segunda-feira, maio 31, 2004

Sabado em Bolonha (com atraso)

Bolonha, nesta imponente cidade onde se tropeca na historia avisto uma janela secular onde uma bandeira arco-iris faz um apelo 'a paz. Sao os preparativos da recepcao a Bush. Bush vem a Roma na proxima sexta para uma sessao de pancadinhas nas costas com Berlusconi. Dois irresponsaveis a brincar aos presidentes, vai ser lindo...

(Bolonha, 29 de Maio, 2004)

Rua da Judiaria

O blogue Rua da Judiaria publicou dois textos que me merecerem especial atencao:

1- Em "Tortura Humilhacao e Odio" o Nuno conta uma experiencia muito interessante que teve em Londres numa daquelas mesquitas de lavagem ao cerebro no ambito de um trabalho que preparou para a Grande Reportagem. Tenho pena de nao o ter lido. O lixo em que mergulharam muitas das mesquitas europeias esta ali bem descrito. E' preciso sublinhar que esse trabalho de lavagem ao cerebro nao abrandou, pelo contrario, continua a ser feito de uma maneira cada vez mais profissional e mais eficaz - gracas 'a aventura americana no Iraque. Esse "trabalho" e' patrocinado finaceiramente de uma forma tranquila e descarada por alguns senhores generosos da Arabia Saudita (um dia vamos pagar caro as amizades com o regime Saudita). Quando vivi em Estrasburgo vi como o odio anti-semita e' implantado com grande eficacia entre as comunidades muculmanas excluidas que vivem nos guetos de habitacao social. Lembro-me e nunca me esquecerei dos cobardes ataques a sinagogas da regiao que se multiplicaram depois do 11 de Setembro e dos linchamentos de cidadaos franceses que apresentavam sinais exteriores de culto da religiao judaica.

2- Li com uma enorme delicia o texto de Bernard-Henri Levy: "Je suis juif". Para mim Levy e' muito mais do que um judeu (sem desprimor para estes). O texto em que assume em pleno as suas origens judaicas e' muito sentido, mas Levy e' daqueles homens que nao pode ser reduzido a um povo ou a uma religiao. E' um filho do Universo. Se fosse grego, Levy seria um filho de Zeus e Hera, um heroi no sentido mais romantico do termo. O proprio Levy se define como judeu universalista. Nao precisava de o dizer, isso e' mais do que evidente. No entanto, temo a sua sorte. Fico bastante aliviado cada vez que o vejo entrar no plateau do "Tout le Monde en parle" (o melhor talk-show que conheco, domingos 23.30 TV5) para apresentar um novo livro. Depois ouvimos os seus relatos interessantes e percebemos como cada vez mais Levy arrisca a pele nas partes do mundo onde o odio ganha terreno.

sexta-feira, maio 28, 2004

Conduzir em Italia

Nao me aventuro a conduzir em Italia. Em Portugal conduz-se mal, mas em Italia conduz-se mal ao cubo. Nao se respeitam sinais vermelhos, passadeiras, linhas continuas etc. Grande parte dos carros apresenta amolgadelas, riscos e vincos nas chapas laterais. Mas, surpresa das surpresas, a Italia tem estatisticas de sinistralidade bem melhores do que as nossas. Um estudo explica porque: a forma geografica do pais. O territorio italiano e' extenso mas apresenta uma forma estreita que permite que uma rede de auto-estradas extremamente simples - um eixo central norte-sul com pequenas ramificacoes este-oeste - sirva todo o pais. Deste modo em Italia conduz-se preferencialmente nas auto-estradas onde a sinistralidade e' muito mais baixa (tal como em Portugal). O perfil do territorio portugues e' parecido, mas as nossas auto-estradas sao em geral mais caras que as italianas, para um nivel de salarios que e' cerca de metade dos salarios auferidos pelos italianos. Alem disso, Portugal ainda apresenta uma rede de auto-estradas essencialmente litoral e nao nacional. E' por estas e por outras que nao sou sensivel a essas lagrimas de crocodilo que choram a "guerra civil nas estradas portuguesas" e que ao mesmo tempo se sentem tranquilos ao cobrar as auto-estradas mais caras da Europa, empurrando os nossos condutores para as perigosissimas e mortais estradas nacionais.

