domingo, novembro 07, 2004
Boa análise das eleições americanas
Escreveu-se muito sobre os resultados das eleições americanas, mas muito pouco do que se escreveu passou do simples ajuste de contas, do alimentar de rancores e de alguma chacota palermita (falam, falam, falam, falam...e não dizem nada). Mas vale a pena ler a análise do resultado das eleições americanas do Nuno Guerreiro na Rua da Judiaria. Ele está lá no meio da "confusão", em Los Angeles, e sabe bem do que fala. Parece-me que o Nuno é capaz de ter toda a razão.
sábado, novembro 06, 2004
Sábado em Coimbra XIX: O Choupal vestido de Outono
Olho pela janela e vejo o Choupal já todo vestidinho de Outono.
Uns amarelos claros, outros torrados e ainda muito verde...
Recordo os Outonos de outras paragens,
onde a natureza no Outono se veste de cores mais vivaces.
Recordo as cores garridas das florestas da Virginia
e as ribeiras enfeitadas de mil cores entre Belfort e Limoges.
O Choupal não. É discreto, e faz da discrição a sua beleza.
Sábado em Coimbra XVIII
Uns amarelos claros, outros torrados e ainda muito verde...
Recordo os Outonos de outras paragens,
onde a natureza no Outono se veste de cores mais vivaces.
Recordo as cores garridas das florestas da Virginia
e as ribeiras enfeitadas de mil cores entre Belfort e Limoges.
O Choupal não. É discreto, e faz da discrição a sua beleza.
Sábado em Coimbra XVIII
quinta-feira, novembro 04, 2004
Para que fique ainda mais claro II: o mito apocalíptico
Os últimos textos de Pacheco Pereira que justificam a ofensiva contra o terrorismo islâmico, e por tabela contra o Iraque, apoiam-se em parte no carácter apocalíptico do terrorismo (ler no Abrupto: "para que fique claro").
1- Em relação ao Iraque, depois dos resultados anunciados há um mês pela Comissão Americana de Inspecções de Armamento no Iraque, se alguém ainda tinha dúvidas sobre a falsidade das alegações de posse de armamento de carácter apocalíptico, elas ficaram desfeitas. Nada que já não tivesse sido concluído pelos maiores especialistas mundiais deste tipo de assuntos, como Hans Blix.
2- Se o objectivo é eliminar as fontes mais prováveis de fornecimento de material que possa ser usado num terrorismo apocalíptico, então há que intervir no Paquistão e na Arábia Saudita e não no Iraque. No caso do Paquistão deveria haver um esforço para conduzir o país a iniciar um processo de desarmamento do seu arsenal nuclear em conjunto com a Índia. Este tipo de processos não é novidade nenhuma, recentemente a Ucrânia e a África do Sul desmantelaram o seu programa de armas nucleares. Seria muito mais eficaz e simples desarmar o Paquistão que ir excitar a população muçulmana com a intervenção no Iraque. Quanto à Arábia Saudita, as cidades de Medina e Meca, onde não podem entrar infiéis (não-muçulmanos), são um paraíso que permite a um grupo de cientistas montar em toda a tranquilidade uma bomba atómica que facilmente poderá ser lançada para o quintal do lado (Israel). Mas, em relação à Arábia Saudita vergonha na cara é o que falta aos responsáveis políticos americanos e a alguns europeus, como é o caso de Portugal, que não se privam de manter relações promíscuas com a pior ditadura do mundo.
3- Se queremos falar em problemas realmente apocalípticos, temos é que discutir o efeito de estufa e a falta de água potável no planeta. É que por muitos atentados que façam os terroristas nunca conseguirão chegar aos calcanhares dos efeitos, estes sim apocalípticos, que cada um destes problemas ambientais poderão causar ao planeta e à vida humana. Sobre estes assuntos, até hoje, não vi nem uma linha escrita no Abrupto.
1- Em relação ao Iraque, depois dos resultados anunciados há um mês pela Comissão Americana de Inspecções de Armamento no Iraque, se alguém ainda tinha dúvidas sobre a falsidade das alegações de posse de armamento de carácter apocalíptico, elas ficaram desfeitas. Nada que já não tivesse sido concluído pelos maiores especialistas mundiais deste tipo de assuntos, como Hans Blix.
2- Se o objectivo é eliminar as fontes mais prováveis de fornecimento de material que possa ser usado num terrorismo apocalíptico, então há que intervir no Paquistão e na Arábia Saudita e não no Iraque. No caso do Paquistão deveria haver um esforço para conduzir o país a iniciar um processo de desarmamento do seu arsenal nuclear em conjunto com a Índia. Este tipo de processos não é novidade nenhuma, recentemente a Ucrânia e a África do Sul desmantelaram o seu programa de armas nucleares. Seria muito mais eficaz e simples desarmar o Paquistão que ir excitar a população muçulmana com a intervenção no Iraque. Quanto à Arábia Saudita, as cidades de Medina e Meca, onde não podem entrar infiéis (não-muçulmanos), são um paraíso que permite a um grupo de cientistas montar em toda a tranquilidade uma bomba atómica que facilmente poderá ser lançada para o quintal do lado (Israel). Mas, em relação à Arábia Saudita vergonha na cara é o que falta aos responsáveis políticos americanos e a alguns europeus, como é o caso de Portugal, que não se privam de manter relações promíscuas com a pior ditadura do mundo.
3- Se queremos falar em problemas realmente apocalípticos, temos é que discutir o efeito de estufa e a falta de água potável no planeta. É que por muitos atentados que façam os terroristas nunca conseguirão chegar aos calcanhares dos efeitos, estes sim apocalípticos, que cada um destes problemas ambientais poderão causar ao planeta e à vida humana. Sobre estes assuntos, até hoje, não vi nem uma linha escrita no Abrupto.
quarta-feira, novembro 03, 2004
Para que fique ainda mais claro: o mito do Baas
Já não é a primeira vez que lemos no Abrupto que os ataques no Iraque são da responsabilidade de ex-elementos do Baas (ler:"para que fique claro"). Este argumento de culpabilizar os ataques iniciais às forças americanas como sendo da exclusiva responsabilidade de meia dúzia de ex-quadros do partido, foi um argumento puramente propagandístico de vida curta lançado pela administração norte americana. Pelos vistos continua a circular por cá, mas há muito que foi desmontado de uma forma clara nos EUA como nos explica Richard Clarke:
"In Saddam Hussein's Iraq, one had to join the Baath Party to gain promotion to managerial positions throughout the economy. [The US authority] By dismissing them all (and canceling their retirement), there were suddenly no experience managers. Russians and others who suffered under the Communist Party would be familiar with the party membership requirement."
Estranho que uma pessoa como Pacheco Pereira, um excelente estudioso do fenómeno comunista, passe ao lado desta conhecida obrigatoriedade de pertença ao "partido" que retira qualquer significado à argumentação dos "assassinos do Baas". Todos eram do Baas, os que eram contra e a favor de Saddam.
Como descreve Clarke, esta argumentação puramente propagandística - pois a administração não queria admitir que a maior parte dos ataques eram da responsabilidade de Iraquianos que nunca apoiaram o regime - só teve como efeito o piorar ainda mais a situação no Iraque:
"After protests, riots, and attacks, the US occupation authority sait it would pay Iraqi army officers' retirement (...) by then, no doubt, some Iraqi army officers were plotting attacks on US forces."
"Against All Enemies", Richard Clarke, Free Press, 2004, pag. 272.
"In Saddam Hussein's Iraq, one had to join the Baath Party to gain promotion to managerial positions throughout the economy. [The US authority] By dismissing them all (and canceling their retirement), there were suddenly no experience managers. Russians and others who suffered under the Communist Party would be familiar with the party membership requirement."
Estranho que uma pessoa como Pacheco Pereira, um excelente estudioso do fenómeno comunista, passe ao lado desta conhecida obrigatoriedade de pertença ao "partido" que retira qualquer significado à argumentação dos "assassinos do Baas". Todos eram do Baas, os que eram contra e a favor de Saddam.
Como descreve Clarke, esta argumentação puramente propagandística - pois a administração não queria admitir que a maior parte dos ataques eram da responsabilidade de Iraquianos que nunca apoiaram o regime - só teve como efeito o piorar ainda mais a situação no Iraque:
"After protests, riots, and attacks, the US occupation authority sait it would pay Iraqi army officers' retirement (...) by then, no doubt, some Iraqi army officers were plotting attacks on US forces."
"Against All Enemies", Richard Clarke, Free Press, 2004, pag. 272.
terça-feira, novembro 02, 2004
Aborto: será que a juíza foi "polticamente correcta"?
Será que a nossa legião de talibãs vai já começar a gritar que a decisão de hoje da juíza de absolver a jovem julgada por aborto clandestino se trata de uma decisão do "politicamente correcto"?
A campanha americana é um circo!
Se fosse americano só poderia ser dos Verdes, em nome da minha sanidade mental. Mas nestas eleições não teria qualquer dúvida em votar útil e votaria em Kerry, numa tentativa desesperada de prolongar a esperança de vida do planeta Terra.
No início desta campanha eleitoral confesso que ainda segui os primeiros momentos da Convenção Democrática, mas este vosso amigo ia tendo uma crise de paralisia cerebral a assistir a tão hediondo espectáculo. De política ouvi muito pouco, ouvi a mulher de Kerry, ouvi o filho da mulher de Kerry, ouvi as filhas de Kerry, ouvi um primo de Kerry, só me faltou ouvir o periquito e o cão de Kerry. Todos falaram de Kerry como quem fala de um deus. Mas o momento mais marcante foi quando uma das filhas de Kerry descreveu um momento demonstrativo da magnificência de Kerry. Tratava-se de um episódio em que o seu hamster (que por acaso não falou na convenção) tinha caído ao rio e foi salvo miraculosamente pelo corajoso Kerry que não hesitou em saltar de cabeça para a água. Confesso que não me lembro se Kerry o salvou por respiração boca-a-boca ou por massagem cardíaca, o que é certo é que o roedor se safou. Eram umas três da manhã e por momentos tive a sensação que estava na Coreia do Norte a ouvir as heróicas histórias de almanaques do partido dos grandes líderes Kim Il-Sung ou Kim Jong-Il. Obviamente que depois disto nem sequer me passou pela cabeça assistir à Convenção Republicana, não sou assim tão masoquista!
Salvaram-se apenas alguns momentos dos debates. Mas para quem está a falar da maior potência mundial o nível geral dos debates foi mau. Não ouvi nenhuma ideia nova. Era tudo velho e repetido. E repetir foi o verbo dos debates. Repetir as mesmas frases e as mesmas ideias 5, 10 vezes. Nisso eles eram realmente bons. Tal como eram bons em não falar de coisas minimamente complexas. Só política para estúpidos. Quanto ao Bush dos debates realmente nota-se que tinha uns pais capazes de lhe pagar as propinas de Yale. Se tivesse nascido noutro berço não estaria ali certamente.
O sistema político americano é um sistema sem plasticidade nenhuma, completamente blindado por dois partidos que se alternam no poder, onde não há espaço para vozes alternativas, estamos quase no grau zero da democracia. A palhaçada da campanha americana é apenas um sintoma evidente da doença que graça no sistema político americano. Realmente estamos bastante longe do cenário europeu, onde nas últimas eleições concorreram várias centenas de partidos que preencheram lugares no Parlamento Europeu que cobrem um espectro que vai desde o maoismo até aos extremistas do partido da independência britânica. E o mais engraçado é que ambas as eleições têm mesmo nível de abstenção apesar das americanas serem muito disputadas no terreno e as europeias serem bastante discretas.
É talvez também por isto que não reconhecemos hoje a américa, aquela américa da liberdade e da esperança.
No início desta campanha eleitoral confesso que ainda segui os primeiros momentos da Convenção Democrática, mas este vosso amigo ia tendo uma crise de paralisia cerebral a assistir a tão hediondo espectáculo. De política ouvi muito pouco, ouvi a mulher de Kerry, ouvi o filho da mulher de Kerry, ouvi as filhas de Kerry, ouvi um primo de Kerry, só me faltou ouvir o periquito e o cão de Kerry. Todos falaram de Kerry como quem fala de um deus. Mas o momento mais marcante foi quando uma das filhas de Kerry descreveu um momento demonstrativo da magnificência de Kerry. Tratava-se de um episódio em que o seu hamster (que por acaso não falou na convenção) tinha caído ao rio e foi salvo miraculosamente pelo corajoso Kerry que não hesitou em saltar de cabeça para a água. Confesso que não me lembro se Kerry o salvou por respiração boca-a-boca ou por massagem cardíaca, o que é certo é que o roedor se safou. Eram umas três da manhã e por momentos tive a sensação que estava na Coreia do Norte a ouvir as heróicas histórias de almanaques do partido dos grandes líderes Kim Il-Sung ou Kim Jong-Il. Obviamente que depois disto nem sequer me passou pela cabeça assistir à Convenção Republicana, não sou assim tão masoquista!
Salvaram-se apenas alguns momentos dos debates. Mas para quem está a falar da maior potência mundial o nível geral dos debates foi mau. Não ouvi nenhuma ideia nova. Era tudo velho e repetido. E repetir foi o verbo dos debates. Repetir as mesmas frases e as mesmas ideias 5, 10 vezes. Nisso eles eram realmente bons. Tal como eram bons em não falar de coisas minimamente complexas. Só política para estúpidos. Quanto ao Bush dos debates realmente nota-se que tinha uns pais capazes de lhe pagar as propinas de Yale. Se tivesse nascido noutro berço não estaria ali certamente.
O sistema político americano é um sistema sem plasticidade nenhuma, completamente blindado por dois partidos que se alternam no poder, onde não há espaço para vozes alternativas, estamos quase no grau zero da democracia. A palhaçada da campanha americana é apenas um sintoma evidente da doença que graça no sistema político americano. Realmente estamos bastante longe do cenário europeu, onde nas últimas eleições concorreram várias centenas de partidos que preencheram lugares no Parlamento Europeu que cobrem um espectro que vai desde o maoismo até aos extremistas do partido da independência britânica. E o mais engraçado é que ambas as eleições têm mesmo nível de abstenção apesar das americanas serem muito disputadas no terreno e as europeias serem bastante discretas.
É talvez também por isto que não reconhecemos hoje a américa, aquela américa da liberdade e da esperança.
domingo, outubro 31, 2004
Voto em Portugal para as eleições ucranianas
É notável a forma como os Ucranianos presentes em Portugal se mobilizaram para votar nas suas eleições legislativas. Tudo estava muito bem organizado, mas...mas eis que o Ministério dos Negócios Estrangeiros Português tinha que dar uma simples autorização para que pudessem abrir mesas de voto fora de Lisboa, e o Ministério atrasou-se e os Ucranianos de todo o país tiveram que rumar a Lisboa para votar. Para quem esteve no estrangeiro estas misérias lusitanas ligadas ao voto de pessoas deslocadas são familiares. Durante os quatro anos que vivi em Estrasburgo só me deixaram votar uma vez, para o Presidente da República, e foi uma verdadeira odisseia que acabou com o meu boletim de voto num envelope lacrado com cera vermelha!
As eleições nos blogues
Uma das vantagens de ler blogues é que escapamos à visão ciclópica dos meios de comunicação tradicionais. Na última semana, graças aos portugueses que vivem no estrangeiro, nos blogues fala-se das eleições na Finlândia, em Moçambique, na Ucrânia e nos EUA. Nos meios de comunicação tradicionais dá a sensação que só nos EUA é que há eleições.
As eleições nos blogues
Uma das vantagens de ler blogues é que escapamos à visão ciclópica dos meios de comunicação tradicionais. Na última semana, graças aos portugueses que vivem no estrangeiro, nos blogues fala-se das eleições na Finlândia, em Moçambique, na Ucrânia e nos EUA. Nos meios de comunicação tradicionais dá a sensação que só nos EUA é que há eleições.
sexta-feira, outubro 29, 2004
O caso Buttiglione é revelador do nosso atraso
Lendo alguns autores de blogues e colunistas de jornais sobre o caso Buttiglione, alguns deles que até se dizem liberais, deu-me um calafrio na espinha. Percebi fria e definitivamente o quanto este país é javardo, retrógrado e terceiro-mundista. Há ainda um trabalho muito grande a fazer sobre a educação e o mais básico respeito entre os cidadãos. Digam o que disserem, as opiniões políticas do Sr. Buttiglione são indefensáveis em pleno sec. XXI. No sec. XIX ainda poderíamos admitir que pessoas livres, educadas e bem na vida pensassem assim. Mas em 2004, pessoas livres a viver em democracia, com um acesso privilegiado e planetário à cultura, à educação, e à informação defenderem as posições absolutamente medievais do sr. Buttiglione só transmitem uma imagem terceiro-mundista de um radicalismo extremo. Eu gostaria de ver um texto com as opiniões do José Manuel Fernandes do Publico a defender o sr. Buttiglione publicado num jornal da direita Sueca, Britânica ou Holandesa só para ver o que aconteceria. Seria "comido vivo" no mínimo!
