- A nomeação de Rui Pereira, juiz do Tribunal Constitucional, para Ministro da Administração Interna faz-me sentir cidadão de uma autêntica república das bananas. Hoje no tribunal, amanhã ministro, quiçá depois de amanhã outra vez no tribunal e por aí fora. O essencial da democracia e um dos pilares fundamentais que distinguem as democracias do despotismo que é a separação entre poder político e poder judicial é neste caso completamente desprezada. Sinto convulsões estomacais.
- O mínimo que se exige à Reitoria da Universidade de Coimbra é a expulsão dos responsáveis pelo violento abuso de que foram alvo os alunos do primeiro ano no dia que antecedeu o início da Queima das Fitas. A violência da praxe combate-se não apenas aplicando as leis da República (válidas para todos os cidadãos) aos alunos universitários, mas também através da aplicação de castigos internos que garantam a liberdade de estudo e de circulação de todos os alunos no espaço universitário. A melhor forma de combater este flagelo é cultivando o salutar acto de denunciar a violência universitária quer na PSP quer na Reitoria. A proibição da Praxe já se sabe que seria uma ideia tão brilhante como proibir de fumar ao ar livre ou proibir o véu, sabemos bem que existirão sempre meia dúzia de masoquistas que gostam de se passear com as trombas pintadas e de ser insultados de bestas para baixo, nem que seja só para contrariar os anti-praxistas.
sexta-feira, maio 18, 2007
quinta-feira, maio 17, 2007
Palmas de Ouro por ordem de preferência
Partilho com os caríssimos leitores cinéfilos todos os filmes Palma de Ouro de Cannes que vi por ordem de preferência:
Underground - Emir Kusturica (1995)
La Dolce Vita - Federico Fellini (1960)
Barton Fink - Joel e Ethan Coen (1991)
Blow-Up - Michelangelo Antonioni (1967)
Dancer in the dark - Lars von Trier (2000)
Elephant - Gus van Sant (2003)
O Piano - Jane Campion (1993)
Adeus minha Concubina - Chen Kaige (1993)
Taxi Driver - Martin Scorsese (1976)
Fahrenheit 9/11 - Michael Moore (2004)
Pulp fiction - Quentin Tarantino (1994)
Paris, Texas - Wim Wenders (1984)
O Pianista - Roman Polanski (2002)
A Criança - Jean-Pierre et Luc Dardenne (2005)
Sexo Mentiras e Video - Steven Soderbergh (1989)
Segredos e Mentiras - Mike Leigh (1996)
A Missão - Roland Joffé (1986)
A Enguia - Shohei Imamura (1997)
O Quarto do Filho - Nanni Moretti (2001)
Apocalypse now - Francis Ford Coppola (1979)
Brisa de Mudança - Ken Loach (2006)
Underground - Emir Kusturica (1995)
La Dolce Vita - Federico Fellini (1960)
Barton Fink - Joel e Ethan Coen (1991)
Blow-Up - Michelangelo Antonioni (1967)
Dancer in the dark - Lars von Trier (2000)
Elephant - Gus van Sant (2003)
O Piano - Jane Campion (1993)
Adeus minha Concubina - Chen Kaige (1993)
Taxi Driver - Martin Scorsese (1976)
Fahrenheit 9/11 - Michael Moore (2004)
Pulp fiction - Quentin Tarantino (1994)
Paris, Texas - Wim Wenders (1984)
O Pianista - Roman Polanski (2002)
A Criança - Jean-Pierre et Luc Dardenne (2005)
Sexo Mentiras e Video - Steven Soderbergh (1989)
Segredos e Mentiras - Mike Leigh (1996)
A Missão - Roland Joffé (1986)
A Enguia - Shohei Imamura (1997)
O Quarto do Filho - Nanni Moretti (2001)
Apocalypse now - Francis Ford Coppola (1979)
Brisa de Mudança - Ken Loach (2006)
Residencial Eurostadium é ilegal, obviamente!
Desde o início que se sabia que a Residencial Eurostadium em Coimbra era ilegal. Bastava ler os regulamentos de construção para aquela zona da cidade. Mas o sentimento de impunidade que gozavam o Grupo Amorim e a Câmara de Coimbra não os demoveu nem um milímetro de continuar a obra e de vender todos os T0 para "estudantes" (é estudantes é...).
A sentença do Tribunal é claríssima.
Conheço o arquitecto que teve a coragem de denunciar o caso à justiça há quatro anos. Tive a oportunidade de testemunhar alguns dos transtornos que sofreu na sua vida pessoal durante todo esse tempo, foi uma autêntica luta de David contra Golias ao serviço da cidadania. Faz falta mais gente assim.
A sentença do Tribunal é claríssima.
Conheço o arquitecto que teve a coragem de denunciar o caso à justiça há quatro anos. Tive a oportunidade de testemunhar alguns dos transtornos que sofreu na sua vida pessoal durante todo esse tempo, foi uma autêntica luta de David contra Golias ao serviço da cidadania. Faz falta mais gente assim.
terça-feira, maio 15, 2007
Festival de Cannes no Canal ARTE
Até ao dia 27 de Maio, o canal ARTE vai acompanhar o festival de Cannes exibindo filmes premiados em edições anteriores, reportagens, documentários e crítica sobre os autores e os filmes presentes este ano. A não perder por qualquer cinéfilo que se preze. ;)
Belle Toujours
"Belle Toujours" é a continuação imaginada por Manoel de Oliveira da história de "Belle de Jour" 40 anos depois. "Belle Toujours" conta com a interpretação de Bulle Ogier a substituir Catherine Deneuve na personagem de Séverine e Michel Piccoli sempre na pele de Henri Husson. A estreia do novo filme do Mestre está marcada para dia 14 de Junho.
segunda-feira, maio 14, 2007
Belle de Jour

"Belle de Jour" de Luis Buñuel é uma adaptação ao cinema de um romance de Joseph Kessel. A qualidade dos elementos que Buñuel acrescentou ao original levaram o próprio Kessel a admitir que o filme era superior ao seu romance. Esta obra-prima de Buñuel conta a história de Séverine (Catherine Deneuve) uma aristocrata frígida, cuja vida sexual com Pierre, o seu marido, é praticamente inexistente. Severine descobre um discreto bordel, onde poderá trabalhar durante o dia, na ausência de Pierre, com o intuito de dar largas aos seus fantasmas e com a esperança de encontrar aí algo que possa dar de novo um sentido à sua vida sexual com Pierre. No entanto, os planos de Séverine serão alterados quando esta conhece Henri Husson (Michel Piccoli), um cliente habitual do bordel...
Esta obra-prima de Buñuel confrontou em 1967 a sociedade da época com fantasmas femininos que representavam uma clara transgressão às normas estabelecidas - estávamos a um ano do Maio de 68. No entanto, apesar das transformações sociais que ocorreram até aos dias de hoje, a obra de Buñuel continua actual. Para ilustrar a actualidade da obra transcrevo uma pequena parte de um excelente texto intitulado igualmente "Belle de Jour" da autoria Joana Amaral Dias publicado na revista Manifesto n°5:
"...apenas a validação a a apreciação da prostituição voluntária, que entretanto substituiu o discurso abolicionista na cena internacional, verdadeiramente desafia as perspectivas tradicionais sobre a sexualidade feminina, ela é frequentemente conjugada no modo criminal ou estigmatizante. As mulheres que escolhem ser prostitutas e recusam o estatuto de vítimas, são mais provavelmente ostracizadas e desprezadas... implicitamente dizendo-se que, pela sua transgressão, "merecem o que têm"."
sábado, maio 12, 2007
Sábado em Coimbra XXXV: aos juristas da cidade
Coimbra é a cidade do Direito, com uma densidade de advogados, professores, alunos de Direito e profissionais da área que bate qualquer outra cidade do país. Tendo os conimbricenses o privilégio de ter tantos especialistas das leis que nos regem, o rumo que leva o desenvolvimento da cidade inspira-me uma série de questões dirigidas aos meus caríssimos conterrâneos juristas:
- Porque é que em Coimbra se cometem ilegalidades grosseiras com tanto à-vontade?
- Porque é que um empresário constrói um prédio à vista de toda a gente com vários andares acima do limite permitido pela lei? Esta é uma ilegalidade impossível de esconder, está à vista de todos, não se trata de uma recôndita cave transformada em parque de estacionamento, trata-se de um prédio junto a uma das artérias mais frequentadas da cidade. Será que o empresario estava convicto que teria cobertura jurídica?
- Porque é que se cometeram ilegalidades grosseiras nas demolições na Baixa e na construção do Studio Residence no Eurostadium?
- Porque é que proliferam as urbanizações selvagens, sem espaços verdes, sem transportes públicos, sem passeios, sem estética, destruindo irremediavelmente os poucos espaços verdes que ainda existem na cidade?
- Porque é que se constrói à beira da estrada por todo lado, fora dos limites da cidade e dos limites das vilas e das aldeias que rodeiam Coimbra?
- Será que os meus conterrâneos juristas não vêem estas aberrações?
- Os meus conterrâneos juristas que auferem tão onerosos salários, não viajam? Não vêm que no resto da Europa não se vê esta selvajaria dentro e fora dos limites das cidades?
- Não acham estranho que em Coimbra se possa construir em todo o lado? As nossas leis não são muito diferentes das espanholas ou francesas. Quando atravessam a cidade a pé ou ao volante do vosso veículos, estas aberrações não vos inspira uma reflexão sobre o respeito das leis que regem o espaço urbano da nossa cidade?
- Não vos causa indignação o caos urbanístico em que mergulhou a cidade nos últimos 10 anos?
Coimbra, uma cidade histórica e com estilo único no país, está cada vez mais feia, caótica e agressiva. Se vocês, caros conterrâneos juristas, não se indignarem com ilegalidades desta dimensão, o resto dos conimbricenses pouco podem fazer - os poucos corajosos vêm os seus processos eternizados nos tribunais apesar dos pareceres favoráveis das suas reclamações.
Sábado em Coimbra XXXIV
- Porque é que em Coimbra se cometem ilegalidades grosseiras com tanto à-vontade?
- Porque é que um empresário constrói um prédio à vista de toda a gente com vários andares acima do limite permitido pela lei? Esta é uma ilegalidade impossível de esconder, está à vista de todos, não se trata de uma recôndita cave transformada em parque de estacionamento, trata-se de um prédio junto a uma das artérias mais frequentadas da cidade. Será que o empresario estava convicto que teria cobertura jurídica?
- Porque é que se cometeram ilegalidades grosseiras nas demolições na Baixa e na construção do Studio Residence no Eurostadium?
- Porque é que proliferam as urbanizações selvagens, sem espaços verdes, sem transportes públicos, sem passeios, sem estética, destruindo irremediavelmente os poucos espaços verdes que ainda existem na cidade?
- Porque é que se constrói à beira da estrada por todo lado, fora dos limites da cidade e dos limites das vilas e das aldeias que rodeiam Coimbra?
- Será que os meus conterrâneos juristas não vêem estas aberrações?
- Os meus conterrâneos juristas que auferem tão onerosos salários, não viajam? Não vêm que no resto da Europa não se vê esta selvajaria dentro e fora dos limites das cidades?
- Não acham estranho que em Coimbra se possa construir em todo o lado? As nossas leis não são muito diferentes das espanholas ou francesas. Quando atravessam a cidade a pé ou ao volante do vosso veículos, estas aberrações não vos inspira uma reflexão sobre o respeito das leis que regem o espaço urbano da nossa cidade?
- Não vos causa indignação o caos urbanístico em que mergulhou a cidade nos últimos 10 anos?
Coimbra, uma cidade histórica e com estilo único no país, está cada vez mais feia, caótica e agressiva. Se vocês, caros conterrâneos juristas, não se indignarem com ilegalidades desta dimensão, o resto dos conimbricenses pouco podem fazer - os poucos corajosos vêm os seus processos eternizados nos tribunais apesar dos pareceres favoráveis das suas reclamações.
Sábado em Coimbra XXXIV
quarta-feira, maio 09, 2007
Quando o país se confronta com a dura realidade
A histeria nacional do momento, o caso da menina inglesa desaparecida no Algarve, tem tido a virtude de confrontar os portugueses com o que a imprensa viperina e o cidadão médio mal informado do norte da Europa, neste caso de Inglaterra, pensam realmente de Portugal e dos portugueses. Independentemente da nossa polícia estar a conduzir bem ou mal as investigações, por defeito para o inglês médio a polícia portuguesa só pode trabalhar mal. Um país cuja organização do território é uma lástima e que até há bem pouco tempo praticava julgamentos medievais de mulheres, só pode desencadear este tipo de reacção epidérmica, por muito bons que sejam o Cristiano Ronaldo ou o Mourinho em Inglaterra. Futebol é futebol, civismo é civismo. É provavelmente injusto para a polícia que está a trabalhar no duro no Algarve, mas a culpa dessa imagem negativa é de todos nós, somos nós que construímos esta imagem do país.
Babel à portuguesa
Esta é também uma ocasião para os que não gostaram de Babel por acharem o filme "politicamente correcto" compararem o que se está a passar com o episódio de Babel passado em Marrocos. Aí têm ao vivo e em directo do Algarve um filme "politicamente correcto"...
Babel à portuguesa
Esta é também uma ocasião para os que não gostaram de Babel por acharem o filme "politicamente correcto" compararem o que se está a passar com o episódio de Babel passado em Marrocos. Aí têm ao vivo e em directo do Algarve um filme "politicamente correcto"...
Guerra Fria parte II
Abaixo transcrevo uma passagem de um texto sobre o sistema anti-míssil do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais bem elucidativo do que a Administração Bush anda a preparar juntamente com os governos checo e polaco nas costas dos cidadãos europeus. É de assinalar a reacção popular negativa mesmo no caso polaco.
"A opinião pública do país [Rep. Checa] está dividida sobre esta questão. Segundo uma sondagem públicada pelo Prague Daily Monitor, 61 por cento dos inquiridos mostraram-se contra a instalação do radar. Enquanto que num referento local, a população da aldeia Trokavek – onde vai ser instalado o radar – votou em massa contra a iniciativa norte-americana. Apenas um dos 72 eleitores da localidade votou favoravelmente. Contudo, é de realçar que o resultado do escrutínio não foi considerado vinculativo.
Não se julgue que é só a opinião pública checa que está contra a proposta vinda da América. De acordo com a revista Warsaw Voice – que cita uma sondagem da televisão pública polaca – 73 por cento dos inquiridos defendem a realização de um referendo sobre a instalação de uma parte do sistema de defesa antimíssil norte-americano no seu país. Além disso, 49 por cento das pessoas dizem estar contra esta iniciativa da Casa Branca e apenas 37 por cento veêm a medida como positiva.
