quarta-feira, junho 29, 2005

Rifkin: Modelo social europeu e Adam Smith

Rifkin para o Guardian:

"Today, while corporate profits are soaring around the world, 89 countries find themselves worse off economically than they were in the early 1990s."

"The champions of capitalism pledged to promote sustainable economic development; yet we continue to squander our remaining fossil-fuel reserves, spewing increasing amounts of carbon dioxide into the atmosphere, destroying the world's ecosystems and habitats, with the prospect of catastrophic climate change."

"The central tenet of capitalism is found in the words of the Scottish Enlightenment economist Adam Smith. He believed that an invisible hand ruled over the market place, guaranteeing that everyone would eventually benefit, if only the market mechanism were left unencumbered. Neoconservative economists and politicians still believe this. In reality, the invisible hand has turned out to be nonexistent. Left to its own internal logic, the unfettered market leads not to a bigger share of the economic pie for all but a "winner takes all" endgame."

É uma espécie de jogo do Monopólio à escala mundial.
Mas o que me preocupa mais é quando Rifkin refere:

"The European Union's crisis has obscured the fact that it has come closest to balancing market dynamism and social protection"

A Europa ainda tem muita coisa a melhorar, mas é preciso não esquecer (obscurecer) que em nenhuma outra região do mundo se foi tão longe na ecologia, na redução do horário de trabalho, no tempo de férias, na cobertura social, na luta contra a exclusão, na sexualidade, na paridade, na laicidade, na integração de países vizinhos mais pobres (da Irlanda à Polónia), na qualidade de vida e no desenvolvimento sustentável.
É por isso que julgo que está na hora da esquerda do NÃO passar à esquerda do SIM (refiro-me ao BE e algum PS, não ao PS de António Barreto do "dantes é que era bom"), relançando o debate e propondo alterações. Se não, corremos o risco de ver arrastado pelo esgoto dos nacionalismos junto com o Tratado, o que de mais interessante se construiu na Europa. Depois o melhor é vender a Europa ao Texas e vamos todos curtir uma overdose de CO2...

terça-feira, junho 28, 2005

Rifkin propõe grande debate europeu

Jeremy Rifkin, o autor de "O Sonho Europeu", propõe um grande debate europeu para a Europa sair da crise e clarificar o seu futuro. Vale a pena ler mais algumas das interessantes ideias de Rifkin expostas no artigo do Figaro. Rifkin é optimista, mas gostaria que tivesse razão. Com políticos pouco motivados a dirigir a UE vejo a ideia de Rifkin muito distante e a coisa só vai piorar a partir de 1 de Julho com presidência britânica. Eu neste momento já nem peço muito, bastar-me-ia que Junker ocupasse o lugar de Barroso.

segunda-feira, junho 27, 2005

Corre Lola Corre


"Lola Rennt" de Tom Tykwer é um filme que nos propõe um conjunto de realidades possíveis centradas na personagem Lola. Cada um dos cenários alternativos pode ter um desfecho radicalmente diferente, basta para isso mudar um pequeno detalhe no desenrolar da acção. Num dos cenários Lola corre mais devagar, noutro mais depressa, noutro ainda tropeça na personagem X, noutro na personagem Y, mas as consequências nunca são as mesmas. Somos realmente capazes de controlar o nosso futuro? Lola é, e a resposta é nos revelada na conversa íntima entre Lola e Manni num momento íntimo em pleno leito de amor.
Tom Tykwer é um desses novos realizadores alemães (como Sönke Wortmann ou Joseph Vilsmaier) que produz pequenos grandes filmes, mais vocacionados para o grande público sem mergulhar no fácil e no óbvio, conseguindo estimular públicos bastante distintos. O formato de "Lola Rennt" não é fácil, mas o ritmo do filme é bastante atractivo muito ao jeito de um videoclip, onde o tema "Wish-Komm zu mir" de Franka Potente (Lola) e Thomas D. tem um papel essencial.

sábado, junho 25, 2005

A Europa de Bernard-Henri Lévy

Hoje às 18.00 de Portugal no canal ARTE, Bernard-Henri Lévy vai falar sobre a sua ideia de Europa na rubrica "Mon Europe à moi". Aquele que é na minha opinião um dos maiores filósofos dos nossos tempos e certamente o mais universalista de todos, seria um daqueles europeus em quem eu votaria de olhos fechados para um hipotético presidente da Europa.

