segunda-feira, janeiro 14, 2008

O traçado do TGV não serve o país

O acesso via TGV previsto para o aeroporto de Alcochete não serve os utilizadores do aeroporto que vivem a norte de Lisboa e serve mal quem vive em Lisboa. Sobretudo para quem vive na Beira Interior o percurso será ridículo, obrigando a uma volta impressionante que compreende o atravessamento do Tejo pela a península de Setúbal para se poder chegar ao aeroporto sem utilizar o transporte individual. Será um trajecto penoso sobretudo para quem já tem a sina de se ver obrigado a mudar de comboio para chegar ao TGV.

Ou se encontra uma solução de acesso directo pelo norte (que envolverá mais custos) ou se muda o traçado do TGV. Lembro que o traçado previsto para a entrada do TGV em Portugal é já de si já um erro, como o demonstra a tese de doutoramento do Manuel Tão, doutorado em economia de transportes pela Universidade de Leeds.

Além do mais, o trajecto do TGV deveria permitir às companhias aéreas substituir a ligação aérea altamente poluente entre Lisboa-Porto - a Air France emite bilhetes combinados avião+TGV poupando nas viagens aéreas de curta distância - pela ligação ferroviária rápida entre Alcochete e o Porto. Com o traçado previsto do TGV essa opção ficará altamente comprometida.

domingo, janeiro 13, 2008

A polémica sobre o comboio há 150 anos

Muito bom e oportuno o artigo "O país discute a obra nasce" de Filipe Santos Costa na revista Única do Expresso, onde se resume o debate e a polémica sobre se deveria ou não ser implementado o caminho-de-ferro em Portugal há 150 anos atrás...

Politicamente Ferpeito

Sobre como a palavra fascista pode ser utilizada pelos mesmos autores para a vitimização e para o ataque desmesurado, ler o Rui Tavares.
No que me toca a mudança de ideias sobre os autores referidos, ainda antes de 2007 acabar, essa mudança ocorreu quando ouvi dizer que a diplomacia inglesa era baseada nas regras de um clube de golfe. Tudo ficou muito mais claro, Israel, a independência da Rep. da Irlanda, a Irlanda do Norte, o Domingo Sangrento, o Muro do Ulster, o Muro da Palestina, Gibraltar, etc.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Tanto estudo para mais irresponsabilidade

Nunca andei aqui com bandeirinhas pela Ota ou por Alcochete, ambas as soluções me pareciam razoáveis do ponto vista geográfico: a norte ou à mesma latitude de Lisboa com bons acesso para o norte e o centro do país. Má seria a solução Portela+X (houve quem sugerisse +3!!)e ainda pior seria a solução de efectiva localização na margem sul, em plena península de Setúbal, praticamente inacessível para 2/3 do país.

No entanto, o anúncio de hoje da escolha de Alcochete foi mais um acto irresponsável do governo. Ainda está por fazer o estudo de impacto ambiental à localização de Alcochete e a decisão já está tomada. E se este estudo revelar resultados muito negativos? E se na sequência desses resultados a Autoridade Internacional de Aviação Civil não autorizar os voos para Alcochete, como o fez para a península de Setúbal? O governo vai voltar de novo à OTA?

Se o TGV não passar no novo aeroporto todo o projecto será um logro.

Seria interessante que fosse tornado público o contrato da Lusoponte com o governo e quanto esta empresa vai receber com esta decisão.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Provinciana ou não?

Respondendo ao FNV do Mar Salgado, concordo com Prof. Gomes Canotilho quando afirma que a Universidade de Coimbra é cada vez mais provinciana, tendo em conta que a fracção de inscrições de alunos da região tem aumentado. Para este facto tem contribuído ultimamente o aumento brutal das propinas. Hoje fica mais barato a um aluno pagar as propinas de uma universidade privada localizada na sua área de residência do que se deslocar para estudar na Universidade de Coimbra, onde deverá de pagar propinas+quarto.
Um dos efeitos secundários do aumento exagerado das propinas é a promoção do imobilismo. Os alunos dos grandes centros ficam nos grandes centros, os da província ficam na província. No caso de não existirem alunos na província em número suficiente as universidades e os politécnicos vão correr um sério risco de fechar cursos ou até mesmo de fechar as portas, é o que se verifica actualmente em Castelo Branco, Covilhã, Guarda e Trás-os-Montes.

A sorte da Universidade de Coimbra é ter um lastro de qualidade em muitas áreas diferentes que vem do passado e de não ser provinciana na actividade científica, o que lhe tem valido ser considerada a melhor universidade do país ano após ano. Mas se a tendência para o provincianismo continuar o futuro poderá ser menos risonho.