quarta-feira, maio 26, 2004

O Português mais feliz do mundo


(Sitio UEFA)

Victor Baia, o melhor guarda-redes do mundo, parecia uma autêntica criança feliz! Fez um jogão, daqueles que estão apenas ao alcance de um punhado de guarda-redes do planeta (talvez Khan, Cech, Buffon ou Canizares). A sua primeira defesa foi tão valiosa como o primeiro golo do menino Carlos Alberto. Defendeu tudo, aquelas luvas sugadoras até defenderam uma daquelas impossíveis, refiro-me ao lance em que Morientes lhe surgiu na cara (foi fora do jogo). Foi impressionante, defesa 'a queima-roupa e a bola fica colada 'as luvas!
Ontem 'a noite Victor Baia deve se ter sentido como quando jogava com os amigos e se atirava para o chão alcatroado lá da rua. Foi um menino feliz: a defender e a comemorar.

Vi o jogo aqui em Bolonha, acompanhado de meia duzia de Erasmus que encontrei num bar Irlandês. No estrangeiro estas coisas sentem-se mais. No fim fizemos daquelas cenas tristes e tudo, a gritar que nem malucos aos saltos no meio da praça principal de Bolonha, em frente 'a estatua de Poseidon que nos piscava o olho!

Tenho inveja do Bruno do Avatares que deve estar la para os lados da Praça da Republica em Coimbra a comemorar forte e feio a victoria. Uma saudaçao com um calice de Porto virtual reserva 2004 para os outros dragoes que detectei na Blogosfera: o CAA do Blasféemias, a Avenida dos Aliados, o Posts de Pescada e o Aviz.

Peço desculpa aos nossos leitores que não apreciam futebol, mas não me consigo conter perante este grande feito do meu clube.

segunda-feira, maio 24, 2004

Os efeitos das causas santanistas


(Encosta da Serra da Boa Viagem, Figueira da Foz, Dezembro de 2003)

Quando Santana Lopes chegou 'a Camara da Figueira, esta apresentava uma divida superior a um milhao e meio de contos. Quando Santana saiu, essa divida multiplicou pelo menos por cinco. A divida ate poderia ser desculpavel se se tratasse de um investimento importante para o desenvolvimento da cidade. O problema e' que fica a sensacao que a divida serviu para alimentar uma campanha de promocao pessoal que a espacos se cruzava com os interesses da cidade (como foi o caso das obras do porto da Figueira, uma boa obra que ate e' desconhecida). Nesse caso como justificar a criacao daquele Oasis, agora transformado em esgoto a ceu aberto e cemiterio de palmeiras (Palmeira, Palmeiraaaa da Foooz). Aquele arco aberracao na entrada da cidade onde jazem umas letras manhosas que se confundem com a passagem superior onde se le a custo Figueira da Foz. Por fim, o que dizer desse elefante branco, o Centro de Artes e Espectaculos. Apesar de gostar muito deste tipo de espacos e de achar que ainda fazem muita falta espacos destes em Portugal, infelizmente acho que a Figueira nao tem dimensao para uma obra daquelas. A obra foi cara e a principal responsavel pelo buraco sem fundo em que se encontram as contas figueirenses. Perante o buraco nas contas deixado por Santana Lopes, o que fazer? Olhem bem para a fotografia em cima e adivinhem...
(continua)

sábado, maio 22, 2004

Sábado em Coimbra IX: a selvajaria

Os sábados em Coimbra também podem ser de selvajaria. Na estrada para a Lousã fui ultrapassado no limite por um Golf último modelo. Por pouco este vosso escriba safou-se de uma colisão a três (o terceiro era um camião reboque!). Quando percebi que o perigo tinha passado, assinalei com uma sonora buzinadela a manobra assassina do Golf. Não houve pedido de desculpas, mas sim um vigoroso manguito, insultos pela janela lateral enquanto o Golf progredia aos S's à minha frente. Reparei que no Golf havia ainda uma senhora sentada no banco do lado e no banco de trás uma menininha com um balão. Por aqui, cruzo-me muitas vezes com este Portugal selvagem que possui Golfs último modelo e imponentes vivendas em cima de pinhais ou qualquer espaço natural que seja digno de destruir. Tenho pena da menininha do balão.

