"Nos fins dos anos 80 conheci vários iraquianos exilados (fugidos de Sadam). Pelo que me contaram a sociedade iraquiana da época era bastante tolerante. As mulheres exerciam profissões idênticas aos homens (na minha universidade havia uma iraquiana a tirar engenharia civil), vestiam-se sem véu, havia tolerância religiosa para com outros credos."
Eva Lima
"É um facto que o Hamas é uma organização político-religiosa com bases na intolerância e no pior lado do Corão.
Mas as democracias ocidentais preferiram essa gente macabra do que apoiar e ajudar a solidificar a OLP de Arafat, que como se sabe era muito mais moderada em vários aspectos..."
Manuel
"e pensar que o Iraque de Saddam até era uma das sociedades mais laicas e onde as mulheres mais direitos tinham... havia muita perseguição política e os massacres eram coisa corrente, mas neste domínio houve um claro e intenso retrocesso."
Rui Martins
terça-feira, novembro 14, 2006
segunda-feira, novembro 13, 2006
Raios Cósmicos e aquecimento global
No CERN tem vindo ser preparada uma experiência apelidada CLOUD (Cosmics Leaving OUtdoor Droplets) que visa o estudo da contribuição dos raios cósmicos para o aquecimento global. Os raios cósmicos ao atravessarem a atmosfera terrestre aceleram a produção de aerosóis e de agregados de moléculas que posteriormente poderão formar nuvens de baixa altitude cujas gotículas podem reflectir parte significativa da luz solar.
Urs Neu do Swiss Forum for Climate and Global Change alerta para as confusões que este estudo pode originar, sobretudo entre aqueles que tentam desesperadamente negar o aquecimento global:
"The cosmic ray theory has been used by people who want to deny human influence on global warming. (...) If there really is an effect then it would simply be part of the climate change cocktail (...) What we want to understand is if, and by how much, this natural phenomenon contributes to the climate mix. We need to understand how clouds are affected to reduce the uncertainties from climate predictions."
Urs Neu do Swiss Forum for Climate and Global Change alerta para as confusões que este estudo pode originar, sobretudo entre aqueles que tentam desesperadamente negar o aquecimento global:
"The cosmic ray theory has been used by people who want to deny human influence on global warming. (...) If there really is an effect then it would simply be part of the climate change cocktail (...) What we want to understand is if, and by how much, this natural phenomenon contributes to the climate mix. We need to understand how clouds are affected to reduce the uncertainties from climate predictions."
sexta-feira, novembro 10, 2006
Iraque: regresso da segregação das mulheres
No capítulo Women's Rights da entrevista da Joana Amaral Dias à iraquiana Mahmud Houzan, directora da Women´s Freedom in Iraq, Houzan faz um resumo deprimente e esclarecedor do recuo que sofreram os direitos das mulheres, desde que os EUA ocupam o país. É um depoimento que confirma muito daquilo que foi escrito por Ali Ajjam na Courrier International (edição nº795 26/1 a 1/2/2006 extraído do jornal Al-Hayat), num artigo intitulado "L'imam a remplacé Saddam" sobre a deriva islamista que flagela o país. Ali denuncia as pressões a que estão sujeitas as mulheres dentro das empresas: "on leur a conseillé avec insistance d'adopter le voile". No mesmo artigo Ali cita um académico, Amer Fayad: "la soumission aux hommes de religion a pris la relève de la soumission aux militaires de Saddam". Na cidade de Kout, a 180 km de Bagdad, foram criados tribunais religiosos que primam sobre o direito do estado, cujas principais vítimas são as mulheres. Bassorah, a segunda cidade mais importante do Iraque, é controlada por grupos armados religiosos. Podemos ler no mesmo artigo: "ces forces contrôllent totalement la ville, disposent à leur guise du budget de l'Etat, imposent leur volonté à la societé grâce à leurs milices. Tout cela anéanti la vie culturelle, et les habitants n'ont plus rien d'autre à faire que se morfondre dans une longue et triste suite de regrets".
Foi também esta "democracia" que a Administração Bush ajudou a nascer no Iraque. Todos os irredutíveis apoiantes da Administração Bush que cantaram hinos a um Iraque no bom caminho deveriam fazer uma reflexão séria sobre o que escreveram.
Também à esquerda estes testemunhos deveriam desencadear uma reflexão séria entre todos aqueles que consideram revolucionária a luta dos fascistas do Hamas, do Hezbollah e da Irmandade Muçulmana cuja atitude em relação às mulheres não é muito diferente da descrita. Expliquem-me o que há de revolucionário em humilhar e segregar as mulheres? No fundo o Hamas e afins têm uma visão sobre as mulheres e a família muito parecida com a dos judeus ultra-ortodoxos, a luta para proibir o desfile gay marcado para hoje em Jerusalém é disso um exemplo.
Foi também esta "democracia" que a Administração Bush ajudou a nascer no Iraque. Todos os irredutíveis apoiantes da Administração Bush que cantaram hinos a um Iraque no bom caminho deveriam fazer uma reflexão séria sobre o que escreveram.
Também à esquerda estes testemunhos deveriam desencadear uma reflexão séria entre todos aqueles que consideram revolucionária a luta dos fascistas do Hamas, do Hezbollah e da Irmandade Muçulmana cuja atitude em relação às mulheres não é muito diferente da descrita. Expliquem-me o que há de revolucionário em humilhar e segregar as mulheres? No fundo o Hamas e afins têm uma visão sobre as mulheres e a família muito parecida com a dos judeus ultra-ortodoxos, a luta para proibir o desfile gay marcado para hoje em Jerusalém é disso um exemplo.
quinta-feira, novembro 09, 2006
Mais uma missa de V.G. Moura sobre o fim do mundo
Ler o octogésimo nono artigo de Vasco Graça Moura em que faz um paralelo entre a eclosão da II Guerra Mundial e a guerra ao terrorismo.
Estamos todos convencidos, antes de começar a II Guerra Mundial a Europa era só pacifistas! Os nacionalismos exacerbados tanto de esquerda como de direita não existiam. Nos anos 30 era só lenços brancos, pombas e ramos de oliveira! As brigadas internacionais que foram combater para Espanha um dos primeiros bastiões do fascismo, onde os alemães testaram as suas armas, nunca existiram. Malraux, brigadistas, socialistas, trabalhistas, etc., nunca estiveram em Espanha, devem ter ficado em casa a estudar a passagem da vida de Cristo onde este oferece a outra face.
Todos sabemos que a ocupação do território alemão, na região do Sarr, depois da I Guerra Mundial não contou nada para a ascensão de Hitler. A culpa é da diplomacia, obviamente.
Depois, já se sabe, "os países membros da União Europeia querem construí-la a despeito de não conseguirem dotá-la de qualquer capacidade militar", denuncia V.G. Moura. Número de armas nucleares europeias: Reino Unido cerca de 350; França cerca de 200 (números de 2002). Portanto, 550 armas nucleares é zero de capacidade nuclear... Os Scud de Saddam, aquilo é que era material perigosíssimo! Armas nucleares é para frouxos europeus, aliás as armas nucleares são tão fraquinhas que o valente V.G. Moura até as usa para acender a lareira lá em casa!
V.G. Moura continua para bingo: "Falar nisso assusta os cidadãos e, sobretudo, uma juventude que cresceu embrulhada em algodão-em-rama e vota a partir dos 18 anos".
Esta é para mim.
Não me recordo se os cobertores da casa da minha avó eram de algodão-em-rama. O que me recordo é que nem o meu pai, nem a minha família, nem os amigos do meu pai eram ricos, também não tínhamos amigos médicos que lhe passassem um atestado a dizer que tinham bicos de papagaio nos pés. O meu pai decidiu não fugir para o Luxemburgo, ao contrário do que fizeram grande parte dos seus amigos. Deram-lhe uma G3 e um bilhete para Angola. Este foi o "algodão-em-rama" que esperava muitos milhares da minha geração assim que viemos ao mundo...
Estamos todos convencidos, antes de começar a II Guerra Mundial a Europa era só pacifistas! Os nacionalismos exacerbados tanto de esquerda como de direita não existiam. Nos anos 30 era só lenços brancos, pombas e ramos de oliveira! As brigadas internacionais que foram combater para Espanha um dos primeiros bastiões do fascismo, onde os alemães testaram as suas armas, nunca existiram. Malraux, brigadistas, socialistas, trabalhistas, etc., nunca estiveram em Espanha, devem ter ficado em casa a estudar a passagem da vida de Cristo onde este oferece a outra face.
Todos sabemos que a ocupação do território alemão, na região do Sarr, depois da I Guerra Mundial não contou nada para a ascensão de Hitler. A culpa é da diplomacia, obviamente.
Depois, já se sabe, "os países membros da União Europeia querem construí-la a despeito de não conseguirem dotá-la de qualquer capacidade militar", denuncia V.G. Moura. Número de armas nucleares europeias: Reino Unido cerca de 350; França cerca de 200 (números de 2002). Portanto, 550 armas nucleares é zero de capacidade nuclear... Os Scud de Saddam, aquilo é que era material perigosíssimo! Armas nucleares é para frouxos europeus, aliás as armas nucleares são tão fraquinhas que o valente V.G. Moura até as usa para acender a lareira lá em casa!
V.G. Moura continua para bingo: "Falar nisso assusta os cidadãos e, sobretudo, uma juventude que cresceu embrulhada em algodão-em-rama e vota a partir dos 18 anos".
Esta é para mim.
Não me recordo se os cobertores da casa da minha avó eram de algodão-em-rama. O que me recordo é que nem o meu pai, nem a minha família, nem os amigos do meu pai eram ricos, também não tínhamos amigos médicos que lhe passassem um atestado a dizer que tinham bicos de papagaio nos pés. O meu pai decidiu não fugir para o Luxemburgo, ao contrário do que fizeram grande parte dos seus amigos. Deram-lhe uma G3 e um bilhete para Angola. Este foi o "algodão-em-rama" que esperava muitos milhares da minha geração assim que viemos ao mundo...
Rumsfeld: três anos ao serviço da Al Qaeda
Foram três anos de eficaz propaganda à Al Qaeda, em nome da causa neo-conservadora. Sem Rumsfeld o nível de donativos à Al Qaeda e de recrutamento de jovens nunca chegaria onde chegou. Ben Laden ou Mollah Omar deveriam condecorá-lo como o seu mais poderoso recrutador, quase ao nível de um Goebbels.
quarta-feira, novembro 08, 2006
Perfume - A história de um assassino
"Perfume" é um excelente filme do alemão Tom Tykwer - o realizador de "Corre Lola Corre" - baseado no romance do mesmo nome de Patrick Süskind. "Perfume" conta a história de Jean-Baptiste Grenouille, um indivíduo ingénuo e de comportamento obsessivo, que nasceu com um extraordinário dom de detecção e de reconhecimento de todos os odores do mundo. Trata-se de uma narrativa invulgar e surpreendente que percorre deliciosos cenários da França do século XVIII, entre Paris e Grasse, a capital mundial do perfume na Provença. Apesar de ser um filme dirigido ao grande público, acessível tanto à avozinha, como ao adolescente crivado de acne, este é um filme de uma perversão e de uma rebeldia raras, em que alguns dos inabaláveis pilares sociais sofrem uma atrevida rasteira.Não vou adiantar mais, vou deixar aos caríssimos leitores o prazer de descobrir este invulgar e excelente filme.
Nota negativa
Este filme só não leva as 5 Estrelas Klepsýdra porque é falado em inglês. Tom Tykwer não resistiu à ambição de uma generosa receita de bilheteira rodando o filme em inglês, mas felizmente recorreu a bons actores ingleses, como Ben Whishaw ou Alan Rickman, ou ao americano Dustin Hoffman, o que contribuiu para a riqueza dos diálogos e minimizou os estragos linguísticos provocados por um idioma relativamente limitado. Se este filme fosse falado em francês o Perfume teria sido sem dúvida outro, ou em italiano, ou em alemão.
terça-feira, novembro 07, 2006
Congresso de feministas muçulmanas
Este fim de semana decorreu em Barcelona o Congresso Internacional de Feministas Muçulmanas. Embora o congresso fosse destinado a movimentos feministas religiosos - com posições diferentes dos movimentos laicos - a tão esperada modernização das sociedades muçulmanas pode também passar por aqui. As declarações de Shaheen Sardar Ali são disso uma ilustração:
«On assimile la loi divine à un corpus de lois et de préceptes machistes énoncés dans un contexte de sociétés dominées par l'homme. C'est de tout ce poids répressif qu'il faut aujourd'hui nous débarrasser»
«On assimile la loi divine à un corpus de lois et de préceptes machistes énoncés dans un contexte de sociétés dominées par l'homme. C'est de tout ce poids répressif qu'il faut aujourd'hui nous débarrasser»
domingo, novembro 05, 2006
Diário de bordo de um cosmonauta
segunda-feira, outubro 30, 2006
Impacto económico do Aquecimento Global
O governo britânico elaborou um extenso e rigoroso relatório sobre o impacto do aquecimento global na economia mundial. As principais conclusões vêm ao encontro dos diversos alertas que já vinham sendo lançados por instituições como a NASA, o IPPC e a AEA:
"What are the costs of doing nothing?