Os dois maiores responsáveis políticos do país, o presidente Lech Kaczynsky e o Primeiro-Ministro, Jaroslaw Kaczynski, estão disponíveis para dialogar com o presidente norte-americano George W. Bush. Dizem preferir ser eles próprios a negociar com os EUA, em vez de confiarem na UE e na NATO para tratar destas questões de segurança, afirmando estar perante questões meramente "bilaterais"."
"A opinião pública do país [Rep. Checa] está dividida sobre esta questão. Segundo uma sondagem públicada pelo Prague Daily Monitor, 61 por cento dos inquiridos mostraram-se contra a instalação do radar. Enquanto que num referento local, a população da aldeia Trokavek – onde vai ser instalado o radar – votou em massa contra a iniciativa norte-americana. Apenas um dos 72 eleitores da localidade votou favoravelmente. Contudo, é de realçar que o resultado do escrutínio não foi considerado vinculativo.
Não se julgue que é só a opinião pública checa que está contra a proposta vinda da América. De acordo com a revista Warsaw Voice – que cita uma sondagem da televisão pública polaca – 73 por cento dos inquiridos defendem a realização de um referendo sobre a instalação de uma parte do sistema de defesa antimíssil norte-americano no seu país. Além disso, 49 por cento das pessoas dizem estar contra esta iniciativa da Casa Branca e apenas 37 por cento veêm a medida como positiva.
Os dois maiores responsáveis políticos do país, o presidente Lech Kaczynsky e o Primeiro-Ministro, Jaroslaw Kaczynski, estão disponíveis para dialogar com o presidente norte-americano George W. Bush. Dizem preferir ser eles próprios a negociar com os EUA, em vez de confiarem na UE e na NATO para tratar destas questões de segurança, afirmando estar perante questões meramente "bilaterais"."
terça-feira, maio 08, 2007
Remoinho no Polo Sul de Vénus

Animação captada pela Venus Express dos remoinhos atmosféricos
no Polo Sul de Vénus (consultar sítio ESA).
segunda-feira, maio 07, 2007
O Pacto Ecológico de Nicolas Hulot
O Pacto Ecológico apresentado por Nicolas Hulot antes do início da campanha eleitoral foi na minha opinião a contribuição política mais interessante para estas presidenciais francesas. Apontado pela imprensa como candidato, Nicolas Hulot surgiu nas sondagens com 10% de intenção de voto. Humildemente não apresentou candidatura às presidenciais, mas conseguiu a assinuatura do seu Pacto Ecológico da parte de todos os candidatos excepto Arlette Laguiller, Besancenot (já se sabe que o Marxismo tem resposta para tudo...), Le Pen, De Villiers e Nihous.Na sequência do Pacto Ecológico, Nicolas Hulot lançou o livro "Pour un Pacte Écologique". A obra de Hulot para além de ser um interessantíssimo retrato das actuais sociedades em que vivemos, apresenta sem grandes preconceitos ideológicos 10 objectivos para que o nosso modo de vida possa ser compatível com os recursos finitos do planeta e com equilíbrio que rege os ciclos do clima terrestre. Hulot divide os seus objectivos em 10 áreas diferentes: economia, energia, agricultura, território, transportes, fiscalidade, biodiversidade, saúde, investigação científica e política internacional. Hulot apresenta números crús e chocantes sobre o nosso modo de vida actual: apenas 7% das matérias-primas estão presentes nos produtos que consumimos; 80% desses produtos são utilizados uma única vez; a produção de um computador portátil de 3kg necessita do equivalente energético de 350kg de petróleo; 1 kg de cereais necessita de 1000 litros de água; um hamburguer necessita de 10 mil litros de água; 47% dos frutos e legumes europeus contêm pesticidas; a superfície de florestas primárias do planeta foi reduzida a 1/4.
Esta é uma obra incontornável sobre a sustentabilidade do nosso modo de vida, sobre o futuro das próximas gerações e sobre a reflexão política a que estaremos obrigados nos próximos 100 anos, imposta pelos limites do nosso planeta. Assim que possível tentarei aqui transcrever algumas das suas passagens mais interessantes.
domingo, maio 06, 2007
Bernard-Henri Lévy sobre Ségolène e Sarkozy
Bernard-Henri Lévy apoiou publicamente Ségolène Royal desde a primeira volta. Para desenjoar da noite de victória de Sarkozy, aqui ficam as suas declarações sobre as presidenciais francesas já com algumas semanas de atraso.
quinta-feira, maio 03, 2007
Mais uma ilegalidade grosseira em Coimbra
Aqui descrita pela Catarina Martins.
Espanta-me o à-vontade com que se cometem ilegalidades deste calibre na cidade do Direito.
Espanta-me o à-vontade com que se cometem ilegalidades deste calibre na cidade do Direito.
Surpreendente Ségolène
Já sabíamos que cabia a Ségolène atacar. Também já sabíamos que a Sarkozy bastava gerir a vantagem das sondagens. Apesar disso, Ségolène surpreendeu toda gente, inclusive o próprio Sarkozy. Ségolène esteve muito melhor no ataque a Sarkozy do que este a gerir a sua vantagem. Sabemos que a proeza de Ségolène terá pouca expressão na inversão da tendência de voto, mas foi muito interessante ver Sarkozy a entrar no debate de peito feito contra a semana das 35 horas de trabalho e a sair do debate com as 35 horas entre as pernas. Ficámos a saber que Sarkozy não quer acabar com as 35 horas, nem as principais associações patronais (estas já consultaram os índices de produtividade). Em vez, Sarkozy propõe aumentar as horas extraordinárias. Num país onde apenas metade dessas horas são utilizadas, a ideia é fraca.
Grandes calinadas foram proferidas pelos dois sobre a energia nuclear, valeu-lhes o desconhecimento sobre o assunto da generalidade dos eleitores. Ségolène patinou fortemente nos números da segurança social e Sarkozy transpareceu alguma insegurança nos seus conhecimentos quando interpelado com agressividade, mesmo quando tinha razão.
Foi essa determinação na interpelação do adversário, esse espremer constante dos conhecimentos e das propostas do outro, que fez deste debate um grande debate. Ambos se queimaram, ambos ficaram expostos às suas fragilidades, mas as propostas políticas ficaram muito mais claras para os eleitores. Estou a pensar nos quatro debates insonsos entre Kerry e Bush, onde se repetiam constantemente frases feitas, onde o raciocínio político era linear e simplista apesar da gravidade dos assuntos (como a guerra) e onde os candidatos se debatiam como se tivessem num campo de squash, contra a parede, e não olhos nos olhos.
Grandes calinadas foram proferidas pelos dois sobre a energia nuclear, valeu-lhes o desconhecimento sobre o assunto da generalidade dos eleitores. Ségolène patinou fortemente nos números da segurança social e Sarkozy transpareceu alguma insegurança nos seus conhecimentos quando interpelado com agressividade, mesmo quando tinha razão.
Foi essa determinação na interpelação do adversário, esse espremer constante dos conhecimentos e das propostas do outro, que fez deste debate um grande debate. Ambos se queimaram, ambos ficaram expostos às suas fragilidades, mas as propostas políticas ficaram muito mais claras para os eleitores. Estou a pensar nos quatro debates insonsos entre Kerry e Bush, onde se repetiam constantemente frases feitas, onde o raciocínio político era linear e simplista apesar da gravidade dos assuntos (como a guerra) e onde os candidatos se debatiam como se tivessem num campo de squash, contra a parede, e não olhos nos olhos.
quarta-feira, maio 02, 2007
Tenho um animal morto no meu prato!
"Tenho um animal morto no meu prato!", assim exclamou um amigo, filho de emigrantes portugueses nos EUA, após regressar ao país e lhe servirem um robalo grelhado num restaurante de Peniche. Nos EUA este amigo habituou-se a comer comida embalada em caixinhas, café fechado em goblets de cartão, queijos coloridos e sem cheiro, croquetes de todos os tipos de carne moída com formazinhas do Mickey e de peixinhos iguais aos desenhos da escola primária, pipocas da cor dos marcadores fluorescentes da Stabilo e bolachas com pepitas de morango, mas sem morango, pepitas feitas de pequenas gomas vermelhas com aroma artificial a morango.
Nos EUA ninguém proibiu que se coma peixe grelhado, que se veja a cor do café, que se toque num grão de milho ou que se comam morangos frescos, mas na realidade a "mão invisível" da religião do Mercado encarregou-se de que a esmagadora maioria dos americanos já não saiba o que de facto come. Sabem que comem marcas, que comem coisas trituradas, depois enformadas e coloridas como nos filmes da Disney e de Hollywood, sabem o número dos menus do restaurante X e a cor do "queijo" (em geral são emulsões lácteas e não queijo) que sai fora da sanduíche do menu Y.
Na prática, a ideologia do ultraliberalismo, da mão invisível e do modo de vida que Pacheco Pereira defende para a Europa, responsável pela alienação alimentar da maior parte dos americanos (os mais pobres), é muito mais proibitiva, sem proibir, do que os preconceitos alimentares religiosos comuns às religiões do livro (os católicos também os têm). É particularmente uma ideologia mais proibitiva do que o Islão a quem Pacheco Pereira dedica a entrada "Daqui a uns anos, na Europa, será assim?". Na verdade, e apesar da diferença de níveis de vida, em média, a alimentação de um muçulmano é muito mais variada do que a alimentação de um americano. Se deixássemos, seria essa alimentação "americana" que a Europa teria à mesa "daqui a uns anos", nada de peixes mortos no prato, nem queijos que cheiram mal, nem legumes crus, tudo seria servido em caixinhas da Disney, com histórias dos sobrinhos do Mickey. Dos sobrinhos, obviamente! É que as criancinhas poderiam ficar chocadas se fossem filhos do Mickey. Como é que se iria depois explicar que o Mickey tem um pénis a Minie uma vagina que servem para copular e ter filhos?
Nos EUA ninguém proibiu que se coma peixe grelhado, que se veja a cor do café, que se toque num grão de milho ou que se comam morangos frescos, mas na realidade a "mão invisível" da religião do Mercado encarregou-se de que a esmagadora maioria dos americanos já não saiba o que de facto come. Sabem que comem marcas, que comem coisas trituradas, depois enformadas e coloridas como nos filmes da Disney e de Hollywood, sabem o número dos menus do restaurante X e a cor do "queijo" (em geral são emulsões lácteas e não queijo) que sai fora da sanduíche do menu Y.
Na prática, a ideologia do ultraliberalismo, da mão invisível e do modo de vida que Pacheco Pereira defende para a Europa, responsável pela alienação alimentar da maior parte dos americanos (os mais pobres), é muito mais proibitiva, sem proibir, do que os preconceitos alimentares religiosos comuns às religiões do livro (os católicos também os têm). É particularmente uma ideologia mais proibitiva do que o Islão a quem Pacheco Pereira dedica a entrada "Daqui a uns anos, na Europa, será assim?". Na verdade, e apesar da diferença de níveis de vida, em média, a alimentação de um muçulmano é muito mais variada do que a alimentação de um americano. Se deixássemos, seria essa alimentação "americana" que a Europa teria à mesa "daqui a uns anos", nada de peixes mortos no prato, nem queijos que cheiram mal, nem legumes crus, tudo seria servido em caixinhas da Disney, com histórias dos sobrinhos do Mickey. Dos sobrinhos, obviamente! É que as criancinhas poderiam ficar chocadas se fossem filhos do Mickey. Como é que se iria depois explicar que o Mickey tem um pénis a Minie uma vagina que servem para copular e ter filhos?
sexta-feira, abril 27, 2007
República Neoconservadora da Polónia
A Courrier Internacional desta semana inclui um dossier muito bom sobre a deriva neoconservadora que grassa na Polónia visto por intelectuais polacos e pela imprensa internacional.
É muito interessante analisar os resultados das políticas neoconservadores de origem americana na Europa. A experiência neoconservadora polaca acaba por ser útil pelo menos por uma razão, para que os europeus tenham mais certezas sobre aquilo que não querem importar dos EUA.
Caixa de comentários:
"A Polónia constitiu um estudo de caso interessantíssimo. Não só pelo seu alinhamento canino em relação a qualquer coisa que venha do Atlântico, mas também pelas bem significativas propostas de reintrodução da pena de morte, de proibição da homossexualidade a funcionários públicos e à tentativa falhada (felizmente) de proibição geral do aborto. Coisinha mais reaça não há. Poderão argumentar que se trata de uma compensação pelos tempos da rolha soviética. Cada um acredita no que entende. O que sei é que a Polónia, como qualquer outro Estado, para aderir à UE compromete-se com o acquis e, supostamente, com um certo espírito. Tem sido o que se sabe." Sérgio
"a condição da mulher com companheiro na Polónia é servi-lo enquanto ele se senta a beber cerveja. Se houve país europeu da CE que a mentalidade das mulheres me provocou pena e revolta foi a Polónia." Henedina
É muito interessante analisar os resultados das políticas neoconservadores de origem americana na Europa. A experiência neoconservadora polaca acaba por ser útil pelo menos por uma razão, para que os europeus tenham mais certezas sobre aquilo que não querem importar dos EUA.
Caixa de comentários:
"A Polónia constitiu um estudo de caso interessantíssimo. Não só pelo seu alinhamento canino em relação a qualquer coisa que venha do Atlântico, mas também pelas bem significativas propostas de reintrodução da pena de morte, de proibição da homossexualidade a funcionários públicos e à tentativa falhada (felizmente) de proibição geral do aborto. Coisinha mais reaça não há. Poderão argumentar que se trata de uma compensação pelos tempos da rolha soviética. Cada um acredita no que entende. O que sei é que a Polónia, como qualquer outro Estado, para aderir à UE compromete-se com o acquis e, supostamente, com um certo espírito. Tem sido o que se sabe." Sérgio
"a condição da mulher com companheiro na Polónia é servi-lo enquanto ele se senta a beber cerveja. Se houve país europeu da CE que a mentalidade das mulheres me provocou pena e revolta foi a Polónia." Henedina
quinta-feira, abril 26, 2007
O efeito Bayrou
Quando estudei em Estrasburgo tive a oportunidade de assistir a dois debates sobre a Europa com a participação de François Bayrou - um deles muito bom, com Cohn-Bendit. Bayrou é um político de centro-direita, com o qual discordo da sua visão sobre o papel da família na sociedade, sobre o trabalho, sobre a economia, mas algo que merece a minha total simpatia é o seu europeísmo. Bayrou é um dos poucos políticos europeus que olha para lá do seu quintal e que já percebeu quase tudo sobre o papel importantíssimo que a Europa deve desempenhar na política mundial das próximas décadas. O desastre iraquiano, a nova guerra fria que os EUA querem impor à Europa, o aquecimento global e a reformulação da OMC, são desafios da política europeia aos quais Bayrou é sensível e que são objecto do seu discurso corrente.Bayrou foi o político mais incisivo no ataque a Nicolas Sarkozy, identificando bem a perigosidade da sua candidatura. Sarkozy é um político que aproveita habilmente os ódios inter-comunitários para fazer política, muito ao jeito de Aznar. Com Sarkozy todos os ódios vão ter salvo-conduto, assanhando cidadãos contra cidadãos, comunidades religiosas contra comunidades religiosas, maiorias contra minorias, tal como Aznar se empenhou em assanhar bascos contra bascos-castelhanos, castelhanos contra bascos e castelhanos contra todas as comunidades de Espanha.