Sábado em Coimbra VIII

Félicitations Michael Moore


(AFP)
Michael Moore junta a Palma de Ouro de 2004 ao Óscar do melhor documentário de 2003 e ao César de 2002.
Li o livro "Dude, Where's My Country" de Michael Moore. É muito bom, sobretudo quando Moore denuncia com bastante humor as ligações vergonhosas da família Bush, Chiney e outros à família real saudita e aos talibãs, o tema do novo filme Fahreneheit 911. Nada que Bernard-Henri Lévy não tivesse já reparado e que vem preto no branco no livro de Richard Clarke ou Robert Baer. Portugal também vende material militar à pior ditadura do planeta, o carimbo é de Paulo Portas, infelizmente não temos nenhum Michael Moore. Em Portugal há quem goste de chamar palhaço a Michael Moore (enfim, carrancudismo luso). A mim, parece-me mais palhaçada falar em democracia no Iraque e andar ao mesmo tempo a vender armas ou material militar à mais feroz ditadura do mundo, a ditadura Saudita.

quinta-feira, maio 20, 2004

Os meus 20 realizadores preferidos

Wim Wenders (As Asas do Desejo, 1987)
Emir Kusturica (Underground, 1995)
Michael Haneke (Funny Games, 1997)
Stanley Kubrick (Dr. Strangelove, 1964)
Ethan Coen e Joel Coen (Barton Fink, 1991)
Rainer Werner Fassbinder (Querelle, 1982)
Federico Fellini (La Dolce Vita, 1960)
Spike Lee (Do the right thing, 1989)
Atom Egoyan (Exotica, 1994)
Jean-Pierre Jeunet (Delicatessen, 1991)
Pedro Almodóvar (Em Carne Viva, 1997)
Woody Allen (The Front, 1976)
Lars von Trier (Dancer in the dark, 2000)
David Lynch (Mulholland Drive, 2001)
Alfred Hitchcock (Vertigo, 1958)
Michelangelo Antonioni (Blowup, 1966)
Manoel de Oliveira (Vale Abraão, 1993)
Luis Buñuel (Belle de Jour, 1967)
Alejandro Amenábar (Abre los Ojos, 1997)
Thomas Vinterberg (Festen, 1998)

Entre parêntesis indico os meus filmes preferidos de cada um dos meus 20 eleitos.
Wim Wenders é o meu realizador preferido. Gosto da maneira como filma os múltiplos e variados lugares onde decorrem as suas histórias. Adoro personagens como Marion, Damiel, O Tempo protagonizado por Willem Dafoe ou Travis de Paris Texas; mesmo quando esses personagens são reais como em "Buena Vista" ou através das participações de Lou Reed, Gorbatchov, Peter Falk ou Nick Cave. Wim Wenders brinda frequentemente o espectador com conceitos estimulantes que vão desde a missão eterna dos anjos no céu de Berlim à doença dos olhos de "Até ao Fim do Mundo", passando pela paranóia securitária de "The End of Violence" onde Wenders antecipa o que é a América de hoje. As bandas sonoras dos filmes de Wenders são escolhidas a dedo, o sucesso de "Buena Vista" não ocorreu por acaso.
A loucura e a espontaneidade dos povos balcânicos - para o bem e para o mal - estão presentes na obra de Emir Kusturica. A guerra dos Balcãs não é tema tabu para Kusturica e para quem está "lá dentro" o tema dificilmente seria melhor tratado. Nos seus filmes estamos constantemente a encontrar magníficas pérolas, como: a música de Goran Bregovic, o personagem Dadan (Srdjan Todorovic), Marko (Miki Manojlovic) e aquele grande final com os dois compadres ciganos a citarem o fimdo filme Casablanca ("I think this is the beginning of a beautiful friendship."). Não resisto a citar esta frase de Kusturica grande admirador do FC Porto: "o FC Porto faz lembrar o cinema independente que sem grandes orçamentos, consegue feitos notáveis".
Michael Haneke é um mestre em filmes perturbadores muito inteligentes. Estou ansioso pelo seu próximo filme "Le Temps du Loup".
Stanley Kubrick deixou-nos uma obra notável e profissional. Poucos fizeram cinema como ele, quase todas as suas obras foram baseadas em livros e quase todos os seus filmes são melhores do que os próprios livros, alguns deles completamente desconhecidos do grande público.
Alejandro Amenábar para já está ali no fundo da minha lista, mas considero-o como uma jovem esperança bastante promissora. Fez poucos filmes, mas de grande profundidade. "Abre los Ojos" tem um orçamento inversamente proporcional à qualidade do argumento, que é tremenda. Hollywood comprou os direitos de "Abre los Ojos" e fez "Vanilla Sky", um remake minimamente fiel ao original. Hollywood não se contentou e foi buscar Amenábar a Espanha. Esperemos que continue na senda da qualidade e não se deixe contaminar pelo cinema de lucro fácil e de baixa qualidade característico dalgumas produtoras californianas.

