Publicado no diário As Beiras de 31 de Maio de 2013
quarta-feira, junho 05, 2013
quinta-feira, março 21, 2013
O Comunismo Financeiro Cipriota
O "comunismo" cipriota é mais uma insólita variante dos peculiares comunismos dos dias que correm (as monarquias comunistas da Coreia do Norte e de Cuba, o comunismo ultraliberal chinês e o clepto-comunismo angolano) e mais uma demonstração do desnorte que grassa entre os órfãos da URSS. O Partido Progressista do Povo Trabalhador (o PC lá do sítio, que pertence ao GUE) desde que chegou ao poder entre 2006 e 2008 pouco ou nada fez para impedir que a ilha servisse de base para a lavagem de dinheiro de redes mafiosas e criminosas dos países de leste. E não nos enganemos, os comunistas cipriotas não defenderam ontem no parlamento os depósitos bancários dos trabalhadores, protegeram sobretudo os depósitos dos russos e dos ucranianos que lhes enchem os bolsos em troca do silêncio e da discrição.
Quando a Islândia entrou em incumprimento em 2008, o Reino Unido apoderou-se dos bancos e das contas bancárias islandesas instaladas na Grã-Bretanha. Ironicamente, os comunistas cipriotas nem sequer são capazes de defender a aplicação de uma taxa de 15% aos depósitos bancários ligados a actividades especulativas e criminosas (a esmagadora maioria do volume dos depósitos acima dos 100 mil euros). Como acontece por cá, quem vai pagar a crise serão certamente os trabalhadores cipriotas através dos seus salários. Mas entre os trabalhadores e os mafiosos de leste, o Partido Progressista do Povo Trabalhador prefere estes últimos.
terça-feira, março 19, 2013
Dança cósmica
Um par estrela-buraco negro rodando um em torno do outro em apenas duas horas e meia. Estamos a falar de objectos maiores do que o nosso Sol (XMM, ESA).
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quinta-feira, março 14, 2013
Chumbado o orçamento do Xerife de Nottingham
Muito por culpa de David Cameron - o Xerife de Nottingham protector do terrorismo financeiro da City e de toda a sua imensa rede de offshores de roubo em massa - este orçamento apresentado ao Parlamento Europeu era um orçamento de austeridade, comparável ao de 2005, onde se corta forte em áreas como a ciência. Graças aos novos poderes instituídos pelo Tratado de Lisboa, pela primeira vez o Parlamento Europeu vetou o orçamento proposto pelos chefes de estado e aprovou um mandato para negociar um novo orçamento, por 506 votos contra 161.
Esta é uma verdadeira prova de força do Parlamento Europeu e a demonstração de que é por aqui que o poder das instituições financeiras culpadas pela crise global e pela austeridade pode ser fortemente contrariado. Não acredito em soluções nacionais para a crise.
sábado, março 09, 2013
terça-feira, fevereiro 26, 2013
Bem-vindo às Coisas Aqui em Baixo
A sua rentrée mediática foi animada, mas foi à Francisco. Quem conhece as reflexões do Francisco José Viegas sabe bem o que pensa sobre o NIF, o Cartão de Cidadão, os códigos de barras, etc. Apesar de discordar diametralmente do Francisco nessas questões - prefiro cartões e números de identificação aos arames farpados, às fechaduras e aos pastores alemães, os seus substitutos nos ditos países liberais - achei aquele "tomar no cu" uma maravilhosa sodomização, mais do que ao fisco, aos moralistas profissionais do nosso rectângulo (reparem que foi quem se queixou....).
Quanto à passagem do Francisco pelo governo achei-a estratosférica. Não vou fazer aqui uma análise do seu trabalho no sub-ministério da cultura, porque a minha indignação é maior (e faço questão que a saiba) pelo simples facto de ter integrado um governo liderado por um jotinhas de carreira cujos méritos profissionais e académicos são tão fracos como dúbios. Quem lê o tom das crónicas do Francisco sobre a educação e a escola não consegue encaixar essas reflexões com a tolerância ao chico-espertismo instalado neste governo (e nem estou a pensar em Relvas...).
