Eu estranho um grupo de empresários, como o do Compromisso Portugal, que se apresenta como fresco, dinâmico e com ideias novas para contribuir para o debate político, e depois a cada oportunidade propõe como medidas principais:
- A diminuição de impostos
- A flexibilização dos contratos de trabalho
- A redução da cobertura social
- A moderação salarial
- O aumento das propinas nas universidades
Eu julgava que um grupo de empresários estaria mais preocupado com:
- O investimento (privado ou público) na investigação em ciência fundamental e em novas tecnologias
- Estreitar a cooperação entre empresas e universidades
- A diminuição da burocracia
- Uma aposta acima da média europeia no investimento na educação e na investigação para recuperarmos o nosso imenso atraso
- A formação dos nossos empresários, dado que os empresários nacionais são os que apresentam as qualificações mais baixas da Europa, bem longe dos países com valores mais próximos
- O melhoramento da rede de transportes e telecomunicações
- A regulação do sector da energia, para acabar com situações de cartel e monopólio, permitindo a baixa dos preços
Mas não, disto ouve-se muito pouco. Tudo tresanda a ideologia no discurso do Compromisso Portugal. Aquele verniz de independência partidária estala ao primeiro contacto. Percebe-se que a preocupação genuína não é com o país, não é um compromisso com Portugal, é mais a preocupação de que os empresários se vão safando. Aliás dentro da mesma filosofia da geração de empresários anterior, que se foi sempre safando à custa de mão de obra barata e outras habilidades que não requerem muito esforço.
É por estas e por outras que estamos na cauda.
terça-feira, fevereiro 15, 2005
segunda-feira, fevereiro 14, 2005
10000 dias das Voyager
Talvez ofuscadas pelo sucesso da sonda Huygens, foi esquecida injustamente a data em que as sondas Voyager atingiram 10000 dias de operação, os engenhos construídos pelo homem que mais se afastaram do planeta Terra, cruzando actualmente o limite do Sistema Solar. A Voyger 1 é também o veículo interplanetário construído pelo homem que atingiu maior velocidade ponta: mais de 60000 km/h. Através das câmaras instaladas nas Voyager foram captadas pela primeira vez imagens dos planetas do Sistema Solar exterior: Júpiter, Saturno (Titã também foi fotografada de perto), Urano e Neptuno. As Voyager captaram também fotografias inéditas de grupo do Sistema Solar, com todos os planetas a posarem pela primeira vez para única uma câmara. As Voyager continuam a enviar dados preciosos, magnetómetros e vários tipos de detectores continuam a funcionar, e espera-se que funcionem pelo menos até ao ano 2020.
sábado, fevereiro 12, 2005
Cientista e burocrata
Começo a dar razão ao João Magueijo, um investigador em Portugal a partir de uma certa altura começa a transformar-se num burocrata. São resmas de papel, horas e horas em frente a formulários (e agora é tudo muito mais simples com a internet), escrevo o meu nome dezenas de vezes, o nº de BI, a minha morada, a da instituição e a privada, nº de telefone, fax, email, a cidade, o país, o nº de telemóvel (que raramente ligo). Pergunto-me para quê tanta informação? A maior parte dos casos sabemos que basta o nº de BI para ser identificado e o curriculum para ser avaliado. Mas não, parece vício que herdamos do tempo da catalogação política da PIDE. Só falta a côr das cuecas. Mas essa até seria uma informação que daria com bastante gosto, ao menos quebraria a monotonia cinzentona da burocracia. Venha a porra do cartão do cidadão com uma banda magnética (a única medida anunciada pelo Sócrates que não me faz soltar um bocejo)!
É nestas alturas em que tenho saudades do tempo em que era estudante, quando podia estar livremente até às tantas da manhã a estudar assuntos que me davam gozo, a resolver problemas até o galo cantar, a derreter muita massa cinzenta cheio de satisfação.
Hoje, depois de mais uma candidatura-mais uma viagem a um projecto sinto-me um Joseph K. da ciência, infernizado pela papelada e condenado a não sei muito bem o quê.
É nestas alturas em que tenho saudades do tempo em que era estudante, quando podia estar livremente até às tantas da manhã a estudar assuntos que me davam gozo, a resolver problemas até o galo cantar, a derreter muita massa cinzenta cheio de satisfação.
Hoje, depois de mais uma candidatura-mais uma viagem a um projecto sinto-me um Joseph K. da ciência, infernizado pela papelada e condenado a não sei muito bem o quê.
quinta-feira, fevereiro 10, 2005
Miséria ambiental II
"Cresci por essas bandas, a menos de 10 km da fábrica. Quando era puto, espantava-me sempre com os telhados cinzentos que circundavam a fábrica, e com algumas ruas feitas em cimento, ao invés do alcatrão. Memórias com 20 anos..."
Blitzkrieg (O quarto segredo da Fátima)
Nesse tempo as partículas emitidas pelas chaminés da fábrica polvilhavam Maceira sem qualquer controlo. Há alguns anos foram instalados filtros de manga, que pelo menos impedem a emissão de partículas, sendo emitidos apenas os gases produzidos pelos fornos.
Blitzkrieg (O quarto segredo da Fátima)
Nesse tempo as partículas emitidas pelas chaminés da fábrica polvilhavam Maceira sem qualquer controlo. Há alguns anos foram instalados filtros de manga, que pelo menos impedem a emissão de partículas, sendo emitidos apenas os gases produzidos pelos fornos.
segunda-feira, fevereiro 07, 2005
Miséria ambiental
Durante um encontro com trabalhadores da fábrica de cimento de Maceira, perto de Leiria, é com um aperto no coração que oiço as descrições sobre as condições de trabalho na empresa. Para além dos combustíveis convencionais, nos fornos de Maceira queima-se lixo, muito lixo, lixo esse que supostamente deveria ser proveniente de resíduos urbano banais, não deveriam ser queimados ali resíduos tóxicos perigosos. As descrições deixam uma grande dúvida sobre a natureza dos resíduos.
Em Maceira e em pleno sec. XXI, quando os fornos da cimenteira são periodicamente desligados e limpos, o fato que os trabalhadores utilizam para entrar nesses fornos são exactamente os mesmos que os fatos utilizados num dia normal de trabalho. Não há botas, nem roupa, nem equipamento para respiração especial. As queixas de problemas de pele e de respiração após a limpeza dos fornos são frequentes. É o terceiro mundo em plena Europa.
No aterro de Taveiro, perto de Coimbra, existe uma unidade de triagem de lixo para reciclagem. A unidade de reciclagem parece uma casa de um nómada. Vai tudo para o chão, não há separação para contentores estanques, está tudo muito sujo, as trabalhadoras (imigrantes) que separam parte do lixo à mão não têm fatos especiais e duvido muito que tenham tomado as vacinas adequadas àquele tipo de trabalho. Os cães e os gatos andam à vontade lá dentro, sinal de desleixo dos responsáveis. Miguel Almeida, o Rei das nomeações e pau para toda a obra de Santana Lopes, é o administrador desta miséria. É uma empresa à sua imagem.
Em Maceira e em pleno sec. XXI, quando os fornos da cimenteira são periodicamente desligados e limpos, o fato que os trabalhadores utilizam para entrar nesses fornos são exactamente os mesmos que os fatos utilizados num dia normal de trabalho. Não há botas, nem roupa, nem equipamento para respiração especial. As queixas de problemas de pele e de respiração após a limpeza dos fornos são frequentes. É o terceiro mundo em plena Europa.
No aterro de Taveiro, perto de Coimbra, existe uma unidade de triagem de lixo para reciclagem. A unidade de reciclagem parece uma casa de um nómada. Vai tudo para o chão, não há separação para contentores estanques, está tudo muito sujo, as trabalhadoras (imigrantes) que separam parte do lixo à mão não têm fatos especiais e duvido muito que tenham tomado as vacinas adequadas àquele tipo de trabalho. Os cães e os gatos andam à vontade lá dentro, sinal de desleixo dos responsáveis. Miguel Almeida, o Rei das nomeações e pau para toda a obra de Santana Lopes, é o administrador desta miséria. É uma empresa à sua imagem.
domingo, fevereiro 06, 2005
Chico Buarque no Tout Le Monde en Parle
Não me canso de escrever isto, o programa "Tout Le Monde en Parle" é provavelmente o melhor talk-show do planeta. Hoje, lá para as 23.45, na TV5 (canal 43), Chico Buarque será entrevistado por Thierry Ardison.
quinta-feira, fevereiro 03, 2005
Titã: Água não! Metano!
Na China enquanto seguia o aparecimento das primeiras imagens enviadas pela Huygens (pronuncia-se aijenss, com o som do jota espanhol) com os meus colaboradores, exclamámos "Água!" quase simultaneamente quando vimos esta imagem. E corrigimos logo imediatamente: "Água não! Metano!"
(Foto Huygens, sítio ESA)
Passo a explicar a razão pela qual exclamámos água e depois corrigimos para metano. Inicialmente exclamámos água porque a forma das "pedras" que apareciam na imagem (não são pedras são formações de gelo) fazem lembrar a forma das pedras que encontramos no leito dos rios, com formas arredondadas, sem arestas afiadas. Isso é uma evidência de actividade fluvial, o que nos sugeriu a exclamação primária de "Água!". Mas após um momento de reflexão lembrámo-nos que naquela zona do sistema solar um planeta não pode ter água líquida à superfície, as temperaturas são muito baixas. Os corpos que estão a distâncias do Sol semelhantes à distância entre Saturno e o Sol, têm uma forte probabilidade de possuir metano no estado líquido à superfície. E foi por isso que corrigimos para metano. De facto, apesar de ainda existirem muitos dados por analisar a primeira teoria sobre a morfologia do solo de Titã, é a teoria dos rios de metano.

Estados da água e do metano no sistema solar em função da distância ao Sol
(esquema do livro "Cometa", Carl Sagan, Gradiva)
(Foto Huygens, sítio ESA)
Passo a explicar a razão pela qual exclamámos água e depois corrigimos para metano. Inicialmente exclamámos água porque a forma das "pedras" que apareciam na imagem (não são pedras são formações de gelo) fazem lembrar a forma das pedras que encontramos no leito dos rios, com formas arredondadas, sem arestas afiadas. Isso é uma evidência de actividade fluvial, o que nos sugeriu a exclamação primária de "Água!". Mas após um momento de reflexão lembrámo-nos que naquela zona do sistema solar um planeta não pode ter água líquida à superfície, as temperaturas são muito baixas. Os corpos que estão a distâncias do Sol semelhantes à distância entre Saturno e o Sol, têm uma forte probabilidade de possuir metano no estado líquido à superfície. E foi por isso que corrigimos para metano. De facto, apesar de ainda existirem muitos dados por analisar a primeira teoria sobre a morfologia do solo de Titã, é a teoria dos rios de metano.

Estados da água e do metano no sistema solar em função da distância ao Sol
(esquema do livro "Cometa", Carl Sagan, Gradiva)
terça-feira, fevereiro 01, 2005
Um gráfico espectacular, cheio de rigor...
Este gráfico vem deste blogue. No eixo das ordenadas ficamos sem saber se as unidades correspondem a batatas, peras, eucaliptos, percentagem de votos ou quilos de sabão. Quando olhamos para as abcissas, percebemos logo que o homem é um ás e trata a matemática e a geometria por tu: "há um mês" e "hoje" representados por dois pontos centrados em dois intervalos da mesma dimensão, que se supõe temporal...está bem. A união dos dois pontos por uma recta dão-lhe um toque naif, digna de uma criança da escola primária que acabou de descobrir a magia da representação gráfica. O segmento de recta empoleirado na linha 2 a bater com a cabeçorra na linha 6 demonstram a perícia do autor nas artes do Excel.
Aqui no laboratório já chorámos a rir a olhar para este gráfico, mas infelizmente o caso não é tanto para rir. O que é grave é que o autor, Paulo Portas, é um candidato a primeiro ministro e foi director de uma empresa de sondagens. O gráfico demonstra uma pobreza franciscana no que toca aos seus conhecimentos de matemática e demonstra também que nem sequer sabe trabalhar com um simples programa como é o Excel. E o pior é que este candidato, e o partido deste candidato, são especialistas em passar atestados de incompetência às gerações mais jovens, acusando-os de já não saberem escrever, de já não saberem matemática, etc., fazendo a apologia da autoridade na escola, como ouvimos a semana passada no debate sobre a educação na RTP. Ora, o melhor seria recambiar o candidato Paulo Portas para o liceu repetir as cadeiras de matemática e as de estatística, para junto dos jovens "que não sabem nada". Talvez ele aprendesse alguma coisa com os seus jovens colegas e se habituasse a fazer cadeiras com mais de 10 valores.
segunda-feira, janeiro 31, 2005
A má luta contra as propinas
"existe uma minoria silenciosa de estudantes que não se manifesta e que sofre sérias dificuldades económicas na prosecussão dos estudos. Os protestos estudantis são liderados, regra geral, pelos filhos de famílias com mais posses e sem necessidades de apoio."
Three-Of-Five (Borgsphere)
Concordo plenamente com este comentário ao meu texto "O flagelo das propinas nos EUA" publicado no Grande Loja do Queijo Limiano. Apesar de a condição de estudante filho de pais ricos não excluir o mesmo estudante de legitimamente protestar contra situações injustas de que sejam vítimas os seus colegas menos abastados, o que está a acontecer neste momento em Portugal é que os protestos estudantis estão a ser conduzidos por estudantes que não conhecem carências económicas e sociais e cuja natureza dos próprios protestos reflectem isso mesmo, são protestos burgueses e narcisistas, alimentados por puras ambições pessoais. Isso aqui em Coimbra é claro como a água. Aqui em Coimbra a situação é tão triste que muita gente que conhece de perto a realidade do flagelo das propinas se recusa a alinhar com acções vindas de tiranetes que proclamam uma puritanismo de esquerda absolutamente doentio e que de esquerda têm realmente muito pouco. Trata-se de uma ultrapassada esquerda que guardou muito dos tiques do jesuitismo há muito abandonados pela esquerda do pós-modernismo que dobrou o cabo do Maio de 68. É pena, os estudantes mais carenciados mereciam melhor sorte. São necessários dirigentes estudantis que sejam realmente sensíveis aos graves problemas que excluem muitos jovens do meio universitário, independentemente desses dirigentes serem ricos ou pobres.
PS- Em breve escreverei mais umas linhas sobre essa esquerda que eu qualifico como a esquerda-jesuita.
Three-Of-Five (Borgsphere)
Concordo plenamente com este comentário ao meu texto "O flagelo das propinas nos EUA" publicado no Grande Loja do Queijo Limiano. Apesar de a condição de estudante filho de pais ricos não excluir o mesmo estudante de legitimamente protestar contra situações injustas de que sejam vítimas os seus colegas menos abastados, o que está a acontecer neste momento em Portugal é que os protestos estudantis estão a ser conduzidos por estudantes que não conhecem carências económicas e sociais e cuja natureza dos próprios protestos reflectem isso mesmo, são protestos burgueses e narcisistas, alimentados por puras ambições pessoais. Isso aqui em Coimbra é claro como a água. Aqui em Coimbra a situação é tão triste que muita gente que conhece de perto a realidade do flagelo das propinas se recusa a alinhar com acções vindas de tiranetes que proclamam uma puritanismo de esquerda absolutamente doentio e que de esquerda têm realmente muito pouco. Trata-se de uma ultrapassada esquerda que guardou muito dos tiques do jesuitismo há muito abandonados pela esquerda do pós-modernismo que dobrou o cabo do Maio de 68. É pena, os estudantes mais carenciados mereciam melhor sorte. São necessários dirigentes estudantis que sejam realmente sensíveis aos graves problemas que excluem muitos jovens do meio universitário, independentemente desses dirigentes serem ricos ou pobres.
