sábado, dezembro 29, 2007

Prazeres de 2007: livros

A obra de Dawkins, pela oportunidade e pelo rigor com que actualiza a reflexão sobre a existência de Deus do ponto de vista científico, é um livro incontornável tanto para ateus como para crentes.
Aqui o comentário Klepsýdra sobre "A Desilusão de Deus de Richard Dawkins.

O "Pacto Ecológico" de Nicolas Hulot é uma obra obrigatória para todos os que se preocupam com os grandes desafios globais: as alterações do clima, a exploração intensiva de recursos naturais, a escassez de água potável, a penúria energética e a biodiversidade.
Aqui o comentário Klepsýdra sobre a obra de Hulot.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Cinco Filmes

Respondendo simultaneamente ao repto do Carlos Araújo Alves e do Filpe Moura aqui vão os meus cinco filmes preferidos:

- As Asas do Desejo de Wim Wenders (1987)
- Underground de Emir Kusturica (1995)
- La Dolce Vita de Federico Fellini (1960)
- Dr. Strangelove de Stanley Kubrick (1964)
- Sol Enganador de Nikita Mikhalkov (1994)

Como é difícil deixá-los de fora, aqui vão as minhas preferências temáticas:
- Abre los Ojos de Alejandro Amenábar (1997): ficção científica
- Funny Games de Michael Haneke (1997): cinema fantástico (ou terror se quiserem)
- Gato Preto, Gato Branco de Emir Kusturica (1998): comédia

Dos filmes escolhidos pelo Filipe e pelo Carlos, Blowup de Antonioni, 1900 de Bertolucci, La Femme d’à Coté de Truffaut e Dancer in the Dark, de Lars von Trier estão entre os meus filmes preferidos.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Prazeres de 2007: o filme

O filme "Conversas com o meu Jardineiro" de Jean Becker, baseado no romance homónimo de Henri Cueco é um grande filme com um pequeno orçamento que conta com as excelentes interpretações de Daniel Auteuil e de Jean-Pierre Darroussin. Ler aqui o comentário Klepcinema a "Conversas com o meu Jardineiro".

O filme de Becker é uma das obras que contribuiu para o melhor ano de sempre do cinema francês, o ano com mais entradas, cuja maior contribuição coube à "Marcha dos Pinguins". O cinema francês continua a financiar o melhor cinema de autor de vários continentes e países, em particular o cinema de autor americano (as obras de David Lynch, por exemplo) grandemente marginalizado pela ditadura mercantilista das produtoras e distribuidoras de Hollywood. Vive la France!

terça-feira, dezembro 25, 2007

Prazeres de 2007: o vinho

A Quinta de La Rosa é uma casa gerida por uma família inglesa instalada nas margens do Douro, talvez na zona mais bonita, junto ao Pinhão.
A Quinta de La Rosa produz vinho do Porto, vinhos brancos e tintos e azeite. O Quinta de La Rosa Tinta Roriz Reserva de 2001 foi o melhor vinho que este vosso escriba teve o prazer de descobrir este ano. O preço ronda os 10 € quando comprado na Quinta.

domingo, dezembro 23, 2007

Schengen: um belo grande passo

Em 2000 atravessei pela primeira a fronteira de Berg entre a Eslováquia e a Áustria, na altura uma fronteira entre o espaço Schengen e a Europa não comunitária. Estudava em França, o meu carro tinha matrícula francesa, a minha namorada era Checa e eu tinha passaporte português. Os guardas austríacos passaram-se com o cocktail de nacionalidades. Mandaram-me logo encostar. A bagageira do carro foi-me passada a pente fino pelo guarda equipado de luvinhas brancas, não fosse ele apanhar peçonha. À minha volta assistia a cenas de humilhação de revistas inteiras de autocarros eslovacos que iam trabalhar para a Áustria, como o faziam todos os dias.

