria” – onde a astrologia não é de todo tratada como entretenimento. É tratado antes como um assunto “muito serio”. Aliás numa das últimas emissões da Praça da Alegria ainda apresentadas pelo Sr. Luís Goucha, a Sra. Cristina Candeias disse em directo que aquilo era “trabalho e assuntos muito sérios”. Fora da RTP, os clientes da Sra. Candeias quando recorrem às suas consultas não vão em busca de entretenimento, vão em busca de uma solução para os seus problemas através da astrologia. Na sua rubrica da RTP nada muda, a Sra. Cristina Candeias não está a fazer entretenimento está ali para resolver os problemas dos espectadores.
A astrologia é uma actividade que recorre à ciência (astronomia e astrofísica) para recriar o universo de um ponto de vista espiritual. Tal como o fazem a cientologia, o centro de estudos gnósticos, os raelianos, etc. É esta característica que distingue estas actividades espirituais daquelas a que chamamos religiões e que geralmente são associadas à existência de divindades transcendentais. Assim, a rubrica de astrologia da Sra. Cristina Candeias não deve ser considerada nem como entretenimento nem como ciência, mas sim como actividade espiritual. Como actividade espiritual, a referida rubrica de astrologia está claramente em violação da Lei da Liberdade Religiosa pois a astrologia ficou de fora das várias religiões e grupos espirituais a quem, segundo os critérios do Estado Português, seriam concedidos alguns privilégios nos órgãos de comunicação social estatais. Segundo esta lei os meios de comunicação públicos deverão atribuir tempo de antena às diversas confissões religiosas segundo a sua representatividade (Lei nº 31- A/98). Neste momento a astróloga Cristina Candeias tem tempo de antena para divulgar a astrologia semelhante ao da própria igreja católica (a religião mais representativa em Portugal) e claramente superior ao tempo disponibilizado à religião muçulmana e ao judaísmo, por exemplo.
Depois do que foi exposto no texto precedente, esta é provavelmente a segunda violação à lei na mesma rubrica de astrologia. E o Estado a subsidiar isto...
Astrologia subsidiada pelo Estado I
A astrologia como é apresentada pela Sra. Cristina Candeias na "Praça da Alegria" não pode ser considerada como uma rubrica de entretenimento. A Sra. Cristina Candeias publicou um livro recentemente, “Karma e felicidade” - com a ajuda de publicidade que lhe aufere a sua participação na “Praça da Alegria” – onde a astrologia não é de todo tratada como entretenimento. É tratado antes como um assunto “muito serio”. Aliás numa das últimas emissões da Praça da Alegria ainda apresentadas pelo Sr. Luís Goucha, a Sra. Cristina Candeias disse em directo que aquilo era “trabalho e assuntos muito sérios”. Fora da RTP, os clientes da Sra. Candeias quando recorrem às suas consultas não vão em busca de entretenimento, vão em busca de uma solução para os seus problemas através da astrologia. Na sua rubrica da RTP nada muda, a Sra. Cristina Candeias não está a fazer entretenimento está ali para resolver os problemas dos espectadores.
A astrologia é uma actividade que recorre à ciência (astronomia e astrofísica) para recriar o universo de um ponto de vista espiritual. Tal como o fazem a cientologia, o centro de estudos gnósticos, os raelianos, etc. É esta característica que distingue estas actividades espirituais daquelas a que chamamos religiões e que geralmente são associadas à existência de divindades transcendentais. Assim, a rubrica de astrologia da Sra. Cristina Candeias não deve ser considerada nem como entretenimento nem como ciência, mas sim como actividade espiritual. Como actividade espiritual, a referida rubrica de astrologia está claramente em violação da Lei da Liberdade Religiosa pois a astrologia ficou de fora das várias religiões e grupos espirituais a quem, segundo os critérios do Estado Português, seriam concedidos alguns privilégios nos órgãos de comunicação social estatais. Segundo esta lei os meios de comunicação públicos deverão atribuir tempo de antena às diversas confissões religiosas segundo a sua representatividade (Lei nº 31- A/98). Neste momento a astróloga Cristina Candeias tem tempo de antena para divulgar a astrologia semelhante ao da própria igreja católica (a religião mais representativa em Portugal) e claramente superior ao tempo disponibilizado à religião muçulmana e ao judaísmo, por exemplo.
Depois do que foi exposto no texto precedente, esta é provavelmente a segunda violação à lei na mesma rubrica de astrologia. E o Estado a subsidiar isto...
Astrologia subsidiada pelo Estado I
terça-feira, janeiro 20, 2004
Astrologia subsidiada pelo Estado I
Paga pelo Estado para fazer publicidade à sua astrologia!
A Sra. Cristina Candeias, astróloga do programa diário da RTP, "Praça da Alegria", no qual tem cerca de 15 minutos de tempo de antena todos os dias, pratica uma actividade profissional individual colectável pelas finanças públicas. Na "Praça da Alegria" a referida senhora não fala de astrologia de um modo abstracto e geral, mas de uma forma bastante personalizada, levando inclusive consigo o seu computador pessoal – instrumento do qual se serve para dar respostas aos telespectadores - que utiliza igualmente nas suas consultas privadas.
No caso de outros profissionais liberais como médicos ou psicólogos, a sua participação em programas de televisão é limitada à divulgação ou à informação de assuntos específicos, mesmo quando existem rubricas com a participação em directo de telespectadores ao telefone. As respostas dadas aos espectadores pelos profissionais são sempre no âmbito do assunto de debate do programa e nunca no âmbito de uma consulta efectuada em directo, como é o caso da Sra. Cristina Candeias.
Como a participação da senhora Cristina Candeias consiste em efectuar consultas em directo (como está escrito na primeira página do seu livro “Karma e felicidade”) e não em debater ou em divulgar qualquer assunto relacionado com a astrologia, não deveria ser a RTP a pagar à Sra. Cristina Candeias, mas sim esta senhora a pagar à RTP por fazer publicidade às suas consultas, com a obrigatoriedade de afixação da referência “pub” no canto do écran.
Estamos perante uma ilegalidade ou não estamos? (continua)
A Sra. Cristina Candeias, astróloga do programa diário da RTP, "Praça da Alegria", no qual tem cerca de 15 minutos de tempo de antena todos os dias, pratica uma actividade profissional individual colectável pelas finanças públicas. Na "Praça da Alegria" a referida senhora não fala de astrologia de um modo abstracto e geral, mas de uma forma bastante personalizada, levando inclusive consigo o seu computador pessoal – instrumento do qual se serve para dar respostas aos telespectadores - que utiliza igualmente nas suas consultas privadas.
No caso de outros profissionais liberais como médicos ou psicólogos, a sua participação em programas de televisão é limitada à divulgação ou à informação de assuntos específicos, mesmo quando existem rubricas com a participação em directo de telespectadores ao telefone. As respostas dadas aos espectadores pelos profissionais são sempre no âmbito do assunto de debate do programa e nunca no âmbito de uma consulta efectuada em directo, como é o caso da Sra. Cristina Candeias.
Como a participação da senhora Cristina Candeias consiste em efectuar consultas em directo (como está escrito na primeira página do seu livro “Karma e felicidade”) e não em debater ou em divulgar qualquer assunto relacionado com a astrologia, não deveria ser a RTP a pagar à Sra. Cristina Candeias, mas sim esta senhora a pagar à RTP por fazer publicidade às suas consultas, com a obrigatoriedade de afixação da referência “pub” no canto do écran.
Estamos perante uma ilegalidade ou não estamos? (continua)
sábado, janeiro 17, 2004
sexta-feira, janeiro 16, 2004
Le sexe des femmes hoje na ARTE
O excelente canal ARTE, um verdadeiro serviço público europeu, transmite hoje mais uma das suas soirées théma intitulada: Le sexe des femmes. Começa às 21.15 hora de Portugal.
Excitação marciana
Nas últimas 24 horas, o mundo da exploração espacial viveu um frenesim a fazer lembrar os velhos tempos da guerra fria. Anúncios ambiciosos de missões à Lua e a Marte da parte dos EUA, com os Russos a responderem de imediato anunciando que chegariam a Marte em menos tempo (em 10 anos) e por um preço dez vezes inferior. Isto chegou ao ponto de Jean Jacques Dordain, o director da Agência Espacial Europeia (ESA), dar uma conferência de imprensa sobre o assunto. Apesar da ESA já ter o seu programa (Aurora) a decorrer para colocar um homem em Marte entre 2030 e 2033, Jean Jacques Dordain aproveitou a excitação criada pelo momento para relembrar a importância da Europa investir mais dinheiro na ESA.
quinta-feira, janeiro 15, 2004
Excesso de velocidade: há esperança!
O Nuno da Aba de Heisenberg tem escrito uma série de artigos muito bem fundamentados sobre segurança rodoviária desmontando alguma fanfarronice de Miguel Sousa Tavares (MST) quando este fala da demasiada importância que se dá ao excesso de velocidade (é que MST é um grande piloto e os grandes pilotos não cometem erros nem quando andam a 300 km/h).
A última vez que circulei na auto-estrada dei por mim a pensar na teoria de João Magueijo. Não é que o João tem a solução para o excesso de velocidade nas auto-estradas! Presentemente, bem vistas as coisas, a velocidade máxima praticada nas auto-estradas portuguesas é de 300 000 km/s (a velocidade da luz). Mas como a teoria de João Magueijo prevê que a velocidade da luz é variável e como a mesma teoria sugere que a velocidade da luz tem vindo a diminuir desde a criação do Universo, isso dá-nos alguma esperança de que um dia o limite de velocidade seja imposto nas nossas auto-estradas pelas leis da física! Assim no futuro, se a velocidade da luz diminuir até perto dos 120 km/h, os efeitos relativísticos impedirão os nossos condutores de ultrapassar o limite de velocidade nas auto-estradas. Obviamente, os referidos efeitos são: o carro ultrapassa os faróis e desintegra-se!
A última vez que circulei na auto-estrada dei por mim a pensar na teoria de João Magueijo. Não é que o João tem a solução para o excesso de velocidade nas auto-estradas! Presentemente, bem vistas as coisas, a velocidade máxima praticada nas auto-estradas portuguesas é de 300 000 km/s (a velocidade da luz). Mas como a teoria de João Magueijo prevê que a velocidade da luz é variável e como a mesma teoria sugere que a velocidade da luz tem vindo a diminuir desde a criação do Universo, isso dá-nos alguma esperança de que um dia o limite de velocidade seja imposto nas nossas auto-estradas pelas leis da física! Assim no futuro, se a velocidade da luz diminuir até perto dos 120 km/h, os efeitos relativísticos impedirão os nossos condutores de ultrapassar o limite de velocidade nas auto-estradas. Obviamente, os referidos efeitos são: o carro ultrapassa os faróis e desintegra-se!
terça-feira, janeiro 13, 2004
EUA: Paranóia vs Ciência
Ao lermos este artigo da IEEE Spectrum ficamos com a sensação de que a ciência que é desenvolvida nos EUA é uma das principais vítimas da paranóica luta contra o terrorismo. Podemos ler a saga do investigador Zia Mian da Universidade de Princeton, cidadão britânico, mas nascido no Paquistão, cada vez que viaja para fora dos EUA seja para passar férias, seja para participar em projectos de investigação. O autor do artigo descreve ainda situações caricatas, mas que devem ser revoltantes para os visados:
"...the measures have led to troubling incidents in which students have been harassed or detained by immigration officials (...) students have had to delay their studies because they're unable to schedule consular interviews; students who'd left the United States for vacation or family emergencies have been denied re-entry; and invited speakers have been unable to obtain visas in time to give scheduled talks."
A frase seguinte é bem ilustrativa de que as consequências da luta contra o terrorismo andam bem mais próximas dos objectivos pretendidos pelos terroristas do 11 de Setembro do que dos objectivos fundadores dos Estados Unidos da América.
"Professors have told me they have lost graduate students or postdocs, who went to Europe instead. People are beginning to think of holding their meetings outside the United States"
Este texto vem a propósito do artigo "Imigração" do Nuno Mota Pinto do Mar Salgado que me parece estar a pintar a cor-de-rosa aquilo que me parece mais uma emenda esfarrapada da Administração Americana para remediar este tipo de problemas.
"...the measures have led to troubling incidents in which students have been harassed or detained by immigration officials (...) students have had to delay their studies because they're unable to schedule consular interviews; students who'd left the United States for vacation or family emergencies have been denied re-entry; and invited speakers have been unable to obtain visas in time to give scheduled talks."
A frase seguinte é bem ilustrativa de que as consequências da luta contra o terrorismo andam bem mais próximas dos objectivos pretendidos pelos terroristas do 11 de Setembro do que dos objectivos fundadores dos Estados Unidos da América.
"Professors have told me they have lost graduate students or postdocs, who went to Europe instead. People are beginning to think of holding their meetings outside the United States"
Este texto vem a propósito do artigo "Imigração" do Nuno Mota Pinto do Mar Salgado que me parece estar a pintar a cor-de-rosa aquilo que me parece mais uma emenda esfarrapada da Administração Americana para remediar este tipo de problemas.