PS- Em breve escreverei mais umas linhas sobre essa esquerda que eu qualifico como a esquerda-jesuita.
sexta-feira, janeiro 28, 2005
Notas da China: I'm lovin'it
Mal aterrei no aeroporto de Pequim e saí da manga do avião quem é que me esperava logo ali à saída? Não era uma fotografia do camarada Mao, nem tão pouco de Deng Xiao Ping, o homem do "um país dois sistemas", nem murais a evocar a épica Longa Marcha. Esperava-me sim esta descomunal lata de Coca-cola num painel publicitário. Pensei cá para mim: "estamos conversados". Um país dois sistemas: um sistema por fora (vermelho), outro sistema por dentro (neo-liberal). Tárá-tá-tá-tá, I'm lovin'it!
(Aeroporto de Pequim, Janeiro 2005)
(Aeroporto de Pequim, Janeiro 2005)
quinta-feira, janeiro 27, 2005
Prioridade política: combater o absentismo e a aversão à escola
Já posso dizer que conheço um bocadinho a Europa e a grande diferença que noto entre Portugal e os restantes países é o nível educacional: literário e científico. Essa diferença é abissal e é o resultado de termos tido o pior ensino da Europa até meados dos anos 70 (bem pior que a Albânia, que a Grécia ou que a Irlanda). Apenas 21% de portugueses terminaram o ensino secundário. Na Europa, os piores a seguir a nós têm mais de 40% da população com o ensino secundário concluído, mas nos países de leste essas taxas são superiores a 80%. Isto nota-se em todo lado. Nota-se na irracionalidade de grande parte dos nossos empresários que desconfiam das novas tecnologias e que não acreditam na contratação de pessoal qualificado. Nota-se nas universidades onde temos muitos e muitos docentes que ocupam lugares há 20, 30 anos que nunca publicaram um artigo, que nunca confrontaram o seu trabalho com os seus pares internacionais, que passeiam ano após ano a mesma resma de acetatos que despejam aos seus alunos entre dois bocejos, são os mesmos do "dantes é que era bom". Nos serviços mais básicos encontramos pessoal ainda menos qualificado, como é natural. Mas o que não é tão natural é que nesses serviços (restaurantes, cabeleireiros, lojas de electrodomésticos, livrarias, supermercados, etc.) encontramos recorrentemente empregados e gerentes que muito pouco sabem da história, das características ou do processo de produção do produto que nos estão a vender. Por exemplo, em serviços tão simples como os restaurantes esses profissionais em vez de apresentarem bons conhecimentos de gastronomia brindam-nos com bons conhecimentos de futebol ou do big brother do momento. É sempre isto em todo lado, a conversa do portuga pouco passa do futebol, o "meu Benfica", como oiço tantas vezes. Agora saber quantos Watt consome o frigorífico, ou de que casta é o vinho tinto, ou se o shampoo pode ser usado todos os dias, ou se determinado livro já foi traduzido, isso...
As consequências desta catástrofe é que trabalhamos mais do que os outros, mas trabalhamos pior. Somos desorganizadíssimos o que se reflecte em atrasos e lentidão que custam muito dinheiro. E para completar o ramalhete, sublimamos a nossa mediocridade através da arrogância. Depois fazemos tudo ao contrário.
Os 45% de alunos que abandonam o ensino secundário vão contribuir para este pelotão de mediocridade. Esse abandono acontece em muitos meios do nosso país onde estudar ainda é visto como um acto de malandrice, onde a escola ainda é vista de soslaio, onde a referência para os jovens é o Tó Zé da 125 que saca uns cavalos e que trabalha nas obras há 10 anos. Noutros meios, muito típicos do Cavaquistão, a Universidade e os livros são vistos como coisa de comunas. "A minha filha na Universidade misturada com os comunas? Nem pó!". O esforço para impedir que esses 45% de alunos abandonem a escola secundária tem que ser um desígnio nacional, e deveremos fazê-lo sem o miserável esquema das passagens administrativas até ao 9º ano implementadas por Couto dos Santos.
Os nossos políticos que ficaram tão excitados com o Iraque ao ponto de defenderem um esforço quase suicida do ponto de vista financeiro na participação na loucura empreendida pelos EUA, deveriam pensar que o nosso Iraque, a nossa Al-Qaeda, é o absentismo e a aversão à escola. Portugal deveria fazer um esforço gigantesco, diria mesmo megalómano, para recuperarmos num período de 5 a 10 anos o nosso atraso colossal na educação. Deveria ser um de esforço equivalente a realizar um grande evento, como uns Jogos Olímpicos ou um Campeonato do Mundo.
Tudo o resto na política portuguesa é secundário.
As consequências desta catástrofe é que trabalhamos mais do que os outros, mas trabalhamos pior. Somos desorganizadíssimos o que se reflecte em atrasos e lentidão que custam muito dinheiro. E para completar o ramalhete, sublimamos a nossa mediocridade através da arrogância. Depois fazemos tudo ao contrário.
Os 45% de alunos que abandonam o ensino secundário vão contribuir para este pelotão de mediocridade. Esse abandono acontece em muitos meios do nosso país onde estudar ainda é visto como um acto de malandrice, onde a escola ainda é vista de soslaio, onde a referência para os jovens é o Tó Zé da 125 que saca uns cavalos e que trabalha nas obras há 10 anos. Noutros meios, muito típicos do Cavaquistão, a Universidade e os livros são vistos como coisa de comunas. "A minha filha na Universidade misturada com os comunas? Nem pó!". O esforço para impedir que esses 45% de alunos abandonem a escola secundária tem que ser um desígnio nacional, e deveremos fazê-lo sem o miserável esquema das passagens administrativas até ao 9º ano implementadas por Couto dos Santos.
Os nossos políticos que ficaram tão excitados com o Iraque ao ponto de defenderem um esforço quase suicida do ponto de vista financeiro na participação na loucura empreendida pelos EUA, deveriam pensar que o nosso Iraque, a nossa Al-Qaeda, é o absentismo e a aversão à escola. Portugal deveria fazer um esforço gigantesco, diria mesmo megalómano, para recuperarmos num período de 5 a 10 anos o nosso atraso colossal na educação. Deveria ser um de esforço equivalente a realizar um grande evento, como uns Jogos Olímpicos ou um Campeonato do Mundo.
Tudo o resto na política portuguesa é secundário.
terça-feira, janeiro 25, 2005
O flagelo das propinas nos EUA
O que está actualmente a acontecer no ensino universitário americano dá toda a razão a todos aqueles que se insurgiram contra a aplicação indiscriminada de propinas no sistema universitário, especialmente num país com graves carências educacionais como é caso português. Para que se possa ter uma ideia do verdadeiro flagelo que está a acontecer no ensino universitário americano, vamos aos números:
- Nos últimos 10 anos as despesas de inscrição nos estabelecimentos públicos universitários subiram 47%, nos privados subiram 42%.
- 600 mil estudantes por ano abandonam os estudos antes de obter o diploma final por causa de dívidas incomportáveis contraídas para pagar os estudos.
- A dívida média de um aluno que acaba o curso de direito: 80 000$ (36 000$/ano salário de um emprego de início de carreira)
-17,9 milhões de americanos com idades compreendidas entre os 18 e os 34 anos não possuem qualquer cobertura médica de base.
Resulta deste tipo de políticas um sistema de ensino universitário orientado para alunos de famílias ricas e para uma reduzida minoria de alunos que conseguem obter bolsas por mérito estudantil atribuídas por algumas empresas privadas e pelos ministérios da educação e da ciência de países europeus e asiáticos. Não estranha pois que os EUA tenham o Presidente que têm, um indivíduo que era um exemplo de insucesso escolar transformado num licenciado em Yale. Um medíocre rico pode ser o que quiser, um bom aluno pobre arrisca-se a ter que abdicar dos mais altos graus do ensino.
Quem defende o regime de propinas (há até quem diga que são baratas em Portugal) deveria reflectir seriamente sobre este exemplo. Porque este é um exemplo claro como a água. Adoptou-se um determinado tipo de política e os resultados são o que são.
É certo que os EUA continuam a ter as melhores universidades do mundo, mas é do conhecimento geral que a Europa ultrapassou vertiginosamente a produção científica dos EUA há cerca de dois anos e estudos recentes indicam que as empresas de países europeus como a Alemanha e a França - que não adoptaram esta política de propinas - são neste momento em média mais produtivas que as empresas americanas.
- Nos últimos 10 anos as despesas de inscrição nos estabelecimentos públicos universitários subiram 47%, nos privados subiram 42%.
- 600 mil estudantes por ano abandonam os estudos antes de obter o diploma final por causa de dívidas incomportáveis contraídas para pagar os estudos.
- A dívida média de um aluno que acaba o curso de direito: 80 000$ (36 000$/ano salário de um emprego de início de carreira)
-17,9 milhões de americanos com idades compreendidas entre os 18 e os 34 anos não possuem qualquer cobertura médica de base.
Resulta deste tipo de políticas um sistema de ensino universitário orientado para alunos de famílias ricas e para uma reduzida minoria de alunos que conseguem obter bolsas por mérito estudantil atribuídas por algumas empresas privadas e pelos ministérios da educação e da ciência de países europeus e asiáticos. Não estranha pois que os EUA tenham o Presidente que têm, um indivíduo que era um exemplo de insucesso escolar transformado num licenciado em Yale. Um medíocre rico pode ser o que quiser, um bom aluno pobre arrisca-se a ter que abdicar dos mais altos graus do ensino.
Quem defende o regime de propinas (há até quem diga que são baratas em Portugal) deveria reflectir seriamente sobre este exemplo. Porque este é um exemplo claro como a água. Adoptou-se um determinado tipo de política e os resultados são o que são.
É certo que os EUA continuam a ter as melhores universidades do mundo, mas é do conhecimento geral que a Europa ultrapassou vertiginosamente a produção científica dos EUA há cerca de dois anos e estudos recentes indicam que as empresas de países europeus como a Alemanha e a França - que não adoptaram esta política de propinas - são neste momento em média mais produtivas que as empresas americanas.
Subtil é o senhor
"Subtil é o senhor" de Abraham Pais é provavelmente a melhor biografia da vida e obra de Albert Einstein. Abraham Pais, um matemático e físico teórico, trabalhou com grandes nomes da física como Oppenheimer, Dirac, Feynman e o próprio Einstein. Com Einstein teve uma relação muito próxima, o que faz desta biografia um documento bastante completo não só sobre o trabalho científico de Einstein, mas também sobre importantes aspectos da sua vida privada.
Sendo uma biografia muito completa, é uma obra que requer vários níveis de leitura consoante a formação do leitor. Existem extensas páginas de equações onde Pais descreve com algum detalhe o trabalho de Einstein. Para os leitores mais leigos estas passagens são impossíveis de acompanhar. Para uma leitura integral do texto é necessário que o leitor tenha uma boa formação em física, nomeadamente em física estatística. Na altura em que comecei a ler este livro tinha acabado de fazer o exame de Física Estatística pelo que me foi mais fácil acompanhar muitas das passagens mais técnicas. Mesmo assim, algumas vezes tive que interromper a leitura para ir espreitar os meus manuais de física estatística.
No entanto os leitores mais leigos podem desfrutar do prazer proporcionado pela leitura de grande parte desta biografia, sendo necessário apenas saltar as páginas que nos mergulham num mar intrincado de equações.segunda-feira, janeiro 24, 2005
A angústia do Taikonauta antes do lançamento
Este livro deveria ser traduzido para português, sobretudo porque gostaria muito de ser capaz de o ler. Apesar de tudo, contêm bastantes figuras, esquemas técnicos e fotografias que o tornam parcialmente compreensível para quem não lê chinês. Foi-me oferecido pelo meu querido amigo Prof. Pan, que é um dos autores. O Prof. Pan foi um dos principais responsáveis pela logística da missão que enviou com sucesso o primeiro taikonauta chinês (cosmonauta para os russos, astronauta para os americanos e os europeus) para o espaço e foi também uma das muitas vítimas da revolução cultural, altura em que as universidades foram encerradas e os professores foram enviados em massa para o campo trabalhar.
Este livro conta a história de todo projecto que levou o primeiro chinês ao espaço: os aspectos físicos e mecânicos do voo, o desenho e desenvolvimento dos vários componentes, o processo de selecção dos taikonautas, a fase de montagem do foguetão na plataforma de lançamento e finalmente o voo de Yang Liwei, o felizardo taikonauta. O livro foi lançado no dia 17 de Outubro de 2003, o dia seguinte à chegada da Shenzhou 5 à Terra em segurança. Yang Liwei só foi escolhido 16 horas antes do voo entre um grupo de três taikonautas, por isso a capa do livro esteve até ao último momento à espera da escolha definitiva. Este último processo de selecção a tão pouco tempo do lançamento, teve como objectivo escolher o taikonauta que melhor descansou e que possuía a melhor condição física após a última noite de sono antes do lançamento. Para os outros taikonautas o desgosto deve ter sido grande, estar ali tão perto do foguetão e não voar. Em princípio serão escolhidos para as próximas missões.
domingo, janeiro 23, 2005
Notas da China: Figo, Yao Ming e o fim da monarquia
Há 8 anos, a primeira vez que fui à China, para explicar o país de onde vinha, dizia que era do país de Macau - os Chineses têm alguma dificuldade em identificar os países mais pequenos da Europa. Mas desta vez, quando dizia que era de Portugal, os Chineses exclamavam logo "Figuuu! Figu!" e gesticulavam com a perna o movimento de um remate.
O Figo dos Chineses é Yao Ming, o gigante dos Houston Rockets que joga na NBA. Como tenho uma estatura elevada em comparação com o chinês médio, alguns rapazitos metiam-se comigo na rua e chamavam-me Yao Ming, apesar do Yao Ming só ter mais 35 cm que eu...
O Figo e o Yao Ming são os verdadeiros representantes populares do nosso tempo, aqueles com quem o cidadão mais básico se identifica, a quem recorre para ilustrar a sua nacionalidade com orgulho. Esta mudança que surgiu com o poder crescente dos meios de comunicação, especialmente da televisão, tornou obsoleta a principal função da instituição monárquica. Esta perdeu o exclusivo de representante da nação e na maior parte dos casos só consegue ter esse papel em cerimónias estritamente oficiais. Quem é que conhece o Rei da Bélgica ou a família real da Suécia? Com quem é que se identificam mais os britânicos, com Beckham, com Stephen Hawking, com os Beatles ou com a Rainha?
Para muitos Chineses, Yao Ming é agora o novo Imperador que tomou o lugar deixado vago por Pu Yi, o último Imperador.
sábado, janeiro 22, 2005
Sábado em Coimbra XXII: o Euro não engana
Quando frequentamos locais mais turísticos ou aeroportos, o nosso porta-moedas corresponde, revelando-nos um padrão de euros de vários países da Europa. Hoje, quando fui ao mercado levava uma variedade de euros portugueses, espanhóis, franceses e alemães. Depois das compras, ao sair reparei que todos os euros que tinha no porta-moedas eram portugueses, foi uma limpeza! De facto, nas aldeias dos arredores de Coimbra não há turistas...
Sábado em Coimbra XXI
Sábado em Coimbra XXI
sexta-feira, janeiro 21, 2005
China: armas, direitos humanos e liberalismo selvagem
Este texto da Ana Gomes sobre a venda de armas à China e os direitos humanos é muito certeiro, tira-me as palavras dos dedos. Será vergonhoso para a Europa o levantamento do embargo de armas à China. Será tão grave como a venda de material militar à Arábia Saudita que tanto aqui tenho criticado.
O problema da China não é apenas os direitos humanos
O problema da China é também o problema da aplicação de metodologias neo-liberais selvagens no mundo do trabalho. Neste momento empresas chinesas e estrangeiras implantadas na China com margens de lucro bastante generosas prosperam à custa da exploração do trabalho de milhões de chineses oriundos do meio rural. Estes chineses estão dispostos a trabalhar 16 horas por dia por salários inferiores a 5 contos/mês, obrigados a viver em caves e construções improvisadas existentes dentro dos complexos fabris, em camaratas sem o mínimo de condições onde convivem 40 ou mais pessoas sem o mínimo de intimidade, higiene e segurança, muitas delas acompanhadas de crianças. Na China não há sindicatos que lhes valham. É o liberalismo económico sem regras, Fukuyama em prática.
