Há cerca de dois anos escrevi este texto para o blogue Cinco Dias sobre o ataque à ciência e os cientistas da vaga religioso-política obscurantista que grassa nos EUA, em particular o niilismo do Big Bang, do evolucionismo e do aquecimento global. Este texto parcialmente traduzido no De Rerum Natura do "New York Times" de 9 de Setembro, mostra que a candidatura de McCain, em particular a escolha da fanática Sarah Palin, está a assustar muito a comunidade científica americana. A Europa e todas as democracias do mundo deveriam preocupar-se seriamente com a eventual eleição de McCain, que poderá significar a saída dos EUA do conjunto de sociedades baseadas no conhecimento e o retrocesso para um sistema teocrático e obscurantista.
segunda-feira, setembro 15, 2008
domingo, setembro 14, 2008
Para que serve o LHC? Porque é que o mundo não acabou?
Publicado este sábado no portal Esquerda.net:
O LHC (Large Hadron Collider) inaugurado pelo CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear) no passado dia 10 de Setembro é o maior acelerador de partículas do mundo constituído por uma imensa estrutura tubular a 100 metros de profundidade, com um perímetro de 26,7 km, atravessando território francês e suíço. No LHC serão produzidas colisões frontais entre feixes de hadrões - podem ser protões ou iões de chumbo - que serão registadas e estudadas com o auxílio de milhares de instrumentos dispostos ao longo de todo o perímetro. Pretende-se através desta experiência reconstituir as condições existentes no Universo 10-25s após o Big Bang, numa época em que o Universo era apenas uma imensa "sopa" de quarks (sub-partículas de que são constituídos protões e neutrões). Mas o interesse do LHC não se fica pela mera curiosidade sobre a história do Universo, estende-se às leis fundamentais que regem a natureza, em particular à validação ou não de parte do Modelo Padrão, que é aquele que actualmente melhor explica todos os fenómenos observados em física das partículas. A existência do bosão de Higgs, uma partícula elementar hipotética, poderá ser confirmada ou não pelo LHC, sendo a sua descoberta essencial para a validação de aspectos fundamentais do Modelo Padrão.
Que utilidade tem conhecermos melhor as leis fundamentais da física? Porque gastamos tanto dinheiro neste dispositivos gigantescos?
O CERN é provavelmente o melhor exemplo que existe de um grande investimento feito na ciência que já produziu riqueza muito superior ao seu custo inicial, de tal forma, que este LHC antes de ser construído já tinha sido pago várias vezes. Para além de milhares de novas tecnologias resultantes dos avanços na física de partículas, em particular tecnologias que envolvem a miniaturização de componentes electrónicos, processamento de sinal e imagem, foi no CERN que nasceu a a World Wide Web, o www dos nossos endereços Internet. O inglês Tim Berners-Lee e o belga Robert Cailliau, engenheiros informáticos do CERN, criaram em 1989 um sistema de ligações através de hipertexto entre a rede de colaboradores do CERN para que a partilha de dados se processasse de uma forma mais rápida e eficiente. Este sistema estendeu-se rapidamente para fora do CERN dando origem ao World Wide Web que conhecemos hoje. Os benefícios económicos produzidos por esta tecnologia são incalculáveis, o CERN e o LHC foram certamente pagos e repagos vezes sem conta. Resta agora saber quantas novas tecnologias irão aparecer e que impacto irão ter, decorrentes do funcionamento do novo LHC.
Para além dos evidentes benefícios económicos e sociais que o CERN produziu, contam-se também os mais prestigiantes prémios científicos, entre os quais oito prémios Nobel da Física.
Porque é que o mundo não acabou?
Os buracos negros são objectos de uma tal densidade que a força de gravidade que geram à sua volta é suficiente para engolir toda a matéria circundante, inclusivamente a luz. No entanto, os buracos negros podem "evaporar" e o seu tempo de vida é tanto mais breve quanto menor é o seu tamanho.
No LHC existe uma probabilidade muito pequena de se formarem mini-buracos negros, mas no caso de algum se formar o seu tamanho seria de cerca de 10-18 m (o tamanho de um electrão é da ordem dos 10-15m) e o seu tempo de vida seria de cerca de 10-27s, o que não lhe daria tempo suficiente para engolir a matéria circundante (ler The American Institute of Physics Bulletin of Research News Nº 871, 2008, Schewe, Dawson e Bardi).