Os 18% da primeira volta deram honras quase de chefe de estado à sua declaração de ontem. Apesar de não ter dado indicação de voto para a segunda volta, Bayrou voltou a deixar clara a perigosidade do projecto de sociedade do seu parceiro de coligação governamental, Nicolas Sarkozy. As críticas de Bayrou a Ségolène foram muito mais brandas e uma aproximação entre os dois tem estado a ser concebida através de uma fórmula de debates sobre aspectos políticos específicos entre Bayrou e Ségolène. Pode estar aqui a chave para a recuperação de Ségolène.
quarta-feira, abril 25, 2007
terça-feira, abril 24, 2007
Um instrumento português no VLT
Uma câmara de infra-vermelhos de alta resolução, a CAMCAO (Camera for Multiconjugated Adaptive Optics), integra um sistema que serve para validar as técnicas de óptica adaptativa para futuros telescópios do ESO (Observatório Europeu do Sul). Esta câmara acaba de ter "first light" no VLT (Very Large Telescope). A câmara CAMCAO foi concebida, construída e validada por uma equipa portuguesa, o consórcio CAMCAO. Este é coordenado pela FCUL e integra o laboratório LAER do INETI e o LIP-Coimbra.
Os meus parabéns para toda a equipa do CAMCAO.
Os meus parabéns para toda a equipa do CAMCAO.
Sistema de defesa anti-míssil dos EUA na Europa
A intervenção de 13 de Março da Ana Gomes no Parlamento Europeu, resume muito bem a questão política sobre o sistema de defesa anti-míssil que alguns continuam a querer impingir à Europa:
"...é escandalosamente atentatória dos compromissos europeus a consideração unilateral pela Polónia, República Checa e Reino Unido da participação no sistema de defesa anti-míssil dos EUA: para quê a UE, ou mesmo a NATO, senão para discutir o futuro estratégico da Europa?"
É de facto escandaloso e é também uma fonte provável de revolta dos cidadãos europeus contra os EUA e a NATO. Brevemente escreverei sobre o sistema anti-míssil, em particular o que tem sido publicado sobre o assunto por especialistas da área.
"...é escandalosamente atentatória dos compromissos europeus a consideração unilateral pela Polónia, República Checa e Reino Unido da participação no sistema de defesa anti-míssil dos EUA: para quê a UE, ou mesmo a NATO, senão para discutir o futuro estratégico da Europa?"
É de facto escandaloso e é também uma fonte provável de revolta dos cidadãos europeus contra os EUA e a NATO. Brevemente escreverei sobre o sistema anti-míssil, em particular o que tem sido publicado sobre o assunto por especialistas da área.
domingo, abril 22, 2007
84,5% de participação
A taxa de participação desta primeira volta das eleições presidenciais francesas é invejável no mundo democrático. Sublinhe-se que esta taxa de participação não é fruto de histeria provocada por guerras ou por atentados terroristas, trata-se de uma iniciativa massivamente cidadã perante as importantes encruzilhadas em que se encontra a França e a Europa.
O discurso de Ségolène Royal foi estranhamente rígido, deixou no ar a ideia que Ségolène não se encontra em perfeitas condições físicas. O que é preocupante dado que as sondagens não lhe são favoráveis. Infelizmente, e por culpa do fraco programa da própria Ségolène, é muito forte a probabilidade da Europa voltar a ter um Aznar, um governante que assanha os seus cidadãos uns contra os outros e que se comporta como um cãozinho de companhia dos EUA.
O discurso de Ségolène Royal foi estranhamente rígido, deixou no ar a ideia que Ségolène não se encontra em perfeitas condições físicas. O que é preocupante dado que as sondagens não lhe são favoráveis. Infelizmente, e por culpa do fraco programa da própria Ségolène, é muito forte a probabilidade da Europa voltar a ter um Aznar, um governante que assanha os seus cidadãos uns contra os outros e que se comporta como um cãozinho de companhia dos EUA.
Figuera dé Foss
"Figuera dé Foss! (...) Do you know Figuera dé Foss?", perguntou-me. (...) Eu sou da Figueira da Foz", respondi-lhe. (...) Roy foi contando a sua história. Que o lugar que tinha gostado mais na sua viagem pela Europa era a Figueira: tinha lá ficado dois meses. (...) "a real nice little town", com as casinhas ordenadas à volta da baía.
Casinhas ordenadas? "Há quanto tempo foi isso, Roy?", perguntei, já meio desconfiado. "Acho que foi em 74 ou 75". (...) [Nessa altura] de facto, a Figueira era uma cidade de casinhas ordenadas à volta da baía. Se ele visse a marginal agora, até chorava. A especulação imobiliária, o vandalismo do cimento começou no início da década de 80, alguns anos depois de Roy ter passado dois meses na "nice little" Figueira. (...) Quando começou o processo de destruição de uma das marginais mais elegantes de Portugal eu já tinha olhos para ver: e lembro com nitidez uma sucessão de mansões fantasiosas em frente ao mar, e habitações simples mas coerentes atrás dessa primeira linha de riqueza e bo-tom. Não ficou uma casa em pé.
(...) "Não voltes", disse-lhe, com um sorriso triste, "é o meu conselho". Roy ficou a pensar que era por ser uma cidade da Europa, uma cidade muito cara.
"No princípio estava o mar", Gonçalo Cadilhe, pag.198-201.
Casinhas ordenadas? "Há quanto tempo foi isso, Roy?", perguntei, já meio desconfiado. "Acho que foi em 74 ou 75". (...) [Nessa altura] de facto, a Figueira era uma cidade de casinhas ordenadas à volta da baía. Se ele visse a marginal agora, até chorava. A especulação imobiliária, o vandalismo do cimento começou no início da década de 80, alguns anos depois de Roy ter passado dois meses na "nice little" Figueira. (...) Quando começou o processo de destruição de uma das marginais mais elegantes de Portugal eu já tinha olhos para ver: e lembro com nitidez uma sucessão de mansões fantasiosas em frente ao mar, e habitações simples mas coerentes atrás dessa primeira linha de riqueza e bo-tom. Não ficou uma casa em pé.
(...) "Não voltes", disse-lhe, com um sorriso triste, "é o meu conselho". Roy ficou a pensar que era por ser uma cidade da Europa, uma cidade muito cara.
"No princípio estava o mar", Gonçalo Cadilhe, pag.198-201.
quinta-feira, abril 19, 2007
Túnel Marquês: obra faraónica, errada e centralista
Os custos do novo Túnel do Marquês já vão em cerca de 19 milhões de euros e "ainda não estão fechados" como afirmou o próprio Carmona Rodrigues. O Túnel é uma obra estrategicamente errada que vai contra todas as regras actuais de organização das grandes cidades. A subida do preço do petróleo, a escassez prevista deste recurso e o aquecimento global irão obrigar inevitavelmente a que as grandes cidades organizem prioritariamente a sua mobilidade em função dos transportes públicos e não em função do transporte individual e poluente, como é o caso do automóvel. Ao contrário do que se pretende através da abertura do Túnel do Marquês, o acesso do automóvel ao centro das grandes cidades deve ser progressivamente limitado e não aumentado ou facilitado. Ao contrário da filosofia subjacente à obra do Marquês, é ao transporte público que deve ser facilitado o acesso e a mobilidade dentro do espaço urbano. Não se pense que este erro não comportará custos adicionais ao custo efectivo da obra (ainda não fechado). A obra incitará a mais investimento errado em mais transporte individual, carburante e a tudo o que lhe está associado, a que se somam os custos inerentes à emissão de mais gases de feito de estufa e retira desnecessariamente potenciais clientes aos transportes colectivos de Lisboa que são pagos pelos contribuintes de todo o país. Estranho que no recente frenesim de exigência de estudos de obras públicas (que acho muito bem) não se tenha discutido publicamente o custo/benefício desta obra.
No próximo dia 25 de Abril, no momento da sua inauguração, o Túnel do Marquês será já uma obra obsoleta, desnecessária e com custos futuros que se acumularão à factura que continua a subir.
Esta obra é também um símbolo do centralismo deste país. Um país que está a cometer um interioricídio arrepiante, enterra mais de 19 milhões de euros numa obra desnecessária mesmo no umbigo da capital, quando no resto do país existem carências de toda a ordem nos transportes urbanos, nos transportes ferroviários e rodoviários entre cidades e projectos essenciais que não saem do papel há décadas (ex: metro de superfície de Coimbra).
No próximo dia 25 de Abril, no momento da sua inauguração, o Túnel do Marquês será já uma obra obsoleta, desnecessária e com custos futuros que se acumularão à factura que continua a subir.
Esta obra é também um símbolo do centralismo deste país. Um país que está a cometer um interioricídio arrepiante, enterra mais de 19 milhões de euros numa obra desnecessária mesmo no umbigo da capital, quando no resto do país existem carências de toda a ordem nos transportes urbanos, nos transportes ferroviários e rodoviários entre cidades e projectos essenciais que não saem do papel há décadas (ex: metro de superfície de Coimbra).
quarta-feira, abril 18, 2007
Bowling for Columbine
Sempre actual a obra de Michael Moore, tal como as lágrimas de crocodilo do Presidente Bush.
Ler o Filipe Moura que já estudou por aquelas paragens.
Ler o Filipe Moura que já estudou por aquelas paragens.
terça-feira, abril 17, 2007
Angel

"Angel" de François Ozon é baseado no romance do mesmo nome da escritora inglesa Elizabeth Taylor publicado em 1957. "Angel" narra a ascensão meteórica de uma escritora de romances populares de origens modestas à nata do meio literário londrino. Angel é uma mulher muito ambiciosa que não se inibe de usar todo o poder que o sucesso lhe conferiu para atingir os seus objectivos, renegando as suas origens, manipulando os que lhe são próximos e alimentando um romance amoroso de fachada. Vi neste "Angel" uma espécie de Citizen Kane no feminino, uma parábola onde outros tipos de ambição e de poder são capazes de cegar e de corromper o espírito de uma mulher. Apesar de correr o risco de encalhar em estereótipos, o próprio nome da mansão de Angel, Paradise, simboliza o fantasma absoluto em que Angel se revê, de mulher imaculada readmitida no jardim de Deus, da mesma maneira que o nome da mansão de Kane, Xanadu (a capital do Império Mongol), simboliza o fantasma do supremo poder masculino, o desejo de ser o imperador.
Concordo em absoluto com o David Luz, Romola Garai (Angel) é um nome a fixar, sem ela "Angel" seria outro filme, certamente mais pobre.
segunda-feira, abril 16, 2007
Se fosse francês votaria Dominique Voynet
Votaria Dominique Voynet sobretudo pelo seu europeísmo empenhado e entusiasta e pelo seu programa económico e social que é o que responde de uma forma mais abrangente a todos os principais desafios dos tempos que se aproximam. É um programa verdadeiramente de esquerda, mas de uma esquerda que não faz broches ao marxismo. No entanto, a campanha de Voynet fica fragilizada pelas divisões dentro dos Verdes, pela candidatura de José Bové, pelo efeito mediático do Pacto Ecológico de Nicolas Hulot e pela ausência de Cohn-Bendit. As sondagens apontam resultados modestos, a que a repetição da sua candidatura não é alheia. É pena.Ségolène Royal
Um programa confuso, fraco e que tenta pescar de uma forma atabalhoada em várias frentes, até na frente anti-europeísta do PS representada por Fabius, fazem de Ségolène a maior decepção da esquerda francesa. Como há 5 anos atrás, teme-se o pior nas hostes do PS.
sábado, abril 14, 2007
A universidade privada (caixa de comentários)
"Sou licenciado numa universidade privada mas muitas vezes ao longo do curso me perguntei se ela não precisava de ser fechada. Muitas vezes de qualidade de ensino não tinha nada, e grande parte dos meus colegas pensavam o mesmo. Várias vezes sem professores mas as propinas tinham de ser pagas, quer houvesse professores ou não. Quer houvesse aulas ou não, quer os professores tivessem qualidade ou não."
Miguel (A Embaixada)
Miguel (A Embaixada)
sexta-feira, abril 13, 2007
Aldrabice de CV e os cargos políticos não-eleitos
Desde que se iniciou a prática (de louvar) de publicação de CV dos políticos na internet, reparei na trapalhada e na aldrabice pegada que se praticava com intuito de encher com linhas e linhas de palha as biografias e os CV dos titulares de cargos políticos. Uma artimanha muito utilizada é a de que político X frequentou o MBA ou a pós-graduação da Universidade Y ou Z (ex: CV de Morais Sarmento na anterior legislatura). Frequentou? Como é que prova que de facto frequentou? Qualquer um pode encher linhas de CV com frequentou... No entanto, reparei em algo bem mais grave: um intenso cheiro a esturro a diplomas comprados. A proliferação de universidades privadas que passam diplomas sem controlo do respectivo Estado é um esquema a que recorrem muitos políticos medíocres, casos de insucesso escolar, mas de sucesso estrondoso no carreirismo político.
O caso toma contornos de maior gravidade quando alguns destes políticos medíocres, recorrendo a diplomas forjados, acedem a cargos políticos técnicos (assessores, conselheiros, etc.) para os quais não precisam de ser eleitos, mas precisam de um diploma no CV que justifique a escolha do político responsável pelo gabinete que os acolhe. Pior ainda, são aqueles que no fim de uma legislatura recebem como presente um alto cargo bem remunerado numa empresa pública justificado por uma falsa competência que consta do seu CV. Desconfio que se investigassem quantos diplomas foram comprados em universidades estrangeiras (deixo aqui uma dica: Boston, EUA) por assessores de ministros e por titulares de altos cargos em empresas públicas que vieram da política poderiam descobrir todo um miserável mundo de falsificação de carreiras político-profissionais.
Uma palavra a José Sócrates
O CV de José Sócrates foi pelo menos antecipado por alguém, por esse alguém que escreveu que Sócrates era licenciado em Eng. Civil antes de o ser. A trapalhada mesmo não sendo intencional funde-se no oceano de aldrabice e de trapalhadas dos CV dos políticos.
Trapalhadas destas são desmotivadoras para quem trabalha no meio científico, por exemplo. Um CV de um investigador com uma gaffe desse calibre dá direito a exclusão da generalidade dos concursos individuais e a projectos...
