O regime da Coreia do Norte expulsou do partido comunista o treinador da selecção de futebol, Kim Jung Hun e condenou-o a trabalhos forçados numa obra em Pyongyang. Depois desta a FIFA deveria erradicar a Coreia do Norte de todas as competições. Já o fez por razões bem menos consensuais no caso do México e no caso da Jugoslávia. O Daniel Oliveira tinha toda a razão nesta polémica contra os saudosistas velados do totalitarismo comunista.
Dados do instituto americano National Oceanic and Atmospheric Administration mostram que o mês de Junho deste ano foi o Junho mais quente desde que se regista a temperatura média da Terra (temperatura combinada dos oceanos e dos continentes). O mesmo sucedeu com o mês de Maio, o mês de Abril e o mês de Março. Ou seja, Junho foi o quarto mês consecutivo que registou a temperatura da Terra mais alta de sempre. Junho foi também o 304º mês consecutivo cuja temperatura ultrapassou a média de temperaturas do século XX. A última vez que um mês apresentou uma temperatura média inferior à do século XX foi o mês de Fevereiro de 1985. Finalmente, se considerarmos as temperaturas médias de todos os primeiros semestres registados até hoje, o primeiro semestre de 2010 foi o mais quente de sempre. As zonas em que se registaram as temperaturas mais elevadas em relação à época foram a zona do Peru, do centro e do leste dos EUA e as extremidades leste e oeste da Ásia. Os Jogos Olímpicos de Inverno deste ano realizados em Vacouver no Canadá ocorreram quase sem neve, quase exclusivamente à custa de neve artificial. No entanto, temperaturas mais frias que o normal ocorreram no sul da China e Escandinávia e a Europa teve um Inverno entre os mais frios das últimas duas décadas.
Imagens de satélite realizadas desde 1979 mostram que a cobertura de gelo do Árctico correspondente a Junho deste ano foi a menos extensa jamais registada para um mês de Junho. No entanto, é apenas em Setembro que se regista o mínimo de cobertura de gelo do Árctico antes do início do Outono. A ilustrar a tendência deste ano para as altas temperaturas um dos maiores glaciares do Árctico, o Glaciar Jakobshavn Isbrae, perdeu 7 quilómetros quadrados – um pouco mais que a área de Gibraltar – durante uma noite, tendo sido um dos maiores desmembramentos de glaciares jamais registados em tão curto espaço de tempo.
Os 10 anos mais quentes de sempre ocorreram durante os últimos 15 anos. Um relatório científico de 2009, o Diagnóstico de Copenhaga, indica que o aquecimento global poderia estar a seguir a via dos piores cenários projectados para as próximas décadas. Infelizmente, as medidas de 2010 em conjunto com as medidas realizadas nas décadas precedentes parecem confirmar a tendência do Diagnóstico de Copenhaga.
Se dúvidas existiam, temos agora motivos mais fortes que nunca para implementar com urgência as políticas de combate ao aquecimento global antes que o aumento da temperatura global atinja os 2º C, estimado como o aumento de temperatura a partir do qual os nossos esforços para controlar o clima poderão perder efeito.
Já lá vão 7 anos a alimentar este monstro de indignações, de confissões e de pecados mortais. Deus não perdoará este blogue, certamente. Quanto ao caro leitor sirva-se de uma flute de champanhe e desfrute do já tradicional desfile de DJ's convidados. A Mónica Bellucci é a Mestre de Cerimónias deste ano. Ela ofereceu-se e nós não recusámos.
"O governo que peça dinheiro emprestado e que o aplique em projectos de investimento público - se possível com fins úteis, mas isto é uma consideração secundária - para assim, criar postos de trabalho que tornarão as pessoas mais dispostas ao consumo o que levará à criação de mais emprego, etc. A Grande Depressão nos EUA foi finalmente vencida graças a um programa maciço de obras públicas financiado por um défice estatal, conhecido pelo nome de II Guerra Mundial." Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia de 2008 em "O Regresso da Economia da Depressão e a Actual Crise", Ed. Presença, pag. 76.
"Cortar na despesa é inexorável (...) A cru. Sem explicar nada. Ou melhor, explicando que ou é assim ou não é. Não querem, então não se faz" Ernâni Lopesnas jornadas parlamentares do PSD
Foi inaugurada a Alma Mater, a Biblioteca Digital de Fundo Antigo da Universidade de Coimbra, uma excelente iniciativa coordenada pelo professor Carlos Fiolhais e um verdadeiro serviço prestado a todos nós.
(publicado no portal Esquerda.net) 2009 foi o segundo ano mais quente desde que se regista a temperatura global da Terra e a temperatura média dos cinco primeiros meses de 2010 foi a mais alta jamais registada. Este é um cenário que nada ajuda um problema que se tem vindo a agravar no Iraque nos últimos anos: a penúria de energia eléctrica. Apesar das promessas de reconstrução de infra-estruturas por parte dos países que ocuparam o Iraque, a reconstrução da rede de electricidade ficou muito aquém das necessidades mínimas dos iraquianos. O Iraque produz apenas cerca de 7.000 MW por mês quando o mínimo aceitável para o normal funcionamento do país ronda os 14.000 MW. Com temperaturas que por vezes ultrapassam os 50º C, os iraquianos sofrem de desidratação, problemas gástricos e cansaço causado pelo calor nas zonas onde há uma dependência grande da climatização e da obtenção de água através de bombas eléctricas que detêm uma boa parte das famílias. O número de mortos resultantes das vagas de calor têm-se multiplicado, bem como o número de falências e de desempregados decorrentes de empresas que necessitam de electricidade para operar normalmente.
O descontentamento da população é geral. Desde Junho que se têm repetido manifestações públicas contra a política energética do Iraque, tendo algumas dessas manifestações acabado em confrontos com a polícia de que resultaram vários mortos. Têm ocorrido ataques regulares aos funcionários e aos edifícios do Ministério da Electricidade que resultaram em mais de 140 mortos. A escalada de violência levou à demissão do próprio Ministro Karim Wahid a 21 de Junho. Durante a conferência realizada na altura, Wahid declarou que o seu ministério não dispunha de meios financeiros para poder controlar o problema.
Apesar da General Electric e da Siemens já terem anunciado a construção de novas centrais eléctricas estas apenas estarão prontas dentro de dois anos na melhor das hipóteses. É irónico que um dos maiores produtores de petróleo do mundo, logo um dos maiores fornecedores de energia ao resto do planeta, assista impotente à morte dos seus cidadãos por problemas resultantes da falta de energia eléctrica. Sobretudo depois de tantas promessas de reconstrução da parte dos EUA com a agravante destes estarem mais preocupados com o programa energético do país vizinho, o Irão, sobre questões que são um luxo quando comparadas com os problemas dos iraquianos. Por muito perigoso que possa ser o programa nuclear iraniano, o número de vítimas iraquianas deveria fazer os EUA e a comunidade internacional mudar de prioridade na região para evitar que morram ainda mais iraquianos vítimas do calor.
(publicado no Esquerda Republicana) A Transocean, a maior empresa de perfuração de fundos oceânicos e co-responsável pela Maré Negra da Florida, segundo este artigo do New York Times apresenta um historial assinalável de falhas de segurança (Escócia e Noruega), de suspeita de fraudes (Noruega, Brasil e EUA) e de falta de respeito pelos direitos humanos. Os EUA proíbem a operação de empresas americanas na Birmânia por questões humanitárias, no entanto a Transocean está indirectamente ligada a furos realizados neste país. Tudo parece permitido às multinacionais envolvidas no negócio do petróleo e ainda não iniciámos o inexorável período em que este recurso vai começar a escassear rapidamente. Nessa altura o seu poderio será ainda mais reforçado. Relembro ao leitor que a maré negra da Florida não surgiu do acaso. O futuro da exploração de petróleo passa por perfurar cada vez a maiores profundidades, comportando maiores riscos de acidente e maiores custos de extracção. A outra alternativa tem sido o processamento de areias betuminosas, também ela cara e com custos ambientais terríveis.
Durante o último europeu vi dois grandes jogadores em acção: Andrea Pirlo e Wesley Sneijder. Pirlo seguiu normalmente a sua carreira no Milan, enquanto Sneijder foi desprezado no Real Madrid (realço que este pode ser um aspecto positivo na carreira de um jogador). No entanto, Mourinho não dormia no Inter e foi buscá-lo. Na Liga dos Campeões 2009/2010, Sneijder voltou ao nível do europeu de 2008 e no jogo do ano em que o Inter bateu brilhantemente o Barcelona por 3-1, Sneijder foi decisivo. Sneijder é um daqueles jogadores raros a partir do qual se dispõem mais 10 jogadores e se forma uma equipa, como Gheorghe Hagi, Figo, Maradona, Rui Costa ou Ruud Gullit. Com um passe longo preciso, um bom remate, um bom e rápido drible, uma visão de jogo excepcional e uma capacidade natural de comando das operações, Sneijder é na minha opinião o melhor deste mundial.