Fairy é melhor
Eu que era um cliente fervoroso do Super-pop e do Palmolive rendi-me às evidências, o Fairy é mesmo melhor!
Há alguns dias acabou-se-me inesperadamente o Palmolive e perante uma pilha de loiça descomunal fui a correr à mercearia do rés-do-chão. Só havia Fairy. Eu que nunca tinha traído os meus lava-loiças com um lava-loiças espanhol, não tive alternativa e comprei mesmo o Fairy. Agora que experimentei o Fairy, contra as minhas mais profundas convicções, sou obrigado a admitir que esse líquido espanhol de um amarelo duvidoso é mesmo melhor!
Há alguns dias acabou-se-me inesperadamente o Palmolive e perante uma pilha de loiça descomunal fui a correr à mercearia do rés-do-chão. Só havia Fairy. Eu que nunca tinha traído os meus lava-loiças com um lava-loiças espanhol, não tive alternativa e comprei mesmo o Fairy. Agora que experimentei o Fairy, contra as minhas mais profundas convicções, sou obrigado a admitir que esse líquido espanhol de um amarelo duvidoso é mesmo melhor!
segunda-feira, janeiro 12, 2004
A EN1 está a ganhar a Batalha
O Vila Dianteira passou pela Batalha e verificou como num dia de chuva as "Capelas Imperfeitas" oferecem um espectáculo deprimente e degradante, como já aqui tinha referido no texto "Portugal Único 4". Tal como diz António ficamos com a sensação de que algo não está a correr bem na gestão do Mosteiro da Batalha. As próprias paredes exteriores, que me recordo terem sido limpas há alguns anos, estão a ficar negras. Quem contempla o Mosteiro de longe começa a reparar que está a ficar negro. A EN1 que passa a algumas dezenas de metros do Mosteiro não está inocente nesta história. A própria EN1 já é uma estrada vergonhosa em si (em breve na Klepsýdra analisaremos mais a sério a EN1), mas o volume de tráfego que passa em frente ao Mosteiro é criminoso. Para muito contribui a política errada de portagens nas auto-estradas (em vez de se taxar os combustíveis) que faz com que os veículos mais problemáticos como os camiões circulem preferencialmente pelas piores estradas, neste caso a EN1. A auto-estrada fica para os BMW e os Jaguares.
Se a EN1 deixasse de ser um eixo principal e passasse a ser uma estrada secundária como já deveria ter acontecido há muito tempo, aquele troço de estrada em frente ao Mosteiro que dá uma bela panorâmica da Batalha, poderia ser devolvido ao trânsito local e ao turismo. Deste modo poupava-se o Mosteiro da Batalha de emissões de escape de dezenas de milhar de veículos que passam por ali diariamente.
Se a EN1 deixasse de ser um eixo principal e passasse a ser uma estrada secundária como já deveria ter acontecido há muito tempo, aquele troço de estrada em frente ao Mosteiro que dá uma bela panorâmica da Batalha, poderia ser devolvido ao trânsito local e ao turismo. Deste modo poupava-se o Mosteiro da Batalha de emissões de escape de dezenas de milhar de veículos que passam por ali diariamente.
domingo, janeiro 11, 2004
Educação rasca
Lembram-se do Big Brother nos manuais escolares? Depois dos editores terem removido dos manuais a referência ao concurso descobre-se que o pesadelo não acabou:
"...outro manual da mesma disciplina (Português), da autoria de Ana Isabel Serpa e outros, editado pela Areal Editores, traz nas páginas 64 e 65 horóscopos de um conhecido astrólogo das nossas televisões, com indicação do nome do autor e respectivo endereço electrónico (novas técnicas publicitárias?), e aparentemente ninguém se escandalizou o suficiente para denunciar o facto. "
Carta do leitor José Batista da Ascenção, Público, 5 de Janeiro de 2004
Vale a pena reclamar: areal@arealeditores.pt ou Areal Editores
"...outro manual da mesma disciplina (Português), da autoria de Ana Isabel Serpa e outros, editado pela Areal Editores, traz nas páginas 64 e 65 horóscopos de um conhecido astrólogo das nossas televisões, com indicação do nome do autor e respectivo endereço electrónico (novas técnicas publicitárias?), e aparentemente ninguém se escandalizou o suficiente para denunciar o facto. "
Carta do leitor José Batista da Ascenção, Público, 5 de Janeiro de 2004
Vale a pena reclamar: areal@arealeditores.pt ou Areal Editores
sexta-feira, janeiro 09, 2004
A Terra ataca!
O silêncio da Beagle 2 continua. É pena para os meus colegas do programa MAGIC cujo projecto dependia da análise dos dados provenientes desta sonda. No entanto nem tudo se perdeu e a Mars Express está a começar a sua missão de prospecção de água no subsolo marciano.
Desde dia 4 que a Spirit já mexe e capta pela primeira vez imagens que mostram as verdadeiras cores do solo marciano. As cores presentes nas anteriores imagens de Marte foram sempre extrapoladas de outros comprimentos de onda. O meu querido amigo já divulgou a ligação para o foto-diário da Spirit. Dia 25 segue-se a Opportunity, que é uma espécie de irmã da Spirit.
A excelente revista de divulgação Ciet et Espace traz este mês um dossier bastante completo onde são descritas todas as missões e um vistoso calendário para 2004 com todos os eventos astronómicos do ano.
A Beagle 2 continua em silêncio.
(Imagem artística do sítio da ESA)
Desde dia 4 que a Spirit já mexe e capta pela primeira vez imagens que mostram as verdadeiras cores do solo marciano. As cores presentes nas anteriores imagens de Marte foram sempre extrapoladas de outros comprimentos de onda. O meu querido amigo já divulgou a ligação para o foto-diário da Spirit. Dia 25 segue-se a Opportunity, que é uma espécie de irmã da Spirit.
A excelente revista de divulgação Ciet et Espace traz este mês um dossier bastante completo onde são descritas todas as missões e um vistoso calendário para 2004 com todos os eventos astronómicos do ano.
A Beagle 2 continua em silêncio.
(Imagem artística do sítio da ESA)
quinta-feira, janeiro 08, 2004
Imigração
O texto "ESTRANGEIROS E EMIGRANTES" do Aviz aborda o tema da imigração sobre várias vertentes. Sobre a forma como tratamos os imigrantes que trabalham em Portugal o mais grave quanto a mim nem são tanto as posições adoptadas pelo PP sobre a matéria, que são mais verborreia populista do que outra coisa. O que nos deveria peocupar é a maneira desorganizada e irresponsável como tratamos todas as questões burocráticas que deveriam permitir aos estrangeiros viver com um mínimo de normalidade (já nem digo conforto) no nosso país. Desde o visto de residência até à abertura de uma simples conta bancária os imigrantes passam por autênticas aventuras dignas de um romance de Franz Kafka. O pior é que este problema está acima das posições e ideologias políticas. É desorganização pura. É incompetência que vai desde o director do SEF até ao simples funcionário que acham normal que um imigrante esteja 14 meses à espera para ver renovado o seu visto de residência.
Julgo que muitos dos altos responsáveis políticos nem sequer se dão conta da gravidade da situação. É tão grave que cidadãos estrangeiros que querem investir em Portugal, criando emprego e riqueza, passam por processos burocráticos inacreditáveis que os faz criar anticorpos ao nosso país desde o primeiro encontro imediato com nossa administração. Muitos desistem e vão-se embora. Outros ficam, guardando sempre uma margem de desconfiança em relação a tudo, mas à mínima oportunidade de investir noutro país não hesitam em fechar portas e partir para países onde sejam tratados com dignidade. Há um caso de um cidadão britânico que após o estado português ter exigido que a sua viatura de matrícula estrangeira pagasse o imposto automóvel - o estado português ilegalmente, contra as regras do mercado Europeu, exige que as viaturas compradas na UE paguem imposto automóvel - se irritou a tal ponto que fechou a sua pequena empresa e foi investir noutro país.
Felicidade africana
Ainda sobre o texto do Aviz, gostei muito dessa definição de felicidade africana: "escrevi um livro com o título Lourenço Marques, em que defendi o direito de os portugueses assumirem a sua margem de felicidade africana – não deve haver preconceitos". É fantástico quando encontramos portugueses que são capazes de olhar para o passado colonial sem preconceitos mas com lucidez. Infelizmente a grande parte guardou muito rancor e um racismo pouco domesticado.
Ler texto anterior sobre a imigração
Julgo que muitos dos altos responsáveis políticos nem sequer se dão conta da gravidade da situação. É tão grave que cidadãos estrangeiros que querem investir em Portugal, criando emprego e riqueza, passam por processos burocráticos inacreditáveis que os faz criar anticorpos ao nosso país desde o primeiro encontro imediato com nossa administração. Muitos desistem e vão-se embora. Outros ficam, guardando sempre uma margem de desconfiança em relação a tudo, mas à mínima oportunidade de investir noutro país não hesitam em fechar portas e partir para países onde sejam tratados com dignidade. Há um caso de um cidadão britânico que após o estado português ter exigido que a sua viatura de matrícula estrangeira pagasse o imposto automóvel - o estado português ilegalmente, contra as regras do mercado Europeu, exige que as viaturas compradas na UE paguem imposto automóvel - se irritou a tal ponto que fechou a sua pequena empresa e foi investir noutro país.
Felicidade africana
Ainda sobre o texto do Aviz, gostei muito dessa definição de felicidade africana: "escrevi um livro com o título Lourenço Marques, em que defendi o direito de os portugueses assumirem a sua margem de felicidade africana – não deve haver preconceitos". É fantástico quando encontramos portugueses que são capazes de olhar para o passado colonial sem preconceitos mas com lucidez. Infelizmente a grande parte guardou muito rancor e um racismo pouco domesticado.
Ler texto anterior sobre a imigração
quarta-feira, janeiro 07, 2004
"Guerra das Estrelas" na ARTE
Hoje, às 19.45 a ARTE emite um interessante documentário sobre a militarização do espaço, desde a "Guerra das Estrelas" do tempo de Reagan até aos novos planos de criação de um escudo anti-míssil sobre o território dos EUA.
domingo, janeiro 04, 2004
Relogio "Astronomico" de Olomouc
Na regiao da Moravia, no sul da Rep. Checa, existe um relogio astronomico verdadeiramente insolito. Tal como em Praga ou em Estrasburgo, a catedral da cidade de Olomouc possui um relogio astronomico que da' as habituais informacoes desde a hora exacta ate 'a posicao da terra em relacao ao sol. A grande diferenca e' que enquanto nos relogios de Praga e de Estrasburgo as badaladas dos quartos de hora, meia hora e hora sao dadas por figuras biblicas, culminando com um desfile dos doze apostolos no exterior do relogio durante as badaladas do meio dia, no relogio de Olomouc estas figuras sao substituidas por figuras, digamos, proletarias... As badaladas em Olomouc sao dadas por dois ferreiros e ao meio dia, em vez do desfile de apostolos, desfilam um campones, uma professora, um mecanico, um carpinteiro, etc. Neste sitio conta-se a historia deste relogio que e' uma verdadeira "perola" dos tempos do comunismo.
sábado, janeiro 03, 2004
Desporto de fim de ano em Estrasburgo
Em Estrasburgo existe um desporto de mau gosto que consiste em queimar carros durante a passagem do ano. Sao rapazes que fazem questao de mostrar a sua rebeldia desta maneira. Da mesma forma que as raparigas mostram a sua rebeldia usando o "foulard". As vitimas sao em geral trabalhadores mal pagos que vivem em bairros pobres (as cites) e que muito a custo compram uma carcaca com rodas. Perante a impotencia de fazer algo contra este tipo de acontecimentos resta a vinganca de votar na extrema direita, mesmo nao gostando de Le Pen. Eu conheci pessoas que o fizeram por vinganca, pessoas de origem estrangeira ainda por cima. Este e' um problema pesadissimo da sociedade francesa que tanto a direita como a esquerda sao incapazes de resolver. A direita tem falhado com a sua politica exclusivamente securitaria e a esquerda finge que o problema nao existe (ler "La Gauche contre le peuple"). Quem aproveita e' Le Pen. Por isso, o resultado das ultimas presidenciais francesas que chocou tanta gente, nao me surpreendeu em nada, so me surpreenderam as sondagens que foram publicadas antes. Infelizmente parece-me que tanto a direita como a esquerda nada aprenderam desse vergonhoso resultado.
sexta-feira, janeiro 02, 2004
Aberracäo: Embaixada dos EUA em Bratislava
A Embaixada dos EUA em Bratislava fica situada na praca central da cidade que é ladeada por duas avenidas. Há cerca de um ano a avenida do lado onde fica a embaixada foi cortada ao transito por causa do terrorismo... Imaginem o equivalente em Portugal, o Rossio com um lado cortado ao transito por inestéticos blocos de cimento, vedacoes e arame farpado, onde meia dúzia de gorilas armados até aos dentes se passeiam de um lado para o outro a olhar de alto a baixo os transeuntes que passam por perto. Obviamente que este tipo de atitudes só fazem aumentar o anti-americanismo nos países de leste.