Logo a seguir à decisão de Barroso de quarta-feira escrevi aqui um texto sobre o vício argumentativo que anda agora na moda em Portugal de se ser contra o "politicamente correcto". Curiosamente, todos os blogues e artigos de jornais que li onde se defende Buttiglione invocam o sacro-santo argumento de que o Parlamento Europeu foi "politicamente correcto" ao chumbar o sr. Buttiglione (só falta agora dizer que a democracia é "politicamente correcta"). Vão ler esses blogues e artigos e vejam se não tenho razão. Fica assim bem patente a vacuidade da treta de ser contra o "politicamente correcto", é uma espécie de chave universal da argumentação política, serve para tudo e para todos, dos fascistas aos maoistas, um autêntico vício tal como começar todas as frases por "é assim".
Chamo a atenção ainda para dois textos (1, 2) do Filipe Nunes Vicente do Mar Salgado sobre as mães solteiras que são bem reveladores da hipocrisia reinante entre os fundamentalistas do catolicismo romano que representa o sr. Buttiglione e os que o defendem.
Logo a seguir à decisão de Barroso de quarta-feira escrevi aqui um texto sobre o vício argumentativo que anda agora na moda em Portugal de se ser contra o "politicamente correcto". Curiosamente, todos os blogues e artigos de jornais que li onde se defende Buttiglione invocam o sacro-santo argumento de que o Parlamento Europeu foi "politicamente correcto" ao chumbar o sr. Buttiglione (só falta agora dizer que a democracia é "politicamente correcta"). Vão ler esses blogues e artigos e vejam se não tenho razão. Fica assim bem patente a vacuidade da treta de ser contra o "politicamente correcto", é uma espécie de chave universal da argumentação política, serve para tudo e para todos, dos fascistas aos maoistas, um autêntico vício tal como começar todas as frases por "é assim".
Chamo a atenção ainda para dois textos (1, 2) do Filipe Nunes Vicente do Mar Salgado sobre as mães solteiras que são bem reveladores da hipocrisia reinante entre os fundamentalistas do catolicismo romano que representa o sr. Buttiglione e os que o defendem.
quinta-feira, outubro 28, 2004
Um ano de Rua da Judiaria
Um ano de um blogue que nos lembra de uma forma interessante uma parte daquilo que somos.
quarta-feira, outubro 27, 2004
Eclipse da Lua esta madrugada
Imagens em tempo real aqui.
(Imagem da Universidad Complutense de Madrid)
Horário aproximado
C1 - Primeiro contacto com a penumbra: 01h 06min
C2 – Primeiro contacto com a umbra: 02h 14min
C3 – Eclipse total: 03h 23min
C4 – Fim do eclipse total: 04h 44min
C5 – Último contacto com a umbra: 05h 54min
C6 – Último contacto com a penumbra: 07h 03min
(Imagem da Universidad Complutense de Madrid)
Horário aproximado
C1 - Primeiro contacto com a penumbra: 01h 06min
C2 – Primeiro contacto com a umbra: 02h 14min
C3 – Eclipse total: 03h 23min
C4 – Fim do eclipse total: 04h 44min
C5 – Último contacto com a umbra: 05h 54min
C6 – Último contacto com a penumbra: 07h 03min
Buttiglione, Durão e o "politicamente (in)correcto"
Para Durão Barroso é melhor mesmo sair de fininho adiando a votação dos comissários. O Parlamento Europeu de facto não é o Parlamento Português onde passa qualquer lixo retrógrado sob pretextos tão edificantes como ser contra o "politicamente correcto", que é agora o argumento da moda em Portugal. Ser contra o "politicamente correcto" é a mãe e o pai de toda a fundamentação política, é o equivalente na política à praga que graça na expressão oral portuguesa de começar todas as frases por "é assim". É um puro vício de argumentação.
Em Portugal nas questões mais modernas, nós somos "politicamente incorrectos" em quase tudo, depois fazemos tudo mal, andamos sempre a correr atrás da Europa, repetimos os erros que foram corrigidos noutros países há 30 ou 40 anos. Mas agora andam aí uns comentadores de peito feito que à falta de melhor argumentação política fazem uso da mais profunda esperteza saloia portuguesa e com desprezo sacam frequentemente do argumento: "ah, isso é o politicamente correcto". É uma espécie de rajada de vento argumentativa, uma mão cheia de nada, mas que vai resultando em Portugal. O problema é que em ambientes internacionais como o Parlamento Europeu, que é constituído por países onde o nível educacional das pessoas é bem acima do português, a retórica duvidosa do xico-esperto Portuga ou latino, como é o caso do sr. Buttiglione, não pega. E ainda bem que não pega.
É por isso é que a direita do sul da Europa é tão diferente da direita do norte da Europa. No norte da Europa a direita é ecologista, dá valor à cultura, à ciência, à liberdade religiosa, etc. No sul da Europa, a nossa direita que se diverte numa cruzada contra o fantasma do "politicamente correcto" faz tudo ao contrário: está-se nas tintas para a ecologia, para a cultura, não separam a igreja do estado, consideram secundários a higiene, a saúde e a segurança no trabalho, etc.
Por isso considero que o passo atrás de hoje de Durão Barroso foi uma victória do norte da Europa sobre o sul. Uma vitória do rigor e da educação sobre a balda, a ignorância e as vacuidades contra o "políticamente correcto". Muito mais isto do que uma vitória da esquerda sobre a direita. É que na Europa do norte a direita não manda a mulher para a cozinha!
Em Portugal nas questões mais modernas, nós somos "politicamente incorrectos" em quase tudo, depois fazemos tudo mal, andamos sempre a correr atrás da Europa, repetimos os erros que foram corrigidos noutros países há 30 ou 40 anos. Mas agora andam aí uns comentadores de peito feito que à falta de melhor argumentação política fazem uso da mais profunda esperteza saloia portuguesa e com desprezo sacam frequentemente do argumento: "ah, isso é o politicamente correcto". É uma espécie de rajada de vento argumentativa, uma mão cheia de nada, mas que vai resultando em Portugal. O problema é que em ambientes internacionais como o Parlamento Europeu, que é constituído por países onde o nível educacional das pessoas é bem acima do português, a retórica duvidosa do xico-esperto Portuga ou latino, como é o caso do sr. Buttiglione, não pega. E ainda bem que não pega.
É por isso é que a direita do sul da Europa é tão diferente da direita do norte da Europa. No norte da Europa a direita é ecologista, dá valor à cultura, à ciência, à liberdade religiosa, etc. No sul da Europa, a nossa direita que se diverte numa cruzada contra o fantasma do "politicamente correcto" faz tudo ao contrário: está-se nas tintas para a ecologia, para a cultura, não separam a igreja do estado, consideram secundários a higiene, a saúde e a segurança no trabalho, etc.
Por isso considero que o passo atrás de hoje de Durão Barroso foi uma victória do norte da Europa sobre o sul. Uma vitória do rigor e da educação sobre a balda, a ignorância e as vacuidades contra o "políticamente correcto". Muito mais isto do que uma vitória da esquerda sobre a direita. É que na Europa do norte a direita não manda a mulher para a cozinha!
Nova Europa: la liberté ça se pratique
Depois da geometria descritiva, do sistema métrico, das férias pagas, do minitel, do foguetão Ariane, eis mais um avanço civilizacional made in France: a PINK TV. É esta a Nova Europa no seu melhor. Quanto à Velha Europa de Buttiglione, autêntica fotocópia da Velha América de Rumsfeld, esperemos que chumbe e chumbe bem.
terça-feira, outubro 26, 2004
V pondelok doma nebudem
V pondelok doma nebudem, a v stredu v utorok na jarmok pôjdem,
z jarmoku, v štvrtok s chlapcami do šenku.
A v piatok, Anička moja, ty budeš ženička moja,
v sobotu rúčku dáš, v nedeľu pôjdeme na sobáš.
Čia si, Anička čia? Otcova či materina?
Čia som, tvoja som, otcova i materina som.
z jarmoku, v štvrtok s chlapcami do šenku.
A v piatok, Anička moja, ty budeš ženička moja,
v sobotu rúčku dáš, v nedeľu pôjdeme na sobáš.
Čia si, Anička čia? Otcova či materina?
Čia som, tvoja som, otcova i materina som.
segunda-feira, outubro 25, 2004
Universidade Católica Moralista e um bocadinho Cábula
De Coimbra, para variar, dou razão ao texto "Proibições e paternalismo" do Francisco do Aviz sobre o reitor da Universidade Católica que anda muito preocupado com a influência das discotecas nas prestações dos alunos.
Outra questão interessante a analisar é a de saber se a Católica é uma universidade exemplar no cumprimento das suas obrigações. Não basta apontar o dedo apenas aos alunos, devemos ser igualmente exigentes com os alunos e com a instituição. Qual é que tem sido o contributo de docentes, de investigadores e da direcção da Católica para o desenvolvimento da Universidade Portuguesa?
Tem sido fraco. Basta olhar para os resultados da recente classificação de universidades elaborada pela Universidade de Shangai Jiao Tong. A Católica sendo uma das universidades portuguesas mais antigas não aparece entre as cinco primeiras nacionais e é largamente ultrapassada por novas universidades públicas como a Universidade de Aveiro ou a Nova de Lisboa. Ao contrário das universidades privadas americanas que aparecem no topo da tabela, as privadas portuguesas têm uma produção científica paupérrima (refiro-me também às ciências humanas). O problema é que em geral as universidades privadas portuguesas estão mais preocupadas em rapar o máximo de dinheiro possível aos alunos do que produzir ciência, do que criar parcerias com empresas (nisto as públicas também são más) e de divulgar conhecimento à sociedade. Apesar da Universidade Católica ser um bocadinho melhor do que as outras privadas, os resultados mostram que a Católica é uma universidade um bocadinho cábula. Será que a direcção da Católica e os docentes que deveriam produzir ciência andam distraídos nas discotecas e andam com medo de encontrar por lá os alunos? Ou será que vão demasiado à missa? Ou será ainda que ficam em casa mas passam o tempo a ver o lixo transmitido pela TVI, a televisão criada pelos mesmos mentores da Católica, um verdadeiro mimo de cultura, disciplina e rigor?
Acabar o curso no tempo regulamentar
Aqui também dou razão ao Francisco. Apesar de estarmos longe do clima de há 30 ou 40 anos em que havia numerosos avôs a frequentar as universidades, filhos de boas famílias e que se podiam permitir esse luxo, hoje ainda encontramos aqui e ali umas lendas desculpabilizantes para abrandar o esforço de estudo. No entanto, advirto que não sou um adepto de uma universidade com um formato rígido de escola primária, em que os meninos andam em "fila indiana" do primeiro ao último ano, acho que a universidade deve estar preparada para ser uma instituição flexível e o mais aberta possível à sociedade (empresas, trabalhadores e pessoas licenciadas em reciclagem de conhecimento), mas sendo uma instituição de todos defendo que deve haver regras (ex: número limite de chumbos a cada disciplina) em nome do respeito que merecem todos aqueles que ficam de fora e dos contribuintes que financiam a universidade. Infelizmente, constatei que existe uma lenda que circula com sucesso entre um certo meio estudantil com tiques estalinistas que confunde comportamentos ociosos burgueses com o livre pensamento produtivo e dinâmico. Essa lenda é a de um estudante muito inteligente e esclarecido (imaginem assim uma aura dourada à volta da cabeça) que é tão bom tão bom que só tira notas altíssimas, mas como se interessa por outras coisas nobres da vida só faz uma ou duas cadeiras por ano. Portanto é um modelo a seguir, porque não estuda muito mas quando estuda só tira 19. O problema é que o modelo só é invocado para desculpar o número de cadeiras que se fazem por ano, a parte relativa às boas notas é esquecida porque dá muito trabalho. Este mítico Super-Estudante que inspira muitas cabeças cheias de mofo merecia sem dúvida uma revista da Marvel, se possível desenhada pelo Stan Lee!
Outra questão interessante a analisar é a de saber se a Católica é uma universidade exemplar no cumprimento das suas obrigações. Não basta apontar o dedo apenas aos alunos, devemos ser igualmente exigentes com os alunos e com a instituição. Qual é que tem sido o contributo de docentes, de investigadores e da direcção da Católica para o desenvolvimento da Universidade Portuguesa?
Tem sido fraco. Basta olhar para os resultados da recente classificação de universidades elaborada pela Universidade de Shangai Jiao Tong. A Católica sendo uma das universidades portuguesas mais antigas não aparece entre as cinco primeiras nacionais e é largamente ultrapassada por novas universidades públicas como a Universidade de Aveiro ou a Nova de Lisboa. Ao contrário das universidades privadas americanas que aparecem no topo da tabela, as privadas portuguesas têm uma produção científica paupérrima (refiro-me também às ciências humanas). O problema é que em geral as universidades privadas portuguesas estão mais preocupadas em rapar o máximo de dinheiro possível aos alunos do que produzir ciência, do que criar parcerias com empresas (nisto as públicas também são más) e de divulgar conhecimento à sociedade. Apesar da Universidade Católica ser um bocadinho melhor do que as outras privadas, os resultados mostram que a Católica é uma universidade um bocadinho cábula. Será que a direcção da Católica e os docentes que deveriam produzir ciência andam distraídos nas discotecas e andam com medo de encontrar por lá os alunos? Ou será que vão demasiado à missa? Ou será ainda que ficam em casa mas passam o tempo a ver o lixo transmitido pela TVI, a televisão criada pelos mesmos mentores da Católica, um verdadeiro mimo de cultura, disciplina e rigor?
Acabar o curso no tempo regulamentar
Aqui também dou razão ao Francisco. Apesar de estarmos longe do clima de há 30 ou 40 anos em que havia numerosos avôs a frequentar as universidades, filhos de boas famílias e que se podiam permitir esse luxo, hoje ainda encontramos aqui e ali umas lendas desculpabilizantes para abrandar o esforço de estudo. No entanto, advirto que não sou um adepto de uma universidade com um formato rígido de escola primária, em que os meninos andam em "fila indiana" do primeiro ao último ano, acho que a universidade deve estar preparada para ser uma instituição flexível e o mais aberta possível à sociedade (empresas, trabalhadores e pessoas licenciadas em reciclagem de conhecimento), mas sendo uma instituição de todos defendo que deve haver regras (ex: número limite de chumbos a cada disciplina) em nome do respeito que merecem todos aqueles que ficam de fora e dos contribuintes que financiam a universidade. Infelizmente, constatei que existe uma lenda que circula com sucesso entre um certo meio estudantil com tiques estalinistas que confunde comportamentos ociosos burgueses com o livre pensamento produtivo e dinâmico. Essa lenda é a de um estudante muito inteligente e esclarecido (imaginem assim uma aura dourada à volta da cabeça) que é tão bom tão bom que só tira notas altíssimas, mas como se interessa por outras coisas nobres da vida só faz uma ou duas cadeiras por ano. Portanto é um modelo a seguir, porque não estuda muito mas quando estuda só tira 19. O problema é que o modelo só é invocado para desculpar o número de cadeiras que se fazem por ano, a parte relativa às boas notas é esquecida porque dá muito trabalho. Este mítico Super-Estudante que inspira muitas cabeças cheias de mofo merecia sem dúvida uma revista da Marvel, se possível desenhada pelo Stan Lee!
domingo, outubro 24, 2004
quinta-feira, outubro 21, 2004
Nuclear Science Symposium na Europa
Numa altura em que a Europa ultrapassou vertiginosamente a produção científica dos EUA, a realização do Nuclear Science Symposium (NSS) do IEEE pela segunda vez na Europa, em Roma (a primeira foi em Lyon em 2000), tem um significado especial. O NSS é a conferência científica internacional de maior prestígio nas áreas da física nuclear, da astrofísica e da medicina. O grande desenvolvimento que teve a física nuclear a partir dos anos 30 serviu de motor para o desenvolvimento da medicina nuclear e da instrumentação para astrofísica. Os princípios que são utilizados na física nuclear são os mesmos princípios que são utilizados no desenvolvimento de muita da instrumentação hospitalar de ponta e na concepção de telescópios espaciais utilizados para detectar radiação e partículas de altas energias, como os raios X, os raios gama, protões, etc. É por este motivo que a instrumentação médica e a instrumentação para astronomia e astrofísica ganham cada vez um espaço mais importante numa conferência que começou por ser apenas dedicada à física nuclear.