Tenho algum pudor em vaticinar um campeão do mundo de um país que nunca ganhou. Em geral a coisa fica sempre entre Alemães, Brasileiros, Argentinos ou Italianos. Mas apesar da Holanda não ter nenhum extra-terrestre como Ronaldo ou Messi, tem Sneijder, o melhor entre os mortais, tem Robben, o melhor do clube vencido da Liga dos Campeões, e tem ainda Van Persie e Van Bommel. É por isso que desde que começou o mundial quando se fala num possível campeão refiro a Holanda. Com pudor. Agora, depois de Wesley Sneijder ter marcado um golo de cabeça, ele que tem 1,70m, entre dois matulões brasileiros, acho que os Holandeses podem começar a pensar em encomendar as faixas. Reparem que se a final de 74 se repetir entre Alemães e Holandeses, desta vez quem joga em casa é a Holanda. Os boers descendem dos Holandeses e não vão perder esta oportunidade para soprar a fundo nas vuvuzelas.
O cartoon da semana é uma sugestão dedicada a Mira Amaral e aos signatários do tal manifesto visionário contra as energias renováveis e a favor das energias fósseis. O futuro da exploração de petróleo será cada vez mais perfurar a maior profundidade, comportando maiores riscos de acidente e maiores custos de extracção. A outra maneira de obter petróleo no futuro será explorando a preços caríssimos as areias betuminosas. O acidente do Golfo do México realmente prova que o petróleo não é uma "energia politicamente correcta" - provocação empregada por um dos signatários do referido manifesto com o intuito de desprezar as energias renováveis. Uma coisa gira, útil e realmente politicamente incorrecta seria Mira Amaral e restantes signatários do manifesto equiparem-se de baldes, luvas e galochas e aproveitar para ir ajudar a "extrair" o petróleo do Golfo do México.
Acho absolutamente escandaloso que tenham passado já 30 anos desde o projecto inicial de renovação do Ramal da Lousã até à configuração actual do metro ligeiro de superfície. 30 anos dizem muito do centralismo reinante neste país. À boleia do PEC surgiram novos argumentos para atrasar o projecto. Obviamente, se se tratasse de uma obra em Lisboa ou de uma empresa comprometida como membros do governo, como a Mota Engil, a obra nunca seria posta em causa. Aqui a ligação para uma petição contra a paralisação e/ou adiamentos no projecto do Metro Mondego, uma obra fundamental para a descentralização do país, para poupar no consumo de combustíveis fósseis, para reduzir as emissões de CO2 e para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos do distrito de Coimbra.
"...A nossa selecção de futebol é muito inferior à espanhola. A nossa selecção de jornais também. A de colunistas nem se fala, embora seja difícil imaginar com quem se pode comparar um imbecil ilustrado como VPV, um católico ultramontano como César das Neves ou um diletante como MST. Se nos compararmos, perdemos em quase tudo: na poesia, na novela, na viola de gamba, na saúde oral e no tamanho dos narizes. Ontem viu-se, quando as câmaras focavam a assistência: uma mulher guapíssima passando bâton pelos lábios, alternava com um broeiro lusitano, atarracado e hirsuto." Luís Januário no blogue A Natureza do Mal
Uma fotografia recente da Cratera de Magalhães em Marte tirada pela Mars Express da ESA. Tem cerca de 21 mil quilómetros quadrados, mais ou menos a superfície da Eslovénia.
O Eurobarómetro divulgado esta semana sobre a atitude dos europeus relativamente à ciência e à tecnologia revela indicadores inquietantes sobre a atitude dos portugueses em relação à ciência. O inquérito abrange várias vertentes da ciência: o interesse dos cidadãos, a imagem da ciência, as suas implicações na saúde e no ambiente, o seu impacto no quotidiano, a utilização de cobaias, a responsabilidade dos cientistas e dos políticos e a eficácia das políticas científicas.
As respostas dos portugueses destacam-se pela negativa em particular nas questões que dizem respeito ao interesse e ao nível de informação sobre as novas descobertas científicas. Apenas 14% dos portugueses declararam estar muito interessados nas novas descobertas. Na UE (União Europeia), apenas búlgaros e lituanos declaram menos interesse. Apenas 3% dos portugueses declararam estar bem informados sobre as novas descobertas científicas e tecnológicas, sendo este o pior resultado de toda a UE. Aqui identifica-se claramente a responsabilidade de parte da nossa imprensa de grande tiragem e da nossa televisão que exploram constantemente o voyeurismo, o sensacionalismo e o baixo nível educacional dos portugueses.
Apesar de 72% dos europeus declararem que o estado deve financiar a investigação científica, inclusivamente aquela que não oferece resultados imediatos, em Portugal apenas 60% declararam concordar com o financiamento estatal da investigação em contraste com 9% que se declararam contra (9% é também a média dos europeus que são contra). Na UE só a Áustria demonstra menor concordância do que Portugal relativamente ao financiamento estatal da investigação com 48% dos austríacos a favor e 25% contra.
Apesar deste inquérito revelar uma grande confiança e reconhecimento dos europeus relativamente à ciência, em particular no domínio da saúde, demonstra também que os mesmos europeus revelam alguma desconfiançasobre os cientistas em dois casos específicos: quando o trabalho científico é demasiado complexo para os conhecimentos do cidadão comum e quando a indústria financia a investigação. O primeiro problema poderá ter uma boa resposta através de uma eficaz divulgação científica. O segundo requer sobretudo medidas de maior transparência possível na participação da indústria na investigação.
No distrito de Coimbra e arredores estão previstos construir mais de oito campos de golfe. Há assim tanta procura de golfe? Não. O golfe traz riqueza às populações circundantes? Não, veja-se por exemplo o caso do golfe de Marvão que era uma coqueluche do golfe nacional quando foi construído há cerca de 10 anos. Para que serve então tanto campo de golfe? Serve para inflacionar o preço de lotes de apartotéis e apartamentos. O campo de golfe é simplesmente uma estrutura construída na envolvente para valorizar o betão. Se alguém vai lá jogar ou não pouco importa, o que interessa é valorizar as acções na bolsa das empresas que financiam os projectos (a maior parte das vezes através de empréstimos, sem gastarem um cêntimo). Se as imobiliárias e intermediários não venderem os apartamentos ou forem à falência pouco importa, as empresas financeiras ganham sempre deixando o terreno queimado, mais precisamente betonizado, atrás de si. Os seus quadros recebem grandes bónus pela operação e as nossas cidades ganham bairros fantasma onde poucos se aventuram a investir.
Em 2003, Robert Lucas [...] Prémio Nobel da Economia em 1995, fez o discurso de abertura da reunião anual da American Econimic Association. Depois de explicar que a macroeconomia surgiu como resposta à Grande Depressão, declarou que chegara o momento de seguir em diante: "O problema fulcral de prevenção da depressão foi resolvido em todos os seus aspectos práticos". Paul Krugman (Nobel da Economia de 2008) em "O Regresso da Economia da Depressão e a Crise Actual", Ed. Presença, pag.15
Num romance que é também uma bela homenagem a uma das maiores invenções realizadas por português, a Passarola, existem estas duas personagens que se amam: Blimunda e Baltazar. Baltazar é queimado na fogueira da Inquisição mas a sua alma não vai para o céu, vai para o coração de Blimunda que é onde a sua alma pertence. Saramago não foi para céu, estará certamente num lugar mais aconchegado.
Acho interessante quando sou confrontado com opiniões que dão o Reino Unido como uma democracia exemplar. Ontem, 38 anos depois, um Primeiro Ministro britânico reconhece finalmente o bloody sunday, um massacre de cidadãos que manifestavam desarmados por um regimento de para-quedistas britânicos. Isto não é aceitável em democracia e ainda muito menos numa democracia exemplar.
Quem acompanha a política britânica sabe que assim que se passa do território da Inglaterra para os restantes territórios do Reino Unido os atropelos à democracia são frequentes. A não reunificação da Irlanda - a reunificação era uma promessa dos acordos de independência - é uma mancha na história da Europa que continua a ser alimentada por hooligans orangistas ao serviço de Sua Majestade. Para cumulo, o contribuinte europeu ainda tem que pagar um programa de pacificação da Irlanda do Norte: o programa PEACE II. Ironicamente, o contribuinte europeu tem a seu cargo os custos da exemplaridade da democracia britânica.
Em plena época de grande consumo de pescado, a página Que peixe comer? oferece muita informação importante sobre o peixe que comemos e dá alguns conselhos sobre um consumo que permita a sustentabilidade das nossas reservas piscícolas. Parece que esta página irritou muito Miguel Sousa Tavares, eis um bom cartão de visita para Que peixe comer?