Na noite de passagem de ano a praca estava a abarrotar e estoiravam petardos muito perto da embaixada. E se algum desses petardos fosse lancado lá para dentro seja por brincadeira, seja por provocacao? Iriam fazer o que? Lancar gás lacrimogéneo? Disparar sobre a multidao?
O mundo é perigoso, mas os nossos aliados americanos parece que andam empenhados em o tornar ainda mais perigoso.
Na noite de passagem de ano a praca estava a abarrotar e estoiravam petardos muito perto da embaixada. E se algum desses petardos fosse lancado lá para dentro seja por brincadeira, seja por provocacao? Iriam fazer o que? Lancar gás lacrimogéneo? Disparar sobre a multidao?
O mundo é perigoso, mas os nossos aliados americanos parece que andam empenhados em o tornar ainda mais perigoso.
Bom 2004
Eu e o Gregor aqui dos 5 graus negativos que nos gelam violentamente as extremidades do corpo, desejamos um bom ano de 2004 para o Nuno, nosso companheiro bloguista que tem uma gaita nova.
Bom ano também para os nossos leitores e para todos os blogues, inclusivé para aqueles com quem nos "pegamos" às vezes.
Bom ano também para os nossos leitores e para todos os blogues, inclusivé para aqueles com quem nos "pegamos" às vezes.
segunda-feira, dezembro 29, 2003
Petržalka esta a ficar diferente
O bairro de Petržalka esta a mudar rapidamente. Continuo a registar furiosamente os vestigios do passado antes que tudo se apague para todo o sempre. Em Junho estaremos de maos dadas. Para nao variar a nossa cortesia com os estrangeiros decreta uma quarentena a todos os trabalhadores dos novos paises aderentes à Uniao Europeia. A Finlandia, a Irlanda e mais um ou dois paises serao os unicos a tratar de igual para igual os trabalhadores dos novos paises aderentes. E´vergonhoso. Quando Portugal e a Espanha entraram para a CEE nao foram tratados assim pelos outros paises. Depois venham-me ca falar em directorios!
Petržalka, Bratislava, 2001
Petržalka, Bratislava, 2001
sábado, dezembro 27, 2003
sexta-feira, dezembro 26, 2003
Sobre o véu
Esta é uma velhinha questão da sociedade francesa. Durante os quatro anos que vivi em França o debate sobre o «foulard» aparecia ciclicamente nos debates televisivos. As opiniões iam desde os representantes islâmicos que invocavam a liberdade de expressão da sociedade francesa, mas que não convenciam ninguém de a praticarem no seu quotidiano, até ao arauto de todas as causas fundamentalistas republicanas, o Sr. Chevènement. Chevènement invoca a república como um bispo invoca o nome de Deus. «La République» é receita para tudo, para ostracizar a Córsega, os partidos de extrema direita, as mulheres portadoras de véu, etc.
A questão não é linear, e quando assim é talvez a decisão mais sensata seja a de o estado não impor o que quer que seja aos cidadãos. Julgo que a frase de Cohn Bendit sobre a questão do véu diz tudo : «deixem as miúdas entrar para o liceu de véu, quando elas acabarem o liceu sairão de jeans, piercing e cabelo pintado! »
O texto de Miguel Portas publicado hoje do Diário de Notícias sobre a questão do véu é muito bom e sobretudo muito bem fundamentado. Aconselho vivamente a sua leitura.
A questão não é linear, e quando assim é talvez a decisão mais sensata seja a de o estado não impor o que quer que seja aos cidadãos. Julgo que a frase de Cohn Bendit sobre a questão do véu diz tudo : «deixem as miúdas entrar para o liceu de véu, quando elas acabarem o liceu sairão de jeans, piercing e cabelo pintado! »
O texto de Miguel Portas publicado hoje do Diário de Notícias sobre a questão do véu é muito bom e sobretudo muito bem fundamentado. Aconselho vivamente a sua leitura.
quinta-feira, dezembro 25, 2003
...três, dois, um, contacto!
A Beagle 2 está quase a entrar em contacto com o solo marciano. O tempo que resta é mostrado aqui:
Após algumas cambalhotas a Beagle 2 irá separar-se dos seus airbags. Depois, se tudo correr bem, lá para as 10:40 GMT a Beagle começará a transmitir um sinal que será captado 9 minutos mais tarde pelo radiotelescópio Lovell de 76m do Jodrell Bank Observatory.
A Beagle 2 e os airbags auxiliares de aterragem.
(Imagem artística do sítio da Agência Espacial Europeia)
Após algumas cambalhotas a Beagle 2 irá separar-se dos seus airbags. Depois, se tudo correr bem, lá para as 10:40 GMT a Beagle começará a transmitir um sinal que será captado 9 minutos mais tarde pelo radiotelescópio Lovell de 76m do Jodrell Bank Observatory.
A Beagle 2 e os airbags auxiliares de aterragem.
(Imagem artística do sítio da Agência Espacial Europeia)
quarta-feira, dezembro 24, 2003
Natal cristão, rendimento mínimo e Michael Moore
Conto de Natal
Michael Moore apresenta no seu filme "Bowling for Columbine" o caso de um rapazito de seis anos que abate a tiro uma rapariga também ela de seis anos de idade numa escola primária. Michael Moore descobre que o rapaz vivia sozinho com a mãe. A sua mãe tinha dois empregos. Como não tinha grandes qualificações e um emprego mal pago não chegava, foi obrigada a trabalhar em dois empregos diferentes para poder sustentar o filho. O problema é que ficou sem tempo nenhum para cuidar do rapazito.
Quem conhece a importância que tem a presença dos pais junto das crianças destas idades (aconselho a leitura de “O inferno somos nós” uma compilação acessível do Prof. Carlos Amaral Dias) não fica espantado com o acto cometido pelo rapazito. Falhas no processo de socialização das crianças, que são da responsabilidade dos pais ou de outros familiares que a criança reconheça como seus mentores, levam a que as mesmas crianças sintam necessidade de afirmar a sua associabilidade de uma forma violenta. Neste caso foi da pior maneira.
Michael Moore descobre também que alguns anos antes a mãe do rapazito recebia o rendimento mínimo e quando este foi cortado por decisão política não teve outra alternativa senão arranjar dois empregos para poder sustentar o rapaz. Os mesmos dois empregos que fizeram que deixasse de ter tempo para educar o seu filho. Fica assim patente as consequências gravíssimas que têm políticas que desprezam por completo a solidariedade social e uma educação equilibrada de crianças que nascem em meios mais desfavorecidos.
De vez em quando lêem-se umas lendas liberais de conteúdo duvidoso em que os beneficiários do rendimento mínimo garantido (RMG) têm piscinas, vão receber o RMG de Mercedes e em que a atribuição do mesmo RMG divide muito as pessoas nos meios rurais. Pois bem, aqui a divisão entre mãe e filho causada pelo fim do rendimento mínimo acabou a tiro!
É dedicado a estes liberais que vos deixo este conto de Natal. É uma espécie de versão actualizada e violenta de “O Natal do Sr. Scrooge” de Charles Dickens.
Reflexão sobre o Natal cristão
Num país de cristãos, onde a 24 de Dezembro se gosta muito de dizer que o Natal deveria ser todos os dias, deixem então que seja efectivamente Natal todos os dias para aqueles que recebem esse mísero RMG. Deixem-nos estoirar essa “fortuna” (em média são nove contos por pessoa) oferecida pela União Europeia – não somos nós que pagamos o RMG - e preocupem-se sim com evasão fiscal. Para termos uma ideia, o custo do rendimento mínimo está para uma gota de água como o custo da evasão fiscal está para uma piscina. Isso sim um verdadeiro cancro que paga efectivamente muitas piscinas e muitos Jaguares!
Michael Moore apresenta no seu filme "Bowling for Columbine" o caso de um rapazito de seis anos que abate a tiro uma rapariga também ela de seis anos de idade numa escola primária. Michael Moore descobre que o rapaz vivia sozinho com a mãe. A sua mãe tinha dois empregos. Como não tinha grandes qualificações e um emprego mal pago não chegava, foi obrigada a trabalhar em dois empregos diferentes para poder sustentar o filho. O problema é que ficou sem tempo nenhum para cuidar do rapazito.
Quem conhece a importância que tem a presença dos pais junto das crianças destas idades (aconselho a leitura de “O inferno somos nós” uma compilação acessível do Prof. Carlos Amaral Dias) não fica espantado com o acto cometido pelo rapazito. Falhas no processo de socialização das crianças, que são da responsabilidade dos pais ou de outros familiares que a criança reconheça como seus mentores, levam a que as mesmas crianças sintam necessidade de afirmar a sua associabilidade de uma forma violenta. Neste caso foi da pior maneira.
Michael Moore descobre também que alguns anos antes a mãe do rapazito recebia o rendimento mínimo e quando este foi cortado por decisão política não teve outra alternativa senão arranjar dois empregos para poder sustentar o rapaz. Os mesmos dois empregos que fizeram que deixasse de ter tempo para educar o seu filho. Fica assim patente as consequências gravíssimas que têm políticas que desprezam por completo a solidariedade social e uma educação equilibrada de crianças que nascem em meios mais desfavorecidos.
De vez em quando lêem-se umas lendas liberais de conteúdo duvidoso em que os beneficiários do rendimento mínimo garantido (RMG) têm piscinas, vão receber o RMG de Mercedes e em que a atribuição do mesmo RMG divide muito as pessoas nos meios rurais. Pois bem, aqui a divisão entre mãe e filho causada pelo fim do rendimento mínimo acabou a tiro!
É dedicado a estes liberais que vos deixo este conto de Natal. É uma espécie de versão actualizada e violenta de “O Natal do Sr. Scrooge” de Charles Dickens.
Reflexão sobre o Natal cristão
Num país de cristãos, onde a 24 de Dezembro se gosta muito de dizer que o Natal deveria ser todos os dias, deixem então que seja efectivamente Natal todos os dias para aqueles que recebem esse mísero RMG. Deixem-nos estoirar essa “fortuna” (em média são nove contos por pessoa) oferecida pela União Europeia – não somos nós que pagamos o RMG - e preocupem-se sim com evasão fiscal. Para termos uma ideia, o custo do rendimento mínimo está para uma gota de água como o custo da evasão fiscal está para uma piscina. Isso sim um verdadeiro cancro que paga efectivamente muitas piscinas e muitos Jaguares!
terça-feira, dezembro 23, 2003
A participação portuguesa na Mars Express
Já aqui foi referida a participação portuguesa na missão Mars Express. O projecto chama-se MAGIC (Mars Atmospherical Geophysical and ExobIological Characterisation) e todas as informações podem ser encontradas aqui. Este projecto conjunto entre a Universidade de Coimbra, a Universidade Nova, o Instituto Superior Técnico e o Observatório Astronómico de Lisboa é dirigido pelo Maarten Roos Serote, um investigador Holandês que o Observatório de Lisboa soube "agarrar".
segunda-feira, dezembro 22, 2003
Sobre as bolsas de investigação
O nosso leitor Pedro Andrade, sobre a questão das bolsas para investigadores, faz-nos a seguinte pergunta:
não será difícil pedir direitos quando estes para as restantes pessoas começam a desaparecer?
Os direitos a que me referi são tão básicos que julgo que ninguém no seu perfeito juízo os contesta. Se não damos condições às pessoas para poder ter filhos e cuidar deles, estamos a contribuir para o colapso da sociedade. Ainda por cima estamos a falar de um grupo de pessoas bastante dinâmicas, logo a sociedade tem todo o interesse em velar para que possam viver condignamente. Infelizmente isso não acontece. Não acontece a meu entender por incompetência, incúria, autismo e desorganização dos governantes responsáveis. A anterior equipa de Pedro Lynce tinha um pouco de tudo isto. Nos países em que há uma aposta clara na ciência e na tecnologia este tipo de aberrações não existem. Existe sim uma aposta em cativar pessoas competentes e não uma política de irresponsabilidade permanente em relação àqueles que podem trazer uma mais valia importante à sociedade. Por isso julgo que os nossos políticos da direita à esquerda não teriam grandes problemas em normalizar as condições de vida dos bolseiros às existentes nos outros países mais desenvolvidos. O problema é que isso dá trabalho e às vezes prefere-se perder semanas a brincar com despachos para safar a filha do amigo do que para servir os investigadores, os estudantes ou a sociedade em geral.
não será difícil pedir direitos quando estes para as restantes pessoas começam a desaparecer?
Os direitos a que me referi são tão básicos que julgo que ninguém no seu perfeito juízo os contesta. Se não damos condições às pessoas para poder ter filhos e cuidar deles, estamos a contribuir para o colapso da sociedade. Ainda por cima estamos a falar de um grupo de pessoas bastante dinâmicas, logo a sociedade tem todo o interesse em velar para que possam viver condignamente. Infelizmente isso não acontece. Não acontece a meu entender por incompetência, incúria, autismo e desorganização dos governantes responsáveis. A anterior equipa de Pedro Lynce tinha um pouco de tudo isto. Nos países em que há uma aposta clara na ciência e na tecnologia este tipo de aberrações não existem. Existe sim uma aposta em cativar pessoas competentes e não uma política de irresponsabilidade permanente em relação àqueles que podem trazer uma mais valia importante à sociedade. Por isso julgo que os nossos políticos da direita à esquerda não teriam grandes problemas em normalizar as condições de vida dos bolseiros às existentes nos outros países mais desenvolvidos. O problema é que isso dá trabalho e às vezes prefere-se perder semanas a brincar com despachos para safar a filha do amigo do que para servir os investigadores, os estudantes ou a sociedade em geral.
domingo, dezembro 21, 2003
Ao assalto do planeta vermelho!