O Grupo de Instrumentação Atómica e Nuclear, onde trabalho em Coimbra, é um participante habitual do NSS há cerca de 20 anos. Este ano participo com dois trabalhos numa sessão intitulada "Imaging Systems for Medical, Astrophysics and Cargo Monitoring Applications". Na sala dos computadores tive um encontro bloguístico do terceiro grau com o Nuno da Aba de Heisenberg que participa nas sessões dedicadas à medicina nuclear.
O avanço da ciência vive muito deste tipo de conferências internacionais em que os investigadores apresentam aos seus pares de outros países o fruto de um ou mais anos de trabalho. A discussão, a crítica e a troca de ideias geradas pelos trabalhos apresentados contribuem para a melhoria do trabalho futuro de investigação de cada investigador. Depois da conferência os trabalhos com melhor qualidade são propostos a publicação numa revista científica internacional, onde um júri composto por investigadores experientes avalia e autoriza a publicação dos trabalhos com qualidade. Hoje em dia, a ciência moderna avança deste modo, através do somatório de pequenas contribuições de muitos cientistas espalhados por todo o globo.
Depois de organizarmos um evento como o campeonato da Europa de futebol ficaria bem Portugal organizar um NSS, que é uma espécie de campeonato do mundo de física nuclear. Os meios necessários são ínfimos comparados com o Euro2004, bastaria um grande e moderno espaço de exposições ligado ou próximo de um hotel de grande capacidade. Gostaria muito de ver um dia um NSS organizado em Coimbra, mas é um sonho distante.
O Grupo de Instrumentação Atómica e Nuclear, onde trabalho em Coimbra, é um participante habitual do NSS há cerca de 20 anos. Este ano participo com dois trabalhos numa sessão intitulada "Imaging Systems for Medical, Astrophysics and Cargo Monitoring Applications". Na sala dos computadores tive um encontro bloguístico do terceiro grau com o Nuno da Aba de Heisenberg que participa nas sessões dedicadas à medicina nuclear.
O avanço da ciência vive muito deste tipo de conferências internacionais em que os investigadores apresentam aos seus pares de outros países o fruto de um ou mais anos de trabalho. A discussão, a crítica e a troca de ideias geradas pelos trabalhos apresentados contribuem para a melhoria do trabalho futuro de investigação de cada investigador. Depois da conferência os trabalhos com melhor qualidade são propostos a publicação numa revista científica internacional, onde um júri composto por investigadores experientes avalia e autoriza a publicação dos trabalhos com qualidade. Hoje em dia, a ciência moderna avança deste modo, através do somatório de pequenas contribuições de muitos cientistas espalhados por todo o globo.
Depois de organizarmos um evento como o campeonato da Europa de futebol ficaria bem Portugal organizar um NSS, que é uma espécie de campeonato do mundo de física nuclear. Os meios necessários são ínfimos comparados com o Euro2004, bastaria um grande e moderno espaço de exposições ligado ou próximo de um hotel de grande capacidade. Gostaria muito de ver um dia um NSS organizado em Coimbra, mas é um sonho distante.
Foi voce que pediu para dar porrada nos estudantes?
Foi, foi uma carga de porrada a pedido. Lembram-se dos artigos de opiniao do ano passado sobre as propinas? Este ano os bastoes ja estavam a abanar, à espera do inicio do ano lectivo. E' pena nao terem pedido tambem uma carga de porrada para o Ministro Pedro Lynce quando este se "esqueceu" de pagar as propinas/quotas do CERN, da ESA e do ESO. E' que apesar de alguns excessos dos estudantes nunca ninguem me impediu de entrar na Universidade de Coimbra para trabalhar. Pelo contrario o senhor Pedro Lynce destruiu uma boa parte do pouco que os investigadores nacionais conseguiram construir nos ultimos anos, cortando-nos as pernas em muitas areas e mandando a nossa reputacao de volta para a sarjeta. Entao e Pedro Lynce nao merece porrada? Nao! Porque os estudantes de Coimbra (75% dos quais deslocados) é que sao uns "priviligiados"! Eu tambem era um desses "priviligiados" cujos pais se viram aflitos para me pagar os estudos. Se tivesse tido que pagar propinas a 200 contos se calhar nao estaria hoje aqui a escrever-vos de Roma do Nuclear Science Symposium onde vim apresentar dois trabalhos. Estaria talvez inscrito num centro de desemprego qualquer. Este pais é miseravel, é atrasado, é retrogado e ha quem tenha o rei na barriga e nao perceba um cu do pais onde vive!
quarta-feira, outubro 20, 2004
Panteao de Roma - descapotavel mesmo quando chove
O Panteao de Roma, apesar de ter quase 1900 anos, é ainda hoje uma obra de engenharia notavel. Continua a ser a cupula de maior diametro do mundo (43m, a Catedral de S. Pedro tem 42m), mas essa nao é a sua caracteristica mais notavel. A cupula do Panteao é aberta no topo, tem um buraco de 9 metros que é a unica fonte de iluminacao do Panteao, e o mais impressionante é que nao chove dentro do Panteao! O truque é deixar a porta aberta. Como a porta é enorme produz-se uma corrente de ar suficientemente forte através da abertura no topo da cupula para desviar as gotas da chuva para longe da abertura do Panteao! Outro aspecto impressionante é que os Romanos tinham uma matematica pouco desenvolvida por causa do seu sistema de numeracao. Era complicado fazer operacoes matematicas, havia apenas algumas pessoas capazes de fazer operacoes de multiplicacao muito simples. O metodo alternativo ao calculo era a construcao de maquetes à escala de um salao. Se tudo corresse bem com a maquete entao construiam o edificio. Como todas as operacoes com areas funcionam com potencias de dois e com volumes com potencias de tres, muitas frequentemente as coisas corriam mal. Mas esse nao é o caso do Panteao.
segunda-feira, outubro 18, 2004
ESA para professores
A Agência Espacial Europeia criou uma página para professores, cobrindo quase todos os níveis de ensino. Vale a pena passar por lá. São anunciadas actividades para professores de todos os países membros, há muitas imagens e pequenos filmes, modelos interactivos e para montar de todos os satélites da ESA, exercícios para as aulas, pequenas publicações para crianças, dicas para professores, etc. Para já a página está apenas em inglês, com alguns itens nas outras línguas dos países membros.
domingo, outubro 17, 2004
Rvdericvs dixit
Sinto-me ligado a esta cidade, quiçá geneticamente. "Em Roma faz como os Romanos". Vou mais longe, vou ser Romano. Adopto o meu nome latino e tudo, assino Rvdericvs
Rvdericvs, Roma, MMIV
Rvdericvs, Roma, MMIV
sábado, outubro 16, 2004
Sábado em Coimbra XVIII: Coimbra->Roma
Olho pela janela, um nevoeiro matinal paira sobre o Choupal e o Mondego corre fresco. Daqui a algumas horas verei Roma pela primeira vez, a capital do Império no tempo em que os impérios eram cruéis e os imperadores não se armavam em virgens salvadoras do mundo. A distância que vou percorrer em algumas horas foi outrora percorrida durante semanas pela Sétima Legião. Quando aqui chegaram, a Aeminium e a Conimbriga, como terão visto o Mondego e o Choupal?
Sábado em Coimbra XVII
Sábado em Coimbra XVII
sexta-feira, outubro 15, 2004
Week-end à Rome
Week-end à Rome, tous les deux sans personne
Florence, Milan, s'il y a le temps
Week-end rital, en bagnole de fortune
Variété mélo à la radio
Week-end rital, Paris est sous la pluie
Bonheur, soupirs, chanson pour rire
Chanson ritale, humm, chanson ritale pour une escale
Week-end à Rome
Afin de coincer la bulle dans ta bulle
D'poser mon coeur bancal dans ton bocal, ton aquarium
Une escapade à deux, la pluie m'assomme
L'gris m'empoisonne, week-end à Rome
Pour la douceur de vivre, et pour le fun
Puisqu'on est jeunes, week-end rital
Retrouver le sourire, j'préfère te dire
J'ai failli perdre mon sang froid
Humm, j'ai failli perdre mon sang froid
Oh j'voudrais, j'voudrais
J'voudrais coincer la bulle dans ta bulle
Poser mon coeur bancal dans ton bocal, ton aquarium
Humm, chanson ritale pour une escale
Oh, j'voudrais tant
J'voudrais tant coincer la bulle dans ta bulle
Et traîner avec toi qui ne ressemble à personne
Etienne Daho
Florence, Milan, s'il y a le temps
Week-end rital, en bagnole de fortune
Variété mélo à la radio
Week-end rital, Paris est sous la pluie
Bonheur, soupirs, chanson pour rire
Chanson ritale, humm, chanson ritale pour une escale
Week-end à Rome
Afin de coincer la bulle dans ta bulle
D'poser mon coeur bancal dans ton bocal, ton aquarium
Une escapade à deux, la pluie m'assomme
L'gris m'empoisonne, week-end à Rome
Pour la douceur de vivre, et pour le fun
Puisqu'on est jeunes, week-end rital
Retrouver le sourire, j'préfère te dire
J'ai failli perdre mon sang froid
Humm, j'ai failli perdre mon sang froid
Oh j'voudrais, j'voudrais
J'voudrais coincer la bulle dans ta bulle
Poser mon coeur bancal dans ton bocal, ton aquarium
Humm, chanson ritale pour une escale
Oh, j'voudrais tant
J'voudrais tant coincer la bulle dans ta bulle
Et traîner avec toi qui ne ressemble à personne
Etienne Daho
quinta-feira, outubro 14, 2004
quarta-feira, outubro 13, 2004
Os livros de que se fala
No "Tout le Monde en Parle" deste domingo foram apresentados pelos seus autores dois novos livros que prometem:
"La télévision au pouvoir" é um livro de Dominique Wolton um investigador do CNRS especialista em comunicação social que apresenta uma perspectiva da televisão fora do comum, sendo essa perspectiva mais optimista do que a crítica geralmente feita às televisões. Objecto de algumas reservas de Pedro Caeiro do Mar Salgado, uma das vantagens da televisão segundo Wolton é que uma mentira não pode ser proferida indefinidamente na televisão. O assunto da minha entrada anterior é disso um exemplo, o problema é que a mentira só se tornou evidente tarde demais.
"Nous existons encore" é o testemunho de Annick Kayitesi, uma tutsi Ruandesa que descreve os dias infernais em que a sua família e os seus amigos foram torturados e mortos à sua frente, a forma como conseguiu sobreviver ao massacre organizado pelos Utus e a sua fuga para França onde começou a reorganizar a sua vida a partir do zero.
Por cá, a Sofia Vilarigues do blogue Fénix venceu o Prémio Literário Horácio Bento de Gouveia de 2003 com o seu livro "A conspiração dos Espelhos". Parabéns ;)
Por cá, a Sofia Vilarigues do blogue Fénix venceu o Prémio Literário Horácio Bento de Gouveia de 2003 com o seu livro "A conspiração dos Espelhos". Parabéns ;)
segunda-feira, outubro 11, 2004
Desmontado o cenário apocalítico das ADM no Iraque
Durante o processo de inspecções do Iraque lideradas por Hans Blix existiu uma constante pressão da administração Bush para montar um cenário de uma suposta ameaça apocalíptica da parte do Iraque sobre o mundo ocidental, os EUA e Israel em particular. Esse cenário em que supostamente armas de destruição em massa (ADM) estariam prontas a ser disparadas em 45 minutos nunca foi verificado por qualquer observação dos inspectores no Iraque liderados por Hans Blix, nem pelos melhores especialistas mundiais de ADM (Departamento de Energia dos EUA, DE; Institute for Science and International Security, ISIS; e Agência Internacional de Energia Atómica, AIEA). Por outro lado a tentativa de montar um cenário apocalíptico por parte dos EUA e do Reino Unido não é uma simples opinião política, essa tentativa foi bem real, está documentada e registada e ironicamente acabou por obter resultados em países em que existe um défice de consciência crítica e de falta de rigor dos políticos em assuntos de carácter científico, como em Portugal.
Hans Blix no seu livro "Irak, les armes introuvables" descreve com detalhe e de uma forma muito fundamentada as ilusões que a propaganda americana e britânica impingiram ao mundo com algum sucesso. Depois do anúncio da comissão americana de inspecções de armamento no Iraque de que não existiam ADM, todos os argumentos apresentados pela administração Bush parecem hoje particularmente ridículos e falsos. No entanto convém recordar os argumentos que sustentaram a existência de ADM no Iraque, para que não caiam no esquecimento:
1- Uma ogiva para explosivos de fragmentação para mísseis de curto alcance encontrada numa sucata de uma fábrica encerrada e decadente. Supostamente serviria para espalhar agentes químicos. Não foi encontrado qualquer vestígio de agentes químicos ou biológico na ferrugem dos restos da ogiva.
2- Um drone com um raio de acção de controlo a partir do solo de 8 km, cuja capacidade de carga útil era inferior a 20 kg. Supostamente serviria para espalhar agentes químicos. Com uma carga útil de 20 kg e um raio de controlo de 8 km deveria ser para matar pássaros na periferia de Bagdad...
3- Tubos de alumínio para enriquecimento de urânio por centrifugação - Foram comprados ilegalmente, mas serviam para a construção de foguetes. O DE e AIEA declararam vezes sem conta que aqueles tubos não serviam para as centrifugadoras. Um dos inspectores americanos depois intervenção no Iraque sugeriu que fossem utilizados em canalizações...
4- "Yellow stone" ou urânio natural supostamente importados pelo Iraque ao Niger é um material cuja utilização em armas nucleares requer um tratamento industrial complexo que a caduca indústria Iraquiana nunca poderia executar. O mais engraçado, é que a suposta importação de "yellow stone" por parte do Iraque é baseada num recibo apresentado pela administração americana e que se provou ser uma falsificação. A administração Bush declarou mais tarde que "alguém" falsificou esse recibo, eles só o tinham apresentado. Nunca se soube quem era esse "alguém". É outra forma de dizer "não sei quem FUI"...
5- Os famosos camiões de armas biológicas apresentados por Powell na ONU, como se veio a confirmar no fim da guerra, eram camiões de transporte de hidrogénio utilizados em balões meteorológicos de alta altitude. Já assisti a um lançamento de um balão a hidrogénio desse tipo e posso garantir que é algo de muito corrente o facto do enchimento ser feito por camiões. Mas o pior de toda esta história é que a ISIS, os especialistas em armas biológicas dos EUA, da Rússia e do Iraque disseram que aquela acusação só revelava uma ignorância tremenda dos serviços secretos britânicos. É que todos os especialistas em armas biológicas, inclusive os Iraquianos, consideravam a opção de utilização de camiões como uma opção perigosíssima, pois basta um pequeno acidente de trânsito para provocar uma catástrofe. O calor que se faz sentir no Iraque torna impraticável a utilização de laboratórios móveis que pudessem funcionar a uma temperatura aceitável sem adulterar os agentes biológicos.
Quase todas estas informações eram conhecidas antes da intervenção, mesmo assim avançou-se para o Iraque sob o pretexto das ADM. O cúmulo do propagandismo americano foi quando Condoleza Rice algumas semanas antes da intervenção no Iraque declarou: "as pessoas só vão dar razão aos EUA quando virem um cogumelo nuclear [produzido pelo Iraque]". Isto depois da AIEA, do DE dos EUA e da ISIS terem dado como finalizadas as inspecções de armas nucleares e como encerrado o programa nuclear Iraquiano...
sábado, outubro 09, 2004
Sábado em Coimbra XVII: o enigma da Romã
Hoje de manhã no mercado ao reparar na enorme oferta de romãs, lembrei-me de uma descoberta simpática que fiz com um ex-colega libanês com quem almoçava diariamente quando trabalhei no CNRS de Estrasburgo. Para espanto nosso, o raro fruto que em francês ambos chamávamos grenadine pronunciava-se romã tanto em português como em árabe. Ao chegar do mercado decidi clarificar o enigma da origem da palavra. Tal como desconfiava, romã é uma palavra latina que foi absorvida pelos árabes. Em latim era a maçã romana ou mala romana.
Sábado em Coimbra XVI
Sábado em Coimbra XVI
quinta-feira, outubro 07, 2004
O "contraditório" não se aplica à RTP
O argumento do "contraditório" aplicado a uma televisão privada como a TVI é sem dúvida ridículo, mas em relação à estatal RTP a coisa deveria piar mais fino, sendo ela paga por todos nós.
Quem é que faz o contraditório desta astróloga que tem 15 min de antena por dia, 75 min por semana?