(Publicado no portal Esquerda.net) Por 53 votos contra e 47 votos a favor, na passada quinta-feira, o Senado Americano rejeitou uma resolução do Partido Republicano que impediria a regulação pela Agência de Protecção do Ambiente das emissões de gases com efeito de estufa. Apesar de entre os votos a favor se contarem alguns votos democratas, as recomendações dos cientistas foram levadas em conta em detrimento de teorias da conspiração sem qualquer fundamento científico, como foi o caso do chamado Climategate, movidas por interesses económicos de grupos de pressão ligados ao sector petrolífero.
O Senado Americano confirmou aplicação da decisão de Dezembro passado que permite a regulação das emissões do sector automóvel e do sector de produção de electricidade com o objectivo de lutar contra o aquecimento global. A Agência de Protecção do Ambiente elaborou nova legislação que obriga as centrais eléctricas, a indústria pesada e as refinarias de petróleo a requerer permissões de emissão de gases com efeito de estufa. Esta legislação requer também que os novos automóveis consumam menos gasolina e gasóleo e emitam menos dióxido de carbono.
Barack Obama declarou que faria uso do direito de veto caso o Congresso adoptasse a resolução republicana. Obama felicitou o Senado declarando que a decisão dos senadores permitirá aos Estados Unidos iniciar a transição para uma economia baseada em energias renováveis, criar novos postos de trabalho, reforçar a segurança do país e garantir um ambiente sustentável para as gerações futuras. Neste sentido e determinado pelos efeitos nefastos da recente maré negra ocorrida no Golfo do México, Obama prometeu a preparação de um novo pacote de medidas mais amplas a apresentar ao Congresso nos domínios da energia e do combate às alterações climáticas.
Estou longe de concordar a opinião de Bernard-Henri Lévy sobre o assalto israelita ao navio turco, está demasiado envolvido para produzir uma reflexão desapaixonada. Mas vale a pena ler o conjunto de fantasias que se apregoam sobre Israel desmontadas por Lévy. Obviamente que a propaganda de Israel é muito mais eficaz a denegrir a Palestina, mas o que para mim é evidente é que entre a extrema-direita israelita e a extrema-direita palestina a diferença está apenas nos meios. O fanatismo é semelhante. Já aqui escrevi, só vejo ali uma solução possível que passe pela união das esquerdas israelitas e palestinianas.
O discurso do novo governador do Banco de Portugal evidenciou alguma intenção de melhorar os processos de regulação do sistema financeiro. Mas não chega, é muito pouco para tanto que se perde. É necessário mais pessoal, mais inspectores, gente formada em crime económico, um maior orçamento e sobretudo novas regras de regulação. Esta deveria ser a prioridade máxima de combate à crise, mas parece continuar a ser tratada como um assunto secundário. Por muito que se aperte o cinto, se não se apostar na regulação da economia o risco de que a crise se repita é grande.
Concordo com o ordenado do governador Banco de Portugal e defendo que os ordenados dos reguladores devam ser elevados, acima dos limiares de corruptibilidade. Convém não esquecer as lições do passado (ENRON, Lincoln Savings, Goldman Sachs, etc.) e que os reguladores lidam com os criminosos mais ricos e mais poderosos do mundo.
Iniciou-se no passado dia 3 de Junho a experiência Mars 500 cujo objectivo é simular um voo tripulado ao planeta Marte. A Mars 500 é dirigida pelo Instituto de Problemas Biomédicos da Rússia em estreita colaboração com a Agência Espacial Europeia, contando ainda com participação internacional de instituições científicas de países como a China ou os EUA. A “tripulação” da Mars 500 é composta por seis elementos: três russos, um italiano, um francês e um chinês. As suas competências cobrem sobretudo os domínios da engenharia, da fisiologia e da medicina. A simulação de viagem a Marte iniciada a 3 de Junho durará até 5 de Novembro de 2011. A 8 de Fevereiro de 2011 serão simulados a chegada a Marte e o início das operações em solo marciano. De seguida, a 10 de Março de 2011, inicia-se a viagem de “regresso” à Terra.
Durante cerca de 520 dias, a “tripulação” da Mars 500 estará confinada a viver em cinco módulos onde serão testadas todas as condições de sobrevivência associadas a uma viagem de ida e volta a Marte. Durante este estudo será dada especial atenção à saúde e à capacidade de trabalho dos 6 elementos em condições de isolamento hermético, confinados a um volume limitado em que serão simuladas especificidades inerentes a voos inter-planetários, como: autonomia de decisão da tripulação em relação a um centro de comando terrestre, recursos limitados ou instabilidade e atraso nas comunicações com a Terra. Este atraso pode ser da ordem de alguns segundos a alguns minutos, dado que as ondas rádio utilizadas nas comunicações entre Terra e Marte propagam-se à velocidade da luz. No final deste estudo será avaliada a possibilidade real de realizar uma viagem tripulada a Marte tendo em conta o conjunto de adversidades fisiológicas e psicológicas registadas. Recorde-se que outras simulações anteriores de isolamento humano (Biosfera I e II) resultaram em graves problemas relacionais entre os intervenientes. A experiência Mars 500 será também importante para determinar o nível de equipamento essencial para as naves espaciais que transportarão uma futura tripulação ao planeta Marte.
O interesse dos voos inter-planetários tripulados deve-se à maior capacidade dos seres humanos para estudar a superfície de um planeta quando comparada com o reduzido número de funções que os mais dispendiosos robots actuais são capazes de realizar. Como tem sido hábito desde o início da exploração espacial, espera-se também que novas tecnologias e novas ideias resultantes desta experiência possam ter um impacto positivo no nosso quotidiano na Terra em domínios tão diferentes como a medicina ou a engenharia. Consultar este sítio da NASAsobre o impacto da tecnologia espacial no quotidiano.
Por estes dias, a banca, o sector que mais responsabilidades tem nesta crise, inunda-nos de publicidade alusiva ao Campeonato do Mundo de Futebol para nos vender a mesma banha da cobra, mas desta vez bem mais cara e embrulhada na camisola da selecção. Vamos todos abrir contas com a mesma facilidade com que o Ronaldo dá toques na bola, embora essas contas comportem despesas correntes mais caras sem qualquer justificação. Vamos todos comprar carro, casa, tralha para a casa e obviamente receber o ordenado meses antes de ser pago, tudo isto com a mesma facilidade com que o Nani dá cambalhotas após cada golo, embora com juros mais altos... As ilusões e o facilitismo que a banca tem vendido aos seus clientes nas últimas décadas continuam presentes na publicidade sem qualquer decoro, desta vez num clima de cinismo completo. O mesmo contribuinte que já está a pagar através dos seus impostos os roubos perpetrados pelo sector financeiro está a ser aliciado pelos bancos (muito poupados pelas medidas restritivas) a continuar a endividar-se, mas desta vez a preços bem mais elevados. É um conceito interessante em que se pede ao cidadão que pague para poder ser roubado pela segunda vez e se concede uma espécie de amnistia a quem rouba.
Não gosto daquele anti-europeísmo mal informado e desinformador de Manuel Alegre, parafraseando Mário Soares, considero que "se a esquerda não é europeia não é nada". No presente cenário de crise (financeira, ambiental e energética) é essencial um presidente que saiba ler correctamente a situação internacional, uma personalidade que não esteja enclausurada na sua capelinha, muito distraída com trocas de maldades entre colegas de partido. Duvido que Manuel Alegre tenha uma percepção clara do poder que goza hoje o sistema financeiro global sobre os estados. E tenho a certeza que Manuel Alegre não percebe a importância de organizações internacionais como a ONU no combate à pobreza, à fome, ao aquecimento global, aos conflitos étnicos e à violência sobre as mulheres. Como uma boa parte do trabalho de um presidente da república passa pela relação de Portugal com o mundo, considero Manuel Alegre muito mal preparado para esse tipo de funções, ao contrário de Fernando Nobre. Um país que tem cerca de 5 milhões de emigrantes espalhados pelo mundo não se pode dar ao luxo de ter um presidente refractário à diplomacia internacional e às instituições internacionais. Além disso, a Europa já tem suficientes figurinhas que boicotam constantemente as instituições internacionais para proteger interesses partidários mesquinhos, para proteger fundamentalismos religiosos e para minar o projecto europeu em favor da extrema-direita americana, como o presidente checo ou o primeiro-ministro britânico. Seria triste se Alegre alinhasse com semelhantes personagens.
Se estas razões não bastassem, não gosto ainda daquele republicanismo vetusto a cheirar a Primeira República, aquele discurso de Chevènement à portuguesa de cariz conservador relativamente às opções sexuais e à prostituição e de cariz patrioteiro relativamente à nossa história.