Este é também o sonho de um grupelho de empresários portugueses que anda para aí a ver se aumenta o horário de trabalho para umas 10 horas por dia que é para não terem muito trabalho com coisas chatas como: modernizar as empresas, cooperar com laboratórios e universidades, contratar pessoal qualificado, melhorar a organização interna e externa das empresas. É mais fácil explorar o mexilhão.
O problema da China não é apenas os direitos humanos
O problema da China é também o problema da aplicação de metodologias neo-liberais selvagens no mundo do trabalho. Neste momento empresas chinesas e estrangeiras implantadas na China com margens de lucro bastante generosas prosperam à custa da exploração do trabalho de milhões de chineses oriundos do meio rural. Estes chineses estão dispostos a trabalhar 16 horas por dia por salários inferiores a 5 contos/mês, obrigados a viver em caves e construções improvisadas existentes dentro dos complexos fabris, em camaratas sem o mínimo de condições onde convivem 40 ou mais pessoas sem o mínimo de intimidade, higiene e segurança, muitas delas acompanhadas de crianças. Na China não há sindicatos que lhes valham. É o liberalismo económico sem regras, Fukuyama em prática.
Este é também o sonho de um grupelho de empresários portugueses que anda para aí a ver se aumenta o horário de trabalho para umas 10 horas por dia que é para não terem muito trabalho com coisas chatas como: modernizar as empresas, cooperar com laboratórios e universidades, contratar pessoal qualificado, melhorar a organização interna e externa das empresas. É mais fácil explorar o mexilhão.
Notas da China: Lijiang
Depois da minha viagem à China, a minha tabela de cidades com canais teve uma nova entrada directamente para o segundo lugar. É Lijiang, esse pequeno e delicioso labirinto de ruelas e canais, capital da etnia Nachi, que combina ambientes confucianos e budistas da grande China com um aroma muito forte do Tibete, mesmo ali à porta.
1- Veneza (I)
2- Lijiang (CN) *Nova entrada*
3- Freiburg (D)
4- Amesterdão (NL)
5- Bruges (B)
1- Veneza (I)
2- Lijiang (CN) *Nova entrada*
3- Freiburg (D)
4- Amesterdão (NL)
5- Bruges (B)
quinta-feira, janeiro 20, 2005
Portugal até parecia bonito
Ontem, no meu regresso da China, quando estava já a sobrevoar Portugal, ao olhar pela janela do avião dei por mim a apreciar a paisagem e achar bonitas as aldeias e as casas dispersas pelas colinas e pelos vales. Alguma coisa não estava a bater certo. Quando regresso de outras viagens à Europa central arrepio-me com o desordenamento do nosso território, olho para aquele caos de casas e estradas nos arredores de Lisboa e assusto-me, mas desta vez isso não aconteceu.
Há dois dias estive numa das cidades mais caóticas da China: Kunming. Kunming são três milhões de habitantes distribuídos por prédios de construção em série, sujos, muito sujos, encostados uns aos outros, avenidas grandes sempre congestionadas apesar de haver poucos carros particulares, mas as carroças puxadas por burros e por bicicletas, misturam-se com carrinhas, camionetas, carros dos estado, numa amalgama de veículos que entope todos os cruzamentos, que estão à pinha de bicicletas. Vi casas onde as janelas estavam a um metro de uma faixa de circulação de um viaduto, cinco motas a andar em sentido contrário na auto-estrada, todas as regras de trânsito a serem violadas, uma mãe que atravessa a auto-estrada com um menino às costas, outros jogavam às cartas na faixa de segurança de um viaduto e outros ainda vendiam frutas e legumes. Uma paisagem caótica, enfeitada com publicidade bastante ocidental e kitsch, que cobre fachadas inteiras de prédios com 30 andares.
Foi por isso que Portugal me pareceu bonito...Isto já me passa.
Há dois dias estive numa das cidades mais caóticas da China: Kunming. Kunming são três milhões de habitantes distribuídos por prédios de construção em série, sujos, muito sujos, encostados uns aos outros, avenidas grandes sempre congestionadas apesar de haver poucos carros particulares, mas as carroças puxadas por burros e por bicicletas, misturam-se com carrinhas, camionetas, carros dos estado, numa amalgama de veículos que entope todos os cruzamentos, que estão à pinha de bicicletas. Vi casas onde as janelas estavam a um metro de uma faixa de circulação de um viaduto, cinco motas a andar em sentido contrário na auto-estrada, todas as regras de trânsito a serem violadas, uma mãe que atravessa a auto-estrada com um menino às costas, outros jogavam às cartas na faixa de segurança de um viaduto e outros ainda vendiam frutas e legumes. Uma paisagem caótica, enfeitada com publicidade bastante ocidental e kitsch, que cobre fachadas inteiras de prédios com 30 andares.
Foi por isso que Portugal me pareceu bonito...Isto já me passa.
Notas da China: Na rota de Shangri-La
...Às tantas, estava eu a percorrer um daqueles lugares que faziam parte do limbo do meu imaginário, aqueles lugares que não temos a certeza se existem ou não, se existem para lá do acordar de uma noite de sonho, a estrada de Shangri-La.
quarta-feira, janeiro 19, 2005
Orgulho europeu
Hoje no avião, desde a Mongólia interior, passando pelos Urais, até São Petersburgo não se falava de outra coisa: no A380. Havia um invulgar sentimento de orgulho entre os passageiros europeus que vinham de Pequim, sorrisos invulgares e emoções de cidadãos de um continente por vezes exageradamente contido, austero e avesso a grandes comemorações. "E a Huygens?! A Huygens!" exclamava o alemão que ocupava o lugar ao lado do meu.
Comungo plenamente deste orgulho, não o acho lamechas nem lírico, penso que é deste tipo de realizações que devemos ter orgulho, são fruto de um trabalho arduo, rigoroso de pessoas altamente qualificadas. Além do mais, o A380 é um projecto arriscado, pensado inicialmente para ter sucesso comercial num prazo de cerca de 30 anos, mas que poderá começar já a ter saldo positivo dentro de três anos se tudo correr bem.
(fotografia do sítio da Airbus)
Comungo plenamente deste orgulho, não o acho lamechas nem lírico, penso que é deste tipo de realizações que devemos ter orgulho, são fruto de um trabalho arduo, rigoroso de pessoas altamente qualificadas. Além do mais, o A380 é um projecto arriscado, pensado inicialmente para ter sucesso comercial num prazo de cerca de 30 anos, mas que poderá começar já a ter saldo positivo dentro de três anos se tudo correr bem.
(fotografia do sítio da Airbus)
segunda-feira, janeiro 17, 2005
Ecos do oriente
"Caros leitores da Klepsydra,
Devido a problemas...digamos...chamemos-lhe assim, de
ordem "técnico-táctica" é-me impossível aceder a
partir aqui da China aos sites do blogger. Por isso a
Klepsydra tem estado seca, sequinha. Tinha muitas
coisas interessantes para relatar, ficam para quando
voltar a Portugal.
Um obrigado ao Paulo Querido por me ter deixado melgar
as suas caixas de comentários.
A bientot,
Rui"
Devido a problemas...digamos...chamemos-lhe assim, de
ordem "técnico-táctica" é-me impossível aceder a
partir aqui da China aos sites do blogger. Por isso a
Klepsydra tem estado seca, sequinha. Tinha muitas
coisas interessantes para relatar, ficam para quando
voltar a Portugal.
Um obrigado ao Paulo Querido por me ter deixado melgar
as suas caixas de comentários.
A bientot,
Rui"
sábado, janeiro 08, 2005
Sábado em Coimbra XXI: madrugada Marco Polo
A mala está fechada, só falta arrumar esta maquineta na mala de mão.
O autocarro, aquela câmara de tortura para as minhas pernas e pescoço espera-me sadicamente. Apesar de tudo vou. Vou ver Marco Polo lá de cima, da janela do meu Airbus, a cavalgar pela estepe, escoltado pelos homens do Grande Khan. Espera-me o País do Meio, esse país que inventou o papel moeda, 8 anos depois estou curioso para ver como tudo mudou. Lá encontrar-me-ei com Marco Polo. Ele vai-me contar todas as cidades que viu e todos os povos que conheceu pelo caminho.
Sábado em Coimbra XX
O autocarro, aquela câmara de tortura para as minhas pernas e pescoço espera-me sadicamente. Apesar de tudo vou. Vou ver Marco Polo lá de cima, da janela do meu Airbus, a cavalgar pela estepe, escoltado pelos homens do Grande Khan. Espera-me o País do Meio, esse país que inventou o papel moeda, 8 anos depois estou curioso para ver como tudo mudou. Lá encontrar-me-ei com Marco Polo. Ele vai-me contar todas as cidades que viu e todos os povos que conheceu pelo caminho.
Sábado em Coimbra XX
sexta-feira, janeiro 07, 2005
quinta-feira, janeiro 06, 2005
1905 o ano milagroso de Einstein
Há 100 anos Einstein escreveu três artigos que deram um contributo importante para abrir novos horizontes no estudo da física: um sobre os quanta de luz, outro sobre o movimento Browniano e outro sobre a relatividade restrita. Este último apesar de ter sido o trabalho mais revolucionário de Einstein, não foi o trabalho pelo qual Albert Einstein viria a ser laureado com o Nobel da Física. Na verdade a teoria da relatividade foi olhada com bastante cepticismo por parte comunidade científica durante bastante tempo. O trabalho que lhe viria a dar o Nobel em 1921 seria a descoberta do efeito fotoeléctrico, apesar de haver uma menção na declaração da academia relativa ao seu contributo para o desenvolvimento da física teórica.TV Mirones
Por cá (Finlândia) os telejornais demoram os religiosos 15-20 minutos (o desporto vai à parte).. mesmo com os 200 mortos.
Homem das Neves (Sob a Estrela do Norte)
Homem das Neves (Sob a Estrela do Norte)
quarta-feira, janeiro 05, 2005
Sobreviventes do muro: Škoda
O construtor de automóveis Škoda (pronuncia-se shkoda e não skoda) é talvez o exemplo mais conhecido entre as empresas do leste da Europa que sobreviveram à entrada na economia de mercado. É certo que a Škoda foi comprada pela VW, mas a Chrysler também foi comprada pela alemã Daimler-Benz e não é por isso que os americanos deixaram de considerar os Chrysler como carros americanos. O mesmo acontece com os checos. A palavra Škoda em checo tem um significado curioso, mais ou menos equivalente às nossas expressões: "é pena" ou "que azar". O francês tem uma palavra mais adequada: "domage". Apesar do nome, quem compra um Škoda está a comprar uma viatura realmente de qualidade, a mesma dos automóveis do grupo VW. Eu tenho um VW Catalão (SEAT) e garanto-vos que aquilo é só meter gasolina e mudar pneus. A vantagem na compra dos SEAT e dos Škoda é que não se paga a marca VW e ficam mais baratos. Apesar de todas as misérias resultantes do regime comunista que durou até 1989, a Checoslováquia foi sempre um país tecnologicamente bem mais avançado que alguns países ocidentais, como Portugal por exemplo. Em Portugal só em sonhos é que produziríamos a nossa própria marca de automóveis ou os nossos transportes ferroviários.
terça-feira, janeiro 04, 2005
A energia do tsunami
A energia libertada pelo deslocamento das placas continentais que deu origem ao maremoto no Oceano Índico é equivalente à explosão de cerca de 32000 Mt (megatoneladas) de TNT. Só para se ter uma ideia do que significa este valor, a bomba nuclear mais potente, a Tsar Bomba produzida pela URSS, tinha uma potência de 50 Mt. Estamos perante um fenómeno que libertou uma quantidade energia cerca 640 vezes superior ao engenho mais mortífero jamais produzido pelo homem. De um ponto de vista mais doméstico, a energia transmitida ao tsunami corresponde à energia despendida se todos os habitantes da Terra aquecessem 10000 litros de água até ao seu ponto de ebulição.
A energia dos mirones
Cheguei ontem da Eslováquia, onde se vê também a televisão Checa. A Rep. Checa perdeu algumas dezenas de cidadãos no maremoto asiático e tem muitos cidadãos ainda desaparecidos, não são apenas oito como no caso português. Nos telejornais checos das TVs privadas e públicas, o tempo de antena do maremoto é no máximo de 15 minutos. Ontem, ao assistir ao primeiro telejornal português depois do meu regresso contei cerca de 40 minutos de chinfrim, de jornalistas mirones cheios de energia que filmam tudo, até entrevistam as palmeiras! F......!
Ainda sobre a TV Mirones no BdE
A energia dos mirones
Cheguei ontem da Eslováquia, onde se vê também a televisão Checa. A Rep. Checa perdeu algumas dezenas de cidadãos no maremoto asiático e tem muitos cidadãos ainda desaparecidos, não são apenas oito como no caso português. Nos telejornais checos das TVs privadas e públicas, o tempo de antena do maremoto é no máximo de 15 minutos. Ontem, ao assistir ao primeiro telejornal português depois do meu regresso contei cerca de 40 minutos de chinfrim, de jornalistas mirones cheios de energia que filmam tudo, até entrevistam as palmeiras! F......!
Ainda sobre a TV Mirones no BdE
domingo, janeiro 02, 2005
Mundo de Aventuras XIX
O Sonho Americano esta esgotado,
chegou ao fim da sua historia,
Fukuyama afinal tinha razao.
O sonho americano precisa de ser reinventado.
Cabe 'as novas geracoes...
Bom 2005!
(Washington DC, EUA, Outubro de 2002)
Mundo de Aventuras XVIII
chegou ao fim da sua historia,
Fukuyama afinal tinha razao.
O sonho americano precisa de ser reinventado.
Cabe 'as novas geracoes...
Bom 2005!
(Washington DC, EUA, Outubro de 2002)
Mundo de Aventuras XVIII
2005 Ano Internacional da Fisica
Sobreviventes do muro: a coca-cola checa
Durante o tempo da guerra fria a "agua suja do ocidente", vulgo coca-cola, era proibida nos paises de leste. No entanto, existia um refrigerante que lhe servia de substituto no leste, era a Kofola. A Kofola e' um refrigerante checo com um ligeiro sabor a cereja e a caramelo, o que lhe da' um sabor relativamente proximo ao sabor das colas ocidentais. Para quem esta habituado 'as Pepsis e 'as Coca-colas talvez a Kofola nao tenha um sabor tao atractivo, mas a Kofola e' mais barata e possui aromas de algumas ervas que fazem parte da sua formula secreta que lhe dao um sabor alternativo. Por isso sobreviveu com sucesso 'a invasao dos produtos ocidentais ate' aos dias de hoje.
quarta-feira, dezembro 29, 2004
Sobreviventes do muro: rolos Foma
Quem viu o filme "Good Bye Lenin" lembra-se certamente da cena em que o heroi do filme procurava em vao nas prateleiras dos supermercados os antigos produtos da RDA algum tempo depois da queda do muro. No entanto, nos paises de leste muitos desses produtos sobreviveram ´a invasao dos produtos oriundos do ocidente, uns pela sua qualidade, outros pelo seu atractivo preco e outros ainda por nao terem concorrentes no ocidente. Um desses produtos da Europa de leste ao qual sou fiel sao os rolos a preto e branco da Foma. A maior parte das fotografias a preto e branco que publico aqui na Klepsýdra foram tiradas com rolos Foma. Os Foma possuem a grande vantagem de serem baratos, especialmente quando comprados aqui em Bratislava onde me encontro (rolos de 36, 100 a 400 ASA entre 0,75 e 1,25 €), alias as minhas passagens pelo leste sao sempre oportunidades para me abastecer de Fomas. O Foma nao é um filme extraordinario, é essencialmente um filme honesto e fiavel que possui uma ampla gama de cinzentos. Em Portugal encontra-se ´a venda ao metro nas boas lojas da especialidade. Na internet ha inumeros sites que os vendem a excelentes precos.
Will They Ever Trust Us Again?