O cenário da criação de um buraco negro no LHC que persistisse, que fosse engolindo matéria circundante, atingindo dimensões macroscópicas, por exemplo do tamanho de uma bola de ténis, continuando depois a crescer até engolir todo o planeta, é um cenário que contraria aquilo que observamos no Universo. Nas milhares de estrelas de neutrões e muitas mais anãs brancas que observamos na nossa galáxia, cuja densidade é de mil milhões a biliões de vezes superior à densidade da Terra, existem condições imensamente mais propícias a surgirem buracos negros macroscópicos do que no interior do LHC. No entanto, o que se observa é que estas estrelas estão entre os objectos mais estáveis e mais antigos do Universo (mais de 13 mil milhões de anos), não se verifica que sejam importunadas pela formação de buracos negros. Se não se observa a formação de buracos negros em milhares de objectos muito antigos, em largas escalas temporais, com condições muito mais propícias à formação de buracos negros macroscópicos, muito menos provável será a formação de buracos negros no LHC, talvez biliões de vezes menos provável.
O LHC (Large Hadron Collider) inaugurado pelo CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear) no passado dia 10 de Setembro é o maior acelerador de partículas do mundo constituído por uma imensa estrutura tubular a 100 metros de profundidade, com um perímetro de 26,7 km, atravessando território francês e suíço. No LHC serão produzidas colisões frontais entre feixes de hadrões - podem ser protões ou iões de chumbo - que serão registadas e estudadas com o auxílio de milhares de instrumentos dispostos ao longo de todo o perímetro. Pretende-se através desta experiência reconstituir as condições existentes no Universo 10-25s após o Big Bang, numa época em que o Universo era apenas uma imensa "sopa" de quarks (sub-partículas de que são constituídos protões e neutrões). Mas o interesse do LHC não se fica pela mera curiosidade sobre a história do Universo, estende-se às leis fundamentais que regem a natureza, em particular à validação ou não de parte do Modelo Padrão, que é aquele que actualmente melhor explica todos os fenómenos observados em física das partículas. A existência do bosão de Higgs, uma partícula elementar hipotética, poderá ser confirmada ou não pelo LHC, sendo a sua descoberta essencial para a validação de aspectos fundamentais do Modelo Padrão.
Que utilidade tem conhecermos melhor as leis fundamentais da física? Porque gastamos tanto dinheiro neste dispositivos gigantescos?
O CERN é provavelmente o melhor exemplo que existe de um grande investimento feito na ciência que já produziu riqueza muito superior ao seu custo inicial, de tal forma, que este LHC antes de ser construído já tinha sido pago várias vezes. Para além de milhares de novas tecnologias resultantes dos avanços na física de partículas, em particular tecnologias que envolvem a miniaturização de componentes electrónicos, processamento de sinal e imagem, foi no CERN que nasceu a a World Wide Web, o www dos nossos endereços Internet. O inglês Tim Berners-Lee e o belga Robert Cailliau, engenheiros informáticos do CERN, criaram em 1989 um sistema de ligações através de hipertexto entre a rede de colaboradores do CERN para que a partilha de dados se processasse de uma forma mais rápida e eficiente. Este sistema estendeu-se rapidamente para fora do CERN dando origem ao World Wide Web que conhecemos hoje. Os benefícios económicos produzidos por esta tecnologia são incalculáveis, o CERN e o LHC foram certamente pagos e repagos vezes sem conta. Resta agora saber quantas novas tecnologias irão aparecer e que impacto irão ter, decorrentes do funcionamento do novo LHC.
Para além dos evidentes benefícios económicos e sociais que o CERN produziu, contam-se também os mais prestigiantes prémios científicos, entre os quais oito prémios Nobel da Física.
Porque é que o mundo não acabou?
Os buracos negros são objectos de uma tal densidade que a força de gravidade que geram à sua volta é suficiente para engolir toda a matéria circundante, inclusivamente a luz. No entanto, os buracos negros podem "evaporar" e o seu tempo de vida é tanto mais breve quanto menor é o seu tamanho.
No LHC existe uma probabilidade muito pequena de se formarem mini-buracos negros, mas no caso de algum se formar o seu tamanho seria de cerca de 10-18 m (o tamanho de um electrão é da ordem dos 10-15m) e o seu tempo de vida seria de cerca de 10-27s, o que não lhe daria tempo suficiente para engolir a matéria circundante (ler The American Institute of Physics Bulletin of Research News Nº 871, 2008, Schewe, Dawson e Bardi).