We have to try to model the dangerous risks we have been discussing. We have to look out over 100-200 years when the big effects of our actions over the next 50 years will come through. When we do this in a way that averages across risks, time, and countries, we calculate that the damages from business-as-usual would be equivalent to at least 5 and up to 20% of consumption a year, depending on the types of risks and effects included. The first effects of climate change are already evident, but it is still some time before impacts and risks on this scale will appear. But given the lags, action to head off these risks is urgent."
"What are the costs and benefits of taking action?
The costs of removing most of that risk, getting to 550 or below, are around 1% of GDP per year. The cost could be above or below 1% depending on policies, technological progress and ambitions but would be in this region. This is equivalent to paying on average 1% more for what we buy - the price rise for carbon intensive goods would be higher and for low carbon intensive goods would be lower – it is like a one-off increase by 1% in the price level. That is manageable; we can grow and be green."
"The conclusion of the Review is essentially optimistic. There is still time to avoid the worst impacts of climate change, if we act now and act internationally. Governments, businesses and individuals all need to work together to respond to the challenge. Strong, deliberate policy choices by governments are essential to motivate change.
But the task is urgent. Delaying action, even by a decade or two, will take us into dangerous territory. We must not let this window of opportunity close."
"What are the costs of doing nothing?
We have to try to model the dangerous risks we have been discussing. We have to look out over 100-200 years when the big effects of our actions over the next 50 years will come through. When we do this in a way that averages across risks, time, and countries, we calculate that the damages from business-as-usual would be equivalent to at least 5 and up to 20% of consumption a year, depending on the types of risks and effects included. The first effects of climate change are already evident, but it is still some time before impacts and risks on this scale will appear. But given the lags, action to head off these risks is urgent."
"What are the costs and benefits of taking action?
The costs of removing most of that risk, getting to 550 or below, are around 1% of GDP per year. The cost could be above or below 1% depending on policies, technological progress and ambitions but would be in this region. This is equivalent to paying on average 1% more for what we buy - the price rise for carbon intensive goods would be higher and for low carbon intensive goods would be lower – it is like a one-off increase by 1% in the price level. That is manageable; we can grow and be green."
"The conclusion of the Review is essentially optimistic. There is still time to avoid the worst impacts of climate change, if we act now and act internationally. Governments, businesses and individuals all need to work together to respond to the challenge. Strong, deliberate policy choices by governments are essential to motivate change.
But the task is urgent. Delaying action, even by a decade or two, will take us into dangerous territory. We must not let this window of opportunity close."
ACLEFEU, um ano depois dos tumultos em França
Um ano depois dos tumultos em França, o colectivo ACLEFEU, composto por residentes das cités, realizou um levantamento sobre o que foi feito em todo país para resolver os problemas das mesmas cités: a exclusão, o desemprego, o estado das habitações e dos equipamentos, etc. A conclusão desse levantamento é que muito pouco ou nada mudou.
Devo referir que esta conclusão não me espanta absolutamente nada. O que me incomoda mais nisto tudo é incrível passividade da esquerda perante a gravidade da situação das cités. A "luta" contra o CPE simboliza melhor do que qualquer outro exemplo essa passividade e um certo egoísmo político que caracterizam uma boa parte da esquerda francesa.
Durante anos a resposta da direita aos problemas das cités foi essencialmente a política da bastonada, com os resultados que se viram. Villepin foi o primeiro político de direita a propor medidas alternativas ao bastão. Villepin propôs o CPE com o objectivo de oferecer mais oportunidades de trabalho nas cités. A esquerda não concordou. Sendo assim, o que eu esperava da esquerda era que centrasse a sua luta contra o CPE no quadro da resolução dos problemas das cités, apresentando alternativas por exemplo, mas não foi isso que aconteceu. Em poucos dias as "vítimas" do CPE deixaram de ser os jovens das cités para passarem a ser os estudantes universitários, que muito dificilmente seriam abrangidos pela lei, visto que esta só poderia ser aplicada a trabalho não qualificado e a jovens até aos 24 anos. Mais uns dias volvidos e entre as "vítimas" que se manifestavam já se encontravam trabalhadores quase na reforma. As cités tinham sido já completamente esquecidas. A esquerda mergulhou num egoísmo eleitoralista fácil e perdeu uma grande oportunidade para debater as cités a sério. Um ano volvido, ainda estamos no ponto de partida...
Devo referir que esta conclusão não me espanta absolutamente nada. O que me incomoda mais nisto tudo é incrível passividade da esquerda perante a gravidade da situação das cités. A "luta" contra o CPE simboliza melhor do que qualquer outro exemplo essa passividade e um certo egoísmo político que caracterizam uma boa parte da esquerda francesa.
Durante anos a resposta da direita aos problemas das cités foi essencialmente a política da bastonada, com os resultados que se viram. Villepin foi o primeiro político de direita a propor medidas alternativas ao bastão. Villepin propôs o CPE com o objectivo de oferecer mais oportunidades de trabalho nas cités. A esquerda não concordou. Sendo assim, o que eu esperava da esquerda era que centrasse a sua luta contra o CPE no quadro da resolução dos problemas das cités, apresentando alternativas por exemplo, mas não foi isso que aconteceu. Em poucos dias as "vítimas" do CPE deixaram de ser os jovens das cités para passarem a ser os estudantes universitários, que muito dificilmente seriam abrangidos pela lei, visto que esta só poderia ser aplicada a trabalho não qualificado e a jovens até aos 24 anos. Mais uns dias volvidos e entre as "vítimas" que se manifestavam já se encontravam trabalhadores quase na reforma. As cités tinham sido já completamente esquecidas. A esquerda mergulhou num egoísmo eleitoralista fácil e perdeu uma grande oportunidade para debater as cités a sério. Um ano volvido, ainda estamos no ponto de partida...
sábado, outubro 28, 2006
Sábado em Coimbra XXXI: anti-Tübingen
Coimbra e o Mondego são um anti-retrato de Tübingen e do seu rio Steinlach e de Würzburg e do seu Main.
Em Tübingen o rio faz parte da cidade, não é um obstáculo, barcaças propulsionadas através de longas varas, baratas e acessíveis, proporcionam momentos de romantismo e de fantátistico contacto com a natureza ao comum cidadão.
Em Würzburg os atletas do clube de remo local podem ir a pé dos balneários através de um ambiente 100 % natural (nada de relvas tratadas) até ao rio.
Tanto as margens do Steinlach como as do Main estão acessíveis aos cidadãos no seu estado natural em quase todos os pontos das cidades. Em ambas as cidades a Universidade vai até ao rio, molha os pés e avança até ter água pela cintura...
Sábado em Coimbra XXX
Em Tübingen o rio faz parte da cidade, não é um obstáculo, barcaças propulsionadas através de longas varas, baratas e acessíveis, proporcionam momentos de romantismo e de fantátistico contacto com a natureza ao comum cidadão.
Em Würzburg os atletas do clube de remo local podem ir a pé dos balneários através de um ambiente 100 % natural (nada de relvas tratadas) até ao rio.
Tanto as margens do Steinlach como as do Main estão acessíveis aos cidadãos no seu estado natural em quase todos os pontos das cidades. Em ambas as cidades a Universidade vai até ao rio, molha os pés e avança até ter água pela cintura...
Sábado em Coimbra XXX
sexta-feira, outubro 27, 2006
O racismo de Huntington em American Vertigo
Vale a pena relembrar o racismo de Huntington, o autor de "Choque de Civilizações", no dia em que foi decretada a construção do muro (na verdade o resto do muro, que ele já existe) entre o México e os EUA. Em "American Vertigo", Bernard-Henri Lévy descreve o seguinte episódio passado durante a entrevista a Samuel Huntington num restaurante caro de Beacon Hill:
"dans cet élégant restaurant où la chère était trop bonne et le vin trop capiteux, le voilà qui à ma grande surprise, renonce à toute prudence et lâche, en quelques phrases, ce que ses adversaires le soupçonnent de penser tout bas sans oser, d'habitude, l'avouer trop haut. Ah! l'affreuse violence qui sourd de son oeil bleu quand il me lance que «le grand problème avec les Hispaniques c'est qu'ils n'ont pas envie d'éducation»! La haine de petit Blanc qui défigure le visage savant de Monsieur le Professeur" (pag. 377).
Os hispânicos também somos nós. E não vale a pena dizer que o termo hispânicos é mais dirigido aos mexicanos e aos porto-riquenhos. Vi com os meus próprios olhos os nossos emigrantes nos EUA, baixinhos, cabeludos, de bigode, risco ao lado e barriguinha, para o americano médio é tudo farinha da mesma massa. A guerra de civilizações também é em certa medida contra nós, só um ingénuo pode pensar que Huntington nos tem como parceiros no choque de civilizações.
"dans cet élégant restaurant où la chère était trop bonne et le vin trop capiteux, le voilà qui à ma grande surprise, renonce à toute prudence et lâche, en quelques phrases, ce que ses adversaires le soupçonnent de penser tout bas sans oser, d'habitude, l'avouer trop haut. Ah! l'affreuse violence qui sourd de son oeil bleu quand il me lance que «le grand problème avec les Hispaniques c'est qu'ils n'ont pas envie d'éducation»! La haine de petit Blanc qui défigure le visage savant de Monsieur le Professeur" (pag. 377).
Os hispânicos também somos nós. E não vale a pena dizer que o termo hispânicos é mais dirigido aos mexicanos e aos porto-riquenhos. Vi com os meus próprios olhos os nossos emigrantes nos EUA, baixinhos, cabeludos, de bigode, risco ao lado e barriguinha, para o americano médio é tudo farinha da mesma massa. A guerra de civilizações também é em certa medida contra nós, só um ingénuo pode pensar que Huntington nos tem como parceiros no choque de civilizações.
quinta-feira, outubro 26, 2006
França, Inglaterra e véu islâmico
É curioso, em 2006, verificarmos os resultados de duas políticas europeias distintas sobre a ostentação de símbolos religiosos nas escolas públicas.
Em França desde que entrou em vigor a circular Bayrou de 1994 que proibia a ostentação de símbolos religiosos nas escolas, o número de casos de litígio sobre a aplicação da lei baixou de 9000 em 1994 para 300 em 2006. Devo esclarecer que por princípio não concordo com este tipo de procedimento, mas devo confessar que os resultados são sem dúvida muito positivos.
No Reino Unido, a política seguida nas escolas públicas foi a de não restrição de ostentação de símbolos religiosos, embora nalguns casos tivesse existido um acordo em adaptar a farda escolar obrigatória à cultura de origem dos alunos, permitindo os turbantes no caso de estudantes indianos. Os resultados no Reino Unido são catastróficos a todos os níveis na comunidade muçulmana, sobretudo no abandono da escola pública pela escola corânica, cuja dimensão escapa aos responsáveis políticos. É neste particular que se comete o erro mais grave. A inexistência de documentos de identificação oficiais permite aos movimentos islâmicos mais radicais colocarem fora de circulação milhares de crianças - o estado britânico não sabe da sua existência - que vão encher as escolas corânicas controladas pelos mesmos movimentos.
A recente polémica da professora muçulmana que se apresentou numa escola pública para ensinar de véu, através do qual apenas se vislumbravam os olhos, mostra o estado de degradação a que se chegou no Reino Unido.
Preferia que não existissem interdições, parafraseando Cohn Bendit, preferia que as raparigas entrassem para o liceu de lenço na cabeça e saíssem de cabelo pintado e piercing no umbigo. Mas os franceses que foram tão criticados de jacobinismo por alguns anglófilos da nossa praça acabam por sair claramente vencedores deste combate, muito graças ao seu pragmatismo e àquele espírito de "raleurs" que é bem conhecido.
Em França desde que entrou em vigor a circular Bayrou de 1994 que proibia a ostentação de símbolos religiosos nas escolas, o número de casos de litígio sobre a aplicação da lei baixou de 9000 em 1994 para 300 em 2006. Devo esclarecer que por princípio não concordo com este tipo de procedimento, mas devo confessar que os resultados são sem dúvida muito positivos.
No Reino Unido, a política seguida nas escolas públicas foi a de não restrição de ostentação de símbolos religiosos, embora nalguns casos tivesse existido um acordo em adaptar a farda escolar obrigatória à cultura de origem dos alunos, permitindo os turbantes no caso de estudantes indianos. Os resultados no Reino Unido são catastróficos a todos os níveis na comunidade muçulmana, sobretudo no abandono da escola pública pela escola corânica, cuja dimensão escapa aos responsáveis políticos. É neste particular que se comete o erro mais grave. A inexistência de documentos de identificação oficiais permite aos movimentos islâmicos mais radicais colocarem fora de circulação milhares de crianças - o estado britânico não sabe da sua existência - que vão encher as escolas corânicas controladas pelos mesmos movimentos.
A recente polémica da professora muçulmana que se apresentou numa escola pública para ensinar de véu, através do qual apenas se vislumbravam os olhos, mostra o estado de degradação a que se chegou no Reino Unido.
