sábado, junho 12, 2004
sexta-feira, junho 11, 2004
A Europa que interessa
Maria Manuel Leitão Marques do Causa Nossa transcreve uma sábia declaração de Dominique Strauss-Khan sobre a filosofia que deve reger uma União Europeia que se que fresca e atenta.
As vezes que tive oportunidade de falar com pessoas dos continentes asiático ou africano é recorrente um desabafo contra a maneira como EUA gerem os conflitos nessas regiões do mundo. Frequentemente essas pessoas manifestam-se revelando um anti-americanismo bastante feroz. Muitas dessas pessoas têm esperança que a Europa não trilhe os mesmos caminhos dos EUA, e que em vez disso seja capaz de fazer uma ponte equilibrada com as regiões mais desfavorecidas no mundo. Do seu ponto de vista, a Europa é considerada uma tábua de salvação da política internacional. Por isso, a Europa deveria aproveitar esse potencial de confiança que esses povos ainda depositam em nós. Antes que percamos esse potencial de confiança, a Europa deveria assumir mais frequentemente a iniciativa no plano internacional não perdendo de vista os valores mais nobres que foram conseguidos na construção europeia, valores esses sublinhados aqui por Strauus-Khan.
As vezes que tive oportunidade de falar com pessoas dos continentes asiático ou africano é recorrente um desabafo contra a maneira como EUA gerem os conflitos nessas regiões do mundo. Frequentemente essas pessoas manifestam-se revelando um anti-americanismo bastante feroz. Muitas dessas pessoas têm esperança que a Europa não trilhe os mesmos caminhos dos EUA, e que em vez disso seja capaz de fazer uma ponte equilibrada com as regiões mais desfavorecidas no mundo. Do seu ponto de vista, a Europa é considerada uma tábua de salvação da política internacional. Por isso, a Europa deveria aproveitar esse potencial de confiança que esses povos ainda depositam em nós. Antes que percamos esse potencial de confiança, a Europa deveria assumir mais frequentemente a iniciativa no plano internacional não perdendo de vista os valores mais nobres que foram conseguidos na construção europeia, valores esses sublinhados aqui por Strauus-Khan.
União Europeia: imposto nuclear
Portugal poderia reclamar uma espécie de imposto sobre a produção de energia nuclear. Existem países da UE que têm cerca de uma central nuclear por cada milhão de habitantes, obviamente que esses países têm uma vantagem financeira óbvia nos custos da produção de energia em relação a países como Portugal que não possuem centrais nucleares. No entanto, Portugal não contribui para o rol de riscos inerentes à produção de detritos radioactivos na Europa. Em França, por exemplo, existem mais de 70 reactores nucleares espalhados pelas 59 centrais nucleares do país, o que dá mais de um reactor por cada milhão de habitantes. As vantagens económicas são brutais. Como é desejável que o nosso país mantenha a sua condição de país sem energia nuclear (a Alemanha e a Itália estão a desactivar todas as suas centrais nucleares), Portugal tem toda a legitimidade para propor à UE uma compensação pela sua opção nuclear, ou então a criação de um imposto nuclear que deveria reverter aos países que não têm centrais para desenvolver formas de produção de energia menos poluentes e alternativas.
quarta-feira, junho 09, 2004
Vénus, o Sol e a Terra
"O planeta mais parecido com a Terra em tamanho. Com 95% do diâmetro da Terra e uma
massa de 80%, Vénus é o planeta que mais se assemelha ao nosso, em dimensão e
composição química.
Órbita: A duração do ano é de 224,7 dias terrestres e a distância ao Sol representa 72% daquela que separa a Terra do astro-rei. Um dia em Vénus é maior do que o seu próprio ano: corresponde a 243 dias terrestres."
DN
Engraçado isto, quer dizer que ontem o Sol estava quatro vezes mais longe da
Terra do que Vénus, ou seja a dimensão do Sol, relativa a Vénus, é quatro vezes
maior do que vimos. Como a Terra e Vénus são quase do mesmo tamanho, vê-lo ali contra o disco imenso do Sol foi como vermo-nos, à Terra. Vezes o factor de 4 de tamanho
do Sol, dá para sonhar com o tamanho mínimo da Terra... ao pé do disco do Sol.