Com a chegada de Schengen à Europa de Leste sinto que foi dado um desses grandes passos que a Europa tanto necessita, que eliminam inúmeras burocracias, gastos e humilhações inúteis nos dias que correm. A próxima vez que passar em Berg, farei um manguito imaginário àquele guarda austríaco de luvinhas brancas em homenagem à Europa da livre circulação.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

MobGas: emissões de CO2 no telemóvel

Ontem, ao assistir ao telejornal da RAI Uno tenho uma agradável surpresa. Um investigador português, Tiago Pedrosa, apresenta o programa MobGas que permite a um utilizador de telemóvel controlar a sua contribuição diária para as emissões de gases de efeito de estufa. O trabalho foi desenvolvido no Joint Research Centre de Ispra em Itália em parceria com empresas privadas, cuja implementação foi realizada por uma empresa portuguesa, a MobiComp, uma empresa baseada em Braga.
Um tipo fica cheio de orgulho quando descobre que há compatriotas bem sucedidos nesta áreas.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Acordar em Bolonha

Acordo.

Levanto os estores e contemplo o telhado renascentista do museu cívico medieval, em segundo plano as estátuas da igreja vizinha, projectadas no céu.

A estrada em frente é empedrada, os passos ecoam nas paredes e o barulho das motoretas trepa até ao telhado.

Saio e mergulho nas arcadas de Bolonha,
são 38 km de arcadas só no centro histórico. Aqui o chapéu de chuva é superfulo.

Caminho ao longo da Via Emilia, no sentido contrário ao da Torre Asinelli.
Recentemente, Bolonha foi devolvida às pessoas e aos transportes públicos, o alto da Torre vê-se agora na perfeição, sem smog pelo meio

Espero o autocarro.

Espero...

Chega atrasado,
estamos em Itália...

terça-feira, dezembro 18, 2007

A Administração Bush e o Aquecimento Global

Já não é a questão científica que está em causa. O relatório do IPCC, elaborado com base em publicações científicas com arbitragem pelos pares, atribui a origem do aquecimento global com mais de 90% de certeza à actividade humana. A Administração Bush já não o contesta.

As razões que motivaram o isolamento político dos EUA em Bali são basicamente duas:
1- O histórico da posição dos EUA.
Lembram-se como tudo começou? Segundo os falcões da Casa Branca, o Aquecimento Global era uma invenção dos europeus para a indústria europeia ultrapassar a indústria americana... Verificou-se que esta estratégia negacionista se estatelou ao comprido perante os resultados científicos. Hoje é muito difícil dar o braço a torcer, reconhecer que se errou.
2- A ideologia.
As medidas que serão necessárias implementar no futuro contrariam em larga medida a visão ultraliberal da economia da Administração Bush. O planeta não terá futuro se continuarmos a pensar como no tempo de Locke, Hobbes e Adam Smith. Hoje mais do que nunca sabemos que o planeta é finito e que é impossível a todos os seres humanos viver num nível de abundância, de excesso e de desperdício como se vive nos chamados países ocidentais.

Ana Gomes: Pacheco Pereira e o Iraque

A ler os quatro textos de Ana Gomes "Pacheco Pereira e o Iraque" no Causa Nossa. Muito oportuna a retrospectiva do que escreveu Pacheco Pereira e outros sonharam com um putativo 'admirável Médio Oriente novo' em 2003.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Melhor que um romance

Ler "The Smartest Guys in the Room", livro que descreve o escândalo ENRON, é melhor do que ler um romance. Já tinha visto o filme do mesmo nome, mas o livro é muito melhor. Esqueçam "A Firma" de John Grisham, isso é para pipis, a obra de Bethany McLean e Peter Elkind descreve negociatas a sério, realizadas por homens duros, veteranos de guerra no mundo dos negócios, a linguagem é guerreira: "temos que os matar" ou "aos advogados é dar um tiro na boca para não falhar". Negoceia-se o que se tem e sobretudo o que se não tem. Negoceia-se vazio, o que interessa é dar um nome a um pedaço de papel e depois é só colocá-lo na bolsa e os milhões começam a fluir. Personagens deslumbrados com eles próprios, egos que explodem, narcisismo compulsivo, a história da ENRON é fascinante. O pior é que aquilo tudo aconteceu de facto e continua a acontecer, talvez agora em menor escala, mas é uma parte da realidade do mundo da alta finança.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