Preferia que não existissem interdições, parafraseando Cohn Bendit, preferia que as raparigas entrassem para o liceu de lenço na cabeça e saíssem de cabelo pintado e piercing no umbigo. Mas os franceses que foram tão criticados de jacobinismo por alguns anglófilos da nossa praça acabam por sair claramente vencedores deste combate, muito graças ao seu pragmatismo e àquele espírito de "raleurs" que é bem conhecido.
quarta-feira, outubro 25, 2006
Partículas Elementares

(Partículas Elementares de Oskar Roehler baseado no livro do mesmo nome de Michel Houellebecq)
Bruno e Michael são meios-irmãos, filhos de uma hippie convicta até ao fim dos seus dias. Partilham a dificuldade de integração numa sociedade onde proliferam vidas clássicas. Bruno, escravo dos seus fantasmas sexuais, vive perdido no seu extremismo e no alcoolismo e Michael, introvertido e bloqueado emocionalmente, vive mergulhado na ciência e isolado do contacto com o sexo oposto. Ambos vão sair do circulo vicioso em que se encontram, mas é Bruno quem vai ter a experiência mais traumática. Bruno vai viver um dos seus fantasmas, e como é duro quando os fantasmas se materializam...
"Partículas Elementares" é baseado no romance do mesmo nome de Michel Houellebecq que conta com uma excelente interpretação de Moritz Bleibtreu (Bruno), com Franka Pontente (a Lola de "Corre Lola Corre" onde contracena com Moritz) e ainda com a deliciosa Martina Gedeck. A escolha de Martina Gedeck para a personagem Christiane - que vai materializar dos fantasmas de Bruno - é excelente, por tudo, até porque fiquei a partilhar parcialmente do sofrimento de Bruno...
Filme Klepsýdra ***** (5 estrelas)
segunda-feira, outubro 23, 2006
Para quando ARTE Portugal?
O canal franco-alemão ARTE estendeu o seu conceito à Bélgica. A ARTE Bélgique deu os primeiros passos recentemente e já se fala na ARTE Espanha.
Uma ARTE Portugal seria uma bênção. Num país onde os projectos de televisão privada em canal aberto vieram exclusivamente da direita, onde a qualidade bateu no fundo e por aí tem permanecido alimentada por telenovelas, futebol e variedades da vida real, faz muita falta um verdadeiro canal de serviço público. Faz falta um canal que não seja um insulto à inteligência constante, um canal que não seja kitsch, que não dê às pessoas "o que elas querem", mas que ofereça a possibilidade às pessoas de poderem escolher programas, filmes, reportagens, debates com qualidade, feitos pelos melhores e com meios inovadores. É essa a fasquia e o pequeno segredo do sucesso do canal ARTE.
Por exemplo, em Portugal é perfeitamente impossível pensar em ter um grande programa de debate de literatura, confrontando escritores, políticos, intervenientes sociais, leitores, críticos etc., como é corrente em França ou na Alemanha. Mas o canal ARTE vai mais longe, exemplo disso é série de programas "A Saute Mouton" em que alguns dos maiores pensadores da actualidade se propuseram debater o tema Europa, participando entre outros: Joschka Fischer, Jürgen Habermas, Fernando Savater, Umberto Eco, Günter Grass, Susan Sontag, Adam Michnik, Slavoj Zizek e Jeremy Rifkin.
Uma ARTE Portugal seria uma bênção. Num país onde os projectos de televisão privada em canal aberto vieram exclusivamente da direita, onde a qualidade bateu no fundo e por aí tem permanecido alimentada por telenovelas, futebol e variedades da vida real, faz muita falta um verdadeiro canal de serviço público. Faz falta um canal que não seja um insulto à inteligência constante, um canal que não seja kitsch, que não dê às pessoas "o que elas querem", mas que ofereça a possibilidade às pessoas de poderem escolher programas, filmes, reportagens, debates com qualidade, feitos pelos melhores e com meios inovadores. É essa a fasquia e o pequeno segredo do sucesso do canal ARTE.
Por exemplo, em Portugal é perfeitamente impossível pensar em ter um grande programa de debate de literatura, confrontando escritores, políticos, intervenientes sociais, leitores, críticos etc., como é corrente em França ou na Alemanha. Mas o canal ARTE vai mais longe, exemplo disso é série de programas "A Saute Mouton" em que alguns dos maiores pensadores da actualidade se propuseram debater o tema Europa, participando entre outros: Joschka Fischer, Jürgen Habermas, Fernando Savater, Umberto Eco, Günter Grass, Susan Sontag, Adam Michnik, Slavoj Zizek e Jeremy Rifkin.
domingo, outubro 22, 2006
99 cervejas + 1
O "99 cervejas+1" do Francisco José Viegas apesar de ser uma publicação sem grandes pretensões sistemáticas é um delicioso guia para se ir experimentando novas cervejas e serve também de pretexto para longas cavaqueiras sobre cerveja com os amigos.Muito antes de sermos um país de vinho, nós lusitanos, éramos um povo de cerveja onde entrava a bolota e a castanha (corrijam-me se estiver errado) segundo o testemunho de Estrabão, como o Francisco o refere. No entanto, considero que actualmente em Portugal não se sabe fazer cerveja. A maior parte da nossa produção de cerveja é imitação, sem nada de novo no panorama internacional, tirando uma ou duas excepções. Uma das piores experiências que tive na minha vida foi quando bebi uma Super Bock Abadia, depois de voltar da Bélgica onde tinha bebido uma Leffe no aeroporto. Para um apreciador de cervejas de abadia foi um choque equivalente àquela experiência que já todos tivemos quando bebemos uma golada de leite estragado! Finos é coisa que não bebo nem que me paguem. Alguns amigos oferecem-me finos e eu à socapa chego ao ponto de os despejar noutros copos ou de os deixar propositadamente esquecidos num canto do bar.
Ao percorrer as páginas do 99 cervejas achei que o Francisco foi demasiado benevolente com as cervejas nacionais. Quanto ao resto a minha avaliação não difere muito do Francisco.
Aqui ficam as minhas estrelinhas e as do Francisco entre parêntesis:
Budweiser Budvar (Budejovice) - **** (***)
Bush - *** (*****)
Chimay - ***** (****)
Gordon Scotch Ale - *** (**)
Erdinger - *** (****)
Girardin Geuze - *** (****)
Grimbergen - ***** (****)
Grolsch - *** (***)
Guinness - **** (***)
Leffe - ***** (****)
Murphy's (red) - **** (***)
Negra Modelo - *** (***)
Orval - *** (*****)
Pilsener Urquell - **** (*****)
Sagres - * (***)
Sagres Bohemia - ** (****)
Spaten - *** (****)
Staropramen - **** (****)
Stella Artois - **** (***)
Super Bock - *** (***)
Super Bock Abadia - . (***) -> Imitação péssima das abadias belgas
Super Bock Stout - ** (****) -> garrafa muito lindinha, mas o conteúdo...
Tagus - ** (****)
Warsteiner - **** (****)
Westmalle - **** (***)
Outras cervejas que não constam no 99 cervejas:
Onix preta (P) - ****
Krusovice (CZ) - *****
Zlaty Bazant (SK) - ****
Kelt (SK) - ****
Löwenbrau (D) - ***
Franziskaner (D) - ****
Gambrinus (CZ) - ****
Corona (MEX) - **** -> Só no Verão
Carlsberg (DK) - ****
Deus (B) - ****
sexta-feira, outubro 20, 2006
La Subjectivité à Venir de Slavoj Žižek
No melhor pano cai a nódoa marxista
Apesar de todo o brilhantismo da obra e do seu indubitável interesse, Žižek intercala a leitura deliciosa das suas análises com marteladas marxistas por vezes completamente a despropósito. O leitor é confrontado com tentativas de atribuir a máximas marxistas bastante simples (para não dizer primárias) o mesmo nível de sofisticação das reflexões de Žižek baseadas na psicanálise. Curiosamente, a análise de Žižek sobre os maus da fita do popularucho filme Matrix encaixa muito mais facilmente no esquema sombrio da ex-URSS do que propriamente na teia do Grande Capital, como Žižek se esforça em demonstrar. Depois, o livro contém partes realmente fracas, como o ataque ao físico de Joschka Fisher. Encontramos também algumas contradições, como um certo radicalismo a condenar a religião seguida de alguma complacência acompanhada de uma errada análise à religião muçulmana. E digo errada, pois Žižek refere que a violência e a intolerância são traços sempre presentes na religião muçulmana (pag. 160). Ora, há 30 ou há 40 anos por exemplo, as mulheres muçulmanas das grandes cidades do Magrebe ou das comunidades emigrantes europeias praticamente não usavam véu ou lenço, o fundamentalismo como o conhecemos hoje é um fenómeno novo e excepcional. Žižek não se poupa em atacar a esquerda multicultural e de criticar uma época em que tudo é permitido. Embora o tom irónico da época em que tudo é permitido comporte uma crítica acertada, visto que muitas vezes essa permissividade é apenas ilusória (como já sabíamos), a verdade é que também transmite um certo conservadorismo. Leio-lhe um marxismo próprio de quem não está para grandes brincadeiras. Se ele tivesse votado em Janeiro passado aposto que tinha votado Jerónimo.
Se Žižek não fosse marxista seria muito mais interessante, mas nestas idades mais de 90% das pessoas não mudam, só pioram. No entanto, tirando as passagens marxistas, o resto do livro é muito estimulante e recomendo-o vivamente. Encarem as passagens marxistas como uns copos de vinho a martelo que intercalam com um grande champanhe ou um vindimas tardias.
quinta-feira, outubro 19, 2006
A evidente influência do CO2 no aquecimento global

(Sítio UNEP)
Estive a ler os comentários nos vários blogues ao gráfico aqui apresentado que mostra a evolução da temperatura global e da concentração de CO2 ao longo dos últimos 400 mil anos e noto que há alguma confusão na interpretação dos dados, que são bem simples, principalmente da parte do autor da confusão: o João Miranda.
Após dezenas de entradas sobre o aquecimento global dou-me conta que o João Miranda não percebeu o que é um gás a efeito de estufa, como o CO2. Um gás como o CO2 não "aquece", o CO2 não é radiação, mas é um gás que uma vez fortemente concentrado na atmosfera impede uma quantidade importante de radiação de se escapar da Terra para o espaço. Por isso, o CO2 - usando as palavras do João quando acertou enquanto se enganava - funciona como amplificador do aquecimento global. Pois é, tal como uma estufa. Uma estufa não precisa de aquecedor, basta que não deixe sair uma determinada quantidade de radiação para que a sua temperatura interior aumente. Se não existissem gases de efeito de estufa e a atmosfera fosse completamente transparente à radiação infravermelha emitida pela Terra, a temperatura à superfície seria de -18°C. À semelhança do que acontece nos planetas desprovidos ou de ténue de atmosfera. Por isso e ao contrário do que refere o João Miranda, é importantíssimo conhecer a relação entre a concentração de CO2 e o aquecimento global, pois são os gases a efeito de estufa (e não a radiação) a causa determinante para que a temperatura média na Terra seja cerca de 15°C em vez de -18°C.
O comentário que acompanha o gráfico do UNEP é claríssimo:
"The information presented on this graph indicates a strong correlation between carbon dioxide content in the atmosphere and temperature". Os comentários de Caillon para os quais João Miranda remete ainda o reforçam mais: "Some (currently unknown) process causes Antarctica and the surrounding ocean to warm. This process also causes CO2 to start rising, about 800 years later. Then CO2 further warms the whole planet, because of its heat-trapping properties. This leads to even further CO2 release. So CO2 during ice ages should be thought of as a "feedback", much like the feedback that results from putting a microphone too near to a loudspeaker."
O João Miranda confundiu o papel do CO2 com o da radiação, esqueceu-se que o CO2 é a estufa e não a radiação que fica aprisionada na estufa aquecendo o seu interior... Acontece!
Por todas as razões apontadas acima é que o gráfico dos gelos de Vostok é uma espécie de xeque-mate às teorias negacionistas do aquecimento global, sobretudo quando cruzado com os gráficos abaixo apresentados que mostram a subida vertiginosa da concentração do dióxido de carbono nos últimos anos provocada pela actividade humana, acompanhada do respectivo aumento de temperatura. Comentário do UNEP: "A possible scenario: anthropogenic emissions of GHGs could bring the climate to a state where it reverts to the highly unstable climate of the pre-ice age period. Rather than a linear evolution, the climate follows a non-linear path with sudden and dramatic surprises when GHG levels reach an as-yet unknown trigger point."

928 artigos a zero
Oportunamente, o Bruno refere um estudo que andava há algum tempo para aqui citar sobre as publicações cientíticas referindo o aquecimento global. Percebe-se que as fontes de informação dos negacionistas do aquecimento global vêm de todos os lados, menos daquela de onde deveriam de vir: da ciência. Sobre estas "fontes" acrescentarei algo proximamente.
quarta-feira, outubro 18, 2006
Rapidinhas para o João Miranda
1- O João Miranda finalmente descobriu a pólvora: "CO2 pode funcionar como amplificador do aquecimento causado pelos ciclos de Milankovitch", responsável por cerca de 5/6 da duração de um ciclo, como refere o artigo para o qual ele remete. No entanto, numa tentativa de salvar a face refere: "o que está em causa no debate (...) não é saber se existe uma relação entre a concentração de CO2 e aquecimento global.". Convido-o a dar mais atenção ao segundo gráfico que apresentei na minha entrada anterior que mostra a evolução da concentração de dióxido de carbono dos últimos 130 anos. O resto é matemática do secundário.