Desta vez não é ficção científica. Dia 25, se tudo correr bem vai ser assim:
(Imagem do sítio da Agência Espacial Europeia)
Depois, enquanto a Mars Express vai tentar encontrar reservas de água subterrâneas em Marte, a Beagle 2 vai fazer análises na superfície do planeta com o objectivo de descobrir alguma forma de vida.
(Imagem do sítio da Agência Espacial Europeia)
Depois, enquanto a Mars Express vai tentar encontrar reservas de água subterrâneas em Marte, a Beagle 2 vai fazer análises na superfície do planeta com o objectivo de descobrir alguma forma de vida.
sexta-feira, dezembro 19, 2003
Nem mais!
No blogue da sonda Beagle 2, que iniciou esta manhã a sequência de manobras que a vão levar à superfície marciana, encontramos uma ligação a uma interessante entrevista ao investigador que coordena a missão. Nessa entrevista podemos ler:
I don’t think of myself going to work – in the mornings I say, “I’m going to the lab,” - which means that I am thoroughly enjoying myself. I don’t think you have to be driven to do research, as it is so enjoyable.
Nem mais!
Eu somo a este prazer a minha caminhada matinal com início na "baixinha" de Coimbra, passando pela Rua Direita, pela Igreja de Sta. Cruz, o Arco de Almedina, subindo o Quebra-Costa e a praça da Sé Velha até à Universidade onde termina a contagem de primeira categoria!
A Beagle 2 deixa a Mars Express
(Imagem artística do sítio da Agência Espacial Europeia)
I don’t think of myself going to work – in the mornings I say, “I’m going to the lab,” - which means that I am thoroughly enjoying myself. I don’t think you have to be driven to do research, as it is so enjoyable.
Nem mais!
Eu somo a este prazer a minha caminhada matinal com início na "baixinha" de Coimbra, passando pela Rua Direita, pela Igreja de Sta. Cruz, o Arco de Almedina, subindo o Quebra-Costa e a praça da Sé Velha até à Universidade onde termina a contagem de primeira categoria!
A Beagle 2 deixa a Mars Express
(Imagem artística do sítio da Agência Espacial Europeia)
Memórias da Sereníssima República
Dio, fulgor della bufera!
Dio, sorriso della duna!
Salva l'arca e la bandiera
della veneta fortuna!
"Otello", Giuseppe Verdi
Se fosse eu a escolher seria "Otello" a abrir o Teatro La Fenice.
Se fosse eu a escolher seria La Serenissima Repubblica a capital da Europa.
Dio, sorriso della duna!
Salva l'arca e la bandiera
della veneta fortuna!
"Otello", Giuseppe Verdi
Se fosse eu a escolher seria "Otello" a abrir o Teatro La Fenice.
Se fosse eu a escolher seria La Serenissima Repubblica a capital da Europa.
quinta-feira, dezembro 18, 2003
La Fenice renasce das cinzas
O mítico Teatro La Fenice reabriu finalmente ao público após o terrível incêndio de 1996. Ao longo desta semana estão a decorrer as serate inaugurali que têm participações tão diversas como o Maestro Myung-Whun Chung ou Sir Elton John. Mas a primeira grande noite de ópera está prevista apenas para 2004. Em princípio será "La Traviata" a devolver a esta mítica sala veneziana toda a sua grandeza.
Parece que a querer adivinhar este majestoso evento, a minha a amiga Sofia abre o seu poético blogue intitulado Fénix!
Parece que a querer adivinhar este majestoso evento, a minha a amiga Sofia abre o seu poético blogue intitulado Fénix!
terça-feira, dezembro 16, 2003
Contagem decrescente para Marte
A Europa aterrará em Marte em pleno Natal. Neste momento a Mars Express já orbita o planeta vermelho. A sonda Beagle 2 - que também tem um blogue - deixará a Mars Express dia 19 e aterrará em Marte, se tudo correr bem, de 24 para 25 de Dezembro.
A missão pode ser seguida aqui.
A Mars Express e o planeta Marte
(Imagem do sítio da Agência Espacial Europeia)
A missão pode ser seguida aqui.
A Mars Express e o planeta Marte
(Imagem do sítio da Agência Espacial Europeia)
segunda-feira, dezembro 15, 2003
Imigração : Les misérables
Os miseráveis a que me refiro não são os 5 milhões de emigrantes portugueses que nos caracterizam inequivocamente como povo emigrante. Também não são os 300 mil imigrantes legais – sublinho legais - que são tratados como miseráveis pela administração portuguesa. Os miseráveis a que me refiro são os responsáveis do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e do Ministério dos Negócios Estrangeiros que são incapazes de receber condignamente os estrangeiros como nós somos recebidos em França, no Canadá, nos EUA, na Austrália, na Suíça, etc.
Pior ainda, a administração portuguesa nem sequer os próprios portugueses que viveram no estrangeiro sabe acolher. E sei do que falo! Voltei há um ano e ainda tenho uma série de assuntos pendentes por pura incompetência e lentidão da administração portuguesa. Às vezes dá vontade de voltar a desaparecer deste país!
O debate sobre a imigração no «Prós e Contras» confirma esta triste realidade.
Pior ainda, a administração portuguesa nem sequer os próprios portugueses que viveram no estrangeiro sabe acolher. E sei do que falo! Voltei há um ano e ainda tenho uma série de assuntos pendentes por pura incompetência e lentidão da administração portuguesa. Às vezes dá vontade de voltar a desaparecer deste país!
O debate sobre a imigração no «Prós e Contras» confirma esta triste realidade.
domingo, dezembro 14, 2003
Utilizador-pagador 2
Na sequência da analogia do Paulo César sobre o conceito associado à criação dos seguros, o JCD dos Jaquinzinhos aborda o tema focalizando-se exclusivamente sobre as diferentes modalidades de seguro, mas os seus argumentos nada referem sobre o objectivo dos mesmos seguros: evitar que em caso de acidente as pessoas envolvidas não tenham que pagar de uma só vez o verdadeiro custos dos estragos. Nas palavras do Paulo César: “todos pagariam pouco para ajudar à grande desgraça de alguns...”. Ora, ao contrário do que refere o JCD, se os seguros obedecessem à filosofia do utilizador-pagador (estragador-pagador, neste caso), alguém que fosse o culpado de um acidente automóvel em vez de ver aumentado o seu prémio de uma ou duas dezenas de contos por ano, pagaria a totalidade dos estragos, que poderiam ser: 500 cts, ou 1000 cts ou uma quantia incomportável para o culpado do acidente. Neste caso já não seria um seguro; já não seria pois a tal “ideia pioneira” a que o Paulo César se refere.
Já agora pergunto porque é que nos EUA e na Alemanha não se pagam portagens na auto-estrada? Porque é que são só os países do sul da Europa (Itália, Espanha, Portugal e França) a ter este estúpido sistema? Até acho que a maioria das pessoas não se importaria de pagar uma vinheta como na Suíça, na Áustria, na Rep. Checa, na Eslováquia, etc., vinheta essa que se vende a um preço razoável - na Suíça são 27,50 € e é válida para um ano - e que permite circular em toda a rede de auto-estradas sem percas de tempo inúteis.
Já agora pergunto porque é que nos EUA e na Alemanha não se pagam portagens na auto-estrada? Porque é que são só os países do sul da Europa (Itália, Espanha, Portugal e França) a ter este estúpido sistema? Até acho que a maioria das pessoas não se importaria de pagar uma vinheta como na Suíça, na Áustria, na Rep. Checa, na Eslováquia, etc., vinheta essa que se vende a um preço razoável - na Suíça são 27,50 € e é válida para um ano - e que permite circular em toda a rede de auto-estradas sem percas de tempo inúteis.
sábado, dezembro 13, 2003
Portugal Único 4 : História a céu aberto
A construção das Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha foi interrompida no século XVI e até hoje ficaram sem cobertura. O interior daquele espaço projectado pelo Mestre Huguete é de uma riqueza impressionante, nomeadamente o magnífico portal manuelino de Mateus Fernandes e o túmulo de D. Duarte e de D. Leonor. O problema é que todo este património histórico está à mercê da chuva, do musgo e dos fungos!
O Mosteiro da Batalha é sempre local de romaria quando ando a fazer de guia turístico dos meus amigos estrangeiros que me visitam. A indignação dos estrangeiros que visitam aquele local é unânime. Eu até já tenho vergonha de lá levar alguém. O musgo, os fungos e uns remates manhosos no portal manuelino, que desconfio terem sido feitos em cimento, são de revoltar a mais pacata alma.
Será que não se poderia arranjar uma solução mais saudável para aquele magnífico património que está ali ao abandono? Poderia ser uma cobertura discreta, mas que se enquadrasse com a obra sem chocar, que até poderia ser removida no Verão. Ou porque não uma cobertura futurista como a pirâmide do Louvre. Poderia chocar, mas o musgo a corroer um portal manuelino choca muito mais. Mesmo se estas fossem soluções inaceitáveis e a única solução fosse deixar as Capelas à chuva, o Mosteiro da Batalha deveria ter uma equipa de limpeza e restauro de serviço permanente para não deixar as Capelas apodrecer, como está a acontecer hoje em dia.
Lendo a meia dúzia de linhas sobre as Capelas Imperfeitas na página do IPPAR ficamos com a sensação de que alguém com responsabilidade na matéria se está a borrifar para aquela magnífica obra!
Salte até ao Portugal Único 3, mas desconfie da sinalização...
O Mosteiro da Batalha é sempre local de romaria quando ando a fazer de guia turístico dos meus amigos estrangeiros que me visitam. A indignação dos estrangeiros que visitam aquele local é unânime. Eu até já tenho vergonha de lá levar alguém. O musgo, os fungos e uns remates manhosos no portal manuelino, que desconfio terem sido feitos em cimento, são de revoltar a mais pacata alma.
Será que não se poderia arranjar uma solução mais saudável para aquele magnífico património que está ali ao abandono? Poderia ser uma cobertura discreta, mas que se enquadrasse com a obra sem chocar, que até poderia ser removida no Verão. Ou porque não uma cobertura futurista como a pirâmide do Louvre. Poderia chocar, mas o musgo a corroer um portal manuelino choca muito mais. Mesmo se estas fossem soluções inaceitáveis e a única solução fosse deixar as Capelas à chuva, o Mosteiro da Batalha deveria ter uma equipa de limpeza e restauro de serviço permanente para não deixar as Capelas apodrecer, como está a acontecer hoje em dia.
Lendo a meia dúzia de linhas sobre as Capelas Imperfeitas na página do IPPAR ficamos com a sensação de que alguém com responsabilidade na matéria se está a borrifar para aquela magnífica obra!
Salte até ao Portugal Único 3, mas desconfie da sinalização...
sexta-feira, dezembro 12, 2003
Utilizador-pagador
Na sequência deste texto, sobre o utilizador-pagador:
O utilizador-pagador é a antítese da ideia pioneira e já com mais de 100 anos dos seguros onde todos pagariam pouco para ajudar à grande desgraça de alguns...
Paulo César (Aba de Heisenberg)
O utilizador-pagador é a antítese da ideia pioneira e já com mais de 100 anos dos seguros onde todos pagariam pouco para ajudar à grande desgraça de alguns...
Paulo César (Aba de Heisenberg)
Os cristãos da treta
Paulo Portas junta-se ao grupo dos que não passam da primeira página da Constituição Europeia, aqueles que defendem a menção da tradição judaico-cristã da Europa. Mas Paulo Portas sabe o que é ser cristão? Ele acha que sim e até se julga um cristão, mas não é! Cristo distribuía peixes pelos pobres e não canas de pesca, ao contrário de todo o seu discurso contra o rendimento mínimo. Cristo recebia uma bofetada numa face e oferecia a outra. Paulo Portas tem um historial de perseguições políticas – uma boa parte delas injusta – que é impar em Portugal. Cristo não apedrejava as prostitutas, nem os estrangeiros, nem os excluídos, ou seja todos aqueles que são os alvos das cruzadas de Paulo Portas. Aliás, as cruzadas eram tão cristãs como Paulo Portas, e é esse «cristianismo» que se quer introduzir na Constituição, é o cristianismo do tempo das cruzadas, sobretudo com o objectivo de intimidar futuros países aderentes de tradição muçulmana como: a Bósnia, a Croácia, a Albânia e a Turquia.
Cristo entrou em Jerusalém montado num burro e não num Jaguar...
Cristo entrou em Jerusalém montado num burro e não num Jaguar...
terça-feira, dezembro 09, 2003
Ólympos: o triunfo do carteiro!