A direita do texto do Tiago Mendes

Tentam abafar a coisa, mas o que é certo é que texto "Dizer Basta" do Tiago Mendes mete o dedo na ferida da direita portuguesa. Não é um simples texto dirigido a uma pessoa. A carapuça serviu a muita gente e isso notou-se bem na forma como alguns tentaram minimizar o texto do Tiago. É "chato", mas de uma forma destemida o Tiago lança meia dúzia de questões muito certeiras que ainda fazem da direita portuguesa umas das mais conservadoras e ortodoxas de toda a Europa. Há mais domínios (ambiente, cultura, ciência, etc.) que caracterizam negativamente a nossa direita no panorama das direitas europeias, mas as questões que o Tiago aborda já são suficientemente representativas do problema:

- O catolicismo à portuguesa, centrado na nossa senhora de Fátima, piscando o olho ao desenho inteligente e a todo o tipo de pseudo-catolicismo;
- O cocktail Opus Dei-ultraliberalismo onde a "dimensão social e humana, uma molécula que seja de amor, de compreensão ou de compaixão de inspiração cristã [sic]" estão ausentes;
- A condescendência com o Salazarismo;
- Um racismo velado e muito pobrezinho: é só ler o chorrilho de asneiras e os textos ignorantes que se escreveram sobre as declarações de Watson (cuja reacção foi correcta, pedindo desculpas e sublinhando que as suas declarações não tinham qualquer base científica);
- A perseguição ao "lobby gay". Sobre este assunto há matéria abundante muito mal intencionada. Percebe-se que anda por aí perdido muito tique da Santa Inquisição.

Por mim, estou grato que exista uma direita como a do Tiago Mendes, do Carlos Amorim, do Gabriel Silva do Pedro Lomba, do Vasco Rato, do blogue Mar Salgado, entre outros. Poupa-nos a seca (ser seca é bem pior que ser chato) de discutir sempre o mesmo assunto, assuntos mais do que resolvidos e as mesmas obsessões conservadoras de há mais de 50 anos atrás.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

99 F - O homem é um produto como outro qualquer



"99 Francos" de Jan Kounen, baseado no livro do mesmo nome de Frédéric Beigbeder, é um filme em registo de permanente delírio, fiel ao universo de Beigbeder, que caracteriza deliciosamente o cínico mundo da publicidade.

Em "99 Francos", Octave é um profissional da publicidade, perfeitamente integrado nas regras do jogo, onde cabe o cinismo, o desprezo e a manipulação do consumidor. No entanto, um belo dia Octave passa-se definitivamente dos carretos. Picado pela arrogância de um empresário imbecil que lhe encomenda um anúncio de iogurtes, Octave decide por um ponto final a uma vida de hierarquias empresariais vaidosas, à manipulação grosseira do consumidor, a racismos velados (vale a pena ver como funciona o racismo na publicidade) e a intolerâncias várias nos anúncios de televisão. O filme bombardeia-nos de chavões, de olhares e de gestos irónicos baseados na linguagem publicitária. "O homem é um produto como qualquer outro" ou "há dois mil anos que não existia um cretino irresponsável foi tão poderoso como eu" são os dois principais chavões de apresentação de Octave.

Apesar de uma aparente ligeireza, o filme mostra-nos com uma serenidade poderosa e perturbadora como alguns dos nossos mais exclusivos sonhos e fantasmas são também eles moldados pela publicidade, que até pode ser uma publicidade a um derivado do petróleo...



Relacionado: ler esta entrada do David na Linha dos Nodos

Europeísmo de circunstância

Infelizmente, a assinatura do Tratado Simplificado fica marcada pela infantilidade do governo português em querer à força que este Tratado se designe de Lisboa, obrigando todos os dirigentes europeus a uma viagem relâmpago a Lisboa para continuar, logo à tarde, o Conselho Europeu em Bruxelas.

A adopção deste Tratado passando por cima das promessas de referendo e dos NÂO francês e Holandês pode dar muito mau resultado. Um erro que a UE poderá pagar caro numa próxima ocasião em que precise de consultar os seus cidadãos.

Apesar de ser favorável à adopção deste Tratado Simplificado, temo por esta UE nas mãos de um conjunto europeístas de circunstância, muito mais motivados pelos ganhos internos à custa do Tratado do que com a substância e o progresso do projecto europeu. Que saudades da Europa de Delors! A UE necessita seriamente de dirigentes genuinamente europeístas, penso num Jean-Claude Juncker na direita europeia, num Cohn-Bendit na esquerda ou a um centrista comoFrançois Bayrou.