2- Este estudo publicado recentemente na revista Nature mostra que o Sol não tem influência no aquecimento global. O que não espanta nada. O ciclos solares mais importantes são os ciclos de 11 anos, período que pouco tem a ver com as alterações principais que se têm verificado no clima. Mas como esta é uma matéria ainda um bocado "verde", nada impede que possam surgir outros estudos diferentes, mas este é o melhor até agora realizado.
3- A radiação cósmica é um dos elementos que entra nos meus estudos, conheço-lhe bem os fluxos, os tipos de partículas, as energias, etc. Com fluxos de radiação daquela ordem não se fazem milagres. Além do mais são fluxos de radiação a longo termo estatisticamente bastante constantes, portanto não vale a pena imaginar cenários de grandes flutuações, a não ser que nos expluda uma supernova no "quintal". Mas nesse caso, as consequências podem ser bem piores que o aquecimento global. Para além disso existem muitos modelos climáticos que já incluem a radiação cósmica, não é uma grande novidade, como os estudos realizados na Universidade de Louvain, por exemplo.
4- Tudo o que é aqui discutido, tal como nos artigos referidos pelo João Miranda trata-se de trabalho que obedece ao rigor do método científico. No método científico não cabem tretas como o criacionismo. O João Miranda não pode andar as segundas, quartas e sextas a falar de ciência, e com a mesma propriedade, às terças, quintas e sábados a falar de tretas como o criacionismo que não passam o crivo de qualquer método científico. Perde-se a credibilidade.
2- Este estudo publicado recentemente na revista Nature mostra que o Sol não tem influência no aquecimento global. O que não espanta nada. O ciclos solares mais importantes são os ciclos de 11 anos, período que pouco tem a ver com as alterações principais que se têm verificado no clima. Mas como esta é uma matéria ainda um bocado "verde", nada impede que possam surgir outros estudos diferentes, mas este é o melhor até agora realizado.
3- A radiação cósmica é um dos elementos que entra nos meus estudos, conheço-lhe bem os fluxos, os tipos de partículas, as energias, etc. Com fluxos de radiação daquela ordem não se fazem milagres. Além do mais são fluxos de radiação a longo termo estatisticamente bastante constantes, portanto não vale a pena imaginar cenários de grandes flutuações, a não ser que nos expluda uma supernova no "quintal". Mas nesse caso, as consequências podem ser bem piores que o aquecimento global. Para além disso existem muitos modelos climáticos que já incluem a radiação cósmica, não é uma grande novidade, como os estudos realizados na Universidade de Louvain, por exemplo.
4- Tudo o que é aqui discutido, tal como nos artigos referidos pelo João Miranda trata-se de trabalho que obedece ao rigor do método científico. No método científico não cabem tretas como o criacionismo. O João Miranda não pode andar as segundas, quartas e sextas a falar de ciência, e com a mesma propriedade, às terças, quintas e sábados a falar de tretas como o criacionismo que não passam o crivo de qualquer método científico. Perde-se a credibilidade.
terça-feira, outubro 17, 2006
Insurgente: ignorância científica e aquecimento global

Como a questão ideológica de usar o aquecimento global como arma de arremesso política foi definitivamente perdida no plano científico - o gráfico acima publicado na Nature foi o xeque-mate à fraude científico-política que visava negar a relação entre aquecimento global e a concentração de gases de efeito de estufa - resta a fuga para a frente a retalho, para tentar pequenas vitórias que salvem a face da argolada política. Este texto do Insurgente é um exemplo dessas pequenas fugas para a frente que revelam bastante ignorância e uma teimosia no erro confrangedora. O texto revela bastante ignorância porque insinua que os "consensos científicos flutuam" baseado num artigo da revista Times de 1974 em que se alertava para uma nova idade do gelo relativamente ao facto do aquecimento global ser hoje um dado adquirido entre os climatologistas. Ora, não só a revista Times não é uma revista científica, como em 1974 não existia consenso científico sobre o clima no futuro. E não existia consenso porque era impossível haver consenso dado o número reduzido de trabalhos científicos efectuados até à altura. A produção científica na área da climatologia desde 1974 até aos dias de hoje foi multiplicada por mil, os orçamentos dedicados à investigação idem. Mesmo que tivesse existido um consenso científico em 1974, não se poderia falar em consenso flutuantes, porque a disparidade da significância estatística dos resultados é abismal, não se podem colocar ao mesmo nível de discussão resultados sobre a mesma coisa um com uma barra de erro de 100 e outro com uma barra de erro de 0,01. É aqui que o texto do Insurgente revela ignorância, é o mesmo que eu dizer que existe uma flutuação de consensos sobre a forma da Terra. Há três milénios atrás havia um consenso de que a Terra era plana (apesar dos cépticos apologistas da Terra em forma de carapaça da tartaruga) e hoje sabemos que é aproximadamente esférica. No século XV havia um consenso de que a Terra estava no centro do sistema solar e hoje o consenso é de que somos apenas o terceiro planeta a contar do Sol. O facto de em certas épocas em que o conhecimento era muito mais limitado do que hoje se tivessem optado por teorias erradas isso não quer dizer que existirão eternamente flutuações de consenso sobre os mesmos assuntos. Não voltarão a existir consensos que darão a Terra como plana, nem consensos que colocarão a Terra no centro do sistema solar, tal como não existirão consensos de um cenário de pequena idade do gelo numa época de alta concentração de dióxido de carbono.
Depois o texto insiste no erro, continua a referir o trabalho de Bjørn Lomborg (o ecologista céptico), que apesar de ser um trabalho sério incorreu em vários erros de palmatória prontamente denunciados nas revistas científicas internacionais mais relevantes. Lomborg não é climatologista, nunca publicou numa revista científica da especialidade, o que contribuiu para que nunca tenha admitido alguns dos erros do seu trabalho. O estudo de Lomborg de 2004 foi baseado nalguns dos seus erros, por isso não espanta que o resultado do seu trabalho estivesse também errado. Aos economistas citados cabia apenas fazer um estudo baseado nos dados de Lomborg, independentemente de estarem certos ou errados. Se se baseassem em dados sugeridos pela generalidade dos cientistas que ganharam prémios Nobel (os Nobel da NASA ou o europeu Georges Charpak por exemplo) o estudo seria completamente diferente e os resultados mais de acordo com a realidade. E a realidade científica o que diz é que cada dia que passa sem se tomarem iniciativas para travar o aquecimento global, implica um aumento de custos que não é proporcional no tempo, mas sim exponencial. Ou seja, cada dia sem fazer nada é uma derrota nessa batalha. Outra coisa básica que nos diz a ciência é que apesar de os custos associados a catástrofes ecológicas (inundações, fogos, períodos de seca, etc.) serem extremamente difíceis de prever quer em termos de perdas humanas quer em perdas económicas, sabemos que estes serão bem mais elevados comparativamente a qualquer custo actual de medidas de combate ao aquecimento global.
segunda-feira, outubro 16, 2006
Manhattan
O início de "Manhattan" de Woody Allen, é o meu início de filme preferido. As deliciosas divagações de Isaac Davis (Woody Allen) casam perfeitamente com a música de George Gershwin e com o conjunto de imagens que vão desfilando de uma Manhattan romântica do final dos anos 70. Um dos grandes trunfos do filme é ter conseguido transmitir esse ambiente romântico que um dia a cidade viveu, onde não eram apenas os arranha-céus que eram sublimes e grandiosos, as pessoas, a cultura nova-iorquina era também ela sublime, marcada por um fervilhar de descobertas e de inovações.Descobri a cidade em 2002. Apreciei esses mesmos arranha-céus dos anos 20, os museus, a cultura, os transportes públicos e um modo de vida que de certa forma faz lembrar mais a Europa do que a generalidade das cidades americanas, balofas, onde os mega-parques de estacionamento e os giga-centros comerciais desertificam a paisagem urbana. No entanto, notei que havia uma certa las-veguização das animações culturais no centro da cidade, acompanhada de muito kitsch, muito franchising barato, muita loja dos trezentos, muito comércio manhoso que vive de uma caça ao dólar sem concessões. O ambiente romântico de "Manhattan" pareceu-me distante de tudo aquilo. Se calhar nunca existiu e nesse caso o filme seria uma visão edílica da cidade. No entanto, aqui ficam as deliciosas divagações de Isaac Davis, para ler em fundo de George Gershwin:
"Chapter One. He adored New York City. He idolized it all out of proportion - er, no, make that: he - he romanticized it all out of proportion. - Yes. - To him, no matter what the season was, this was still a town that existed in black and white and pulsated to the great tunes of George Gershwin. - Er, tsch, no, missed out something.
Chapter One. He was too romantic about Manhattan, as he was about everything else. He thrived on the hustle bustle of the crowds and the traffic. To him, New York meant beautiful women and street-smart guys who seemed to know all the ankles. - No, no, corny, too corny for a man of my taste. Can we ... can we try and make it more profound? -
Chapter One. He adored New York City. To him, it was a metaphor for the decay of contemporary culture. The same lack of individual integrity that caused so many people to take the easy way out was rapidly turning the town of his dreams in ... - no, that's a little bit too preachy. I mean, you know, let's face it, I want to sell some books here.
Chapter One. He adored New York City, although to him it was a metaphor for the decay of contemporary culture. How hard it was to exist in a society desensitized by drugs, loud music, television, crime, garbage ... - Too angry. I don't want to be angry.
Chapter One. He was as tough and romantic as the city he loved. Behind his black-rimmed glasses was the coiled sexual power of a jungle cat. - I love this. - New York was his town, and it always would be ..."
sexta-feira, outubro 13, 2006
L'Univers a-t-il besoin de Dieu?
Já está à venda (em Portugal poderá demorar mais uns dias) este precioso número especial da Ciel et Espace que faz uma revisão de questões científicas que abalam uma série de crenças religiosas.
quarta-feira, outubro 11, 2006
Orçamento finlandês ok, mas...
O anúncio de José Sócrates de cortes orçamentais em todos os ministérios, excepto no Ministério da Ciência cujo o orçamento aumenta mais de 60%, segue um modelo decalcado da estratégia seguida com sucesso pela Finlândia que fez emergir o país da maior recessão registada na Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Há cerca de um ano, nesta entrada, sugeri que se analisasse e se apostasse em políticas semelhantes ao exemplo finlandês. No entanto, há algumas salvaguardas que é preciso ter em conta para que este tipo de orientação política tenha sucesso no caso particular que é Portugal:
1- Portugal é o país da Europa com o nível educacional mais baixo, e de longe mais baixo. Esta é uma grande diferença em relação à Finlândia. Temos os trabalhadores e os empresários com qualificações mais baixas, por isso é imperativo combater o abandono escolar e apostar na reciclagem e formação de trabalhadores e empresários. A Universidade (sem propinas) deveria ter um papel importante neste trabalho de reciclagem e de formação.
2- O modelo aplicado na Finlândia foi conduzido por uma instituição semelhante à Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), mas com poderes mais amplos de coordenação e de monitorização que foram essenciais para o sucesso do modelo. A FCT está longe desse nível de versatilidade e de poder.
3- Se a investigação não interagir com a sociedade de pouco servirá aumentar o orçamento do ministério da ciência. As universidades e os centros de investigação deverão trabalhar em rede com empresas, instituições públicas (câmaras, hospitais, forças armadas, etc.) e empresas. Neste particular ainda temos muito trabalho a fazer.
4- A investigação fundamental deve ser protegida, visto ser uma área cujos frutos surgem em geral a longo prazo, muito para além do tempo de vida das empresas, incompatível com a generalidade dos objectivos empresariais, mais centrados sobre o curto e o médio prazo. Logo este é um domínio de investigação que deve ser financiado e regulado preferencialmente pelo estado.
5- É absolutamente necessário divulgar o trabalho de investigação. A divulgação científica serve não apenas para informar os cidadãos sobre o destino dos seus impostos, mas também para aumentar a sua qualidade de vida, informando os mesmos sobre o que consomem, sobre fraudes pseudo-científicas, sobre o alcance da tecnologia e sobre as portas que se vão abrindo à exploração de novas áreas do conhecimento.
1- Portugal é o país da Europa com o nível educacional mais baixo, e de longe mais baixo. Esta é uma grande diferença em relação à Finlândia. Temos os trabalhadores e os empresários com qualificações mais baixas, por isso é imperativo combater o abandono escolar e apostar na reciclagem e formação de trabalhadores e empresários. A Universidade (sem propinas) deveria ter um papel importante neste trabalho de reciclagem e de formação.
2- O modelo aplicado na Finlândia foi conduzido por uma instituição semelhante à Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), mas com poderes mais amplos de coordenação e de monitorização que foram essenciais para o sucesso do modelo. A FCT está longe desse nível de versatilidade e de poder.