Os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna estiveram quase para se realizar em Budapeste, devido a problemas financeiros ligados à organização dos Jogos na Grécia. Graças a um generoso donativo do mecenas Georgios Averoff (920 000 dracmas de ouro) para a construção do estádio olímpico, os primeiros Jogos Olímpicos realizaram-se mesmo na Grécia, como devia ser!
O primeiro herói era carteiro!
O grego Spiridon Louis foi o grande herói dos Jogos de 1896. Quando entrou isolado no estádio olímpico onde terminava a maratona, o público entrou em histeria. Durante a volta final até à linha de meta, o público em delírio atirava anéis, pulseiras, moedas de ouro e moedas de prata para a pista. Spiridon Louis, que era carteiro, foi o primeiro vencedor da maratona dos Jogos Olímpicos da era moderna. O príncipe Constantino ofereceu-lhe uma avultada quantia em dinheiro e permitiu a Spiridon Louis que formalizasse os desejos que quisesse. Humildemente, Spiridon Louis apenas solicitou ao príncipe que libertasse o seu irmão a cumprir pena de prisão e pediu serviço de barbearia grátis para o resto da vida.
Começa aqui a maratora até à Atenas 2004.
O primeiro herói era carteiro!
O grego Spiridon Louis foi o grande herói dos Jogos de 1896. Quando entrou isolado no estádio olímpico onde terminava a maratona, o público entrou em histeria. Durante a volta final até à linha de meta, o público em delírio atirava anéis, pulseiras, moedas de ouro e moedas de prata para a pista. Spiridon Louis, que era carteiro, foi o primeiro vencedor da maratona dos Jogos Olímpicos da era moderna. O príncipe Constantino ofereceu-lhe uma avultada quantia em dinheiro e permitiu a Spiridon Louis que formalizasse os desejos que quisesse. Humildemente, Spiridon Louis apenas solicitou ao príncipe que libertasse o seu irmão a cumprir pena de prisão e pediu serviço de barbearia grátis para o resto da vida.
Começa aqui a maratora até à Atenas 2004.
domingo, dezembro 07, 2003
Terceiro mundismo na FNAC do Porto
Hoje a FNAC Stª Catarina, Porto, apresentou com pompa e circunstância o horóscopo para 2004 do Sr. Paulo Cardoso, dando assim o seu valioso contributo para a charlatanice e para a estupidez nacional.
Para todos aqueles que não puderam lá ir atirar uns ovos ou uns tomates podres aqui fica o email da FNAC : stacatarina@fnac.pt. Sempre dá para bombardear de mensagens «simpáticas» os senhores da FNAC que são responsáveis por estes devaneios.
Para todos aqueles que não puderam lá ir atirar uns ovos ou uns tomates podres aqui fica o email da FNAC : stacatarina@fnac.pt. Sempre dá para bombardear de mensagens «simpáticas» os senhores da FNAC que são responsáveis por estes devaneios.
sexta-feira, dezembro 05, 2003
Chulice: consultar a lei por 550 €
O Adufe levanta uma questão importante. Aproveitando este excelente meio de comunicação que é a internet, os governos deveriam usufruir desta oportunidade que a tecnologia nos proporciona pela primeira vez na história, para disponibilizar a legislação gratuitamente a todos os cidadãos. A legislação que é o bem mais básico de um estado de direito, mais básico do que a água e a luz.
Mas em Portugal não. Opta-se pela chulice! 550 € por uma assinatura anual ilimitada ao Diário da República, tenham dó! A estes preços a percentagem de portugueses, quer a título individual ou empresarial, que irão beneficiar deste novo suporte para o Diário da República será reduzidíssimo. Ou seja, a mais valia que a internet poderia trazer para que o Diário da República chegasse a mais pessoas, não será aproveitada.
Desculpem-me mas isto é típico dos países do sul da Europa. As auto-estradas remelosas com portagens e a filosofia do "utilizador-pagador" que significa tanto como "gostas de amoras-então já namoras", são brilhantes ideias dos países do sul da Europa: Portugal, Espanha, Itália e França. É por estas e por outras que depois temos fama de atrasados!
Mas em Portugal não. Opta-se pela chulice! 550 € por uma assinatura anual ilimitada ao Diário da República, tenham dó! A estes preços a percentagem de portugueses, quer a título individual ou empresarial, que irão beneficiar deste novo suporte para o Diário da República será reduzidíssimo. Ou seja, a mais valia que a internet poderia trazer para que o Diário da República chegasse a mais pessoas, não será aproveitada.
Desculpem-me mas isto é típico dos países do sul da Europa. As auto-estradas remelosas com portagens e a filosofia do "utilizador-pagador" que significa tanto como "gostas de amoras-então já namoras", são brilhantes ideias dos países do sul da Europa: Portugal, Espanha, Itália e França. É por estas e por outras que depois temos fama de atrasados!
quinta-feira, dezembro 04, 2003
Ainda os equívocos do filme "Camarate"
Insiste-se nos erros do filme “Camarate”. Podemos ler no público de hoje:
O final de "Camarate" não é apoteótico, apenas muito lógico, acaba com a magistrada a conseguir demonstrar na prática que o Cessna pode voar com o motor da asa esquerda desligado, num convite ao espectador para que tire as suas conclusões. E a verdade é que voa mesmo.
Pois voa! Será que há algum bimotor de concepção clássica como o Cessna que não voe quando só tem um motor em funcionamento? Mas com 200 kg de combustível a menos num dos dois depósitos situados na ponta das asas se calhar já não voaria lá muito bem...
O final de "Camarate" não é apoteótico, apenas muito lógico, acaba com a magistrada a conseguir demonstrar na prática que o Cessna pode voar com o motor da asa esquerda desligado, num convite ao espectador para que tire as suas conclusões. E a verdade é que voa mesmo.
Pois voa! Será que há algum bimotor de concepção clássica como o Cessna que não voe quando só tem um motor em funcionamento? Mas com 200 kg de combustível a menos num dos dois depósitos situados na ponta das asas se calhar já não voaria lá muito bem...
A argolada do filme "Camarate"
A cena final deste filme é enganadora. Existe a pretensão de demonstrar que se o Cessna onde voava Sá Carneiro não tivesse gasolina num dos depósitos o avião poderia voar mesmo se apenas um dos motores funcionasse. Assim aconteceu. O que não é de espantar, pois qualquer bimotor é capaz da proeza de voar se tiver apenas um motor em funcionamento.
Num ciclo de cinema português que houve em Estrasburgo durante uma sessão de perguntas a seguir ao filme "Camarate" interpelei o realizador se o voo final tinha sido realizado com o depósito, do lado do motor que parou, quase vazio ou com pouca gasolina. Ele corou e disse que não…
O problema é que se o avião tivesse um dos depósitos vazios ou quase vazios isso significaria cerca 200 kg a menos nas extremidades de uma das asas. Conclusão, o mais provável é que se um dos motores parou a seguir à descolagem, nem era preciso existisse uma diferença de peso de 200 kg bastaria uma diferença de peso de 120 a 150 kg de combustível entre os dois depósitos para que o avião desse uma pirueta ao mínimo fluxo de ar desfavorável!
Enfim, temos que continuar a aturar esta novela Camarate até que desapareça o último dos «Moicanos» e o pior é que são os nossos impostos que andam a pagar o folhetim.
Num ciclo de cinema português que houve em Estrasburgo durante uma sessão de perguntas a seguir ao filme "Camarate" interpelei o realizador se o voo final tinha sido realizado com o depósito, do lado do motor que parou, quase vazio ou com pouca gasolina. Ele corou e disse que não…
O problema é que se o avião tivesse um dos depósitos vazios ou quase vazios isso significaria cerca 200 kg a menos nas extremidades de uma das asas. Conclusão, o mais provável é que se um dos motores parou a seguir à descolagem, nem era preciso existisse uma diferença de peso de 200 kg bastaria uma diferença de peso de 120 a 150 kg de combustível entre os dois depósitos para que o avião desse uma pirueta ao mínimo fluxo de ar desfavorável!
Enfim, temos que continuar a aturar esta novela Camarate até que desapareça o último dos «Moicanos» e o pior é que são os nossos impostos que andam a pagar o folhetim.
terça-feira, dezembro 02, 2003
Strc prst skrz krk!
Strc prst skrz krk!
É o equivalente checo do "rato roeu a rolha do garrafão do Rei da Rússia", mas menos poético, significa: mete os dedos à garganta!
É o equivalente checo do "rato roeu a rolha do garrafão do Rei da Rússia", mas menos poético, significa: mete os dedos à garganta!
segunda-feira, dezembro 01, 2003
Trabalhar no feriado e os subsídios
Hoje é feriado e vim trabalhar. Na investigação não temos horários, temos objectivos. Por isso às vezes trabalhamos 16 ou mais horas por dia. Vezes há em que o trabalho está parado porque se espera uma encomenda ou uma peça da oficina e há tempo para pôr outras coisas em dia que têm menos a ver com o trabalho.
Como eu, hoje segunda-feira feriado, vieram trabalhar centenas de investigadores portugueses que recebem bolsas de investigação, quer isto dizer que descontam para as suas reformas como se ganhassem o ordenado mínimo, que não têm declaração de IRS - nem imaginam o problema que isso causa quando se quer viver normalmente, por exemplo, arrendar ou comprar uma casa - e quer dizer também que não existem regalias nenhumas se o bolseiro quiser ter um filho. Se se seguir a lei à risca, uma bolseira investigadora que esteja grávida pode ser obrigada a trabalhar até ao dia do parto e no dia seguinte deve comparecer no local de trabalho...
Sopra na blogosfera mais um daqueles "ventos" cheio de ódio de estimação (Ler no Mar Salgado). Agora são os subsídios. Começou pelos subsídios aos escritores e já começou a alastrar a outras áreas em que a atribuição ou não de subsídios já não é uma questão tão linear. Palpita-me que ainda vai sobrar para nós investigadores, só porque em investigação são atribuídas bolsas e a palavra bolsa faz confusão à cabeça de muita gente que tem ódio aos subsídios. Na investigação as bolsas existem para proteger o estado e não os investigadores. O estado necessita que seja desenvolvida investigação, mas não se quer comprometer a ter a seu cargo alguns milhares de investigadores em postos fixos (prefere fazê-lo antes em relação aos astrólogos da RTP e a funcionários que vieram do jornal Independente para o Ministério da Defesa). As bolsas são assim um expediente para o estado não se comprometer e efectuar "cortes" à medida das suas necessidades e não um subsídio de caridade pago aos investigadores. Relembro que as bolsas a que me refiro obedecem aos critérios de avaliação mais rigorosos (vai desde a média de curso ao número de artigos publicados e citados em revistas científicas com arbitragem internacional) que se praticam no país.
Para se obter uma bolsa de investigação não basta ter sido colega de trabalho do Ministro da Defesa no Independente, nem ser a astróloga particular de um director da RTP, é preciso dar à unha!
Como eu, hoje segunda-feira feriado, vieram trabalhar centenas de investigadores portugueses que recebem bolsas de investigação, quer isto dizer que descontam para as suas reformas como se ganhassem o ordenado mínimo, que não têm declaração de IRS - nem imaginam o problema que isso causa quando se quer viver normalmente, por exemplo, arrendar ou comprar uma casa - e quer dizer também que não existem regalias nenhumas se o bolseiro quiser ter um filho. Se se seguir a lei à risca, uma bolseira investigadora que esteja grávida pode ser obrigada a trabalhar até ao dia do parto e no dia seguinte deve comparecer no local de trabalho...
Sopra na blogosfera mais um daqueles "ventos" cheio de ódio de estimação (Ler no Mar Salgado). Agora são os subsídios. Começou pelos subsídios aos escritores e já começou a alastrar a outras áreas em que a atribuição ou não de subsídios já não é uma questão tão linear. Palpita-me que ainda vai sobrar para nós investigadores, só porque em investigação são atribuídas bolsas e a palavra bolsa faz confusão à cabeça de muita gente que tem ódio aos subsídios. Na investigação as bolsas existem para proteger o estado e não os investigadores. O estado necessita que seja desenvolvida investigação, mas não se quer comprometer a ter a seu cargo alguns milhares de investigadores em postos fixos (prefere fazê-lo antes em relação aos astrólogos da RTP e a funcionários que vieram do jornal Independente para o Ministério da Defesa). As bolsas são assim um expediente para o estado não se comprometer e efectuar "cortes" à medida das suas necessidades e não um subsídio de caridade pago aos investigadores. Relembro que as bolsas a que me refiro obedecem aos critérios de avaliação mais rigorosos (vai desde a média de curso ao número de artigos publicados e citados em revistas científicas com arbitragem internacional) que se praticam no país.
Para se obter uma bolsa de investigação não basta ter sido colega de trabalho do Ministro da Defesa no Independente, nem ser a astróloga particular de um director da RTP, é preciso dar à unha!
sábado, novembro 29, 2003
Os Jardins Suspensos do sec. XXI
A órbita do satélite SOHO deveria ser declarada uma Maravilha do Mundo, ou melhor do Sistema Solar! O SOHO, satélite concebido para estudar o Sol, descreve uma órbita circular no meio do vazio, algures entre a Terra e o Sol. O ponto em torno do qual descreve a sua orbita chama-se ponto Lagrangiano e corresponde ao centro de massa do conjunto Terra-Sol. Assim, o SOHO descreve uma órbita circular à volta de nada, mas com a mesma dinâmica como se nesse nada existisse um corpo com uma massa equivalente à massa Sol somada à massa da Terra.