Dois anos de Aba

Há dois, com muito entusiasmo, fui um dos que ligou ao mundo o blogue irmão da Klepsýdra, a Aba de Heisenberg. Dois anos depois a Isabel, o João, o Nuno, o Sérgio e o Paulo César continuam fiéis à incerteza como princípio.

sexta-feira, junho 24, 2005

A morte David Kelly na ARTE

No canal ARTE às 19.40 um filme sobre a morte de David Kelly. Bom serviço público para quem tem a sorte de não ter este canal censurado na TV Cabo.

INTEGRAL no Portal do Astrónomo

A missão espacial INTEGRAL - o melhor telescópio de raios gama jamais contruído - em Português no Portal do Astrónomo. O texto já tem quase um ano. Assim que tiver tempo acrescentarei resultados e comentários dentro do possível.

quarta-feira, junho 22, 2005

Cosmos I

Parece cada vez mais certo que se perdeu a vela solar Cosmos I lançada esta madrugada, um projecto notável da Planetary Society e da Cosmos Studio. Seria uma experiência inédita e interessante saber até que ponto um veículo espacial poderia deslocar-se através da energia transmitida pelo vento solar. É pena.

Wish - Komm zu mir

I wish I was a hunter
in search of different food
I wish I was the animal
which fits into that mood
I wish I was a person
with unlimited breath
I wish I was a heartbeat
that never comes to rest
Komm zu mir, komm zu mir,
komm zu mir, komm zu mir

I wish I was a stranger
who wanders down the sky
I wish I was a starship
in silence flying by
I wish I was a princess
with armys at her hand
I wish I was a ruler
who'd make them understand
Komm zu mir, komm zu mir,
komm zu mir, komm zu mir

Wir sprengten jeden Rahmen als wir zusammenkamen
war es wie eine Explosion und ich schwör ich spür
die Erschütterung immer noch
Ich weiß Du rennst und doch bist Du erst da und nah
wenn Du in meinen Armen liegst, ich geh zu Boden,
wenn Du nicht mit mir fliegst

Oh baby, bitte, bitte lauf, lauf
gib nicht auf ich hab dich vermisst
Es fressen mich Dämonen auf, wenn Du nicht bei mir bist
Ich tue was Du verlangst, hab keine Angst
Ich lass dich nicht allein, denn uns gehört die Welt
wir können alles sein doch jetzt bist Du auf dich gestellt

I wish I was a writer
who sees what's yet unseen
I wish I was a prayer
expressing what I mean
I wish I was a forest
of trees that do not hide
I wish I was a clearing
no secrets left inside

Komm zu mir zurück, ich bin wegen Dir hier
Zum Glück bleibt uns noch Zeit bis zur Ewigkeit
ein Stück deines Daseins steckt in mir
und ich halt es fest, doch die Erinnerung bringt mich um
weil es mich nicht loslässt

Bitte bleib bei mir, verzeih mir lass es dich nicht zerstören
wir kommen frei hier wenn wir nur auf die Liebe schwören


Franka Potente & Thomas D.

terça-feira, junho 21, 2005

Campos de algodão nos Alpes e na Lapónia, obviamente!

Segundo uma notícia da Reuters, em visita ao Burkina Faso esse grande educador dos povos e das massas, Paul Wolfowitz, declarou:
"The key to tackling the problem of cotton subsidies, which obviously hurts farmers here in Burkina Faso and in other poor countries... is to tackle agricultural subsidies across the board".
Desde que se cortem os subsidios em todos os países excepto nos EUA, digo eu. O algodão estrangeiro que ainda aparecer lá pelos US Customs eles tratam-lhe da saúde, que o protecionismo também é patriotismo.

Na mesma notícia os países em vias de desenvolvimento queixam-se:
"they are pushed out of the market by the subsidies rich nations pay their cotton farmers, and argue the huge subsidies to U.S. cotton producers -- which at $4 billion are larger than the whole Burkina Faso economy -- are the cause of a collapse in cotton prices."
Leram bem "U.S. cotton producers", não leram? Agora leiam esta Nota final do Blasfemo Gabriel, que até é um dos meus bloguistas preferidos, mas que infelizmente de vez em quando tem uns ataques incontroláveis de fúria anti-europeísta. Segundo o Gabriel a culpa é da PAC, da Europa pois claro! Maldita Europa que subsidia esses produtores de algodão dos Alpes (franceses), dos Pirinéus (bascos claro), da Lapónia, da Gronelândia, da Praia do Meco enfim de todo esse imenso território europeu onde tropeçamos em resmas e resmas de algodão, obviamente!

A obesidade infantil de mão dada com a estupidez

Sobre a estatística horrenda da obesidade infantil que aqui publiquei, o meu fiel leitor que dá pelo nome de guerra "Random" comentou:

Será que há algum estudo que relacione essas estatísticas com a educação média das pessoas?