Paulo César
massa de 80%, Vénus é o planeta que mais se assemelha ao nosso, em dimensão e
composição química.
Órbita: A duração do ano é de 224,7 dias terrestres e a distância ao Sol representa 72% daquela que separa a Terra do astro-rei. Um dia em Vénus é maior do que o seu próprio ano: corresponde a 243 dias terrestres."
DN
Engraçado isto, quer dizer que ontem o Sol estava quatro vezes mais longe da
Terra do que Vénus, ou seja a dimensão do Sol, relativa a Vénus, é quatro vezes
maior do que vimos. Como a Terra e Vénus são quase do mesmo tamanho, vê-lo ali contra o disco imenso do Sol foi como vermo-nos, à Terra. Vezes o factor de 4 de tamanho
do Sol, dá para sonhar com o tamanho mínimo da Terra... ao pé do disco do Sol.
Paulo César
terça-feira, junho 08, 2004
O sangue de Reagan
Foi com alguma tristeza que li grandes declarações de amor a Ronald Reagan por parte de uma série de blogues de direita que tenho em boa conta. Algumas delas, da parte de pessoas que acho interessantes e que sabem discutir política sem descerem ao nível da lama. Leio-os e aprendo com eles. E sobretudo não os gozo, como fazem alguns blogues da esquerda, quando escrevem coisas de que não gostamos.
Ora, algumas dessas pessoas de direita recentemente condenaram com grande fervor simpatias de alguma esquerda em relação à ETA. E fizeram-no com razão. O que eu acho estranho é algumas dessas pessoas virem agora escrever grandes textos de apreço a uma pessoa como Ronald Reagan. Ronald Reagan é talvez o presidente de um regime democrático que mais sangue tem a escorrer-lhe das mãos. E já nem conto aqui com as milhentas guerras civis que fomentou com a ajuda da ex-URSS, como o caso de Angola. Refiro-me a regimes criminosos que apoiou abertamente, nomeadamente os regimes: filipino, chileno, indonésio e argentino. Destaco o seu apoio a Saddam na guerra contra o Irão. Refiro-me ainda ao seu apoio a grupos sanguinários que nada tinham de libertação, como os Contras da Nicarágua e os Talibãs do Afeganistão. Os crimes executados pelos Contras contam-se entre os mais horrendos do planeta Terra. Os Talibãs ergueram apenas a pior ditadura de que há memória nos últimos 50 anos. As consequências do apoio de Reagan aos Talibãs, reflectem-se ainda hoje na dimensão que ganhou a Al-Qaeda. Ilustro as minhas palavras com um excerto do último livro de Robert Clarke:
The overall covert action program expanded greatly in Reagan's second term. Unclassified studies show that it grew from $35 million in 1982 to $600 million in 1987. With few exceptions, the funds bought matériel that was given to Afghan fighters by Pakistan's intelligence service.
"Against All Enemies", Richard Clarke, Free Press, 2004, pag. 50.
Ora, algumas dessas pessoas de direita recentemente condenaram com grande fervor simpatias de alguma esquerda em relação à ETA. E fizeram-no com razão. O que eu acho estranho é algumas dessas pessoas virem agora escrever grandes textos de apreço a uma pessoa como Ronald Reagan. Ronald Reagan é talvez o presidente de um regime democrático que mais sangue tem a escorrer-lhe das mãos. E já nem conto aqui com as milhentas guerras civis que fomentou com a ajuda da ex-URSS, como o caso de Angola. Refiro-me a regimes criminosos que apoiou abertamente, nomeadamente os regimes: filipino, chileno, indonésio e argentino. Destaco o seu apoio a Saddam na guerra contra o Irão. Refiro-me ainda ao seu apoio a grupos sanguinários que nada tinham de libertação, como os Contras da Nicarágua e os Talibãs do Afeganistão. Os crimes executados pelos Contras contam-se entre os mais horrendos do planeta Terra. Os Talibãs ergueram apenas a pior ditadura de que há memória nos últimos 50 anos. As consequências do apoio de Reagan aos Talibãs, reflectem-se ainda hoje na dimensão que ganhou a Al-Qaeda. Ilustro as minhas palavras com um excerto do último livro de Robert Clarke:
The overall covert action program expanded greatly in Reagan's second term. Unclassified studies show that it grew from $35 million in 1982 to $600 million in 1987. With few exceptions, the funds bought matériel that was given to Afghan fighters by Pakistan's intelligence service.