Fazendo um paralelo com as Maravilhas da Antiguidade poderíamos dizer que a órbita do SOHO são os Jardins Suspensos do século XXI.
(Imagem do sítio da Agência Espacial Europeia)
Fazendo um paralelo com as Maravilhas da Antiguidade poderíamos dizer que a órbita do SOHO são os Jardins Suspensos do século XXI.
(Imagem do sítio da Agência Espacial Europeia)
sexta-feira, novembro 28, 2003
Elephant
Em "Elephant" Gus Van Sant aborda o tema da violência provocada por armas de fogo na sociedade americana de uma forma original, mas complementar à obra "Bowling for Columbine" de Michael Moore. Van Sant retracta como poucos o ritmo de vida americano, através da vida de alguns jovens de um banal liceu de Portland. Os grandes espaços exteriores, longos corredores, imensos parques, salas espaçosas, silêncios e caminhadas intermináveis ou seja a América como ela é, sem coboiadas, como raros a filmaram. Como Wim Wenders a filmou em "O Estado das Coisas", "Paris Texas" e "The End of Violence". No filme essa pacatez é brutalmente interrompida pela violência sádica e gratuita de dois jovens que tinham comprado armas de guerra pela internet - legais nos EUA, embora passem por armas de auto-defesa - com a ajuda de um simples cartão de crédito.
O resultado é Elephant, uma obra prima, na minha opinião um dos melhores filmes americanos dos últimos tempos.
O resultado é Elephant, uma obra prima, na minha opinião um dos melhores filmes americanos dos últimos tempos.
quinta-feira, novembro 27, 2003
Galileu apagou a Igreja da Constituição Europeia
Quando em 1610 Galileu Galilei apontou o seu telescópio para o céu estava longe de imaginar o que essa sua ousadia iria desencadear. Em 1633 o papa Urbano VIII foi categórico ao proibir o «Diálogo» de Galileu condenando-o simultaneamente a abjuração pública e formal e a detenção por período indefinido. A 22 de Junho do mesmo ano, Galileu bastante doente, ajoelhou-se perante o tribunal do Santo Ofício e proferiu obedientemente o seguinte discurso:
Eu, Galileu, filho do falecido Vincenzio Galilei, (…) depois de me ter sido legalmente feita por este Santo Ofício uma injunção no sentido de que deveria abandonar por completo a falsa opinião de que o Sol é o centro do Mundo e imóvel, e de que a Terra não é o centro do Mundo e se move, e de que não deveria aceitar, defender ou ensinar, de qualquer modo, verbalmente ou por escrito, a dita falsa doutrina, e depois de me ter sido notificado que a dita doutrina era contrária à Sagrada Escritura, escrevi e imprimi um livro em que tratava essa nova doutrina já condenada e aduzia argumentos a seu favor sem apresentar nenhuma solução para eles, fui considerado veementemente suspeito de heresia, ou seja, de ter aceitado e acreditado que o Sol é o centro do Mundo e imóvel e que a Terra não é o centro e se move.
Portanto, desejando tirar do espírito de Vossas Eminências, e do de todos os fiéis cristãos, essa veemente suspeita justamente concebida contra mim, com coração sincero e fé singela abjuro, maldigo e abomino os supraditos erros e heresias e também todos os outros erros, erros e seitas sejam quais forem, contrários à Santa Igreja, e juro que de futuro nunca mais voltarei a dizer ou a afirmar verbalmente ou por escrito alguma coisa capaz de causar similar suspeita contra mim.
Só muito recentemente a Igreja pediu desculpa por esta arrogante, ignorante e atroz condenação de Galileu Galilei. Esta é a prova de que no essencial a Igreja pouco mudou desde o século XVII. Se não fossem individualidades como Galileu que deram corpo ao movimento renascentista e ainda hoje andaríamos por caminhos bem longe dos que são trilhados pelos países que constituem a União Europeia.
O professor Carlos Amaral Dias fundamenta muito bem esta divergência de percursos quando refere que a pior coisa que aconteceu à Europa foram as trevas, altura em que o tempo era organizado em função do fim dos tempos. Indo mais longe ao referir que a Europa é muito mais herdeira do iluminismo e de Kant do que do cristianismo. Eu sugeriria o renascimento como base da génese da Europa dos nossos dias e o iluminismo e a industrialização como seus subprodutos directos. Para mais Portugal foi um dos países que teve um papel fulcral no movimento renascentista.
Existe uma última questão que torna obsoleta a pretensão de incluir uma menção ao cristianismo na Constituição Europeia. Actualmente na UE existem mais de 10 milhões de muçulmanos e foram assinados há alguns meses acordos para iniciar processos de negociação com países como a Croácia, a Bósnia-Herzegovina, a Servia e Montenegro e a Albânia, tudo países em que existem fortes comunidades muçulmanas. Assim, fazer menção ao cristianismo ou à tradição judaico-cristã é estar claramente a incorrer numa manifestaçao de má fé e de falta de respeito para futuros aderentes, cujo objectivo único é o de «marcar território» a estas futuras adesões e especialmente a uma hipotética adesão da Turquia.
Julgo que a actual versão da Constituição (pag. 1) que enuncia as heranças da Europa de uma forma mais genérica (refere apenas herança religiosa) é bem mais razoável do que os devaneios religiosos dos governos polaco, espanhol e português que parecem andar com saudades do tempo em que o Vaticano mandava na Europa. Eis o parágrafo da polémica:
Inspirando-se nas heranças culturais, religiosas e humanistas da Europa, cujos valores, ainda presentes no seu património, enraizaram na vida da sociedade a sua percepção do papel central da pessoa humana e dos seus direitos invioláveis e inalienáveis (...)
Eu, Galileu, filho do falecido Vincenzio Galilei, (…) depois de me ter sido legalmente feita por este Santo Ofício uma injunção no sentido de que deveria abandonar por completo a falsa opinião de que o Sol é o centro do Mundo e imóvel, e de que a Terra não é o centro do Mundo e se move, e de que não deveria aceitar, defender ou ensinar, de qualquer modo, verbalmente ou por escrito, a dita falsa doutrina, e depois de me ter sido notificado que a dita doutrina era contrária à Sagrada Escritura, escrevi e imprimi um livro em que tratava essa nova doutrina já condenada e aduzia argumentos a seu favor sem apresentar nenhuma solução para eles, fui considerado veementemente suspeito de heresia, ou seja, de ter aceitado e acreditado que o Sol é o centro do Mundo e imóvel e que a Terra não é o centro e se move.
Portanto, desejando tirar do espírito de Vossas Eminências, e do de todos os fiéis cristãos, essa veemente suspeita justamente concebida contra mim, com coração sincero e fé singela abjuro, maldigo e abomino os supraditos erros e heresias e também todos os outros erros, erros e seitas sejam quais forem, contrários à Santa Igreja, e juro que de futuro nunca mais voltarei a dizer ou a afirmar verbalmente ou por escrito alguma coisa capaz de causar similar suspeita contra mim.
Só muito recentemente a Igreja pediu desculpa por esta arrogante, ignorante e atroz condenação de Galileu Galilei. Esta é a prova de que no essencial a Igreja pouco mudou desde o século XVII. Se não fossem individualidades como Galileu que deram corpo ao movimento renascentista e ainda hoje andaríamos por caminhos bem longe dos que são trilhados pelos países que constituem a União Europeia.
O professor Carlos Amaral Dias fundamenta muito bem esta divergência de percursos quando refere que a pior coisa que aconteceu à Europa foram as trevas, altura em que o tempo era organizado em função do fim dos tempos. Indo mais longe ao referir que a Europa é muito mais herdeira do iluminismo e de Kant do que do cristianismo. Eu sugeriria o renascimento como base da génese da Europa dos nossos dias e o iluminismo e a industrialização como seus subprodutos directos. Para mais Portugal foi um dos países que teve um papel fulcral no movimento renascentista.
Existe uma última questão que torna obsoleta a pretensão de incluir uma menção ao cristianismo na Constituição Europeia. Actualmente na UE existem mais de 10 milhões de muçulmanos e foram assinados há alguns meses acordos para iniciar processos de negociação com países como a Croácia, a Bósnia-Herzegovina, a Servia e Montenegro e a Albânia, tudo países em que existem fortes comunidades muçulmanas. Assim, fazer menção ao cristianismo ou à tradição judaico-cristã é estar claramente a incorrer numa manifestaçao de má fé e de falta de respeito para futuros aderentes, cujo objectivo único é o de «marcar território» a estas futuras adesões e especialmente a uma hipotética adesão da Turquia.
Julgo que a actual versão da Constituição (pag. 1) que enuncia as heranças da Europa de uma forma mais genérica (refere apenas herança religiosa) é bem mais razoável do que os devaneios religiosos dos governos polaco, espanhol e português que parecem andar com saudades do tempo em que o Vaticano mandava na Europa. Eis o parágrafo da polémica:
Inspirando-se nas heranças culturais, religiosas e humanistas da Europa, cujos valores, ainda presentes no seu património, enraizaram na vida da sociedade a sua percepção do papel central da pessoa humana e dos seus direitos invioláveis e inalienáveis (...)
quarta-feira, novembro 26, 2003
Europa em Coimbra
Graças à Fundação Bissaya Barreto já a partir de amanhã poderemos finalmente assistir a um debate a sério sobre a Europa. O anúncio foi feito em cima da hora, mas mais vale tarde que nunca! Decorrerá no magnífico espaço do Convento de São Francisco em Santa Clara, ainda em fase de recuperação. Horários e informações estão aqui.
terça-feira, novembro 25, 2003
Os terroristas estão aqui e não aí!
Le chauffer de taxi:
- Et ta religion? C’est quoi ta religion?
Je pense à Daniel Pearl encore et à ses derniers mots, tels que les a fixés la video filmée par les ravisseurs : «my father is a Jew, my mother is a Jew, I am a Jew…»
- Athée, dis-je alors. Ma religion c’est athée.
Bernard-Henri Lévy, «Qui a tué Daniel Pearl» Editions Grasset (2003).
Diálogo ocorrido em 2002 em Carachi, Paquistão, onde os maiores terroristas islâmicos têm vidas absolutamente tranquilas, tal como os seus compinchas da Arábia Saudita, aliados de fachada e de conveniência dos EUA.
- Et ta religion? C’est quoi ta religion?
Je pense à Daniel Pearl encore et à ses derniers mots, tels que les a fixés la video filmée par les ravisseurs : «my father is a Jew, my mother is a Jew, I am a Jew…»
- Athée, dis-je alors. Ma religion c’est athée.
Bernard-Henri Lévy, «Qui a tué Daniel Pearl» Editions Grasset (2003).
Diálogo ocorrido em 2002 em Carachi, Paquistão, onde os maiores terroristas islâmicos têm vidas absolutamente tranquilas, tal como os seus compinchas da Arábia Saudita, aliados de fachada e de conveniência dos EUA.
sexta-feira, novembro 21, 2003
Propinas: os pobrezinhos são a favor!
Toma lá que já almoçaste! Afinal os meus pais e os meus avós enganaram-me quando me disseram que no tempo deles não havia dinheiro para estudar. Nessa altura em que os ricos pagavam e bem para estudar, os meus pais e os meus avós foram uns malandrecos e cá para mim não lhes apeteceu foi ir estudar para a Universidade!
A equipa do ex-ministro Pedro Lynce era de facto visionária, trabalhadora (até redigiam despachos nas horas extraordinárias) e sobretudo muito honesta! Nunca tal coisa me tinha ocorrido! É então precisa muita firmeza para defender estas medidas impopulares mas de uma competência e de um profissionalismo extremos!
quinta-feira, novembro 20, 2003
Fazem falta as provocações de Cristovão Moura
Novembro já vai a mais de meio e Cristóvão de Moura ainda não voltou desde que os seus dedos começaram a tremer. Teria ele encontrado D. Sebastião lá para os lados de Alcácer Quibir? Deve estar a convencê-lo a ficar por lá, acompanhado de um bom vinho tinto, "que o branco é vinho para Ingleses", numa qualquer "esplanada a puxar para o gin tónico".
terça-feira, novembro 18, 2003
A América que se questiona 3
Jessica Lynch decidiu escrever este livro onde desmonta a tentativa das Forças Armadas dos EUA de transformar a sua captura pelas forças Iraquianas num caso de propaganda para dar moral às tropas e para atirar «areia aos olhos» do cidadão comum.
Esta mentira de pacotilha tão pequenina mostra até que ponto a actual Administração Americana está disposta a ir para atingir os seus fins. Se se mente sobre coisas tão comezinhas como estas provavelmente mente-se a sério quando mais altos valores se levantam. Por exemplo, sobre as armas de destruição em massa. Não seria a primeira vez. Muitos Italianos ainda não esqueceram as mentiras que se contaram nos anos 80 quando se tentou esconder que tinha sido um avião de combate americano a abater por engano um avião de passageiros no sul de Itália.