O atento JPT do Ma-Schamba já o tinha feito nesta entrada, ligando a obesidade infantil a um gráfico publicado no Canhoto que mostra a percentagem da população entre os 20 e os 24 anos com o secundário concluído. Podemos ver os países das crianças obesas (Malta, Portugal, Itália e Espanha) lá na parte inferior do gráfico. Os pais dos meninos obesos com idades entre 7 e 11 anos pertencem a uma faixa etária no mínimo dez anos mais velha que a do gráfico, por isso o respectivo o gráfico dos que possuem o secundário completo é certamente ainda mais vergonhoso para os países do sul da Europa.

domingo, junho 19, 2005

Une liaison pornographique

"Une liaison pornographique", de Frédéric Fonteyne, é a história de um casal ("Ela" e "Ele") que se encontra através de um anúncio de uma revista para adultos com o intuito de concretizar uma determinada fantasia sexual. O problema é que as relações não são simples e em geral há sempre uma factura a pagar, por muito objectiva que possa ser a intenção inicial da relação entre dois amantes ocasionais. Ao contrário do que o título possa dar a entender, "Une liaison pornographique" é um romance, não é obviamente um romance à moda antiga, mas é um romance com R grande.
Sergi López é "Ele". O Serchi é um dos meus actores preferidos, adoro aquele sotaque catalão quando se exprime em francês. "Une liaison pornographique" também faz parte de uma listinha pessoal, a lista dos meus filmes preferidos que publiquei aqui há uns tempos.

Final no feminino

Alemanha vs Noruega (hoje 15.15), a final é clássica, mas gosto do futebol feminino jogado a este nível. É mais lento que o dos homens, há mais erros, mas é bonito, mais técnico e jogado mais à flor da pele. As estrelas são Solveig Gulbrandsen da Noruega e Birgit Prinz da Alemanha. Prinz impressionou pela velocidade e pela capacidade de passe. Gulbrandsen é mais oportunista, mas teve um momento complicado na meia-final ao levantar a camisola para comemorar um golo, o soutien estava lá mas a árbitro não perdoou o cartão amarelo. Os homens só levam amarelo se tirarem a camisola...injustiças, injustiças!

sábado, junho 18, 2005

A Excepção Somítica Inglesa II (actual.)

Como se esperava não houve acordo sobre as Perspectivas Financeiras da UE. No entanto, a França estava disposta a abdicar de regalias na PAC, a Alemanha disponibilizou-se para um esforço financeiro superior ao que estava previsto, até os 10 novos países da UE anunciaram estar dispostos a abdicar de certas exigências (que fez Junker declarar que teve vergonha desse momento) e o Reino Unido?...

Títulos:
"EU unites against Blair over rebate", The Independent
"Mister Scrooge in Brüssel", Die Zeit
"Tony Blair oblige l'Europe à redéfinir ses priorités", Le Monde
"Rebate row wrecks EU summit", The Guardian
"EU-Finanzgipfel endet im Debakel", Die Welt
"La panne de l'Europe entérinée au sommet", Libération
"Noví clenovia EÚ sa hnevajú na bohatých", Pravda (SK)
(Novos membros da UE zangados com os países ricos)
"Hádky o peníze rozdelují Evropu", Dnes (CZ)
(Disputas sobre o orçamento dividem a Europa)
"Jornalismo de recados", Abrupto

Em Portugal em vez de se comentar o impasse de uma forma rigorosa chuta-se a culpa para os jornalistas da capelinha lusitana e malha-se nos franceses de forma velada. É a conclusão de alguém que leia a imprensa britânica, alemã ou francesa. No que toca à política europeia, é por estas e por outras que me encontro do outro lado da barricada dos autores e apoiantes do Sítio do NÃO.

sexta-feira, junho 17, 2005

Por favor não destruam os putos

Mais de 30% das nossas crianças entre os 7 e os 11 anos são obesas ou têm excesso de peso... Que os pais se matem com cerveja, tabaco, açucar, etc., estou-me nas tintas, mas pelo menos poupem os putos, poupem os putos das litradas de Fanta à refeição, dos geladinhos a toda a hora, dos bolicaos e dos hamburgueres com batatas fritas.