O cenário da criação de um buraco negro no LHC que persistisse, que fosse engolindo matéria circundante, atingindo dimensões macroscópicas, por exemplo do tamanho de uma bola de ténis, continuando depois a crescer até engolir todo o planeta, é um cenário que contraria aquilo que observamos no Universo. Nas milhares de estrelas de neutrões e muitas mais anãs brancas que observamos na nossa galáxia, cuja densidade é de mil milhões a biliões de vezes superior à densidade da Terra, existem condições imensamente mais propícias a surgirem buracos negros macroscópicos do que no interior do LHC. No entanto, o que se observa é que estas estrelas estão entre os objectos mais estáveis e mais antigos do Universo (mais de 13 mil milhões de anos), não se verifica que sejam importunadas pela formação de buracos negros. Se não se observa a formação de buracos negros em milhares de objectos muito antigos, em largas escalas temporais, com condições muito mais propícias à formação de buracos negros macroscópicos, muito menos provável será a formação de buracos negros no LHC, talvez biliões de vezes menos provável.
O princípio de Deus
Quando o Miguel escreve sobre as suas viagens brinda-nos com inspirados textos. Este fala-nos do deserto, do LHC e de Deus.
sábado, setembro 13, 2008
quarta-feira, setembro 10, 2008
O mundo não acabou e o LHC já está a bombar!
O primeiro feixe do LHC foi ligado às 9:28 (hora de Portugal). Clicar aqui para ler as primeiras declarações de Lyn Evans, o director do projecto.
Primeiro feixe do LHC no CERN
Esta manhã, a partir das 8:15, os investigadores do CERN tentarão pôr a circular o primeiro feixe de protões no LHC (Large Hadron Collider). Clicar aqui para ver tudo em directo da Suiça. Boa sorte!
PS- Para os curiosos das teorias da conspiração e dos cataclismos bíblicos ler aqui porque é que o mundo não vai acabar hoje.
PS- Para os curiosos das teorias da conspiração e dos cataclismos bíblicos ler aqui porque é que o mundo não vai acabar hoje.
terça-feira, setembro 09, 2008
À atenção de Manuela Ferreira Leite
O processo de construção da nova urbanização no Vale do Galante na Figueira da Foz tem todos os ingredientes dos tradicionais casos de promiscuidade entre municípios e empresas construtoras que têm destruído o país de alto a baixo: mais valias à descarada, alterações relâmpago de PDM, personagens que vestem ora a camisola do município ora a camisola da empresa consoante a fase da negociação, muito dinheiro a desaparecer em buracos negros, falta de respeito total pelo ambiente, pelo bom urbanismo e pelos moradores afectados pela obra.
O ministério público já se mexeu e ainda bem, mas ficam as dúvidas se os movimentos das contas bancárias dos intervenientes principais e secundários (estas por vezes bem mais movimentadas) deste processo foram efectivamente verificadas. O mínimo que a Figueira pode exigir por enquanto é a perda de mandato de Duarte Silva. Resta apenas uma reacção da parte da direcção do PSD. Será que vai continuar a fechar os olhos? A nova direcção quer de facto enveredar por uma nova política ou continuamos no país pequenino de Isaltino Morais e de Isabel Damasceno?
Ler mais detalhes sobre o assunto no blogue Ambiente na Figueira do caríssimo João Vaz.
O ministério público já se mexeu e ainda bem, mas ficam as dúvidas se os movimentos das contas bancárias dos intervenientes principais e secundários (estas por vezes bem mais movimentadas) deste processo foram efectivamente verificadas. O mínimo que a Figueira pode exigir por enquanto é a perda de mandato de Duarte Silva. Resta apenas uma reacção da parte da direcção do PSD. Será que vai continuar a fechar os olhos? A nova direcção quer de facto enveredar por uma nova política ou continuamos no país pequenino de Isaltino Morais e de Isabel Damasceno?
Ler mais detalhes sobre o assunto no blogue Ambiente na Figueira do caríssimo João Vaz.
segunda-feira, setembro 08, 2008
Rosetta Blog

Imagem ESA
A missão Rosetta - a caminho do cometa Churyumov-Gerasimenko onde chegará dentro de 6 anos - cruza-se por estes dias com o asteróide Steins. As imagens, os vídeos e as emoções dos cientistas foram registados no Rosetta Blog.
sexta-feira, setembro 05, 2008
MR 73 (avec Daniel Auteuil)

MR73 é um policial sinistro e decadente. O apodrecimento emocional da personagem principal, o inspector Schneider, interpretado por Daniel Auteil marca o ritmo do filme, o de uma história que se afunda a pique juntamente com a sua personagem principal. Schneider é um personagem trágico, uma espécie de cavaleiro maldito, que ama demais a profissão que o destrói. Schneider é confrontado com uma série de assassinatos violentos e o seu sucesso na resolução da charada que o levará aos autores dos crimes é proporcional às asneiras que vai semeando à sua volta. Schneider vai-se consumindo ao longo da investigação até se tornar um fantasma, um destroço humano. No entanto, Schneider não pára, a obsessão de aniquilar um adversário para proteger alguém, nem que sejam fantasmas como ele, é mais forte e Schneider vai até ao fim...