Jessica Lynch deveria ter apresentado ontem o seu livro no programa de Larry King na CNN, mas não o fez porque não se sentia bem disposta sendo a apresentação adiada. Esperemos que o motivo não seja alguma «depressão» como a de David Kelly.
(Wall Street, Nova Iorque, 2002)
Salte para: A América que se questiona 2
Esta mentira de pacotilha tão pequenina mostra até que ponto a actual Administração Americana está disposta a ir para atingir os seus fins. Se se mente sobre coisas tão comezinhas como estas provavelmente mente-se a sério quando mais altos valores se levantam. Por exemplo, sobre as armas de destruição em massa. Não seria a primeira vez. Muitos Italianos ainda não esqueceram as mentiras que se contaram nos anos 80 quando se tentou esconder que tinha sido um avião de combate americano a abater por engano um avião de passageiros no sul de Itália.
Jessica Lynch deveria ter apresentado ontem o seu livro no programa de Larry King na CNN, mas não o fez porque não se sentia bem disposta sendo a apresentação adiada. Esperemos que o motivo não seja alguma «depressão» como a de David Kelly.
(Wall Street, Nova Iorque, 2002)
Salte para: A América que se questiona 2
segunda-feira, novembro 17, 2003
Será a Constituição um Adamastor Europeu?
As opiniões que vão surgindo em Portugal sobre a Constituição Europeia são em geral avulsas e frequentemente fazem apelo a bichos-papões que fazem lembrar a lenda do Gigante Adamastor.
O Abrupto questiona se a existência de um Ministro dos Negócios Estrangeiros da UE perturbará a autonomia da política internacional de cada país e dá como exemplo a cimeira dos Açores. Pergunta Pacheco Pereira se Portugal poderia ou não organizar essa cimeira se existisse o referido Ministro Europeu.
Parece-me que esta é uma falsa questão, mas se fosse uma questão importante ironicamente encontraria resposta noutro texto do próprio Pacheco Pereira numa das suas crónicas do Público. Nessa crónica, a propósito das posições do governo Belga contra a guerra no Iraque, Pacheco Pereira refere em tom ameaçador que os Belgas a continuar assim ainda se arriscariam a perder a sede da NATO para a Polónia. Esta abordagem revela da parte de Pacheco Pereira a apologia de uma disciplina total por parte dos países membros às políticas oficiais da NATO. Posteriormente, o que se verificou é que cada país membro da NATO adoptou posições autónomas sobre o conflito no Iraque. Mas não era isso que Pacheco Pereira defendia. Então porque é que agora a propósito do cargo do Ministro Europeu dos Negócios Estrangeiros Pacheco Pereira se mostra tão preocupado com a autonomia da política internacional de cada país? Só porque o Ministro seria um Europeu independente da NATO? Parece-me bem que essa preocupação não tem fundamento e a cimeira dos Açores, apesar da sua evidente irrelevância, realizar-se-ia quer existisse ou não um Ministro Europeu, exactamente da mesma maneira que a autonomia Belga não foi afectada pelas suas divergências com os países mais influentes da NATO. Aliás as funções actualmente exercidas por Javier Solana (ironicamente o ex-secretário geral da NATO) na UE já são basicamente as funções de um hipotético Ministro, o que esvazia bastante este tipo preocupações.
Ao contrário de outros países, em Portugal praticamente não se publicam livros onde se analise ou se sugiram caminhos sobre o futuro da UE. A escassez de palestras ou de debates é mais um sintoma do problema. Infelizmente, restam-nos discussões avulsas e eurofobias alarmistas de conteúdo duvidoso.
O Abrupto questiona se a existência de um Ministro dos Negócios Estrangeiros da UE perturbará a autonomia da política internacional de cada país e dá como exemplo a cimeira dos Açores. Pergunta Pacheco Pereira se Portugal poderia ou não organizar essa cimeira se existisse o referido Ministro Europeu.
Parece-me que esta é uma falsa questão, mas se fosse uma questão importante ironicamente encontraria resposta noutro texto do próprio Pacheco Pereira numa das suas crónicas do Público. Nessa crónica, a propósito das posições do governo Belga contra a guerra no Iraque, Pacheco Pereira refere em tom ameaçador que os Belgas a continuar assim ainda se arriscariam a perder a sede da NATO para a Polónia. Esta abordagem revela da parte de Pacheco Pereira a apologia de uma disciplina total por parte dos países membros às políticas oficiais da NATO. Posteriormente, o que se verificou é que cada país membro da NATO adoptou posições autónomas sobre o conflito no Iraque. Mas não era isso que Pacheco Pereira defendia. Então porque é que agora a propósito do cargo do Ministro Europeu dos Negócios Estrangeiros Pacheco Pereira se mostra tão preocupado com a autonomia da política internacional de cada país? Só porque o Ministro seria um Europeu independente da NATO? Parece-me bem que essa preocupação não tem fundamento e a cimeira dos Açores, apesar da sua evidente irrelevância, realizar-se-ia quer existisse ou não um Ministro Europeu, exactamente da mesma maneira que a autonomia Belga não foi afectada pelas suas divergências com os países mais influentes da NATO. Aliás as funções actualmente exercidas por Javier Solana (ironicamente o ex-secretário geral da NATO) na UE já são basicamente as funções de um hipotético Ministro, o que esvazia bastante este tipo preocupações.
Ao contrário de outros países, em Portugal praticamente não se publicam livros onde se analise ou se sugiram caminhos sobre o futuro da UE. A escassez de palestras ou de debates é mais um sintoma do problema. Infelizmente, restam-nos discussões avulsas e eurofobias alarmistas de conteúdo duvidoso.
domingo, novembro 16, 2003
A blogosfera no divã
O Paulo Querido escreve sobre a evolução e a interactividade da blogosfera um daqueles textos propício a uma boa reflexão.
O Outro Eu aborda sabiamente a angústia do blogo-autor perante os seus textos e as suas opiniões.
O Outro Eu aborda sabiamente a angústia do blogo-autor perante os seus textos e as suas opiniões.
sexta-feira, novembro 14, 2003
Portugal Único 3: até Coimbra pelo bilhar grande
Há alguns anos recebi a visita em Portugal de um casal de amigos alemães. Vieram de automóvel e entraram em Portugal por Vilar Formoso. Ao recebê-los em Coimbra disseram-me que tinha razão quando os tinha prevenido que as estradas portuguesas eram muito más. Eu respondi: "pois, essa estrada, a IP5, é uma estrada muito perigosa.". Eles continuaram, descrevendo-me que mal atravessaram a fronteira apanharam uma estrada horrível cheia de curvas apertadas e cotovelos, mas que apesar de tudo a vista até era bonita. Curvas apertadas e cotovelos pareceu-me uma descrição exagerada da IP5. E perguntei: "Mas essa estrada não tinha uns troços em que havia duas faixas em cada sentido?". Eles disseram-me que não. Percebi então que tinham vindo até Coimbra pela Estrada da Beira... Eles continuaram, explicando-me que mal passaram a fronteira havia uma indicação para sair da IP5 e seguir para Coimbra pela Estrada da Beira. Fiquei meio incrédulo, mas depois quando passei por lá verifiquei que era verdade. Até hoje nada mudou. Aqui está uma foto tirada este ano que o prova:
O que aconteceu a este casal alemão acontece diariamente aos estrangeiros que vêm para Coimbra e têm o azar de entrar no nosso país pela fronteira de Vilar Formoso
Se estas indicações estivessem bem feitas Coimbra seria indicada em frente pela IP5, pois é sem dúvida o percurso mais rápido ou então seria indicada nas duas direcções: pelo itinerário principal e pela estrada nacional.
São este tipo de exemplos que dão uma imagem caótica de Portugal aos estrangeiros que nos visitam. A grande causa deste tipo de problemas é a total diluição de responsabilidades que existe a nível regional no nosso país. Esta placa prejudica principalmente quem se quer dirigir a Coimbra, logo Coimbra é a principal perdedora. Como está colocada noutro concelho, os responsáveis desse concelho não querem saber, nem o organismo responsável pela sinalização das estradas. A falta de uma administração regional eleita nas Beiras - e no resto de Portugal continental - faz com que ninguém com poder de decisão detecte e resolva este problema. Ninguém é culpado e todos perdem.
Salte até ao Portugal Único 2
O que aconteceu a este casal alemão acontece diariamente aos estrangeiros que vêm para Coimbra e têm o azar de entrar no nosso país pela fronteira de Vilar Formoso
Se estas indicações estivessem bem feitas Coimbra seria indicada em frente pela IP5, pois é sem dúvida o percurso mais rápido ou então seria indicada nas duas direcções: pelo itinerário principal e pela estrada nacional.
São este tipo de exemplos que dão uma imagem caótica de Portugal aos estrangeiros que nos visitam. A grande causa deste tipo de problemas é a total diluição de responsabilidades que existe a nível regional no nosso país. Esta placa prejudica principalmente quem se quer dirigir a Coimbra, logo Coimbra é a principal perdedora. Como está colocada noutro concelho, os responsáveis desse concelho não querem saber, nem o organismo responsável pela sinalização das estradas. A falta de uma administração regional eleita nas Beiras - e no resto de Portugal continental - faz com que ninguém com poder de decisão detecte e resolva este problema. Ninguém é culpado e todos perdem.
Salte até ao Portugal Único 2
terça-feira, novembro 11, 2003
A América que se questiona 2
Os verdadeiros patriotas fazem perguntas
Carl Sagan, Título do cap. 25 de "O Mundo Infestado de Demónios".
Os nossos verdadeiros aliados são aqueles que nos dizem para parar quando fazemos asneiras
Michael Moore, ao receber o César do melhor documentário em Paris, 2002.
Os EUA deveriam deixar o Iraque entregue a uma força paz realmente neutra e a seguir pedir desculpas aos Iraquianos
Michael Moore, sexta-feira passada na CNN na apresentação do seu livro "Dude, Where's My Country?".
Salte para: A América que se questiona 1
Carl Sagan, Título do cap. 25 de "O Mundo Infestado de Demónios".
Os nossos verdadeiros aliados são aqueles que nos dizem para parar quando fazemos asneiras
Michael Moore, ao receber o César do melhor documentário em Paris, 2002.
Os EUA deveriam deixar o Iraque entregue a uma força paz realmente neutra e a seguir pedir desculpas aos Iraquianos
Michael Moore, sexta-feira passada na CNN na apresentação do seu livro "Dude, Where's My Country?".
Salte para: A América que se questiona 1
domingo, novembro 09, 2003
Propinas : promessas de 1993 vistas em 2003
Em vez de andarem sempre a falar de tunas, fatos académicos, praxes, papel higiénico e cadeados, as pessoas que defenderam o pagamento de propinas em 93, deveriam era fazer uma análise sobre as consequências da implementação dessa lei no ensino superior até aos dias de hoje. Isso é que seria falar realmente de propinas e dos verdadeiros problemas do ensino superior. Estas pessoas deveriam dizer algo do género :
Em 93 dissemos que se os estudantes pagassem propinas iram ter os benefícios : A, B, C e D.
Agora em 2003, dez anos depois da aprovação da lei das propinas, os estudantes tiveram, ou tiveram parcialmente, ou não tiveram de todo os benefícios : A, B, C e D.
Isto é que seria falar com seriedade sobre o problema das propinas e eventualmente seria um bom ponto de partida para discutir os restantes problemas do ensino superior, pois como escreve e bem o Miguel Vale de Almeida fala-se demasiado só em propinas.
Por exemplo, estou-me a lembrar de um debate emitido pela SIC em 93 onde participaram o Sr. Miguel Sousa Tavares e os Srs. deputados António Barreto e Pacheco Pereira. Esse programa está gravado e muita coisa foi dita nesse programa sobre as consequências das propinas na qualidade do ensino superior. O que seria realmente interessante era se os Srs. deputados António Barreto e Pacheco Pereira analisassem e explicassem, agora em 2003, o que mudou realmente na qualidade do ensino desde 93. Isso sim, isso é que seria falar com seriedade de propinas e seria também um bom exercício anti-demagógico!
Em 93 dissemos que se os estudantes pagassem propinas iram ter os benefícios : A, B, C e D.
Agora em 2003, dez anos depois da aprovação da lei das propinas, os estudantes tiveram, ou tiveram parcialmente, ou não tiveram de todo os benefícios : A, B, C e D.
Isto é que seria falar com seriedade sobre o problema das propinas e eventualmente seria um bom ponto de partida para discutir os restantes problemas do ensino superior, pois como escreve e bem o Miguel Vale de Almeida fala-se demasiado só em propinas.
Por exemplo, estou-me a lembrar de um debate emitido pela SIC em 93 onde participaram o Sr. Miguel Sousa Tavares e os Srs. deputados António Barreto e Pacheco Pereira. Esse programa está gravado e muita coisa foi dita nesse programa sobre as consequências das propinas na qualidade do ensino superior. O que seria realmente interessante era se os Srs. deputados António Barreto e Pacheco Pereira analisassem e explicassem, agora em 2003, o que mudou realmente na qualidade do ensino desde 93. Isso sim, isso é que seria falar com seriedade de propinas e seria também um bom exercício anti-demagógico!