Não, claro que não Michael Moore. A pergunta que serve de título ao novo livro de Michael Moore é pertinente. A crescente falta de credibilidade da política internacional americana não resulta apenas da intervenção desastrada no Iraque. Resulta sobretudo de um acumular de posições unilaterais que tornam um exercício intelectual quase suicida acreditar logo em primeira análise na bondade da orientação da política internacional dos EUA. Provavelmente, a tremenda facada nas costas dada à Europa pelo programa de espionagem ECHELON tenha sido a gota de água que deixou em permanente posição de desconfiança os cidadãos europeus mais informados. A intervenção na Jugoslávia destruiu o pequeno capital de confiança que os EUA ainda tinham no leste europeu. No mundo Árabe, na América Latina e em África nem se fala, o anti-americanismo é moeda corrente, basta passar os olhos pelos jornais e sites na internet destes continentes. A recusa de uma política baseada no direito internacional, tal como a recusa de ratificação do protocolo de Quioto, deixam muito pouca gente a olhar para os EUA com simpatia. Restam os fanáticos, os irredutíveis dos EUA, os que ainda não perceberam que a guerra fria acabou, os que olham para os EUA como os comunistas olhavam para União Soviética, do género "nos EUA tudo é bom, perfeito e feliz", já nem os poucos analistas com mais de dois dedos de testa, que ainda os vão defendendo com algum cinismo, acreditam neles.
De facto tens razão para estar preocupado Michael Moore.
terça-feira, dezembro 28, 2004
Como eu te compreendo José Pedro Gomes II
As crónicas do Cromo da TSF José Pedro Gomes andam cada vez mais pertinentes. Vale a pena ouvir esta: o Mirone.
sexta-feira, dezembro 24, 2004
Mundo de Aventuras XVIII
Na praia de Seaside os pescadores apanham uns moluscos parecidos com as navalheiras, mas de proporções gigantescas. Depois de aplicarem habilmente uma técnica para os desenterrar da areia, ficam estas deliciosas pseudo-crateras.
(Seaside, Oregon, EUA, 2003)
Mundo de Aventuras XVII
(Seaside, Oregon, EUA, 2003)
Mundo de Aventuras XVII
quinta-feira, dezembro 23, 2004
Passar o Natal em Saturno
Aproveitando a onda de expectativa criada pela missão Cassini-Huygens, a ESA lançou um sítio para crianças e adolescentes com muitas animações interactivas, inclusive uma história por episódios onde se explicam todos os aspectos da missão desde os centros de controlo da ESA até à acção que se desenrola na órbita de Saturno. A Huygens separa-se da Cassini no dia de Natal. Eis uma sugestão para os papás leitores da Klepsýdra meterem a criançada a sonhar com viagens a Saturno e a aprender.
quarta-feira, dezembro 22, 2004
António Variações faz falta
Maria Albertina deixa que eu te diga
Esse teu nome eu sei que não é um espanto
Mas, é cá da terra e tem, tem muito encanto
Maria Albertina como foste nessa
De chamar Vanessa à tua menina?
"Maria Albertina", António Variações
(Na voz de Camané é realmente um espanto)
Esse teu nome eu sei que não é um espanto
Mas, é cá da terra e tem, tem muito encanto
Maria Albertina como foste nessa
De chamar Vanessa à tua menina?
"Maria Albertina", António Variações
(Na voz de Camané é realmente um espanto)
terça-feira, dezembro 21, 2004
A Tarântula dá à luz
A Nebulosa da Tarântula que orbita a nossa Via Láctea na Grande Nuvem de Magalhães está a atravessar um período de grande fertilidade. A Tarântula dá à luz tarantulazinhas (novas estrelas) a uma taxa raramente observada. A fotografia aqui exibida foi recentemente composta a partir de um mosaico de imagens do telescópio Hubble - à disposição nos arquivos do ESO - graças ao trabalho de um jovem astrónomo amador com o auxílio de um software gratuito (Photoshop FITS Liberator) do consórcio ESA/ESO/NASA.
segunda-feira, dezembro 20, 2004
A importância da camisinha
Quando vivi em Estrasburgo costumava ir a um bar chamado "Sous-sol", era um bar frequentado heteros, homossexuais, lésbicas, travestis, etc., enfim todas as variedades e sabores da cromodinâmica que rege a sexualidade. Nesse bar, por vezes havia campanhas de informação sobre a SIDA. À porta havia sempre um cestinho discreto com preservativos que podiam ser solicitados pelos clientes. Os empregados do bar também participavam nesse esforço de combate contra a SIDA. Ao servirem as bebidas aos casais que se sentavam ao balcão serviam igualmente uma mão cheia de preservativos, independentemente dos casais darem sinais de serem namorados ou apenas amigos, o que valia às vezes pequenos embaraços momentâneos a quem não conhecia a filosofia da casa.
E qual é o esforço que se faz em Portugal? Em Coimbra frequento locais nocturnos, bares, discotecas, etc. e só muito esporadicamente me cruzei com campanhas contra a SIDA. Na rua onde moro, como descrevo na entrada anterior, a prostituição de clientelas de homens casados que não usam preservativos não tem qualquer acesso a campanhas contra a SIDA. Não há distribuição de preservativos nem de informação, não se vê uma carrinha de apoio com assistentes sociais. Vê-se sim esporadicamente um carro da polícia. Param vão chatear as senhoras com um ar de engatatões, claro não têm coragem para chatear os clientes que fazem coisas muito mais graves na avenida, arranques, picanços com o motor a fundo, circulam sem luzes, uma parte conduz viaturas que não cumprem o código e viaturas que andam a largar couves para o meio da estrada. Enfim, uma miséria franciscana sem descrição. Estas pessoas que representam agora o grupo social onde a SIDA mais se tem propagado em Portugal vivem num mundo à parte, um mundo folclórico, manhoso, arrogante e machista. Ali o combate à SIDA não chega e não é bem-vindo. Assim ela continua a alastrar...
E qual é o esforço que se faz em Portugal? Em Coimbra frequento locais nocturnos, bares, discotecas, etc. e só muito esporadicamente me cruzei com campanhas contra a SIDA. Na rua onde moro, como descrevo na entrada anterior, a prostituição de clientelas de homens casados que não usam preservativos não tem qualquer acesso a campanhas contra a SIDA. Não há distribuição de preservativos nem de informação, não se vê uma carrinha de apoio com assistentes sociais. Vê-se sim esporadicamente um carro da polícia. Param vão chatear as senhoras com um ar de engatatões, claro não têm coragem para chatear os clientes que fazem coisas muito mais graves na avenida, arranques, picanços com o motor a fundo, circulam sem luzes, uma parte conduz viaturas que não cumprem o código e viaturas que andam a largar couves para o meio da estrada. Enfim, uma miséria franciscana sem descrição. Estas pessoas que representam agora o grupo social onde a SIDA mais se tem propagado em Portugal vivem num mundo à parte, um mundo folclórico, manhoso, arrogante e machista. Ali o combate à SIDA não chega e não é bem-vindo. Assim ela continua a alastrar...
SIDA 20 anos depois
Há 20 anos a SIDA fulminou António Variações em poucos meses. Na altura a doença ainda era relativamente desconhecida.
Hoje existem medicamentos que prolongam a esperança durante alguns anos dos doentes infectados.
Hoje as senhoras prostitutas que trabalham por baixo do meu prédio estão sujeitas à lei do grupo que mais contribui para a disseminação da SIDA em Portugal. São homens com mais de 40, 50 anos, em geral culturalmente um zero, mal-educados, medianamente bem na vida, o suficiente para lhes dar a arrogância necessária para achar que a SIDA é doença de paneleiros e que a camisa de Vénus é para maricas. Depois de 10 voltas à rotunda, vejo os bigodes a espreitar por baixo dos espelhos retrovisores, a ansiedade já embacia os vidros. Entro no prédio e penso nas pobres senhoras. Lá fora um expositor anuncia os perigos da SIDA.
Hoje existem medicamentos que prolongam a esperança durante alguns anos dos doentes infectados.
Hoje as senhoras prostitutas que trabalham por baixo do meu prédio estão sujeitas à lei do grupo que mais contribui para a disseminação da SIDA em Portugal. São homens com mais de 40, 50 anos, em geral culturalmente um zero, mal-educados, medianamente bem na vida, o suficiente para lhes dar a arrogância necessária para achar que a SIDA é doença de paneleiros e que a camisa de Vénus é para maricas. Depois de 10 voltas à rotunda, vejo os bigodes a espreitar por baixo dos espelhos retrovisores, a ansiedade já embacia os vidros. Entro no prédio e penso nas pobres senhoras. Lá fora um expositor anuncia os perigos da SIDA.
sexta-feira, dezembro 17, 2004
Napoleão e o moralismo de J.M. Fernandes II
Mais comentários ao texto "Anti-francesismo: não sintam orgulho de Vasco da Gama":
"os romanos chacinaram bárbaros, os bretões chacinaram saxões, os portugueses chacinaram indíos, os espanhóis idem idem aspas aspas, os americanos também chacinaram uma boa parte de indíos. Mas repara ke o sr. JMF não se refere unicamente às mortes, mas também à política que o monsieur napoleão praticava."
Tokyo Cafe
"Buonaparte foi, certamente, um megalómano que provocou muita desgraça, mas que também conseguiu reunificar uma nação. E também há alemães que dão graças ao corso por este ter modernizado a Prússia."
Conde d' Abranhos
"em Lubliana há uma estátua a Napoleão Bonaparte. Razão - devolveu-lhes o direito de usarem a sua língua - o esloveno."
Isabel (Aba de Heisenberg)
"os romanos chacinaram bárbaros, os bretões chacinaram saxões, os portugueses chacinaram indíos, os espanhóis idem idem aspas aspas, os americanos também chacinaram uma boa parte de indíos. Mas repara ke o sr. JMF não se refere unicamente às mortes, mas também à política que o monsieur napoleão praticava."
Tokyo Cafe
"Buonaparte foi, certamente, um megalómano que provocou muita desgraça, mas que também conseguiu reunificar uma nação. E também há alemães que dão graças ao corso por este ter modernizado a Prússia."
Conde d' Abranhos
"em Lubliana há uma estátua a Napoleão Bonaparte. Razão - devolveu-lhes o direito de usarem a sua língua - o esloveno."
Isabel (Aba de Heisenberg)
quinta-feira, dezembro 16, 2004
A missão Huygens em video talk
Neste sítio da Agência Espacial Europeia podemos aceder a uma excelente video-animação que explica de uma forma muito clara todos os passos da missão europeia Huygens desde o momento em que esta sonda será lançada para Titã no dia de Natal, onde chegará dia 14 de Janeiro, depois de ter andado sete anos à boleia da Cassini da NASA. Para quem gosta estão também disponíveis belas imagens para usar nas protecções de ecrã e no ambiente de trabalho do computador.
quarta-feira, dezembro 15, 2004
Mundo de Aventuras XVII
No deserto Mojave as estradas nunca acabam.
O alcatrão aquecido distorce o horizonte.
E o horizonte é ali, por mais que se avance é sempre ali.
É lá que eu quero ir, ali!
Algures no Deserto Mojave, Califórnia, EUA, 2001
Mundo de Aventuras XVI
O alcatrão aquecido distorce o horizonte.
E o horizonte é ali, por mais que se avance é sempre ali.
É lá que eu quero ir, ali!
Algures no Deserto Mojave, Califórnia, EUA, 2001
Mundo de Aventuras XVI
terça-feira, dezembro 14, 2004
Napoleão e o moralismo de J.M. Fernandes
Na caixa de comentários do meu texto "Anti-francesismo: não sintam orgulho de Vasco da Gama" recebi contribuições interessantes que merecem destaque:
"Não se deve também esquecer as campanhas científicas ao Egipto, inclusivé o deciframento dos hieroglifos foi feito na época. Se Napoleão não tivesse efectuado a campanha do Egipto não se estudaria o local tão cedo, nem os ingleses lá acorreriam tão depressa."
Joaquim (Idanhense)
À custa do blogue Idanhense comprei há dias um queijo curado (da minha família) de Idanha-a-Nova que era uma delícia.
Na crueldade sanguinária e no despotismo, Napoleão foi igual a tantos outros. É na glória, na visão, na liderança, e na coragem que ele se distingue, dentro da galeria dos déspotas. É por isso que é celebrado, e merecidamente. Injustamente, não celebramos os nossos reis dos descobrimentos da mesma forma, e era com isso que nos devíamos preocupar.
blitzkrieg (Quarto Segredo)
E não esqueçamos a legião portuguesa que combateu ao lado de Napoleão, na qual se notabilizou Gomes Freire, patriota (não gosto desta palavra...) português, herói trágico de "Felizmente há Luar", assassinado às mãos dos ingleses. Nesse ponto a nossa história não está lá muito bem contada. Ainda está para entender quem era ocupante e quem era libertador. E quem terá pilhado mais. Duvido que o povo analfabeto pudesse distinguir ingleses de franceses..
Sérgio (Aba de Heisenberg)
"Não se deve também esquecer as campanhas científicas ao Egipto, inclusivé o deciframento dos hieroglifos foi feito na época. Se Napoleão não tivesse efectuado a campanha do Egipto não se estudaria o local tão cedo, nem os ingleses lá acorreriam tão depressa."
Joaquim (Idanhense)
À custa do blogue Idanhense comprei há dias um queijo curado (da minha família) de Idanha-a-Nova que era uma delícia.
Na crueldade sanguinária e no despotismo, Napoleão foi igual a tantos outros. É na glória, na visão, na liderança, e na coragem que ele se distingue, dentro da galeria dos déspotas. É por isso que é celebrado, e merecidamente. Injustamente, não celebramos os nossos reis dos descobrimentos da mesma forma, e era com isso que nos devíamos preocupar.
blitzkrieg (Quarto Segredo)
E não esqueçamos a legião portuguesa que combateu ao lado de Napoleão, na qual se notabilizou Gomes Freire, patriota (não gosto desta palavra...) português, herói trágico de "Felizmente há Luar", assassinado às mãos dos ingleses. Nesse ponto a nossa história não está lá muito bem contada. Ainda está para entender quem era ocupante e quem era libertador. E quem terá pilhado mais. Duvido que o povo analfabeto pudesse distinguir ingleses de franceses..
Sérgio (Aba de Heisenberg)
Um ano de Ma-Schamba
O Ma-Schamba é um interessantíssimo blogue que tem a vantagem de nos fazer viajar sem sairmos do mesmo sítio.
segunda-feira, dezembro 13, 2004
O Sonho Europeu
Já escrevi uma carta ao menino Jesus a dizer que me portei bem este ano, que lavei os dentes todos os dias e que não pequei em pensamento. Por isso, pedi-lhe para me trazer o livro "The European Dream" que vi na Waterstone's de Bruxelas, em quinto lugar do top de vendas atrás de quatro obras da literatura industrial de Dan Brown. Jeremy Rifkin, o autor, descreve-nos nesta obra "how Europe's vision of the future is quietly eclipsing the American Dream". Desfolhei o livro, li passagens de alguns capítulos com títulos bastante sugestivos e parece-me estar ali uma grande pedrada no adormecido pensamento político anglo-saxónico. Tanta propaganda anti-europeia e anti-francesa é no que dá. A revolta vem de dentro. Não vou esperar 500 anos pela tradução para português. O menino Jesus já me piscou o olho.
Feira de Astronomia
É a segunda
No café Caramulo em plena Bruxelas, cheio de emigrantes, segurámos todos a Taça assim:
(foto sítio UEFA)
(foto sítio UEFA)
sexta-feira, dezembro 10, 2004
Figueira da Foz: Aleluia! Deus é grande!
Como escrevi há alguns dias neste blogue, a catorreira foi brava na câmara da Figueira durante a gestão de Santana Lopes. Eu já tinha lido o relatório da auditoria que se encontra disponível no site do tribunal de contas e fiquei pasmo como é que nada tinha acontecido depois da mesma auditoria. Esta notícia sobre uma acção do Ministério Público à gestão de Santana na Figueira da Foz confirma muito do que os figueirenses que estão minimamente atentos já suspeitavam há muito.
Espero que ainda restem provas suficientes para que a gestão de Santana possa ser investigada convenientemente. O levantamento do sigilo bancário dava um jeito muito grande neste caso, principalmente para averiguar o enriquecimento fulminante de alguns vereadores que antes de irem para a câmara não tinham onde cair mortos.