Os meus 10 actores preferidos
As minhas 10 actrizes preferidas

quarta-feira, maio 19, 2004

Há 33 anos foram lançadas para Marte as primeiras sondas


(Sítio da ESA)

Dia 19 de Maio de 1971 foram lançadas as duas primeiras sondas a tocar o solo de Marte. Foram as sondas soviéticas Mars 2 e Mars 3. A Mars 2 despenhou-se e a Mars 3 deixou de comunicar com a Terra 20 minutos depois de ter aterrado. As duas sondas estavam equipadas de dois pequenos veículos de exploração da crosta marciana. A Mars deixou de transmitir sinal porque teve o azar de ser apanhada por uma das maiores tempestades de pó jamais registadas em Marte. No entanto, as sondas orbitais funcionaram perfeitamente e transmitiram dados inéditos e cientificamente muito valiosos.

Os meus 23

Guarda-redes
Victor Baía, Moreira, Pedro Roma
Defesas
Paulo Ferreira, Nuno Valente, Fernando Couto, Jorge Andrade, Ricardo Carvalho, Rui Jorge, Jorge Costa e Frechaut
Médios
Luís Figo, Rui Costa, Maniche, Costinha, Tiago, Ronaldo, Simão Sabrosa, Pedro Barbosa e Moreira (Std. Liège)
Avançados
Pauleta, Nuno Gomes e Helder Postiga

Como acho que na selecção devem jogar os melhores e não os que escapam à violência e ao ódio da clubite aguda, incluí o Pedro Barbosa e o Jorge Costa apesar de terem declarado não participar mais na selecção na sequência de julgamentos sumários pouco rigorosos na praça pública. Se o Deco viesse para Portugal até aos 12, 13 anos fazia sentido jogar na selecção, agora naturalizar jogadores aos vinte e tal anos para jogar em selecções, como se faz no basquete com os americanos, acho que empobrece o espírito deste tipo de competições. Além disso, o Deco teria lugar no Escrete de caras.

O meu 11 seria:

................Victor Baía

P. Ferreira...Couto....R. Carvalho...N. Valente
.................Costinha
....Rui Costa....Maniche....Figo
.................................Ronaldo
..................Pauleta


Custa-me muito dizer isto, mas o Rui Costa não deve estar em forma para jogar 90 minutos. Depois do Rui Costa dar o berro (lá para o minuto 40) entraria logo o Tiago ou o Simão (este iria para a ala esquerda e o Ronaldo para a direita).

terça-feira, maio 18, 2004

Massoud foi lamentado na Casa Branca no 11/9

"We'll need presidential pressure on Yemen and "Saudi Arabia too," said John McLaughlin, Tenet's deputy. "And a major covert action program for three to five years, support to the Northern Alliance." It was too late, however, for Massoud, the leader of the Afghan Northern Alliance. He had been assassinated by al Qaeda 24 hours earlier.