Gráfico tirado do International Obesity Task Force EU Platform Briefing Paper.

quinta-feira, junho 16, 2005

A Excepção Somítica Inglesa

Sempre que surgem ondas de histeria anti-francesa lá vêm as críticas à excepção cultural francesa (quase sempre mal informadas). Ora o Reino Unido é talvez o país da Europa que tem mais excepções (culturais, económicas, sociais, políticas, etc.). Para quem aprecia a Europa da diversidade por contraponto à tacanhez da Europa das nações, as excpções britânicas são mais motivo de interesse do que de repulsa. Os ingleses conduzem do lado esquerdo, utilizam o sistema imperial de medida, preferem a libra ao euro, possuem uma câmara de Lords, não possuem constituição e professam uma religião nacional, o anglicanismo. Há muita gente no continente que se incomoda com isto, mas este é o Reino Unido que os britânicos querem, faz parte das suas opções legítimas. Este incómodo não é muito diferente dos que criticam a excepção cultural francesa, são irrelevantes tiques de provincianismo.

Uma das excepções inglesas que já não têm muita piada é a relação com a Escócia e a Irlanda do Norte, territórios nem sempre tratados como parceiros iguais do Reino, revelando certa política inglesa tiques colonialistas mal disfarçados.

Outra excepção é o "desconto para amigos" concedido pela CEE desde 1984 ao Reino Unido após uma birra de Margaret Thatcher, "I want my money back", disse ela. Segundo Thatcher o Reino Unido contribuia mais do que recebia para a CEE (o que é normal entre países ricos: Alemanha, França, Dinamarca, Holanda) e considerava que a PAC beneficiava mais a França (o que é verdade mas o Reino Unido não se pode queixar muito, principalmente a rainha, a maior beneficiária individual de fundos europeus até há bem pouco tempo). Desde então a contribuição do Reino Unido é feita abaixo da base de cálculo que rege toda a União Europeia (UE). As perspectivas financeiras que se discutem hoje em Bruxelas vão ser marcadas pelo protesto dos restantes 24 países europeus contra excepção britânica, o que faz sentido numa Europa a 25 que necessita de maior solidariedade. A chave para acabar com os privilégios britânicos talvez estivesse na cedência da França em relação aos benefícios que obtém dos fundos destinados à PAC, fundos esses que têm um peso excessivo dentro do orçamento da UE. O mais certo é prevalecer a atitude de marretas por parte da França e do Reino Unido, aquilo dá muitos votos a nível interno, mas perdem todos na UE.

terça-feira, junho 14, 2005

Nos novos estádios mulher não entra II (comentários)

"Comento apenas esta frase: "Em Portugal já se sabe, o futebol não é para meninas."
Parece-me que cada vez menos é assim, sobretudo depois do Euro 2004.
Em 2004, a habitual propaganda ao futebol, que tradicionalmente enche os telejornais ad nauseum, atingiu proporções surrealistas, nos telejornais, nos espaços publicitários, nos artigos de opinião, nos comentadores, blogues, etc, etc. Não me parece que uma tal esposição aos "memes do futebol" tenha passado sem deixar marcas. Suspeito que se se tivessem feito estudos há 5-10 anos atrás sobre o interesse das mulheres pelo futebol, e se comparassem com estudos feitos nas mesmas condições após o Euro 2004, observariamos uma diferença abismal nos resultados. Mas isto é só uma suposição, baseada na pequena amostra que me rodeia. Naturalmente, ocorreu o mesmo efeito com os homens, mas essa população já estava em grande parte "infectada" e o efeito não terá sido tão notório. Em todo o caso, não me parece que isto signifique que as mulheres tenham pasado a ir mais ao futebol. Elas interessam-se mais, comentam os resultados e conhecem os nomes e a vida dos jogadores, mas para ir ver um jogo ao estádio é necessário que entrem em jogo outros hábitos de grupo (de grupos de rapazes e de homens, claques, cerveja, etc), que não me parece que tenham sido assimilados pelas mulheres durante "a grande epidemia do Euro" (e mesmo assim não sei, nas camadas mais jovens talvez...). A televisão e os restantes media satisfazem as necessidades de informação / curiosidade das mulheres, suscitam a conversa sobre esses temas e é mais a esse nível que noto (grandes) diferenças.
"
Nuno (Aba de Heisenberg)

"Futebol feminino, e moderno, em Portugal teria muita, muita piada. Oxalá a coisa se mexa. Seria saudável e seria um bom sinal."
Nuno Vargas (Catalunya@large)

"Sim, no futebol mulher é ainda um adereço seja no estádio para mostrar às camaras ou no relvado (já há cheerleaders?). Por cá [Finlândia], na quarta o noticiario da radio deu primeiro o resultado delas (empate a 0 com as suecas) e sö depois o deles (0-4 com os holandeses).. uma questão de orgulho pátrio talvez. Hoje fazem a capa do principal jornal do país e não é para menos, a primeira vez que passam às meias finais de uma competição."
Homem das Neves (Sob a Estrela do Norte)