3- Se a investigação não interagir com a sociedade de pouco servirá aumentar o orçamento do ministério da ciência. As universidades e os centros de investigação deverão trabalhar em rede com empresas, instituições públicas (câmaras, hospitais, forças armadas, etc.) e empresas. Neste particular ainda temos muito trabalho a fazer.
4- A investigação fundamental deve ser protegida, visto ser uma área cujos frutos surgem em geral a longo prazo, muito para além do tempo de vida das empresas, incompatível com a generalidade dos objectivos empresariais, mais centrados sobre o curto e o médio prazo. Logo este é um domínio de investigação que deve ser financiado e regulado preferencialmente pelo estado.
5- É absolutamente necessário divulgar o trabalho de investigação. A divulgação científica serve não apenas para informar os cidadãos sobre o destino dos seus impostos, mas também para aumentar a sua qualidade de vida, informando os mesmos sobre o que consomem, sobre fraudes pseudo-científicas, sobre o alcance da tecnologia e sobre as portas que se vão abrindo à exploração de novas áreas do conhecimento.
segunda-feira, outubro 09, 2006
Em nome do proletariado! Caaabuuuuum!!!!
Eis o registo do "singelo" sismo de 4,2 na escala de Richter após o ensaio nuclear realizado esta manhã pelo regime da Coreia do Norte. Porque é que se realiza uma experiência burguesa num país onde se morre à fome? Será em nome do proletariado, dos camponeses, dos operários ou da revolução? Ou será para excitar Kim Jong-Il nos seus momentos mais íntimos? Fica a dúvida. O que é certo é que as réplicas deste sismo artificial estenderam-se até às Filipinas!
Este foi o primeiro teste de armas nucleares realizado no mundo desde 1996, depois da série de testes efectuados pela França no Pacífico, após a eleição de Chirac.
Este foi o primeiro teste de armas nucleares realizado no mundo desde 1996, depois da série de testes efectuados pela França no Pacífico, após a eleição de Chirac.
34 dados na próxima viagem aos EUA
O diário El Pais publicou a nova lista de 34 dados que todos os cidadãos da UE deverão transmitir aos EUA sempre que se desloquem àquele país de avião:
- Código de identificación de la Relación de Nombres de Pasajeros (PNR)
- Fecha de reserva
- Fecha(s) prevista(s) del viaje
- Nombre del pasajero
- Otros nombres que figuran en la PNR
- Dirección
- Modalidades de pago*
- Dirección de facturación
- Teléfonos de contacto
- Itinerario completo del viaje
- Información sobre viajeros frecuentes (número de millas recorridas y dirección o direcciones)
- Agencia de viajes
- Agente de viajes
- Información sobre los códigos utilizados
- Información sobre la PNR escindida o dividida
- Dirección electrónica
- Información sobre la emisión de billetes
- Observaciones generales
- Número de billete
- Número de asiento
- Fecha de emisión del billete- Pasajero del que no se dispone de información
- Números de etiquetado de las maletas
- Pasajero de último momento sin reserva
- Información sobre la fuente
- Historial de los cambios aportados a la PNR
- Número de viajeros en la PNR
- Información sobre el asiento
- Billete de ida y vuelta o de ida sólo
*Se possuirem um cartão de crédito VISA poderão facilitar ainda mais a vida às autoridades americanas. O cartão American Express é o mais eficiente, é uma espécie de ligação directa a "Deus".
- Código de identificación de la Relación de Nombres de Pasajeros (PNR)
- Fecha de reserva
- Fecha(s) prevista(s) del viaje
- Nombre del pasajero
- Otros nombres que figuran en la PNR
- Dirección
- Modalidades de pago*
- Dirección de facturación
- Teléfonos de contacto
- Itinerario completo del viaje
- Información sobre viajeros frecuentes (número de millas recorridas y dirección o direcciones)
- Agencia de viajes
- Agente de viajes
- Información sobre los códigos utilizados
- Información sobre la PNR escindida o dividida
- Dirección electrónica
- Información sobre la emisión de billetes
- Observaciones generales
- Número de billete
- Número de asiento
- Fecha de emisión del billete- Pasajero del que no se dispone de información
- Números de etiquetado de las maletas
- Pasajero de último momento sin reserva
- Información sobre la fuente
- Historial de los cambios aportados a la PNR
- Número de viajeros en la PNR
- Información sobre el asiento
- Billete de ida y vuelta o de ida sólo
*Se possuirem um cartão de crédito VISA poderão facilitar ainda mais a vida às autoridades americanas. O cartão American Express é o mais eficiente, é uma espécie de ligação directa a "Deus".
sábado, outubro 07, 2006
Courrier International especial aquecimento global
A não perder esta edição especial da Courrier International sobre o aquecimento global, provavelmente apenas disponível em francês.Esta edição está bem estruturada em secções que cobrem todas as vertentes do problema:
- Alertas: degelos do Árctico, Antárctico, Gronelândia, Islândia, etc.
- Cenários: decomposição da tundra, refugiados climáticos, deserto Sara verde, etc.
- Controvérsias: corrente do Golfo, mentiras da Exxon, furacões tropicais, etc.
- Antes e Depois: fotografias impressionantes que mostram a degradação dos glaciares
- Soluções: energia eólica, nuclear, combustíveis alternativos, teoria dos triângulos, etc.
- Políticas
- Personalidades
- Bibliografia
sexta-feira, outubro 06, 2006
Chulice no registo automóvel
Fui alterar a morada do livrete - que agora passa ao mais prático Documento Único Automóvel - ao Gabinete de Registo Automóvel, quando sou informado que devo pagar a módica quantia de 38 €!!! Para cúmulo estes 38 € pagam um serviço que comporta um mês de espera para receber o documento!
Obviamente que vou reclamar desta verdadeira chulice, mesmo que não dê em nada, só para chatear os burocratas responsáveis por estes delírios. É assim que se premeia a mobilidade e o dinamismo? Estes 38 €, somados a outras tantas burocracias imbecis que pesam sobre as pessoas mais dinâmicas deste país, só servem para premiar o imobilismo social e a carreira linear de alguns burocratas autistas.
Obviamente que vou reclamar desta verdadeira chulice, mesmo que não dê em nada, só para chatear os burocratas responsáveis por estes delírios. É assim que se premeia a mobilidade e o dinamismo? Estes 38 €, somados a outras tantas burocracias imbecis que pesam sobre as pessoas mais dinâmicas deste país, só servem para premiar o imobilismo social e a carreira linear de alguns burocratas autistas.
Obrigado Senador Jorge Costa!

Mais conhecido por Bicho ou Capitão, para mim ele é e será sempre o Senador do FC Porto. Apesar de a palavra senador ter sido utilizada depreciativamente em relação a Jorge Costa por Del Neri, é na minha opinião a mais adequada para definir a grandeza do Jorge. Arrumou as botas. Um grande obrigado pelos momentos mágicos que proporcionaste a este fiel adepto.
quinta-feira, outubro 05, 2006
Rentrée literária francesa na TV5

Hoje às 22.22 na TV5, a não perder o programa "Esprits Libres" onde continuará a apresentação das principais obras da rentré literária francesa.
Animação da aterragem da sonda Huygens
O filme da descida da sonda Huygens até à superfície de Titã pode ser descarregado aqui. O mesmo filme em cd-rom é oferecido na edição deste mês da revista Ciel et Espace.
quarta-feira, outubro 04, 2006
Contribuição para o Cinco Dias
A minha humilde contribuição para o blogue Cinco Dias: "Ideologia neo-conservadora contra a ciência".
terça-feira, outubro 03, 2006
Nobel da Física
John C. Mather e George F. Smoot eram os investigadores responsáveis dos instrumentos do satélite COBE que permitiram importantíssimas descobertas no campo da cosmologia:
"This year the Physics Prize is awarded for work that looks back into the infancy of the Universe and attempts to gain some understanding of the origin of galaxies and stars. It is based on measurements made with the help of the COBE satellite launched by NASA in 1989.
The COBE results provided increased support for the Big Bang scenario for the origin of the Universe, as this is the only scenario that predicts the kind of cosmic microwave background radiation measured by COBE.".
Ler mais aqui.
"This year the Physics Prize is awarded for work that looks back into the infancy of the Universe and attempts to gain some understanding of the origin of galaxies and stars. It is based on measurements made with the help of the COBE satellite launched by NASA in 1989.
The COBE results provided increased support for the Big Bang scenario for the origin of the Universe, as this is the only scenario that predicts the kind of cosmic microwave background radiation measured by COBE.".
Ler mais aqui.
Ler "O Neo-liberalismo" no Esquerda Republicana
Em Portugal existe uma confusão infernal sobre o que são liberais, o liberalismo e o neo-liberalismo, isto tanto à esquerda como à direita. A confusão é tanta que parte da esquerda acabou a defender o Não ao Tratado Constitucional, invocando o não a um "neo-liberalismo" europeu, lado a lado com os maiores "neo-liberais" da nossa praça...
Esta excelente entrada do Filipe Castro no Esquerda Republicana ajuda a esclarecer o assunto.
Esta excelente entrada do Filipe Castro no Esquerda Republicana ajuda a esclarecer o assunto.
segunda-feira, outubro 02, 2006
domingo, outubro 01, 2006
Armas de destruição em massa: Big King XXL
866 kcal13% do peso em gordura
3 % do peso em açúcar
Menu Monster:
Big King XXL +
Coca-cola XXL +
Batatas fritas XXL
= 1648 kcal
Necessidades diárias:
homem - 2200 kcal
mulher - 1800 kcal
Armas de destruição em massa: Fanta
sexta-feira, setembro 29, 2006
American Vertigo: Fukuyama contra guerra do Iraque
Em American Vertigo, Bernard-Henri Lévy (BHL) interpela Francis Fukuyama sobre a intervenção americana no Iraque - questão sobre a qual o Fukuyama se pronunciou negativamente - obtendo o seguinte comentário:
"Ces gens sont curieux, m'explique-t-il en substance. Ils ont passé leur existence à plaider contre le fait de donner des pouvoirs exorbitants à'Etat. Ils nous ont mis en garde contre la naïveté des spécialistes du social engineering prétendant éradiquer, d'un coup de baguette politique, la misère américaine. Et voilà qu'ils perdent toute mesure dès lors qu'il est question d'aller extirper cette misère, ainsi que les racines du despotisme, à six mille kilomètres de chez eux.
(...) Le problème des néoconservateurs ce n'est pas comment croient les Européens, leur immoralisme et leur cynisme. C'est l'excès, au contraire, de la morale. C'est la victoire de la mystique sur la politique."
"American Vertigo", Bernard-Henry Lévy, Grasset, 2006, pag. 323-325.
Da leitura de "American Vertigo", da opinião de diversos intelectuais da direita americana e da comparação com a realidade nacional, fica-se com a certeza que Portugal existem algumas das opiniões mais radicais e mais fanáticas na defesa da Administração Bush. Pelo prisma nacional até um direitista duro com Fukuyama passaria por perigoso anti-americano. Perante o espectro da direita abordada por BHL, as opiniões da direita portuguesa andam muito mais próximas de radicais como Huntington. A entrevista de BHL a Huntington será aqui abordada proximamente.
"Ces gens sont curieux, m'explique-t-il en substance. Ils ont passé leur existence à plaider contre le fait de donner des pouvoirs exorbitants à'Etat. Ils nous ont mis en garde contre la naïveté des spécialistes du social engineering prétendant éradiquer, d'un coup de baguette politique, la misère américaine. Et voilà qu'ils perdent toute mesure dès lors qu'il est question d'aller extirper cette misère, ainsi que les racines du despotisme, à six mille kilomètres de chez eux.
(...) Le problème des néoconservateurs ce n'est pas comment croient les Européens, leur immoralisme et leur cynisme. C'est l'excès, au contraire, de la morale. C'est la victoire de la mystique sur la politique."
"American Vertigo", Bernard-Henry Lévy, Grasset, 2006, pag. 323-325.
Da leitura de "American Vertigo", da opinião de diversos intelectuais da direita americana e da comparação com a realidade nacional, fica-se com a certeza que Portugal existem algumas das opiniões mais radicais e mais fanáticas na defesa da Administração Bush. Pelo prisma nacional até um direitista duro com Fukuyama passaria por perigoso anti-americano. Perante o espectro da direita abordada por BHL, as opiniões da direita portuguesa andam muito mais próximas de radicais como Huntington. A entrevista de BHL a Huntington será aqui abordada proximamente.
Selecção? Desliguei
Já não há pachorra para isto. A minha opinião é que um macaco a treinar a selecção portuguesa teria uma grande probabilidade de ter o mesmo sucesso que Scolari. A partir de agora desliguei.
Conselho para Quaresma: naturaliza-te espanhol, romeno ou qualquer coisa, eu apoio-te!
Conselho para Quaresma: naturaliza-te espanhol, romeno ou qualquer coisa, eu apoio-te!
ESA para professores
Para professores de áreas científicas a ESA oferece uma série de serviços úteis para o início do ano lectivo: software, materiais, formação, viagens aois centros ESA, etc. Clicar aqui.
quinta-feira, setembro 28, 2006
Porque gosto de Colombo
Moja laska, já te tinha tentado explicar (sem sucesso) porque gosto da série Colombo. Para além da gabardina encardida e do Peugeot, uma das razões é explicada por um elemento da tua tribo:
"Le succès de Colombo témoigne ainsi du fait que le véritable motif d'intérêt d'une oeuvre policière tient au processus de déchiffrement lui-même et non à sa résolution (la révélation finale triomphante: "Et l'assassin est..." est complètement absente ici puisque nous le savons dès le début)."