O caso toma contornos de maior gravidade quando alguns destes políticos medíocres, recorrendo a diplomas forjados, acedem a cargos políticos técnicos (assessores, conselheiros, etc.) para os quais não precisam de ser eleitos, mas precisam de um diploma no CV que justifique a escolha do político responsável pelo gabinete que os acolhe. Pior ainda, são aqueles que no fim de uma legislatura recebem como presente um alto cargo bem remunerado numa empresa pública justificado por uma falsa competência que consta do seu CV. Desconfio que se investigassem quantos diplomas foram comprados em universidades estrangeiras (deixo aqui uma dica: Boston, EUA) por assessores de ministros e por titulares de altos cargos em empresas públicas que vieram da política poderiam descobrir todo um miserável mundo de falsificação de carreiras político-profissionais.
Uma palavra a José Sócrates
O CV de José Sócrates foi pelo menos antecipado por alguém, por esse alguém que escreveu que Sócrates era licenciado em Eng. Civil antes de o ser. A trapalhada mesmo não sendo intencional funde-se no oceano de aldrabice e de trapalhadas dos CV dos políticos.
Trapalhadas destas são desmotivadoras para quem trabalha no meio científico, por exemplo. Um CV de um investigador com uma gaffe desse calibre dá direito a exclusão da generalidade dos concursos individuais e a projectos...
quinta-feira, abril 12, 2007
Ciclo Stephen Frears no canal ARTE
A partir de hoje o canal ARTE vai passar um ciclo de cinema dedicado ao realizador Stephen Frears, o realizador de "A Raínha". É uma oportunidade para rever "The Snapper" e "Ligações Perigosas", entre outros.
terça-feira, abril 10, 2007
A universidade privada em Portugal
A história da universidade privada em Portugal é uma triste história. Salvo algumas honrosas excepções, como a Católica, a generalidade das universidades privadas nacionais vivem da ganância, da chulice à custa dos alunos e do xico-espertismo dos seus gestores. Por exemplo, a investigação - uma das tarefas fundamentais de uma universidade - é praticamente inexistente no ensino privado. Quer isto dizer que o contributo das universidades privadas para o conhecimento da sociedade portuguesa é quase nulo, as privadas funcionam como se fossem escolas secundárias para meninos com mais de 18 anos. Mais grave ainda é que estas instituições nem se podem queixar de falta de verbas para a investigação. Basta ver o número de projectos propostos por universidades privadas ao último concurso aberto a todas as áreas da Fundação para a Ciência e a Tecnologia para percebermos o desinteresse brutal destas instituições pela investigação.
Como é que se resolve o assunto?
Definindo critérios claros sobre as funções e os objectivos de cada tipo de instituição de ensino superior (sobre formação, serviço à sociedade e investigação), elevando a fasquia dos critérios de avaliação e aumentando a frequência das inspecções ao trabalho das instituições. Depois é fechar o que se tiver de fechar, doa a quem doer, este é um assunto demasiado sério para se dar o benefício da dúvida a xico-espertos.
Como é que se resolve o assunto?
Definindo critérios claros sobre as funções e os objectivos de cada tipo de instituição de ensino superior (sobre formação, serviço à sociedade e investigação), elevando a fasquia dos critérios de avaliação e aumentando a frequência das inspecções ao trabalho das instituições. Depois é fechar o que se tiver de fechar, doa a quem doer, este é um assunto demasiado sério para se dar o benefício da dúvida a xico-espertos.
segunda-feira, abril 09, 2007
Já não há pachorra
-Para a pseudociência à portuguesa muito bem denunciada neste texto do Filipe Moura.
-Para as maçadas de Vasco Pulido Valente muito bem caracterizadas pela Fernanda Câncio.
-Para as maçadas de Vasco Pulido Valente muito bem caracterizadas pela Fernanda Câncio.
domingo, abril 08, 2007
Inland Empire - A woman in trouble
"Inland Empire" de David Lynch é de longe o filme mais experimental e mais original do autor. A particularidade desta obra de Lynch consiste na representação sistemática do imaginário dos personagens, dos seus fantasmas, das suas angústias, traumas, etc., em simultâneo com a própria realidade. Ao contrário de Mulholland Drive, nesta obra Lynch não faz cedências ao espectador introduzindo pistas triviais que permitam distinguir entre a representação do real e do imaginário. Ambos se fundem e confundem, tal como acontece nas reflexões que condicionam os nossos actos. É esta a a grande dificuldade mas também o grande interesse deste filme.Quando Lynch iniciou as filmagens de "Inland Empire", o guião do filme estava em grande parte por definir e isso é perceptível ao longo do filme. A trama segue as angústias de Nikki Grace - a woman in trouble tal como a define o subtítulo - recuperando alguns dos temas centrais de Mulholland Drive como o fascínio destrutivo que exerce a indústria cinematográfica e os sacrifícios e as angústias que os aspirantes a actores estão dispostos a tolerar para conseguir um lugar ao sol. Inland Empire é a zona de Los Angeles onde residem os actores que ainda não são suficientemente ricos ou famosos para morar em Bevery Hills. Inland Empire é pois o limbo entre o anonimato e o estrelato em Hollywood. Grace (Laura Dern) tem como parceiro de primeiro filme Devon Derk. Após a rodagem de algumas cenas, Grace inicia um relacionamento amoroso extraconjugal com Derk. A partir desse momento o personagem Derk desaparece do filme e iniciamos uma viagem intensa através dos mini-universos interiores de uma Grace que entra num processo de culpabilização doloroso. Em cada mudança de cena Grace salta para uma nova caixa simbólica, um novo mini-universo, que se confunde com a realidade. De tal modo é baralhada a realidade com o imaginário de Grace que a relação com Derk parece uma sofisticada construção justificativa para o dilema de Grace: "ser puta ou não ser puta". A ideia é repetida várias vezes ao longo do filme através da representação de um grupo de mulheres de comportamento suspeito que interpelam Grace de uma forma sugestiva.
Mais do que tentar descodificar aqui o significado complexo de cada um dos elementos simbólicos que compõem a trama deste Inland Empire, convido vivamente o leitor a ver esta nova obra de David Lynch. O filme de Lynch vale mais pela originalidade e pela ousadia experimental do que pela estética e pelo tema abordado. Este Inland Empire é um filme que deve ser visto e revisto, no entanto as cerca de três horas de filme e uma estética por vezes pouco cuidada na transposição entre algumas cenas mais experimentais são pouco convidativas a revisionamentos integrais desta interessante obra cinematográfica.
Vive la France!
"Inland Empire" é o segundo filme francês (com algum financiamento americano e polaco) de David Lynch, depois de "Mulholland Drive", e a prova de que a excepção cultural francesa é actualmente o abono de família de algum do melhor cinema de autor que se vai fazendo nos EUA, em contraponto com o deserto criativo que a "mão invisível" de Hollywood inflinge ao cinema americano.
segunda-feira, abril 02, 2007
Bússola para Inland Empire: Žižek
Žižek recorre frequentemente à obra de David Lynch para ilustrar as suas reflexões sobre o real e o imaginário. Na filmografia de Lynch ambos os aspectos se fundem em filmes como "Lost Highway" ou "Mulholland Drive", tal como se fundem nos nossos cérebros. O problema é que não estamos habituados a ver a representação dessa fusão fora do nosso mundo interior, especialmente numa tela cinematográfica. A obra intitulada "The Art of the Ridiculous Sublime: On David Lynch's Lost Highway" de Žižek poderá ser uma boa bússola para orientar o espectador ao longo das quase três horas do novíssimo filme de David Lynch, "Inland Empire".
Parabéns Ticha

Mais um título para a Ticha Penicheiro (segunda a contar da direita), desta vez foi o Campeonato Europeu de Clubes, pelo Spartak de Moscovo. Continua a deslumbrar-me a carreira daquela menina que em tempos acompanhava o pai, meu treinador de iniciados, aos treinos e aos jogos e andava lá pelos cantos do pavilhão a driblar a bola e a resmungar sozinha.
sábado, março 31, 2007
Sábado em Coimbra XXXIV: Requiem pela Rua Direita
Rua Direita, Rua Direita, essa rua torta,
que vai do Terreiro da Erva à Igreja de Sta. Cruz
onde se confessa a via romana da ex-Aeminium,
os pecados por ali sempre se pagaram, mas nunca se apagaram.
...eis que chegam os bulldozers,
essas borrachas rotring da santíssima trindade.
Em nome da Câmara, da Académica e do Grupo Amorim, Ámen!
Sábado em Coimbra XXXIII
que vai do Terreiro da Erva à Igreja de Sta. Cruz
onde se confessa a via romana da ex-Aeminium,
os pecados por ali sempre se pagaram, mas nunca se apagaram.
...eis que chegam os bulldozers,
essas borrachas rotring da santíssima trindade.
Em nome da Câmara, da Académica e do Grupo Amorim, Ámen!
Sábado em Coimbra XXXIII
quinta-feira, março 29, 2007
A esquerda e a Europa
Ler extractos da entrevista de Mário Soares ao Público sobre a Europa, via O Avesso do Avesso. Destaco:
"Eu costumo dizer que não há ninguém de esquerda que não seja também europeu. Se a esquerda não é europeia não é nada."
Desconfio que Mário Soares está carregadinho de razão. O que é certo, é que a esquerda anti-europeísta existe. Existe e é de uma tristeza política confrangedora. É triste esquerda rimar com populismo, com desconfianças nacionalistas, com masturbações patrioteiras, com saudosismos pseudo-revolucionários, com negacionismos históricos, etc. Refiro-me a quem? Ao PCP, PCF, PCdI, Links Partei, PC Checo e ao PS de Fabius.
"Eu costumo dizer que não há ninguém de esquerda que não seja também europeu. Se a esquerda não é europeia não é nada."
Desconfio que Mário Soares está carregadinho de razão. O que é certo, é que a esquerda anti-europeísta existe. Existe e é de uma tristeza política confrangedora. É triste esquerda rimar com populismo, com desconfianças nacionalistas, com masturbações patrioteiras, com saudosismos pseudo-revolucionários, com negacionismos históricos, etc. Refiro-me a quem? Ao PCP, PCF, PCdI, Links Partei, PC Checo e ao PS de Fabius.
terça-feira, março 27, 2007
Excelente documentário de António Barreto
Já aqui malhei forte e feio em António Barreto, e não me arrependo, porque acho que Barreto errou, e errou muito, sobre o que escreveu sobre a educação, o ensino superior e a investigação científica. Mas, depois de ter assistido ao primeiro episódio da série "Portugal - um retrato social", não posso deixar de aplaudir com muita satisfação o excelente trabalho por ele realizado na produção desta série. Uma coisa é vociferar e entrar em histeria inconsequente contra o Salazarismo, outra é mostrar, quase sem grandes comentários, o país de merda que era Portugal antes do 25 de Abril.
50 anos depois (caixa de comentários)
Recortes da caixa decomentários da entrada "50 anos depois":
"É um projecto que terá as suas dificuldades próprias, mas se a Europa se pacificou e se desenvolveu, foi graças à superação de paradigmas passados. É uma aventura que vale a pena. Muitos dos problemas que apontou resolvem-se com mais e melhor Europa. Não posso, aliás, deixar de recordar o contributo das teses federalistas para a Europa. Kant é uma boa leitura para estes dias. Tomara, nos quatro anos de invasão do Iraque, que fosse um pouco mais considerado." Sérgio
"Juntar 25 países com culturas e hábitos diferentes, criar uma moeda única, um parlamento e regras únicas é um feito de saudar." Papalagui
"Não creio que a UE seja subserviente face aos EUA. Enquanto o RU é fortemente atlantista, a França é muito céptica face à América. Repara que se algum dos países for atacado, a NATO, como aliança é obrigada a intervir. É ela, portanto, e não a UE, que tem garantido a paz na Europa." David Luz (Linha dos Nodos)
"É um projecto que terá as suas dificuldades próprias, mas se a Europa se pacificou e se desenvolveu, foi graças à superação de paradigmas passados. É uma aventura que vale a pena. Muitos dos problemas que apontou resolvem-se com mais e melhor Europa. Não posso, aliás, deixar de recordar o contributo das teses federalistas para a Europa. Kant é uma boa leitura para estes dias. Tomara, nos quatro anos de invasão do Iraque, que fosse um pouco mais considerado." Sérgio
"Juntar 25 países com culturas e hábitos diferentes, criar uma moeda única, um parlamento e regras únicas é um feito de saudar." Papalagui
"Não creio que a UE seja subserviente face aos EUA. Enquanto o RU é fortemente atlantista, a França é muito céptica face à América. Repara que se algum dos países for atacado, a NATO, como aliança é obrigada a intervir. É ela, portanto, e não a UE, que tem garantido a paz na Europa." David Luz (Linha dos Nodos)
segunda-feira, março 26, 2007
Aperitivo Inland Empire
sábado, março 24, 2007
50 anos depois
A Europa ainda tem muita coisa a melhorar, mas é preciso não esquecer que em nenhuma outra região do mundo se foi tão longe na ecologia, na redução do horário de trabalho, no tempo de férias, na cobertura social, na aposta da diplomacia internacional, na luta contra a exclusão, na sexualidade, na paridade, na laicidade, na integração de países vizinhos mais pobres (da Irlanda à Bulgária) por países mais ricos, na qualidade de vida e no desenvolvimento sustentável. Tudo isto aconteceu num quadro de diversidade impressionante de tendências e de pensamento político (do Parlamento Europeu aos parlamentos nacionais), diversidade cultural, linguística e espiritual. É um património assinalável que não se deve desbaratar em nome de tácticas políticas efémeras.
No entanto, a imigração, as relações de comércio externo com os países em vias de desenvolvimento, a exploração da mão-de-obra nesses países, a fraca transposição da produção científica para a tecnologia ao serviço da sociedade e a subserviência à NATO/EUA, continuam como os pontos negros da UE. Cabe-nos a nós construir a Europa dos próximos decénios revolucionando o necessário da política para eliminar estes pontos negros. Isso não se faz a olhar para o umbigo de cada país, nem a olhar para os outros povos como corpos estranhos. A força da UE é fazer melhor em conjunto do que o resultado da soma das partes separadas. É nesta espírito que identifico com a Europa e me considero Europeísta, e não porque ache que a Europa é um continente especial ou que o continente tenha sido iluminado pelas pontas dos dedos do Altíssimo quando este criou os animaizinhos, as arvorezinhas e os homenzinhos.