"Against All Enemies", Richard Clarke, Free Press, 2004, pag. 50.
O trânsito de Vénus para a posteridade
Depois de termos passado na Klepsýdra o trânsito de Vénus em tempo real, aqui fica uma bela imagem tirada pelo Observatório da Catania, Itália, na risca H-alfa. Por H-alfa entende-se como a radiação cujo comprimento de onda é de 6563 Å (primeira transição atómica da série de Balmer do átomo de hidrogénio) que é emitida pelo plasma da cromosfera solar que está a uma temperatura de cerca de 10000ºC. Quando olhamos para as fotografias que são tiradas neste comprimento de onda, estamos a ver apenas uma das camadas que constituem o Sol, neste caso a cromosfera.
(Sítio do Observatório da Catania)
(Sítio do Observatório da Catania)
segunda-feira, junho 07, 2004
Trânsito de Vénus: onde ver
(Sítio ESO Venus Transit 2004)
Coimbra: O Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra estará aberto à visita do público, propondo um conjunto de iniciativas em torno do referido evento, em particular a observação astronómica, em condições de segurança, e sua explicação. As iniciativas decorrerão entre as 8h30 e as 13h00 e a participação é gratuita e aberta a todos. A organização deste dia conta com a colaboração da Secção de Astronomia, Astrofísica e Astronáutica da Associação Académica de Coimbra.
Cascais: O NUCLIO (Núcleo Interactivo de Astronomia,) em colaboração com a Marina de Cascais e a Câmara Municipal de Cascais, convida o público a assistir ao trânsito de Vénus no dia 8 de Junho, na Marina de Cascais (terraço da loja 20). O NUCLIO põe à disposição do público telescópios com filtros especiais e telescópios solares, e estarão presentes astrónomos
profissionais e amadores a acompanhar a observação do trânsito. Na loja 20, estará patente uma exposição sobre o trânsito de Vénus e a sua importância histórica, assim como actividades educativas.
Ligações:
The Venus Transit 2004 (ESO)
ESA
Observatório de Lisboa
Mala de viagem
"C´è troppo peso", diz-me a funcionária quando faço o check in. Depois acrescenta: "27 kg, fa niente!". Para além dos calhamaços, dos apontamentos, das fotocópias e dos artigos que fizeram a viagem de ida e volta, trouxe para Portugal uns pequenos pecados com os quais me vou deliciar nos próximos tempos: Campari, vinagre balsâmico, um pedregulho de parmesão (24 meses), orégãos caseiros e uma garrafa de lambrusco romagnolo.
quinta-feira, junho 03, 2004
TV Berlusconi: futebol, cantoretas e gajas
O nivel da TV em Italia anda proximo do zero. A horas decentes, os canais do estado e os canais privados - todos controlados por Berlusconi - passam horas a fio de programas de variedades onde vao desfilando uns cantorzecos romanticos. No intervalo de cada cantoreta fala-se de futebol. A alternativa sao programas de futebol, onde nos intervalos da discussao futebolistica se cantam umas cancoezecas de despedacar il cuore ou musiquitas de claque de futebol. Todos estes programas sao moderados por impressionantes apresentadoras que fazem babar uma assistencia sobretudo composta por homens a caminhar rapidamente para a terceira idade. E' um desespero! Onde esta a Italia do Renascimento?
terça-feira, junho 01, 2004
Europa: aposta ambiental
Portugal deve cumprir os objectivos do protocolo de Quioto sobre a emissão de gases poluentes. Relembro que o protocolo de Quioto serve de eixo à politica ambiental da UE. Nestas europeias em vez de se futebolizar as eleições (Força Portugal: muito se riram aqui os meus colegas Italianos quando lhes contei), deveriam aparecer propostas serias para que em Portugal se faça um esforço importante na redução de emissões, nomeadamente na redução da emissão dos transportes rodoviários e das emissões associadas à produção de energia. Por isso, uma das apostas deveria ser na massificação da utilização de transportes públicos e de preferência em transportes que não emitem gases poluentes (hidrogénio, gás natural, eléctricos, etc.). Uma segunda aposta deveria ser num forte investimento em sistemas alternativos de produção de energia como a energia eólica, a energia solar (temos uma media de horas de Sol por dia muito mais alta que os paises da Europa central e do norte que apostam mais do que nós na energia solar), e desenvolver a energia das marés. Nem todos os países possuem o luxo de ter uma faixa costeira como a nossa virada para o Atlântico com diferenças de altura entre marés bastante generosas. Não esqueçamos que Portugal depende perigosamente do petróleo, que em parte é importado de países criminosos como a Arabia Saudita, apesar de o nosso governo tratar o regime saudita como aliado.