Mas o mais importante agora é que a guerra contra aquelas coisas más foi ganha (aqui em casa também já contamos uma vitória). Fazia falta a voz de um dos nossos melhores portistas e do único homem ao qual alguma vez ofereci uma Kona.
quarta-feira, fevereiro 20, 2013
sexta-feira, fevereiro 08, 2013
quarta-feira, janeiro 30, 2013
terça-feira, janeiro 08, 2013
segunda-feira, dezembro 17, 2012
sábado, dezembro 08, 2012
Um editorial digno do gato fedorento
Este editorial do número de hoje de "O Figueirense" faz-me lembrar um sketch do Gato Fedorento em que um matarroano, claramente comprado pelo poder, vai-se manifestar em frente ao hospital a favor do encerramento das urgências. No referido editorial só falta o autor apelar ao encerramento de "O Figueirense", ele está tão satisfeito com o fim do jornal como está o matarroano enquanto lhe estão a cortar uma perna. "Mais força" grita com entusiasmo o matarroano, enquanto lhe serram a perna. Joaquim Gil agradece enquanto lhe encerram o jornal...
sexta-feira, dezembro 07, 2012
Afinal a puta não era virgem
É caso para dizer que a puta perdeu a virgindade. Sabia-se que a puta tinha dormido com o PS, com o PSD, com Cavaco, com a Fundação Oriente, com Ricardo Salgado, etc., mas a puta jurava a pés juntos que era virgem. Agora é melhor jurar com as pernas cruzadas. Não se preocupem, se algo correr mal espera-lhe um poiso na Jerónimo Martins, e não será certamente para carregar as caixas de fruta do Pingo Doce.
terça-feira, dezembro 04, 2012
A verdade sobre o ensino secundário privado
Aquilo que muita gente já sabia e que já tinha sido objecto de muitas denúncias que o ministério continua a ignorar. Isto é um escândalo, não há outra forma de classificar isto. Mas tudo o que se diz sobre a empresa GPS não se fica por aqui, há atividades e práticas bem mais graves do que é aqui descrito e que têm vindo a ser denunciadas por aqueles que conhecem melhor a empresa.
Esta reportagem é também para os idiotas úteis que andaram a apoiar as manifestações contra o corte nos apoios às escolas privadas. Hoje, alguns deles estão no governo, outros são conselheiros de estado.
segunda-feira, novembro 26, 2012
sexta-feira, novembro 16, 2012
O Bairro Fantasma
(publicado na edição de ontem do jornal As Beiras)
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| Cidade Fantasma, algures no Nevada, EUA, Agosto de 2001 |
Numa das mais recentes sextas-feiras, enquanto esperava um amigo, deambulei durante uma hora pelo Bairro Novo à hora do jantar. Por momentos foi invadido pelo mesmo sentimento que tive quando atravessei uma cidade fantasma no Nevada. Havia casas, uma oficina, um hotel, lojas, os postes de eletricidade intactos e sinais de trânsito imaculados. Mas não havia gente. A estrada, parcialmente coberta de areia, era regularmente atravessada por bolas de feno.
Fiz parte de um conjunto de marretas que há uns anos atrás alertou que a abertura de demasiadas grandes superfícies na Figueira poderia ter este resultado. A crise só acelerou o processo. O que mais me custa, é constar que a vitrina da Casa Havanesa já não tem livros. Mas ainda pode ser pior. Há três anos, no Casino da Figueira, chamei a atenção para a lógica estranha dos despedimentos do próprio Casino. Nesse dia fiz muitos amigos... Hoje, as luzes do Casino ainda iluminam o Bairro Novo. Nem quero imaginar como será o Bairro se estas se apagam.
terça-feira, novembro 13, 2012
Sobre o Bloco
Estive nesta convenção pela Moção B, a moção dinamizada pelo João Madeira, Daniel Oliveira, Adelino Fortunato, entre outros. Tal como eles não me revi na forma como foi escolhida a atual coordenação do BE. A minha crítica estende-se ainda à forma como o Bloco tem gerido as suas alianças, por um lado de uma forma muito desconfiada com a esquerda mais moderada (socialistas que não aderiram à terceira via, independentes, etc.) e por outro demasiado condescendente com os ataques dos partidos comunistas do GUE e com as suas políticas de tolerância a ditaduras abjetas (Coreia, China, Angola, etc.). Em suma, cada vez que as táticas e as práticas do Bloco se assemelham ao que de menos interessante tem o PCP, afastamos simpatias e potenciais aderentes.
Com 85 delegados eleitos e apenas 80 presentes, conseguimos 110 votos (~ 25%) para a Mesa Nacional e mais de 120 para a Comissão de Direitos. Não foi nada mau. Tendo surgido muito tardiamente, o movimento que se iniciou com a Moção B deixou no ar um forte potencial contagiante a muitos aderentes da Moção A.
O discurso final do João Semedo foi inteligente e tomou em conta muitas das nossas críticas. Ainda bem.
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