Avec Daniel Auteil
Tens razão, esta poderá ser a melhor interpretação de Daniel Auteil. Não é propriamente mais uma das personagens fáceis que já interpretou, fácil para ele obviamente. Neste filme não sorri, não interpreta aquele homem responsável que lhe assenta tão bem, nem afronta problemas cheio de determinação mesmo quando franze a testa. Schneider é um duro todo escavacado e o Daniel, via-se, conhecia demasiado bem esta personagem...
Apesar de tudo, o melhor Auteil é na minha opinião o de "A viúva de St. Pièrre" onde contracena com Binoche e Kusturica.
Avec Daniel Auteil
Tens razão, esta poderá ser a melhor interpretação de Daniel Auteil. Não é propriamente mais uma das personagens fáceis que já interpretou, fácil para ele obviamente. Neste filme não sorri, não interpreta aquele homem responsável que lhe assenta tão bem, nem afronta problemas cheio de determinação mesmo quando franze a testa. Schneider é um duro todo escavacado e o Daniel, via-se, conhecia demasiado bem esta personagem...
Apesar de tudo, o melhor Auteil é na minha opinião o de "A viúva de St. Pièrre" onde contracena com Binoche e Kusturica.
quinta-feira, setembro 04, 2008
A fraude que se segue: Credit Suisse
Dois ex-correctores do Credit Suisse foram ontem acusados de fraude pela justiça americana pela venda aos seus clientes de títulos imobiliários de alto risco disfarçados de títulos seguros. Estes clientes ficaram com mais de 800 milhões de dólares em títulos nas mãos, sem qualquer possibilidade de os vender após o início da crise financeira em 2007.
Apesar da mão ser invisível consegue esconder muito bem o jogo...
Apesar da mão ser invisível consegue esconder muito bem o jogo...
quarta-feira, setembro 03, 2008
Só falta acordar para o crime financeiro
Há dez dias escrevi sobre esses crimes silenciosos que já mataram 31 mulheres desde o início do ano. Esta semana o país acordou para a dura realidade deste tipo de crime, que não dá nas TV's, nem é divulgado no youtube, mas que faz do nosso país uma triste excepção a nível europeu. Só falta acordar para o outro tipo de crime que nos distingue negativamente do resto da Europa: a gigantesca fraude financeira que está a ocorrer via paraísos fiscais. Esse crime também mata. A pobreza e o desemprego que produz, gera indirectamente desespero, depressão, violência, exclusão e muita pequena e média criminalidade que presta serviços aos colarinhos brancos.
terça-feira, setembro 02, 2008
Provavelmente a melhor cerveja ibérica
Cansado da má cerveja espanhola, Cruz Campo, Mahou, San Miguel (a pior), etc., ali para os lados de Granada topei a cerveja regional Alhambra. Experimentei a Alhambra Reserva 1925 e nem acreditei no que estava a beber... Finalmente, uma boa cerveja ibérica! A Alhambra 1925 é loura e densa! Cerveja loura e densa na península ibérica foi coisa que desapareceu com os ursos e o lince! Densa e cristalina, cristalina e com aroma complexo, uma densa que casa com o calor da Andaluzia e a coloca como a primeiríssima das cervejas louras ibéricas de inverno.Aconselho-a vivamente ao Francisco, se por acaso ainda não a tiver provado.
sábado, agosto 30, 2008
Crise leva Ford a reduzir a produção de pickups
A minha crónica desta semana no portal Esquerda.net:
A Ford anunciou a redução da produção de pickups nos EUA em 38% até 2013, após uma forte queda no volume de vendas de alguns dos seus modelos mais populares decorrente da recente crise petrolífera. Mais de 52% dos veículos vendidos pela Ford em 2007 nos EUA eram pickups, sendo o Ford F o veículo automóvel mais vendido no país.
O Ford F é uma pickup cujo motor pode variar entre os 4200 cm3 V6 e os 5400 cm3 V8! O seu consumo é superior a 16 litros/100km em circuito urbano e mais de 11 litros em auto-estrada. Estes são valores de motorizações e de consumos verdadeiramente astronómicos quando comparados com os automóveis mais vendidos na Europa, na América Latina, na Ásia ou em África. Por exemplo, na Europa os modelos mais vendidos são o VW Golf e o Ford Focus equipados com motorizações entre os 1400 e os 2000 cm3 cujos consumos que oscilam entre os 7 litros e os 11 litros por cada 100km. Sendo o sector dos transportes um dos que mais contribui para a emissão total de gases de efeito de estufa, não admira que os EUA, a par com a China, sejam o país que maior volume emite de gases de efeito de estufa e cujo valor de emissões per capita é o mais elevado a par com a Austrália. No entanto, o novo governo australiano ratificou recentemente o Protocolo de Quioto, implementando importantes medidas para a redução de emissões de gases poluentes.