São assuntos como estes que esperava serem objecto de discussão e reflexão nas europeias, pois são os assuntos mais importantes para o futuro do país. Esperava isso da esquerda. Estou à espera...
Desejo fortemente que os Verdes europeus (não confundir com a secção do PCP chamada abusivamente de Verdes) sejam os grandes "vencedores" destas europeias. Por "vencedores" entendo um forte incremento da sua representação no Parlamento Europeu (PE). E espero que a nossa esquerda mais interessante seja eleita e se "encoste" aos Verdes no PE.
São assuntos como estes que esperava serem objecto de discussão e reflexão nas europeias, pois são os assuntos mais importantes para o futuro do país. Esperava isso da esquerda. Estou à espera...
Desejo fortemente que os Verdes europeus (não confundir com a secção do PCP chamada abusivamente de Verdes) sejam os grandes "vencedores" destas europeias. Por "vencedores" entendo um forte incremento da sua representação no Parlamento Europeu (PE). E espero que a nossa esquerda mais interessante seja eleita e se "encoste" aos Verdes no PE.
segunda-feira, maio 31, 2004
Sabado em Bolonha (com atraso)
Bolonha, nesta imponente cidade onde se tropeca na historia avisto uma janela secular onde uma bandeira arco-iris faz um apelo 'a paz. Sao os preparativos da recepcao a Bush. Bush vem a Roma na proxima sexta para uma sessao de pancadinhas nas costas com Berlusconi. Dois irresponsaveis a brincar aos presidentes, vai ser lindo...
(Bolonha, 29 de Maio, 2004)
(Bolonha, 29 de Maio, 2004)
Rua da Judiaria
O blogue Rua da Judiaria publicou dois textos que me merecerem especial atencao:
1- Em "Tortura Humilhacao e Odio" o Nuno conta uma experiencia muito interessante que teve em Londres numa daquelas mesquitas de lavagem ao cerebro no ambito de um trabalho que preparou para a Grande Reportagem. Tenho pena de nao o ter lido. O lixo em que mergulharam muitas das mesquitas europeias esta ali bem descrito. E' preciso sublinhar que esse trabalho de lavagem ao cerebro nao abrandou, pelo contrario, continua a ser feito de uma maneira cada vez mais profissional e mais eficaz - gracas 'a aventura americana no Iraque. Esse "trabalho" e' patrocinado finaceiramente de uma forma tranquila e descarada por alguns senhores generosos da Arabia Saudita (um dia vamos pagar caro as amizades com o regime Saudita). Quando vivi em Estrasburgo vi como o odio anti-semita e' implantado com grande eficacia entre as comunidades muculmanas excluidas que vivem nos guetos de habitacao social. Lembro-me e nunca me esquecerei dos cobardes ataques a sinagogas da regiao que se multiplicaram depois do 11 de Setembro e dos linchamentos de cidadaos franceses que apresentavam sinais exteriores de culto da religiao judaica.
2- Li com uma enorme delicia o texto de Bernard-Henri Levy: "Je suis juif". Para mim Levy e' muito mais do que um judeu (sem desprimor para estes). O texto em que assume em pleno as suas origens judaicas e' muito sentido, mas Levy e' daqueles homens que nao pode ser reduzido a um povo ou a uma religiao. E' um filho do Universo. Se fosse grego, Levy seria um filho de Zeus e Hera, um heroi no sentido mais romantico do termo. O proprio Levy se define como judeu universalista. Nao precisava de o dizer, isso e' mais do que evidente. No entanto, temo a sua sorte. Fico bastante aliviado cada vez que o vejo entrar no plateau do "Tout le Monde en parle" (o melhor talk-show que conheco, domingos 23.30 TV5) para apresentar um novo livro. Depois ouvimos os seus relatos interessantes e percebemos como cada vez mais Levy arrisca a pele nas partes do mundo onde o odio ganha terreno.
