sexta-feira, julho 27, 2012

As Férias Possíveis

A minha coluna de ontem no jornal As Beiras:



Para cada vez mais pessoas as férias são as possíveis e não as desejadas. Os mercados mandam, os governos obedecem e você aguenta a austeridade. O destino paradisíaco é uma miragem e a escapadela cá dentro só se for num parque de campismo. 
Apesar de algum desleixo, os espaços naturais do concelho são variados e aliciantes. Há caminhadas deslumbrantes a fazer à beira rio, entre salinas e arrozais, à beira mar podemos desfrutar da sombra de um pinheiro manso, esquiar dunas, apanhar lapas e mergulhar no oceano. A Lagoa da Vela, a serra e os pinhais são locais ideais para um piquenique ou para um raide de BTT. Isto não se oferece nas praias artificiais dos destinos de baixo custo. Gratuito e melhor é ouvir à noite a rebentação das ondas e caçar estrelas cadentes no firmamento.

segunda-feira, julho 23, 2012

Melhores resultados de sempre em Olimpíadas de Matemática

(publicado no portal Esquerda.net)

A delegação portuguesa obteve o maior número de medalhas (uma medalha de ouro, uma de prata, duas de bronze) em Olimpíadas de Matemática desde que Portugal entra na competição, desde 1989. No entanto esta competição teve a sua primeira edição em 1959, mas nesses tempos parte das escolas secundárias do nosso país não tinha professores ou aulas de matemática. Nalgumas escolas a carência de professores de matemática era remediada por aulas lecionadas por oficiais do exército. Mas ainda mais grave, era o facto de o regime não considerar o ensino secundário como uma meta universal para todos os jovens portugueses, isto numa época em que na Europa do Norte e do Leste a licenciatura universitária e o doutoramento já estavam no horizonte de um jovem da classe média.
Na classificação por equipas destas olimpíadas de matemática que decorreram na Argentina, a equipa portuguesa ficou classificada em 37° lugar entre 100 países participantes. O 33° lugar em 2009 foi a melhor posição obtida pela equipa portuguesa, embora obtendo menos medalhas que na corrente edição e nenhuma de ouro. Medalhas de ouro foram apenas obtidas uma este ano e uma medalha em 2011, ambas conseguidas por Miguel Santos, aluno do 11° ano da Escola Secundária de Alcanena.
Graças ao Projeto Delfos do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra e ao esforço anónimo de muitos professores e de muitas escolas do país, a motivação e a preparação dos alunos para este tipo de eventos tem vindo a melhorar nos últimos anos. Também ajudaria se déssemos um bocadinho menos de atenção ao futebol e às novelas e um bocadinho mais de destaque nos meios de comunicação às proezas destes atletas mais cerebrais. 

Volta José Santos e traz o cartaz...

José Santos, um dos heróis do Tour, deu aulas de Educação Física na Figueira da Foz.
Ler no Esquerda.net.


sábado, julho 21, 2012

9 anos de bitaites

Há 9 anos, a Klepsýdra foi lançada para a blogosfera. Hoje como ontem continuamos cheios de pica.
Este ano o Mestre de Cerimónias deste aniversário é Anthony Bourdain. Ele ofereceu-se e nós não o contrariámos. Como é hábito, segue o programa da maluqueira do dia.


2012 Klepsýdra Club Session

00.00-00.15 - Discurso de abertura de Anthony Bourdain intitulado: "Desde que leio a Klepsýdra as minhas omeletes ficam perfeitinhas".
00.15-00.45 - Warm Up - Se Hou
00.45-01.45 - Monika Kruse
01.45-02.45 - Armin Van Buuren
02.45-03.00 - Tom Craft Grand Warm Up - DJ Muxaxo
03.00-04.45 - Tom Craft
04.45-05.30 - Eric Morillo
05.30-06.00 - ATB
06.00-06.30 - Monsieur Philippe Corti

quinta-feira, julho 12, 2012

Volto já

Bosões, esquemas para inchar CVs de jotinhas do PS PSD e CDS, a apatia do ministério da ciência, o rendimento mínimo garantido do secretário de estado de Portas, tanto haveria para aqui escrevinhar nestes dias.
As férias sem internet são uma maravilha. Até já.

quinta-feira, junho 28, 2012

Acabou a alienação, voltemos às telenovelas

Acabou a participação de Portugal no europeu, que alívio! Os portugueses vão poder a voltar concentrar-se no que interessa, nas telenovelas e nos romances que envolvem dirigentes desportivos (confiram as grelhas dos principais canais em horário nobre). Vão poder voltar às estimulantes aventuras de personagens de novela que não trabalham, que passam a vida em casas e lugares sofisticados e cuja única atividade a que se dedicam é a cochichar sobre a vida alheia. Para os que não gostam há sempre alternativas, as aventuras sexuais de Pinto de Costa, conspirações de árbitros e belas reportagens sobre o treino do dia de um dos três grandes. Aleluia, estava a ver que não!  