A extravagância dos motores dos automóveis americanos explica-se em parte pelo baixo preço dos combustíveis nos EUA, como é comum entre os países produtores de petróleo, mas explica-se sobretudo por uma cultura fortemente consumista dominada pelos interesses dos principais grupos económicos, entre os quais encontramos poderosos grupos ligados ao negócio do petróleo. Decisões políticas mais corajosas, embora impopulares, de contenção do consumo de combustíveis fósseis e de redução da emissão de gases de efeito de estufa têm vindo a ser sucessivamente adiadas, por pressão dos referidos grupos, com consequências muito negativas e dispendiosas para o quotidiano do americano médio. O custo de vida do comum americano subiu vertiginosamente em cidades concebidas quase exclusivamente para o transporte individual, alguns decidiram deixar o carro na garagem, outros a abdicar do tão comum segundo emprego porque deixou de compensar o custo de deslocação, e muitos colocaram os seus automóveis equipados de gulosos motores à venda, trocando-os por modelos japoneses e europeus mais económicos e menos poluentes.
A Ford anunciou a redução da produção de pickups nos EUA em 38% até 2013, após uma forte queda no volume de vendas de alguns dos seus modelos mais populares decorrente da recente crise petrolífera. Mais de 52% dos veículos vendidos pela Ford em 2007 nos EUA eram pickups, sendo o Ford F o veículo automóvel mais vendido no país.
O Ford F é uma pickup cujo motor pode variar entre os 4200 cm3 V6 e os 5400 cm3 V8! O seu consumo é superior a 16 litros/100km em circuito urbano e mais de 11 litros em auto-estrada. Estes são valores de motorizações e de consumos verdadeiramente astronómicos quando comparados com os automóveis mais vendidos na Europa, na América Latina, na Ásia ou em África. Por exemplo, na Europa os modelos mais vendidos são o VW Golf e o Ford Focus equipados com motorizações entre os 1400 e os 2000 cm3 cujos consumos que oscilam entre os 7 litros e os 11 litros por cada 100km. Sendo o sector dos transportes um dos que mais contribui para a emissão total de gases de efeito de estufa, não admira que os EUA, a par com a China, sejam o país que maior volume emite de gases de efeito de estufa e cujo valor de emissões per capita é o mais elevado a par com a Austrália. No entanto, o novo governo australiano ratificou recentemente o Protocolo de Quioto, implementando importantes medidas para a redução de emissões de gases poluentes.
A extravagância dos motores dos automóveis americanos explica-se em parte pelo baixo preço dos combustíveis nos EUA, como é comum entre os países produtores de petróleo, mas explica-se sobretudo por uma cultura fortemente consumista dominada pelos interesses dos principais grupos económicos, entre os quais encontramos poderosos grupos ligados ao negócio do petróleo. Decisões políticas mais corajosas, embora impopulares, de contenção do consumo de combustíveis fósseis e de redução da emissão de gases de efeito de estufa têm vindo a ser sucessivamente adiadas, por pressão dos referidos grupos, com consequências muito negativas e dispendiosas para o quotidiano do americano médio. O custo de vida do comum americano subiu vertiginosamente em cidades concebidas quase exclusivamente para o transporte individual, alguns decidiram deixar o carro na garagem, outros a abdicar do tão comum segundo emprego porque deixou de compensar o custo de deslocação, e muitos colocaram os seus automóveis equipados de gulosos motores à venda, trocando-os por modelos japoneses e europeus mais económicos e menos poluentes.
quarta-feira, agosto 27, 2008
Os 68
68 foi Maio em França e foi Agosto (Srpen) na Checoslováquia, mas 1968 foi sobretudo um ano de universidades a transbordar, a geração do baby boom chega ao ensino superior e a demografia serviu de catalisador às várias revoltas ocorridas. A revolta da Universidade de Luvaina foi a menos poética. Flamengos contra francófonos dão origem a uma nova universidade e a uma nova cidade em território francófono: Louvain-la-Neuve. Flamengos em Leuven e francófonos em Louvain-la-Neuve, nada de misturas. 40 anos depois passeio pelas ruas desta cidade nova, bem pensada convém dizê-lo, cheia de vida, esta universidade do top 100 dos rankings munidais, mas não deixo de reflectir sobre a loucura humana, a irracionalidade brutal que esteve na sua origem.