1- Em "Tortura Humilhacao e Odio" o Nuno conta uma experiencia muito interessante que teve em Londres numa daquelas mesquitas de lavagem ao cerebro no ambito de um trabalho que preparou para a Grande Reportagem. Tenho pena de nao o ter lido. O lixo em que mergulharam muitas das mesquitas europeias esta ali bem descrito. E' preciso sublinhar que esse trabalho de lavagem ao cerebro nao abrandou, pelo contrario, continua a ser feito de uma maneira cada vez mais profissional e mais eficaz - gracas 'a aventura americana no Iraque. Esse "trabalho" e' patrocinado finaceiramente de uma forma tranquila e descarada por alguns senhores generosos da Arabia Saudita (um dia vamos pagar caro as amizades com o regime Saudita). Quando vivi em Estrasburgo vi como o odio anti-semita e' implantado com grande eficacia entre as comunidades muculmanas excluidas que vivem nos guetos de habitacao social. Lembro-me e nunca me esquecerei dos cobardes ataques a sinagogas da regiao que se multiplicaram depois do 11 de Setembro e dos linchamentos de cidadaos franceses que apresentavam sinais exteriores de culto da religiao judaica.
2- Li com uma enorme delicia o texto de Bernard-Henri Levy: "Je suis juif". Para mim Levy e' muito mais do que um judeu (sem desprimor para estes). O texto em que assume em pleno as suas origens judaicas e' muito sentido, mas Levy e' daqueles homens que nao pode ser reduzido a um povo ou a uma religiao. E' um filho do Universo. Se fosse grego, Levy seria um filho de Zeus e Hera, um heroi no sentido mais romantico do termo. O proprio Levy se define como judeu universalista. Nao precisava de o dizer, isso e' mais do que evidente. No entanto, temo a sua sorte. Fico bastante aliviado cada vez que o vejo entrar no plateau do "Tout le Monde en parle" (o melhor talk-show que conheco, domingos 23.30 TV5) para apresentar um novo livro. Depois ouvimos os seus relatos interessantes e percebemos como cada vez mais Levy arrisca a pele nas partes do mundo onde o odio ganha terreno.
sexta-feira, maio 28, 2004
Conduzir em Italia
Nao me aventuro a conduzir em Italia. Em Portugal conduz-se mal, mas em Italia conduz-se mal ao cubo. Nao se respeitam sinais vermelhos, passadeiras, linhas continuas etc. Grande parte dos carros apresenta amolgadelas, riscos e vincos nas chapas laterais. Mas, surpresa das surpresas, a Italia tem estatisticas de sinistralidade bem melhores do que as nossas. Um estudo explica porque: a forma geografica do pais. O territorio italiano e' extenso mas apresenta uma forma estreita que permite que uma rede de auto-estradas extremamente simples - um eixo central norte-sul com pequenas ramificacoes este-oeste - sirva todo o pais. Deste modo em Italia conduz-se preferencialmente nas auto-estradas onde a sinistralidade e' muito mais baixa (tal como em Portugal). O perfil do territorio portugues e' parecido, mas as nossas auto-estradas sao em geral mais caras que as italianas, para um nivel de salarios que e' cerca de metade dos salarios auferidos pelos italianos. Alem disso, Portugal ainda apresenta uma rede de auto-estradas essencialmente litoral e nao nacional. E' por estas e por outras que nao sou sensivel a essas lagrimas de crocodilo que choram a "guerra civil nas estradas portuguesas" e que ao mesmo tempo se sentem tranquilos ao cobrar as auto-estradas mais caras da Europa, empurrando os nossos condutores para as perigosissimas e mortais estradas nacionais.
quarta-feira, maio 26, 2004
O Português mais feliz do mundo
(Sitio UEFA)
Victor Baia, o melhor guarda-redes do mundo, parecia uma autêntica criança feliz! Fez um jogão, daqueles que estão apenas ao alcance de um punhado de guarda-redes do planeta (talvez Khan, Cech, Buffon ou Canizares). A sua primeira defesa foi tão valiosa como o primeiro golo do menino Carlos Alberto. Defendeu tudo, aquelas luvas sugadoras até defenderam uma daquelas impossíveis, refiro-me ao lance em que Morientes lhe surgiu na cara (foi fora do jogo). Foi impressionante, defesa 'a queima-roupa e a bola fica colada 'as luvas!