(Diariamente na RTP 1 entre as 10h e as 13h, a senhora astróloga Cristina Candeias tem 15 generosos minutos de tempo de antena)
Como "contraditório" a esta senhora bastaria um simples livro de astronomia ou de estatística do secundário para desmontar todos os seus mecanismos de charlatanice básica. Mas não, ela tem mais tempo de antena por semana numa estação pública que Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, mais tempo de antena que outras formas de espiritualidade reconhecidas pelo estado como o Judaísmo e o Islão, mais tempo de antena do que qualquer investigador ou professor, para transmitir as suas consultas astrológicas em directo fazendo publicidade de uma forma gratuita à sua actividade profissional fora da RTP . Tudo isto sem o tal "contraditório", aldrabando e deturpando alegremente conceitos ensinados em qualquer escola secundária pública e ainda recebendo por isso. Mas pelos vistos o Prof. Marcelo é uma pior ameaça para país, a propagação da estupidez não interessa muito ao governo, aliás o primeiro-ministro até vai à bruxa e usa pulseirinha de boa-sorte.
Quem é que faz o contraditório desta astróloga que tem 15 min de antena por dia, 75 min por semana?
(Diariamente na RTP 1 entre as 10h e as 13h, a senhora astróloga Cristina Candeias tem 15 generosos minutos de tempo de antena)
Como "contraditório" a esta senhora bastaria um simples livro de astronomia ou de estatística do secundário para desmontar todos os seus mecanismos de charlatanice básica. Mas não, ela tem mais tempo de antena por semana numa estação pública que Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, mais tempo de antena que outras formas de espiritualidade reconhecidas pelo estado como o Judaísmo e o Islão, mais tempo de antena do que qualquer investigador ou professor, para transmitir as suas consultas astrológicas em directo fazendo publicidade de uma forma gratuita à sua actividade profissional fora da RTP . Tudo isto sem o tal "contraditório", aldrabando e deturpando alegremente conceitos ensinados em qualquer escola secundária pública e ainda recebendo por isso. Mas pelos vistos o Prof. Marcelo é uma pior ameaça para país, a propagação da estupidez não interessa muito ao governo, aliás o primeiro-ministro até vai à bruxa e usa pulseirinha de boa-sorte.
quarta-feira, outubro 06, 2004
A propósito de Kennedy
A excelente cadeia de televisão ARTE passa hoje uma reportagem de 75 min sobre o assassinato de JFK às 19.45 h (a hora é chata, mas é melhor do que assistir a câmaras de televisão a assanharem pobres de espírito nos nossos telejornais). Esta reportagem é integrada numa série sobre assassinatos políticos (Luther King, Rabin, Gandhi etc.) a transmitir todas as quartas, a que a ARTE chama "Les mercredis de l'histoire".
Só nestas "Quartas-feiras da História", a ARTE transmite mais reportagens e debates sobre a história de Portugal que todas as televisões portuguesas juntas. As melhores reportagens que vi sobre história de Portugal eram reportagens alemãs e francesas produzidas pela ARTE.
Só nestas "Quartas-feiras da História", a ARTE transmite mais reportagens e debates sobre a história de Portugal que todas as televisões portuguesas juntas. As melhores reportagens que vi sobre história de Portugal eram reportagens alemãs e francesas produzidas pela ARTE.
Tudo ao contrário: auto-estradas e petróleo
1- Portugal do ponto de vista energético é dos países da União Europeia que mais depende do petróleo, que é uma matéria prima que importamos na totalidade.
2- Portugal tem uma das piores redes de auto-estradas e de estradas nacionais da UE (e já conto com os novos 10 países da UE), e possui a segunda taxa de sinistralidade mais elevada. Esta sinistralidade deve-se sobretudo aos acidentes nas estradas nacionais, pois as auto-estradas portuguesas possuem uma sinistralidade comparável à média da UE.
Perante estes dois factos seria muito mais lógico Portugal fazer um esforço de obtenção de receitas taxando mais o petróleo em vez de taxar as auto-estradas. Deste modo, penalizava-se o uso de combustíveis fósseis que não produzimos e aproveitavam-se as receitas para pagar as auto-estradas e para transformar a rede transportes públicos para operarem com energias renováveis. A longo prazo reduziríamos a dependência do petróleo, logo as importações, logo perderíamos menos dinheiro e o ambiente agradeceria.
Mas não, faz-se tudo ao contrário! Debitam-se expressões infantis como o "utilizador-pagador", como quem diz "gostas de amoras-então já namoras", que são tanto ao gosto dos populistas recém chegados ao governo. Aliás, com um novo Ministro das Obras Públicas que veio da GALP, a questão de taxar preferencialmente os combustíveis fósseis deixa automaticamente de ser ponderada. E por aqui andaremos nós mais uns anos a penar, num país com problemas de dinamismo, com o problema mais grave de centralismo da EU, a pagar as portagens mais caras da Europa em auto-estradas vazias, a beber desalmadamente petróleo importado, esquecendo que em breve temos que mudar radicalmente os nossos hábitos de consumo de energia, até ao dia em que alguém responsável perceber em que buraco nos metemos.
2- Portugal tem uma das piores redes de auto-estradas e de estradas nacionais da UE (e já conto com os novos 10 países da UE), e possui a segunda taxa de sinistralidade mais elevada. Esta sinistralidade deve-se sobretudo aos acidentes nas estradas nacionais, pois as auto-estradas portuguesas possuem uma sinistralidade comparável à média da UE.
Perante estes dois factos seria muito mais lógico Portugal fazer um esforço de obtenção de receitas taxando mais o petróleo em vez de taxar as auto-estradas. Deste modo, penalizava-se o uso de combustíveis fósseis que não produzimos e aproveitavam-se as receitas para pagar as auto-estradas e para transformar a rede transportes públicos para operarem com energias renováveis. A longo prazo reduziríamos a dependência do petróleo, logo as importações, logo perderíamos menos dinheiro e o ambiente agradeceria.
Mas não, faz-se tudo ao contrário! Debitam-se expressões infantis como o "utilizador-pagador", como quem diz "gostas de amoras-então já namoras", que são tanto ao gosto dos populistas recém chegados ao governo. Aliás, com um novo Ministro das Obras Públicas que veio da GALP, a questão de taxar preferencialmente os combustíveis fósseis deixa automaticamente de ser ponderada. E por aqui andaremos nós mais uns anos a penar, num país com problemas de dinamismo, com o problema mais grave de centralismo da EU, a pagar as portagens mais caras da Europa em auto-estradas vazias, a beber desalmadamente petróleo importado, esquecendo que em breve temos que mudar radicalmente os nossos hábitos de consumo de energia, até ao dia em que alguém responsável perceber em que buraco nos metemos.
terça-feira, outubro 05, 2004
Já temos Nobel da Física
Três americanos com genes da europa central e de leste: David J. Gross, H. David Politzer e Frank Wilczek. Mais um nobel para o MIT, em conjunto com o CIT de Pasadena e a Universidade da Califórnia em Santa Bárbara.
segunda-feira, outubro 04, 2004
Apocalipses destes nem na Bíblia
O telescópio de raios X da ESA, o XMM-Newton, observou uma colisão frontal entre dois aglomerados de galáxias que destruiu milhares de galáxias e milhões de estrelas. A seguir ao Big Bang, este é o fenómeno cósmico capaz de libertar mais energia (gif de animação da NASA).
Os livros de que se fala
Já falei aqui várias vezes no programa "Tout Le Monde En Parle" (TV5, domingos às 23.50), aquele que eu classifico como provavelmente o melhor talk-show do mundo. A incomparável rentrée literária francesa tem um espaço especial neste programa, tal como os novos discos, os novos filmes, as novas peças de teatro. Tudo num ambiente descontraído e de aceso debate, só como em França. Em que outro talk-show do planeta podemos ver debates entre americanos (às vezes anti-franceses) e franceses (às vezes anti-americanos)?
Este domingo, mais dois livros que me parecem ser muito interessantes:
"Le Guignol et Le Magistrat", Philippe Bilger & Bruno Gaccio, Flammarion. Bruno Gaccio é um dos produtores das "guignoles" (o equivalente francês dos bonecos da Contra-Informação) e Philippe Bilger é um destacado magistrado francês. Em conjunto e em jeito de confrontação ambos produzem um texto interessantíssimo sobre a liberdade de expressão nos meios de comunicação. Como estamos longe do nosso portugaleco das TVIs a filmar os "populares" assanhados...
"What We've Lost", de Graydon Carter (editor da Vanity Fair). Trata-se de uma reflexão sobre os danos causados na democracia americana pela ideologia que se implantou nos EUA a pretexto do 11 de Setembro.
Este domingo, mais dois livros que me parecem ser muito interessantes:
"Le Guignol et Le Magistrat", Philippe Bilger & Bruno Gaccio, Flammarion. Bruno Gaccio é um dos produtores das "guignoles" (o equivalente francês dos bonecos da Contra-Informação) e Philippe Bilger é um destacado magistrado francês. Em conjunto e em jeito de confrontação ambos produzem um texto interessantíssimo sobre a liberdade de expressão nos meios de comunicação. Como estamos longe do nosso portugaleco das TVIs a filmar os "populares" assanhados...
"What We've Lost", de Graydon Carter (editor da Vanity Fair). Trata-se de uma reflexão sobre os danos causados na democracia americana pela ideologia que se implantou nos EUA a pretexto do 11 de Setembro.
sábado, outubro 02, 2004
Sábado em Coimbra XVI: no video clube Avenida
..."as Invasões Bárbaras de Denys Arcand"..."olha, o Declínio do Império Americano, outro do Arcand, ando há anos para ver este filme".
Fica na prateleira.
"Os Idiotas do Von Trier, este fica já escolhido"...
"Intimidade, já vimos", "tu viste, eu estava a escrever a tese e ia só espreitando"...
"Romance X com o Rocco também já vimos, uma bela seca".
Os Hitchcocks da prateleira de baixo também não convencem.
Olho para um Spike Lee e fico calado, não quero impor mais uma escolha.
"A Minha Mulher é uma Actriz, do Yvan Attal, o mesmo realizador de Casaram e Tiveram Muitos Filhos, aquele filme de que te falei com a Charlotte Gainsbourg", "não conheço, mas levamos, passo a conhecer!"
Sábado em Coimbra XV
Fica na prateleira.
"Os Idiotas do Von Trier, este fica já escolhido"...
"Intimidade, já vimos", "tu viste, eu estava a escrever a tese e ia só espreitando"...
"Romance X com o Rocco também já vimos, uma bela seca".
Os Hitchcocks da prateleira de baixo também não convencem.
Olho para um Spike Lee e fico calado, não quero impor mais uma escolha.
"A Minha Mulher é uma Actriz, do Yvan Attal, o mesmo realizador de Casaram e Tiveram Muitos Filhos, aquele filme de que te falei com a Charlotte Gainsbourg", "não conheço, mas levamos, passo a conhecer!"
Sábado em Coimbra XV
sexta-feira, outubro 01, 2004
A melhor notícia para o planeta dos últimos anos
Essa notícia é que a Rússia irá ratificar o protocolo de Quioto. Ao ratificar o protocolo a Rússia dá dois contributos importantíssimos para um melhor futuro do planeta:
1 - Sendo um dos países que mais polui no mundo (responsável por cerca de 6 % de poluição equivalente CO2), a Rússia ao aceitar as condições do protocolo estará vinculada a implementar medidas importantíssimas que irão reduzir o seu volume emissões poluentes nos próximos anos. Isso é excelente para a saúde do planeta!
2- Com a adesão da Rússia o protocolo de Quioto ganha estatuto internacional. Para obter esse estatuto o protocolo precisava de um número mínimo de países aderentes, condição que já se verificava, e de uma percentagem mínima da população do mundo, com a adesão da Rússia essa percentagem mínima foi ultrapassada.
Os louros desta decisão da Rússia vão em grande parte para a União Europeia, que tem pressionado constantemente o governo russo a tomar esta decisão.
A notícia poderia ser ainda melhor se os dois países que mais poluem o planeta aderissem a este tratado: os EUA (25 % da poluição global) e a China (14%).
1 - Sendo um dos países que mais polui no mundo (responsável por cerca de 6 % de poluição equivalente CO2), a Rússia ao aceitar as condições do protocolo estará vinculada a implementar medidas importantíssimas que irão reduzir o seu volume emissões poluentes nos próximos anos. Isso é excelente para a saúde do planeta!
2- Com a adesão da Rússia o protocolo de Quioto ganha estatuto internacional. Para obter esse estatuto o protocolo precisava de um número mínimo de países aderentes, condição que já se verificava, e de uma percentagem mínima da população do mundo, com a adesão da Rússia essa percentagem mínima foi ultrapassada.
Os louros desta decisão da Rússia vão em grande parte para a União Europeia, que tem pressionado constantemente o governo russo a tomar esta decisão.
A notícia poderia ser ainda melhor se os dois países que mais poluem o planeta aderissem a este tratado: os EUA (25 % da poluição global) e a China (14%).
quarta-feira, setembro 29, 2004
No tempo em que o petróleo era inofensivo
"...di verso tramontana confina con Giorges [Geórgia]; e in questo confine è una fontana, ove surge tanto olio in tanta abbondanza, che cento navi se ne caricherebbero alla volta; ma egli non è buono da mangiare, ma sì da ardere; è buono da rogna e ad altre cose; e vengono gli uomini molto dalla lunga per questo olio, e per tutta quella contrada non s'arde altro olio"
Marco Polo, "Il Milione"
Marco Polo, "Il Milione"
terça-feira, setembro 28, 2004
CERN: continua o "nãoooo pagaaaamos"
Eu já aqui tinha alertado para o não pagamento das quotas do CERN por parte do Ministério da Ciência. A situação de não cumprimento continua, mas desta vez ganhou visibilidade e chegou às páginas da edição em papel do Publico. Pode ser que se regularize finalmente a situação, mas a herança da equipa mais irresponsável e manhosa que passou pelo Ministério, a equipa de Pedro Lynce, continua a causar danos sérios à imagem da ciência nacional em instituições internacionais de grande prestígio como é o CERN.
Volto a chamar a atenção: a situação em relação à ESA é semelhante, temos quotas por pagar!
Volto a chamar a atenção: a situação em relação à ESA é semelhante, temos quotas por pagar!
segunda-feira, setembro 27, 2004
Boa ciência na TV
O canal de notícias EuroNews criou recentemente uma rubrica intitulada "Space", financiada pela Agência Espacial Europeia, onde são apresentadas reportagens interessantíssimas sobre os últimos desenvolvimentos científicos e sobre o impacto da tecnologia espacial na sociedade. O EuroNews no cabo deixou de ser traduzido para português quando começou a Guerra no Iraque, terá sido coincidência ou um corte de fundos do nosso governo com objectivos ideológicos velados?...
Outra novidade é o programa Megaciência da SIC que segue um modelo de programa científico para o grande público já realizado com sucesso na Alemanha. É um programa fresco e dinâmico onde são apresentadas e explicadas muitas experiências curiosas que revelam a importância da ciência na nossa sociedade.
Outra novidade é o programa Megaciência da SIC que segue um modelo de programa científico para o grande público já realizado com sucesso na Alemanha. É um programa fresco e dinâmico onde são apresentadas e explicadas muitas experiências curiosas que revelam a importância da ciência na nossa sociedade.
sábado, setembro 25, 2004
Sábado em Coimbra XV: Kid & Khan
Este Sábado começou de madrugada na Via Latina a ouvir os Kid & Khan. O som electro-punk destes rapazes era sofisticado, mas as palavras que acompanhavam o som deste duo vindo da Alemanha não me seduziram. A língua inglesa já é uma língua demasiadamente simples para o meu gosto, mas pode tornar-se inoportuna quando é recitada através de lugares comuns e de frases cuja falta de riqueza revelam a proveniência não anglo-saxónica dos autores.
Saí antes de acabar, a cheirar a fumo até à raíz dos cabelos.
Sábado em Coimbra XIV
Saí antes de acabar, a cheirar a fumo até à raíz dos cabelos.
Sábado em Coimbra XIV
sexta-feira, setembro 24, 2004
Mundo de Aventuras XI
Em torno da caldeira de um vulcão suficientemente grande formam-se por vezes uns mini-desertos, é o caso do vulcão que deu oriegm ao Crater Lake. A caldeira do vulcão estava nas minhas costas, aqui vemos o sopé.
(Crater Lake, Oregon, EUA, 2003)
Mundo de Aventuras X
(Crater Lake, Oregon, EUA, 2003)
Mundo de Aventuras X
quinta-feira, setembro 23, 2004
Livro de Blix: Armas de Desaparecimento em Massa
Estranhamente, parece que o livro onde Hans Blix relata o processo de inspecções que dirigiu no Iraque ainda não foi traduzido para português.
