O editorial de 8 Janeiro de 2010 intitulado “Do Embuste aos Negócios!” da autoria de V. Exa., director de “O Figueirense”, transmite várias ideias e apreciações erradas sobre o aquecimento global e a ciência em geral.
A conclusão de que o aquecimento global é causado pelo homem (com mais de 90% de certeza) decorre do cálculo do forçamento radiativo produzido pela actividade humana. Ao contrário do que se afirma no editorial, este resultado divulgado num relatório de 2007 da ONU já inclui a contribuição dos factores naturais (vulcões, ciclos solares, etc.) que determinam que a Terra oscile entre períodos quentes e frios, em que existiram desertos no Canadá e mantos gelo sobre a Europa. Os cientistas conhecem bem os ciclos da Terra até há 600 mil anos atrás, através da análise de gelos de Vostok.

O relatório da ONU foi revisto por 2500 especialistas do clima, sendo o resultado de milhares de trabalhos publicados nas revistas científicas de maior prestígio (revistas Nature e Science)
Refere-se no vosso editorial o caso climagate, em que os computadores de cientistas ingleses foram violados por piratas informáticos. Este fait divers que visava especular sobre o conteúdo dos emails não teve qualquer impacto científico. Publicações posteriores confirmam a curva de aumento de temperatura em causa ainda com mais solidez.
No mesmo editorial insinua-se que o problema do “buraco de ozono” é um embuste científico e que “foi de férias” [sic]. Segundo dados actuais a camada de ozono só recuperará completamente em 2070. A camada de ozono é continuamente monitorizada por satélites, cujas observações dão toda a razão aos cientistas quando em 1987 forçaram a implementação do Protocolo de Montreal para a redução de emissão de aerossóis (CFC), dado que o buraco da camada de ozono tem diminuído à medida que diminui a concentração de CFC.
Lamenta-se a colagem de um assunto (alterações climáticas) de grande solidez científica a negócios, até porque pela experiência os figueirenses sabem que um clima mais quente significa que um “negócio” menos desejável floresce: o “negócio dos incêndios”. Actualmente, a concentração de CO2 na atmosfera é superior a 350 ppm (partes por milhão), quando nos últimos 600 mil anos esta nunca ultrapassou os 300 ppm. Uma das consequências do aumento de CO2 é o incremento da acidez da água do mar que terá repercussões noutra actividade importanteno nosso concelho: a pesca. Somente esta razão deveria levar Joaquim Gil a usar o princípio da precaução quando se refere a estes problemas globais.
Por último não podemos deixar de referir a má leitura que o director de o Figueirense faz das palavras do artigo de opinião de Adriano Moreira. Logo na introdução, o artigo citado apoia com clareza a necessidade dos povos, especialmente os que mais contribuem i.e. os industrializados, em assumir as alterações climáticas como uma prioridade: “Mais uma vez o passo dado na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas de Copenhaga é decepcionante em relação às esperanças semeadas pela prévia campanha mobilizadora da opinião pública mundial.» Adriano Moreira in Diário de Notícias 06.01.2010
Na mesma página podemos ler a resposta do Director de "O Figueirense". Quem está por dentro destes assuntos topa que o director não percebeu que o resultado que revela a influência humana (>90%) é o do forçamento radiativo. A curva ascendente de temperaturas é apenas um entre vários resultados que dão solidez a esta conclusão, algo que o director também não percebeu. Como não percebeu que o texto já continha as respostas às perguntas que formula.

Para viciados em listas como eu, a obra de Umberto Eco "










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Para aficionados que querem saber muito mais para além das lendas urbanas que se vão espalhando sobre os vinhos (e elas são muitas), a não perder esta edição especial da Science&Vie.


O que tem de interessante a edição da 
Este fim-de-semana a cadeia McDonalds encerrou todos os seus tascos na Islândia. A desvalorização da coroa islandesa aliada ao facto de todos os ingredientes serem importados, acabaram por reduzir dramaticamente os lucros da multinacional. Que chatice, a crise financeira acaba por fazer vítimas entre um dos baluartes do capitalismo sem regras. Os mesmos estabelecimentos reabriram sob a marca Metro, em que os ingredientes são apenas de origem local (foto).


Neste novo
A não perder a entrevista deste mês de Cohn-Bendit à 
O lançamento do livro "Figueira da Foz - Erros do passado, soluções para o Futuro" é uma belíssima iniciativa cidadã do meu caríssimo amigo João Vaz e do António Tavares. A par do recente movimento S.O.S. Cabedelo esta foi mais uma contribuição rara e muito positiva para o nosso concelho que nasce de participação cidadã. O João Vaz e o António Tavares tocam nas feridas do nosso concelho, escalpelizam as contas do município, a imensa dívida camarária, mas não se ficam por aí. Vão ao mais difícil e dão-nos sugestões muito válidas, com conhecimento de causa, do que poderia ser feito para melhorar a qualidade de vida, a transparência e as finanças do nosso concelho. Oe meus parabéns para os dois.
O novo de Michael Moore chama-se "