Ontem 'a noite Victor Baia deve se ter sentido como quando jogava com os amigos e se atirava para o chão alcatroado lá da rua. Foi um menino feliz: a defender e a comemorar.
Vi o jogo aqui em Bolonha, acompanhado de meia duzia de Erasmus que encontrei num bar Irlandês. No estrangeiro estas coisas sentem-se mais. No fim fizemos daquelas cenas tristes e tudo, a gritar que nem malucos aos saltos no meio da praça principal de Bolonha, em frente 'a estatua de Poseidon que nos piscava o olho!
Tenho inveja do Bruno do Avatares que deve estar la para os lados da Praça da Republica em Coimbra a comemorar forte e feio a victoria. Uma saudaçao com um calice de Porto virtual reserva 2004 para os outros dragoes que detectei na Blogosfera: o CAA do Blasféemias, a Avenida dos Aliados, o Posts de Pescada e o Aviz.
Peço desculpa aos nossos leitores que não apreciam futebol, mas não me consigo conter perante este grande feito do meu clube.
segunda-feira, maio 24, 2004
Os efeitos das causas santanistas
(Encosta da Serra da Boa Viagem, Figueira da Foz, Dezembro de 2003)
Quando Santana Lopes chegou 'a Camara da Figueira, esta apresentava uma divida superior a um milhao e meio de contos. Quando Santana saiu, essa divida multiplicou pelo menos por cinco. A divida ate poderia ser desculpavel se se tratasse de um investimento importante para o desenvolvimento da cidade. O problema e' que fica a sensacao que a divida serviu para alimentar uma campanha de promocao pessoal que a espacos se cruzava com os interesses da cidade (como foi o caso das obras do porto da Figueira, uma boa obra que ate e' desconhecida). Nesse caso como justificar a criacao daquele Oasis, agora transformado em esgoto a ceu aberto e cemiterio de palmeiras (Palmeira, Palmeiraaaa da Foooz). Aquele arco aberracao na entrada da cidade onde jazem umas letras manhosas que se confundem com a passagem superior onde se le a custo Figueira da Foz. Por fim, o que dizer desse elefante branco, o Centro de Artes e Espectaculos. Apesar de gostar muito deste tipo de espacos e de achar que ainda fazem muita falta espacos destes em Portugal, infelizmente acho que a Figueira nao tem dimensao para uma obra daquelas. A obra foi cara e a principal responsavel pelo buraco sem fundo em que se encontram as contas figueirenses. Perante o buraco nas contas deixado por Santana Lopes, o que fazer? Olhem bem para a fotografia em cima e adivinhem...
(continua)
sábado, maio 22, 2004
Sábado em Coimbra IX: a selvajaria
Os sábados em Coimbra também podem ser de selvajaria. Na estrada para a Lousã fui ultrapassado no limite por um Golf último modelo. Por pouco este vosso escriba safou-se de uma colisão a três (o terceiro era um camião reboque!). Quando percebi que o perigo tinha passado, assinalei com uma sonora buzinadela a manobra assassina do Golf. Não houve pedido de desculpas, mas sim um vigoroso manguito, insultos pela janela lateral enquanto o Golf progredia aos S's à minha frente. Reparei que no Golf havia ainda uma senhora sentada no banco do lado e no banco de trás uma menininha com um balão. Por aqui, cruzo-me muitas vezes com este Portugal selvagem que possui Golfs último modelo e imponentes vivendas em cima de pinhais ou qualquer espaço natural que seja digno de destruir. Tenho pena da menininha do balão.
Sábado em Coimbra VIII
Sábado em Coimbra VIII
Félicitations Michael Moore
(AFP)
Michael Moore junta a Palma de Ouro de 2004 ao Óscar do melhor documentário de 2003 e ao César de 2002.