Slavoj Žižek, "La subjectivité à venir", Flammarion, 2006, pag. 24
Resulta do prazer da exploração e da descoberta que nos acompanha desde dos tempos em que éramos macacos (mas macacos com charme, claro) e saltámos da floresta para a savana. Nesses tempos éramos mais ou menos da mesma tribo.
"Le succès de Colombo témoigne ainsi du fait que le véritable motif d'intérêt d'une oeuvre policière tient au processus de déchiffrement lui-même et non à sa résolution (la révélation finale triomphante: "Et l'assassin est..." est complètement absente ici puisque nous le savons dès le début)."
Slavoj Žižek, "La subjectivité à venir", Flammarion, 2006, pag. 24
Resulta do prazer da exploração e da descoberta que nos acompanha desde dos tempos em que éramos macacos (mas macacos com charme, claro) e saltámos da floresta para a savana. Nesses tempos éramos mais ou menos da mesma tribo.
segunda-feira, setembro 25, 2006
"Bubble" ou retratos do trabalho nos EUA

Bastam 73 minutos de filme para dar um retrato exacto do mundo laboral dos EUA no seu nível médio e médio baixo. É esse o grande mérito de "Bubble" do americano Steven Soderbergh. Está lá tudo: o mundo do duplo emprego; a ausência de vida familiar; a precariedade social; a organização da vida íntima e afectiva em função do trabalho e não o contrário; a obsessão de produtividade de produtos banais, rascas e foleiros, bem mais supérfluos que champanhe ou uma pulseira de tornozelo; as roulottes como dormitório de conveniência; a fast-food e a TV como recompensas maiores após uma jornada de trabalho; a ausência de cultura e de horizontes intelectuais; o exercício intelectual reduzido ao cálculo das economias para comprar o próximo electrodoméstico ou o próximo carro em segunda mão.
"Bubble" apresenta tudo isto e muito mais, economizando em diálogos. "Bubble" é filme em que o silêncio tem a língua solta. A narrativa, simples mas complexa nos detalhes chave, funciona como elegante espinha dorsal deste filmo-erectus da Dogme 95, sem dúvida num estado evolutivo superior ao do típico Hollywoodopitecus.
Os retratos do trabalho no Abrupto

Os retratos do trabalho exibidos até hoje no Abrupto, e que com certeza JPP continuará a publicar no seu blogue, são de certa forma o lado cor-de-rosa dos retratos de Soderbergh. Chamo-lhes retratos cor-de-rosa porque apelam ao imaginário do trabalhador-modelo visto pelo prisma liberal dos neo-conservadores. Através desses retratos, desses instantes, que apesar de representarem gestos repetitivos, não deixam de ser instantes, podemos contemplar um trabalhador em poses simples mas dignas, em poses humildes mas dignas, um trabalhador sujo mas digno, um trabalhador suado mas digno, ali não há lugar para palhaçadas sindicalistas ou artistas plásticos (que não são considerados trabalhadores nesse imaginário), nada de cow parades que um verdadeiro trabalhador é um homem sério e só se diverte em dia de casamento dos filhos ou dos netos. É curiosa a semelhança com o trabalhador-modelo soviético. Todos estes retratos do Abrupto servem para projectar a imagem de uma sociedade que só vive bem quando tolera a exploração e a precariedade. É esta mesma entrada do Abrupto que o denuncia, sobre aqueles coreanos do Starbucks que pelo menos ganham dinheiro "certamente pouco, mas algum", tal como os personagens de "Bubble", certamente pouco, mas algum. ..
No meio neo-conservador o fantasma do trabalhador-modelo explorado, mas digno e obviamente feliz, serve de consolo moral para que se possa beber tranquilamente um whisky de manhã e outro pela tarde no aconchego de um gabinete onde não cheira a suor e onde não entram botas cagadas de lama. Nalguns desses gabinetes até existem umas miniaturas de vacas das cow parades que um amigo trouxe de Londres ou de Varsóvia, mas ali não se corre perigo algum, ali está-se ao abrigo da ira do desempregado de Pevidém.
sábado, setembro 23, 2006
Autorização para matar
"Hoje já fiquei siderada numa escola dos filhotes: alguns pais estão a passar autorizações para os filhos sairem nos intervalos, para poderem ir comprar ao café da esquina aquilo que deixou de haver no bar da escola [fritos, refrigerantes açucarados e doces]"
Eva Lima
(na caixa de comentários de "Aplauso para o Ministério da Educação")
Eva Lima
(na caixa de comentários de "Aplauso para o Ministério da Educação")
sexta-feira, setembro 22, 2006
quinta-feira, setembro 21, 2006
American Vertigo e a negação do darwinismo
Sobre sinais que revelam a desregulação dos mecanismos de memória:
"Comment le même pays peut-il être à la fois le lieu d'un Mémorial de la Shoah aussi exceptionnel et celui, sur le bord d'une autoroute du Sud Dakota, d'une exposition permanente de fossiles censée révoquer en doute les hypothèses du darwinisme?"
"American Vertigo", Bernard-Henry Lévy, Grasset, 2006, pag. 387.
"Comment le même pays peut-il être à la fois le lieu d'un Mémorial de la Shoah aussi exceptionnel et celui, sur le bord d'une autoroute du Sud Dakota, d'une exposition permanente de fossiles censée révoquer en doute les hypothèses du darwinisme?"
"American Vertigo", Bernard-Henry Lévy, Grasset, 2006, pag. 387.
Aplauso para o Ministério da Educação
Pela medida que visa a proibição de venda de refrigerantes sem fruta, fritos e doces nas máquinas e nos bares das escolas.
Num país que ficou histérico por uma baliza de andebol ter caído numa ocasião sobre uma criança, parece-me no mínimo doentio a calma e a tranquilidade com que se tem encarado o crescimento assustador do número de crianças obesas ou com excesso de peso (actualmente cerca de 1/3). Estas crianças correm sérios riscos de contrair diabetes desde muito cedo e de morrer precocemente.
Para a medida ser perfeita faltaria apenas complementá-la com mais exercício físico nas escolas e uma cultura de informação para pais e educadores sobre nutricionismo e consumo.
Num país que ficou histérico por uma baliza de andebol ter caído numa ocasião sobre uma criança, parece-me no mínimo doentio a calma e a tranquilidade com que se tem encarado o crescimento assustador do número de crianças obesas ou com excesso de peso (actualmente cerca de 1/3). Estas crianças correm sérios riscos de contrair diabetes desde muito cedo e de morrer precocemente.
Para a medida ser perfeita faltaria apenas complementá-la com mais exercício físico nas escolas e uma cultura de informação para pais e educadores sobre nutricionismo e consumo.
quarta-feira, setembro 20, 2006
O mapa de Buracos Negros do Universo

Graças ao telescópio espacial de raios gama da ESA, o telescópio INTEGRAL, foi elaborado o primeiro mapa de buracos negros do Universo. A representação da Terra no mapa, serve para ilustrar o papel do nosso planeta na ocultação de fontes de radiação mais intensas capazes de ofuscar a observação da radiação emitida pelos buracos negros.
terça-feira, setembro 19, 2006
American Vertigo - o retrato de uma América doente
Bernard-Henri Lévy foi convidado pela revista cultural e literária Atlantic Monthly para percorrer e estudar a América seguindo os mesmos passos de Alexis de Tocqueville aquando da sua viagem pela jovem democracia americana em 1831. O propósito do périplo de Tocqueville pelos EUA foi o de estudar o sistema prisional americano, tendo publicado as conclusões da sua viagem na obra "Democracy in America". "American Vertigo" de Bernard-Henri Lévy (BHL) é muito mais do que um estudo sobre o sistema prisional americano (aconselho-o vivamente ao caríssimo Zé Amaral), é um diagnóstico de um país que não é um país qualquer, quer o amemos quer o detestemos, trata-se do país mais influente do mundo.
O diagnóstico de BHL é claro, BHL encontra um país visivelmente doente, nas palavras do autor "une nation plus incertaine de ce qu'elle est, mal assurée de ce qu'elle devient, indéterminée quant à la valeur des valeurs, c'est-à-dire des mythes, qui l'ont fondée; c'est un trouble; c'est un malaise; c'est un vacillement des repères et des certitudes, un vertige" (pag.385). BHL justifica a sua tese de uma América doente recorrendo a quatro séries de sinais:
1) A desregulação dos mecanismos de memória. Exemplos de BHL: a negação do evolucionismo, a história fictícia do baseball contada no Hall of Fame de Cooperstown, os múltiplos museus onde o imaginário disney se substitui à história, a deturpação da nacionalidade dos piratas do ar do 11 de Setembro identificados como iraquianos nas sondagens, etc;
2) A obesidade económica, financeira e política: os giga-centros comerciais, as mega-igrejas, os ultra-parques de estacionamento (cliquem a apreciem o contraste), etc. Curiosamente BHL não dá importância à obesidade física dos Americanos;
3) As fracturas no espaço político e social. Basicamente, BHL anuncia o fim do melting pot e faz uma leitura de uma tribalização, de uma balcanização e de uma desintegração da sociedade;
4) A pobreza, a exclusão e as prisões. Para caracterizar estes sinais BHL chega a citar Pierre Bourdieu, embora não concordando totalmente com o autor: "[l'Amérique] a choisi d'opposer l'Etat pénal à l'Etat social, le modèle l'Etat-pénitence à celui de l'Etat providence, le filet des contrôles policiers puis carcéraux à celui du revenu minimal et des soins médicaux garantis" (pag. 396).
Sou suspeito para avaliar BHL, mas na minha opinião este é o livro do ano (não acredito em milagres até 31 de Dezembro de 2006) por razões que vão desde a forma ao conteúdo. "American Vertigo" é também o livro mais bem escrito entre todos os que li do autor. Continuarei a comentar "American Vertigo" em próximas entradas.
segunda-feira, setembro 18, 2006
Blasfémias: o nosso Loose Change
Entradas como esta fazem com que a credibilidade do blogue Blasfémias seja a mesma de uma coluna de astrologia ou do filme Loose Change. Ignorância pimba e fuga para frente justificam tudo; tudo pode ser ciência, desde o Loose Change ao niilismo do Holocausto.
Colin Powell, esse anti-americano primário...
"The world is beginning to doubt the moral basis of our fight against terrorism" - frase de Collin Powell contida numa carta enviada ao senador John McCain.
Esta frase revela não apenas até que ponto já se percebeu nos EUA o descalabro a que chegou a política externa americana, como revela ainda, a nível nacional, o radicalismo - nalguns casos fanatismo - daqueles que continuam a defender todas as barbaridades cometidas a nível internacional pela Administração Bush.
Portugal já contava com alguns dos comunistas mais ortodoxos da Europa, mas agora conta também com alguns dos apoiantes de Bush mais fanáticos e mais radicais à face da Terra.
PS- Aqui a resposta de Bush a Powell. Aquele engasgar é revelador...
Esta frase revela não apenas até que ponto já se percebeu nos EUA o descalabro a que chegou a política externa americana, como revela ainda, a nível nacional, o radicalismo - nalguns casos fanatismo - daqueles que continuam a defender todas as barbaridades cometidas a nível internacional pela Administração Bush.
Portugal já contava com alguns dos comunistas mais ortodoxos da Europa, mas agora conta também com alguns dos apoiantes de Bush mais fanáticos e mais radicais à face da Terra.