A Clara fez muito bem em relembrar o que esteve na origem desta crise. No entanto, continua o tabu do debate sobre a reforma do sistema financeiro tal como o conhecemos.
O Pedro Lomba foi pouco convincente em tentar branquear a responsabilidade do sector financeiro. É verdade que os estados alinharam inicialmente no endividamento para a aquisição de casa própria, mas a cultura consumista e facilitista de endividamento tal como a conhecemos hoje é da exclusiva responsabilidade da banca. Além disso não nos esquecemos que as fraudes financeiras generalizadas no sector financeiro americano do final dos 80 e o rebentar da bolha do sector imobiliário de 2008 são o resultado da desregulação e das pressões do sector financeiro para reduzir a intervenção do estado.
Foi muito fraca a discussão sobre a União Europeia, a começar pelas deixas da apresentadora. Safou-se a erudição sobre a matéria do Prof. Adriano Moreira.
Na entrevista de Marc Fiorentino ao L'Express, este coloca a hipótese da implosão económica da China. A fundamentação dessa hipótese parece muito credível. A ver vamos...
Et la Chine dans tout cela ? La Chine ne sera pas « attaquée », elle va carrément imploser !
Qu'est-ce qui vous amène à cette affirmation ? Cela fait plus de vingt ans que je m'intéresse aux « bulles ». J'ai une check-list de 20 critères qui font qu'on est ou non dans un phénomène de « bulle ». Pour la Chine, j'ai déjà coché au bas mot 15 des 20 cases de ma liste ! Ce pays entretient le mensonge permanent. Ainsi, contrairement aux Etats-Unis et à l'Europe, la Chine n'accepte pas la chute de son PIB. Du coup, elle maintient artificiellement sa croissance économique au-dessus des 8 % fatidiques. Et pour cela, elle a pourri - c'est le terme - le bilan de ses banques. Obligées de prêter à des régions, à des collectivités pour des projets qui ne seront jamais rentables, les banques chinoises croulent aujourd'hui sous les mauvaises créances. Cela étant, prestige oblige, si la Chine fera tout pour tenir jusqu'au terme de l'Exposition universelle de Shanghai, je n'ai cependant pas le moindre doute sur l'implosion prochaine de l'économie chinoise !
"Dixon [proprietário da Vernon Savings] liked the beach, so he had Vernon Savings buy spectacular, multimillion-dollar homes on the beach in Southern California, and then spend tens of thousands of dollars keeping the homes in fresh flowers. One does not live a full life by the beach alone, so Dixon also had Vernon buy a chalet, near former President Ford, at one of the nation's top ski resorts in Colorado. Naturally, one wishes to be able to join such amenities without plebeian concerns such as baggage screening or possibly having to sit next to a screaming child. Thus was born Vernon's air force. Once one has a fleet of private jets, one discovers that they have little to do most of the time. The answer is to provide them, often (illegally) without charge, to politicians."
Vale a pena ler a entrevista ao L'Express de Marc Fiorentino, um ex-corrector da bolsa, que não é propriamente um esquerdista, sobre a forma como funcionam os actuais mercados financeiros. Deixo aqui um primeiro extracto sobre o ataque especulativo à Grécia:
Que pensez-vous de la situation en Grèce ? Marc Fiorentino : C'est la genèse de mouvements beaucoup plus forts. C'est un « test » avant de mener un jour « la mère de toutes les batailles », celle sur la dette américaine. Le grand public doit donc comprendre que les marchés sont en fait manipulés. Pour l'instant, les fonds spéculatifs fourbissent leurs armes sur des cibles plus petites. Et tout comme Hitler a envahi la Pologne et la Tchécoslovaquie avant de s'en prendre finalement à la France, les fonds spéculatifs s'en prennent pour l'instant à la Grèce avant de s'en prendre par la suite aux Etats-Unis!
Mais de là à imaginer que les Américains accepteront de se (sou)mettre au régime sec du FMI... Les Américains n'auront pas envie de se défendre et, à la limite, ils en appelleraient presque de leur voeux une attaque sur la dette américaine !
Pourquoi ? Dans le langage populaire, on dit aux Etats-Unis que « ce qui est bon pour General Motors est aussi bon pour l'Amérique ». Et GM est en... chapter 11 [NDLR : en concordat] ! Bref, les Américains finiront un jour par dire : « On vous doit 100 mais on ne vous remboursera que 60. Ainsi, on restera debout et on sera toujours vos clients ! » La mentalité des Américains est ainsi faite qu'ils n'ont pas la même idée que nous, Européens, de la cessation de paiements. Là-bas, ne dit-on d'ailleurs pas qu'il faut avoir fait faillite deux fois avant de réussir ?
"Long after his annual compensation at Enron had climbed into the millions, Ken Lay arranged to take out large personal loans from the company. He gave Enron jobs and contracts to his relatives. And Lay and his family used Enron's fleet of corporate jets as if they owned them. (...) At lunch time, (...) when his meal arrived, his staff carefully unwrapped it, placed the food on fine china, and served him lunch on a covered silver platter". The Smartest Guys in the Room, Bethany McLean e Peter Elkind, Portfolio, 2003, pag. 4
Ken Lay foi presidente da ENRON desde 1985 até à sua falência em 2001 e um dos principais responsáveis pelas actividades ilícitas da empresa nos mercados financeiros. O "esforço" pedido a parte dos cidadãos da Europa, dos EUA e do mundo serve também para este tipo de personagens poder continuar a roubar.
(publicado no Esquerda.net) Este fim-de-semana, o Irão aceitou produzir urânio enriquecido fora do país, suspendendo parcialmente o seu próprio programa de enriquecimento de urânio. Esta decisão resultou de negociações decorridas em Teerão entre o presidente brasileiro Lula da Silva, o primeiro-ministro turco Erdogan e o presidente iraniano Ahmadinejad, cujo objectivo era convencer o Irão a suspender o seu programa de enriquecimento de urânio. Os receios da comunidade internacional em relação ao programa de enriquecimento de urânio iraniano devem-se à possibilidade de utilização de urânio enriquecido para a produção de armas nucleares. Caso o Irão conseguisse dominar todo o processo de produção urânio enriquecido seria extremamente difícil à AIEA (Agência Internacional de Energia Atómica) garantir que esse material seria utilizado apenas para fins civis. No passado países como a França e Israel iniciaram um programa nuclear civil com o objectivo escondido de criarem o seu próprio programa nuclear militar. Teme-se que o programa nuclear civil iraniano esconda as mesmas intenções.
O acordo agora assinado garante que uma boa parte do urânio fracamente enriquecido no Irão seja processada na Turquia até ao nível de enriquecimento de urânio necessário para a sua utilização num reactor nuclear civil. Paralelamente o Irão estabeleceu acordos de colaboração com o Brasil no domínio energético de quem irá beneficiar de uma linha de crédito de mil milhões de euros. Em resposta a este acordo, Israel declarou que o Irão estava a manipular o Brasil e a Turquia para adiar possíveis sanções da comunidade internacional.
Aquando da criação da AIEA em 1957 pretendia-se que todos os países que possuíssem armas ou materiais para fins nucleares civis ou militares os colocassem sob a égide da própria Agência de forma a diminuir o risco associado à proliferação de armas nucleares. 63 anos depois, ainda estamos muito longe desse objectivo, no entanto o caso iraniano mostra com clareza que para lidarmos com o Irão de uma forma coerente, justa e eficaz, contribuindo de facto para diminuir os riscos de proliferação, seria desejável adoptarmos os princípios fundadores da AIEA.
Como é habitual no canal ARTE podemos seguir diariamente os comentários, as curiosidades e as críticas dos filmes apresentados em Cannes. Ligação aqui.
Este "esforço" que é exigido aos contribuintes de Portugal, Espanha, Itália, Irlanda e Grécia não é mais do que a factura de erros acumulados nas últimas duas décadas pelo sistema financeiro internacional (em particular o americano), pelo funcionamento irracional das bolsas e pelo laxismo na regulação dos mercados.
Em vez de moralizarmos a economia obrigando o sistema financeiro a pagar parte da crise (nem que fosse a prazo), contratando mais reguladores e inspectores e interditando as empresas que mais crimes financeiros cometeram, em vez disso implementamos medidas que vão permitir que nada mude na Bolsa de Londres e na Bolsa de Nova Iorque. A oligarquia financeira global pode estar descansada, pode continuar a roubar. Se houver problema, nós pagamos!
(Publicado no Esquerda Republicana) A beatificação de Pio XII por insistência do Papa Bento XVI constituirá a celebração de um silêncio mortal, a celebração do oportunismo e a celebração da cumplicidade com o pior da história do século XX. Aliás, o silêncio e a inacção da igreja perante os casos de pedofilia já são uma grande demonstração de coerência com a herança de Pio XII. Mas sobretudo, ao beatificar Pio XII, este Papa envia um sinal bem forte a todos os crentes de que mais vale estar calado, mais vale colaborar e mais vale aproveitar as pequenas oportunidades quando confrontados com as piores arbitrariedades cometidas nos seus locais de trabalho, nas suas famílias e nas suas comunidades.