Li o livro "Dude, Where's My Country" de Michael Moore. É muito bom, sobretudo quando Moore denuncia com bastante humor as ligações vergonhosas da família Bush, Chiney e outros à família real saudita e aos talibãs, o tema do novo filme Fahreneheit 911. Nada que Bernard-Henri Lévy não tivesse já reparado e que vem preto no branco no livro de Richard Clarke ou Robert Baer. Portugal também vende material militar à pior ditadura do planeta, o carimbo é de Paulo Portas, infelizmente não temos nenhum Michael Moore. Em Portugal há quem goste de chamar palhaço a Michael Moore (enfim, carrancudismo luso). A mim, parece-me mais palhaçada falar em democracia no Iraque e andar ao mesmo tempo a vender armas ou material militar à mais feroz ditadura do mundo, a ditadura Saudita.
quinta-feira, maio 20, 2004
Os meus 20 realizadores preferidos
Wim Wenders (As Asas do Desejo, 1987)
Emir Kusturica (Underground, 1995)
Michael Haneke (Funny Games, 1997)
Stanley Kubrick (Dr. Strangelove, 1964)
Ethan Coen e Joel Coen (Barton Fink, 1991)
Rainer Werner Fassbinder (Querelle, 1982)
Federico Fellini (La Dolce Vita, 1960)
Spike Lee (Do the right thing, 1989)
Atom Egoyan (Exotica, 1994)
Jean-Pierre Jeunet (Delicatessen, 1991)
Pedro Almodóvar (Em Carne Viva, 1997)
Woody Allen (The Front, 1976)
Lars von Trier (Dancer in the dark, 2000)
David Lynch (Mulholland Drive, 2001)
Alfred Hitchcock (Vertigo, 1958)
Michelangelo Antonioni (Blowup, 1966)
Manoel de Oliveira (Vale Abraão, 1993)
Luis Buñuel (Belle de Jour, 1967)
Alejandro Amenábar (Abre los Ojos, 1997)
Thomas Vinterberg (Festen, 1998)
Entre parêntesis indico os meus filmes preferidos de cada um dos meus 20 eleitos.
Wim Wenders é o meu realizador preferido. Gosto da maneira como filma os múltiplos e variados lugares onde decorrem as suas histórias. Adoro personagens como Marion, Damiel, O Tempo protagonizado por Willem Dafoe ou Travis de Paris Texas; mesmo quando esses personagens são reais como em "Buena Vista" ou através das participações de Lou Reed, Gorbatchov, Peter Falk ou Nick Cave. Wim Wenders brinda frequentemente o espectador com conceitos estimulantes que vão desde a missão eterna dos anjos no céu de Berlim à doença dos olhos de "Até ao Fim do Mundo", passando pela paranóia securitária de "The End of Violence" onde Wenders antecipa o que é a América de hoje. As bandas sonoras dos filmes de Wenders são escolhidas a dedo, o sucesso de "Buena Vista" não ocorreu por acaso.
A loucura e a espontaneidade dos povos balcânicos - para o bem e para o mal - estão presentes na obra de Emir Kusturica. A guerra dos Balcãs não é tema tabu para Kusturica e para quem está "lá dentro" o tema dificilmente seria melhor tratado. Nos seus filmes estamos constantemente a encontrar magníficas pérolas, como: a música de Goran Bregovic, o personagem Dadan (Srdjan Todorovic), Marko (Miki Manojlovic) e aquele grande final com os dois compadres ciganos a citarem o fimdo filme Casablanca ("I think this is the beginning of a beautiful friendship."). Não resisto a citar esta frase de Kusturica grande admirador do FC Porto: "o FC Porto faz lembrar o cinema independente que sem grandes orçamentos, consegue feitos notáveis".
Michael Haneke é um mestre em filmes perturbadores muito inteligentes. Estou ansioso pelo seu próximo filme "Le Temps du Loup".
Stanley Kubrick deixou-nos uma obra notável e profissional. Poucos fizeram cinema como ele, quase todas as suas obras foram baseadas em livros e quase todos os seus filmes são melhores do que os próprios livros, alguns deles completamente desconhecidos do grande público.
Alejandro Amenábar para já está ali no fundo da minha lista, mas considero-o como uma jovem esperança bastante promissora. Fez poucos filmes, mas de grande profundidade. "Abre los Ojos" tem um orçamento inversamente proporcional à qualidade do argumento, que é tremenda. Hollywood comprou os direitos de "Abre los Ojos" e fez "Vanilla Sky", um remake minimamente fiel ao original. Hollywood não se contentou e foi buscar Amenábar a Espanha. Esperemos que continue na senda da qualidade e não se deixe contaminar pelo cinema de lucro fácil e de baixa qualidade característico dalgumas produtoras californianas.
