47,9°C registados no passado 7 de Fevereiro foi a temperatura mais alta registada em Melbourne - cidade costeira - desde que há registo de temperaturas na Austrália. Para percebermos o significado deste valor convém reter que a temperatura mais elevada registada na Austrália foram 50°C na região de Oodnadatta, situada em pleno deserto a 112m abaixo do nível do mar, e a temperatura mais alta registada na Terra foram 57,8°C no deserto Sahara.
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domingo, fevereiro 15, 2009
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Aquecimento global, disparates locais
Quando se fala em aquecimento global fala-se no aumento da temperatura média de todo o planeta. Por exemplo, se a temperatura média da Terra aumentar 1ºC durante 10 anos, existirão certamente numerosas regiões do planeta onde a temperatura média diminui, mas serão muito mais extensas as regiões onde a temperatura aumenta.
O recente frio inverno europeu, mas apesar de tudo frio dentro daquilo que é a normalidade, suscitou os habituais comentários niilistas sobre o aquecimento global. Foi a enésima vez que fenómenos extremos locais servem para negar um fenómeno global. Isto faz tanto sentido como abrir a porta do congelador e só porque sentimos frio concluímos que o aquecimento global não existe. Nem por acaso as temperaturas extremas e as vaga de fogos na Austrália - fenómenos bem mais raros que os invernos frios da Europa - vieram lembrar que a temperatura média do planeta poderá apesar de tudo estar a subir, ou pelo menos, poderá não andar muito longe das médias registadas nos últimos 10 anos (os 10 anos mais quentes de sempre).
Para quem sabe estatística isto são evidências. Mas o problema é que a blogosfera é poluída constantemente por comentários de indivíduos que não perceberem estas evidências, indivíduos a quem faltam chumbos no secundário. São sempre os mesmos. Mas há também quem faça de uma forma consciente, com o intuito de gerar desinformação, como é o caso de Rui Moura do blogue Mitos Climáticos.
Os fogos na Austrália devem-se ao aquecimento global?
Esta é uma pergunta a que ninguém pode dar uma resposta absoluta e definitiva. Sabemos que o aquecimento global aumenta a probabilidade que fenómenos deste tipo aconteçam (ou de furacões da dimensão do Katrina), mas em toda a história da Terra sempre aconteceram fenómenos climáticos extremos aleatórios. A resposta é talvez sim.
O recente frio inverno europeu, mas apesar de tudo frio dentro daquilo que é a normalidade, suscitou os habituais comentários niilistas sobre o aquecimento global. Foi a enésima vez que fenómenos extremos locais servem para negar um fenómeno global. Isto faz tanto sentido como abrir a porta do congelador e só porque sentimos frio concluímos que o aquecimento global não existe. Nem por acaso as temperaturas extremas e as vaga de fogos na Austrália - fenómenos bem mais raros que os invernos frios da Europa - vieram lembrar que a temperatura média do planeta poderá apesar de tudo estar a subir, ou pelo menos, poderá não andar muito longe das médias registadas nos últimos 10 anos (os 10 anos mais quentes de sempre).
Para quem sabe estatística isto são evidências. Mas o problema é que a blogosfera é poluída constantemente por comentários de indivíduos que não perceberem estas evidências, indivíduos a quem faltam chumbos no secundário. São sempre os mesmos. Mas há também quem faça de uma forma consciente, com o intuito de gerar desinformação, como é o caso de Rui Moura do blogue Mitos Climáticos.
Os fogos na Austrália devem-se ao aquecimento global?
Esta é uma pergunta a que ninguém pode dar uma resposta absoluta e definitiva. Sabemos que o aquecimento global aumenta a probabilidade que fenómenos deste tipo aconteçam (ou de furacões da dimensão do Katrina), mas em toda a história da Terra sempre aconteceram fenómenos climáticos extremos aleatórios. A resposta é talvez sim.
domingo, fevereiro 17, 2008
Não há Pacheco Pereirismo Moderado
Assim que ouvi a notícia do pedido de perdão do governo australiano aos arborígenes, esperava a indignação de Pacheco Pereira, esperava um daqueles artigos amargos e esperava, obviamente, um texto cheio de referências obsessivas ao "politicamente correcto". O texto surgiu, não me enganei. Qualitativamente resume-se em três pontos:
1) Muito bem documentado sobre a história recente da Austrália;
2) Fraco e diria até escorregadio na sua conclusão política, na teoria do boomerang;
3) Radical na sua linha política.
Sobre o ponto 2), na conclusão do texto podemos ler:
"Há certas ideias que funcionam como o boomerang, a gente atira-as convencidos das nossas melhores intenções e elas voltam para nos bater na cabeça."