Apesar do Vaticano precisar que a beatificação de Pio XII considera apenas "as suas virtudes enquanto cristão, pondo de parte qualquer apreciação da importância histórica de todas as suas decisões operacionais", com o mesmo critério poderíamos beatificar operacionais das SS, kapos dos campos de concentração e talvez inclusivamente alguns dos autores da solução final. Tenho a certeza que entre estes indivíduos havia gente perfeitamente honesta, louvável e integra antes de participar activamente na barbárie nazi. Mas é na adversidade que se testa a verdadeira integridade das pessoas ou, por outras palavras, o seu potencial de beatificação. Nesse particular Pio XII fez parte desse pelotão do silêncio, desse pelotão da cobardia perante a barbárie que foi um pelotão tão ou mais terrível que os próprios pelotões SS.
Desde o final de 2009, tem estado a circular na Europa a primeira adaptação para cinema das histórias de Vickie o Viking do sueco Runer Jonsson que fizeram as delícias da infância minha geração quando foram adaptadas aos desenhos animados por uma co-produção japonesa e alemã em 1974. Estou curioso sobre o efeito que produzirá rever aquelas personagens que me faziam flipar com 4 ou 5 anos, o Tjure, o Snorre, o Faxe, o Halvar, a Ylva, o Vickie e a Ylvie. Até lá quantos disneys lamechas é que vamos ter que gramar até ser lançado o Vickie em Portugal? Entretanto o segundo Vickie já está a ser produzido.
(publicado no Esquerda Republicana) Enquanto na zona euro andamos quase histéricos com os défices elevados dos países do sul e da França, fora da moeda única o estampanço de alguns países é total. Na Roménia foram decretados cortes de salários de 25%! E cortes nas pensões de 15%! A economia romena teve uma recessão de quase 8% em 2009. A situação na Hungria, na Ucrânia, nos países bálticos e na Islândia continua dramática.
As medidas que foram tomadas este fim-de-semana para proteger a zona euro e para moralizar a economia dos respectivos países vão no bom sentido. No entanto seria desejável que a UE criasse um mecanismo semelhante para os restantes países e países candidatos e seria sobretudo desejável que tomasse medidas draconianas para a moralização da economia. Não é aceitável a forma como a Bolsa de Londres funciona hoje em dia. A Bolsa de Londres é o lugar da Europa onde mais se rouba e onde se rouba muito. Pior ainda, a Bolsa de Londres é a plataforma que serve para jogar o dinheiro das economias de cidadãos e de pensionistas europeus (sem a sua autorização) na Bolsa de Nova Iorque. Desse dinheiro, nas últimas décadas, tem sido mais aquele que tem ficado por lá do que aquele que tem retornado às contas europeias.
(publicado no Esquerda Republicana) A UE publica periodicamente uma lista de organizações terroristas, tal como publica uma lista negra de companhias aéreas que não respeitam regras básicas de segurança. Seria lógico que as instituições financeiras, cujas actividades especulativas causam muito mais vítimas, desemprego e pobreza do que os grupos terroristas e os acidentes aéreos juntos, deveriam estar sujeitas a regras semelhantes. Uma lista negra de instituições financeiras, cujas actividades fossem interditadas na UE, poderia ser um bom começo para nos libertar de uma oligarquia financeira cujas actividades se enquadram mais na classificação de terrorismo do que propriamente na produção de bens ou prestação de serviços com beneficio para a sociedade. A Goldman Sachs e o Citigroup são dois bons exemplos de terrorismo financeiro recente na Grécia e na Bélgica, respectivamente.
"Muitas mulheres que não se vestem de forma modesta, desviam os jovens do caminho justo e espalham o adultério na sociedade, o que faz aumentar os terramotos"
O João César das Neves é sumidade para concordar com esta brilhante dedução científica.
O portal do filósofo Bernard Henri-Lévy intitulado La Règle du Jeu entrou em actividade desde Novembro do ano passado. Ontem foi ali publicada a carta de defesa da honra de Roman Polansky "I can remain silent no longer!" ao bizarro processo de pedofilia que remonta a 1977.
Não é fácil, nem habitual realizar filmes cujo tema é o trabalho. Este "Nas nuvens" de Jason Reitman, o realizador de Juno, junta-se ao grupo restrito de filmes muito interessantes que reflectem sobre o emprego. "Nas nuvens" conta a história de um quadro de uma empresa de despedimentos, uma empresa paga para substituir o empregador no acto do despedimento. Ryan Bingham (George Clooney) percorre a América de lés a lés em registo glamour, percorrendo aeroportos, dormindo em hotéis de luxo, conduzindo grandes bólides, pago a peso de ouro para despedir. Este glamour rima com um cinismo que fazem de Ryan um homem orgulhosamente só, cujo o objectivo principal é atingir 10 milhões de milhas no seu cartão de passageiro frequente. A narrativa flui deliciosa e inteligentemente entre a futilidade e o luxo da vida de Ryan e o desespero dos novos desempregados, entre os amores efémeros de Ryan e as vidas destruídas de trabalhadores que dedicaram décadas da sua vida a uma empresa. No entanto, uma nova recruta da empresa vem perturbar a doce monotonia de Ryan...
Espero ter dado argumentos suficientemente sólidos às leitoras Klepsýdra para convencerem os seus parceiros a deslocarem-se ao cinema ver o George Cloon... opps!... ver este "Nas nuvens", digo. ;)
(Publicado no portal Esquerda.net) Na sequência da publicação de trabalhos científicos que indicam uma subida do nível do mar entre 20 e 80 cm até ao final deste século, da divulgação de estudos que revelam a erosão de 20% da orla costeira europeia e da destruição causada pela tempestade Xynthia, a UE (União Europeia) decidiu implementar dois programas de protecção do seu litoral. Os programas THESEUS e PEGASO abrangem 170 mil quilómetros de costa europeia abrangendo 20 países. Estes dois programas representam um investimento de cerca de 13,5 milhões de euros, no entanto calcula-se que este investimento permitirá dividir por quatro o custo dos estragos causados pela subida do nível do mar. O programa THESEUS consiste na avaliação das consequências económicas, ambientais e sociais da subida do nível do mar e na elaboração de medidas de organização do litoral mais apropriadas. O seu orçamento é de 6,5 milhões de euros e conta com a participação de 31 instituições europeias. O programa PEGASO tem por objectivo a aplicação do protocolo de gestão integrada das regiões costeiras do Mediterrâneo, que permite aos estados em causa gerir conjuntamente o litoral, independentemente das fronteiras legais que dividem o mesmo meio natural. Neste programa participam 23 instituições de 15 países coordenadas pela Universidade Autónoma de Barcelona. A UE contribui em 7 milhões de euros para este programa.
A subida do nível médio da água do mar observada nos últimos 100 anos deve-se à diminuição da massa dos glaciares e à expansão térmica dos oceanos causadas pelo aquecimento global. Apesar de o nível do mar ter subido cerca de 120 metros desde o fim da última era glaciar (há cerca de 21 mil anos) acabou por estabilizar há 2 mil anos atrás. No entanto, desde o início da era industrial o planeta aqueceu e a partir do final século XIX o nível do mar começou a subir a uma taxa progressivamente crescente. Durante o século XX, o nível do mar subiu em média cerca de 1,7 mm por ano. Nas últimas décadas esta média subiu para cerca de 3 mm por ano. No entanto, a evolução do nível do mar não é uniforme, por exemplo nas últimas décadas o nível o Índico Ocidental desceu e o nível do Índico Oriental e do Pacífico Ocidental registaram as subidas mais elevadas do planeta. Desta forma, a destruição do litoral é mais uma consequência do aquecimento global que afectará de forma desigual diferentes regiões do mundo a que se juntarão ainda as desigualdades inerentes à capacidade de diferentes povos para lidar com catástrofes naturais.
(publicado no Esquerda Republicana) Taslima Nasreen e Caroline Fourest publicaram "Libres de Dire". Caroline Fourest é uma incansável activista francesa que se tem batido contra os abusos religiosos e espirituais contras as mulheres. Taslima Nasreen, é uma refugiada política bengali a viver em França sob a ameaça de morte de grupos fundamentalistas islâmicos. Nesta obra ambas reflectem sobre o papel da religião na condição feminina, sobre as respostas da esquerda política à ameaça fundamentalista, sobre a laicidade e o humanismo numa época em que o comunitarismo espiritual e religioso começa a ganhar terreno na Europa. Sugestão de leitura para o próximo dia 13 de Maio.