Sindicato dos gajos altos

Associo-me à indignação do Bruno Nogueira. Há que criar um sindicato dos gajos altos. Somos oprimidos, discriminados e torturados nos transportes públicos, nas mesas dos restaurantes com travessas abaixo no nível dos nossos joelhos, nas camas com menos de 1,90m equipadas de travessas de madeira (as travessas são um instrumento de tortura terrível!) nos urinóis que nos ficam pelos calcanhares e nas cabines telefónicas que nos dão pelo umbigo.
Jovem se tens mais de 1,90m sindicaliza-te e junta-te à luta por urinóis mais altos! (os sapatos agradecem)

terça-feira, janeiro 08, 2008

Les misérables

É sempre impressionante quando descobrimos que no universo da alta finança se recorre a artimanhas tão grosseiras como as que se praticam na economia paralela de um banal bairro degradado de Los Angeles ou de Marselha. Preços e condições especiais para primos e amigos. Se for preciso as notas passam pela lavandaria. E é giro registar o vocabulário alternativo com que se designa e se define essas artimanhas. Obviamente que roubar não é roubar e dívida não é dívida, para os muito ricos. Há sempre uma definição no dicionário de financês que tudo explica e tudo limpa, já se sabe que só os pobres é que roubam e têm dívidas.

Novo Canal e Serviço Público (comentários)

"As TVs privadas em sinal aberto, aquelas cuja mensagem chega a milhões de portugueses, têm uma programação miserável. Telenovelas, reality-shows, filmes e séries americanos e...telejornais tablóides. Debate ? Documentários ? Jornalismo de investigação ? Filmes europeus ou asiáticos ? Zero horas, zero atenção. Neste capítulo, apesar da fraca programação da RTP1 e RTP2 (demasiados concursos e shows, muita superficialidade) o Estado mostra-se muito mais capaz de administrar a coisa pública. Só quem não quer ver, é que não vê o falhanço da SIC e TVI na formação da identidade cívica e cultural dos portugueses, tal como a Lei da Televisão obriga."
J. Vaz

"Sem prejuízo daquilo que apontas, acho mais preocupante o projecto de televisão digital terrestre que está planeado em dois pacotes de canais: um gratuito e outro de assinatura. Além dos custos do receptor, mesmo para ter acesso ao pacote gratuito, está-se mesmo a ver que os canais de sinal aberto não vão ser melhores do que os actuais e vão ter muita publicidade. Quanto aos canais de assinatura, espero para ver, mas sem grandes expectativas."
David Luz (Linha dos Nodos)

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Novo Canal e Serviço Público

Num dos países da Europa em que mais horas se passa em frente a um televisor e que acumula com o nível educacional mais baixo do continente (excluindo Malta), o novo canal de televisão só fará sentido se for um canal de serviço público.
A esquerda portuguesa e a nova elite de direita que valoriza a cultura e a educação, deveriam mobilizar-se para opor um projecto à televisão de baixíssima qualidade oferecida pela direita kitsch e mercantilista, representadas pela SIC generalista e a TVI. A outra solução é lutar para impor regras rigorosas de serviço público a todos os canais.

Se vier aí uma Tele-Cofina é certo e sabido que o nível ainda vai baixar mais (sim, ainda pode baixar mais). Para um povo que se educa em frente à televisão, mais um canal para transmitir lixo com o único intuito de vender empréstimos bancários, champôs e assinaturas telefónicas, só vai ajudar a enterrar ainda mais este país.

"If You Tolerate This Your Children Will Be Next", Manic Street Preachers

quinta-feira, janeiro 03, 2008

sábado, dezembro 29, 2007

Prazeres de 2007: livros

A obra de Dawkins, pela oportunidade e pelo rigor com que actualiza a reflexão sobre a existência de Deus do ponto de vista científico, é um livro incontornável tanto para ateus como para crentes.
Aqui o comentário Klepsýdra sobre "A Desilusão de Deus de Richard Dawkins.