"Against All Enemies", Richard Clarke, Free Press, 2004, pag. 23.

aqui tinha referido que a recepção do Comandante Massoud pelo Parlamento Europeu em Abril de 2001, com o intuito de o apoiar na luta contra os talibãs, foi uma das iniciativas mais louváveis organizadas pelo Parlamento (que fica nos antipodas da recepção a Kadhafi). Na altura os EUA e os governos dos principais países da Europa ignoraram a iniciativa. Aliás, Chiney ainda alimentava esperanças de fazer as pazes com o regime talibã de modo a poder reactivar a negociata do oleoduto que ficara comprometida desde o ataque à embaixada Americana em Nairobi por parte da Al-Qaeda que era protegida pelos talibãs. Massoud era mesmo visto por uma parte dos neo-conservadores americanos como um terrorista (os talibãs eras as suas vítimas, vejam lá).
Como podemos ler no extracto do livro de Richard Clarke, durante o 11 de Setembro houve quem se "lembrasse da virgem", mas foi tarde demais. Massoud já tinha sido cobardemente assassinado a 9 de Setembro pela Al-Qaeda, acção esta coordenada com o ataque às torres gémeas.

sábado, maio 15, 2004

Vómito: cartazes das europeias

Olho para os cartões amarelos e vermelhos, os retrovisores, os slogans numa toada de toma lá dá cá, as frasezecas de baixo nível sem conteúdo nenhum, não há hipótese, nos cartazes das europeias de Europa nem pó! Francamente, acho esta atitude de uma irresponsabilidade tremenda, quando as eleições europeias são das eleições mais importantes para o país. Se o populismo e a mediocridade é o que ocorre aos candidatos representados por aqueles cartazes, então parem o país e deixem-me sair!

Há cinco anos estava em França aquando da campanha para as últimas europeias. Na altura lembro-me de assistir a debates interessantes sobre a Europa em que se falava de todos os países da União, várias vezes foi comentado que em Portugal e Espanha a campanha estava centrada sobre assuntos nacionais com muito pouca discussão sobre a Europa. Nessa altura estava a 2000 km, não me apercebi da dimensão da miséria. É muito pior do que pensava...

Sábado em Coimbra VIII: ode ao agrião

Esta manhã comprei no mercado um soberbo molho de agrião. Se fosse poeta hoje dedicava-lhe uma ode a ser cantada por uma diva da ópera clássica.

Sábado em Coimbra VII

sexta-feira, maio 14, 2004

Actualização do alargamento em Esblogvaco

Aqui vão o resto das traduções do meu texto comemorativo do alargamento. São algo forçadas e a tradução do Aviz é apenas fonética. Talvez o Iuri do blogue La Plage me dê umas dicas para as melhorar.

Stelesnenia túžby (Avatares de um desejo)
Krotitel klamstiev (Almocreve das petas)
Kvadratúra kruhu (Quadratura do círculo)
Aviš (Aviz)
Dedalus (Daedalus)

quinta-feira, maio 13, 2004

Marialvismo militar: do baralho de cartas à tortura de iraquianos

Já há longos anos que se percebe que as forças armadas americanas não andam sintonizadas no mesmo comprimento de onda das suas congéneres europeias, no que toca ao respeito pelos inimigos. Eis alguns exemplos:

1. Durante a primeira guerra do Iraque todos nos lembramos dos mísseis decorados com mimos e insultos a Saddam e ao Iraque, do género: «eat this», «up your ass», «smile, you’re going to blow Saddam», etc. Nesta segunda guerra do Iraque repetiram-se de novo as gracinhas nas pontas mísseis e durante a invasão reparei nos nomes inscritos nos canos dos tanques do exército americano: «cojones», «death angels», «predator», «California mother fuckers», etc.

2. Mal acabada a guerra, a administração militar americana no Iraque lançou o famoso baralho de cartas. Sinceramente isto não me parece uma atitude de uma força militar séria, parece-me mais algo saído de um argumento de um filme de série B de Hollywood (deve ser a fonte de inspiração de quem teve esta brilhante ideia).

3. Quando Saddam foi capturado todos ouvimos claramente o «We’ve got him!». Por muito sinistro que tenha sido Saddam julgo que a nível institucional - altas patentes militares e governantes - não se deve ter um comportamento de putos de rua que andam a jogar à apanhada. Porque Saddam é um dos maiores criminosos daquela região do mundo deve ser tratado com gravidade e rigor, para que as vítimas possam sentir que a justiça é aplicada igualmente com rigor. Essa é a melhor justiça, a que deixa menos mazelas.

Neste clima de marialvismo militar misturado com crueldade bem ao jeito do filme «Nascido para Matar» de Stanley Kubrik, não espanta que tenham surgido estes casos de torturas. O pior é que durante estes abusos fica claro que existiu alguma tolerância de patentes mais elevadas e não só, nomeadamente de Rumsfeld.