68 é também a revolta na Cidade do México antes da realização dos Jogos Olímpicos naquela cidade, reprimida brutalmente, oportunamente relembrada pelo Luís Januário a propósito deste manso 2008 em Pequim.
68 é também a revolta na Cidade do México antes da realização dos Jogos Olímpicos naquela cidade, reprimida brutalmente, oportunamente relembrada pelo Luís Januário a propósito deste manso 2008 em Pequim.
Climatologia e astrologia tudo a mesma coisa!
Caro Desidério Murcho,
o que escreveu neste parágrafo é absolutamente aterrador, tanto para um cientista como para um filósofo:
"...não sei o suficiente sobre clima nem sobre as ciências relevantes para poder avaliar o que se passa no caso do pretenso aquecimento global; tenho de confiar nos especialistas. Mas quando os especialistas estão profundamente politizados, quando pertencem a uma ou a outra “causa”, não posso confiar em qualquer deles."
Este parágrafo, bem espremido, o que diz é que vale tudo, desde que existam uns e outros que pertençam a uma ou outra causa, o melhor é não confiar. Por exemplo, encontro muita gente (poderia ser o tal taxista que refere) que se refere à minha área, a astrofísica, nos seguintes termos: "ah, vocês e os astrólogos, cada um diz a sua coisa, cada um defende a sua dama, eu como não percebo desconfio de uns e de outros". Tal e qual como o seu parágrafo, para estas pessoas tanto nós como os astrólogos somos todos "especialistas".
Ora o que nos distingue dos astrólogos é o método científico, algo que não pode dizer que não sabe suficientemente, como filósofo conhece-o certamente, e por isso fiquei aterrado com o parágrafo acima transcrito e acho que os seus colegas poderão ter a mesma reacção... Os astrofísicos realizam trabalhos científicos que são publicados em revistas com arbitragem pelos pares, algo completamente inexistente na astrologia, é aqui que se separa a ciência da pseudo-ciência.
Igualmente, em climatologia existem os cientistas, os que publicam e estão sujeitos ao método científico - os resultados sobre o aquecimento global são o resultado da publicação de milhares (só no relatório do IPCC são citados centenas desses artigos) de artigos científicos em revistas da especialidade avaliados pelos pares - e depois existem os "especialistas" que escrevem, bem pagos por grupos de interesse, em blogues manhosos e os "especialistas" que produzem ruído mediático sem nunca ter coragem de propor o seu trabalho a revistas científicas com arbitragem. A realidade é que não existem trabalhos científicos publicados relevantes que ponham em causa o que nos diz o resultado do IPCC: a probabilidade da actividade humana contribuir para o aquecimento global é superior a 90% (ver Figura TS5 (b) da pag.32 do "Technical Summary" do IPCC). Por exemplo não existem artigos em que sejam postos em causa as dezenas de artigos sobre aquecimento global publicados na Nature e na Science, onde são publicados os trabalhos mais importantes, nem existem artigos que estimem uma probabilidade para que o aquecimento global registado (não é pretenso como refere) tenha uma probabilidade muito significativa de ser natural, ou seja uma quantificação como fez o IPCC, mas ao contrário. Não existem! E como não existem, o seu texto demonstra falta de informação, mas o pior é que confunde especialistas com "especialistas", tal como o problema dos astrofísicos com a astrologia. Ou assumimos que estamos numa sociedade baseada no conhecimento e confiamos no método científico, confiando no trabalho dos cientistas, ou então vale tudo, os "especialistas" passam a especialistas e a astrologia equivale-se à astronomia e à climatologia!
Acho que deve ter já percebido o grave problema de que padece o resto da sua análise...
PS- A propósito do 2° parágrafo do seu texto: ao observar um eclipse da Lua a projecção da sombra da Terra no referido astro é a prova de que a Terra é "redonda".
PS'- Bjørn Lomborg sem ser um charlatão cometeu vários erros de palmatória objecto de artigos em revistas científicas (ver Scientific American por ex.) que o descredibilizaram perante a comunidade científica, mas que o tornaram popular entre os meios de comunicação que favorecem a polémica em detrimento do rigor.
o que escreveu neste parágrafo é absolutamente aterrador, tanto para um cientista como para um filósofo:
"...não sei o suficiente sobre clima nem sobre as ciências relevantes para poder avaliar o que se passa no caso do pretenso aquecimento global; tenho de confiar nos especialistas. Mas quando os especialistas estão profundamente politizados, quando pertencem a uma ou a outra “causa”, não posso confiar em qualquer deles."