Dicas para quem me ler: investiguem a compra do terreno do Jumbo. Investiguem o patrocínio da Figueira Grande Turismo a um carro de rallies em 2001. Vão à loja "Roupa nova" e perguntem como é que o executivo se abastecia de fatos.
Espero que ainda restem provas suficientes para que a gestão de Santana possa ser investigada convenientemente. O levantamento do sigilo bancário dava um jeito muito grande neste caso, principalmente para averiguar o enriquecimento fulminante de alguns vereadores que antes de irem para a câmara não tinham onde cair mortos.
Dicas para quem me ler: investiguem a compra do terreno do Jumbo. Investiguem o patrocínio da Figueira Grande Turismo a um carro de rallies em 2001. Vão à loja "Roupa nova" e perguntem como é que o executivo se abastecia de fatos.
terça-feira, dezembro 07, 2004
Anti-francesismo: não sintam orgulho de Vasco da Gama
Vasco da Gama assim que chegou à costa da Índia esquartejou um grupo de indianos, lançou os corpos para o interior de uma pequena embarcação e enviou esta embarcação até a costa para se perceber que ele não vinha ali para brincadeiras, era uma espécie de cartão de visita.
Posto isto convido-vos a ler mais um dos habituais textos de José Manuel Fernandes, desta vez sobre Napoleão, um texto de um anti-francesismo velado e muito moralista como sempre.
Já acabaram de ler? Agora em que é que ficamos?
Segundo José Manuel Fernandes não se deve glorificar Napoleão por causa todas as atrocidades que cometeu. Ora, todos sabemos que Portugal cometeu muitas atrocidades durante a sua aventura colonial e evangelizadora. Será que podemos glorificar Afonso de Albuquerque? E as nossas missões "evangelizadoras" no Brasil? E as nossas feitorias em África? E Vasco da Gama? E os Lusíadas afinal são um texto sobre um sanguinário?
Na minha opinião podemos de facto admirar e celebrar o principal feito de Vasco da Gama: a primeira viagem por mar desde a Europa até à Índia. Tal como podemos celebrar todos os feitos de carácter científico associados às descobertas. Os crimes que cometeu durante a viagem obviamente não devem ser incluídos na celebração, mas não devem ser esquecidos. No entanto, hoje em pleno séc. XXI é fácil no conforto do nosso sofá dizer que Vasco da Gama era um criminoso, quiçá terrorista de tal modo esta palavra anda a ser banalizada, mas naquela época o contexto social e político daqueles actos era infelizmente bastante diferente das nossas democracias. Igualmente, no que respeita a Napoleão todos os seus crimes e excessos devem ser vistos à luz da geopolítica da época, em que os nacionalismos exultantes estavam no seu auge e quase todos os países da Europa possuíam planos expansionistas. Aliás, na mesma época Portugal expandia-se para o interior do continente sul americano e para o interior do continente africano, sempre à custa de muitas mortes, quase tantas como as provocadas por Napoleão. Mas como essas mortes não eram mortes de brancos já não contam para José Manuel Fernandes. Enfim, anti-francesimo a quanto obrigas...
Mas Napoleão não fez descobertas, só cometeu crimes. Errado!
No entanto, muitos poderiam argumentar: "mas Napoleão não fez descobertas, só cometeu crimes!" Errado! Napoleão rodeou-se sempre dos melhores cientistas da época e incentivou sempre o seu trabalho. Gaspard Monge, o inventor da geometria de Monge, foi muito apoiado por Napoleão e juntos criaram uma instituição de elite do ensino superior francês, o Polytechnique. O Polytechnique e as Ecole d'ingenieur, criadas por Napoleão, formaram até hoje inúmeros alunos brilhantes entre os quais se contam muitos prémios Nobel e pessoas que contribuíram para mudar radicalmente a evolução de muitas áreas do conhecimento com consequências directas na melhoria nosso modo de vida. Tal como o fizeram os nossos descobridores do séculos XV e XVI.
Mais sobre o anti-francesismo
Posto isto convido-vos a ler mais um dos habituais textos de José Manuel Fernandes, desta vez sobre Napoleão, um texto de um anti-francesismo velado e muito moralista como sempre.
Já acabaram de ler? Agora em que é que ficamos?
Segundo José Manuel Fernandes não se deve glorificar Napoleão por causa todas as atrocidades que cometeu. Ora, todos sabemos que Portugal cometeu muitas atrocidades durante a sua aventura colonial e evangelizadora. Será que podemos glorificar Afonso de Albuquerque? E as nossas missões "evangelizadoras" no Brasil? E as nossas feitorias em África? E Vasco da Gama? E os Lusíadas afinal são um texto sobre um sanguinário?
Na minha opinião podemos de facto admirar e celebrar o principal feito de Vasco da Gama: a primeira viagem por mar desde a Europa até à Índia. Tal como podemos celebrar todos os feitos de carácter científico associados às descobertas. Os crimes que cometeu durante a viagem obviamente não devem ser incluídos na celebração, mas não devem ser esquecidos. No entanto, hoje em pleno séc. XXI é fácil no conforto do nosso sofá dizer que Vasco da Gama era um criminoso, quiçá terrorista de tal modo esta palavra anda a ser banalizada, mas naquela época o contexto social e político daqueles actos era infelizmente bastante diferente das nossas democracias. Igualmente, no que respeita a Napoleão todos os seus crimes e excessos devem ser vistos à luz da geopolítica da época, em que os nacionalismos exultantes estavam no seu auge e quase todos os países da Europa possuíam planos expansionistas. Aliás, na mesma época Portugal expandia-se para o interior do continente sul americano e para o interior do continente africano, sempre à custa de muitas mortes, quase tantas como as provocadas por Napoleão. Mas como essas mortes não eram mortes de brancos já não contam para José Manuel Fernandes. Enfim, anti-francesimo a quanto obrigas...
Mas Napoleão não fez descobertas, só cometeu crimes. Errado!
No entanto, muitos poderiam argumentar: "mas Napoleão não fez descobertas, só cometeu crimes!" Errado! Napoleão rodeou-se sempre dos melhores cientistas da época e incentivou sempre o seu trabalho. Gaspard Monge, o inventor da geometria de Monge, foi muito apoiado por Napoleão e juntos criaram uma instituição de elite do ensino superior francês, o Polytechnique. O Polytechnique e as Ecole d'ingenieur, criadas por Napoleão, formaram até hoje inúmeros alunos brilhantes entre os quais se contam muitos prémios Nobel e pessoas que contribuíram para mudar radicalmente a evolução de muitas áreas do conhecimento com consequências directas na melhoria nosso modo de vida. Tal como o fizeram os nossos descobridores do séculos XV e XVI.
Mais sobre o anti-francesismo
segunda-feira, dezembro 06, 2004
Quando os cínicos criticam os cínicos
João César das Neves (JCN), professor da Universidade Católica, universidade essa que está ligada ao grupo de pessoas que ajudaram a criar a cadeia de televisão mais cínica de Portugal, a TVI (lembram-se da frase: "quem tem moral passa fome"?), critica assim os tempos que correm: "Um tempo que acredita em tudo, menos em Deus, fica cínico". Pois claro, está-se mesmo a ver, na Arábia Saudita e no Afeganistão dos talibãs cinismo foi palavra que nunca existiu, tal como durante a inquisição na Europa. Aliás o próprio nome do espaço reservado à crónica de João César das Neves não tem nadinha de cínico: "não há almoços grátis". Era tal e qual o que Jesus Cristo dizia aos pobres...
Nota: banalizo intencionalmente a palavra cínico tal como JCN fez no seu texto.
Nota: banalizo intencionalmente a palavra cínico tal como JCN fez no seu texto.
sábado, dezembro 04, 2004
Sábado em Coimbra XX: a Couraça fala connosco
A Couraça de Lisboa é talvez a minha rua preferida de Coimbra. Desde logo porque nem sequer se chama rua chama-se couraça. Mas a Couraça é sobretudo especial porque é uma rua que fala connosco enquanto por ela caminhamos. A Couraça fala-nos sempre coisas diferentes, se levamos sapatilhas as suas pedras dizem-nos uma coisa se levamos sapatos de tacão de madeira dizem-nos outras. Na secção junto ao Departamento de Física, a Couraça é secreta e fala-nos coisas ao ouvido, sobretudo de madrugada, na restante calçada que se estende até à baixa a Couraça manda-nos olhar para o Mondego e aponta para lá do horizonte. Nesses momentos consigo ver as cidades invisíveis de Marco Polo, vejo Casanova de comboio com esquiços de geometria e Galileu a polir as suas lentes.
Sábado em Coimbra XIX
Sábado em Coimbra XIX
sexta-feira, dezembro 03, 2004
A Europa vai dar música a Titã
Numa iniciativa inédita entre cientistas e o meio artístico, a sonda europeia Huygens será lançada para a superfície de Titã (representação artística à esquerda, sítio da ESA) ao som de quatro temas dos músicos franceses Julien Civange e Louis Haéri gravados em 1997 nos Sony Studios em Nova Iorque, antes do seu lançamento a 15 de Outubro do mesmo ano. O objectivo é o de dar a conhecer a missão da sonda Huygens em Titã ao cidadão comum através de uma iniciativa mais mediática, atribuindo simultaneamente uma faceta mais humana a uma missão desempenhada por máquinas e robôs. Cada um dos quatro temas foi composto e pensado de modo a ilustrar cada uma das fases da missão. O primeiro tema "Lalala" cria o ambiente tranquilo e simples da fase preparatória da missão. O segundo tema "Bald James Deans" transmite-nos o ambiente dramático de uma das fases mais arriscadas da missão, quando a sonda Huygens se separa da nave-mãe Cassini. O terceiro tema "Hot time" é uma peça de música experimental que se relaciona com a fase mais experimental da missão, a exploração da superfície de Titã. O quarto tema "No love" é mais melancólico e levanta questões sobre o êxodo espacial.
A ESA é uma agência espacial jovem, foi criada em 1975. No entanto, esta iniciativa de divulgação representa um esforço de louvar que se enquadra no espírito que animou sempre a ESA desde que foi criada: tentar chegar ao máximo de pessoas possível, cultivar a transparência de todos os passos das missões e envolver ao máximo a sociedade, nomeadamente empresas, escolas, centros de investigação, associações de divulgação, etc.

(Os músicos Julien Civange e Louis Haéri do projecto Music2Titan)
quinta-feira, dezembro 02, 2004
M de Messier
A Maura do Diário de Lisboa que fez 44 anos (parabéns) dá conta de um aglomerado de estrelas, o M44, ser catalogado por coincidência com a letra M de Maura. Esse M tem origem em Messier de Charles Messier, um astrónomo francês que em 1784 elaborou um catálogo de 110 objectos astronómicos observáveis com os instrumentos da época, tais como: galáxias, nebulosas ou aglomerados de estrelas. A cada um desses objectos foi atribuída a letra M e o respectivo número do catálogo. Por exemplo, M1 é a Nebulosa do Caranguejo, M31 é a Galáxia de Andrómeda e M104 é a magnífica Galáxia do Sombrero.
Como eu te compreendo José Pedro Gomes
Vale a pena ouvir esta crónica do "cromo da TSF" José Pedro Gomes. Nela somos confrontados com uma situação déjà vu desesperante que ilustra na perfeição o que há de mais negativo e mais castrador neste país. E mais não digo, sigam a ligação e oiçam a crónica.
quarta-feira, dezembro 01, 2004
A Figueira e o Monstro
Perante os últimos acontecimentos penso na Figueira, a minha pobre Figueira da Foz. É que Lisboa só teve dois anos de dose santanista e o país apenas quatro meses, mas a Figueira sofreu durante quatro anos o efeito devastador do furacão santanista. Quando Santana concluiu o seu mandato na Figueira fui uma das poucas vozes que tentou alertar para o descalabro que estava a acontecer na Figueira. Cheguei ao ponto de telefonar para o Fórum da TSF na sexta antes das últimas autárquicas onde tive oportunidade de alertar os lisboetas para o buraco monstruoso nas finanças que Santana deixou na Figueira. Mas, os meus conterrâneos figueirenses estavam embriagados. Tinham prazer em ver a sua cidade na televisão a qualquer preço. A euforia era tão grande que se Santana não fosse para Lisboa voltaria a ganhar na Figueira. Conheço muita gente do PS e PCP que votou Santana, mas conheço também pessoas do PSD que tiveram um contacto próximo com Santana na Figueira, e que nele tinham votado, mas que perceberam rapidamente o estado de caos financeiro, as constantes fugas para a frente no endividamento da câmara, o clientelismo, as obras adjudicadas à velocidade da luz sem critérios, etc. Mas a minha voz e a dessas pessoas foi abafada eficazmente. Ficou por investigar muita coisa importante: a adjudicação do Centro de Artes e Espectáculos (CAE), a legalidade das dívidas contraídas pela câmara e qual o seu real valor, a atribuição de cargos nas empresas municipais, a venda do terreno onde foi instalado o Jumbo, a anormal onda de visitas de inspectores das finanças às lojas de roupa onde o executivo camarário se ía abastecer com promessas de pagar depois e o enriquecimento súbito de vereadores que antes de ir para a câmara não tinham onde cair mortos. A eleição de seguida de Duarte Silva do PSD para a câmara não ajuda nada ao esclarecimento destas questões, durante os últimos quatro anos muitas das pistas úteis foram apagadas.
Da Figueira o que resta da passagem de Santana é um buraco financeiro profundo que dificultou muito o trabalho do executivo de Duarte Silva, são bairros de caixotes sem qualquer critério urbanístico, é a cidade a crescer selvaticamente para cima da Serra da Boa Viagem, são obras fúteis ou desajustadas à dimensão da cidade como o CAE, o pindérico arco "Figueira da Foz" à entrada da cidade, a multiplicação selvagem de hipermercados (a Figueira tem mais hipermercados que Coimbra) que teve como consequência a devastação do comércio tradicional e a ruína dos próprio espaço comercial dos hipermercados, pois a Figueira não tem capacidade para dar lucro a tanta oferta. A Figueira neste momento está incaracterística e perdida no meio de tanto erro. A Figueira está a "curtir" uma ressaca monstruosa provocada pela grande bebedeira chamada Santana Lopes.
Da Figueira o que resta da passagem de Santana é um buraco financeiro profundo que dificultou muito o trabalho do executivo de Duarte Silva, são bairros de caixotes sem qualquer critério urbanístico, é a cidade a crescer selvaticamente para cima da Serra da Boa Viagem, são obras fúteis ou desajustadas à dimensão da cidade como o CAE, o pindérico arco "Figueira da Foz" à entrada da cidade, a multiplicação selvagem de hipermercados (a Figueira tem mais hipermercados que Coimbra) que teve como consequência a devastação do comércio tradicional e a ruína dos próprio espaço comercial dos hipermercados, pois a Figueira não tem capacidade para dar lucro a tanta oferta. A Figueira neste momento está incaracterística e perdida no meio de tanto erro. A Figueira está a "curtir" uma ressaca monstruosa provocada pela grande bebedeira chamada Santana Lopes.
terça-feira, novembro 30, 2004
Radicalmente pelo SIM
No referendo sobre o Tratado Constitucional da União Europeia votarei "sim", mas não será um "sim" qualquer, será um "sim radical". E o meu "sim" será radical para o distinguir do "sim" do PSD e do PS, onde excepto uma minoria de pessoas verdadeiramente interessadas pelo desenvolvimento do projecto europeu, o voto no "sim" será mais uma questão de obediência aos grupos políticos a que fazem parte no Parlamento Europeu do que propriamente algum interesse especial pela Europa. Quanto ao "sim" do PP, nem precisarei de me demarcar, julgo que é pura ficção para enganar tolos. Lá atrás do biombo de voto, a sós com o boletim de voto, a caneta não se irá enganar, aquele nacionalismo primário do PP será mais forte do que eles e votarão "não". Já os ouviram defender uma palavra que seja do tratado? Eu não.