Arte Xávega

A minha coluna de hoje no jornal As Beiras:

quarta-feira, junho 27, 2012

O Robalo tem que jogar


Hugo Almeida ou o robalo que roça o dorso no relvado.

Consultem ali as estatísticas. 
Portugal é a equipa com mais cantos marcados: 35. É a equipa com mais cruzamentos tentados (55) e mais cruzamentos concretizados (12). Ainda há dúvidas? O meu conterrâneo Hugo Almeida (o Robalo) só pode ser a opção número um para o ataque neste esquema de jogo.



segunda-feira, junho 25, 2012

Gases de motores a gasóleo são cancerígenos



O Centro Internacional para a Investigação do Cancro, uma agência da Organização Mundial de Saúde, anunciou que está cientificamente comprovado que as emissões de partículas finas dos motores a gasóleo aumentam o risco de cancro do pulmão. Os trabalhos científicos que o demonstram foram realizados na Europa e nos EUA, em particular em minas em que os trabalhadores estiveram expostos às emissões de motores a gasóleo.

Nas últimas décadas tem-se assistido na Europa à proliferação de viaturas movidas por motores a gasóleo, em grande medida pelas vantagens fiscais oferecidas pelos governos europeus comparativamente à gasolina. Os construtores de automóveis têm apostado nestas motorizações dado que os motores a gasóleo emitem menos dióxido de carbono por quilómetro que as viaturas movidas a gasolina (embora os motores a gasolina na prática não emitam partículas), permitindo às marcas vender viaturas que cumprem os limites de emissões de gases de efeito de estufa. No entanto, numerosos engenheiros que trabalharam para as grandes marcas mundiais de automóveis denunciaram que na Europa a opção pelo gasóleo serviu também para vender automóveis muito mais caros, explorando a margem de poupança que um consumidor realiza ao escolher uma viatura a gasóleo em vez de uma viatura a gasolina. A diferença de custos de produção entre um motor a gasolina e a gasóleo para o mesmo modelo não justifica a diferença no preço de venda.

Hoje em dia refinar gasóleo é mais caro do que refinar gasolina, sobretudo pelas exigências técnicas associadas à legislação que restringe a quantidade de enxofre presente no gasóleo. Tendo em conta as conclusões deste estudo, interessa refletir se faz sentido na Europa (nos EUA os motores a gasóleo são menos vendidos) o gasóleo continuar a ter maiores benefícios fiscais em relação à gasolina para os automóveis particulares. No entanto, deve continuar a investigação do impacto das melhorias realizadas nos novos motores a gasóleo para reduzir as emissões de partículas finas, para se perceber a real redução de riscos que estas alterações representam.

Estaleiros, Porto da Figueira, Pesca Ilegal e Corsários

Estaleiros, Porto da Figueira, Pesca Ilegal e Corsários é mixórdia temática da minha crónica de hoje na Rádio Clube Foz do Mondego.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

sexta-feira, junho 22, 2012

Ciganos nossos

Um interessante documentário da Mundi Romani sobre a realidade das comunidades ciganas do distrito de Coimbra. Ainda há muita coisa a melhorar e muitos problemas a resolver, mas neste documentário é evidente que há um antes e um depois da intervenção das redes de apoio social, contrariando em larga medida o habitual paleio de café sobre os ciganos. Participa no documentário o amigo Bruno Gonçalves, um mediador social que tem feito um excelente trabalho no distrito.


quinta-feira, junho 21, 2012

Marchas Impopulares

A minha coluna de hoje no jornal As Beiras:


Checo para totós

Pronunciar os nomes dos jogadores checos parece uma trivialidade, mas não é. Vamos lá a uma pequena lição para leigos e comentadores (e que grandes calinadas ouvimos dos comentadores):

Petr Čech = Pétr Tcherr (ch em checo pronuncia-se como o ch duro em alemão; as vogais são todas abertas)
Tomáš Sivok = Tómáásh Civok (š = sh; as vogais acentuadas são longas)
Jaroslav Plašil = Iaroslav Plashil (j=i)
Václav Pilař= Vatslav Pilarj (c=ts e ř=rj)
Petr Jiráček= Petr Iiráátchek (č=tch)

Logo

Tomáš Rosický= Tomash Rozitskii
Daniel Kolář= Daniel Kolarj

Por favor não digam mais Roziqui ou Petr Chéche...

segunda-feira, junho 18, 2012

À atenção do comité central do PCP

"A Chinese Foreign Ministry spokesman says Beijing is hopeful Sunday's election in Greece can help stabilize the economic situation in the European Union. Hong Lei told reporters Monday that China welcomed the results, which pave the way for the formation of a pro-austerity government, and hopes it will bode well for the 17 nations sharing the euro currency.Fonte CBS.