No entanto, a imigração, as relações de comércio externo com os países em vias de desenvolvimento, a exploração da mão-de-obra nesses países, a fraca transposição da produção científica para a tecnologia ao serviço da sociedade e a subserviência à NATO/EUA, continuam como os pontos negros da UE. Cabe-nos a nós construir a Europa dos próximos decénios revolucionando o necessário da política para eliminar estes pontos negros. Isso não se faz a olhar para o umbigo de cada país, nem a olhar para os outros povos como corpos estranhos. A força da UE é fazer melhor em conjunto do que o resultado da soma das partes separadas. É nesta espírito que identifico com a Europa e me considero Europeísta, e não porque ache que a Europa é um continente especial ou que o continente tenha sido iluminado pelas pontas dos dedos do Altíssimo quando este criou os animaizinhos, as arvorezinhas e os homenzinhos.
quinta-feira, março 22, 2007
Como o planeta "respira" o CO2

Esta extraordinária animação construída com os dados do satélite Envisat da ESA, mostra a variação da concentração de dióxido carbono na atmosfera terrestre entre 2003 e 2005. É impressionante verificar como a sua quantidade diminui significativamente na Primavera e no Verão à medida que a vegetação do hemisfério norte vai crescendo - o hemisfério sul tem menos área continental e por isso menos vegetação - e o efeito inverso no Outono e no Inverno.
Abaixo a concentração de metano no mesmo período.
Críticos de cinema do Público (comentários)
"Era interessante procurar uma correlação estatística entre o número de estrelas dadas aos filmes e as distribuidoras, e depois procurar verificar se os jornais e as distribuidoras têm interesses comuns", David Luz.
Pois era...
"Realmente é espantosa a quantidade de filmes que só são vistos por um ou dois críticos. Conheço cinéfilos que vêem mais filmes que certos críticos!", David Luz.
Eu também.
Pois era...
"Realmente é espantosa a quantidade de filmes que só são vistos por um ou dois críticos. Conheço cinéfilos que vêem mais filmes que certos críticos!", David Luz.
Eu também.
quarta-feira, março 21, 2007
Críticos de cinema do Público vão juntos ao WC?
Ocorreu-me esta pergunta ao apreciar esta página de cinema do Público de nome sugestivo: topFilmz. Na página topFilmz encontramos as estrelinhas dadas pelos críticos de cinema do Público. Passem os olhos pela página, vale a pena... Reparem que o acaso faz que os quatro críticos do Público só atribuam 5 estrelas ao mesmo filme, a película "Cartas de Iwo Jima" de Clint Eastwood. Se passarem os olhos pelo resto, mais estrela menos estrela, os críticos do Público estão basicamente de acordo. O filme Babel é a prova dos nove sobre o que estes críticos odeiam em cinema (eu percebo-os, andar de autocarro sem ar condicionado em Marrocos no meio de terroristas perigosíssimos é chato). Fica a sensação que a crítica de cinema do Público é feita por um grupo de amigos. Mas não, é mais forte do que isso. Pensando bem, se juntarem os vossos três melhores amigos que gostam de cinema muito dificilmente conseguiriam uma tabela de estrelinhas tão bem comportada como esta. A comunhão de gostos dos críticos do Público é tal que só pode ser explicada, ou por uma formatação e uniformização cerebral colectiva resultado de anos e anos a ver o mesmo tipo de filmes, ou por "exigências maiores" da indústria de distribuição cinematográfica. Acredito mais na primeira hipótese.
Conclusão
O Público não precisa de pagar a 4 críticos de cinema. Poderia despedir três e pagar apenas a um crítico. Ao Jorge Mourinha, por exemplo, que é o único que se dá ao trabalho de levantar o traseiro para ir ao cinema. Este assinaria a atribuição de estrelas juntamente com três nomes fictícios diferentes, tirava uma estrela aqui, adicionava outra ali e o resultado para o leitor seria exactamente o mesmo.
Conclusão
O Público não precisa de pagar a 4 críticos de cinema. Poderia despedir três e pagar apenas a um crítico. Ao Jorge Mourinha, por exemplo, que é o único que se dá ao trabalho de levantar o traseiro para ir ao cinema. Este assinaria a atribuição de estrelas juntamente com três nomes fictícios diferentes, tirava uma estrela aqui, adicionava outra ali e o resultado para o leitor seria exactamente o mesmo.
terça-feira, março 20, 2007
Sobre o filme As Vidas dos Outros
Ler o comentário do Luís ao filme As Vidas dos Outros na Natureza do Mal. Destaco:
"Estranhamente, não chega conquistar um Óscar, um êxito razoável de bilheteira no Reino Unido para escapar a uma exibição discreta em salas secundárias da capital de um Império que também já foi. O fascismo nunca existiu, já se sabe. E aquele comunismo, camaradas, também não."
"Estranhamente, não chega conquistar um Óscar, um êxito razoável de bilheteira no Reino Unido para escapar a uma exibição discreta em salas secundárias da capital de um Império que também já foi. O fascismo nunca existiu, já se sabe. E aquele comunismo, camaradas, também não."
Broches a uma ideologia que é contra a ciência
O programa e os painéis do colóquio "Darwinismo versus Criacionismo - Onde começa e onde acaba uma teoria científica" (via Causa Nossa), organizado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, deixam entender que se vai explicar porque é que o Darwinismo é ciência e o Criacionismo (desenho inteligente incluído) não é ciência nenhuma. No entanto, há dois reparos importantes a fazer.
Primeiro, o título lança desnecessariamente alguma confusão sobre o assunto, pois o Darwinismo não pode ser comparado com o Criacionismo à luz da ciência. Compará-los tem tanto significado como comparar batatas com sereias. O Darwinismo é perfeitamente fundamentado pela ciência - há poucas teorias para as quais tenham sido reunidas tantas provas que as validem - enquanto o Criacionismo (e a sua última moda do desenho inteligente) não tem qualquer base científica, não existe qualquer trabalho científico válido que verifique as hipóteses de base criacionista.
O segundo reparo a fazer a este colóquio é que se trata de mais um broche à ideologia neoconservadora com origem nos EUA, que é a única ideologia hoje em dia que alimenta este tipo de pseudociência. Quem conhece um bocadinho os manobrismos que os neoconservadores ensaiam na Europa, sabe muito bem de onde surgem este delírios. Fundaçõezinhas e fundaçõezecas, do tipo da fundação do mafioso George Soros, multiplicam-se pelo continente europeu, principalmente na Europa de Leste com o objectivo de evangelizar os europeus aos maiores delírios do neoconsevadorismo americano. O menu neoconservador é composto por uma catequese espiritual e outra materialista. A catequese materialista baseia-se no ultraliberalismo do Estado Mínimo contra o Modelo Social Europeu. A catequese espiritual baseia-se no combate cerrado à ciência, através do negacionismo do Darwinismo, do Big Bang e do Aquecimento Global. Os recentes desenvolvimentos científicos sobre as alterações climáticas desferiram um rude golpe à ideologia neoconservadora, mas o dinheiro dos poços de petróleo continua a jorrar para alimentar os delírios pseudo-científicos. Infelizmente, este colóquio tem tudo para ser considerado mais um broche à ideologia neoconservadora do que propriamente uma oportunidade para esclarecer o grande público sobre a importância do método científico na complexidade das sociedades actuais.
Primeiro, o título lança desnecessariamente alguma confusão sobre o assunto, pois o Darwinismo não pode ser comparado com o Criacionismo à luz da ciência. Compará-los tem tanto significado como comparar batatas com sereias. O Darwinismo é perfeitamente fundamentado pela ciência - há poucas teorias para as quais tenham sido reunidas tantas provas que as validem - enquanto o Criacionismo (e a sua última moda do desenho inteligente) não tem qualquer base científica, não existe qualquer trabalho científico válido que verifique as hipóteses de base criacionista.
O segundo reparo a fazer a este colóquio é que se trata de mais um broche à ideologia neoconservadora com origem nos EUA, que é a única ideologia hoje em dia que alimenta este tipo de pseudociência. Quem conhece um bocadinho os manobrismos que os neoconservadores ensaiam na Europa, sabe muito bem de onde surgem este delírios. Fundaçõezinhas e fundaçõezecas, do tipo da fundação do mafioso George Soros, multiplicam-se pelo continente europeu, principalmente na Europa de Leste com o objectivo de evangelizar os europeus aos maiores delírios do neoconsevadorismo americano. O menu neoconservador é composto por uma catequese espiritual e outra materialista. A catequese materialista baseia-se no ultraliberalismo do Estado Mínimo contra o Modelo Social Europeu. A catequese espiritual baseia-se no combate cerrado à ciência, através do negacionismo do Darwinismo, do Big Bang e do Aquecimento Global. Os recentes desenvolvimentos científicos sobre as alterações climáticas desferiram um rude golpe à ideologia neoconservadora, mas o dinheiro dos poços de petróleo continua a jorrar para alimentar os delírios pseudo-científicos. Infelizmente, este colóquio tem tudo para ser considerado mais um broche à ideologia neoconservadora do que propriamente uma oportunidade para esclarecer o grande público sobre a importância do método científico na complexidade das sociedades actuais.
segunda-feira, março 19, 2007
Depois digam que a culpa é da Europa...
É escandalosa a situação dos ex-trabalhadores da Companhia Portuguesa do Cobre que continuam com verbas avultadas para receber por o Estado ter aplicado só em 2000 a directiva comunitária dos anos 80 que obriga à criação do Fundo de Reserva de Garantia Salarial. A legislação vigente em 1996, na altura da falência, dava prioridade às dívidas aos bancos. Os bancos receberam, os trabalhadores também não...
domingo, março 18, 2007
Taxi Driver
"Taxi Driver" é o meu filme preferido de Martin Scorsese - não vi o premiado "Entre Inimigos", o remake de "Infernal Affairs" de Wai Keung Lau. Em "Taxi Driver", Scorsese explora até ao absurdo a diferença entre a justiça e o justiceiro da selva urbana. É de certo modo uma recriação do tema de "Fury" realizado em 1936 por Fritz Lang, adaptando o tema da justiça pelas próprias mãos aos anos 70, ao ambiente urbano de uma grande cidade e à desumanização das sociedades modernas. Em "Taxi Driver", Robert de Niro interpreta o excelente papel de Travis Bickle, um taxista solitário e desequilibrado que decide fazer justiça pelas suas próprias mãos para purificar a cidade, fazendo uso da força das armas e da moral de pacotilha. Jodie Foster (com apenas 14 anos) interpreta uma prostituta a quem Travis vai convencer a deixar a "má vida".Apesar de "Taxi Driver" levar ao absurdo a fúria justiceira, é um filme sempre actual, sobretudo porque as grandes cidades das democracias modernas, só são modernas até à profundidade da primeira camada de verniz. Daí para baixo, ainda não se percebeu como funcionam os mais básicos pilares da justiça, não se distingue entre justiça e vingança e aplaude-se com frequência os Travis deste mundo.
sexta-feira, março 16, 2007
Mares nunca antes navegados
A sonda Cassini da NASA descobriu a existência de mares no planeta Titã. Quem estiver a pensar ir lá mandar em mergulho pode tirar o cavalinho da chuva, são mares de etano ou de metano líquido.
quarta-feira, março 14, 2007
Verdades do Iraque como azeite em copo de água
Para quem tinha lido o livro "Disarming Iraq" de Hans Blix, as suas declarações de manipulação por parte dos governos britânico e americano do relatório sobre as armas de destruição em massa (ADM) não são grande novidade. Em "Disarming Iraq" já está lá tudo, num livro muito interessante nunca traduzido para português, vá-se lá saber porquê...
Aqui fica uma entrada de 11 de Outubro de 2004 em que comento as denúncias de Hans Blix em "Disarming Iraq" sobre o processo de inspecções de ADM.
Aqui fica uma entrada de 11 de Outubro de 2004 em que comento as denúncias de Hans Blix em "Disarming Iraq" sobre o processo de inspecções de ADM.
segunda-feira, março 12, 2007
O negacionismo da teoria da evolução na ARTE
Hoje no canal ARTE, pela 21h20 de Portugal, é transmitido um documentário intitulado "La Science en Guerre" sobre o delírio negacionista da teoria da evolução de Darwin que grassa nos EUA.
O secundário mal feito de Helena Matos
Esta crónica do Rui Tavares publicada no Público sobre um texto de Helena Matos (suponho publicado no dia anterior no mesmo jornal) deixou-me com os cabelos em pé tal é o grau de ignorância científica (nível escola secundária) que Helena Matos evidencia. Não tenho o texto completo da Helena Matos, por isso corro algum risco de ser injusto, no entanto o parágrafo abaixo transcrito e as citações entre aspas são suficientes para perceber que a Helena Matos não domina nem de perto nem de longe uma das matérias essenciais do ensino secundário: o Método Científico. Eis o referido parágrafo:
Haverá alguma correspondência, como sugeriu ontem Helena Matos, entre os profetas religiosos que declaravam que as catástrofes naturais eram provocadas pelo pecado e aqueles que hoje identificam causas humanas nas alterações climáticas? Poderá considerar-se que a crença numa e na outra coisa é “uma atitude igualmente supersticiosa”? Será legítimo concluir que “onde uns colocavam a vontade de Deus coloca-se agora o equilíbrio da Terra”? Rui Tavares
Qualquer estudo científico moderno está sujeita aos critérios rigorosos e absolutamente cépticos do método científico. De uma forma simplificada podemos dividir o Método Científico em quatro passos:
1- Observação
2- Hipótese
3- Previsão
4- Experimentação
Só depois de um fenómeno ter sido estudado rigorosamente através deste método é que os cientistas produzem uma conclusão fundamentada, conclusão essa que tem sempre um determinado grau de certeza. No caso do aquecimento global, os 1000 melhores investigadores do mundo (de 130 países) em climatologia, depois de 6 anos de trabalho, determinaram um grau de certeza superior a 90% para a origem humana do fenómeno. Ora os profetas religiosos, a superstição, "a vontade de Deus" e o próprio raciocínio da Helena Matos não passam por este processo rigoroso de estudo e por isso mesmo não são ciência, são palpites muito pobrezinhos.
O problema é que a ignorância do que é o método científico tem sido recorrente entre os textos negacionistas do aquecimento global, não é só Helena Matos, são também as toneladas de textos do Blasfémias (todos sobre o criacionismo), do Insurgente, do Mitos Climáticos e do Luciano Amaral no DN a evidenciar o mesmo problema.
Não é por uma falha no programa das escolas secundárias que este flagelo intelectual grassa no país, lembro-me de ter dado o método científico em duas disciplinas: filosofia e física&química. A raiz do problema está na fraquíssima cultura científica do nosso país. Este défice científico da nossa sociedade impede que a maior parte dos cidadãos não perceba que saber o método científico é tão importante como saber a gramática ou história de Portugal.