"Profits were running the show. The business management wanted to get as much profit as they could into their coffers. Standard and Poor's gave a high rating to Enron days before it collapsed. The same people who brought us Enron are still in charge of the henhouse."
(publicado no Esquerda Republicana) Em Itália a expressão "fare il portoghese" (passar por português) é empregada quando se usufrui de um serviço e não se paga, por exemplo quando se viaja de comboio sem bilhete. Esta expressão decorre de uma historieta do século XVIII em que o embaixador de Portugal em Roma autorizou a entrada num teatro a todos os portugueses a viver em Roma. Nessa noite entraram de borla no teatro muitos romanos que se passaram por portugueses (fare il portoghese).
A tolerância de ponto e as mordomias para comitivas e devotos fiéis durante a próxima visita do Papa será um raro momento em que Portugal em peso farà il portoghese. Este momento de puro esbanjamento económico em período de crise a troco de uma massagem espiritual colectiva realizada por um clero que pouco fez para combater a pedofilia entre os seus, é um momento patético e desajustado à realidade de um regime democrático e laico. Compreende-se ainda menos esta atitude vinda de um governo socialista. Compreende-se ainda menos quando existe um debate na Europa (França e Bélgica, por exemplo) sobre a necessidade de salvaguardar laicidade da sociedade, a laicidade da escola e a laicidade dos espaços públicos. Por enquanto, ainda não conhecemos por cá fenómenos comunitaristas que impõem indumentária e práticas abusivas às mulheres e às adolescentes. Seria pois o momento ideal para blindar a nossa legislação a tentativas futuras de abusos espirituais. Mas não, preferimos piscar o olho ao velho Portugal dos três éfes. Deixo aqui a ligação de uma intervenção exemplar (aos 22min e 40s) de uma voz que está longe de ser uma voz jacobina, a voz de um católico que defende a laicidade: Pedro Mexia. Oiçam bem as suas palavras sobre o papel do estado, dos feriados religiosos, etc.
Os ataques de investidores financeiros à Grécia e a Portugal tentando ganhar muito dinheiro à custa da situação difícil dos dois países é inaceitável, é um ataque que produz pobreza e desemprego em troco do enriquecimento fácil de personagens cujas actividades não produzem nada de útil para a sociedade. Até quando teremos que aceitar este sistema absurdo? Este terrorismo financeiro é bem pior, é bem mais avassalador do que o terrorismo da ETA ou do IRA. É a soberania dos dois países que está a ser ameaçada. Somos tão ferozes com os terrorismos regionais, mas depois tão mansinhos com o terrorismo financeiro internacional. O PSD e o CDS não podem fingir que isto não é nada com eles. O modelo de sociedade que defendem criaram este ambiente propício ao crime e ao terrorismo financeiro quase generalizado.
(Publicado no portal Esquerda.net) Um documento difundido por mais de 400 investigadores do clima franceses denuncia a falta de ética científica dos niilistas do clima. Os referidos investigadores declararam-se simultaneamente agastados pela cobertura mediática conferida a protagonismos individuais de personagens alheadas da ciência e a polémicas sem fundamento científico que tentam sistematicamente negar os resultados que atribuem o aquecimento global à actividade humana com mais de 90 % de certeza. O documento refere em particular Claude Allègre, ex-ministro da educação do governo Jospin, que em obra recente "L'imposture climatique ou la fausse écologie" (Plon, 2010) procede a uma série de considerações sobre o aquecimento global onde foram detectados inúmeros erros envolvendo citações, dados e gráficos, bem como erros de fundo associados ao conhecimento da física que envolve o estudo dos sistemas climáticos. Foram detectadas falsificações de dados como as dos gráficos do climatólogo Hakan Grudd e de Louise Sime, especialista em glaciares. O documento é mais contundente sobre a falta de ética científica do livro de Allègre, visto que as citações, dados e conclusões da sua obra não foram objecto de revisão pelos pares, ao contrário da ética subjacente ao trabalho científico publicado pelos especialistas do clima, esse sim, sujeito ao rigor da revisão, verificação de cálculos e releitura crítica do raciocínio e das conclusões.
A reacção dos climatólogos franceses vem ao encontro do apelo lançado pelo editorial de Março da revista Nature em que se alerta a comunidade científica de que a estratégia de não resposta aos niilistas para não dar visibilidade a protagonismos individuais pseudo-científicos ter tido como resultado a ocupação do espaço mediático por estes indivíduos. Neste caso francês, a opinião pública parece ter ouvido os cientistas dado que a exposição pública das fraudes de Allègre e dos inúmeros erros do seu livro lançaram no descrédito o ex-ministro francês.
José Manuel Pureza, deputado eleito pelo Bloco de Esquerda, estará no próximo dia 17 de Abril, às 21h30, numa sala do Hotel Íbis, na Figueira da Foz, para uma sessão intitulada "O deputado presta contas". Uma boa razão para estar presente e tomar conhecimento das iniciativas do BE com impacto a nível distrital, do funcionamento do parlamento e das posições do BE em relação ao Orçamento de Estado e ao PEC. Estão convidados todos os figueirenses.
Sob pressão do BE, o governo cedeu na tributação das mais-valias bolsistas já este ano. Recorde-se que PSD e CDS opuseram-se a esta medida (se os ciganos e os desempregados jogassem na bolsa, o CDS teria votado certamente a favor). O que está em jogo são valores da ordem dos 100 milhões de euros. Excelente iniciativa bloquista.
O que mais me agradou na candidatura do Javier Vigo foi o facto de se tratar de um estrangeiro candidato a uma autarquia nacional, tal como o permite a legislação europeia. Durante toda a campanha não ouvi um único comentário depreciativo pelo facto de Javier Vigo não ser português (com a agravante de ser espanhol). Globalmente, foi uma excelente demonstração de civismo da parte dos figueirenses e de um europeísmo espontâneo da parte do Javier, tal como o europeísmo deveria sempre ser.
O Manifesto encabeçado por Mira Amaral sobre as opções energéticas do país ilustra o egoísmo de uma geração que explorou, consumiu e desperdiçou recursos como nenhuma das outras gerações anteriores e que deixará muito menos do que teve à sua disposição para as gerações seguintes. O espírito do Manifesto baseia-se numa visão que encara os recursos fósseis e o urânio como se fossem infinitos e de preço imutável. Esta visão do problema será catastrófica para as gerações seguintes que se confrontarão progressivamente com a penúria do petróleo (~60 anos), do gás natural (~100 anos) e do urânio (~200 anos), acompanhada da subida dos respectivos preços para níveis estratosféricos comparados com os de hoje. Nem a recente crise causada pela subida exagerada do preço do petróleo faz parar a voracidade desta geração. O Manifesto não apresenta qualquer solução que possa deixar uma herança de segurança energética para as próximas gerações, nada de novo, naquelas ideias tudo é velho e muito fraquinho, acompanhado de muita conversa marialvista que não está ao nível do rigor que o assunto exige. Expressões proferidas por alguns dos assinantes como "energia politicamente correcta", referindo-se às energias renováveis, ilustram a falta de seriedade com que o assunto é tratado. Percebe-se que o Manifesto serve mais para provocar, para a indústria ocupar terreno em relação às preocupações ambientais, para aproveitar a onda das más sondagens do primeiro ministro, do que propriamente contribuir para construir um futuro com segurança energética que sirva as próximas gerações. Só falta dizer que o futuro energético está nas últimas reservas de petróleo extraído a preços altíssimos das areias betuminosas do Canadá e dos poços de petróleo oceânicos a milhares de metros de profundidade.
Esta é a mesma geração que afundou o planeta num abismo financeiro em que o lucro se desacoplou da produção, onde se transacciona mais dinheiro (virtual) do que a riqueza efectivamente produzida, é a geração do gasta-se e logo se vê, é a geração do pontapé para a frente e fé em Deus e quem vier a seguir que apague a luz.
Com [REC]2 Paco Plaza e Jaume Balagueró têm o mérito de produzir um cinema fantástico que é simultaneamente inovador, interessante e popular. Com mais de 10 milhões de euros de lucro obtido com [REC], este [REC]2 é claramente assumido como um segundo episódio de uma série popular em que o final deixa antever já um [REC]3, algo que neste género só estava ao alcance da indústria americana de cinema. Apesar do encanto e do mistério do primeiro filme da série se perder nalgumas das revelações deste segundo [REC] estamos longe da infantilidade da narrativa e dos "cagaços" para adolescentes que caracterizam o género fantástico da indústria americana de cinema. A assinatura do cinema de autor mantém-se em [REC]2 embora a produção seja muito mais sofisticada. Os próximos [REC] serão mais populares e interessarão ainda alguns dos que foram "picados" pelo primeiro [REC], como eu. Sei que irei ver pior e que o farei por vício, pero lo gravare todo!