Sobre este caso não há um único indício no texto que fundamente que esteja eminente qualquer efeito boomerang na Austrália. Pior ainda, alguns de nós ainda se recordam certamente dos distúrbios racistas ocorridos em Cronulla em 2005. É certo que não ocorreram contra australianos arborígenes, mas ocorreram contra outros australianos, australianos "estrangeiros", quase arborígenes, quiçá entre eles alguns luso-descendentes. No entanto, em Cronulla o boomerang bateu mesmo. E em que cabeça bateu? Será que bateu ou não em todas as cabeças que defendem os pilares fundamentais da democracia?
Sobre o ponto 3) esta passagem do texto é bem ilustrativa:
"se tomarmos à letra o significado profundo destes pedidos de perdão pela História, ainda acabamos por dar razão à Al-Qaeda, que nos considera como "cruzados", logo um alvo a abater pelo novo Saladino"
Estamos no mesmo registo do "não há Islão moderado", bem denunciado pelo FNV do Mar Salgado. Estamos no registo de um mundo muito simples, de um mundo onde os maus e os bons são marcados a tinta fluorescente de cor diferente, onde não há Islão moderado, que no fundo é o mesmo tipo de mundo dos que consideram que todos os Israelitas são ortodoxos e gananciosos, todos os Mexicanos são malandros e que todos os negros são pouco inteligentes. É um mundo sem gente moderada, ou são bons ou são maus. E se por acaso alguns de nós, dos bons, brancos, católicos, ocidentais, tal como o Primeiro-Ministro australiano, adoptarmos um gesto de respeito (aqui trata-se apenas e só de respeito, ler "Sul Politically Correct", em "A Passo de Caranguejo" de Umberto Ecco) em favor de um dos que está marcado com tinta fluorescente de uma cor diferente da nossa, automaticamente "acabamos por dar razão à Al-Qaeda". Grande conclusão, uma conclusão moderada, sem dúvida moderada...
1) Muito bem documentado sobre a história recente da Austrália;
2) Fraco e diria até escorregadio na sua conclusão política, na teoria do boomerang;
3) Radical na sua linha política.
Sobre o ponto 2), na conclusão do texto podemos ler:
"Há certas ideias que funcionam como o boomerang, a gente atira-as convencidos das nossas melhores intenções e elas voltam para nos bater na cabeça."
Sobre este caso não há um único indício no texto que fundamente que esteja eminente qualquer efeito boomerang na Austrália. Pior ainda, alguns de nós ainda se recordam certamente dos distúrbios racistas ocorridos em Cronulla em 2005. É certo que não ocorreram contra australianos arborígenes, mas ocorreram contra outros australianos, australianos "estrangeiros", quase arborígenes, quiçá entre eles alguns luso-descendentes. No entanto, em Cronulla o boomerang bateu mesmo. E em que cabeça bateu? Será que bateu ou não em todas as cabeças que defendem os pilares fundamentais da democracia?
Sobre o ponto 3) esta passagem do texto é bem ilustrativa:
"se tomarmos à letra o significado profundo destes pedidos de perdão pela História, ainda acabamos por dar razão à Al-Qaeda, que nos considera como "cruzados", logo um alvo a abater pelo novo Saladino"
Estamos no mesmo registo do "não há Islão moderado", bem denunciado pelo FNV do Mar Salgado. Estamos no registo de um mundo muito simples, de um mundo onde os maus e os bons são marcados a tinta fluorescente de cor diferente, onde não há Islão moderado, que no fundo é o mesmo tipo de mundo dos que consideram que todos os Israelitas são ortodoxos e gananciosos, todos os Mexicanos são malandros e que todos os negros são pouco inteligentes. É um mundo sem gente moderada, ou são bons ou são maus. E se por acaso alguns de nós, dos bons, brancos, católicos, ocidentais, tal como o Primeiro-Ministro australiano, adoptarmos um gesto de respeito (aqui trata-se apenas e só de respeito, ler "Sul Politically Correct", em "A Passo de Caranguejo" de Umberto Ecco) em favor de um dos que está marcado com tinta fluorescente de uma cor diferente da nossa, automaticamente "acabamos por dar razão à Al-Qaeda". Grande conclusão, uma conclusão moderada, sem dúvida moderada...
terça-feira, dezembro 04, 2007
Austrália ratifica protocolo de Quioto
É oficial, a Austrália vai ratificar o Protocolo de Quioto. Depois deste anúncio, os EUA serão o único país entre as nações mais desenvolvidas a não ter ratificado o Protocolo. O isolamento da Administração Bush não é apenas externo, é também interno. Apesar de Bush já ter admitido que o aquecimento global é uma realidade, a comunidade científica americana - que em muito contribuiu para o trabalho do IPCC e para os avanços significativos no conhecimento das alterações do clima - tem-se manifestado abertamente contra a teimosia de Bush. A oposição interna à política ambiental de Bush chegou ao ponto de um significativo movimento de cidadãos do Estado do Vermont apelar à independência do Estado invocando, entre outros motivos, a não ratificação do protocolo de Quioto.
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