Li a versão francesa: "Irak, les armes introuvables", Fayard, 2004. É um livro interessantíssimo que aconselho sobretudo a todos aqueles que se fartaram de opinar sobre as armas de destruição em massa. Nem é tanto para verificarem o que erraram, é mais para tentarem escrutinar o pouco em que acertaram. A verdade é que depois de ler o livro de Blix, um livro de argumentação bem fundamentada (método que é considerado um mau hábito aqui na Lusitânia), chega-se à conclusão que bem mais de metade das coisas que se iam dizendo sobre as armas de destruição em massa eram erradas.
Ao longo de todo o livro percebe-se que Blix é uma pessoa que prima por uma honestidade extrema. Durante o processo de inspecções descrito por Blix fica claro que este não cede às pressões dos EUA e do Reino Unido, mas também não alinha na fácil tentação de se tornar num ícone do militantismo anti-guerra. Blix mostra que é um cientista a sério não se afastando nem um milímetro do pragmatismo que o trabalho de inspecções exige.
Mas por detrás desta capa de profissional duro e exigente, Blix revela no seu livro um requintado e irónico sentido de humor que polvilha deliciosamente a sua obra desde a primeira à última página. Querem exemplos? Aqui vai:
- Título do cap. XII: "Après la guerre: les armes de disparition massive".
- Título de sub-capítulo do cap. XII: "La mère de toutes les erreurs"
- "...millions de personnes dans la rue à travers le monde, États-Unis compris. À New York, le défilé passait près de mon immeuble de Manhattan, et je m'étais retrouvé au milieu de la foule en sortant acheter du lait. J'avais même craint un instant d'être reconnu et de me voir hissé sur un camion de manifestants en guise de mascotte."
- "L'ambassadeur de Suède m'offrit une affiche qu'il avait ramassé dans la rue après la manifestation. Elle portait le slogan BLIX-NOT BOMBS! Elle est toujours accroché à mon mur."
quarta-feira, setembro 22, 2004
Silêncio! Estamos a ser espiados
Aqui há dias tropecei num livro do qual não se fala, sobre o qual não se debate. É como se não existisse, mas existe. Intitula-se "Os americanos espiam a Europa? - O caso ECHELON dois anos depois", Editorial Notícias, 2004. O autor é Carlos Coelho, o eurodeputado português do PSD que foi responsável pela elaboração do relatório ECHELON. O livro fala de um assunto grave, em que empresas europeias já foram altamente prejudicadas pela espionagem norte americana como o denuncia o próprio relatório. Porque é que paira um silêncio estranho sobre este livro?
terça-feira, setembro 21, 2004
Educação na RTP: dar voz aos piores
Apanhei a meio o debate sobre a educação no Prós e Contras da RTP. Ouvi a Prof. Fátima Bonifácio repetir as mesmas ideias erradas e sem fundamento sobre a educação. Porque é que os que erram, os que não sabem fundamentar as suas posições, é que têm tempo de antena? Porque é que, por exemplo, o Prof. Carlos Fiolhais (que na Sociedade Portuguesa de Física tem um contacto privilegiado com os professores) faz uma resenha histórica sobre a educação que deixa a um canto as opiniões avulsas da historiadora Fátima Bonifácio não é sequer convidado para programas deste tipo? Temos medíocres a comentar, propagam-se opiniões medíocres e depois tomam-se medidas políticas medíocres. Como é que uma pessoa que é paga por uma universidade pública para formar pessoas e para investigar, que não publica em revistas internacionais da especialidade e por isso não tem contacto nem crítica internacional, que é arrogante ao ponto de chamar ignorantes aos recém licenciados, que nem sequer sabe fazer uma simples análise histórica sobre a educação num simples artigo de jornal (onde demonstra que não tem o mínimo de noções sobre estatística e amostras representativas), tem a lata de ir a um programa de televisão falar em rigor, em esforço, em trabalho e em disciplina?! Poupem-me! No dia em que Fátima Bonifácio se confrontar cientificamente com os investigadores de história da sua área de outros países, aí sim, pode ter alguma autoridade para falar.
segunda-feira, setembro 20, 2004
Os filmes de que se fala
"Der Untergang" de Oliver Hirschbiegel
Um filme alemão de qualidade sobre os últimos dias de Hitler no seu bunker. Bruno Ganz é Hitler. Para quem viu Bruno Ganz em "Asas do Desejo" é estranho, Ganz passa de anjo a demónio.
"Uncovered: The War on Iraq" de Robert Greenwald
Para quem ficou incomodado com Fahrenheit 9/11 de Michael Moore e andou por aí desesperado a fazer buscas de páginas de fanáticos conservadores no Google que desmentissem o filme de Moore, tem neste filme de Greenwald ainda mais motivos para desesperar. É mais um documentário sobre as aldrabices que serviram de pretexto para atacar o Iraque, mas desta vez sem o humor de Moore, numa onda mais séria e com convidados de peso, como Hans Blix.
Um filme alemão de qualidade sobre os últimos dias de Hitler no seu bunker. Bruno Ganz é Hitler. Para quem viu Bruno Ganz em "Asas do Desejo" é estranho, Ganz passa de anjo a demónio.
"Uncovered: The War on Iraq" de Robert Greenwald
Para quem ficou incomodado com Fahrenheit 9/11 de Michael Moore e andou por aí desesperado a fazer buscas de páginas de fanáticos conservadores no Google que desmentissem o filme de Moore, tem neste filme de Greenwald ainda mais motivos para desesperar. É mais um documentário sobre as aldrabices que serviram de pretexto para atacar o Iraque, mas desta vez sem o humor de Moore, numa onda mais séria e com convidados de peso, como Hans Blix.
sábado, setembro 18, 2004
Bagão Félix empatou o país ao apostar no mito do absentismo
Ainda durante o executivo de Durão Barroso, Bagão Félix baseou uma boa parte das suas políticas sobre emprego e produtividade no mito/boato de que os trabalhadores portugueses teriam uma alta taxa de absentismo por "doença" (as aspas ilustram melhor o que Bagão pensava sobre o assunto). O estudo da revista britânica "Occupational and Environmental Medicine" desmente por completo as teorias de Bagão sobre absentismo. Quer isto dizer que durante dois anos foram praticadas políticas para combater um mal que afinal não existia. Durante os mesmos dois anos perdeu-se a oportunidade para fomentar políticas modernas de emprego e produtividade como: o aumento da contratação de mão-de-obra qualificada, a renovação tecnológica das empresas, a criação de mais parcerias entre as Universidades e as empresas, etc. Enveredou-se pela direcção errada durante dois anos por causa de um mito!
Portugal é fértil em mitos deste tipo
O problema é que estes mitos depois propagam-se e estimulam a implementação de políticas erradas. Para além deste belo mito que agora acabou ainda temos muitos mitos e lendas como: os beneficiários do rendimento mínimo andam de Mercedes e têm piscinas (gosto do "requinte" da piscina), os estudantes são todos uns bêbados e andam de BMW, as mulheres e as minorias étnicas agora têm benefícios a mais (vá lá ainda não lhes colaram nenhuma marca de carros de topo de gama), "a escola dantes é que era", em Portugal gasta-se dinheiro a mais na educação (este também foi ferido de morte após o último relatório da OCDE), etc., etc., etc!
Portugal é fértil em mitos deste tipo
O problema é que estes mitos depois propagam-se e estimulam a implementação de políticas erradas. Para além deste belo mito que agora acabou ainda temos muitos mitos e lendas como: os beneficiários do rendimento mínimo andam de Mercedes e têm piscinas (gosto do "requinte" da piscina), os estudantes são todos uns bêbados e andam de BMW, as mulheres e as minorias étnicas agora têm benefícios a mais (vá lá ainda não lhes colaram nenhuma marca de carros de topo de gama), "a escola dantes é que era", em Portugal gasta-se dinheiro a mais na educação (este também foi ferido de morte após o último relatório da OCDE), etc., etc., etc!
sexta-feira, setembro 17, 2004
Mundo de Aventuras X
(MCI Center, Washington, Novembro de 2002)
Confesso que me surpreendeu a cerimónia do hino dos EUA no início de um jogo da NBA. O atentado ao WTC tinha sido à cerca de um ano, havia um ambiente especial no ar, parecia-me puro, ainda não se tinha borrado a escrita com a intervenção no Iraque.
Considero que a forma como se encara o desporto de alta competição nos EUA faz parte daquele conjunto de coisas que se fazem melhor do outro lado do Atlântico do que na Europa. Há um ambiente saudável à volta das equipas. Neste jogo entre os Washington Wizards e os Utah Jazz, a equipa visitante foi apresentada pelo animador da casa com muito entusiasmo à medida que ía anunciando as proezas estatísticas de cada um dos jogadores dos Jazz. Algumas semanas mais tarde quando Michael Jordan foi jogar pelos Wizards a Chicago contra a sua ex-equipa dos Bulls, o público de Chicago ao constatar que Michael Jordan estava no banco começou a gritar por ele: "We want Michael! We want Michael!". Isto contrasta com um Benfica-Porto a que assisti na Luz em que o animador ao anunciar a equipa do FC Porto se recusou a dizer o nome de Rui Águas, que entretanto se tinha mudado do Benfica para o Porto. As assobiadelas a Jardel no estádio das Antas quando este representou o Sporting também não foram nada bonitas. Na NBA a importância que se dá às estatísticas, às jogadas, às tácticas e às prestações dos jogadores contrastam com a conversa da treta do "sistema" e das culpas do árbitro que dominam o discurso desportivo em Portugal e em menor parte noutros países Europa. Mesmo o melhor campeonato organizado na Europa, a Liga dos Campeões, fica-se muito aquém da NBA na qualidade do espectáculo televisivo e sobretudo do espectáculo no próprio recinto. Já assisti a jogos da Liga dos Campeões em várias partes da Europa (o estádio mais animado que vi foi o Olímpico de Munique) e nenhum deles chega aos calcanhares do espectáculo que envolve o público de um simples jogo da NBA, onde há espectáculo mesmo nos tempos mortos do jogo.
Um ressalto de sonho
Lá do cimo do terceiro anel no meu lugar a 50 $ (a NBA é caríssima mas vale a pena) registei este ressalto de sonho onde figuram alguns dos deuses da NBA. Quando olho para esta foto em que Michael Jordan (23), Karl Malone (32) e Andrei Kirilenko (de frente, camisola escura) estão prestes a disputar o ressalto que vai resultar do lançamento livre de John Stockton não consigo resistir a cometer um pequeno pecado de pensamento. Imagino-me ali do lado direito de Kirilenko, a entalá-lo, e a disputar o ressalto com o Carteiro Malone e o Deus Jordan, que andavam já picados um com o outro! E se o ressalto na tabela fosse favorável era tipo para o ganhar, afinal só tenho menos 4 cm que o Deus Jordan. Ok, eu sei que só ousar pensar nisso é pecado, quanto mais...
Mundo de Aventuras IX
quarta-feira, setembro 15, 2004
Barreto: velhas opiniões erradas sobre a educação
Os dois artigos de Barreto sobre a educação publicados no Publico são mais um contributo para as velhas e cansadas opiniões que fazem a apologia do ensino no passado (ler artigo I e artigo II). Se olharmos para trás encontramos sempre este tipo de opiniões. Foi assim há 20 anos, foi assim há 40 anos, há 60, há 80, etc. O JPT do Ma-Schamba num dos comentários aos meus textos sobre este tipo de visão sobre a educação desabafa : "envelhecer custa imenso". Parece-me que o JPT anda muito próximo da verdade.
Confesso que os dois artigos de António Barreto são muito mais bem fundamentados do que o normal deste tipo de artigos (basta comparar com o medíocre artigo de Fátima Bonifácio). Barreto contextualiza historicamente os seus pontos de vista de uma forma muito interessante, mas na ânsia de passar um atestado de incompetência às novas gerações erra, e erra bastante!
Por agora, fico-me pela crítica a esta afirmação de Barreto: "Os progressos reais na educação, nas taxas de aproveitamento, nos níveis de conhecimento, nos graus de formação científica, cultural e profissional, não parecem proporcionais a tão relevante aumento da despesa nacional pública".
De facto os progressos não parecem proporcionais, porque nalguns domínios não são proporcionais são exponenciais, o que é bastante melhor. Na formação científica isso é mais do que óbvio (quase todos os gráficos de produção científica dos últimos anos são exponenciais). Na formação profissional, a mão-de-obra qualificada e o número de empresas contratadas por grandes empresas e instituições internacionais de renome (ESA, CERN, NASA, etc.) tem crescido a um ritmo impressionante e exponencial (consultar sítio da FCT). Nos níveis de conhecimento e de formação cultural Barreto também se engana (ler Jorge Paulinhos do BdE). Quanto às taxas de aproveitamento, considero um erro Barreto misturar este indicador com os restantes. Uma baixa taxa de aproveitamento tanto pode indiciar um grande grau de exigência de ensino como uma pobre formação dos alunos na preparação das provas. Se esta última conclusão é negativa, a primeira pode ser bastante positiva.
Como já tinha referido em textos anteriores sobre o ensino em Portugal, o nosso problema não é o investimento a mais, é sim o investimento a menos e sempre feito com algum atraso em relação aos outros países da Europa. O artigo de Carlos Fiolhais "O atraso português" publicado no Primeiro de Janeiro e no livro "A coisa mais preciosa que temos" não deixa dúvidas em relação ao problema do investimento no ensino. O que é pior no artigo de Barreto é este transmitir a ideia errada de que Portugal nos últimos anos investe acima dos valores investidos pelos países mais desenvolvidos. Essa ideia é desmentida pelos dados da "Education at Glance - 2004", apresentados pela OCDE, como relembra o próprio Jorge Paulinhos.
Confesso que os dois artigos de António Barreto são muito mais bem fundamentados do que o normal deste tipo de artigos (basta comparar com o medíocre artigo de Fátima Bonifácio). Barreto contextualiza historicamente os seus pontos de vista de uma forma muito interessante, mas na ânsia de passar um atestado de incompetência às novas gerações erra, e erra bastante!
Por agora, fico-me pela crítica a esta afirmação de Barreto: "Os progressos reais na educação, nas taxas de aproveitamento, nos níveis de conhecimento, nos graus de formação científica, cultural e profissional, não parecem proporcionais a tão relevante aumento da despesa nacional pública".
De facto os progressos não parecem proporcionais, porque nalguns domínios não são proporcionais são exponenciais, o que é bastante melhor. Na formação científica isso é mais do que óbvio (quase todos os gráficos de produção científica dos últimos anos são exponenciais). Na formação profissional, a mão-de-obra qualificada e o número de empresas contratadas por grandes empresas e instituições internacionais de renome (ESA, CERN, NASA, etc.) tem crescido a um ritmo impressionante e exponencial (consultar sítio da FCT). Nos níveis de conhecimento e de formação cultural Barreto também se engana (ler Jorge Paulinhos do BdE). Quanto às taxas de aproveitamento, considero um erro Barreto misturar este indicador com os restantes. Uma baixa taxa de aproveitamento tanto pode indiciar um grande grau de exigência de ensino como uma pobre formação dos alunos na preparação das provas. Se esta última conclusão é negativa, a primeira pode ser bastante positiva.
Como já tinha referido em textos anteriores sobre o ensino em Portugal, o nosso problema não é o investimento a mais, é sim o investimento a menos e sempre feito com algum atraso em relação aos outros países da Europa. O artigo de Carlos Fiolhais "O atraso português" publicado no Primeiro de Janeiro e no livro "A coisa mais preciosa que temos" não deixa dúvidas em relação ao problema do investimento no ensino. O que é pior no artigo de Barreto é este transmitir a ideia errada de que Portugal nos últimos anos investe acima dos valores investidos pelos países mais desenvolvidos. Essa ideia é desmentida pelos dados da "Education at Glance - 2004", apresentados pela OCDE, como relembra o próprio Jorge Paulinhos.
segunda-feira, setembro 13, 2004
Nebulosa do Olho de Gato em maior detalhe
O telescópio espacial Hubble brindou-nos com uma nova imagem da nebulosa planetária do Olho de Gato com um detalhe nunca antes conseguido. Esta imagem vem reforçar a ideia que os anéis são muito mais comuns neste tipo nebulosas do que o anteriormente previsto.
(Imagem do sítio da ESA. Aqui imagem de alta resolução)
(Imagem do sítio da ESA. Aqui imagem de alta resolução)
sábado, setembro 11, 2004
Sábado em Coimbra XIV: o meu Rocinante estava doente
Fui buscar a minha montada à oficina. O meu Rocinante azul estava doente, constipou-se, vêm as primeiras chuvas e já se sabe. Juntos percorremos mais de 100 mil quilómetros pelos trilhos da Europa. Vimos as praias de Zandvort, subimos aos Tatras, levámos uma multa injusta em Trenčin, espreitámos o Carnaval de Mainz, quisemos imitar Michele Vaillant no Grande Prémio de Paris e fizemos a caótica rotunda do Arco do Triunfo, fizemos Estrasburgo-Figueira três vezes, a última vez com a casa às costas, Praga, Bratislava, Munique, Estugarda, Eindhoven, Bruxelas, Bordéus, Gasteiz, Donostia, Salamanca, Vaduz, Zurique, Basileia, Freiburg e Viena viram-nos passar. Nunca me traiu. O seu coração alemão, o seu corpo catalão e a sua alma ibérica funcionaram sempre como um relógio, ele só me pedia palha e de vez em quando umas ferraduras novas. Ele hoje olhou-me com aqueles faróis tristes, como se estivesse adivinhar que em breve o irei trocar por outra montada mais jovem e fresca. Eu não quero pensar nisso.