Bertrand Piccard entrará para a história depois do voo desta manhã em que o seu avião movido exclusivamente a energia solar, apelidado Solar Impulse, levantou voo e aterrou com sucesso na base de Payerne na Suíça. Se Ícaro estiver a assistir a isto lá do Olimpo...
(publicado no portal Esquerda.net) Esta semana Barack Obama e Dmitri Medvedev chegaram a um novo acordo sobre a redução de armas nucleares. O anterior tratado START (Strategic Arms Reduction Treaty) foi assinado pelas duas partes em 1991 - na altura a Rússia ainda integrava a URSS - e expirou no passado mês de Dezembro de 2009. O novo pacto que será assinado em Praga no próximo dia 8 de Abril, prevê a redução do arsenal de ambos os países para 1550 ogivas nucleares. Actualmente, o arsenal nuclear russo estima-se em cerca de 2500 ogivas nucleares e o número de ogivas americanas estima-se ligeiramente acima das 2000 unidades. O acordo de redução abrange também os diferentes meios de transporte de cargas nucleares até aos alvos: mísseis, submarinos, bombardeiros e camiões equipados de rampas de lançamento.
A maior novidade deste acordo são o aumento do rigor no mecanismo de verificação de aplicação do tratado, que deverá ser "irreversível, verificável e transparente", e a atribuição aos sistemas de mísseis defensivos do mesmo nível de perigosidade bélico que as actuais armas ofensivas.
Os elevados custos de manutenção e os problemas de segurança que colocam as velhas instalações onde são guardados os arsenais nucleares de ambos os países têm vindo a ser fortemente criticados por diversos especialistas, como Robert McNamara, representando a razão principal que forçou o acordo, mais do que a vontade política.
Actualmente, estão instaladas 480 ogivas nucleares na Europa pertencentes à NATO: 20 na Bélgica, 150 na Alemanha, 90 em Itália, 20 na Holanda, 110 no Reino Unido e 90 na Turquia. Seria de todo desejável que estas armas fizessem parte de um acordo que incluísse a Europa, dado que estas armas sofrem dos mesmos problemas apontados aos arsenais russo e americano. Recentemente, uma acção do grupo de activistas belga Bomspotting que milita contra a proliferação de armas nucleares, mostrou com uma facilidade desconcertante como se entra clandestinamente nas instalações de Kleine Brogel, na Bélgica, onde se encontram cerca de 20 cargas nucleares da NATO (Ver vídeo abaixo).
"This book arose from my concerns that we had failed to learn the lessons of the savings and loan debacle and that the failure meant that we walked blind into the ongoing wave of control frauds. The defrauders use companies as both sword and shield. They have shown themselves capable of fooling the most sophisticated market participants and academic experts. They are financial superpredators who use accounting fraud as a weapon and a shield against prosecution"
Entre as minhas últimas leituras estão duas edições estrangeiras que mereciam uma edição portuguesa: "A Economia do Hidrogénio", de Jeremy Rifkin, M Books, 2003 e "Robert Schuman", François Roth, Fayard, 2009.
A obra de Rifkin, uma edição brasileira de 2003, faz projecções sobre o futuro energético do planeta, sobre as reservas e os custos do petróleo, do gás natural e do carvão. Curiosamente em 2003 Rifkin disserta sobre um possível sobressalto dos preços dos combustíveis fósseis no final desta década, e o curioso é que essa instabilidade de preços veio mesmo a ocorrer. Rifkin alerta ainda para a incerteza e as expectativas optimistas baseadas em poços de petróleo por descobrir e em explorações de petróleo pouco viáveis do ponto de vista técnico e económico: as areias betuminosas e os poços de petróleo oceânicos a grandes profundidades. Quanto à utilização do hidrogénio como suporte energético, já Rifkin acertou muito menos e as soluções que propõe parecem ser ainda pouco viáveis e práticas num futuro próximo.
A biografia histórica de Schuman, um dos "pais" da actual União Europeia, retrata um homem muito simples e dedicado à causa pública, um homem encalhado entre o mundo germânico e latino, que viveu entre a Lorena, a Alsácia e o Luxemburgo, que passou pela ocupação alemã, enfim um desses cidadãos que frequentou a escola da tolerância. O mais impressionante desta obra é a tremenda incerteza que reinava entre os homens que decidiram instituir a Comunidade do Carvão e do Aço e de seguida a Comunidade Europeia. Não tinham bem a certeza que "monstro" estavam a criar, mas tinham a certeza de algo bem concreto: a Europa não se podia ao luxo de voltar a entrar em guerra. Nisso eles acertaram, e os povos dos países signatários estão em paz entre si há mais de 50 anos, um record desde a queda do Império Romano.
O LHC, o novo acelerador do CERN, entrou finalmente em funcionamento, tendo-se produzido as primeiras colisões a cerca de 7 TeV. Clicar aqui para acompanhar a transmissão em directo.
O delírio permanente que se instalou na política italiana teve mais um episódio nas regionais de hoje. À boleia do eleitorado de Berlusconi, os candidatos separatistas da Liga de Bossi obtiveram vitórias históricas. Para Berlusconi está tudo bem, no pior dos casos o norte poderá enriquecer vendendo puzzles em lojas de souvenires, a sul descalça-se a bota e lança-se ao mar...
A partir de amanhã, eu, o Nuno Melo Biscaia, o António Jorge Pedrosa e o Miguel Almeida iniciaremos um programa de rádio com periodicidade mensal sobre a actualidade figueirense, gravado no restaurante D. Tuy. e transmitido pela Rádio Maiorca. O Nuno foi meu colega no liceu, era bom aluno. O Tó Jó foi meu colega do basquete, era um craque. O Mitel foi meu adversário de listas para associação de estudantes, e ganhou, e foi meu adversário de lerpa em casa do Vasquito, e perdeu.
O programa terá frequência mensal e decorrerá na última sexta-feira de cada mês, pelas 12:30.
Até hoje foram descobertos mais de 400 planetas fora do nosso sistema solar, os chamados exoplanetas. O interesse da descoberta do exoplaneta CoRoT - 9b deve-se à semelhança da sua massa e do seu raio relativamente a Júpiter, o maior planeta do nosso Sistema Solar. Esta descoberta é significativa visto que pela primeira vez, os investigadores poderão aplicar a um exoplaneta os mesmos modelos que descrevem um dos planetas do Sistema Solar. O CoRoT - 9b apresenta uma órbita em torno da sua estrela com características semelhantes à órbita de Mercúrio - o planeta mais próximo do Sol - apresentando uma faixa de temperaturas médias entre os -20º C e os 150º C. Os exoplanetas descobertos anteriormente mais parecidos com os corpos do Sistema Solar eram uma espécie de "Júpiter quente", apresentando temperaturas muito mais altas e percorrendo órbitas mais próximas da sua estrela do que a órbita de Mercúrio.
Cada vez que o Corot - 9b transita em frente à sua estrela, a diminuição de brilho que a sua sombra provoca permite aos cientistas saber a sua posição, determinar a sua dimensão e estudar a sua composição. Espera-se que dentro de alguns anos se possa conhecer a sua composição com uma grande precisão, após um conjunto de observações limitadas a cerca de 8 horas cada - relativas a cada trânsito em frente à estrela - e que serão realizadas de 95 em 95 dias, o período da órbita do exoplaneta em torno da sua estrela.
O nome deste exoplaneta tem origem no satélite CoRoT (Convection, Rotation et Transits planétaires), o satélite francês lançado em 27 de Dezembro de 2006 através do qual foi possível descobrir este exoplaneta. O satélite CoRoT foi lançado com o objectivo de estudar a sismologia de estrelas e de descobrir exoplanetas com dimensões aproximadas aos dos planetas do nosso Sistema Solar. Depois da descoberta de um gémeo de Júpiter espera-se a descoberta de novos exoplanetas de dimensões ainda mais reduzidas, mais próximas das dimensões da Terra, com potencial para albergar formas de vida como as que conhecemos no nosso planeta.
Já se sabe que a culpa da crise económica é dos ciganos que andaram a especular na bolsa de Londres e de Nova Iorque com as fortunas que recebem do rendimento mínimo e dos desempregados que andaram a branquear as avultadas centenas de euros que recebem por mês em esquemas piramidais. Só assim se percebe a medida deste CDS de Paulo Portas - apresentada pelo PS no seu pacote do PEC - de amnistiar os honestíssimos empresários que movimentam dinheiro através de offshores, sem pagar impostos, roubando o próximo em centenas de milhares de euros, gerando indirectamente desemprego, destruindo vidas e gerando pobreza (realmente, o que é que isso interessa...).