PS- Aqui a resposta de Bush a Powell. Aquele engasgar é revelador...
domingo, setembro 17, 2006
Começou a Rentrée Literária Francesa
A Rentrée Literária Francesa já mexe, em Portugal é possível assistir aos interessantes debates e entrevistas na TV5 ou na France 2 (depende do pacote de canais do serviço de TV cabo ou satélite). Aqui ficam as sugestões desta semana: o programa "Esprits libres" de Guillaume Durand e "On n'est pas couché" de Laurent Ruquier. Em "Esprits libres" a seguir a apresentação dos livros de Maurice G. Dantec e de Jean-François Kahn, o primeiro define-se como autor de direita cyber-punk e o segundo como autor de esquerda-centrista revolucionária... O programa de Laurent Ruquier começa em grande com a apresentação do novo livro de Christine Angot, "Rendez-vous".
sábado, setembro 16, 2006
Desmentir Loose Change 2
O segundo grande argumento (ver antepenúltima entrada) da teoria da conspiração lançada pelo filme "Loose Change" retoma as teorias de Meyssan sobre a derrocada das Torres Gémeas. Entre os múltiplos delírios de Meyssan sobre o 11 de Setembro de Nova Iorque (ex: Meyssan afirma que os aviões eram telecomandados...), no seu livro "L'Effroyable Imposture" é explicada a derrocada das torres gémeas pela colocação de bombas no interior do edifício, justificando Meyssan que duas torres modernas e bem equipadas não deveriam cair após um impacto com um avião. E exemplifica invocando um acidente em que um pequeno avião chocou contra o Empire State Building, sem que o edifício tivesse corrido risco de derrocada. Isto até parece lógico, mas o problema é que Meyssan ignorava que a estrutura que suporta as Torres Gémeas é completamente diferente da estrutura do Empire State Building (existem 300 mil reportagens de TV que explicam detalhadamente estas diferenças). O que suporta o peso das Torres Gémeas é a estrutura externa em aço, visível na foto. No caso do Empire State Building (ESB) a mesma função é desempenhada por uma "gaiola" de colunas internas e externas de betão armado. A grande vantagem da estrutura externa das Torres é a de permitir maximizar a superfície dedicada aos gabinetes das empresas, dada a ausência de colunas interiores. Deste modo, cada andar das Torres Gémeas consistia de amplos espaços de gabinetes separados por placas de gesso com uma cavidade central para os elevadores, suportada por uma estrutura metálica mais ligeira. Apesar das Torres terem sido concebidas para aguentar um choque de um avião de linha a uma velocidade normal, a ausência de colunas internas (como as do ESB) e a velocidade bastante elevada a que os aviões (de tanques cheios) se projectaram contra as Torres, resultaram na destruição irreversível da estrutura interna - que não suportava o peso do edifício - e na fusão dos pisos directamente tocados. Progressivamente alguns dos pisos superiores começaram a cair fazendo cair por sua vez o piso logo abaixo até formar uma avalanche impossível de ser contida pela estrutura externa do edifício, provocando a derrocada das Torres. Obviamente que isto nunca poderia acontecer no ESB. No caso da Torre 2, o facto de o avião ter entrado junto a uma das arestas do edifício, fez com que esta Torre, apesar de ter sido atingida mais tarde, se tivesse desmoronado mais rapidamente, dada a distribuição assimétrica do peso dos pisos superiores sobre os pisos inferiores.
Analisando o atentado às Torres à distância de 5 anos percebe-se que acidentalmente a coisa correu demasiado bem para a malta da Al-Qaeda. Certamente ninguém deve ter analisado estas particularidades arquitectónicas que contribuiram para o sucesso da operação.
A teoria ucraniana sobre a ideia do 11 de Setembro
Uma teoria que eu considero mais provável sobre a ideia de lançar aviões de linha sobre as Torres Gémeas é lançada por Nima Zamar, ex-agente da Mossad, no seu livro "Je devais aussi tuer". Segundo a autora, tanto a URSS como os EUA durante a Guerra Fria possuíam planos para se atacar mutuamente caso as forças militares convencionais ficassem inoperacionais. Por exemplo, se os EUA lançassem um ataque de mísseis que destruísse por completo o arsenal militar da URSS, os agentes soviéticos infiltrados nos EUA estavam encarregues de organizar ataques com o que houvesse à "mão". Uma maneira de o fazerem, seria utilizando aviões de linha como cocktails molotov contra o Pentágono, a Casa Branca, o Capitólio, etc. Segundo Nima Zamar depois do fim da Guerra Fria alguns destes planos teriam sido vendidos por um ucraniano à Al-Qaeda. Nima reforça esta hipótese relembrando o avião de linha abatido por um míssil da marinha ucraniana pouco tempo depois do 11 de Setembro. Segundo Nima o lançamento do míssil não se tratou de um acidente, mas de um ajusto de contas com o ucraniano que vendeu os planos à Al-Qaeda. O acidente foi investigado pela Mossad, dado que se encontravam a bordo israelitas. O referido avião tinha partido de Israel com destino à Siberia.
sexta-feira, setembro 15, 2006
Desmentir Loose Change 1
Para desmentir o ponto 1) (ver entrada anterior) bastariam as mais de duas mil testemunhas que observaram o avião a colidir contra o Pentágono (algumas dezenas passaram nos canais de TV franceses). Quem conhece Washington sabe que existe uma auto-estrada multi-vias que passa mesmo ao lado do Pentágono e que permite observar em perfeitas condições (do camarote) ao longo de cerca de 3 km o choque de um avião contra o referido edifício. Meyssan deve ter julgado certamente que o Pentágono ficava situado entre ruelas do tipo arrondissement de Paris... Como se isso não bastasse foi divulgado recentemente o vídeo do parque de estacionamento do Pentágono em que se pode observar a colisão do avião com o edifício.
No entanto, resta a questão dos destroços do avião. Fazia uma certa confusão a Meyssan o facto de não serem visíveis destroços de dimensões consideráveis nas imagens divulgadas e de o Pentágono apresentar apenas um "pequeno" buraco. Meyssan não é físico, mas se ele lançasse um cocktail molotov contra um muro de tijolo, Meyssan iria compreender tudo. Depois da gasolina da garrafa arder completamente, Meyssan não iria conseguir distinguir os destroços da garrafa que sobrassem, da mesma maneira o muro de tijolo provavelmente iria apresentar apenas um pequeno buraco. Os aviões foram projectados para transportar seres humanos, mas se lhes derem aquele tipo de utilização são autênticos cocktails molotov voadores, objectivamente: um frágil recipiente cheio de gasolina.
(falta escrever sobre o ponto 2)
No entanto, resta a questão dos destroços do avião. Fazia uma certa confusão a Meyssan o facto de não serem visíveis destroços de dimensões consideráveis nas imagens divulgadas e de o Pentágono apresentar apenas um "pequeno" buraco. Meyssan não é físico, mas se ele lançasse um cocktail molotov contra um muro de tijolo, Meyssan iria compreender tudo. Depois da gasolina da garrafa arder completamente, Meyssan não iria conseguir distinguir os destroços da garrafa que sobrassem, da mesma maneira o muro de tijolo provavelmente iria apresentar apenas um pequeno buraco. Os aviões foram projectados para transportar seres humanos, mas se lhes derem aquele tipo de utilização são autênticos cocktails molotov voadores, objectivamente: um frágil recipiente cheio de gasolina.
(falta escrever sobre o ponto 2)
Loose Change: um big mac de vaca louca
Na mesma linha da astrologia, do niilismo do aquecimento global, do "atentado" a Sá Carneiro, das aparições de Fátima e da negação do Darwinismo, o filme "Loose Change" parte de alguns factos reais e científicos para forjar uma charlatanice atractiva e popular, contribuindo para a estupidificação global.
Em 2002, estava em França, e assisti em directo à apresentação do livro de "Effroyable Imposture" de Thierry Meyssan no programa "Tout le Monde en Parle" que narra uma mirabolante teoria da conspiração segundo a qual teria sido a própria administração Bush a autora dos ataques do 11 de Setembro. Toda a sua teoria é apoiada em informações retiradas da internet, praticamente Meyssan não levantou o traseiro da sua cadeirinha de computador, para chegar àquelas impressionantes conclusões. No início do programa pensei para comigo: "bem, mais um cromo profissional em teorias da conspiração, ninguém vai ligar a isto". Mas logo a reacção dos convidados do programa deu a entender que aquela teoria era demasiado popular para a coisa ficar por ali. Um dia depois a TF1 e vários jornais franceses desmontavam os pontos basilares da teoria de Meyssan. No entanto, passadas duas semanas, o livro de Meyssan era o primeiro lugar do top de vendas em França. Passado muito pouco tempo Jean Guisnel e Guillaume Dasquié - duas das pessoas mais bem informadas deste planeta sobre serviços secretos e afins - desmontaram o delírio de Meyssan através do livro "L'imposture démontée". Desde então Thierry Meyssan passou à categoria de cromo público, com uma quota de credibilidade abaixo de zero, levando infelizmente por tabela o interessante Reseau Voltaire, ao qual ainda preside.
O que se faz em Loose Change é uma espécie de enlatado das teorias de Thierry Meyssan, um big mac feito a partir de um filet mignon de vaca louca, feito a pensar no americano médio. Os dois grandes argumentos de Loose Change retomam duas teorias de Thierry Meyssan sobre o 11 de Setembro:
1) Não foi um avião que chocou contra o Pentágono;
2) O colapso das Torres Gémeas não se deveu ao choque e explosão dos aviões.
Em 2002, estava em França, e assisti em directo à apresentação do livro de "Effroyable Imposture" de Thierry Meyssan no programa "Tout le Monde en Parle" que narra uma mirabolante teoria da conspiração segundo a qual teria sido a própria administração Bush a autora dos ataques do 11 de Setembro. Toda a sua teoria é apoiada em informações retiradas da internet, praticamente Meyssan não levantou o traseiro da sua cadeirinha de computador, para chegar àquelas impressionantes conclusões. No início do programa pensei para comigo: "bem, mais um cromo profissional em teorias da conspiração, ninguém vai ligar a isto". Mas logo a reacção dos convidados do programa deu a entender que aquela teoria era demasiado popular para a coisa ficar por ali. Um dia depois a TF1 e vários jornais franceses desmontavam os pontos basilares da teoria de Meyssan. No entanto, passadas duas semanas, o livro de Meyssan era o primeiro lugar do top de vendas em França. Passado muito pouco tempo Jean Guisnel e Guillaume Dasquié - duas das pessoas mais bem informadas deste planeta sobre serviços secretos e afins - desmontaram o delírio de Meyssan através do livro "L'imposture démontée". Desde então Thierry Meyssan passou à categoria de cromo público, com uma quota de credibilidade abaixo de zero, levando infelizmente por tabela o interessante Reseau Voltaire, ao qual ainda preside.
O que se faz em Loose Change é uma espécie de enlatado das teorias de Thierry Meyssan, um big mac feito a partir de um filet mignon de vaca louca, feito a pensar no americano médio. Os dois grandes argumentos de Loose Change retomam duas teorias de Thierry Meyssan sobre o 11 de Setembro:
1) Não foi um avião que chocou contra o Pentágono;
2) O colapso das Torres Gémeas não se deveu ao choque e explosão dos aviões.
quinta-feira, setembro 14, 2006
O que é o capitalismo selvagem?
É isto:
"It is ridiculous to call this an industry. This is not. This is rat eat rat, dog eat dog. I'll kill'em, and I'm going to kill'em before they kill me. You're talking about the American way - of survival of the fittest."
Ray Kroc proprietário e verdadeiro impulsionador da cadeia McDonalds entre 1961 e 1984.
"It is ridiculous to call this an industry. This is not. This is rat eat rat, dog eat dog. I'll kill'em, and I'm going to kill'em before they kill me. You're talking about the American way - of survival of the fittest."
Ray Kroc proprietário e verdadeiro impulsionador da cadeia McDonalds entre 1961 e 1984.
quarta-feira, setembro 13, 2006
A coca é o ópio das FARC
Ivan Rios, um graduado das FARC, em entrevista a Bernard-Henri Lévy (em "Réflexions sur la Guerre, le Mal et la Fin de l´Histoire"):
"est-ce que c'est normal de voir des petits propiétaires qui, non contents de travailler comme des mules, se font racheter leurs lopins pour une bouchée de pain par les latifundiaires? Réponse: non; on ne va pas accepter, sans réagir, la progression, à la faveur de la coca, du grand capital dans la campagne colombienne. (...) On taxe. On prélève un impôt sur les latifundiaires. Et, accesoirement, on empêche que les énormes flux de richesse générés par le commerce de la pâte à coca aillent finir dans les paradis fiscaux."
Taxas... Está-se mesmo a ver...
As FARC embriagadas pelos milhões da coca que servem para financiar o seu apetite insaciável por armas, com toda a lata do mundo, introduzem-se na cadeia da negociata da coca que vai desde o pequeno produtor até ao paraíso fiscal. As FARC são uma espécie de proxeneta do pequeno produtor e de dealer do grande capital, utilizando os métodos típicos de banais traficantes, queimando, violando e torturando, como o fizeram no campo de Los Pozos, ou recrutando crianças-soldado, ou ainda recorrendo aos raptos em massa.
Em linguagem marxista poderíamos de dizer que a coca é o ópio das FARC.
"est-ce que c'est normal de voir des petits propiétaires qui, non contents de travailler comme des mules, se font racheter leurs lopins pour une bouchée de pain par les latifundiaires? Réponse: non; on ne va pas accepter, sans réagir, la progression, à la faveur de la coca, du grand capital dans la campagne colombienne. (...) On taxe. On prélève un impôt sur les latifundiaires. Et, accesoirement, on empêche que les énormes flux de richesse générés par le commerce de la pâte à coca aillent finir dans les paradis fiscaux."
Taxas... Está-se mesmo a ver...
As FARC embriagadas pelos milhões da coca que servem para financiar o seu apetite insaciável por armas, com toda a lata do mundo, introduzem-se na cadeia da negociata da coca que vai desde o pequeno produtor até ao paraíso fiscal. As FARC são uma espécie de proxeneta do pequeno produtor e de dealer do grande capital, utilizando os métodos típicos de banais traficantes, queimando, violando e torturando, como o fizeram no campo de Los Pozos, ou recrutando crianças-soldado, ou ainda recorrendo aos raptos em massa.
Em linguagem marxista poderíamos de dizer que a coca é o ópio das FARC.
terça-feira, setembro 12, 2006
O impacto da SMART 1
segunda-feira, setembro 11, 2006
Mais um atentado no Iraque...