Este parágrafo, bem espremido, o que diz é que vale tudo, desde que existam uns e outros que pertençam a uma ou outra causa, o melhor é não confiar. Por exemplo, encontro muita gente (poderia ser o tal taxista que refere) que se refere à minha área, a astrofísica, nos seguintes termos: "ah, vocês e os astrólogos, cada um diz a sua coisa, cada um defende a sua dama, eu como não percebo desconfio de uns e de outros". Tal e qual como o seu parágrafo, para estas pessoas tanto nós como os astrólogos somos todos "especialistas".
Ora o que nos distingue dos astrólogos é o método científico, algo que não pode dizer que não sabe suficientemente, como filósofo conhece-o certamente, e por isso fiquei aterrado com o parágrafo acima transcrito e acho que os seus colegas poderão ter a mesma reacção... Os astrofísicos realizam trabalhos científicos que são publicados em revistas com arbitragem pelos pares, algo completamente inexistente na astrologia, é aqui que se separa a ciência da pseudo-ciência.
Igualmente, em climatologia existem os cientistas, os que publicam e estão sujeitos ao método científico - os resultados sobre o aquecimento global são o resultado da publicação de milhares (só no relatório do IPCC são citados centenas desses artigos) de artigos científicos em revistas da especialidade avaliados pelos pares - e depois existem os "especialistas" que escrevem, bem pagos por grupos de interesse, em blogues manhosos e os "especialistas" que produzem ruído mediático sem nunca ter coragem de propor o seu trabalho a revistas científicas com arbitragem. A realidade é que não existem trabalhos científicos publicados relevantes que ponham em causa o que nos diz o resultado do IPCC: a probabilidade da actividade humana contribuir para o aquecimento global é superior a 90% (ver Figura TS5 (b) da pag.32 do "Technical Summary" do IPCC). Por exemplo não existem artigos em que sejam postos em causa as dezenas de artigos sobre aquecimento global publicados na Nature e na Science, onde são publicados os trabalhos mais importantes, nem existem artigos que estimem uma probabilidade para que o aquecimento global registado (não é pretenso como refere) tenha uma probabilidade muito significativa de ser natural, ou seja uma quantificação como fez o IPCC, mas ao contrário. Não existem! E como não existem, o seu texto demonstra falta de informação, mas o pior é que confunde especialistas com "especialistas", tal como o problema dos astrofísicos com a astrologia. Ou assumimos que estamos numa sociedade baseada no conhecimento e confiamos no método científico, confiando no trabalho dos cientistas, ou então vale tudo, os "especialistas" passam a especialistas e a astrologia equivale-se à astronomia e à climatologia!
Acho que deve ter já percebido o grave problema de que padece o resto da sua análise...
PS- A propósito do 2° parágrafo do seu texto: ao observar um eclipse da Lua a projecção da sombra da Terra no referido astro é a prova de que a Terra é "redonda".
PS'- Bjørn Lomborg sem ser um charlatão cometeu vários erros de palmatória objecto de artigos em revistas científicas (ver Scientific American por ex.) que o descredibilizaram perante a comunidade científica, mas que o tornaram popular entre os meios de comunicação que favorecem a polémica em detrimento do rigor.
terça-feira, agosto 26, 2008
Otec osloboditeľ syn okupant
segunda-feira, agosto 25, 2008
Bendit brilhante sobre a Turquia
En Novembre dernier j'ai parlé aux télévisions, aux étudiants de l'université du Bosphore... J'ai été invité tant par des journaux islamistes que libéraux, et je tenais systématiquement le discours suivant: "Vous savez que, avec les Verts, je suis pour l'entrée de la Turquie dans l'Union Européenne. (...) Mais il faut que vous ayez conscience des types de changements que cela va engendrer chez vous. Je vous donne un exemple: capitale de la France, Paris: le maire de Paris, homosexuel. Capital de l'Allemagne, Berlin: le maire de Berlin, homosexuel. L'entrée de la Turquie, cela veut dire, dans quinze ou vingt ans, un maire d'Istanbul qui pourrait être homosexuel! Oui ou non?" Et là, le débat a réellement commencé. D'après vous, comment ont réagi les journaux turcs? C'était à la une! Un vrai débat a eu lieu et ils ont commencé à regarder leur propre histoire. (...) Dans le feu de ce débat public, un écrivain turc kurde n'a carrément pas hésité à se déclarer homosexuel et candidat à la mairie d'Istanbul.
"Forget 68", Daniel Cohn-Bendit, Ed. L'Aube, 2008, pag. 109
Esta passagem é um exemplo excelente daquilo que deveria ser o trabalho de um eurodeputado quando visita um país "difícil": despertar aquilo que há de melhor numa sociedade, através do debate, mas sem conceder a receios de contrariar as sumidades espirituais e tradicionalistas do sítio.