Os meus 10 actores preferidos
As minhas 10 actrizes preferidas
Emir Kusturica (Underground, 1995)
Michael Haneke (Funny Games, 1997)
Stanley Kubrick (Dr. Strangelove, 1964)
Ethan Coen e Joel Coen (Barton Fink, 1991)
Rainer Werner Fassbinder (Querelle, 1982)
Federico Fellini (La Dolce Vita, 1960)
Spike Lee (Do the right thing, 1989)
Atom Egoyan (Exotica, 1994)
Jean-Pierre Jeunet (Delicatessen, 1991)
Pedro Almodóvar (Em Carne Viva, 1997)
Woody Allen (The Front, 1976)
Lars von Trier (Dancer in the dark, 2000)
David Lynch (Mulholland Drive, 2001)
Alfred Hitchcock (Vertigo, 1958)
Michelangelo Antonioni (Blowup, 1966)
Manoel de Oliveira (Vale Abraão, 1993)
Luis Buñuel (Belle de Jour, 1967)
Alejandro Amenábar (Abre los Ojos, 1997)
Thomas Vinterberg (Festen, 1998)
Entre parêntesis indico os meus filmes preferidos de cada um dos meus 20 eleitos.
Wim Wenders é o meu realizador preferido. Gosto da maneira como filma os múltiplos e variados lugares onde decorrem as suas histórias. Adoro personagens como Marion, Damiel, O Tempo protagonizado por Willem Dafoe ou Travis de Paris Texas; mesmo quando esses personagens são reais como em "Buena Vista" ou através das participações de Lou Reed, Gorbatchov, Peter Falk ou Nick Cave. Wim Wenders brinda frequentemente o espectador com conceitos estimulantes que vão desde a missão eterna dos anjos no céu de Berlim à doença dos olhos de "Até ao Fim do Mundo", passando pela paranóia securitária de "The End of Violence" onde Wenders antecipa o que é a América de hoje. As bandas sonoras dos filmes de Wenders são escolhidas a dedo, o sucesso de "Buena Vista" não ocorreu por acaso.
A loucura e a espontaneidade dos povos balcânicos - para o bem e para o mal - estão presentes na obra de Emir Kusturica. A guerra dos Balcãs não é tema tabu para Kusturica e para quem está "lá dentro" o tema dificilmente seria melhor tratado. Nos seus filmes estamos constantemente a encontrar magníficas pérolas, como: a música de Goran Bregovic, o personagem Dadan (Srdjan Todorovic), Marko (Miki Manojlovic) e aquele grande final com os dois compadres ciganos a citarem o fimdo filme Casablanca ("I think this is the beginning of a beautiful friendship."). Não resisto a citar esta frase de Kusturica grande admirador do FC Porto: "o FC Porto faz lembrar o cinema independente que sem grandes orçamentos, consegue feitos notáveis".
Michael Haneke é um mestre em filmes perturbadores muito inteligentes. Estou ansioso pelo seu próximo filme "Le Temps du Loup".
Stanley Kubrick deixou-nos uma obra notável e profissional. Poucos fizeram cinema como ele, quase todas as suas obras foram baseadas em livros e quase todos os seus filmes são melhores do que os próprios livros, alguns deles completamente desconhecidos do grande público.
Alejandro Amenábar para já está ali no fundo da minha lista, mas considero-o como uma jovem esperança bastante promissora. Fez poucos filmes, mas de grande profundidade. "Abre los Ojos" tem um orçamento inversamente proporcional à qualidade do argumento, que é tremenda. Hollywood comprou os direitos de "Abre los Ojos" e fez "Vanilla Sky", um remake minimamente fiel ao original. Hollywood não se contentou e foi buscar Amenábar a Espanha. Esperemos que continue na senda da qualidade e não se deixe contaminar pelo cinema de lucro fácil e de baixa qualidade característico dalgumas produtoras californianas.
Os meus 10 actores preferidos
As minhas 10 actrizes preferidas
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