Eclipse ma non troppo
Esta noite o eclipse foi visto em Coimbra pelo "buraco da fechadura". Graças a umas nuvens simpáticas que deram um jeitinho, criando umas abertas aqui e ali, foi possível observar a Lua a desaparecer e a aparecer como se nos estivesse a piscar o olho.
Quarto minguante
No entanto deu para conhecer um simpático investigador Eslovaco que participa num trabalho de colaboração entre a Universidade de Coimbra e a Universidade Nova (para desagrado de alguns blogo-provincianos a Universidade de Coimbra tem inúmeros projectos em conjunto com outras universidades do país). Da conversa retive mais um rol de atropelos sobre a maneira como o estado português acolhe pessoas que vêm para Portugal fazer trabalhos altamente qualificados. Temos a mania que recebemos bem os estrangeiros, mas depois na prática, quando toca a vistos, contas bancárias, segurança social, etc., a nossa administração trata os estrangeiros abaixo de cão.
Sinceramente, estes tipo de problemas envergonham-me. Um país de emigrantes (um terço dos portugueses vive no estrangeiro) deveria ter uma maior sensibilidade para este tipo de problemas.
Quarto minguante
No entanto deu para conhecer um simpático investigador Eslovaco que participa num trabalho de colaboração entre a Universidade de Coimbra e a Universidade Nova (para desagrado de alguns blogo-provincianos a Universidade de Coimbra tem inúmeros projectos em conjunto com outras universidades do país). Da conversa retive mais um rol de atropelos sobre a maneira como o estado português acolhe pessoas que vêm para Portugal fazer trabalhos altamente qualificados. Temos a mania que recebemos bem os estrangeiros, mas depois na prática, quando toca a vistos, contas bancárias, segurança social, etc., a nossa administração trata os estrangeiros abaixo de cão.
Sinceramente, estes tipo de problemas envergonham-me. Um país de emigrantes (um terço dos portugueses vive no estrangeiro) deveria ter uma maior sensibilidade para este tipo de problemas.
sábado, novembro 08, 2003
Eclipse da Lua
Hoje o Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra organiza uma sessão de observação do eclipse total da Lua. As informações estão todas aqui.
Para os mais cépticos:
Um eclipse da Lua constitui um dos raros momentos em que temos uma prova inequívoca à nossa frente de que a Terra é redonda. Basta observar a forma da sombra da Terra que é projectada sobre a Lua durante o eclipse. Afinal não vivemos sobre uma carapaça de tartaruga, nem os oceanos caem a pique de uma face para a outra de uma hipotética Terra cúbica! Pode parecer óbvio nos dias de hoje, mas no passado os eclipses lunares serviam para excluir algumas das teorias mais bizarras sobre a forma da Terra.
Para os mais cépticos:
Um eclipse da Lua constitui um dos raros momentos em que temos uma prova inequívoca à nossa frente de que a Terra é redonda. Basta observar a forma da sombra da Terra que é projectada sobre a Lua durante o eclipse. Afinal não vivemos sobre uma carapaça de tartaruga, nem os oceanos caem a pique de uma face para a outra de uma hipotética Terra cúbica! Pode parecer óbvio nos dias de hoje, mas no passado os eclipses lunares serviam para excluir algumas das teorias mais bizarras sobre a forma da Terra.
sexta-feira, novembro 07, 2003
A blogosfera é uma aldeia e tem vulcões!
Não é só o mundo que é pequeno, a blogosfera também é pequena! Entro num avião em Newark cruzo-me com o Álvaro Costa, chego a Portugal, vou ao Aviz e descubro que o mesmo Álvaro Costa também é um blogonauta e que o seu blogue é o Via Rápida, onde ele descreve a sua passagem pelo aeroporto de Newark! Salto para o Abrupto e dou-me de caras com vulcões da Reunião, vinha eu ainda com a memória impregnada de impressionantes imagens de Crater Lake no Oregon.
O Crater Lake é um lago que se encontra a mais de 2000 metros de altitude preenchendo a cratera de um vulcão. O que é realmente impressionante é que este lago/cratera chega a ter um diâmetro máximo superior a 9 km e para além disso ainda contêm uma ilha!
Aldeola definitivamente!
A seguir, ao ler o artigo do Abrupto «Leituras de voo» fico com a certeza absoluta que a blogosfera é uma verdadeira aldeola. Nesse artigo podemos ler mais uma manifestação de um paupérrimo anti-francesismo a que o Abrupto já nos vem habituando :
Leituras de voo desta vez não foram brilhantes, talvez porque, num chauvinismo quase constante e irritante, os aviões franceses não trazem jornais em inglês. A única excepção era o Financial Times.
Ficámos assim saber que se um avião de um determinado país não tiver jornais na língua que o passageiro desejar, esse país é chauvinista! No regresso efectuei um voo interno nos EUA - tal como parece ter sido um voo interno, o voo de Pacheco Pereira da Reunião para a França metropolitana - onde mais de 50 milhões de pessoas falam castelhano e não encontrei um único jornal nesta língua. Já nem peço o Libération ou Le Canard Enchaîné porque está na cara que não há, nem estes nem esse verdadeiro jornal universal, a Gazzeta dello Sport! Na viagem de volta para Portugal há uma revista portuguesa a Exame, aleluia! Pela mesma lógica poderia concluir que os americanos são chauvinistas, mas não me apetece descer por esses caminhos de cabras. Mas se seguíssemos esses caminhos se calhar concluiríamos que o mundo todo é chauvinista. Talvez escapassem países como o Mónaco, o Luxemburgo ou Andorra só porque não tem aeroporto internacional, claro!
Enfim, infelizmente o Abrupto já nos habituou a alguns artigos em que envereda por caminhos anti-franceses ou anti-Coimbra onde vale tudo, mistura-se no mesmo saco indiscriminadamente : tunas, propinas, ensino superior, investigação, papel higiénico e universidade. O que vale é que ataques de um velado provincianismo dá mais para sorrir do que para ficar chateado.
O Crater Lake é um lago que se encontra a mais de 2000 metros de altitude preenchendo a cratera de um vulcão. O que é realmente impressionante é que este lago/cratera chega a ter um diâmetro máximo superior a 9 km e para além disso ainda contêm uma ilha!
Aldeola definitivamente!
A seguir, ao ler o artigo do Abrupto «Leituras de voo» fico com a certeza absoluta que a blogosfera é uma verdadeira aldeola. Nesse artigo podemos ler mais uma manifestação de um paupérrimo anti-francesismo a que o Abrupto já nos vem habituando :
Leituras de voo desta vez não foram brilhantes, talvez porque, num chauvinismo quase constante e irritante, os aviões franceses não trazem jornais em inglês. A única excepção era o Financial Times.
Ficámos assim saber que se um avião de um determinado país não tiver jornais na língua que o passageiro desejar, esse país é chauvinista! No regresso efectuei um voo interno nos EUA - tal como parece ter sido um voo interno, o voo de Pacheco Pereira da Reunião para a França metropolitana - onde mais de 50 milhões de pessoas falam castelhano e não encontrei um único jornal nesta língua. Já nem peço o Libération ou Le Canard Enchaîné porque está na cara que não há, nem estes nem esse verdadeiro jornal universal, a Gazzeta dello Sport! Na viagem de volta para Portugal há uma revista portuguesa a Exame, aleluia! Pela mesma lógica poderia concluir que os americanos são chauvinistas, mas não me apetece descer por esses caminhos de cabras. Mas se seguíssemos esses caminhos se calhar concluiríamos que o mundo todo é chauvinista. Talvez escapassem países como o Mónaco, o Luxemburgo ou Andorra só porque não tem aeroporto internacional, claro!
Enfim, infelizmente o Abrupto já nos habituou a alguns artigos em que envereda por caminhos anti-franceses ou anti-Coimbra onde vale tudo, mistura-se no mesmo saco indiscriminadamente : tunas, propinas, ensino superior, investigação, papel higiénico e universidade. O que vale é que ataques de um velado provincianismo dá mais para sorrir do que para ficar chateado.
quinta-feira, novembro 06, 2003
O elogio do rasca
Ouvi esta manhã o Ministro Paulo Portas na Assembleia da República a dar lições de economia e gestão ao país! Isto vem de quem foi incapaz de gerir duas empresas "pé de chinelo" que eram continuamente subsidiadas pela Universidade Moderna e, pior do que isso, deixou essas mesmas empresas à beira da ruína financeira. Onde é que está o sentido crítico deste país? Será que queremos um país onde os rascas têm legitimidade política para governar cidadãos honestos e competentes? Se estas coisas se passam a alto nível depois não admira que tenhamos cegos a reconhecer assinaturas...
quarta-feira, novembro 05, 2003
Bússola Política
Chegou-me à caixa de correio o endereço de um sítio onde se faz um teste interessante acerca de tendências políticas. Como seria de esperar, parece coisa de anglo-saxónicos mas tem a sua piada...
terça-feira, novembro 04, 2003
Um satélite com visão raios gama
Há um ano atrás foi lançado para o espaço o melhor telescópio de raios gama jamais construído pelo homem, o telescópio INTEGRAL. Depois de um ano de calibração de instrumentos, o INTEGRAL começou finalmente a enviar-nos as primeiras imagens. Este telescópio vê melhor do que o Super-Homem - que só tem visão raios X - o alcance da vista do INTEGRAL vai desde a radiação visível, passando pelos raios X, até aos raios gama. O telescópio INTEGRAL foi construído pela ESA em colaboração com a Rússia e os EUA para estudar objectos como os núcleos galácticos, as super-novas, os buracos negros (indirectamente) ou as misteriosas explosões de raios gama. Estas explosões de raios gama que em inglês e em francês têm um nome muito mais expressivo (gamma-ray bursts em inglês, sursauts gamma em francês) são um dos fenómenos que estão a despertar maior interesse no meio científico. Existem algumas teorias sobre a sua origem, as mais plausíveis ligam estes fenómenos a super-novas ou hiper-novas, mas as dúvidas ainda são mais do que as certezas.
(Figura do sítio da Agência Espacial Europeia)
O telescópio INTEGRAL é constituído por vários instrumentos: IBIS, SPI, JEM-X e OMC. O instrumento principal, o IBIS, é como se fosse uns óculos raios gama do telescópio. É dele que vão sair as belas imagens do universo profundo. Este é um instrumento que me é particularmente querido, pois sobre ele fiz um estudo sobre a possibilidade de medir a polarização dos raios gama detectados. O instrumento SPI é espectrómetro de grande precisão, uma espécie de inspector que vai analisar a impressão digital do objecto que emitiu a radiação gama. O OMC e o JEM-X são instrumentos auxiliares que servem para analisar respectivamente a radiação visível e os raios X associados à radiação gama captada pelo IBIS e pelo SPI.
(Figura do sítio da Agência Espacial Europeia)
(Figura do sítio da Agência Espacial Europeia)
O telescópio INTEGRAL é constituído por vários instrumentos: IBIS, SPI, JEM-X e OMC. O instrumento principal, o IBIS, é como se fosse uns óculos raios gama do telescópio. É dele que vão sair as belas imagens do universo profundo. Este é um instrumento que me é particularmente querido, pois sobre ele fiz um estudo sobre a possibilidade de medir a polarização dos raios gama detectados. O instrumento SPI é espectrómetro de grande precisão, uma espécie de inspector que vai analisar a impressão digital do objecto que emitiu a radiação gama. O OMC e o JEM-X são instrumentos auxiliares que servem para analisar respectivamente a radiação visível e os raios X associados à radiação gama captada pelo IBIS e pelo SPI.
(Figura do sítio da Agência Espacial Europeia)
segunda-feira, novembro 03, 2003
Radio(in)actividade natural
A propósito das suspeitas de níveis de radioactividade elevada numa escola do distrito da Guarda, convêm lembrar que todos os dias estamos sujeitos à radioactividade natural. Da crosta terrestre vem uma parte dessa radioactividade natural produzida pelo urânio, que existe especialmente em regiões graníticas. Essa radioactividade que em geral é inofensiva tem uma variante mais nociva, que é o radão. O radão é um gás radioactivo que existe nos espaços vazios subterrâneos nas regiões graníticas. É a possibilidade do radão se estar a infiltrar e a acumular na referida escola que despoletou o alerta. Não vale a pena entrar em alarmismos fúteis nestas questões, mas por outro lado parece-me que ao deixarem esta questão arrastar-se até segunda-feira, sem que passe pela escola um técnico equipado de um detector, faz parte da habitual radioINactividade natural lusa.
Existe ainda um outro tipo de radioactividade natural que é produzida na atmosfera quando esta é atravessada pelos raios cósmicos, raios estes que estão constantemente a bombardear a Terra.
Existe ainda um outro tipo de radioactividade natural que é produzida na atmosfera quando esta é atravessada pelos raios cósmicos, raios estes que estão constantemente a bombardear a Terra.
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