Sábado em Coimbra XIII
Sábado em Coimbra XIII
sexta-feira, setembro 10, 2004
Mundo de Aventuras IX
É engraçado, na RTP passa o filme "Rudy: The Rudolf Giuliani Story". Na altura em que andava a ser rodado o filme cruzei-me com a equipa de filmagens e com os actores em pleno Central Park. Tirei este bonequinho do actor James Woods (Rudolf Giuliani).
(Central Park, Nova Iorque, 2002)
Rudolf Giuliani é uma personagem que não me inspira qualquer simpatia. As suas posições conservadoras e radicais provocam-me um profundo repúdio. Entre muitas das suas medidas doentias, a que revela melhor a sua pobreza de espírito é a proibição de dançar sem uma autorização especial nos bares, nos clubes e nas discotecas de Nova Iorque. Actualmente, há apenas cerca de 90 estabelecimentos que têm essa autorização em toda a cidade, mais ou menos o mesmo número de estabelecimentos onde se pode dançar aqui em Coimbra, que são todos os estabelecimentos da cidade. Nova Iorque tem cerca de 100 vezes mais habitantes...
Na Albânia também havia umas medidas deste nível, uns barbeiros no aeroporto para cortar o cabelo aos homens de cabelo comprido que entravam no país. Giuliani iria gostar.
Mundo de Aventuras VIII
(Central Park, Nova Iorque, 2002)
Rudolf Giuliani é uma personagem que não me inspira qualquer simpatia. As suas posições conservadoras e radicais provocam-me um profundo repúdio. Entre muitas das suas medidas doentias, a que revela melhor a sua pobreza de espírito é a proibição de dançar sem uma autorização especial nos bares, nos clubes e nas discotecas de Nova Iorque. Actualmente, há apenas cerca de 90 estabelecimentos que têm essa autorização em toda a cidade, mais ou menos o mesmo número de estabelecimentos onde se pode dançar aqui em Coimbra, que são todos os estabelecimentos da cidade. Nova Iorque tem cerca de 100 vezes mais habitantes...
Na Albânia também havia umas medidas deste nível, uns barbeiros no aeroporto para cortar o cabelo aos homens de cabelo comprido que entravam no país. Giuliani iria gostar.
Mundo de Aventuras VIII
Treinos de futebol nos telejornais
Numa das últimas entradas declarei-me indignado por em Portugal existir o mau gosto da televisão pública apresentar nos telejornais como notícia de interesse os banais treinos de futebol diários das equipas de futebol. Neste artigo do Publico, Eduardo Cintra Torres (ECT) faz uma excelente análise a um telejornal da TVI. ECT tece uma crítica impiedosa sobre os incontornáveis treinos das equipas de futebol que fazem parte do leque de pérolas do Jornal Nacional da TVI. Vale a pena ler.
Ranking mundial de universidades
O João do Aba de Heisenberg chamou a atenção para um ranking mundial das 500 melhores universidades elaborado pela Universidade de Shangai Jiao Tong. Nessa lista de 500 universidades encontramos apenas uma universidade portuguesa. A honra cabe à Universidade de Lisboa muito por causa da pontuação relativa ao coeficiente Nobel. Egas Moniz, que curiosamente se formou aqui em Coimbra, ganhou o prémio Nobel quando trabalhava na Universidade de Lisboa.
Aqui no laboratório pedimos as classificações das universidades portuguesas que não apareciam nas 500 primeiras e recebemos o seguinte top 5:
Porto- 27,1
Coimbra- 25,5
Aveiro- 24,7
Lisboa (IST ?)- 22,7
Nova Lisboa- 20,8
É claro que estas classificações são discutíveis, mas são apesar de tudo um bom indicador. Este ranking é demolidor para a nossa auto-estima. Resta-me a magra consolação pessoal de ter passado por duas universidades que estão entre as 200 primeiras: a Universidade de Pádua onde fiz um Erasmus e a Universidade Louis Pasteur onde me doutorei.
Aqui no laboratório pedimos as classificações das universidades portuguesas que não apareciam nas 500 primeiras e recebemos o seguinte top 5:
Porto- 27,1
Coimbra- 25,5
Aveiro- 24,7
Lisboa (IST ?)- 22,7
Nova Lisboa- 20,8
É claro que estas classificações são discutíveis, mas são apesar de tudo um bom indicador. Este ranking é demolidor para a nossa auto-estima. Resta-me a magra consolação pessoal de ter passado por duas universidades que estão entre as 200 primeiras: a Universidade de Pádua onde fiz um Erasmus e a Universidade Louis Pasteur onde me doutorei.
quinta-feira, setembro 09, 2004
Mais um mau artigo sobre o ensino
Assim que tiver tempo explicarei porque acho maus os artigos de Barreto no Público sobre a educação. Aproveitarei para pegar nalguns pontos de vista lançados pelos leitores da Klepsýdra no debate gerado em recentes entradas sobre o ensino e a Universidade.
Começa logo pelo título, colando etiquetas políticas ao ensino (direita e esquerda) é logo meio caminho andado para se perder a objectividade na análise. Eu sou daqueles que acha que o ensino (e a investigação) e a sua análise devem ser mais ou menos como a justiça: cegos. Por isso no que escreverei evitarei ao máximo falar em esquerda e direita. Até já!
Começa logo pelo título, colando etiquetas políticas ao ensino (direita e esquerda) é logo meio caminho andado para se perder a objectividade na análise. Eu sou daqueles que acha que o ensino (e a investigação) e a sua análise devem ser mais ou menos como a justiça: cegos. Por isso no que escreverei evitarei ao máximo falar em esquerda e direita. Até já!
quarta-feira, setembro 08, 2004
Poeira solar
Este é o sítio onde podemos seguir dentro de algumas horas a espectacular captura da Genesis, a missão que recolheu amostras da poeira que constitui o vento solar. Se correr tudo bem, resta depois esperar pela análise dessas partículas. Será que ficaremos a conhecer melhor o Sol? Um dos grandes mistérios do Sol é o de saber como é o interior do Sol para lá de cerca de 10% do seu raio.
Ajudar a Ossetia
A cruz vermelha criou uma conta para envio de donativos às vítimas do ataque à escola de Beslan.
terça-feira, setembro 07, 2004
De volta à dura realidade
Após alguns dias na Rep. Checa e na Eslováquia regresso a este país; este país em que os treinos das equipas de futebol são notícia de telejornal da televisão pública; este país que cultiva um fundamentalismo religioso em pleno século XXI, uma inquisição orgulhosa de ser vista com pena e com gozo pelo resto da Europa; este país que deixa passivamente ano após ano a floresta arder. A Rep. Checa tem 86% da população com o ensino secundário completo, a Eslováquia tem 85% e Portugal tem 21%. Estes números devem explicar muita coisa, eu pelo menos sinto essa diferença no simples contacto com as pessoas, no nível das conversas, no que lêem, no que vêem na televisão e no cinema.
quarta-feira, setembro 01, 2004
Um castelo e uma cerveja
A cerca de 40 km de Praga podemos visitar o castelo de Konopište. Lá dentro podemos apreciar uma soberba coleccao de armas, a terceira maior da Europa. O castelo pertenceu a Francisco Fernando, o arquiduque austríaco cujo assassinato em Sarajevo esteve na origem da Primeira Guerra Mundial. O castelo fica no cimo de uma colina. No fim da visita, depois de se descer a colina a pé sabe bem beber uma Ferdinand, a cerveja local de Konopište. No país da cerveja nao se devem perder estas ocasioes.
sábado, agosto 28, 2004
O ensino em Portugal nos últimos 200 anos
Carlos Fiolhais no seu livro "A coisa mais preciosa que temos", Gradiva, 2002, dedica um seccao ao "Atraso Português". É um texto brilhante onde é feito o retrato do ensino em Portugal nos últimos 200 anos. Esse texto vem acompanhado de significativos dados estatísticos que explicam inequivocamente a origem do nosso atraso. A comparacao entre a percentagem de pessoas de todas as idades que frequentavam a escola entre 1840 e 1928 dá-nos uma ideia muito clara da origem do nosso atraso:
País: % de pessoas na escola em
1840,1850,1887,1928
EUA: 15, 18, 22, 24
Inglaterra: ?, 12, 16, 16
Holanda: 12, 13, 14, 19
Rússia/URSS: ?, 2, 3, 12
Alemanha: 17, 16, 18, 17
França: 7, 10, 15, 11
Hungria: ?, ?, 12, 16
Espanha: 4, ?, 11, 11
Grécia: ?, 5, 6, 12
Portugal: ?, 1, 5, 6
Outro dado importante é o ano em que se atingiu a alfabetizacao de metade da populacao nas diferentes regioes da Europa. Eis o gráfico respectivo tirado do livro "A sociedade da confianca" publicado pelo Instituto Piaget:
A introducao tardia da escola primária em Portugal explica em parte este atraso. Apenas em 1894 se decretou que que o Ensino Primário Elementar era obrigatório para todas as criancas dos seis aos doze anos. Os 48 de ditadura salazarista acabaram por consolidar o atraso que já vinha do passado.
O JPT do Ma-Schamba tem razao quando diz que eu nao devo personalizar a discussao deste assunto atacando em demasia Fátima Bonifácio. A minha ideia era pegar no artigo de Fátima Bonifácio como um exemplo de uma opiniao típica bastante errada e arrogante sobre o ensino em Portugal. Do ponto de vista qualitativo o artigo de Fátima Bonifácio é muito semelhante `a opiniao do caixeiro viajante que telefona para o Forum da TSF e comeca todas as frases por "é assim". Refiro-me `a tradicional opiniao de que agora os jovens sao todos uns burros (versao Fátima é ignorantes) e que "dantes é que o ensino era bom".
O que eu esperava de uma especialista em história contemporânea era uma opiniao bem fundamentada, independentemente de ser certa ou errada. Acaba por ser irónico que um físico como Carlos Fiolhais escreva um artigo (também publicado no Primeiro de Janeiro) com muito mais qualidade e muito mais certeiro do que o artigo de Fátima Bonifácio. Por exemplo, quando Fátima Bonifácio critica que o investimento na educação é "uma promessa que em Portugal tem sido feita, com intermitências, de há perto de duzentos anos a esta parte" condenando a injeccao de dinheiro no sistema, perante os dados que Fiolhais nos fornece nao percebemos muito bem onde é que Portugal andou a investir a mais. O grande problema de Portugal é que investiu sempre a menos e demasiado tarde! Um indivíduo que nao conhecesse os autores dos dois artigos era capaz de se enganar e atribuir o artigo de Fiolhais a um especialista de história contemporânea!
JPT eu concordo contigo mas quando as pessoas usam e abusam da arrogância há que aplicar um valente puxao de orelhas como "dantes, quando o ensino era bom".
País: % de pessoas na escola em
1840,1850,1887,1928
EUA: 15, 18, 22, 24
Inglaterra: ?, 12, 16, 16
Holanda: 12, 13, 14, 19
Rússia/URSS: ?, 2, 3, 12
Alemanha: 17, 16, 18, 17
França: 7, 10, 15, 11
Hungria: ?, ?, 12, 16
Espanha: 4, ?, 11, 11
Grécia: ?, 5, 6, 12
Portugal: ?, 1, 5, 6
Outro dado importante é o ano em que se atingiu a alfabetizacao de metade da populacao nas diferentes regioes da Europa. Eis o gráfico respectivo tirado do livro "A sociedade da confianca" publicado pelo Instituto Piaget:
A introducao tardia da escola primária em Portugal explica em parte este atraso. Apenas em 1894 se decretou que que o Ensino Primário Elementar era obrigatório para todas as criancas dos seis aos doze anos. Os 48 de ditadura salazarista acabaram por consolidar o atraso que já vinha do passado.
O JPT do Ma-Schamba tem razao quando diz que eu nao devo personalizar a discussao deste assunto atacando em demasia Fátima Bonifácio. A minha ideia era pegar no artigo de Fátima Bonifácio como um exemplo de uma opiniao típica bastante errada e arrogante sobre o ensino em Portugal. Do ponto de vista qualitativo o artigo de Fátima Bonifácio é muito semelhante `a opiniao do caixeiro viajante que telefona para o Forum da TSF e comeca todas as frases por "é assim". Refiro-me `a tradicional opiniao de que agora os jovens sao todos uns burros (versao Fátima é ignorantes) e que "dantes é que o ensino era bom".
O que eu esperava de uma especialista em história contemporânea era uma opiniao bem fundamentada, independentemente de ser certa ou errada. Acaba por ser irónico que um físico como Carlos Fiolhais escreva um artigo (também publicado no Primeiro de Janeiro) com muito mais qualidade e muito mais certeiro do que o artigo de Fátima Bonifácio. Por exemplo, quando Fátima Bonifácio critica que o investimento na educação é "uma promessa que em Portugal tem sido feita, com intermitências, de há perto de duzentos anos a esta parte" condenando a injeccao de dinheiro no sistema, perante os dados que Fiolhais nos fornece nao percebemos muito bem onde é que Portugal andou a investir a mais. O grande problema de Portugal é que investiu sempre a menos e demasiado tarde! Um indivíduo que nao conhecesse os autores dos dois artigos era capaz de se enganar e atribuir o artigo de Fiolhais a um especialista de história contemporânea!
JPT eu concordo contigo mas quando as pessoas usam e abusam da arrogância há que aplicar um valente puxao de orelhas como "dantes, quando o ensino era bom".
quarta-feira, agosto 25, 2004
Transpor a fasquia saltando por baixo
Para um fisico uma das modalidades mais interessantes do atletismo e' o salto em altura. E' um exemplo de como se pode transpor um obstaculo passando por baixo. O segredo esta na colocacao do corpo em relacao 'a fasquia, de modo a fazer passar o corpo por cima enquanto o centro de massa do atleta se mantem sempre abaixo da fasquia. A tecnica que mais se aproxima deste conceito - que e' mais de natureza teorica - foi implementada por Dick Fosbury, um saltador americano que espantou toda a concorrencia nos Jogos Olimpicos de 1968 do Mexico. Nessa epoca a tecnica mais em voga era o rolamento ventral. Fosbury ganhou a medalha de ouro no salto em altura com a marca de 2,24 m. Os espectadores maravilhados com a tecnica original de Fosbury acompanhavam cada salto gritando "Ole'".
(Foto do sítio do COI)
(Foto do sítio do COI)
terça-feira, agosto 24, 2004
"A Universidade dantes é que era": ponto da situação
Queria agradecer os comentários dos leitores da Klepsýdra sobre o tema "A Universidade dantes é que era". O debate está a ser interessante, peço desculpa por não ter tido muita disponibilidade para responder com mais prontidão a alguns comentários. Entre esses comentários surgem duas questões me parecem importantes:
- Deve uma especialista de História Contemporânea publicar em revistas referenciadas pelo ISI ou não?
- Os novos métodos de ensino são melhores ou piores que os antigos métodos? Será que estes novos métodos são aplicados em todo o território nacional ou estamos a falar apenas de meia dúzia de escolas da capital e eventualmente do Porto ou do litoral?
Existem aspectos mais graves sobre o artigo de Fátima Bonifácio sobre os quais me exprimirei e que são resumidos neste extracto do seu artigo:
"Uma promessa [investimento na educação] que em Portugal tem sido feita, com intermitências, de há perto de duzentos anos a esta parte"
- Deve uma especialista de História Contemporânea publicar em revistas referenciadas pelo ISI ou não?
- Os novos métodos de ensino são melhores ou piores que os antigos métodos? Será que estes novos métodos são aplicados em todo o território nacional ou estamos a falar apenas de meia dúzia de escolas da capital e eventualmente do Porto ou do litoral?
Existem aspectos mais graves sobre o artigo de Fátima Bonifácio sobre os quais me exprimirei e que são resumidos neste extracto do seu artigo:
"Uma promessa [investimento na educação] que em Portugal tem sido feita, com intermitências, de há perto de duzentos anos a esta parte"
sábado, agosto 21, 2004
"A Universidade dantes é que era"...então não era!