Obviamente que em teatros de guerra este tipo de comportamentos acontece sempre com mais ou menos frequência, não existem exércitos puros. Mas num contexto de marialvismo militar com baralhos de cartas, mísseis decorados com maminhas e altas patentes com linguagem de putos de rua, a probabilidade de acontecerem abusos e torturas aumenta exponencialmente.

A Europa deveria demarcar-se
Na maior parte dos exércitos europeus estes comportamentos marialvas são proibidos. Tenho colegas franceses e alemães que serviram em destacamentos nos territórios da ex-Jugoslávia e para eles era proibido fazer pinturazinhas com graçolas no material militar e muito menos utilizar linguagem de puto de rua mesmo em face de adversários mais agressivos. É por estas e por outras que acho urgente a criação de um exército europeu com outro tipo de filosofia de intervenção e que respeite os adversários mesmo quando estes são assassinos dos mais execráveis. Em nome das vítimas.

quarta-feira, maio 12, 2004

Hans Blix sobre a cimeira dos Açores

Ce dimanche, George W. Bush, Tony Blair et José Maria Aznar s'étaient retrouvés pour une heure aux Açores, au beau milieu de l'Atlantique, afin de lancer un dernier appel - pour mémoire - aux membres réticents du Conseil de sécurité et de les inviter à accepter le projet de résolution sur l'Irak.

"Irak, les armes introuvables", Hans Blix, Fayard, 2004, pag. 16.

A importância de Portugal e do governo português neste processo está toda neste parágrafo. Encontram-na? Eu também não.

terça-feira, maio 11, 2004

Dali

Dali faria hoje 100 anos. Na minha opinião foi a personalidade do século XX mais rebelde, irreverente e livre.

segunda-feira, maio 10, 2004

Fátima: carne para canhão nas estradas nacionais!

Sinto-me bastante revoltado com as cenas que vi este fim de semana nas estradas portuguesas. Portugal tem uma Igreja Católica que é rica, poderosa e influente, que até se mete em certas questões políticas de uma forma despropositada e por vezes pouco elegante (como o panfleto sobre a referência ao catolicismo na futura constituição europeia), mas que é incapaz de propor uma solução para acabar com esta vergonha nacional que é o desfile perigosíssimo de milhares de peregrinos através das faixas de rodagem das nossas estradas. Eu já tinha escrito sobre este problema ilustrando o meu texto com umas fotos que mostram peregrinos em situações perigosas. Mas, o que vi este fim de semana foi largamente mais grave do que o que mostram essas fotos. Vi grupos de cerca uma centena de pessoas a ocupar uma faixa de rodagem da N1 antes do romper da aurora. Numa curva com perfil ao contrário e a descer perto de Condeixa fui praticamente obrigado a parar para não pôr em perigo a integridade dos peregrinos. Havia pessoas a saltar os separadores de betão e carros de assistência parados em plena faixa de rodagem. Da minha janela em Coimbra tenho vista para o viaduto da ponte de Açude em Coimbra, que é uma estrada onde é proibido o atravessamento de peões. Desde sexta, da minha janela observo grupos de algumas dezenas de peregrinos a atravessar o viaduto, chegando estes ao ponto de parar o trânsito, com direito a travagens no limite de carros e de camiões de grande porte. É um arrepio! De minha casa oiço o barulho de travagens o dia todo!

Então onde é que estão os movimentos pró-vida da Igreja Católica? Será que a vida dos peregrinos é carne para canhão? Custava muito à Igreja Católica celebrar um acordo com os municípios ou as regiões (se as houvesse) para construir uma rede de caminhos de peregrinação para Fátima no meio da natureza e fora das estradas nacionais???

sábado, maio 08, 2004

Mar Salgado

Para os nossos conterrâneos do Slané More uma saudação muito especial por cumprirem hoje um ano de intensa actividade bloguista. Mas atenção Comandante, a capital do mundo livre não é negociável, é Veneza e não se fala mais nisso! ;)

sexta-feira, maio 07, 2004

Comentai e multiplicai-vos!

Após meses de ameaços e de promessas não cumpridas, eis que arranjei pachorra para incluir comentários na Klepsýdra! Agora é que vai ser levar nas orelhas!