Aqui para ver a assinatura do Tratado em directo (11:30)

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Prós & Contras sobre a UE

A radicalidade do discurso anti-europeísta de Pacheco Pereira foi o facto dominante do Prós & Contras.
Na forma como abriu o debate, queixando-se de não haver debate sobre o Tratado. Mas afinal já tinha havido, mas o que não tinha havido era o contraditório. Claro, só há contraditório se o próprio estiver presente...
Na forma surrealista e insistente com que tentou branquear a incoerência diplomática de Gordon Brown. Foi preciso os dois intervenientes africanos lhe dirigirem algumas palavras mais terrenas para o trazer de volta da estratosfera.
Na forma como foi metralhando factos avulsos da história e da geografia da Europa, apelando ora a pequenos medos ora ao sentimento de culpa dos europeus, como se a Europa dos 15, por exemplo, não tivesse sido construída durante decénios paralelamente a questões delicadas como a opressão militar e sangrenta na Irlanda do Norte ou a disputa de Gibraltar entre espanhóis e britânicos.
Na forma idílica como fala da Europa imaginada por Jean Monnet e outros dos pioneiros da construção europeia. Será que leu sobre as ideias internacionalistas (eram mais do que europeístas) e futuristas de Monnet e Schumann? O mais certo seria considerar algumas dessas ideias ficção científica.
Na forma idílica e quase acrítica como se refere à NATO, à realpolitik anglo-saxónica e à Polónia dos irmãos Kachinsky. Do ponto de vista populista sabe criticar Chavez, mas está sempre disposto a uma elaborada defesa de cernelha dos populistas Kachinsky.
Na forma premeditada como repetiu a frase "os portugueses vão perder muito com este Tratado". É uma frase que resulta sempre quando se quer fazer anti-europeísmo, principalmente quando se coloca à frente do muito, palavras como peixe, pesca ou recursos marinhos (lembram-se dessa?). Desta vez pouca gente percebeu o que Portugal iria perder, mas o mais importante foi repetir a frase umas cinco vezes.

Se dúvidas restam, o alcance do radicalismo anti-europeu de Pacheco Pereira revela-se totalmente na comparação com o último discurso de Cavaco Silva em Estrasburgo. Entre Cavaco e Pacheco Pereira não existe um fosso, existe um oceano, o mesmo oceano que separa a Casa Branca do Palácio de Belém.

PS- Pareciam a pedido, os dois cordeirinhos do outro lado da mesa que a RTP escolheu para o contraditório a Pacheco. Nos debates ("que não existem") sobre a Europa, Pacheco Pereira nunca é confrontado com quem lhe possa dizer umas coisas a sério sobre o seu anti-europeísmo fortemente comprometido com um seguidismo cego à Casa Branca. Estou-me a lembrar de uma Ana Gomes ou até de uma Assunção Esteves. Mas essas, já se sabe, só participam em "falsos debates pornográficos", "sem contraditório"...

terça-feira, dezembro 11, 2007

Documento de Parceria Estratégica UE-África

Quando se lê o documento de Parceria Estratégica África-UE percebe-se que as manias do seguidismo em relação às práticas internacionais dos EUA resultam em pontos de ordem absolutamente lamentáveis. Já nem me refiro à táctica de abertura e desregulamentação completa dos mercados dentro do espírito Wolfowitz. Refiro-me à menção, por exemplo, à "luta contra o terrorismo". Se lermos a pag. 29 da Acção Prioritária 1 dedicada à paz e à segurança, tropeçamos num ponto de actividades dedicado apenas à sagrada "luta contra o terrorismo" (não podia faltar). Apesar de o dia de hoje ter sido marcado por um atentado em África, convém ter presente que as minas pessoais matam muito mais pessoas em África do que os atentados. Ora, no ponto seguinte do documento, a questão das minas aparece misturada com outras armas e compromete-se simplesmente a reforçar capacidades, à criação de redes, à cooperação e ao intercâmbio de informações. Quer isto dizer que vamos ter minas a estoirar em África por muitos e longos anos, vendidas pelos países da realpolitik, os que se recusam a assinar quase todos os tratados internacionais, em particular o tratado que visa banir as minas anti-pessoais. São muito genuínas as boas intenções da "luta contra o terrorismo"...