"Forget 68", Daniel Cohn-Bendit, Ed. L'Aube, 2008, pag. 109
Esta passagem é um exemplo excelente daquilo que deveria ser o trabalho de um eurodeputado quando visita um país "difícil": despertar aquilo que há de melhor numa sociedade, através do debate, mas sem conceder a receios de contrariar as sumidades espirituais e tradicionalistas do sítio.
sábado, agosto 23, 2008
Crime que não é fotogénico (não dá na TVI)
Imaginem que na Buraca acabaram de assassinar a 31a pessoa desde o início do ano ou que foi morto o 31° refém de assaltos a bancos desde o início do ano... Pensem bem 31 pessoas mortas, imaginem mesmo que no youtube há um vídeo para cada um desses assassinatos e podemos ver de trás para a frente os criminosos a assassinar o refém ou o habitante da Buraca. O presidente da República ou Primeiro Ministro deveriam fazer alguma coisa, estamos de acordo certamente. A TVI entraria em histeria orgásmica e atingiria os 90% de audiência, o PP subiria em flecha nas sondagens ao som de discursos de Paulo Portas sobre o "Portugal que trabalha". Mas agora deixem de imaginar e saibam que os 31 assassinatos aconteceram realmente, mas em vez de ocorrerem num bairro com ciganos ou durante assaltos realizados por romenos ou brasileiros, estas 31 mortes ocorreram no próprio domicílio do português médio, o português médio que dá porrada na mulher e nos filhos, porque não sabe ter uma relação de respeito sem dar porrada. E (hélas!), a TVI e o youtube não têm registo destas mortes. Meus amigos, o Observatório de Mulheres Assassinadas - um luxo de um país que é mais perigoso dentro de casa e no local de trabalho do que na rua - desde o início do ano registou nada mais nada menos que 31 mulheres assassinadas por maridos, ex-maridos, namorados e ex-namorados. Quantas sobreviventes foram parar ao hospital com ossos partidos, olhos negros e queimaduras? Quantos putos foram espancados no calor dos desaguisados conjugais? Parece-me que isto tudo não interessa muito voltem a sintonizar a TVI, ou se quiserem ainda mais espectáculo sintonizem a RAI Uno, a culpa é dos ciganos...sexta-feira, agosto 22, 2008
Medalha de Pau para o jornal Record
Já todos sabíamos que os nossos jornais desportivos são mais jornais futebolísticos do que propriamente jornais desportivos, mas a capa do jornal Record de hoje é em si mesma um record, um record deprimente. A mensagem que o jornal Record transmite na sua capa de hoje, ao dar mais importância às declarações de um tal Reyes do que a uma medalha de ouro olímpica, é uma mensagem de apoio ao pior que existe à volta do desporto nacional, é uma mensagem dirigida aos maiores doentes e fanáticos de futebol (não confundo com as pessoas que de facto gostam de futebol), esses que berram que "todos os adeptos do Porto são filhos da puta" num café cheio de gente, os que admiram as patifarias de Pinto da Costa e os que aplaudiram os murros de Sá Pinto a Artur Jorge. O Record disse-lhes hoje estamos convosco, vocês que acham que os Jogos Olímpicos são para totós contém connosco para vos dar o pior do desporto, para continuar a alimentar os vossos pequenos ódios, a vossa mesquinhez pseudo-desportiva, tomem lá esta capa, continuem a comprar o nosso jornal e sobretudo não mudem, continuem a ser os velhos e bons grunhos de sempre!quinta-feira, agosto 21, 2008
Srpen 68
A 21 de Agosto de 1968, o fotógrafo checo Josef Koudelka tinha acabado de chegar de um périplo fotográfico sobre a vida dos ciganos nos países de leste. Os tanques do Pacto de Varsóvia, bem obedientes ao poder de Moscovo, entraram na Checoslováquia com o objectivo de "libertar" o povo checo das decisões "políticas reaccionárias" do governo de Alexander Dubček.Durante os longos dias em que os tanques soviéticos permaneceram em Praga, Koudelka tirou milhares de fotografias. Algumas delas foram publicadas no ocidente sob o nome "anónimo de Praga". Alguns anos mais tarde, Koudelka conseguiu um visto para o ocidente para expor o seu trabalho sobre os ciganos e só voltou à Checoslováquia depois da Revolução de Veludo.
Koudelka publica agora cerca de uma centena das suas melhores fotos neste Invaze 68, assinalando os 40 anos da ocupação da Checoslováquia. Koudelka expõe actualmente as fotos na Câmara Municipal de Praga. Vista a exposição, recomendo-a vivamente aos amigos que ainda acham que o marxismo é recauchutável.
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