O artigo de Fátima Bonifácio publicado no passado domingo no Publico é mais um daqueles artigos de opinião sobre a Universidade Portuguesa sem consistência estatística e baseada numa experiência pessoal de 25 anos de docência em que a autora invoca o mito de um passado glorioso do ensino em Portugal (do qual não consegue dar nenhum exemplo palpável) e inevitavelmente descreve um ensino actual em que "quase todos os que chegam ao fim saem da Universidade tão ignorantes como lá entraram" (pois claro!).
O primeiro problema do artigo de Fátima Bonifácio é que reduz a Universidade à docência. A Universidade é uma instituição de troca de conhecimento, não é uma simples escola. A Universidade deve formar alunos, mas para além dessa função deve investigar, deve interagir com a sociedade (empresas, autarquias, ministérios, etc.) e deve divulgar o que faz ao grande público numa linguagem que ele entenda. Entre todas estas obrigações da Universidade a que mais falha em Portugal é a interacção com a sociedade. O fraco número de patentes nacionais e o baixo investimento na investigação financiada por empresas privadas são dois indicadores bastante significativos dessa falha.
O segundo problema deste artigo resulta de Fátima Bonifácio - tanto quanto pude investigar na base de dados do ISI (é falível) - não ter nenhum artigo publicado numa revista científica internacional com arbitragem, outra das obrigações da Universidade. Curiosamente a publicação de artigos em revistas internacionais de referência com arbitragem é um indicador que desmonta completamente a teoria de Fátima Bonifácio através de números demolidores. Em Portugal é rara a área de investigação em que o número de publicações científicas não tenha crescido exponencialmente nos últimos 25 anos, mesmo quando olhamos para o número de artigos por investigador. Ora nos últimos 25 anos os que saíram "da Universidade tão ignorantes como lá entraram" (entre os quais se inclui este vosso ignorante) publicaram muito mais artigos científicos em revistas internacionais com arbitragem do que todos os que foram publicados até há 25 anos atrás. Aliás, há 25 anos havia departamentos inteiros das nossas universidades que não tinha um único artigo publicado. Imaginem só que muitos desses "ignorantes" são hoje convidados para apresentar palestras nas mais conceituadas universidades do mundo, outros foram mesmo convidados ou seleccionados para trabalhar em grandes instituições internacionais como o CERN, a ESA, o ESO, etc. E mesmo naquele que é o calcanhar de Aquiles da Universidade, a relação com a sociedade, existem muitos desses "ignorantes" que criaram empresas de tecnologia de ponta de impacto mundial (a Critical Software é uma das mais recentes, portanto com mais "ignorantes") e "ignorantes" numa proporção bastante superior à da época de ouro de Fátima Bonifácio estão hoje a trabalhar em grandes multinacionais.
Substituindo neste texto "ignorantes" por "geração rasca" quase todas as comparações que faço entre o passado e o presente ganhariam ainda mais validade. Hoje, 11 anos depois, à luz das declarações de Vicente Jorge Silva plenas de irreflexão e de arrogância que colavam o rótulo de "rascas" a todos nós alunos universitários em 1993, não deixa de ser irónica a análise entre o passado e o presente da Universidade Portuguesa...
O primeiro problema do artigo de Fátima Bonifácio é que reduz a Universidade à docência. A Universidade é uma instituição de troca de conhecimento, não é uma simples escola. A Universidade deve formar alunos, mas para além dessa função deve investigar, deve interagir com a sociedade (empresas, autarquias, ministérios, etc.) e deve divulgar o que faz ao grande público numa linguagem que ele entenda. Entre todas estas obrigações da Universidade a que mais falha em Portugal é a interacção com a sociedade. O fraco número de patentes nacionais e o baixo investimento na investigação financiada por empresas privadas são dois indicadores bastante significativos dessa falha.
O segundo problema deste artigo resulta de Fátima Bonifácio - tanto quanto pude investigar na base de dados do ISI (é falível) - não ter nenhum artigo publicado numa revista científica internacional com arbitragem, outra das obrigações da Universidade. Curiosamente a publicação de artigos em revistas internacionais de referência com arbitragem é um indicador que desmonta completamente a teoria de Fátima Bonifácio através de números demolidores. Em Portugal é rara a área de investigação em que o número de publicações científicas não tenha crescido exponencialmente nos últimos 25 anos, mesmo quando olhamos para o número de artigos por investigador. Ora nos últimos 25 anos os que saíram "da Universidade tão ignorantes como lá entraram" (entre os quais se inclui este vosso ignorante) publicaram muito mais artigos científicos em revistas internacionais com arbitragem do que todos os que foram publicados até há 25 anos atrás. Aliás, há 25 anos havia departamentos inteiros das nossas universidades que não tinha um único artigo publicado. Imaginem só que muitos desses "ignorantes" são hoje convidados para apresentar palestras nas mais conceituadas universidades do mundo, outros foram mesmo convidados ou seleccionados para trabalhar em grandes instituições internacionais como o CERN, a ESA, o ESO, etc. E mesmo naquele que é o calcanhar de Aquiles da Universidade, a relação com a sociedade, existem muitos desses "ignorantes" que criaram empresas de tecnologia de ponta de impacto mundial (a Critical Software é uma das mais recentes, portanto com mais "ignorantes") e "ignorantes" numa proporção bastante superior à da época de ouro de Fátima Bonifácio estão hoje a trabalhar em grandes multinacionais.
Substituindo neste texto "ignorantes" por "geração rasca" quase todas as comparações que faço entre o passado e o presente ganhariam ainda mais validade. Hoje, 11 anos depois, à luz das declarações de Vicente Jorge Silva plenas de irreflexão e de arrogância que colavam o rótulo de "rascas" a todos nós alunos universitários em 1993, não deixa de ser irónica a análise entre o passado e o presente da Universidade Portuguesa...
Noite cigana
Estava eu deliciado a ouvir o Vicente Amigo na Figueira da Foz a dedilhar magistralmente a sua guitarra flamenca e mal sabia eu que em Coimbra Ricardo Quaresma "dedilhava" magistralemente uma bola Adidas (a da segunda parte) oferecendo o 26º título (record do mundo) a Vítor Baía.
quinta-feira, agosto 19, 2004
Portugal no céu: Cruzeiro do Sul
O Cruzeiro do Sul é uma das heranças mais importantes que Portugal deixou na nomenclatura astronómica. A identificação desta constelação deve-se aos navegadores portugueses que começaram a desbravar a costa africana para lá do equador. O eixo maior do Cruzeiro do Sul aponta para o Pólo Sul. À falta de uma estrela polar no Hemisfério Sul, o Cruzeiro do Sul serviu de constelação de referência na navegação de alto mar a sul do equador.
Algumas das bandeiras de países do Hemisfério Sul representam essa constelação identificada pelos navegadores portugueses: Austrália, Brasil, Nova Zelândia, Papua Nova-Guiné e Samoa Ocidental.
Algumas das bandeiras de países do Hemisfério Sul representam essa constelação identificada pelos navegadores portugueses: Austrália, Brasil, Nova Zelândia, Papua Nova-Guiné e Samoa Ocidental.
quarta-feira, agosto 18, 2004
"A Universidade dantes é que era"...era, era!
Numa edição da Fundação Bissaya Barreto intitulada "Bissaya Barreto - O Homem e a Obra" podemos ler na biografia que serve de introdução a esta publicação:
"...entrou para a Universidade, matriculando-se em Filosofia, Matemática e Medicina. Viria a concluir as três licenciaturas com a máxima classificação possível: 20 valores." Ainda durante a licenciatura Bissaya Barreto fez greve aos exames de 1907, mas "no ano seguinte, fez todos os exames dos dois anos das três faculdades..."
Após lermos estes extraordinários (ou seriam extra-terrestres?) feitos de Bissaya Barreto percebemos que o facilitismo na universidade portuguesa tem barbas e bengala, não é coisa de hoje. Vem isto a propósito de uma série de emails de leitores do Abrupto sobre a qualidade das universidades portuguesas. Como sempre nestas discussões sobre a qualidade do ensino, as opiniões são más e sem consistência estatística. Normalmente baseiam-se numa experiência pessoal do narrador em que este é um herói da sabedoria e os seus colegas, ou alunos, ou professores (depende de quem se quer atingir) são todos uns ignorantes e vai daí generaliza-se a todas as universidades. Vão lá ler as experiências pessoais para ver se não é assim. Como sempre lá vem o facilitismo outra vez como causa de uma suposta baixa de qualidade da universidade. O texto que acima transcrevi é só um "aperitivo" sobre este tema, ao qual voltarei nas próximas entradas da Klepsýdra. Penso que é uma boa ilustração sobre a treta que se vai lendo sobre um suposto passado de rigor do ensino universitário em Portugal e um suposto facilitismo do presente.
"...entrou para a Universidade, matriculando-se em Filosofia, Matemática e Medicina. Viria a concluir as três licenciaturas com a máxima classificação possível: 20 valores." Ainda durante a licenciatura Bissaya Barreto fez greve aos exames de 1907, mas "no ano seguinte, fez todos os exames dos dois anos das três faculdades..."
Após lermos estes extraordinários (ou seriam extra-terrestres?) feitos de Bissaya Barreto percebemos que o facilitismo na universidade portuguesa tem barbas e bengala, não é coisa de hoje. Vem isto a propósito de uma série de emails de leitores do Abrupto sobre a qualidade das universidades portuguesas. Como sempre nestas discussões sobre a qualidade do ensino, as opiniões são más e sem consistência estatística. Normalmente baseiam-se numa experiência pessoal do narrador em que este é um herói da sabedoria e os seus colegas, ou alunos, ou professores (depende de quem se quer atingir) são todos uns ignorantes e vai daí generaliza-se a todas as universidades. Vão lá ler as experiências pessoais para ver se não é assim. Como sempre lá vem o facilitismo outra vez como causa de uma suposta baixa de qualidade da universidade. O texto que acima transcrevi é só um "aperitivo" sobre este tema, ao qual voltarei nas próximas entradas da Klepsýdra. Penso que é uma boa ilustração sobre a treta que se vai lendo sobre um suposto passado de rigor do ensino universitário em Portugal e um suposto facilitismo do presente.
terça-feira, agosto 17, 2004
Portugal no céu: Nuvem de Magalhães
Ainda a propósito da nomenclatura portuguesa no relevo de Marte venho aqui relembrar que Portugal deixou algumas marcas no céu. A Nuvem de Magalhães é o objecto celeste mais importante ao qual foi atribuído o nome de um ilustre português. Fernão de Magalhães observou a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães no céu do hemisfério sul durante a sua viagem de circum-navegação. Ambas são pequenas galáxias satélite da nossa Via Láctea que se encontram a uma distância de cerca de 180 mil anos-luz. Na verdade, ambas já tinham sido identificadas em 964 por Abd Al-Rahman Al Sufi, um astrónomo Persa.
(Grande Nuvem de Magalhães, imagem do sítio da NASA)
(Grande Nuvem de Magalhães, imagem do sítio da NASA)
domingo, agosto 15, 2004
Ólympos IV: o evangelista olímpico
Os Jogos Olímpicos de Londres em 1908 foram os primeiros a serem realizados num estádio de concepção moderna com uma pista de 400 m e relvado central. No entanto a piscina e a pista de ciclismo estavam também integradas no mesmo espaço. Uma das curiosidades destes jogos foi a victória de Forrest Smithson dos EUA nos 110 m barreiras. Smithson correu com uma bíblia na mão. Não sei se Zeus lá no alto do Olímpo gostou da provocação, o que é certo é que o deixou vencer. Zeus é tolerante!
(Foto do sítio do COI)
Ólimpos III: desportos bizarros em St. Louis
(Foto do sítio do COI)
Ólimpos III: desportos bizarros em St. Louis
sábado, agosto 14, 2004
Sábado em Coimbra XIII: entrada mediterrânica
Depois de passar quatro anos em França aprendi a apreciar e a valorizar a cozinha mediterrânica. Por vezes em Portugal nem percebemos a sorte de possuir um clima temperado que nos permite obter da natureza variados e apetecíveis sabores e odores muito típicos da cozinha mediterrânica. Perdemo-nos muitas vezes nesses pratos de grandes nacos de carne banhados em refogados a ferver, que também podem ser bons mas que são pouco apropriados ao calor da primavera e do verão. Hoje preparei uma entrada mediterrânica muito simples: um requeijão, azeitonas pretas e quatro folhas arrancadas a um manjericão (basílico) que me foi oferecido pelo nosso Nuno.
Sábado em Coimbra XII
Sábado em Coimbra XII
sexta-feira, agosto 13, 2004
Portugal entra na letra pi (π)
A ordem de entrada dos atletas no novo Estádio Olímpico de Atenas vai seguir obviamente a ordem do alfabeto grego. Portugal entra na letra pi (π) de Portogalia, ou seja Πoρτoγαλια.
Crateras e vales marcianos com nomes portugueses
No Abrupto levantou-se a questão da atribuição de nomes a crateras marcianas.
No hemisfério norte de Marte existem três crateras com o nome de cidades portuguesas: Aveiro, Funchal e Lisboa. Aveiro foi sugerida por um filho de emigrantes portugueses da zona de Aveiro ao seu amigo e director do United States Geological Survey (USGS). É esta instituição que recebe as propostas de nomes para o relevo marciano. Mas quem aprova os nomes é a International Astronomical Union.
No hemisfério sul marciano existem ainda três vales com o nome de três rios portugueses: "Durius", "Munda" (Mondego) e "Tagus".
No hemisfério norte de Marte existem três crateras com o nome de cidades portuguesas: Aveiro, Funchal e Lisboa. Aveiro foi sugerida por um filho de emigrantes portugueses da zona de Aveiro ao seu amigo e director do United States Geological Survey (USGS). É esta instituição que recebe as propostas de nomes para o relevo marciano. Mas quem aprova os nomes é a International Astronomical Union.
No hemisfério sul marciano existem ainda três vales com o nome de três rios portugueses: "Durius", "Munda" (Mondego) e "Tagus".
quinta-feira, agosto 12, 2004
Os meus 30 filmes preferidos
Mais ou menos por ordem de preferência:
As Asas do Desejo (Wim Wenders, 1987)
Underground (Emir Kusturica, 1995)
La Dolce Vita (Federico Fellini, 1960)
Dr. Strangelove (Stanley Kubrick, 1964)
La Vita è Bella (Roberto Benigni, 1997)
Sol Enganador (Nikita Mikhalkov, 1994)
No Man's Land (Danis Tanovic, 2001)
Central do Brasil (Walter Salles, 1998)
Irreversível (Gaspar Noé, 2002)
Karakter (Mike Van Diem, 1997)
Funny Games (Michael Haneke, 1997)
Abre los Ojos (Alejandro Amenábar, 1997)
Une Liaison Pornographique (Frédéric Fonteyne, 1999)
La Pianiste (Michael Haneke, 2001)
Barton Fink (Joel e Ethan Coen, 1991)
Mulholland Drive (David Lynch, 2001)
Eyes Wide Shut (Stanley Kubrick, 1999)
Em Carne Viva (Pedro Almodóvar, 1997)
Festen (Thomas Vinterberg, 1998)
Gato Preto, Gato Branco (Emir Kusturica, 1998)
O Testa de Ferro (Woody Allen e Martin Ritt, 1976)
Morango e Chocolate (Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío, 1994)
Delicatessen (Caro e Jeunet 1991)
Exotica (Atom Egoyan, 1994)
Blow Up (Michelangelo Antonioni, 1966)
Belle de Jour (Luis Buñuel, 1967)
Querelle (Werner Rainer Fassbinder, 1982)
Ice Storm (Ang Lee, 1997)
Contacto (Robert Zemeckis, 1997)
Cidade de Deus (Kátia Lund e Fernando Meirelles, 2002)
Sobre as Asas do Desejo convido o leitor a espreitar este texto do Bruno do Avatares onde ele faz uma pequena análise sobre a escolha entre o imutável e eterno universo do divino e o transformável mas mortal mundo terreno. Em breve escreverei sobre este que é o meu filme preferido alguns furos acima de todos os outros que indiquei.
Underground é uma bela parábola e auto-crítica ao que foi o projecto da República Federal Jugoslava no século XX. Essa parábola torna-se ainda mais deliciosa com a música de Bregovic e com a qualidade do conjunto de actores escolhidos por Kusturica, como é habitual nos seus filmes.
Há vários aspectos que adoro em La Dolce Vita. A crítica mordaz e atrevida à igreja (relembro que o filme é de 1960) expressa através de cenas como a imagem inicial de Cristo sobrevoando Roma...suspenso por um cabo a um helicóptero ou a paródia à história da Nossa Senhora de Fátima. Outro aspecto é a crítica à decadente instituição do casal tradicional, ao homem chefe de família que gere as amantes perante uma mulher dependente e obediente. Depois há Fellini, há a deriva, as noitadas que se transformam em manhãs em ambientes bizarros e a vertigem de se estar olhos nos olhos perante relações sem rede.
