Este fim-de-semana, o Irão aceitou produzir urânio enriquecido fora do país, suspendendo parcialmente o seu próprio programa de enriquecimento de urânio. Esta decisão resultou de negociações decorridas em Teerão entre o presidente brasileiro Lula da Silva, o primeiro-ministro turco Erdogan e o presidente iraniano Ahmadinejad, cujo objectivo era convencer o Irão a suspender o seu programa de enriquecimento de urânio. Os receios da comunidade internacional em relação ao programa de enriquecimento de urânio iraniano devem-se à possibilidade de utilização de urânio enriquecido para a produção de armas nucleares. Caso o Irão conseguisse dominar todo o processo de produção urânio enriquecido seria extremamente difícil à AIEA (Agência Internacional de Energia Atómica) garantir que esse material seria utilizado apenas para fins civis. No passado países como a França e Israel iniciaram um programa nuclear civil com o objectivo escondido de criarem o seu próprio programa nuclear militar. Teme-se que o programa nuclear civil iraniano esconda as mesmas intenções.
O acordo agora assinado garante que uma boa parte do urânio fracamente enriquecido no Irão seja processada na Turquia até ao nível de enriquecimento de urânio necessário para a sua utilização num reactor nuclear civil. Paralelamente o Irão estabeleceu acordos de colaboração com o Brasil no domínio energético de quem irá beneficiar de uma linha de crédito de mil milhões de euros. Em resposta a este acordo, Israel declarou que o Irão estava a manipular o Brasil e a Turquia para adiar possíveis sanções da comunidade internacional.
Aquando da criação da AIEA em 1957 pretendia-se que todos os países que possuíssem armas ou materiais para fins nucleares civis ou militares os colocassem sob a égide da própria Agência de forma a diminuir o risco associado à proliferação de armas nucleares. 63 anos depois, ainda estamos muito longe desse objectivo, no entanto o caso iraniano mostra com clareza que para lidarmos com o Irão de uma forma coerente, justa e eficaz, contribuindo de facto para diminuir os riscos de proliferação, seria desejável adoptarmos os princípios fundadores da AIEA.



Taslima Nasreen e Caroline Fourest publicaram "
A delegação polaca que desapareceu no acidente aéreo de Smolensk ia assistir uma cerimónia em honra dos cerca de 20 mil polacos assassinados sob a ordem de Estaline durante a II Guerra Mundial. Para além do que de terrível encerra o assassinato de 20 mil pessoas, Estaline conseguiu tornar esta história ainda mais nauseabunda do que já era.

Entre as minhas últimas leituras estão duas edições estrangeiras que mereciam uma edição portuguesa: "
A biografia histórica de Schuman, um dos "pais" da actual União Europeia, retrata um homem muito simples e dedicado à causa pública, um homem encalhado entre o mundo germânico e latino, que viveu entre a Lorena, a Alsácia e o Luxemburgo, que passou pela ocupação alemã, enfim um desses cidadãos que frequentou a escola da tolerância. O mais impressionante desta obra é a tremenda incerteza que reinava entre os homens que decidiram instituir a Comunidade do Carvão e do Aço e de seguida a Comunidade Europeia. Não tinham bem a certeza que "monstro" estavam a criar, mas tinham a certeza de algo bem concreto: a Europa não se podia ao luxo de voltar a entrar em guerra. Nisso eles acertaram, e os povos dos países signatários estão em paz entre si há mais de 50 anos, um record desde a queda do Império Romano.
O delírio permanente que se instalou na política italiana teve mais um episódio nas regionais de hoje. À boleia do eleitorado de Berlusconi, os candidatos separatistas da Liga de Bossi obtiveram vitórias históricas. Para Berlusconi está tudo bem, no pior dos casos o norte poderá enriquecer vendendo puzzles em lojas de souvenires, a sul descalça-se a bota e lança-se ao mar...

Do binómio Moura Guedes e Eduardo Moniz já lhes conhecemos um cinismo sem limites e assumido com orgulho, que os leva a tomar partido pela mediocridade com toda a arrogância possível e de sorriso dos lábios. Ambos assumiram plenamente uma programação miserável e facilitista onde impera a estupidificação à base de telenovelas e de futebol a toda a hora, um telejornal sensacionalista onde se debita o programa político do CDS disfarçado de informação e programas de variedades da vida real onde se contribuiu para branquear a honra de árbitros e de autarcas corruptos (na Quinta das Celebridades por exemplo). Não há um único documentário, um programa histórico, um programa sobre língua portuguesa, ciência ou cidadania. Criaram com todo o orgulho uma televisão que baixa a fasquia do conhecimento e da capacidade crítica dos portugueses.


Hoje, 25 de Fevereiro pelas 18h30 a cara Joana Amaral Dias apresenta o seu novo livro 


Desde o fim da Vida Mundial deixei de ler revistas portuguesas (vejam lá aos anos que isto foi). A Visão é uma versão suave do doentio voyerismo nacional que tem a sua linha dura nas publicações 24 Horas e Correio da Manhã. Comprei-a duas vezes e desisti. Leio a Courrier International francesa, não gosto das notícias requentadas de um mês na versão nacional.





Para viciados em listas como eu, a obra de Umberto Eco "