O Discurso Nobel de Rajendra Pachauri

O discurso de Rajendra Pachauri, que preside o IPCC, proferido ontem em Oslo durante a cerimónia de atribuição do Prémio Nobel da Paz pode ser visto aqui em formato vídeo. Destaco estes dois excertos:

Paz e Alterações do Clima
"Peace can be defined as security and the secure access to resources that are essential for living. A disruption in such access could prove disruptive of peace. In this regard, climate change will have several implications, as numerous adverse impacts are expected for some populations in terms of:

- access to clean water,
- access to sufficient food,
- stable health conditions,
- ecosystem resources,
- security of settlements."


A necessidade de agir já (short window of time)
"A stabilisation level of 445–590 ppm of CO2 equivalent, which corresponds to a global average temperature increase above pre-industrial at equilibrium of around 2.0–2.4 ºC would lead to a reduction in average annual GDP growth rate of less than 0.12% up to 2030 and beyond up to 2050. Essentially, the range of global GDP reduction with the least-cost trajectory assessed for this level of stabilisation would be less than 3% in 2030 and less than 5.5% in 2050. Some important characteristics of this stabilisation scenario need careful consideration:

- For a CO2-equivalent concentration at stabilization of 445–490 ppm, CO2 emissions would need to peak during the period 2000–15 and decline thereafter. We, therefore, have a short window of time to bring about a reduction in global emissions if we wish to limit temperature increase to around 2oC at equilibrium.

- Even with this ambitious level of stabilisation the global average sea level rise above pre-industrial at equilibrium from thermal expansion only would lie between 0.4–1.4 metres. This would have serious implications for several regions and locations in the world.

A rational approach to management of risk would require that human society evaluates the impacts of climate change inherent in a business-as-usual scenario and the quantifiable costs as well as unquantifiable damages associated with it, against the cost of action. With such an approach the overwhelming result would be in favour of major efforts at mitigation."

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Muito ruído irresponsável na Cimeira UE-África

África é um continente onde se vivem graves problemas, problemas de que já perdemos a memória na Europa. É por isso muito fácil apontar o dedo a este ou àquele líder africano, é tão fácil como fácil é para eles apontar o dedo a este ou àquele passado colonial. Foi lamentável o ruído irresponsável que se criou à volta da cimeira onde pontificaram os fait-divers, a tenda do Khadafi, a acusação fácil e uma mania da superioridade moral que enjoa.
O problema é que a África de hoje precisa de outro tipo de debate, precisa de um debate sério sobre a estabilidade política, o reforço democrático das instituições nacionais, a educação, o desenvolvimento científico e tecnológico, o combate às alterações do clima e a protecção do património natural (seres vivos, recursos naturais, etc.).

Fez-se alguma coisa na Cimeira, não foi muito famosa, mas foi melhor que nada, foi certamente melhor do que ficar em Londres a apertar a mão ao pior tirano do mundo. Para quem preferir ler o que de facto se passou na cimeira em vez do habitual ruído, escrito por quem gosta de mandar palpites sem ler documentos e relatórios, aqui ficam as ligações sobre as conclusões da Cimeira:

- Pareceria Estratégica África-UE
- Declaração de Lisboa

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Quem cumpre e quem não cumpre Quioto

A propósito da Conferência sobre Alterações do Clima, a decorrer em Bali, cuja missão é preparar o pós-Quioto em 2012, convém relembrar quem cumpre e quem não cumpre o Protocolo de Quioto dentro da UE. Um relatório elaborado pela Comissão Europeia dá as seguintes projecções para 2010 (pag.12, fig.4):

- Todos os países de leste deverão cumprir os objectivos de Quioto mais Luxemburgo, Reino Unido, Suécia, Finlândia, Grécia, França e Alemanha.

- Os países que deverão ficar aquém dos objectivos são a Itália e a Bélgica (a menos de 1%), Portugal (a mais de 3%), Irlanda, Áustria, Dinamarca e Espanha.