O meu "sim" é também radical porque é o "sim" de uma esquerda que espera mudanças radicais em dois dos principais assuntos da política internacional: o respeito pelo ambiente e pelo direito internacional. Explicarei na Klepsýdra até ao referendo como estas duas questões poderão beneficiar de um "sim" ao tratado. Este "sim" é o "sim" de uma esquerda ecológica que não alinha na fraude dos "Verdes" dentro do PCP, é o "sim" do sector do BE que não alinha numa estratégia de votar "não" que apesar de poder trazer frutos eleitorais é uma estratégia que atrai mais para o campo do Bloco aqueles que preferem destruir do que os que preferem construir e mudar o estado actual do planeta e é também o "sim" da esquerda que abarca os sectores mais dinâmicos da pasmaceira do PS.
Primeiro motivo para votar "sim": a simplificação dos tratados
Quando se começou a discutir o conteúdo do tratado, ponderava votar "sim", mas era sensível a certas questões apontadas de uma forma acertada por algumas pessoas como o Miguel Portas. No entanto, nunca achei essas questões suficientemente relevantes para justificar um "não" ao tratado Constitucional. Mais tarde, o meu "sim" passou de um "sim prudente" a um "sim radical" quando me dei ao trabalho de ler o emaranhado de tratados que regem a União Europeia (UE), a saber:
1) 1952: o tratado que instituiu a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (expirou há apenas dois anos).
2) 1957: os tratado de Roma que instituíram a Comunidade Económica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia da Energia Atómica (EURATOM).
3) 1992: o tratado sobre a União Europeia (Maastricht).
Depois temos os tratados que introduziram alterações aos tratados:
4) 1986: o Acto Único Europeu alterou o tratado da CEE.
5) 1997: o tratado de Amesterdão alterou o tratado de Maastricht.
6) 2001: o tratado de Nice preparou a UE para a adesão dos 10 novos países.
Só o simples facto de o tratado Constitucional da UE condensar todos estes tratados num único texto já merece o meu aplauso, mas se entrarmos nos detalhes do conteúdo de cada um dos tratados, a urgência do tratado Constitucional torna-se, na minha opinião, radicalmente importante. Actualmente, estamos perante um autêntico puzzle legislativo, as peças da legislação europeia estão dispersas pelos diversos tratados e constituem um entrave importante para que os cidadãos europeus percebam a união de países a que pertencem. Esta simplificação é radicalmente importante porque tem impacto na vida do cidadão comum, visto que facilita bastante a interpretação da legislação europeia e por conseguinte a vida de todos os que tiram partido da existência do espaço comum europeu, como: empresas, investidores, emigrantes, consumidores, redes europeias de transportes, instituições internacionais de investigação científica (CERN, ESA, ESO, ESRF, etc.) ou observatórios e redes de ciências sociais e humanas.
O meu "sim" é também radical porque é o "sim" de uma esquerda que espera mudanças radicais em dois dos principais assuntos da política internacional: o respeito pelo ambiente e pelo direito internacional. Explicarei na Klepsýdra até ao referendo como estas duas questões poderão beneficiar de um "sim" ao tratado. Este "sim" é o "sim" de uma esquerda ecológica que não alinha na fraude dos "Verdes" dentro do PCP, é o "sim" do sector do BE que não alinha numa estratégia de votar "não" que apesar de poder trazer frutos eleitorais é uma estratégia que atrai mais para o campo do Bloco aqueles que preferem destruir do que os que preferem construir e mudar o estado actual do planeta e é também o "sim" da esquerda que abarca os sectores mais dinâmicos da pasmaceira do PS.
Primeiro motivo para votar "sim": a simplificação dos tratados
Quando se começou a discutir o conteúdo do tratado, ponderava votar "sim", mas era sensível a certas questões apontadas de uma forma acertada por algumas pessoas como o Miguel Portas. No entanto, nunca achei essas questões suficientemente relevantes para justificar um "não" ao tratado Constitucional. Mais tarde, o meu "sim" passou de um "sim prudente" a um "sim radical" quando me dei ao trabalho de ler o emaranhado de tratados que regem a União Europeia (UE), a saber:
1) 1952: o tratado que instituiu a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (expirou há apenas dois anos).
2) 1957: os tratado de Roma que instituíram a Comunidade Económica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia da Energia Atómica (EURATOM).
3) 1992: o tratado sobre a União Europeia (Maastricht).
Depois temos os tratados que introduziram alterações aos tratados:
4) 1986: o Acto Único Europeu alterou o tratado da CEE.
5) 1997: o tratado de Amesterdão alterou o tratado de Maastricht.
6) 2001: o tratado de Nice preparou a UE para a adesão dos 10 novos países.
Só o simples facto de o tratado Constitucional da UE condensar todos estes tratados num único texto já merece o meu aplauso, mas se entrarmos nos detalhes do conteúdo de cada um dos tratados, a urgência do tratado Constitucional torna-se, na minha opinião, radicalmente importante. Actualmente, estamos perante um autêntico puzzle legislativo, as peças da legislação europeia estão dispersas pelos diversos tratados e constituem um entrave importante para que os cidadãos europeus percebam a união de países a que pertencem. Esta simplificação é radicalmente importante porque tem impacto na vida do cidadão comum, visto que facilita bastante a interpretação da legislação europeia e por conseguinte a vida de todos os que tiram partido da existência do espaço comum europeu, como: empresas, investidores, emigrantes, consumidores, redes europeias de transportes, instituições internacionais de investigação científica (CERN, ESA, ESO, ESRF, etc.) ou observatórios e redes de ciências sociais e humanas.
segunda-feira, novembro 29, 2004
Apelo ao boicote ao leitão da Bairrada
Começo a ficar saturado dos barretes que vou levando na Mealhada. O leitão anda a ser muito mal tratado. Começa logo por esta mania incrível que há em Portugal de construir restaurantes à beira de estradas nacionais cheias de trânsito, como é o caso da EN1 que passa na Mealhada. Depois é cada vez mais difícil encontrar restaurantes em que as mesas não estejam umas em cima das outras em ambientes de salão que não justificam nada essa disposição. Se fossem caves ou espaços rústicos ainda se tolerava. Finalmente quando o leitão é servido percebemos que a falta de imaginação começa a alastrar até a restaurantes onde já houve um certo cuidado e uma certa qualidade, como é o caso dos "Três Pinheiros". O leitão é agora constantemente servido numa travessa de latão tipo loja dos 300 e muito frequentemente é aquecido no micro-ondas, isto quando não o servem frio sem perguntar ao cliente qual a sua preferência. Pelo menos nos restaurantes que apostam mais na qualidade acho que o leitão poderia ser servido num recipiente mais condigno, poderia ser em barro, em madeira ou até mesmo numa folha de couve. Para compor o ramalhete, lá vêm umas batatas "pala-pala" de pacote e uma salada manhosa a acompanhar o pobre do leitão. Não há imaginação para servir o leitão com uns vegetais cozidos agres, ou umas batatas cozidas com a pele, ou umas batatas a murro, ou uma salada decente que não se resuma a uma folha de alface e a um quarto de tomate. Há um sem fim de opções para dignificar o leitão da Bairrada, mas parece que há um gosto mórbido de querer nivelar a coisa por baixo.
Esta semana foi criada a confraria do leitão na Mealhada. Espero bem que seja constituída por gente com ideias e alguma imaginação, a Bairrada bem precisa. Enquanto as coisas não mudarem apelo ao boicote ao leitão!
Esta semana foi criada a confraria do leitão na Mealhada. Espero bem que seja constituída por gente com ideias e alguma imaginação, a Bairrada bem precisa. Enquanto as coisas não mudarem apelo ao boicote ao leitão!
domingo, novembro 28, 2004
Andamos a brincar aos governantes
Quatro meses após uma remodelação ministerial, faz-se uma nova remodelação...
Quatro meses após uma remodelação ministerial, cria-se um novo ministério...
Uma semana após a criação deste novo ministério, o ministro responsável demite-se!
Exmo. Sr. Presidente da República faça uso dos seus poderes, por favor!
Quatro meses após uma remodelação ministerial, cria-se um novo ministério...
Uma semana após a criação deste novo ministério, o ministro responsável demite-se!
Exmo. Sr. Presidente da República faça uso dos seus poderes, por favor!
sexta-feira, novembro 26, 2004
quinta-feira, novembro 25, 2004
A desculpa sobre a pergunta é um bocado manhosa
Já começa a ser crónico nos referendos a argumentação dos mais conservadores de que o "não" se justifica porque a pergunta ou é muito complicada, ou é manipuladora, ou é muito comprida, ou é curta, ou foi escrita a tinta preta, ou o quadradinho não tem espaço para a cruz, tudo atrapalha! Foi assim com o aborto e a regionalização e volta a acontecer o mesmo com o referendo sobre o tratado constitucional da UE.
O "constrangimento constitucional existente, exclui referendos directos e genéricos sobre tratados (e o mesmo sucede aliás em relação às leis)", como lembra bem Vital Moreira. É esse constrangimento que tornaria sempre a pergunta sobre o tratado constitucional pouco ortodoxa. A pergunta não é boa, mas não é o formato da pergunta em si que vai fazer o eleitor decidir entre votar "sim" ou votar "não". Aliás o eleitor quando se interessa por um assunto não se atrapalha com a pergunta, nem os eleitores com menor formação. A prova são essas assembleias de clubes, que têm às vezes milhares de participantes em que se vota e se discute até à vírgula se o regulamento X do "Benfica" impede o tesoureiro de comprar agrafos ou pomadas para as virilhas dos atletas. Por isso, esse choradinho "estão-nos a fazer de parvos" sobre a pergunta do referendo não cola lá muito bem.
O "constrangimento constitucional existente, exclui referendos directos e genéricos sobre tratados (e o mesmo sucede aliás em relação às leis)", como lembra bem Vital Moreira. É esse constrangimento que tornaria sempre a pergunta sobre o tratado constitucional pouco ortodoxa. A pergunta não é boa, mas não é o formato da pergunta em si que vai fazer o eleitor decidir entre votar "sim" ou votar "não". Aliás o eleitor quando se interessa por um assunto não se atrapalha com a pergunta, nem os eleitores com menor formação. A prova são essas assembleias de clubes, que têm às vezes milhares de participantes em que se vota e se discute até à vírgula se o regulamento X do "Benfica" impede o tesoureiro de comprar agrafos ou pomadas para as virilhas dos atletas. Por isso, esse choradinho "estão-nos a fazer de parvos" sobre a pergunta do referendo não cola lá muito bem.
Erasmus lusófono
Em conversa com um angolano a estagiar aqui no laboratório, percebi que existe uma grande dificuldade em fixar pessoal qualificado nas universidades africanas nas áreas científicas, nomeadamente em Luanda. É difícil atrair docentes estrangeiros e os poucos angolanos que se formam ou vão para fora ou vão para a industria petrolífera.
Um Erasmus lusófono poderia dar uma ajudinha a mudar a situação. A circulação de jovens estudantes cheios de ideias, de iniciativa e de curiosidade poderia facilitar a criação de empresas, de associações científicas, de projectos e de redes de cooperação entre universidades no espaço lusófono.
Um Erasmus lusófono poderia dar uma ajudinha a mudar a situação. A circulação de jovens estudantes cheios de ideias, de iniciativa e de curiosidade poderia facilitar a criação de empresas, de associações científicas, de projectos e de redes de cooperação entre universidades no espaço lusófono.
quarta-feira, novembro 24, 2004
Recomeçou o anti-francesismo primário
Chegou a segunda vaga de anti-francesismo primário. A primeira vaga lançada pelos falcões do Partido Republicano, cuja propaganda teve algum eco na Europa, garantia-nos pedagogicamente que a França era a culpada de todos os males do mundo e que no Iraque tudo iria correr bem (como se está a verificar). Agora, nada melhor que um referendo europeu para descarregar todo o ódio primário sobre os franceses e para ir buscar aquela xenofobia pequenina (vulgo provincianismo) que todos nós temos arrumada lá num cantinho da bilis.
O texto sem pés nem cabeça do João Miranda no Blasfémias abre as hostilidades. Leiam-no e se tiverem paciência comparem os disparates que lá estão sobre os franceses, por exemplo, com a história colonial portuguesa e seus mapas megalómanos, abusos, mercantilismo, etc.
Até ao referendo sobre a constituição vamos voltar a ouvir de tudo sobre a França e os franceses: são porcos, não lavam os pés, só comem queijo, falam francês em vez de falar inglês, pior ainda escrevem em francês, fazem péssimos filmes e ainda por cima são falados em francês sem legendas em inglês, são arrogantes, invadiram-nos e perderam no Buçaco que é bem feita, só pensam em sexo, são jacobinos, têm canais de TV gay (o enquadramento de jacobinos é propositado), por cima do Parlamento de Estrasburgo há muitas nuvens cinzentas, Malraux=Carrillho=Santana, enfim as parvoíces do costume.
O texto sem pés nem cabeça do João Miranda no Blasfémias abre as hostilidades. Leiam-no e se tiverem paciência comparem os disparates que lá estão sobre os franceses, por exemplo, com a história colonial portuguesa e seus mapas megalómanos, abusos, mercantilismo, etc.
Até ao referendo sobre a constituição vamos voltar a ouvir de tudo sobre a França e os franceses: são porcos, não lavam os pés, só comem queijo, falam francês em vez de falar inglês, pior ainda escrevem em francês, fazem péssimos filmes e ainda por cima são falados em francês sem legendas em inglês, são arrogantes, invadiram-nos e perderam no Buçaco que é bem feita, só pensam em sexo, são jacobinos, têm canais de TV gay (o enquadramento de jacobinos é propositado), por cima do Parlamento de Estrasburgo há muitas nuvens cinzentas, Malraux=Carrillho=Santana, enfim as parvoíces do costume.
terça-feira, novembro 23, 2004
Pleamar
Quiero volver a aquellos días de mi infancia junto al mar de Cádiz,
aireándome la frente con las ondas de los pinares ribereños,
sintiendo cómo se me llenan de arena los zapatos,
arena rubia de las dunas quemantes, sombreadas a trechos de retamas.
Rafael Alberti
aireándome la frente con las ondas de los pinares ribereños,
sintiendo cómo se me llenan de arena los zapatos,
arena rubia de las dunas quemantes, sombreadas a trechos de retamas.
Rafael Alberti
segunda-feira, novembro 22, 2004
As minhas utopias
um "Erasmus" lusófono, alunos de Cabo Verde, Angola,
Moçambique, Portugal, Timor, S. Tomé, Brasil e Guiné,
tudo a circular...
Moçambique, Portugal, Timor, S. Tomé, Brasil e Guiné,
tudo a circular...
sexta-feira, novembro 19, 2004
quinta-feira, novembro 18, 2004
Urânio de Senhorim: há limites!
Talvez o pior protesto popular que assisti até hoje foi o dos representantes do movimento que pretende elevar Canas de Senhorim a concelho. Refiro-me à inqualificável manifestação em que alguns irresponsáveis tiveram a brilhante ideia de levar sacos contendo 500 kg de urânio até à entrada do palácio de Belém. O urânio é um material radioactivo presente na natureza, que ingerimos e expelimos diariamente, mas 500 kg de urânio não são propriamente quantidades comuns às quais somos expostos por simples acção da natureza. A inalação de grandes quantidades de urânio apresenta alguns riscos tanto do ponto de vista da sua radioactividade (perigosa para os rins) como da sua toxicidade. Nas imagens que vi na televisão, apareciam dois irresponsáveis a abrir os sacos e fazer escorrer entre os dedos das mãos o urânio como se fosse areia, enquanto proferiam ameaças ao Presidente Sampaio como se tivessem ali uma mini-bomba atómica. Já agora, como é que um grupo de pessoas leva 500 kg de urânio de autocarro para Lisboa e não dá contas disso a ninguém? E as regras de transporte de materiais perigosos e radioactivos não se aplicam? Pelos visto se o Ben Laden andar aqui pela lusitânia com sacos de urânio às costas ninguém o chateia.
A telenovela de Canas continua com o urânio como personagem principal, ontem foram recebidos pelo Ministério do Ambiente, o mesmo ministério que deveria ter apreendido o material da manifestação em Belém e que deveria ter no mínimo detido os irresponsáveis que andavam para ali com os sacos de urânio. Mas pelo tom dos intervenientes o crime compensa. Saíram contentes do encontro. Com sorte e uma pitada de populismo lá vamos ter nós mais uma câmara municipal para pesar no orçamento. E a avaliar pelas acções dos potenciais autarcas vai ser linda a futura câmara de Senhorim...