Haverá alguma correspondência, como sugeriu ontem Helena Matos, entre os profetas religiosos que declaravam que as catástrofes naturais eram provocadas pelo pecado e aqueles que hoje identificam causas humanas nas alterações climáticas? Poderá considerar-se que a crença numa e na outra coisa é “uma atitude igualmente supersticiosa”? Será legítimo concluir que “onde uns colocavam a vontade de Deus coloca-se agora o equilíbrio da Terra”? Rui Tavares
Qualquer estudo científico moderno está sujeita aos critérios rigorosos e absolutamente cépticos do método científico. De uma forma simplificada podemos dividir o Método Científico em quatro passos:
1- Observação
2- Hipótese
3- Previsão
4- Experimentação
Só depois de um fenómeno ter sido estudado rigorosamente através deste método é que os cientistas produzem uma conclusão fundamentada, conclusão essa que tem sempre um determinado grau de certeza. No caso do aquecimento global, os 1000 melhores investigadores do mundo (de 130 países) em climatologia, depois de 6 anos de trabalho, determinaram um grau de certeza superior a 90% para a origem humana do fenómeno. Ora os profetas religiosos, a superstição, "a vontade de Deus" e o próprio raciocínio da Helena Matos não passam por este processo rigoroso de estudo e por isso mesmo não são ciência, são palpites muito pobrezinhos.
O problema é que a ignorância do que é o método científico tem sido recorrente entre os textos negacionistas do aquecimento global, não é só Helena Matos, são também as toneladas de textos do Blasfémias (todos sobre o criacionismo), do Insurgente, do Mitos Climáticos e do Luciano Amaral no DN a evidenciar o mesmo problema.
Não é por uma falha no programa das escolas secundárias que este flagelo intelectual grassa no país, lembro-me de ter dado o método científico em duas disciplinas: filosofia e física&química. A raiz do problema está na fraquíssima cultura científica do nosso país. Este défice científico da nossa sociedade impede que a maior parte dos cidadãos não perceba que saber o método científico é tão importante como saber a gramática ou história de Portugal.
sábado, março 10, 2007
20% de energias renováveis na UE até 2020
A decisão de ontem do Conselho Europeu em estabelecer uma meta de consumo de 20% de energias renováveis no horizonte de 2020 no espaço geográfico abrangido pela UE, é uma decisão histórica, que vai no sentido das boas políticas de combate ao aquecimento global, no entanto as respectivas negociações foram ensombradas por dois detalhes não desprezáveis. O primeiro foi a intransigência da França e de alguns países de leste onde o consumo de energia de origem nuclear é maioritário, em aceitar a meta de 20% como uma meta individual, para cada país. A decisão de 20% ficou assim estabelecida como uma média de consumo energético de toda a UE, quer isto dizer que alguns países vão fazer um esforço maior no sentido do consumo de energias renováveis para compensar a aposta nuclear da França e dos referidos países de leste. O segundo detalhe negativo, é a indiferença dos EUA em relação à decisão. Na minha opinião está na altura da UE interpelar seriamente os EUA sobre a essência da palavra aliado. Não se pode ter a pretensão de ser um aliado de armas e depois pela calada do fumos das chaminés contribuir para destruir o planeta, destruindo tudo a eito, aliados e inimigos, não faz sentido.
quinta-feira, março 08, 2007
Serviço público...
A RTP continua na sua senda de canal pimba, seguindo o estilo SIC/TVI. Hoje a soirée da RTP internacional é dedicada à Gala dos 103 anos do Benfica. No próximo dia 1 de Maio, espero que sejam coerentes e não se esqueçam de transmitir o Monumental Digestivo directamente do Café Nau que se segue à jantarada comemorativa dos 114 anos da Naval.
A RTP poderia até tornar-se um canal especializado em aniversários de clubes, ou mesmo em baptizados ou casamentos de dirigentes, de associados e de massagistas...
A RTP poderia até tornar-se um canal especializado em aniversários de clubes, ou mesmo em baptizados ou casamentos de dirigentes, de associados e de massagistas...
quarta-feira, março 07, 2007
terça-feira, março 06, 2007
Melhores momentos das presidenciais francesas
Sem dúvida, os melhores momentos destas presidenciais francesas são dois grandes momentos de participação cidadã:
- O Pacto Ecológico proposto por Nicolas Hulot aos candidatos presidenciais. Um pacto que compromete o futuro presidente francês a uma série de medidas para a protecção do ambiente.
- O Contrato Social e de Cidadania apresentado pelo colectivo AC Le Feu, constituído por jovens das cités fartos de carros queimados e de políticos autistas.
- O Pacto Ecológico proposto por Nicolas Hulot aos candidatos presidenciais. Um pacto que compromete o futuro presidente francês a uma série de medidas para a protecção do ambiente.
- O Contrato Social e de Cidadania apresentado pelo colectivo AC Le Feu, constituído por jovens das cités fartos de carros queimados e de políticos autistas.
sábado, março 03, 2007
Aquecimento Global Hoje
A ler o texto do David Luz na Linha dos Nodos sobre a importância do estudo dos polos no estudo do aquecimento global.
Ler este texto do Alexandre Andrade no Um Blog sobre Kleist relembrando a verdadeira natureza sobre o sítio Junk Science (já faltou menos para o Blasfémias promover a astrologia a ciência exacta), já aqui denunciado numa entrada anterior. E um grande parabéns para o Alexandre e para o seu excelente e delicioso blogue.
O Nuno Ferreira do Aba de Heisenberg tem esta entrada que ilustra com clareza o fundamento científico das opiniões dos negacionistas do aquecimento global.
Ler este texto do Alexandre Andrade no Um Blog sobre Kleist relembrando a verdadeira natureza sobre o sítio Junk Science (já faltou menos para o Blasfémias promover a astrologia a ciência exacta), já aqui denunciado numa entrada anterior. E um grande parabéns para o Alexandre e para o seu excelente e delicioso blogue.
O Nuno Ferreira do Aba de Heisenberg tem esta entrada que ilustra com clareza o fundamento científico das opiniões dos negacionistas do aquecimento global.
Aniversários
O Avesso do Avesso foi uma grande aquisição para a blogosfera nacional, está de parabéns o Filipe Moura.
Apesar de traulitada que chove às vezes daqui para lá e de lá para cá, os meus parabéns à malta do Blasfémias, sobretudo ao desportivismo de alguns dos seus escribas.
Apesar de traulitada que chove às vezes daqui para lá e de lá para cá, os meus parabéns à malta do Blasfémias, sobretudo ao desportivismo de alguns dos seus escribas.
sexta-feira, março 02, 2007
As Vidas dos Outros
"As Vidas dos Outros" é na minha opinião um dos melhores filmes de 2006. O grande interesse desta obra de Florian Henckel von Donnersmarck - Filme Europeu do Ano e Oscar para o Melhor Filme Estrangeiro - é o de mostrar até que ponto a polícia política da ex-RDA era capaz de corromper a alma dos cidadãos, mesmo dos que se esforçavam para não pactuar com o regime. O filme abre com um interrogatório a um preso político que evidencia dois aspectos tenebrosos. Primeiro, é difícil não associar o efeito produzido pela farda de Gerd Wiesler e o ambiente de interrogatório, às fardas e aos interrogatórios do período nazi. Para muitos Stasis o fim da Segunda Guerra Mundial constituiu apenas uma pequena mudança de adereço da farda, onde a suástica foi substituída pela foice e o martelo. Em segundo lugar, o interrogatório em si, acompanhado pela sua explicação académica apresentada numa sala de aula, mostra a verdadeira essência da perseguição política. Curiosamente, outro alemão, o padre jesuíta Friedrich von Spee já tinha escrito em 1631 a propósito da inquisição e da caça às bruxas, na obra Cautio Criminalis, algo que ilustra na perfeição a natureza destes interrogatórios:"[A acusada de bruxaria] ou levou uma vida de pecado e indigna, ou levou uma vida boa e respeitável. No primeiro caso, deve ser considerada culpada. Por outro lado, se levou uma vida boa, também deverá ser condenada, pois as bruxas são dissimuladas e tentam parecer particularmente virtuosas"
Preso por ter cão e por não ter, assim foram as perseguições políticas tanto na comunista RDA como no Portugal fascista de Salazar e Caetano. Aliás o filme mostra isso mesmo, mostra que os métodos das ditaduras comunistas eram muito parecidos com os das ditaduras fascistas.

A narrativa de "As Vidas dos Outros" segue o trabalho do stasi Gerd Wiesler (Ulrich Mühe) que tinha por missão escutar e investigar a vida privada de Dreyman, um intelectual objecto de suspeita do regime. Seguimos primeiro as suas certezas, depois as suas dúvidas, enquanto isso as vidas dos outros, de Dreyman e da sua companheira Christa-Maria (Martina Gedeck) vão-se degradando. O efeito corrosivo do regime é tal que atinge as mais sólidas relações amorosas.
Martina Gedeck tem neste filme mais uma das suas grandes interpretações do ano, depois de "Partículas Elementares". Aqui na Klepsýdra é já considerada uma das melhores actrizes deste nosso planeta azul.
quinta-feira, março 01, 2007
Leituras: Luísa Schmidt e Stephen Cohen
Muito bom o artigo "Alterações Cirúrgicas" de Luísa Schmidt publicado no Expresso desta semana na revista Única que denuncia as medidas de cosmética ambiental lançadas por Sócrates que muito pouco fazem por um real combate ao aquecimento global.
(voltei a pesar o Expresso e anotei um quilo e meio a menos que há 3 meses atrás)
Muito bom o artigo "A Nova Guerra Fria Americana" de Stephen Cohen no dossier da na Courrier International (CI) desta semana dedicado às relações Rússia-EUA (publicado no The Nation em Julho de 2006). Referindo-se às relações dos EUA com Rússia depois do fim da Guerra Fria, Stephen enuncia uma série de factos que parecem demonstrar que os EUA continuaram a avançar em direcção à Rússia mesmo depois da Guerra Fria ter findado.
Aqui fica a conclusão da versão curta publicada na CI:
"The extraordinarily anti-Russian nature of these policies casts serious doubt on two American official and media axioms: that the recent "chill" in US-Russian relations has been caused by Putin's behavior at home and abroad, and that the cold war ended fifteen years ago. The first axiom is false, the second only half true: The cold war ended in Moscow, but not in Washington, as is clear from a brief look back."
(voltei a pesar o Expresso e anotei um quilo e meio a menos que há 3 meses atrás)
Muito bom o artigo "A Nova Guerra Fria Americana" de Stephen Cohen no dossier da na Courrier International (CI) desta semana dedicado às relações Rússia-EUA (publicado no The Nation em Julho de 2006). Referindo-se às relações dos EUA com Rússia depois do fim da Guerra Fria, Stephen enuncia uma série de factos que parecem demonstrar que os EUA continuaram a avançar em direcção à Rússia mesmo depois da Guerra Fria ter findado.
Aqui fica a conclusão da versão curta publicada na CI:
"The extraordinarily anti-Russian nature of these policies casts serious doubt on two American official and media axioms: that the recent "chill" in US-Russian relations has been caused by Putin's behavior at home and abroad, and that the cold war ended fifteen years ago. The first axiom is false, the second only half true: The cold war ended in Moscow, but not in Washington, as is clear from a brief look back."
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
Choque de preconceitos
Caroline Fourest lança este "Choc de Prejugés" um livro que é apresentado (ver os 6 primeiros minutos deste clip) com um discurso que bate forte nas correntes políticas francesas que tentam tirar proveito próprio do mau estar gerado nas cités. Por um lado Fourest dirige-se à política securitária de Sarkozy, Le Pen e De Villiers, cada um apostando em diferentes variantes da política do bastão, e por outro Fourest não poupa a vitimização do integrismo velado representado por Tariq Ramadan, cujo comunitarismo isola ainda mais a própria comunidade e desencadeia acções comunitaristas igualmente integristas entre as restantes comunidades religiosas. Vai ser certamente uma das minhas próximas leituras, parece-me ser um livro que toca onde dói e uma das raras reflexões que decifra uma boa parte do problema das cités francesas. Aconselho vivamente este livro a todos aqueles que discutiram recentemente o problema do véu na blogosfera.terça-feira, fevereiro 27, 2007
Ano Internacional do Sol em Coimbra

As primeiras iniciativas realizadas no âmbito do Ano Internacional do Sol ocorrerão durante a IX Semanal Cultural da Universidade de Coimbra cujo lema será: "Estou vivo e escrevo Sol". Estão previstos um workshop, duas exposições, três palestras e actividades para alunos dos ensinos básico e secundário. Informações para a inscrição nos diferentes eventos podem ser encontradas aqui.
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Onde é que estão as televisões de esquerda?
Ler este certeiro texto do Paulo Querido sobre esse vício do cronista luso que consiste em afirmar que a comunicação social é dominada pela esquerda.
Onde é que estão as televisões de esquerda?
PS- Estou plenamente convencido que haveria espaço para um projecto televisivo em canal aberto com qualidade e com audiências razoáveis coordenado por gente de esquerda e pela nova direita intelectual. Desconfio que esta direita também não tem pachorra para o circo kitsch da TVI e da SIC generalista.
Onde é que estão as televisões de esquerda?
PS- Estou plenamente convencido que haveria espaço para um projecto televisivo em canal aberto com qualidade e com audiências razoáveis coordenado por gente de esquerda e pela nova direita intelectual. Desconfio que esta direita também não tem pachorra para o circo kitsch da TVI e da SIC generalista.
sábado, fevereiro 24, 2007
Sábado em Coimbra XXXIII: sombras de Pessoa
Nas ruas da baixa ainda há leitarias, tasquinhas, serve-se mau vinho,
por ali encalhados no tempo vagueiam muitos personagens singulares.
Chamo-lhes sombras de Pessoa, são alcoólicos da leitura, bêbados da retórica,
recriam a baixa de Lisboa do início do século XX, na Coimbra do século XXI.
Marxistas esclarecidos (dizem eles), DJs franco-atiradores, cyber-alfarrabistas,
"jovens" dos anos 80 encalhados entre o punk e o gótico, a fauna é variada.
Talvez avariada...
Parecem-me relíquias do Universo de Pessoa a cavalo em Gagarine e Carl Cox
Sábado em Coimbra XXXII
por ali encalhados no tempo vagueiam muitos personagens singulares.
Chamo-lhes sombras de Pessoa, são alcoólicos da leitura, bêbados da retórica,
recriam a baixa de Lisboa do início do século XX, na Coimbra do século XXI.
Marxistas esclarecidos (dizem eles), DJs franco-atiradores, cyber-alfarrabistas,
"jovens" dos anos 80 encalhados entre o punk e o gótico, a fauna é variada.
Talvez avariada...
Parecem-me relíquias do Universo de Pessoa a cavalo em Gagarine e Carl Cox
Sábado em Coimbra XXXII
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Klepsýdras de Ouro 2006
Melhor Filme

"Partículas Elementares" de Oskar Roehler.
Ler comentário na rubrica Klepcinema.
Melhor Actriz

Martina Gedeck pela sua interpretação nos filmes "Partículas Elementares" e "As Vidas dos Outros"
Melhor Actor

Denzel Washington pela interpretação no filme "Infiltrado".