(continua)
Os meus 20 realizadores preferidos
Os meus 10 actores preferidos
As minhas 10 actrizes preferidas
As Asas do Desejo (Wim Wenders, 1987)
Underground (Emir Kusturica, 1995)
La Dolce Vita (Federico Fellini, 1960)
Dr. Strangelove (Stanley Kubrick, 1964)
La Vita è Bella (Roberto Benigni, 1997)
Sol Enganador (Nikita Mikhalkov, 1994)
No Man's Land (Danis Tanovic, 2001)
Central do Brasil (Walter Salles, 1998)
Irreversível (Gaspar Noé, 2002)
Karakter (Mike Van Diem, 1997)
Funny Games (Michael Haneke, 1997)
Abre los Ojos (Alejandro Amenábar, 1997)
Une Liaison Pornographique (Frédéric Fonteyne, 1999)
La Pianiste (Michael Haneke, 2001)
Barton Fink (Joel e Ethan Coen, 1991)
Mulholland Drive (David Lynch, 2001)
Eyes Wide Shut (Stanley Kubrick, 1999)
Em Carne Viva (Pedro Almodóvar, 1997)
Festen (Thomas Vinterberg, 1998)
Gato Preto, Gato Branco (Emir Kusturica, 1998)
O Testa de Ferro (Woody Allen e Martin Ritt, 1976)
Morango e Chocolate (Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío, 1994)
Delicatessen (Caro e Jeunet 1991)
Exotica (Atom Egoyan, 1994)
Blow Up (Michelangelo Antonioni, 1966)
Belle de Jour (Luis Buñuel, 1967)
Querelle (Werner Rainer Fassbinder, 1982)
Ice Storm (Ang Lee, 1997)
Contacto (Robert Zemeckis, 1997)
Cidade de Deus (Kátia Lund e Fernando Meirelles, 2002)
Sobre as Asas do Desejo convido o leitor a espreitar este texto do Bruno do Avatares onde ele faz uma pequena análise sobre a escolha entre o imutável e eterno universo do divino e o transformável mas mortal mundo terreno. Em breve escreverei sobre este que é o meu filme preferido alguns furos acima de todos os outros que indiquei.
Underground é uma bela parábola e auto-crítica ao que foi o projecto da República Federal Jugoslava no século XX. Essa parábola torna-se ainda mais deliciosa com a música de Bregovic e com a qualidade do conjunto de actores escolhidos por Kusturica, como é habitual nos seus filmes.
Há vários aspectos que adoro em La Dolce Vita. A crítica mordaz e atrevida à igreja (relembro que o filme é de 1960) expressa através de cenas como a imagem inicial de Cristo sobrevoando Roma...suspenso por um cabo a um helicóptero ou a paródia à história da Nossa Senhora de Fátima. Outro aspecto é a crítica à decadente instituição do casal tradicional, ao homem chefe de família que gere as amantes perante uma mulher dependente e obediente. Depois há Fellini, há a deriva, as noitadas que se transformam em manhãs em ambientes bizarros e a vertigem de se estar olhos nos olhos perante relações sem rede.
(continua)
Os meus 20 realizadores preferidos
Os meus 10 actores preferidos
As minhas 10 actrizes preferidas
terça-feira, agosto 10, 2004
Ólympos III: desportos bizarros em St. Louis
Os Jogos Olímpicos que se realizaram em 1904 em St. Louis, tal como os de 1900 de Paris, foram integrados numa Exposição Universal. Numa das faces das medalhas lia-se "Universal Exhibition", na outra "Olympiad". Do programa deste Jogos faziam ainda parte alguns desportos que hoje seriam considerados bizarros, como: salto em altura sem balanço, salto em comprimento sem balanço, triplo salto sem balanço, lançamento do pavé (25,4 kg), tracção à corda (duas equipas a puxar a extremidade de uma corda), levantamento do peso com um braço, saltos para a água de cabeça, roque (parecido com o críquete), lacrosse (um desporto dos índios americanos que parece misturar regras de basquete, futebol e hóquei).
Mas uma das fotografias que mais impressiona desses jogos, é esta foto do salto à vara. Reparem que não há colchão. O vencedor, Charles Dvorak americano de origem checa, saltou 3,5 m!
(salto à vara, St. Louis, 1904, foto do sítio do COI)
Ólimpos II, os Jogos no Bosque de Bolonha
Mas uma das fotografias que mais impressiona desses jogos, é esta foto do salto à vara. Reparem que não há colchão. O vencedor, Charles Dvorak americano de origem checa, saltou 3,5 m!
(salto à vara, St. Louis, 1904, foto do sítio do COI)
Ólimpos II, os Jogos no Bosque de Bolonha
É isto a filosofia liberal
O pequeno texto do Luís da Natureza do Mal sobre o Paraguai ilustra bem o que é a filosofia liberal, o utilizador-pagador e afins. O Paraguai não é caso único, na Birmânia morrem pessoas porque não há dinheiro para pagar o serviço hospitalar que entrou numa onda fundamentalista de liberalizações, naquele que é um dos mais pobres países do mundo. A filosofia neo-liberal (não confundir com os liberais americanos, anglo-saxónicos e franceses), encabeçada por pessoas como Fukuyama e a linha dura do partido Republicano, é uma das ideologias que mata mais no mundo e em muitos casos consegue ser tão burocrática como os antigos sistemas soviéticos. Os telefones e os serviços hospitalares são dos piores exemplos desta filosofia. Experimentem telefonar nos EUA!
Mas o caso do Paraguai fez-me lembrar (com as devidas diferenças) a vez em que fiquei retido três horas entre a última entrada de acesso à auto-estrada e a barreira de recolha de título no Porto, por causa de obras que a própria Brisa estava aí a efectuar. Perante aquele caos, ninguém da Brisa se decidiu a anular a barreira de títulos, tivemos que gramar mais tempo porque a Brisa não queria perder um cêntimo. Claro, no fim reclamei o que paguei de portagem. A Brisa não aceitou a minha reclamação dando justificações falsas, mas conseguiram comprar-me com um excelente mapa de estradas de Portugal que me enviaram para casa no Natal, diga-se de passagem de maior valor do que o que paguei de portagem.
Mas o caso do Paraguai fez-me lembrar (com as devidas diferenças) a vez em que fiquei retido três horas entre a última entrada de acesso à auto-estrada e a barreira de recolha de título no Porto, por causa de obras que a própria Brisa estava aí a efectuar. Perante aquele caos, ninguém da Brisa se decidiu a anular a barreira de títulos, tivemos que gramar mais tempo porque a Brisa não queria perder um cêntimo. Claro, no fim reclamei o que paguei de portagem. A Brisa não aceitou a minha reclamação dando justificações falsas, mas conseguiram comprar-me com um excelente mapa de estradas de Portugal que me enviaram para casa no Natal, diga-se de passagem de maior valor do que o que paguei de portagem.
segunda-feira, agosto 09, 2004
Mundo de Aventuras VIII
A bandeira é a da China comunista, mas estamos na China Town, o bairro nova-iorquino onde o nome das ruas aparece inscrito em chinês e em inglês, onde o comércio e os habitantes são quase exclusivamente chineses ou americanos de origem chinesa ou asiática.
(Chinatown, Nova Iorque, EUA, 2002)
Vasco Graça Moura treparia pelas paredes
Na Europa, isto não é nada de novo. As judiarias são um dos exemplos de bairros criados por imigrantes onde a sua cultura prevalece sobre a cultura do país de acolhimento. No entanto, essa tradição perdeu-se um pouco, reflexo talvez da onda nacionalista que dominou o nosso continente nos últimos séculos. Mas agora ressurgem na Europa esses bairros em que é dominante a cultura dos imigrantes, temos novos bairros: magrebinos, indianos, paquistaneses, arménios, filipinos, chineses, etc. Esta nova realidade (que de facto é muito velha) incomoda muitos conservadores. Incomodam-se com os mercados onde se fala árabe, hindu ou chinês. Incomodam-se porque "eles nem sequer aprendem a língua do país". Um dos arautos dessa xenofobia escondida com o rabo de fora é Vasco Graça Moura. O nosso eurodeputado tem andado muito chocado com o que tem visto em França e na Bélgica. Mas o mais engraçado é que refere sempre os EUA como o "melting pot" perfeito da imigração. Ora, o que Graça Moura deveria perceber, é que tal como nos EUA, se calhar um dia teremos bairros na Europa onde só se falará árabe, hindu ou chinês e provavelmente teremos por lá a flutuar a bandeira da Índia, da China, do Paquistão, da Argélia ou de Marrocos.
Na passada quarta-feira Vasco Graça Moura voltou à carga, mas desta vez de uma forma mais moderada. Longe de artigos anteriores onde roçava a xenofobia. Mesmo assim Graça Moura conclui que "a identidade europeia poderá vir a tornar-se cada vez mais problemática". O mais certo é a identidade europeia tornar-se mais rica, como Nova Iorque e como o Portugal do renascimento, o Portugal do brilhante judeu Pedro Nunes. Mas será que Graça Moura não tem um espelho lá em casa? Será que ele não topa o seu tom de pele e o seu nariz mediterrânico? Ninguém é capaz de lhe dizer que, apesar das suas ideias, Portugal ganhou em ter absorvido os seus antepassados do Norte de África (ou do Médio Oriente), os tais da "graça moura"?!
Mundo de Aventuras VII
(Chinatown, Nova Iorque, EUA, 2002)
Vasco Graça Moura treparia pelas paredes
Na Europa, isto não é nada de novo. As judiarias são um dos exemplos de bairros criados por imigrantes onde a sua cultura prevalece sobre a cultura do país de acolhimento. No entanto, essa tradição perdeu-se um pouco, reflexo talvez da onda nacionalista que dominou o nosso continente nos últimos séculos. Mas agora ressurgem na Europa esses bairros em que é dominante a cultura dos imigrantes, temos novos bairros: magrebinos, indianos, paquistaneses, arménios, filipinos, chineses, etc. Esta nova realidade (que de facto é muito velha) incomoda muitos conservadores. Incomodam-se com os mercados onde se fala árabe, hindu ou chinês. Incomodam-se porque "eles nem sequer aprendem a língua do país". Um dos arautos dessa xenofobia escondida com o rabo de fora é Vasco Graça Moura. O nosso eurodeputado tem andado muito chocado com o que tem visto em França e na Bélgica. Mas o mais engraçado é que refere sempre os EUA como o "melting pot" perfeito da imigração. Ora, o que Graça Moura deveria perceber, é que tal como nos EUA, se calhar um dia teremos bairros na Europa onde só se falará árabe, hindu ou chinês e provavelmente teremos por lá a flutuar a bandeira da Índia, da China, do Paquistão, da Argélia ou de Marrocos.
Na passada quarta-feira Vasco Graça Moura voltou à carga, mas desta vez de uma forma mais moderada. Longe de artigos anteriores onde roçava a xenofobia. Mesmo assim Graça Moura conclui que "a identidade europeia poderá vir a tornar-se cada vez mais problemática". O mais certo é a identidade europeia tornar-se mais rica, como Nova Iorque e como o Portugal do renascimento, o Portugal do brilhante judeu Pedro Nunes. Mas será que Graça Moura não tem um espelho lá em casa? Será que ele não topa o seu tom de pele e o seu nariz mediterrânico? Ninguém é capaz de lhe dizer que, apesar das suas ideias, Portugal ganhou em ter absorvido os seus antepassados do Norte de África (ou do Médio Oriente), os tais da "graça moura"?!
Mundo de Aventuras VII
sábado, agosto 07, 2004
Uma solucao para o Estadio Nacional
Ha quem esteja muito empenhado neste pais em fazer mais um estado novo no Jamor, sob o pretexto da renovacao desse magnifico monumento nacional que e' o Estadio Nacional(sao resmas e resmas de turistas que vem a Portugal de proposito so' para ir ver o Estadio Nacional). Entretanto o Mosteiro da Batalha ganha musgo misturado com diesel queimado da EN1, o que lhe da' um colorido especial, mas isso que interessa, o que interessa esses castelos com mais de 7 seculos a cair aos bocados. Interessa e' apostar no Jamor. Eu por mim sugeria isto para o Jamor:
(Radiotelescopio de Arecibo, Porto Rico, Imagem do Observatorio de Arecibo)
Um radiotelescopio ali no lugar daquele monolito e' que era!
(Radiotelescopio de Arecibo, Porto Rico, Imagem do Observatorio de Arecibo)
Um radiotelescopio ali no lugar daquele monolito e' que era!
sexta-feira, agosto 06, 2004
Saudade
En ce mai de fous messages
J'ai un rendez-vous dans l'air
Inattendu et clair
Déjà je pars à ta découverte
Ville bonne et offerte
C'est l'attrait du danger
Qui me mène à ce lieu
C'est d'instinct
Qu'tu me cherches et approches
Je sens que c'est toi
C'est à l'aube que se ferment
Tes prunelles marina
Sous quel meridien se caresser
Dans mes bras te cacher
Dans ces ruelles fantômes
Ou sur cette terrasse
Où s'écrase un soleil
Tu m'enseignes
Le langage des yeux
Je reste sans voix
Les nuits au loin tu cherches l'ombre
Comment ris-tu avec les autres
Parfois aussi je m'abandonne
Mais au matin les dauphins se meurent
De saudade...
Où mène ce tourbillon
Cette valse d'avions
Aller au bout de toi et de moi
Vaincre la peur du vide
Les ruptures d'équilibre
Si tes larmes se mèlent
Aux pluies de novembre
Et que je dois en périr
Je sombrerai avec joie
De saudade...
"Saudade", Etienne Daho
J'ai un rendez-vous dans l'air
Inattendu et clair
Déjà je pars à ta découverte
Ville bonne et offerte
C'est l'attrait du danger
Qui me mène à ce lieu
C'est d'instinct
Qu'tu me cherches et approches
Je sens que c'est toi
C'est à l'aube que se ferment
Tes prunelles marina
Sous quel meridien se caresser
Dans mes bras te cacher
Dans ces ruelles fantômes
Ou sur cette terrasse
Où s'écrase un soleil
Tu m'enseignes
Le langage des yeux
Je reste sans voix
Les nuits au loin tu cherches l'ombre
Comment ris-tu avec les autres
Parfois aussi je m'abandonne
Mais au matin les dauphins se meurent
De saudade...
Où mène ce tourbillon
Cette valse d'avions
Aller au bout de toi et de moi
Vaincre la peur du vide
Les ruptures d'équilibre
Si tes larmes se mèlent
Aux pluies de novembre
Et que je dois en périr
Je sombrerai avec joie
De saudade...
"Saudade", Etienne Daho
quarta-feira, agosto 04, 2004
Dominique de Villepin tinha razão sobre o Iraque
O discurso de Dominique de Villepin, Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, perante a ONU na altura em que os EUA estavam na iminência de intervir no Iraque:
"Make no mistake about it: the choice is indeed between two visions of the world. To those who choose to use force and think they can resolve the world's complexity through swift and preventive action, we offer in contrast determined action over time. For today, to ensure our security, all the dimensions of the problem must be taken into account: both manifold crises and their many facets, including cultural and religious. Nothing lasting in international relations can be built therefore without dialogue and respect for the other, without exigency and abiding by principles, especially for the democracies that must set the example. To ignore this is to run the risk of misunderstanding, radicalization and spiraling violence. This is even more true in the Middle East, an area of fractures and ancient conflicts where stability must be a major objective for us."
Agora, um ano e meio depois, a situação é muito mais clara, Villepin tinha razão.
A negrito destaco a frase que considero mais certeira e que rima com a opinião de Richard Clarke sobre o erro da intervenção no Iraque que já aqui transcrevi nesta entrada, onde destaco também a negrito a frase onde Clarke confirma Villepin.
"Make no mistake about it: the choice is indeed between two visions of the world. To those who choose to use force and think they can resolve the world's complexity through swift and preventive action, we offer in contrast determined action over time. For today, to ensure our security, all the dimensions of the problem must be taken into account: both manifold crises and their many facets, including cultural and religious. Nothing lasting in international relations can be built therefore without dialogue and respect for the other, without exigency and abiding by principles, especially for the democracies that must set the example. To ignore this is to run the risk of misunderstanding, radicalization and spiraling violence. This is even more true in the Middle East, an area of fractures and ancient conflicts where stability must be a major objective for us."
Agora, um ano e meio depois, a situação é muito mais clara, Villepin tinha razão.
A negrito destaco a frase que considero mais certeira e que rima com a opinião de Richard Clarke sobre o erro da intervenção no Iraque que já aqui transcrevi nesta entrada, onde destaco também a negrito a frase onde Clarke confirma Villepin.
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