Eu nem comento...

domingo, junho 17, 2012

Intoxicação

Quem esteve atento à imprensa internacional de hoje, leu as múltiplas de declarações de instituições financeiras e de partidos com elas comprometidos a prever todo o tipo de catástrofes possíveis para a Grécia, a Europa e o Mundo, caso ganhe o Syriza. A intoxicação dá como certa a saída da Grécia do euro. Juntos, os partidos gregos que defendem a saída do euro vão ter menos de 15%. Como é que a Grécia vai sair do euro? Só se for empurrada. Vão ser os bancos e o sistema financeiro a empurrar a Grécia para fora do euro, eles que curiosamente participaram no saque? Ou vai ser a CDU de Merkel?  Estou curioso para ver quem serão os protagonistas que vão tentar ter mais legitimidade do que a expressão dos eleitores gregos nas urnas.

sexta-feira, junho 15, 2012

Syriza, uma bela resposta dos gregos

Depois da crise estalar, a reação nas urnas foi, grosso modo, a de castigar o boneco que estava no poder. Outra reação frequente foi votar no candidato-palhaço. Em Portugal tivemos essa versão em José Manuel Coelho sem grande sucesso, mas em Reiquiavique o palhaço ganhou e governa desde 2010. Depois houve a reação mais clássica que é votar na constelação de partidos ultra-conservadores e nacionalistas, partidos que não têm programa político a médio e a longo prazo, onde tudo se baseia na culpabilidade de uma certa faixa da população por todos os males do país (ciganos, desempregados, imigrantes, judeus, muçulmanos, etc.). Outro clássico é o discurso anti-políticos muito do agrado dos principais culpados da crise, setor financeiro e banca, para sacudir a água do capote. Foi deste discurso anti-políticos, por exemplo, que surgiu a Forza Italia de Berlusconi em meados dos anos 90, depois da operação Mãos Limpas. Eram todos maus e corruptos, exceto ele Berlusconi, aliás como o tempo veio a demonstrar...
Se recuarmos um pouquinho na máquina do tempo, até aos anos 30 do século XX, descobrimos o maravilhoso futuro que este cocktail de nacionalistas, palhaços e políticos anti-políticos reservou à Europa. Foi só a pior catástrofe de sempre. Nunca se destruiu tanto e nunca se morreu tanto na Europa em tão pouco tempo.

Durante as últimas décadas houve algumas famílias políticas que sempre se recusaram a compactuar com uma economia onde o estado e os cidadãos estivessem reféns dos mercados financeiros, que preferiam um modelo onde os mercados estivessem ao serviço dos cidadãos, das empresas e da qualidade de vida. E por isso foram frequentemente ostracizados.  
Exemplos conhecidos são a família dos Verdes Europeus, esquerdas alternativas (a que pertence o BE e o Syriza), alguns partidos socialistas e sociais-democratas que não se deslumbraram com os mercados e, à direita, alguns partidos democratas-cristãos genuínos que não venderam a alma ao diabo. Estes partidos raramente governaram nas últimas décadas de devaneio financeiro, é natural. 
Dada a gravidade da sua situação, a Islândia foi um dos primeiros casos em que os eleitores perceberam que era preciso escolher os que sempre se bateram contra o tipo de economia que destruiu o país e elegeram a Aliança Social Democrata (partido da família do BE). Em toda a Europa, partidos desta mesma família esquerdista e europeísta (a favor do euro e de mais integração) como o Front de Gauche em França, o Syriza na Grécia, o Partido Socialista na Holanda e partidos da família dos Verdes estão a aumentar consideravelmente a sua representatividade. Os Verdes já governam em Baden-Württemberg. Na Holanda e na Grécia tudo indica que estes partidos poderão discutir a vitória nas próximas eleições. Se forem governo não é garantido que os respetivos países se transformem num mar de rosas, mas uma coisa é certa, os mercados por muito que lhes custe vão começar a trabalhar mais ao serviço do Estado, dos cidadãos, das empresas e dos produtores. A expressão da vontade de mudança dos gregos, aderindo massivamente ao Syriza, é de louvar. O mais fácil seria exprimir a vontade de mudança aderindo aos nacionalismos, aos populismos anti-políticos e aos palhaços cujo programa político é nulo a médio e a longo prazo e que só iria agravar o caso das gerações seguintes. A escolha dos gregos pelo Syriza até poderá revelar-se uma desilusão, mas por muito má que seja essa desilusão esta escolha comportará consigo sempre mais futuro e mais esperança para as próximas gerações do que todas as outras opões, aliás já mais do que batidas.

Boa sorte Syriza!