A telenovela de Canas continua com o urânio como personagem principal, ontem foram recebidos pelo Ministério do Ambiente, o mesmo ministério que deveria ter apreendido o material da manifestação em Belém e que deveria ter no mínimo detido os irresponsáveis que andavam para ali com os sacos de urânio. Mas pelo tom dos intervenientes o crime compensa. Saíram contentes do encontro. Com sorte e uma pitada de populismo lá vamos ter nós mais uma câmara municipal para pesar no orçamento. E a avaliar pelas acções dos potenciais autarcas vai ser linda a futura câmara de Senhorim...
quarta-feira, novembro 17, 2004
A primeira órbita lunar da SMART
Ontem correu tudo bem e a SMART iniciou a sua primeira órbita à volta da Lua. O sítio da ESA inaugurou um serviço de informações multilingue. Podemos ler aqui a descrição da missão SMART em português até à sua entrada na órbita lunar e as tarefas que vai desempenhar quando atingir uma órbita estável confinada entre as altitudes de 3000 km acima do pólo norte lunar e de 300 km acima do pólo sul.
terça-feira, novembro 16, 2004
SMART na EuroNews
A rubrica Space da Euronews vai incidir esta semana sobre a missão SMART (a ligação inclui mini-filmes em português), nomeadamente a equipa de investigadores responsável pela mini-câmara instalada a bordo. Aqui fica o horário da rubrica Space:
Segunda 12:45 18:15 00:15
Terça 12:45 18:15 00:15
Quarta 12:45 18:15 00:15
Quinta 12:45 18:15 00:15
Sexta 17:45 20:45 00:15
Sábado 12:45 21:15 00:15
Domingo 12:45 18:15 00:15
Continuo sem perceber porque é que a Euronews no seu serviço normal deixou de ser traduzida para português e percebo ainda menos porque é que este verdadeiro canal de serviço público foi chutado para o canal 52 da TV cabo. Será por razões ideológicas?
Segunda 12:45 18:15 00:15
Terça 12:45 18:15 00:15
Quarta 12:45 18:15 00:15
Quinta 12:45 18:15 00:15
Sexta 17:45 20:45 00:15
Sábado 12:45 21:15 00:15
Domingo 12:45 18:15 00:15
Continuo sem perceber porque é que a Euronews no seu serviço normal deixou de ser traduzida para português e percebo ainda menos porque é que este verdadeiro canal de serviço público foi chutado para o canal 52 da TV cabo. Será por razões ideológicas?
Respeito por Arafat
No Almocreve das Petas podemos ler este excelente texto onde se relembra que apesar de tudo, o que se passou a semana passada foi a morte de Arafat, a morte de um homem, e não um concurso televisivo de mau gosto de atribuição de um lugar na história de herói ou de assassino. A história de Arafat será escrita e analisada durante muitos anos, independentemente do barulho das "claques" que agora se esganam.
Marek Halter, escritor judeu, que se encontrou frequentemente com Arafat desde tempo do seu retiro na Tunísia, testemunhou este fim de semana no "Tout le Monde en Parle" as suas ideias sobre o ex-líder palestino. Relatou o seu cepticismo em relação às verdadeiras intenções de Arafat, nomeadamente a dificuldade que Arafat teve em admitir o reconhecimento da existência do estado judaico e a duplicidade nos discursos que proferia em inglês e em árabe. Mas Marek desmistificou muita da propaganda maldosa que anda por aí sobre Arafat, nomeadamente sobre as contas bancárias e sobre a sua suposta actividade terrorista nos últimos três anos. Marek descreve um homem extremamente doente e com uma incapacidade física e mental bastante avançada. Segundo Marek a conta de Arafat na Suiça serviria como um fundo de reserva destinado à Palestina e não para uso pessoal, ele relembra que Arafat não andava de Rolls Royce e que a sua retrete nos últimos três anos era um buraco. Marek relembra ainda que na Palestina as instituições bancárias não funcionam como nos países normais e, segundo Marek, uma grande parte do dinheiro em nome de Arafat na Suiça foi fruto de algo bastante corrente no médio oriente, que é o pagamento de empresas petrolíferas para prevenção de ataques a oleodutos.
Marek Halter, escritor judeu, que se encontrou frequentemente com Arafat desde tempo do seu retiro na Tunísia, testemunhou este fim de semana no "Tout le Monde en Parle" as suas ideias sobre o ex-líder palestino. Relatou o seu cepticismo em relação às verdadeiras intenções de Arafat, nomeadamente a dificuldade que Arafat teve em admitir o reconhecimento da existência do estado judaico e a duplicidade nos discursos que proferia em inglês e em árabe. Mas Marek desmistificou muita da propaganda maldosa que anda por aí sobre Arafat, nomeadamente sobre as contas bancárias e sobre a sua suposta actividade terrorista nos últimos três anos. Marek descreve um homem extremamente doente e com uma incapacidade física e mental bastante avançada. Segundo Marek a conta de Arafat na Suiça serviria como um fundo de reserva destinado à Palestina e não para uso pessoal, ele relembra que Arafat não andava de Rolls Royce e que a sua retrete nos últimos três anos era um buraco. Marek relembra ainda que na Palestina as instituições bancárias não funcionam como nos países normais e, segundo Marek, uma grande parte do dinheiro em nome de Arafat na Suiça foi fruto de algo bastante corrente no médio oriente, que é o pagamento de empresas petrolíferas para prevenção de ataques a oleodutos.
sábado, novembro 13, 2004
O salto "esperto" até à Lua
De 15 para 16 de Novembro a sonda europeia SMART - assim chamada por a sua propulsão ser efectuada por um motor iónico, considerada uma smart technology - vai completar o seu "salto" para a órbita da Lua. Em vez de uma trajectória directa em direcção à Lua, a SMART anda há alguns meses a ganhar balanço à volta da Terra até o seu motor "esperto", baseado no efeito de Hall, aumente a sua energia cinética até valores que permitam à SMART saltar para a órbita lunar. Vai ser como naqueles filmes em que cavaleiros a galope saltam para dentro de um comboio em andamento. No esquema abaixo representado podemos ver a cronologia da missão até a sonda SMART ganhar uma órbita estável à volta da Lua. A linha verde representa a órbita da Lua e a vermelha representa a trajectória da SMART (esquema do sítio da ESA).
Isto é terrorismo ou não?
No filme "Spy Game", baseado numa história verdadeira, o realizador Tony Scott relata abertamente um atentado brutal articulado pela CIA em Beirute durante os anos 80. Faço notar que o filme saiu antes do 11 de Setembro. Para os que andam constantemente a colar o rótulo de "terrorista" a tudo o que mexe fica a pergunta: como é que é, isto é terrorismo ou não?
(© 2001 - Universal Pictures)
sexta-feira, novembro 12, 2004
Sharon: postura de estado, postura de estorvo
Todos assistimos às mórbidas declarações de Sharon, acompanhadas de um largo sorriso, sobre o local onde autorizaria ou não o enterro Arafat. Os pecados de Arafat são conhecidos, mas por muito grande que fosse o ódio de estimação Sharon em relação a Arafat existem circunstâncias da vida em que dois adversários políticos devem um mínimo de respeito mútuo. Um desses momentos é quando um dos adversários está às portas da morte. Sendo Ariel Sharon primeiro-ministro de Israel a sua falta de postura de estado perante os últimos momentos do seu adversário é absolutamente repugnante e só ilustra o espírito com que Sharon sempre encarou o problema palestiniano, agindo frequentemenete com muita falta de respeito e humilhando quando possível os adversários. Sinceramente, perante posturas de estado deste género (que mais parecem posturas de estorvo) julgo que os chefes de estado e os governos dos países livres e democráticos deveriam reduzir ao mínimo as suas relações com um personagem deste calibre.
"Quando cair o teu inimigo, não te alegres,
nem quando tropeçar se regozije o teu coração,
para que o Senhor não o veja, e o desgoste"
Provérbios, 24:17,18 (na Rua da Judiaria)
"Quando cair o teu inimigo, não te alegres,
nem quando tropeçar se regozije o teu coração,
para que o Senhor não o veja, e o desgoste"
Provérbios, 24:17,18 (na Rua da Judiaria)
quinta-feira, novembro 11, 2004
Arafat: há alturas em que prefiro não ter razão
Espero sinceramente que o Aviz e o Nuno Guerreiro tenham razão. Eu não concordo com eles sobre o facto de ter sido Arafat o principal obstáculo à paz, mas desejo ardentemente estar errado. Acho que o falhanço dos acordos de paz se deve mais ao assassínio de Rabin, à eleição de Benjamin Netanyahu e de seguida à radicalização das acções do Hamas. Na minha opinião Arafat foi levado no turbilhão da escalada de violência que se seguiu, tal como muita gente no campo israelita que se esforçou para obter a paz. Para além disso, não ajudaram em nada os últimos três anos de Arafat em que este esteve muito doente e enclausurado à força por Sharon que se recusou sempre a negociar directamente com o próprio Arafat. Agora, impossibilitada que está a concretização da vendetta pessoal de Sharon em relação a Arafat, espero que o Nuno Guerreiro tenha razão, que existam outras pessoas do lado palestiniano com capacidade de dialogar e que se cumpra também o seu desejo de que "seria agora a vez de Ariel Sharon abandonar o governo israelita, de forma a permitir que o retomar das negociações de paz possa ser feito sem a presença de figuras polarizadoras". Além disso, eu gostaria de ver Sharon a ser julgado pela sua responsabilidade nos massacres ocorridos no Líbano nos anos 80, mas se for preciso abdicar disso para se obter a paz, é preferível. Sharon não merece assim tanta importância.
quarta-feira, novembro 10, 2004
Europa destrói um muro e os EUA constroem outro
Apenas um mês depois da queda do muro de Berlim ocorrida há 15 anos, na cimeira de Estrasburgo a CEE decidiu criar o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento com o intuito de ajudar os países da Europa central e de leste recentemente libertados das garras do Império Soviético. Esse foi um primeiro passo dado pela União Europeia (UE) até à integração de quase todos esses países no seu seio ocorrida no passado 1 de Maio (faltam alguns países balcânicos, a Roménia e a Bulgária). Fruto dessa política solidária, todos esses países atingiriam níveis de crescimento e de desenvolvimento notáveis, recuperando em apenas alguns anos uma boa parte do atraso que tinham em 1989 para os restantes países da UE. Por exemplo, hoje a Eslovénia é um país já com indicadores económicos superiores aos de Portugal.
Esta recuperação de um espaço geográfico extenso para o campo da democracia e do desenvolvimento foi talvez a melhor medida da história da União Europeia.
Muro entre os EUA e o México, 2001 (para os que chamam "cerca" ao muro Israelo-palestiniano, corrijo para: duplo muro entre os EUA e México).
Contraste com a vizinhança dos EUA
A relação dos EUA com o seu espaço geográfico vizinho contrasta brutalmente com a atitude da União Europeia. Mais ou menos na mesma altura que a Europa acabou com o muro de Berlim, os EUA começaram a construir um gigantesco muro de 3000 km com o vizinho México.
As políticas dos EUA de ajuda ao desenvolvimento dos estados vizinhos da América central têm sido um fracasso absoluto. Alguns desses países vivem em sistemas democráticos há muito mais tempo do que qualquer país da Europa de leste, no entanto, a convergência do PIB per capita desses países em relação ao PIB dos EUA tem sido irrelevante ou negativa, ao contrário do que se passou entre os países do leste da Europa e a UE. A Letónia, o país mais pobre da UE, passou de um PIB per capita de 29,8% da média da UE em 1995 para 45,7% em 2003. Na América central a generalidade dos países têm um PIB per capita a menos de 10 % do valor dos EUA e apenas alguns se aproximam dos 20 % (México 17 %). A razão deste falhanço é em parte devido a factores culturais, estruturais e políticos desses países da América Central, mas também devido à ideologia que os EUA praticam nas suas relações com países mais frágeis. É a ideologia de um liberalismo praticamente selvagem, aliado a um conservadorismo de catequese e de perseguição a todas as políticas de âmbito social. Exceptuando Cuba, quantos comunistas e socialistas é que há na América Central, do México ao Panamá? E sindicatos? Certamente não são muitos. E o pior é que alguns desses países ainda estão pior que a miserável Cuba. Pois é, não há mesmo desculpa para o desastre da política americana na América Central. O melhor é mesmo aprender com a Europa.
Mais sobre o Muro entre EUA e México
Esta recuperação de um espaço geográfico extenso para o campo da democracia e do desenvolvimento foi talvez a melhor medida da história da União Europeia.
Muro entre os EUA e o México, 2001 (para os que chamam "cerca" ao muro Israelo-palestiniano, corrijo para: duplo muro entre os EUA e México).
Contraste com a vizinhança dos EUA
A relação dos EUA com o seu espaço geográfico vizinho contrasta brutalmente com a atitude da União Europeia. Mais ou menos na mesma altura que a Europa acabou com o muro de Berlim, os EUA começaram a construir um gigantesco muro de 3000 km com o vizinho México.
As políticas dos EUA de ajuda ao desenvolvimento dos estados vizinhos da América central têm sido um fracasso absoluto. Alguns desses países vivem em sistemas democráticos há muito mais tempo do que qualquer país da Europa de leste, no entanto, a convergência do PIB per capita desses países em relação ao PIB dos EUA tem sido irrelevante ou negativa, ao contrário do que se passou entre os países do leste da Europa e a UE. A Letónia, o país mais pobre da UE, passou de um PIB per capita de 29,8% da média da UE em 1995 para 45,7% em 2003. Na América central a generalidade dos países têm um PIB per capita a menos de 10 % do valor dos EUA e apenas alguns se aproximam dos 20 % (México 17 %). A razão deste falhanço é em parte devido a factores culturais, estruturais e políticos desses países da América Central, mas também devido à ideologia que os EUA praticam nas suas relações com países mais frágeis. É a ideologia de um liberalismo praticamente selvagem, aliado a um conservadorismo de catequese e de perseguição a todas as políticas de âmbito social. Exceptuando Cuba, quantos comunistas e socialistas é que há na América Central, do México ao Panamá? E sindicatos? Certamente não são muitos. E o pior é que alguns desses países ainda estão pior que a miserável Cuba. Pois é, não há mesmo desculpa para o desastre da política americana na América Central. O melhor é mesmo aprender com a Europa.
Mais sobre o Muro entre EUA e México
terça-feira, novembro 09, 2004
Mundo de Aventuras XIV
A primeira vez que o vi foi num livro intitulado "As Maravilhas do Mundo", oferta do meu pai. E fiquei realmente maravilhado! Sonhei com o dia em que subiria lá cima e veria as ruas, os carros e as pessoas, lá em baixo pequeninas. Na altura, estava convicto que seria sempre apenas um sonho, dado o nível de vida da minha família. Afinal vinte e tal anos depois desse momento subi mesmo até lá cima para ver as ruas, as pessoas e os carros pequeninos. Foi um momento mágico, porque foi o cumprir de um sonho de infância, daqueles momentos em que nos dizemos a nós próprios "pronto, agora podemos passar a uma nova etapa do sonho".
Houve outra coisa que blindou a nossa relação. Fazemos anos no mesmo dia.
(Empire State Building, Nova Iorque, EUA, Novembro 2002)
Mundo de Aventuras XIII
Houve outra coisa que blindou a nossa relação. Fazemos anos no mesmo dia.