Já se tornaram tão banais os atentados no Iraque, que foram raros os telejornais ocidentais que noticiaram hoje a morte de mais 13 iraquianos num atentado à bomba. Hoje, as vítimas foram novos recrutas do exército iraquiano que supostamente é aliado da coligação que ocupa o Iraque. Será que os aliados da coligação renderam também a estes 13 soldados a homenagem devida?
Estou fora do país e o Prós e Contras de hoje só é transmitido às quartas na RTPi. No entanto, duvido muito que o ilustre convidado do programa que vai tomar o partido da Administração Bush faça alguma referência à morte no dia de hoje destes 13 "aliados".
Estou fora do país e o Prós e Contras de hoje só é transmitido às quartas na RTPi. No entanto, duvido muito que o ilustre convidado do programa que vai tomar o partido da Administração Bush faça alguma referência à morte no dia de hoje destes 13 "aliados".
Esquerda conservadora? Não obrigado!
Caro Miguel Madeira,
A minha crítica à Ruptura pouco tem a ver com radicalismo. O radicalismo não tem cor política. Radical pode ser a extrema-direita, os No Name Boys ou os Super-Dragões, uma associação pró-vida, uma mensagem papal contra o preservativo ou os artigos do João César das Neves e do José Manuel Fernandes.
O que critico na Ruptura é sobretudo seu conservadorismo e, em parte, a pobreza e a simplicidade dos seus textos e das suas reflexões políticas. Este segundo ponto pode ser verificado através de uma rápida visita ao sítio internet da Ruptura.
O conservadorismo da Ruptura baseia-se numa visão hermética da esquerda e numa leitura dogmática do marxismo que culmina na cristalização ideológica do movimento. É um conservadorismo que recupera muito do imaginário e dos tiques autoritários que caracterizavam grande parte da esquerda do final do século XIX e do início do século XX. Nesses tempos em que o mundo era dominado pela direita e em que a democracia, os sindicatos e a cidadania eram uma miragem, o crescimento da esquerda usou das mesmas formas de violência que a direita (era normal naqueles tempos).
A Ruptura não simpatiza com as "causas fracturantes" (inclusivamente o aborto), é contra a paridade e cada vez que se pronunciam sobre a sexualidade nota-se muito desconforto nas entre-linhas.
A Ruptura é contra instituições internacionais como a ONU e a UE, encontrando-se assim na prática mais próxima dos neo-conservadores quando estes defendem a primazia do belicismo internacional (guerrilha internacional na versão Ruptura), do que propriamente da esquerda que defende a primazia do direito internacional e que privilegia a razão ao som das botas a marchar.
A Ruptura não gosta do Maio de 68, não gosta da esquerda que questiona e que se questiona e não gosta do pós-modernismo.
Acontecimentos como o fim do regime soviético, a Primavera de Praga e a revolta húngara contra a invasão soviética são analisados telegraficamente nos textos da Ruptura.
A Ruptura enfeita o seu discurso com as palavras "revolução" e "trabalhador" como quem distribuiu bolinhas vermelhas numa árvore de Natal. As revoluções não se fazem com conteúdos conservadores, fazem-se com conteúdos inovadores e vanguardistas, algo inexistente no discurso da Ruptura. Os membros da Ruptura continuam a pronunciar as palavras "trabalhador", "operário", "camponês", etc., como se a composição actual das nossa sociedade fosse ainda dominada pelos sectores primário e secundário, tal como início do século XX.
Caro Miguel Madeira, quanto à questão das alas esquerda ou direita do BE, no que me toca a resposta está dada. Vejo o autoritarismo e o conservadorismo da Ruptura do lado do MRPP e do PCP, vejo-os a clonar a direita, como se fazia (erradamente) no início do século XX. Nesse cruzamento, eu guino à esquerda!
A minha crítica à Ruptura pouco tem a ver com radicalismo. O radicalismo não tem cor política. Radical pode ser a extrema-direita, os No Name Boys ou os Super-Dragões, uma associação pró-vida, uma mensagem papal contra o preservativo ou os artigos do João César das Neves e do José Manuel Fernandes.
O que critico na Ruptura é sobretudo seu conservadorismo e, em parte, a pobreza e a simplicidade dos seus textos e das suas reflexões políticas. Este segundo ponto pode ser verificado através de uma rápida visita ao sítio internet da Ruptura.
O conservadorismo da Ruptura baseia-se numa visão hermética da esquerda e numa leitura dogmática do marxismo que culmina na cristalização ideológica do movimento. É um conservadorismo que recupera muito do imaginário e dos tiques autoritários que caracterizavam grande parte da esquerda do final do século XIX e do início do século XX. Nesses tempos em que o mundo era dominado pela direita e em que a democracia, os sindicatos e a cidadania eram uma miragem, o crescimento da esquerda usou das mesmas formas de violência que a direita (era normal naqueles tempos).
A Ruptura não simpatiza com as "causas fracturantes" (inclusivamente o aborto), é contra a paridade e cada vez que se pronunciam sobre a sexualidade nota-se muito desconforto nas entre-linhas.
A Ruptura é contra instituições internacionais como a ONU e a UE, encontrando-se assim na prática mais próxima dos neo-conservadores quando estes defendem a primazia do belicismo internacional (guerrilha internacional na versão Ruptura), do que propriamente da esquerda que defende a primazia do direito internacional e que privilegia a razão ao som das botas a marchar.
A Ruptura não gosta do Maio de 68, não gosta da esquerda que questiona e que se questiona e não gosta do pós-modernismo.
Acontecimentos como o fim do regime soviético, a Primavera de Praga e a revolta húngara contra a invasão soviética são analisados telegraficamente nos textos da Ruptura.
A Ruptura enfeita o seu discurso com as palavras "revolução" e "trabalhador" como quem distribuiu bolinhas vermelhas numa árvore de Natal. As revoluções não se fazem com conteúdos conservadores, fazem-se com conteúdos inovadores e vanguardistas, algo inexistente no discurso da Ruptura. Os membros da Ruptura continuam a pronunciar as palavras "trabalhador", "operário", "camponês", etc., como se a composição actual das nossa sociedade fosse ainda dominada pelos sectores primário e secundário, tal como início do século XX.
Caro Miguel Madeira, quanto à questão das alas esquerda ou direita do BE, no que me toca a resposta está dada. Vejo o autoritarismo e o conservadorismo da Ruptura do lado do MRPP e do PCP, vejo-os a clonar a direita, como se fazia (erradamente) no início do século XX. Nesse cruzamento, eu guino à esquerda!
quinta-feira, setembro 07, 2006
Česky Sen (Sonho Checo) no canal Arte
"O Sonho Checo", um filme fortemente recomendado pela Klepsýdra no canal ARTE, é transmitido amanhã às 22.50 (hora de Portugal). Ler comentário Klepcinema sobre "O Sonho Checo".
quarta-feira, setembro 06, 2006
Para a esquerda do Não ao Tratado Constitucional
Depois da crise do Líbano e depois deste abuso dos aviões da CIA que acumula com abuso do programa de espionagem ECHELON, pergunto aos meus amigos de esquerda que defendem o Não ao Tratado Constitucional, se sinceramente acham que estamos melhor assim? Será esta a nossa Europa? Uma Europa com uma política internacional confusa, fraca, sujeita aos caprichos da Polónia (por sua vez condicionada pelos dólares de Fundações George Soros e afins) ou do Reino Unido; uma Europa cuja política externa está sujeita ao calendário das eleições francesas, italianas, alemãs ou britânicas; uma Europa vergada ao poder dos Conselhos de Ministros em que o Parlamento Europeu tem um papel de figurante. É isto que realmente queremos?
Entretanto, a Administração Bush e os que defendem o liberalismo económico mais selvagem (basta ler os nosso blogues) agradecem tanto o Não francês como o Não holandês...
Entretanto, a Administração Bush e os que defendem o liberalismo económico mais selvagem (basta ler os nosso blogues) agradecem tanto o Não francês como o Não holandês...
terça-feira, setembro 05, 2006
Gata Preta*, Gato Branco
"Gato Preto Gato Branco" é uma comédia maravilhosa, uma pérola cinematográfica de Emir Kusturica. Todos os detalhes que nos são revelados pelo enquadramento da câmara de filmar são deliciosos, fazendo lembrar aquelas bandas desenhadas em que personagens minúsculas desenvolvem múltiplas histórias paralelas à história principal, nos cantos de cada quadradinho. "Gato Preto Gato Branco" também pode ser isso, uma banda desenhada de carne e osso, e nesse caso seria na minha opinião a melhor banda desenhada transposta para o cinema. "Gato Preto Gato Branco" também pode ser visto como um conto de fadas balcânico, um atestado de incompetência aos milhões da Disney, um conto fadas como deve de ser, com ciganos, meninos virgens (gatos brancos), meninas desinibidas (gatas pretas) e famílias assanhadas de navalha em riste. É o mundo encantado dos balcãs!
Como é habitual nos filmes de Kusturica, o elenco de actores é excelente. Srdjan Todorovic está absolutamente intratável neste filme no papel do mafioso Dadan. O grande Miki Manojlovic assume um papel secundário desta vez, mas para mim é sempre um prazer vê-lo no écran. Fico cada vez mais convencido que alguns dos melhores actores do planeta andam ali pelos balcãs, só é pena não chegarem até nós mais filmes daquela zona da Europa.
Tenho a doce memória de rir às gargalhadas vendo este filme acompanhado da minha avó paterna que é analfabeta (eu bem tentei formar uma brigada de alfabetização da minha avó, mas não tive sucesso). Constatei como "Gato Preto Gato Branco" tem o raro dom de recorrer a uma linguagem universal, compreensível mesmo para quem nem lê legendas, nem percebe sérvio.

* A Eva Lima chamou-me a atenção, e com razão, para o facto da tradução directa do título original "Crna macka, beli macor" ser "Gata Preta, Gato Branco", o que está mais de acordo com os "gatos" e as "gatas" do filme. Desconfio que o título português do filme deva ter sido traduzido do título inglês (cat é gata e gato...) ou do francês. Em francês chatte pode significar muito mais do que uma simples gata...
segunda-feira, setembro 04, 2006
Concordo II
Concordo em absoluto com o texto "Política imberbe" da Joana Amaral Dias sobre um certo tom de machismo de pacotilha que está a marcar os preparativos das presidenciais francesas. Aliás, recentemente escrevi aqui um texto (meio delirante, admito) que aborda o mesmo assunto pelo prisma dos temíveis segredos da casa de banho para cavalheiros.
domingo, setembro 03, 2006
SMART 1: ciência kamikaze

Depois de uma missão marcada pelo sucesso da utilização de um motor iónico e pela análise detalhada da superfície lunar, a a sonda SMART-1 chegou ao fim da sua missão de uma forma espectacular, estatelando-se como previsto na superfície lunar! Os fragmentos do solo e do subsolo lunar projectados pela colisão foram prontamente analisados por instrumentos baseados na Terra e serviram para produzir ainda mais ciência.
As fotografias aqui apresentadas foram obtidas pelo Canada-France-Hawaii Telescope instalado no cimo do vulcão Mauna Kea, a 4200m de altitude.
sábado, setembro 02, 2006
Sábado em Coimbra XXX: cidades universitárias
Enquanto contemplava o Mondego, lá de cima da Couraça, dei por mim a pensar na minha cidade tipo. Gosto dessas cidadezinhas, nem muito grandes nem muito pequenas, que fervilham ao ritmo de uma universidade. Freiburg, Tübingen, Pádua, Ferrara, Bolonha, Olomouc, Salamanca, Leuven, Würsburg, Louvain-la-Neuve ou Leicester são tudo cidades que rimam com o meu modo de vida. Oxford, Santiago de Compostela e Heidelberg são cidades que já admiro antes mesmo de lá ter metido os pés (aceito convites). Também gosto de cidades grandes que parecem pequenas, como Bruxelas, ou cidades grandes que não parecem grandes, como Munique. Mas não gosto de cidades grandes como Lisboa, Londres, Hong Kong ou Los Angeles, não gosto do reino do tubo de escape, do alcatrão e do betão.
É a maldição de Coimbra... mas é uma boa maldição.
Sábado em Coimbra XXIX
É a maldição de Coimbra... mas é uma boa maldição.
Sábado em Coimbra XXIX
Filhos de uma grande Helena!
Os filhos de Helena, esses mediterrânicos(as) peludos(as) a quem devemos a Odisseia, a filosofia, os primeiros rudimentos científicos (com Ptolomeu, Pitágoras e Arquimedes) e os jogos olímpicos, voltaram a fazer das deles. Já não bastava a estrondosa vitória contra a Troia de Heitor ou o surpreendente título no Euro 2004, desta vez foram só os EUA nas meias-finais do campeonato do mundo de basquete adecorrer no Japão. Sabemos que esta equipa dos EUA não é a verdadeira constelação, mesmo assim é obra.Na final segue-se a Espanha. Estou com os filhos de Helena e tal qual um verdadeiro épico grego vou manipular Zeus e todo Olimpo, usar de todas as artimanhas próprias do Olimpo para dar a vitória à Grécia. ΣΛΛΑΔΑ!!
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