Melhor Filme Fantástico
"Perfume" de Tom Tykwer
Melhor Filme Político
"As Vidas dos Outros" de Florian Henckel von Donnersmarck
Melhor Diálogo
O diálogo entre Keith Frazier (Denzel Washington) e um polícia branco no filme "Infiltrado" de Spike Lee. Frazier pergunta ao polícia se já foi alguma vez ferido em serviço e este responde-lhe que sim, por um indivíduo negro. Após algum mau estar entre os dois, Frazier insiste para que o polícia descreva como é que esse negro o feriu... A troca de palavras que se segue é Spike Lee puro.
Este é apenas um entre uma série de diálogos memoráveis que abundam neste filme.
Melhor Cena de Dança
A subversiva dança da Olive no concurso de Miss em "Little Miss Sunshine" de Jonathan Dayton e Valerie Faris. Ver aqui no You Tube.

"Partículas Elementares" de Oskar Roehler.
Ler comentário na rubrica Klepcinema.
Melhor Actriz

Martina Gedeck pela sua interpretação nos filmes "Partículas Elementares" e "As Vidas dos Outros"
Melhor Actor

Denzel Washington pela interpretação no filme "Infiltrado".
Melhor Filme Fantástico
"Perfume" de Tom Tykwer
Melhor Filme Político
"As Vidas dos Outros" de Florian Henckel von Donnersmarck
Melhor Diálogo
O diálogo entre Keith Frazier (Denzel Washington) e um polícia branco no filme "Infiltrado" de Spike Lee. Frazier pergunta ao polícia se já foi alguma vez ferido em serviço e este responde-lhe que sim, por um indivíduo negro. Após algum mau estar entre os dois, Frazier insiste para que o polícia descreva como é que esse negro o feriu... A troca de palavras que se segue é Spike Lee puro.
Este é apenas um entre uma série de diálogos memoráveis que abundam neste filme.
Melhor Cena de Dança
A subversiva dança da Olive no concurso de Miss em "Little Miss Sunshine" de Jonathan Dayton e Valerie Faris. Ver aqui no You Tube.
Klepsýdras de Ouro 2006 às 12:30
A terceira edição das Klepsýdras de Ouro que recompensam o cinema realizado no ano de 2006 terá lugar pelas 12:30. Podem começar a montar as tendas junto à passadeira de veludo azul, mas peço-vos pela Nossa Senhora de Fátima que não se empurrem, nem atirem papéis para o chão, senão tenho que soltar os pit bull.
Palmarés
Melhor Filme 2005:"L'Enfer" de Danis Tanovic
Melhor Filme 2004:"A Queda" de Oliver Hirschbiegel
Melhor Actriz 2005: Isabelle Carré pelo filme "Entre ses Mains"
e Cécile De France pelo filme "As Bonecas Russas"
Melhor Actor 2005: José Garcia pelos filmes "A Caixa Negra" e "Golpe a Golpe"
Melhor Ficção Científica 2005: "A Ilha" de Michael Bay
Melhor Filme Fantástico 2005: "A Caixa Negra" de Richard Berry
Melhor Diálogo 2005: "ENRON" de Alex Gibney
Melhor Cena de Dança 2005: "Entre ses Mains" de Anne Fontaine
Melhor Filme Político 2005: "ENRON: The Smartest Guys in the Room" de Alex Gibney
Palmarés
Melhor Filme 2005:"L'Enfer" de Danis Tanovic
Melhor Filme 2004:"A Queda" de Oliver Hirschbiegel
Melhor Actriz 2005: Isabelle Carré pelo filme "Entre ses Mains"
e Cécile De France pelo filme "As Bonecas Russas"
Melhor Actor 2005: José Garcia pelos filmes "A Caixa Negra" e "Golpe a Golpe"
Melhor Ficção Científica 2005: "A Ilha" de Michael Bay
Melhor Filme Fantástico 2005: "A Caixa Negra" de Richard Berry
Melhor Diálogo 2005: "ENRON" de Alex Gibney
Melhor Cena de Dança 2005: "Entre ses Mains" de Anne Fontaine
Melhor Filme Político 2005: "ENRON: The Smartest Guys in the Room" de Alex Gibney
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Conversa Aquecimento Global em Coimbra
Para os interessados, hoje no café Santa Cruz em Coimbra pelas 21:30, haverá uma conversa sobre aquecimento global onde estarei presente na mesa acompanhado do João Gabriel da Quercus e da deputada Alda Macedo.
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Amen ou o valor da vida
O filme "Amen" de Costa-Gavras fala muito sobre o valor da vida na óptica do Vaticano. As vidas de que se fala em "Amen" não são espermatozóides, fetos ou embriões, são as vidas de adultos e crianças, na sua grande maioria judeus, mas também ciganos, homossexuais e outras minorias que encontraram a morte nos campos de extermínio do regime nazi. A obra de Gavras ilustra muito bem o papel dúbio do Vaticano durante a Segunda Guerra Mundial, sobretudo a tolerância perante os excessos nazis, é que apesar de tudo para a Igreja os nazis combatiam os comunistas."Amen" conta o combate intransigente do padre Riccardo Fontana - interpretado muito bem por Mathieu Kassovitz - pelos valores autênticos do cristianismo contra a hipocrisia do Vaticano que se manteve indiferente às informações crescentes da realidade dos campos de concentração nazis. Fontana consegue o apoio de Kurt Gerstein, um graduado alemão que vive atormentado com os crimes praticados nos campos de concentração, mas a luta de ambos será sabotada pela política do Papa Pio XII. Maior ajuda obterão numerosos nazis que conseguem escapar ao fim da guerra fugindo para a América do Sul através de uma preciosa colaboração do Vaticano.
Fim das lâmpadas incandescentes na Austrália
Via Aba de Heisenberg, a notícia da interdição de lâmpadas incandescentes na Austrália. Um passo corajoso e útil para poupar energia que poderia ser seguido por cá.
domingo, fevereiro 18, 2007
...Then it's the Bomb that will bring us together
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, que surgiram no meio militar dos EUA tendências securitárias esquizofrénicas que cedo geraram a oposição do meio científico ao mais alto nível, onde figuras como Einstein ou Oppenheimmer - o director do Projecto Manhattan - tiveram um papel importante para a alertar para o perigo que representava o desenvolvimento de armas nucleares cada vez mais potentes. Para cada alerta da comunidade científica havia sempre uma teoria justificativa militar para que a próxima arma mais potente fosse a solução de todos os problemas. O resultado desta política é o que se sabe, a URSS ficou com o record da arma mais potente jamais construída (a Tsar Bomba com 50 Mt de potência), e mesmo depois dos EUA terem ganho a Guerra Fria, os seus actuais governantes não se sentem seguros, ao ponto de continuarem a propor projectos "defensivos" megalómanos, como a defesa antimísseis que pretendem agora instalar na Europa de Leste.
Um dos grandes responsáveis pelas teorias justificativas securitárias - que no fundo são muito semelhantes à teoria de que estamos mais seguros se fizermos a Guerra contra o Terrorismo - é Edward Teller, mais conhecido no meio científico como o Dr. Estranho Amor. Teller possui um reportório para a utilização de explosões nucleares para fins "pacíficos" que faria furor em pleno Inferno de Dante: para abrir canais, construir portos, arrasar montanhas, produzir energia, para estudar a composição química da Lua e provar a teoria da relatividade de Einstein fazendo explodir uma bomba na face mais afastada do Sol. Teller defendeu sempre que as bombas nucleares promoviam a paz e opôs-se ao tratado de supressão de testes nucleares de superfície. Para quem não sabe, os testes nucleares de superfície são a maior tragédia da era nuclear após Hiroshima, tendo morrido cerca de 170 mil pessoas como consequência dos produtos de fissão altamente radioactivos espalhados na atmosfera aquando de cada ensaio.
No blogue Cinco Dias, a Joana Amaral Dias chamou muito bem a atenção para mais uma dessas teorias justificativas esquizofrénicas da autoria de John Bolton, segundo o qual correu mal a negociação que levou ao fecho do seu principal reactor nuclear da Coreia do Norte porque passou a mensagem de que "portar mal compensa". Isto é discurso Dr. Estranho Amor puro e duro. E o problema é que o mundo tem vindo a ser dominado pelo espírito Dr. Estranho Amor em grande medida através dessa brilhante ideia da Guerra contra o Terrorismo. A contabilização dos mortos já vai bem longa sem que se vejam indícios de acalmia do terrorismo islâmico. O recente alerta dos físicos nucleares para o grande aumento de probabilidade de autodestruição da humanidade é para ser bem levado a sério e se não for a via diplomática que resultou com a Líbia e com a Coreia do Norte, corremos o risco de proporcionar um futuro cataclísmico às próximas gerações que faria bem as delícias do Dr. Estranho Amor.
Um dos grandes responsáveis pelas teorias justificativas securitárias - que no fundo são muito semelhantes à teoria de que estamos mais seguros se fizermos a Guerra contra o Terrorismo - é Edward Teller, mais conhecido no meio científico como o Dr. Estranho Amor. Teller possui um reportório para a utilização de explosões nucleares para fins "pacíficos" que faria furor em pleno Inferno de Dante: para abrir canais, construir portos, arrasar montanhas, produzir energia, para estudar a composição química da Lua e provar a teoria da relatividade de Einstein fazendo explodir uma bomba na face mais afastada do Sol. Teller defendeu sempre que as bombas nucleares promoviam a paz e opôs-se ao tratado de supressão de testes nucleares de superfície. Para quem não sabe, os testes nucleares de superfície são a maior tragédia da era nuclear após Hiroshima, tendo morrido cerca de 170 mil pessoas como consequência dos produtos de fissão altamente radioactivos espalhados na atmosfera aquando de cada ensaio.
No blogue Cinco Dias, a Joana Amaral Dias chamou muito bem a atenção para mais uma dessas teorias justificativas esquizofrénicas da autoria de John Bolton, segundo o qual correu mal a negociação que levou ao fecho do seu principal reactor nuclear da Coreia do Norte porque passou a mensagem de que "portar mal compensa". Isto é discurso Dr. Estranho Amor puro e duro. E o problema é que o mundo tem vindo a ser dominado pelo espírito Dr. Estranho Amor em grande medida através dessa brilhante ideia da Guerra contra o Terrorismo. A contabilização dos mortos já vai bem longa sem que se vejam indícios de acalmia do terrorismo islâmico. O recente alerta dos físicos nucleares para o grande aumento de probabilidade de autodestruição da humanidade é para ser bem levado a sério e se não for a via diplomática que resultou com a Líbia e com a Coreia do Norte, corremos o risco de proporcionar um futuro cataclísmico às próximas gerações que faria bem as delícias do Dr. Estranho Amor.
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
A importância que se dá à ciência
A Suiça e a Noruega são dois países de média dimensão europeia, como Portugal, mas são muito mais ricos do que nós. Os Noruegueses e os Suíços também gostam de futebol, como os Portugueses. Os Suíços até vão organizar o próximo Europeu da especialidade, em conjunto com a Áustria. Os Noruegueses adoram desporto, não apenas futebol, e praticam-no, são uma nação de desportistas. Os Noruegueses e os Suíços também vêem telenovelas e programas de variedades da vida real, mas vêem muito menos do que os Portugueses, tal como vêem muito menos futebol do que os Portugueses. Mas, os Noruegueses e os Suíços dão muito mais importância à cultura e à ciência do que os Portugueses. Talvez isso contribua muito para que sejam mais ricos (ignorando o petróleo norueguês do Mar do Norte). Durante a semana que passei no Acelerador Europeu de Radiação de Sincrotrão, constatei que uma das 40 linhas de saída do feixe gerado no Sincrotrão é propriedade conjunta da Noruega e da Suiça, para utilização exclusiva dos investigadores destes países. Também gostava de ter um país assim...Berlinale
Seguir os interessantes comentários do José Mário Silva em directo da Berlinale no blogue A Invenção de Morel.
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
História de O em dia de São Valentim
Dominique Aury amava Jean Paulhan, mas Paulhan era um típico coureur de jupons, como dizem os franceses, um homem que fazia da infidelidade amorosa a regra e não a excepção. Determinada a cativá-lo definitivamente, Dominique escreve em apenas algumas noites a "História de O" e oferece-a a Jean Paulhan. Este livro que é uma das maiores declarações públicas de amor foi publicado em 1954 sobre o pseudónimo de Pauline Réage. Inicialmente, pensava-se que a "História de O" fosse obra de um homem. À luz do pudor da época era impensável que uma mulher fosse capaz de tais escritos. Só em 1994, Dominique Aury admite a autoria da obra numa entrevista à revista New Yorker.Quando derem por vós num espaço comercial, em plena fúria consumista de São Valentim, lembrem-se de Dominique Aury. Basta um papel, um lápis e algumas palavras para se atingir o objectivo.
Relacionados:
"Dominique Aury, biographie", Angie David, Editions Léo Scheer, 2006.
"Autour de Dominique Aury", canal ARTE, Abril de 2006.
"Histoire d'O" (banda desenhada), Guido Crepax, Franco Maria Ricci Editore, 1975.
terça-feira, fevereiro 13, 2007
Roleta Russa vs Aquecimento Global
Imagine que está no Texas com o Luciano Amaral, o João Miranda, o Rui Moura e George W. Bush. Estes convidam-no para uma salutar sessão de roleta russa. Como é o convidado especial dão-lhe a honra de abrir o jogo e passam-lhe para as mãos uma pistola carregada com cinco balas e uma câmara vazia. A probabilidade de espalhar parte da sua massa cerebral pelas paredes após um disparo é de 83,3%.
A probabilidade que o aquecimento global seja provocado pelo homem é superior a 90%.
Aceitaria jogar com os referidos convivas?
Ler também "Sem surpresas" na Linha dos Nodos.
A probabilidade que o aquecimento global seja provocado pelo homem é superior a 90%.
Aceitaria jogar com os referidos convivas?
Ler também "Sem surpresas" na Linha dos Nodos.
Passar a pressão para a Polónia e Irlanda
Ler esta acertada entrada do António Figueira no blogue Cinco Dias sobre o aborto na Polónia e na Irlanda.
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Grandes verdades
de José Medeiros Ferreira:
"em Portugal a direita política é incapaz de resolver qualquer assunto que requeira um pouco de nervo. Não democratizaram, não descolonizaram",
não despenalizaram o aborto e desconfio que também não vão descentralizar o país, acrescento eu.
"em Portugal a direita política é incapaz de resolver qualquer assunto que requeira um pouco de nervo. Não democratizaram, não descolonizaram",
não despenalizaram o aborto e desconfio que também não vão descentralizar o país, acrescento eu.
Não deixar arrastar a IVG e apoiar já quem precisa
O que interessa agora é que a IVG possa começar a ser aplicada com a maior rapidez possível. Existem mulheres em situação difícil que nas próximas semanas vão precisar de ajuda, mesmo que a IVG ainda não possa ser realizada em certas regiões do país seria importantíssimo dar já apoio através de consultas especializadas a quem se encontra nessa situação, até porque uma boa parte dos casos se resolve com recurso a uma simples pílula abortiva.