(Empire State Building, Nova Iorque, EUA, Novembro 2002)
Mundo de Aventuras XIII
segunda-feira, novembro 08, 2004
O esquecido trabalhador-estudante
Numa das minhas "fricções" sadias com o Alexandre Monteiro do Empatia, ele chamou a atenção e bem para o problema do trabalhador-estudante no ensino superior. É um problema reiteradamente esquecido pelo Ministério, pelas universidades e pelas associações de estudantes. Um dos inconvenientes da luta contra as propinas (que eu apoio) é que tem subalternizado outros problemas gravíssimos da universidade, como este do trabalhador-estudante. Hoje em dia um estudante que queira ganhar independência dos pais e trabalhar enfrenta uma missão praticamente impossível se quiser tirar um curso universitário num intervalo de tempo minimamente razoável. As nossas universidades ignoram completamente esta classe de estudantes. Basta ver os horários das aulas, dos serviços académicos e até das cantinas para perceber que está tudo formatado para o aluno que depende dos pais. Numa altura em que as propinas estão a atingir valores incomportáveis para uma boa parte dos alunos da classe média baixa (aqueles cujo o rendimento familiar os excluem da acção social, mas cujos custos de estudante deslocado estão no limite de sobrevivência familiar), as condições do aluno trabalhador-estudante deveriam ser seriamente encaradas, pois para muita gente não vai restar outra alternativa ao abandono dos estudos senão a de estudar e trabalhar simultaneamente.
O assassinato de Theo Van Gogh
O assassinato de Theo Van Gogh foi acto infame, um verdadeiro acto de terrorismo religioso. O assassino de Van Gogh é um exemplar dessa extrema direita financiada pela Arábia Saudita para converter a Europa (à força) a um Islão distorcido e doentio.
Alguns países da Europa (entre os quais Portugal) vendem material militar aos Sauditas em troca de brindes na compra de petróleo. Essa hedionda ditadura Saudita agradece, sorri-nos e dá-nos umas palmadinhas nas costas, quando olhamos para o lado dá-nos uma facada! A última facada nas costas foi a de Van Gogh...
Alguns países da Europa (entre os quais Portugal) vendem material militar aos Sauditas em troca de brindes na compra de petróleo. Essa hedionda ditadura Saudita agradece, sorri-nos e dá-nos umas palmadinhas nas costas, quando olhamos para o lado dá-nos uma facada! A última facada nas costas foi a de Van Gogh...
domingo, novembro 07, 2004
Boa análise das eleições americanas
Escreveu-se muito sobre os resultados das eleições americanas, mas muito pouco do que se escreveu passou do simples ajuste de contas, do alimentar de rancores e de alguma chacota palermita (falam, falam, falam, falam...e não dizem nada). Mas vale a pena ler a análise do resultado das eleições americanas do Nuno Guerreiro na Rua da Judiaria. Ele está lá no meio da "confusão", em Los Angeles, e sabe bem do que fala. Parece-me que o Nuno é capaz de ter toda a razão.
sábado, novembro 06, 2004
Sábado em Coimbra XIX: O Choupal vestido de Outono
Olho pela janela e vejo o Choupal já todo vestidinho de Outono.
Uns amarelos claros, outros torrados e ainda muito verde...
Recordo os Outonos de outras paragens,
onde a natureza no Outono se veste de cores mais vivaces.
Recordo as cores garridas das florestas da Virginia
e as ribeiras enfeitadas de mil cores entre Belfort e Limoges.
O Choupal não. É discreto, e faz da discrição a sua beleza.
Sábado em Coimbra XVIII
Uns amarelos claros, outros torrados e ainda muito verde...
Recordo os Outonos de outras paragens,
onde a natureza no Outono se veste de cores mais vivaces.
Recordo as cores garridas das florestas da Virginia
e as ribeiras enfeitadas de mil cores entre Belfort e Limoges.
O Choupal não. É discreto, e faz da discrição a sua beleza.
Sábado em Coimbra XVIII
quinta-feira, novembro 04, 2004
Para que fique ainda mais claro II: o mito apocalíptico
Os últimos textos de Pacheco Pereira que justificam a ofensiva contra o terrorismo islâmico, e por tabela contra o Iraque, apoiam-se em parte no carácter apocalíptico do terrorismo (ler no Abrupto: "para que fique claro").
1- Em relação ao Iraque, depois dos resultados anunciados há um mês pela Comissão Americana de Inspecções de Armamento no Iraque, se alguém ainda tinha dúvidas sobre a falsidade das alegações de posse de armamento de carácter apocalíptico, elas ficaram desfeitas. Nada que já não tivesse sido concluído pelos maiores especialistas mundiais deste tipo de assuntos, como Hans Blix.
2- Se o objectivo é eliminar as fontes mais prováveis de fornecimento de material que possa ser usado num terrorismo apocalíptico, então há que intervir no Paquistão e na Arábia Saudita e não no Iraque. No caso do Paquistão deveria haver um esforço para conduzir o país a iniciar um processo de desarmamento do seu arsenal nuclear em conjunto com a Índia. Este tipo de processos não é novidade nenhuma, recentemente a Ucrânia e a África do Sul desmantelaram o seu programa de armas nucleares. Seria muito mais eficaz e simples desarmar o Paquistão que ir excitar a população muçulmana com a intervenção no Iraque. Quanto à Arábia Saudita, as cidades de Medina e Meca, onde não podem entrar infiéis (não-muçulmanos), são um paraíso que permite a um grupo de cientistas montar em toda a tranquilidade uma bomba atómica que facilmente poderá ser lançada para o quintal do lado (Israel). Mas, em relação à Arábia Saudita vergonha na cara é o que falta aos responsáveis políticos americanos e a alguns europeus, como é o caso de Portugal, que não se privam de manter relações promíscuas com a pior ditadura do mundo.
3- Se queremos falar em problemas realmente apocalípticos, temos é que discutir o efeito de estufa e a falta de água potável no planeta. É que por muitos atentados que façam os terroristas nunca conseguirão chegar aos calcanhares dos efeitos, estes sim apocalípticos, que cada um destes problemas ambientais poderão causar ao planeta e à vida humana. Sobre estes assuntos, até hoje, não vi nem uma linha escrita no Abrupto.
1- Em relação ao Iraque, depois dos resultados anunciados há um mês pela Comissão Americana de Inspecções de Armamento no Iraque, se alguém ainda tinha dúvidas sobre a falsidade das alegações de posse de armamento de carácter apocalíptico, elas ficaram desfeitas. Nada que já não tivesse sido concluído pelos maiores especialistas mundiais deste tipo de assuntos, como Hans Blix.
2- Se o objectivo é eliminar as fontes mais prováveis de fornecimento de material que possa ser usado num terrorismo apocalíptico, então há que intervir no Paquistão e na Arábia Saudita e não no Iraque. No caso do Paquistão deveria haver um esforço para conduzir o país a iniciar um processo de desarmamento do seu arsenal nuclear em conjunto com a Índia. Este tipo de processos não é novidade nenhuma, recentemente a Ucrânia e a África do Sul desmantelaram o seu programa de armas nucleares. Seria muito mais eficaz e simples desarmar o Paquistão que ir excitar a população muçulmana com a intervenção no Iraque. Quanto à Arábia Saudita, as cidades de Medina e Meca, onde não podem entrar infiéis (não-muçulmanos), são um paraíso que permite a um grupo de cientistas montar em toda a tranquilidade uma bomba atómica que facilmente poderá ser lançada para o quintal do lado (Israel). Mas, em relação à Arábia Saudita vergonha na cara é o que falta aos responsáveis políticos americanos e a alguns europeus, como é o caso de Portugal, que não se privam de manter relações promíscuas com a pior ditadura do mundo.
3- Se queremos falar em problemas realmente apocalípticos, temos é que discutir o efeito de estufa e a falta de água potável no planeta. É que por muitos atentados que façam os terroristas nunca conseguirão chegar aos calcanhares dos efeitos, estes sim apocalípticos, que cada um destes problemas ambientais poderão causar ao planeta e à vida humana. Sobre estes assuntos, até hoje, não vi nem uma linha escrita no Abrupto.
quarta-feira, novembro 03, 2004
Para que fique ainda mais claro: o mito do Baas
Já não é a primeira vez que lemos no Abrupto que os ataques no Iraque são da responsabilidade de ex-elementos do Baas (ler:"para que fique claro"). Este argumento de culpabilizar os ataques iniciais às forças americanas como sendo da exclusiva responsabilidade de meia dúzia de ex-quadros do partido, foi um argumento puramente propagandístico de vida curta lançado pela administração norte americana. Pelos vistos continua a circular por cá, mas há muito que foi desmontado de uma forma clara nos EUA como nos explica Richard Clarke:
"In Saddam Hussein's Iraq, one had to join the Baath Party to gain promotion to managerial positions throughout the economy. [The US authority] By dismissing them all (and canceling their retirement), there were suddenly no experience managers. Russians and others who suffered under the Communist Party would be familiar with the party membership requirement."
Estranho que uma pessoa como Pacheco Pereira, um excelente estudioso do fenómeno comunista, passe ao lado desta conhecida obrigatoriedade de pertença ao "partido" que retira qualquer significado à argumentação dos "assassinos do Baas". Todos eram do Baas, os que eram contra e a favor de Saddam.
Como descreve Clarke, esta argumentação puramente propagandística - pois a administração não queria admitir que a maior parte dos ataques eram da responsabilidade de Iraquianos que nunca apoiaram o regime - só teve como efeito o piorar ainda mais a situação no Iraque:
"After protests, riots, and attacks, the US occupation authority sait it would pay Iraqi army officers' retirement (...) by then, no doubt, some Iraqi army officers were plotting attacks on US forces."
"Against All Enemies", Richard Clarke, Free Press, 2004, pag. 272.
"In Saddam Hussein's Iraq, one had to join the Baath Party to gain promotion to managerial positions throughout the economy. [The US authority] By dismissing them all (and canceling their retirement), there were suddenly no experience managers. Russians and others who suffered under the Communist Party would be familiar with the party membership requirement."
Estranho que uma pessoa como Pacheco Pereira, um excelente estudioso do fenómeno comunista, passe ao lado desta conhecida obrigatoriedade de pertença ao "partido" que retira qualquer significado à argumentação dos "assassinos do Baas". Todos eram do Baas, os que eram contra e a favor de Saddam.
Como descreve Clarke, esta argumentação puramente propagandística - pois a administração não queria admitir que a maior parte dos ataques eram da responsabilidade de Iraquianos que nunca apoiaram o regime - só teve como efeito o piorar ainda mais a situação no Iraque:
"After protests, riots, and attacks, the US occupation authority sait it would pay Iraqi army officers' retirement (...) by then, no doubt, some Iraqi army officers were plotting attacks on US forces."
"Against All Enemies", Richard Clarke, Free Press, 2004, pag. 272.
terça-feira, novembro 02, 2004
Aborto: será que a juíza foi "polticamente correcta"?
Será que a nossa legião de talibãs vai já começar a gritar que a decisão de hoje da juíza de absolver a jovem julgada por aborto clandestino se trata de uma decisão do "politicamente correcto"?
A campanha americana é um circo!
Se fosse americano só poderia ser dos Verdes, em nome da minha sanidade mental. Mas nestas eleições não teria qualquer dúvida em votar útil e votaria em Kerry, numa tentativa desesperada de prolongar a esperança de vida do planeta Terra.
No início desta campanha eleitoral confesso que ainda segui os primeiros momentos da Convenção Democrática, mas este vosso amigo ia tendo uma crise de paralisia cerebral a assistir a tão hediondo espectáculo. De política ouvi muito pouco, ouvi a mulher de Kerry, ouvi o filho da mulher de Kerry, ouvi as filhas de Kerry, ouvi um primo de Kerry, só me faltou ouvir o periquito e o cão de Kerry. Todos falaram de Kerry como quem fala de um deus. Mas o momento mais marcante foi quando uma das filhas de Kerry descreveu um momento demonstrativo da magnificência de Kerry. Tratava-se de um episódio em que o seu hamster (que por acaso não falou na convenção) tinha caído ao rio e foi salvo miraculosamente pelo corajoso Kerry que não hesitou em saltar de cabeça para a água. Confesso que não me lembro se Kerry o salvou por respiração boca-a-boca ou por massagem cardíaca, o que é certo é que o roedor se safou. Eram umas três da manhã e por momentos tive a sensação que estava na Coreia do Norte a ouvir as heróicas histórias de almanaques do partido dos grandes líderes Kim Il-Sung ou Kim Jong-Il. Obviamente que depois disto nem sequer me passou pela cabeça assistir à Convenção Republicana, não sou assim tão masoquista!
Salvaram-se apenas alguns momentos dos debates. Mas para quem está a falar da maior potência mundial o nível geral dos debates foi mau. Não ouvi nenhuma ideia nova. Era tudo velho e repetido. E repetir foi o verbo dos debates. Repetir as mesmas frases e as mesmas ideias 5, 10 vezes. Nisso eles eram realmente bons. Tal como eram bons em não falar de coisas minimamente complexas. Só política para estúpidos. Quanto ao Bush dos debates realmente nota-se que tinha uns pais capazes de lhe pagar as propinas de Yale. Se tivesse nascido noutro berço não estaria ali certamente.
O sistema político americano é um sistema sem plasticidade nenhuma, completamente blindado por dois partidos que se alternam no poder, onde não há espaço para vozes alternativas, estamos quase no grau zero da democracia. A palhaçada da campanha americana é apenas um sintoma evidente da doença que graça no sistema político americano. Realmente estamos bastante longe do cenário europeu, onde nas últimas eleições concorreram várias centenas de partidos que preencheram lugares no Parlamento Europeu que cobrem um espectro que vai desde o maoismo até aos extremistas do partido da independência britânica. E o mais engraçado é que ambas as eleições têm mesmo nível de abstenção apesar das americanas serem muito disputadas no terreno e as europeias serem bastante discretas.
É talvez também por isto que não reconhecemos hoje a américa, aquela américa da liberdade e da esperança.
No início desta campanha eleitoral confesso que ainda segui os primeiros momentos da Convenção Democrática, mas este vosso amigo ia tendo uma crise de paralisia cerebral a assistir a tão hediondo espectáculo. De política ouvi muito pouco, ouvi a mulher de Kerry, ouvi o filho da mulher de Kerry, ouvi as filhas de Kerry, ouvi um primo de Kerry, só me faltou ouvir o periquito e o cão de Kerry. Todos falaram de Kerry como quem fala de um deus. Mas o momento mais marcante foi quando uma das filhas de Kerry descreveu um momento demonstrativo da magnificência de Kerry. Tratava-se de um episódio em que o seu hamster (que por acaso não falou na convenção) tinha caído ao rio e foi salvo miraculosamente pelo corajoso Kerry que não hesitou em saltar de cabeça para a água. Confesso que não me lembro se Kerry o salvou por respiração boca-a-boca ou por massagem cardíaca, o que é certo é que o roedor se safou. Eram umas três da manhã e por momentos tive a sensação que estava na Coreia do Norte a ouvir as heróicas histórias de almanaques do partido dos grandes líderes Kim Il-Sung ou Kim Jong-Il. Obviamente que depois disto nem sequer me passou pela cabeça assistir à Convenção Republicana, não sou assim tão masoquista!
Salvaram-se apenas alguns momentos dos debates. Mas para quem está a falar da maior potência mundial o nível geral dos debates foi mau. Não ouvi nenhuma ideia nova. Era tudo velho e repetido. E repetir foi o verbo dos debates. Repetir as mesmas frases e as mesmas ideias 5, 10 vezes. Nisso eles eram realmente bons. Tal como eram bons em não falar de coisas minimamente complexas. Só política para estúpidos. Quanto ao Bush dos debates realmente nota-se que tinha uns pais capazes de lhe pagar as propinas de Yale. Se tivesse nascido noutro berço não estaria ali certamente.
O sistema político americano é um sistema sem plasticidade nenhuma, completamente blindado por dois partidos que se alternam no poder, onde não há espaço para vozes alternativas, estamos quase no grau zero da democracia. A palhaçada da campanha americana é apenas um sintoma evidente da doença que graça no sistema político americano. Realmente estamos bastante longe do cenário europeu, onde nas últimas eleições concorreram várias centenas de partidos que preencheram lugares no Parlamento Europeu que cobrem um espectro que vai desde o maoismo até aos extremistas do partido da independência britânica. E o mais engraçado é que ambas as eleições têm mesmo nível de abstenção apesar das americanas serem muito disputadas no terreno e as europeias serem bastante discretas.
É talvez também por isto que não reconhecemos hoje a américa, aquela américa da liberdade e da esperança.
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