Mudando o registo. É certo que numa altura de crise é mais inteligente evitar sanções que provoquem mais desemprego e pobreza entre as empresas que utilizaram offshores. Mas os empresários, os que deram ordens para movimentar dinheiro através de offshores, poderiam ser sancionados individualmente, nem que fosse através de penas suspensas. Um roubo é um roubo, numa democracia não pode ficar esta sensação de impunidade onde se tolera o roubo de ricos e se reprime o roubo dos pobres.
Concordo em parte com esta crítica do Um Blog Sobre Kleist ao filme Anticristo de Lars Von Trier. É mais do que misoginia, é a materialização em filme do trauma da vida do realizador. Mas o que me choca mais é o afastamento relativamente aos princípios da carta Dogma 95. Demasiada produção, uma sofisticação quase hollywoodesca e uma pretensão em realizar A obra-prima que estragaram todo o prazer de degustar um bom Von Trier.
Diz-se da animação dos jogos do ZX Spectrum que eram 50% grafismo e 50% imaginação. Quando revisitei recentemente nesta página algumas das minhas perdições (Travel with Trashman, Formula One, Daley Thhompson's Decathlon, etc.), a memória que guardava dos gráficos daqueles jogos era extremamente sofisticada. A percentagem de imaginação era mais... upa, upa, 90%.
Em Abril de 2009 escrevi aqui que José Sócrates deveria ser substituído. As razões que invoquei na altura são mais do que suficientes para afastar um primeiro ministro numa democracia em que há o mínimo de respeito pelo ordenamento do território. Não preciso da lama de Moura Guedes, nem da verborreia debitada por Mário Crespo para contestar Sócrates. Dito isto, preocupa-me profundamente a vitimização de membros de direcções das televisões e de alguns jornalista televisivos incompetentes, abertamente manipuladores e mal intencionados, que tentam surfar na vaga dos factos graves da nebulosa que se formou em torno de Sócrates. Preocupa-me a tomada de consciência por parte de alguns directores (como Eduardo Moniz) e alguns jornalistas (como Moura Guedes e Mário Crespo) de que podem usar o seu poder mediático para destruir com a maior impunidade e que esse poder é no nosso caso nacional superior ao poder político e ao poder judicial. O julgamento da televisão sobrepõe-se ao dos tribunais, seja ele justo ou injusto.
Quando vivi em Itália, em meados dos anos 90, ainda Berlusconi era um "menino de coro". Tinha um poster no quarto das "Asas do Desejo" onde se lia "filme distribuído por Sílvio Berlusconi". Na altura pensei ingenuamente que havia na direita italiana algum bom gosto. Os canais da novíssima Mediaset apresentavam uma grelha de programação extremamente erudita quando comparada com a nossa TVI. Daí à Força Itália e da Força Itália a uma república televisiva, foram dois passos. Em pouco mais de 15 anos Berlusconi controla o país através das televisões . Ser primeiro-ministro dá-lhe o bónus das televisões estatais, as que lhe faltavam na colecção. Hoje, faz quase tudo o que quer na política, é boçal, é grosseiro, é racista, insulta quem lhe apetece, com confiança total na condescendência que lhe conferem os seus canais de televisão.
Do binómio Moura Guedes e Eduardo Moniz já lhes conhecemos um cinismo sem limites e assumido com orgulho, que os leva a tomar partido pela mediocridade com toda a arrogância possível e de sorriso dos lábios. Ambos assumiram plenamente uma programação miserável e facilitista onde impera a estupidificação à base de telenovelas e de futebol a toda a hora, um telejornal sensacionalista onde se debita o programa político do CDS disfarçado de informação e programas de variedades da vida real onde se contribuiu para branquear a honra de árbitros e de autarcas corruptos (na Quinta das Celebridades por exemplo). Não há um único documentário, um programa histórico, um programa sobre língua portuguesa, ciência ou cidadania. Criaram com todo o orgulho uma televisão que baixa a fasquia do conhecimento e da capacidade crítica dos portugueses.
Moura Guedes já passou pela bancada parlamentar do CDS. A promiscuidade do casal com a política só a não vê quem não quer. A importância exacerbada da televisão no país com o mais baixo nível de educação da Europa, um país de pessoas que não lêem, castra o espírito crítico da população com menos instrução. Este é o terreno ideal para surgir mais dia menos dia um berlusconi. E não tenham dúvidas que o berlusconi português será bem pior que o verdadeiro Berlusconi.
Vale a pena ver esta reportagem sobre estas mulheres que se batem contra o porte do véu e do lenço, em particular a de Karima, uma jovem marroquina obrigada a casar-se muito jovem, obrigada a usar lenço, com 4 filhos, mal-tratada e desrespeitada pelo seu ex-marido. Criou uma associação e vai às escolas falar com jovens para combater estes abusos. Como se pode ver na reportagem é frequentemente atacada (por vezes insultada) por peõezinhos bem mandados de mesquitas manhosas que representam mais o islamismo do que o genuíno Islão. (Foto do sítio Ni putes ni soumises)
A Agência Espacial Europeia está prestes a lançar um novo satélite, o Cryosat 2, cuja missão é determinar com precisão a espessura do gelo que flutua nos oceanos polares e a espessura da massa de gelo que cobre a Antárctida e a Gronelândia. O seu lançamento estava previsto para o passado dia 25 de Fevereiro do cosmódromo de Baikonur no Cazaquistão, tendo sido adiado após a detecção de um problema num dos motores do segundo andar do lançador Dnepr. Não se pense que este foi o maior contratempo com que se deparou esta missão, visto que Cryosat-2 vem substituir o Cryosat, a primeira versão deste satélite que se despenhou em 2005 quando falhou o processo de separação entre o segundo e o terceiro andar do lançador Rockot - uma evolução do míssil SS-19.
O Cryosat foi equipado com um radar de microondas que detecta a alteração da espessura do gelo oceânico, tipicamente de alguns metros, e da espessura da massa de gelo terrestres, que pode atingir cinco quilómetros na Antárctida. O radar pode detectar alterações na espessura destas massas de gelo com uma resolução de um centímetro, bem como os diferentes tipos de gelo que compõem as massas glaciares. Até hoje, as calotes de gelo polar tinham sido estudadas sobretudo em função da sua área, através das observações efectuadas pelo satélite Envisat. Foi deste modo que se detectaram os recentes mínimos de cobertura de gelo do Árctico e a redução da sua extensão média de 2,7% por década.
Dado que a diminuição de massa de gelo polar é citada na literatura científica como uma das consequências do aquecimento global e dado que o degelo dos pólos tem influência directa na subida do nível de água do mar e na diminuição da radiação reflectida para o espaço, para perceber melhor as alterações do clima será fundamental saber quais as características, a evolução sazonal e a evolução a longo prazo da espessura do gelo polar.
António Lobo, o anterior presidente da câmara de Ponta do Sol - um dos concelhos madeirenses afectados pela tempestade - foi absolvido no passado dia 8 de Janeiro de crimes de burla qualificada e corrupção, num caso que envolvia recebimentos ilícitos de verbas para viabilizar o licenciamento de um bloco de apartamentos naquele concelho. O mesmo indivíduo cumpre pena de prisão por ter recebido pagamentos para aprovar licenciamentos de obras particulares.
Não é muito difícil encontrar os principais responsáveis pela construção ilegal (alguma tornada legal) na Madeira nas zonas onde morreram pessoas, onde houve feridos e desalojados. Parece é que o crime urbanístico, que pode matar muita gente de uma só vez como na Madeira, não é levado muito a sério na nossa sociedade. Os procuradores da Madeira já abriram um inquérito à construção ilegal que existia nas zonas sinistradas? O governo já se interessou pelo assunto? O PSD nacional já pediu explicações sobre o assunto aos seus autarcas madeirenses?
No título de primeira página do jornal Figaro depois da passagem do Xynthia podia ler-se: "Tempête: l'urbanisation du littoral en accusation" (ver primeira página de 2 de Março). Este título é ilustrativo do caso francês. A catástrofe teve como reacção imediata uma pesquisa e identificação séria do que não estava bem no ordenamento do território e abrir a discussão para evitar futuros erros do mesmo género. No caso português, os media não quiseram incomodar muito o excelentíssimo presidente do governo regional e ainda menos os autarcas e empresários responsáveis pelos atentados graves ao ordenamento do território que originaram dezenas de mortos.
Os media nacionais preferiram aderir às cantoretas e aos programas sentimentais de variedades supostamente de solidariedade para com a Madeira, do que adoptar uma atitude crítica. Quem já deve estar a esfregar as mãos com tanta solidariedade são as mesmas empresas e os autarcas responsáveis pela construção nos leitos dos rios com os milhões que se prometeram. Da minha parte não levam nem um tusto! É mesmo assim! Da minha parte não vai nada às cegas, só vai dinheiro para a Madeira se tiver a certeza que os beneficiários da dádiva não são nem os empresários nem os políticos responsáveis pelas dezenas de mortos da catástrofe.