Do que conheço deste país, não me admiraria nada que por uma picuinhice administrativa (ou política) qualquer a aplicação da IVG se arrastasse por mais de um ano.
Do que conheço deste país, não me admiraria nada que por uma picuinhice administrativa (ou política) qualquer a aplicação da IVG se arrastasse por mais de um ano.
domingo, fevereiro 11, 2007
Simular estrelas e galáxias para as poder ver melhor
Na minha última crónica "3,2,1...Descolagem!" para o Portal do Astrónomo descrevo o trabalho realizado durante a semana que passei no Acelerador Europeu de Radiação de Sincrotrão em Grenoble.
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Importante é a mobilização dos votantes SIM
O mais importante para o SIM será conseguir mobilizar os seus potenciais votantes e não repetir o erro do referendo de 1998. O debate foi bem esclarecedor, convém não deixar mais vez o destino das mulheres entregues à bicharada e passarmos a outra fase do nosso desenvolvimento.
Reportagem sobre aborto na ARTE
Os europeus que viram a pequena reportagem emitida pelo canal ARTE sobre o referendo ao Aborto, devem ter ficado estupefactos com as declarações do Bastonário da Ordem dos Médicos declarando-se de uma forma quase militante (e primária também) a favor do NÃO. Pergunto-me se um representante máximo de uma Ordem deve fazer declarações deste teor como Bastonário. Quando fiz parte da direcção da Sociedade Portuguesa de Astronomia (SPA) tínhamos o cuidado de catalogar bem as declarações de teor político como declarações individuais que não representavam a opinião da SPA. Será a opinião do Bastonário igual à opinião dos médicos? Parece-me que não. Será que este país anda a dormir? Tudo se faz com a maior das latas.
Reportagem sobre aborto na ARTE
Os europeus que viram a pequena reportagem emitida pelo canal ARTE sobre o referendo ao Aborto, devem ter ficado estupefactos com as declarações do Bastonário da Ordem dos Médicos declarando-se de uma forma quase militante (e primária também) a favor do NÃO. Pergunto-me se um representante máximo de uma Ordem deve fazer declarações deste teor como Bastonário. Quando fiz parte da direcção da Sociedade Portuguesa de Astronomia (SPA) tínhamos o cuidado de catalogar bem as declarações de teor político como declarações individuais que não representavam a opinião da SPA. Será a opinião do Bastonário igual à opinião dos médicos? Parece-me que não. Será que este país anda a dormir? Tudo se faz com a maior das latas.
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Depuis qu'Otar est parti
"Depuis qu'Otar est parti" é uma obra-prima da realizadora francesa Julie Bertucceli que venceu o César para a Primeira Obra e o Grande Prémio da Crítica em Cannes em 2003, entre muitos outros prémios. Este filme narra a história de três mulheres geórgias que representam cada uma, a sua geração. Eka é uma avozinha marxista e saudosista. Marina é uma mulher criada no comunismo soviético que se sente perdida no capitalismo desregulado da nova Geórgia independente. Ada, a sua filha, faz parte da geração que não conheceu o comunismo, repelindo os vestígios do passado como se de peste se tratasse. Otar, irmão de Marina, é emigrante em Paris. Um dia as suas cartas deixam de chegar. Otar morre e Marina pede a Ada para esconder a notícia a Eka..."Depuis qu'Otar est parti" pode ser visto como uma deliciosa parábola sobre orfandade da sociedade geórgia do paternalismo comunista, com um final particularmente delicioso e inteligente, onde a esperança rima com risco, mas Ada é jovem e está disposta a assumir riscos por conta própria.
Fous ta cagoule
"eu próprio trabalho um pouco com estatísticas e previsões, conhecendo portanto a falibilidade do método. A boa previsão científica é aquela que se faz de forma cautelosa, rodeada de qualificações. Por isso me custa ouvir tantas sentenças definitivas a partir de instrumentos tão falíveis." Luciano Amaral no DN.
Lendo o artigo desta semana do Luciano Amaral fica a sensação de que ele não percebe alguns dos conceitos básicos que envolvem o estudo do aquecimento global. O Luciano "trabalha um pouco com estatísticas", os cientistas do IPCC trabalham a fundo em estatística, e durante os últimos seis anos trabalharam só em estatística climática. Todas as idades do gelo e variações significativas foram estudadas até ao horizonte de 400 mil anos atrás, inclusivamente a pequena idade do gelo do sec. XVI que pelos vistos só agora o Luciano descobriu. E baseados nesses estudos que cobrem um período nunca antes estudado concluíram com 90% de certeza que o aquecimento global é provocado pelo homem. A afirmação "90% de certeza" é em si uma afirmação cautelosa (a maior parte das vezes dizemos que temos a certeza absoluta quando temos apenas 70 ou 80 % de certeza) e de modo nenhum uma "sentença definitiva", sentença definitiva seria dizer 100% de certeza. Só uma amarga sensação de derrota ideológica que o Luciano deve estar a sentir explica este erro grosseiro (será erro?). No fundo, no fundo, o artigo do Luciano trata é de ideologia, a sua ideologia é ameaçada pela política necessária para combater o aquecimento global. O liberalismo selvagem baseado na produção ilimitada de bens tem os seus dias contados, o Estado vai ter que intervir onde as empresas falharam. Ironicamente, as experiências marxistas, o alvo do artigo do Luciano, no que toca à produtividade desmesurada e à poluição produziram resultados muito semelhantes ao liberalismo económico selvagem. Quem conhece bem os EUA e a Europa de Leste sabe que existem zonas industriais americanas que parecem tiradas a papel químico de zonas industriais dos ex-regimes comunistas. Ambas reflectem o mesmo problema: a demissão completa do Estado na regulação da poluição industrial. Na URSS isso acontecia porque o Estado não exigia responsabilidades aos seus funcionários, nos EUA o mesmo acontece porque o Estado não exige responsabilidades às empresas privadas.
Lendo o artigo desta semana do Luciano Amaral fica a sensação de que ele não percebe alguns dos conceitos básicos que envolvem o estudo do aquecimento global. O Luciano "trabalha um pouco com estatísticas", os cientistas do IPCC trabalham a fundo em estatística, e durante os últimos seis anos trabalharam só em estatística climática. Todas as idades do gelo e variações significativas foram estudadas até ao horizonte de 400 mil anos atrás, inclusivamente a pequena idade do gelo do sec. XVI que pelos vistos só agora o Luciano descobriu. E baseados nesses estudos que cobrem um período nunca antes estudado concluíram com 90% de certeza que o aquecimento global é provocado pelo homem. A afirmação "90% de certeza" é em si uma afirmação cautelosa (a maior parte das vezes dizemos que temos a certeza absoluta quando temos apenas 70 ou 80 % de certeza) e de modo nenhum uma "sentença definitiva", sentença definitiva seria dizer 100% de certeza. Só uma amarga sensação de derrota ideológica que o Luciano deve estar a sentir explica este erro grosseiro (será erro?). No fundo, no fundo, o artigo do Luciano trata é de ideologia, a sua ideologia é ameaçada pela política necessária para combater o aquecimento global. O liberalismo selvagem baseado na produção ilimitada de bens tem os seus dias contados, o Estado vai ter que intervir onde as empresas falharam. Ironicamente, as experiências marxistas, o alvo do artigo do Luciano, no que toca à produtividade desmesurada e à poluição produziram resultados muito semelhantes ao liberalismo económico selvagem. Quem conhece bem os EUA e a Europa de Leste sabe que existem zonas industriais americanas que parecem tiradas a papel químico de zonas industriais dos ex-regimes comunistas. Ambas reflectem o mesmo problema: a demissão completa do Estado na regulação da poluição industrial. Na URSS isso acontecia porque o Estado não exigia responsabilidades aos seus funcionários, nos EUA o mesmo acontece porque o Estado não exige responsabilidades às empresas privadas.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Aborto no canal ARTE
Hoje às 20:35, no programa Zoom Europa do canal ARTE, será transmitida uma reportagem sobre os movimentos anti-aborto em Portugal. O fundamentalismo católico luso não deixa indiferente resto da Europa.
terça-feira, fevereiro 06, 2007
SIM, por vergonha
No primeiro referendo à Despenalização do Aborto votei SIM por razões científicas e por achar que o Estado deve respeitar as convicções espirituais e éticas de cada um. Mas desta vez, voto SIM por vergonha.
Estava fora do país quando ocorreu o primeiro julgamento de mulheres em Portugal. Lembro-me como se fosse hoje das imagens divulgadas pela Euronews, os rostos dos meus colegas estrangeiros reflectiam uma estupefacção silenciosa. Vivi aquele momento como se tivesse vários autocolantes colados na testa: selvagem, troglodita, macho de pacotilha, etc. Alguns colegas tentaram reconfortar-me dizendo que cada país tem os seus podres e que as coisas iriam mudar, mas um colega escocês, muito franco, disse-me: "é a vossa vertente terceiro-mundista...".
Em conversas que tive sobretudo com mulheres de outros países, sempre que referia que em Portugal o aborto era crime até às 10 primeiras semanas, gerava-se um silêncio glacial, a simpatia que o nosso país desperta ao estrangeiro que não nos conhece bem desvanecia-se naquele momento. Portugal já um país que tem fama de ser desorganizado, raramente pontual e pouco credível, o circo da condenação das mulheres que abortam é mais uma camada de terceiro-mundismo que se junta às outras. Os engraçadinhos que andaram a invocar razões económicas para votar NÃO deveriam equacionar nas suas contas não só os custos dos tribunais que julgam mulheres mas também todos os empresários que não escolhem Portugal para investir pela nossa imagem retrógada (não são poucos), em que a condenação de mulheres que abortam só funciona para nos enterrar ainda mais.
Por estas razões tenho tido muito pouca paciência discutir o aborto com o lado do NÃO, desta vez defendido por alguns dos sectores mais fanáticos da sociedade portuguesa. Quando nos apercebemos que um dos grandes arautos do NÃO é João César das Neves, um cristão que tem uma tribuna num jornal intitulada "não há almoços grátis", percebe-se que estamos a discutir ao nível da anedota.
Estava fora do país quando ocorreu o primeiro julgamento de mulheres em Portugal. Lembro-me como se fosse hoje das imagens divulgadas pela Euronews, os rostos dos meus colegas estrangeiros reflectiam uma estupefacção silenciosa. Vivi aquele momento como se tivesse vários autocolantes colados na testa: selvagem, troglodita, macho de pacotilha, etc. Alguns colegas tentaram reconfortar-me dizendo que cada país tem os seus podres e que as coisas iriam mudar, mas um colega escocês, muito franco, disse-me: "é a vossa vertente terceiro-mundista...".
Em conversas que tive sobretudo com mulheres de outros países, sempre que referia que em Portugal o aborto era crime até às 10 primeiras semanas, gerava-se um silêncio glacial, a simpatia que o nosso país desperta ao estrangeiro que não nos conhece bem desvanecia-se naquele momento. Portugal já um país que tem fama de ser desorganizado, raramente pontual e pouco credível, o circo da condenação das mulheres que abortam é mais uma camada de terceiro-mundismo que se junta às outras. Os engraçadinhos que andaram a invocar razões económicas para votar NÃO deveriam equacionar nas suas contas não só os custos dos tribunais que julgam mulheres mas também todos os empresários que não escolhem Portugal para investir pela nossa imagem retrógada (não são poucos), em que a condenação de mulheres que abortam só funciona para nos enterrar ainda mais.
Por estas razões tenho tido muito pouca paciência discutir o aborto com o lado do NÃO, desta vez defendido por alguns dos sectores mais fanáticos da sociedade portuguesa. Quando nos apercebemos que um dos grandes arautos do NÃO é João César das Neves, um cristão que tem uma tribuna num jornal intitulada "não há almoços grátis", percebe-se que estamos a discutir ao nível da anedota.
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Prazeres científicos
Aquela "cruzinha" mais acima, amarela e branca, é o prazer científico da semana passada no Acelerador Europeu de Sincrotrão. Quando se perde o tino aos dias e às noites, estas coisas recompensam o espírito e fazem esquecer a decrepitude do corpo.
sábado, fevereiro 03, 2007
Como funciona um acelerador de sincrotrão?
Aqui uma animação para leigos.
A radiação gama emitida por aqueles electrõezinhos é conduzida até às linhas de serviço (beamlines) onde instalámos amostras dos elementos principais do telescópio espacial de raios gama que estamos a desenvolver.
A radiação gama emitida por aqueles electrõezinhos é conduzida até às linhas de serviço (beamlines) onde instalámos amostras dos elementos principais do telescópio espacial de raios gama que estamos a desenvolver.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Ponto da situação sobre Aquecimento Global
O relatório que será divulgado daqui a algumas horas pelo Painel Governamental Internacional para as Alterações Climáticas foi revisto por cerca de 2500 cientistas especialistas em climatologia e teve a contribuição escrita de mais de 1000 investigadores de 130 países. O relatório que será dividido em 4 volumes representa mais de 6 anos de trabalho. Durante todo este tempo, os investigadores envolvidos neste extenso trabalho científico levantaram-se todos os dias para ir trabalhar em assuntos complicados - em frequentes casos bem mais do que as 8 horas diárias - publicando e confrontando continuadamente as suas teorias e os seus resultados científicos com os seus pares espalhados pelo mundo. Porque é que estes investigadores continuam a ser alvo de ataques idiotas da parte de grupos de charlatães organizados, alguns bem pagos, que não investigam e que não sabem o que é a ciência? Nos dias que correm a resposta reside no fanatismo político, há uma ideologia que não está nada contente com isto, há muita coisa que cai por terra e eles sabem bem que assim é.
Um momento de humor às 5 da matina
Adoro as calinadas negacionistas do Insurgente. Esta é fabulosa:
Título irónico: "O aquecimento global não perdoa"
Entrada: "Caiu neve em Lisboa"
Conclusão: Lisboa=global, logo local=global.
O link para o Portugal Diário parece-me que ajuda a reforçar ideia.
Título irónico: "O aquecimento global não perdoa"
Entrada: "Caiu neve em Lisboa"
Conclusão: Lisboa=global, logo local=global.
O link para o Portugal Diário parece-me que ajuda a reforçar ideia.
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Turno das 0 às 8
Uma maçã bem roída no fresquinho da noite de Grenoble sob o luar reflectido pelas montanhas sem neve. Observo três ou quatro coelhos que fazem sprints na relva à volta do acelerador de partículas, coelhos acelerados portanto, e eis que inicio o turno da meia-noite às 8. No cardápio que me espera constam: cálculos, parafusos, radiação e discussão, sob o síndroma da falta de sono.
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