O "Pacto Ecológico" de Nicolas Hulot é uma obra obrigatória para todos os que se preocupam com os grandes desafios globais: as alterações do clima, a exploração intensiva de recursos naturais, a escassez de água potável, a penúria energética e a biodiversidade.
Aqui o comentário Klepsýdra sobre a obra de Hulot.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Cinco Filmes

Respondendo simultaneamente ao repto do Carlos Araújo Alves e do Filpe Moura aqui vão os meus cinco filmes preferidos:

- As Asas do Desejo de Wim Wenders (1987)
- Underground de Emir Kusturica (1995)
- La Dolce Vita de Federico Fellini (1960)
- Dr. Strangelove de Stanley Kubrick (1964)
- Sol Enganador de Nikita Mikhalkov (1994)

Como é difícil deixá-los de fora, aqui vão as minhas preferências temáticas:
- Abre los Ojos de Alejandro Amenábar (1997): ficção científica
- Funny Games de Michael Haneke (1997): cinema fantástico (ou terror se quiserem)
- Gato Preto, Gato Branco de Emir Kusturica (1998): comédia

Dos filmes escolhidos pelo Filipe e pelo Carlos, Blowup de Antonioni, 1900 de Bertolucci, La Femme d’à Coté de Truffaut e Dancer in the Dark, de Lars von Trier estão entre os meus filmes preferidos.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Prazeres de 2007: o filme

O filme "Conversas com o meu Jardineiro" de Jean Becker, baseado no romance homónimo de Henri Cueco é um grande filme com um pequeno orçamento que conta com as excelentes interpretações de Daniel Auteuil e de Jean-Pierre Darroussin. Ler aqui o comentário Klepcinema a "Conversas com o meu Jardineiro".

O filme de Becker é uma das obras que contribuiu para o melhor ano de sempre do cinema francês, o ano com mais entradas, cuja maior contribuição coube à "Marcha dos Pinguins". O cinema francês continua a financiar o melhor cinema de autor de vários continentes e países, em particular o cinema de autor americano (as obras de David Lynch, por exemplo) grandemente marginalizado pela ditadura mercantilista das produtoras e distribuidoras de Hollywood. Vive la France!

terça-feira, dezembro 25, 2007

Prazeres de 2007: o vinho

A Quinta de La Rosa é uma casa gerida por uma família inglesa instalada nas margens do Douro, talvez na zona mais bonita, junto ao Pinhão.
A Quinta de La Rosa produz vinho do Porto, vinhos brancos e tintos e azeite. O Quinta de La Rosa Tinta Roriz Reserva de 2001 foi o melhor vinho que este vosso escriba teve o prazer de descobrir este ano. O preço ronda os 10 € quando comprado na Quinta.

domingo, dezembro 23, 2007

Schengen: um belo grande passo

Em 2000 atravessei pela primeira a fronteira de Berg entre a Eslováquia e a Áustria, na altura uma fronteira entre o espaço Schengen e a Europa não comunitária. Estudava em França, o meu carro tinha matrícula francesa, a minha namorada era Checa e eu tinha passaporte português. Os guardas austríacos passaram-se com o cocktail de nacionalidades. Mandaram-me logo encostar. A bagageira do carro foi-me passada a pente fino pelo guarda equipado de luvinhas brancas, não fosse ele apanhar peçonha. À minha volta assistia a cenas de humilhação de revistas inteiras de autocarros eslovacos que iam trabalhar para a Áustria, como o faziam todos os dias.

Com a chegada de Schengen à Europa de Leste sinto que foi dado um desses grandes passos que a Europa tanto necessita, que eliminam inúmeras burocracias, gastos e humilhações inúteis nos dias que correm. A próxima vez que passar em Berg, farei um manguito imaginário àquele guarda austríaco de luvinhas brancas em homenagem à Europa da livre circulação.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

MobGas: emissões de CO2 no telemóvel

Ontem, ao assistir ao telejornal da RAI Uno tenho uma agradável surpresa. Um investigador português, Tiago Pedrosa, apresenta o programa MobGas que permite a um utilizador de telemóvel controlar a sua contribuição diária para as emissões de gases de efeito de estufa. O trabalho foi desenvolvido no Joint Research Centre de Ispra em Itália em parceria com empresas privadas, cuja implementação foi realizada por uma empresa portuguesa, a MobiComp, uma empresa baseada em Braga.
Um tipo fica cheio de orgulho quando descobre que há compatriotas bem sucedidos nesta áreas.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Acordar em Bolonha

Acordo.

Levanto os estores e contemplo o telhado renascentista do museu cívico medieval, em segundo plano as estátuas da igreja vizinha, projectadas no céu.

A estrada em frente é empedrada, os passos ecoam nas paredes e o barulho das motoretas trepa até ao telhado.

Saio e mergulho nas arcadas de Bolonha,
são 38 km de arcadas só no centro histórico. Aqui o chapéu de chuva é superfulo.

Caminho ao longo da Via Emilia, no sentido contrário ao da Torre Asinelli.
Recentemente, Bolonha foi devolvida às pessoas e aos transportes públicos, o alto da Torre vê-se agora na perfeição, sem smog pelo meio

Espero o autocarro.

Espero...

Chega atrasado,
estamos em Itália...