quinta-feira, julho 30, 2009

O método corso

Um dos factos mais admiráveis da Córsega é a quase ausência de construção caótica e em altura ao longo de toda a sua costa. As praias corsas já são das mais bonitas do mundo, mas quando temos pinheiros mansos até à orla da praia em vez de betão, julgamos que estamos no paraíso. Não se pense que na Córsega aconteceu um milagre de civismo transformando todos os seus habitantes em defensores da natureza. É ao nacionalismo corso, à resistência à especulação imobiliária orientada para clientes "estrangeiros" (leia-se franceses do continente) que se deve esse facto. Cada vez que se tentou construir sem respeito pelo ordenamento do território, os nacionalistas foram ao local e colocaram bomba! Embora discorde do método, aquilo foi eficaz!
Por favor não repitam isto em "casa" (eu sei que vontade não falta).

Uma pedrada em Júpiter



Há cerca de uma semana um asteróide (ou terá sido um cometa) atingiu Júpiter em cheio. O Hubble registou tudo.

domingo, julho 26, 2009

Bonifácio

Bonifácio é uma cidade de traço medieval refundada por Bonifácio II da Toscana em 832. É uma cidade única, uma das minhas cidades preferidas. Gosto de cidades históricas, medievais, renascentistas ou barrocas, cidades de dimensão média, universitárias ou comerciais. Ao contemplar as muralhas de Bonifacio dei por mim a enumerar as minhas cidades preferidas com estas características. Da minha ruminância resultou mais ou menos esta ordem:

Veneza
Toledo
Bolonha
Pádua
Córdoba
Bonifácio
Ravena
Friburgo (Alemanha)
Bruges
Estrasburgo
Cesky Krumlov
Honfleur
Dinan (França)
Tübingen
Florença
Karlovy Vary

Felgueiras da Foz

Vale a pena ler e divulgar este texto de Pedro Bingre publicado na Opinião Socialista há cerca de duas semanas. Está lá tudo sobre a transfiguração a que me refiro, a transfiguração da Figueira em Felgueiras da Foz.

sexta-feira, julho 24, 2009

O meu Tour sem comprimidos

É difícil ganhar a Volta à França contra a indústria farmacêutica de ponta e os especialistas das transfusões sanguíneas, é por isso que me dá um especial prazer a exibição destes rapazes:

Andy Schleck - Já o tinha topado o ano passado, é dos que atacam sempre na montanha quer tenha fôlego quer não tenha (uma espécie rara). Este ano voltou à carga, não teve respeito nenhum pela Astana, o que só o fez ganhar pontos na minha consideração. Atacou e estoirou, voltou a atacar e a estoirar, é o normal entre seres humanos que não tomam comprimidos. É o camisola amarela aqui da Klepsýdra à frente de Bradley Wiggins.

Mikel Astarloza - Entre os 10 primeiros o Mikel é o único que corre por amor à camisola. É por isso que é destemido a atacar e faz questão em dar pelo menos uma vitória ao País Basco. Este ano já lá canta uma etapa. Um dia gostava de o ver de amarelo no Tour, será certamente um momento em que se transcenderá a ele próprio em conjunto com toda a equipa Euskadi.


Christophe Moreau - O Christophe Moreau não tinha a mínima hipótese de discutir este Tour, mas à semelhança do que fez no passado continua um corredor combativo. Lembro-me que foi dos poucos a desafiar Amstrong nos gloriosos tempos em que andava pelo top ten. Pagou sempre a ousadia, mas pelo menos não se escondeu atrás do discurso "se atacasse ali..." da fila indiana que seguia que nem carneirinhos atrás do Amstrong. Este ano ninguém esperava por três classificações nos 10 primeiros na montanha e no contra-relógio. É o velho Moreau...

quinta-feira, julho 23, 2009

Corsica

Gosto dessas regiões que têm a mania que são países, Bretanha, País Basco, Alsácia, Córsega, etc. Nem sempre pelos melhores motivos estas regiões escapam à voracidade da especulação imobiliária guardando a sua autenticidade e os seus traços culturais quase intactos. É um dos motivos pelos quais escolhi a Córsega para as minhas curtas férias deste ano.

terça-feira, julho 21, 2009

Há 6 anos aterrámos na blogosfera

A 21 de Julho de 2003, exactamente 34 anos e um dia após a Eagle ter aterrado na Lua com Armstrong e Aldrin a bordo enquanto Collins os esperava em órbita, eu e o Samsa aterrámos na blogosfera (o Nuno Camarneiro ainda estava em órbita). Armado em Armstrong, fui o primeiro a pousar as patas na superfície blogosférica teclando a seguinte frase: "A água percorre a Clepsidra, o tempo percorre as minhas veias..."


2009 Klepsýdra Club Session

Este aniversário não seria aniversário sem o habitual desfile de DJs convidados e o discurso de abertura do Mestre de Cerimónias deste ano, George Clooney:

00.00-00.15 - Discurso de George Clooney intitulado: "Nas caixas de comentários da Klepsýdra conheci mulheres mais interessantes do que nos spots da Martini" .
00.15-00.45 - Warm Up - Monika Kruse
01.45-02.45 - Kuffdam&Plant
00.45-01.45 - Carl Cox
02.45-03.00 - Armin Van Buuren Warm Up - DJ Muxaxo
03.00-04.45 - Armin Van Buuren
04.45-05.30 - DJ Vibe
05.30-06.00 - Tiësto
06.00-06.30 - Monsieur Philippe Corti

O impacto do Programa Apolo 40 anos depois

(publicado no portal Esquerda.net)

A 20 de Julho de 1969 o homem caminhava pela primeira vez na superfície da Lua. Enquanto o astronauta Michael Collins permanecia no módulo de comando Columbia, Neil Armstrong e Edwin Eugene (Buzz) Aldrin pousavam o módulo Eagle na superfície lunar. Após ter proferindo a memorável frase “Um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade”, Neil Amstrong juntamente com o seu colega Aldrin passou cerca de duas horas e meia a explorar a superfície da Lua, sobretudo recolhendo amostras de solo. O sucesso da Apolo XI deixava para trás anos de competição na conquista do espaço entre os EUA e a URSS em plena Guerra Fria, uma competição que opôs dois génios que coordenavam os programas espaciais das duas potências: o alemão Wernher Von Braun e o russo Sergeï Korolev. Depois da morte de Korolev em 1966 e da decisão da URSS de dotar o orçamento do seu programa em cerca de metade do orçamento à disposição da NASA, era óbvio que seriam os americanos os primeiros a chegar à Lua.

Embora se tenha esgotado rapidamente o interesse na exploração lunar após a chegada do homem à Lua, o Programa Apolo durou até à missão Apollo XVII lançada em 1972. O custo total do Programa Apolo, entre 1961 e 1972, estimou-se em cerca 25 mil milhões de dólares ou seja cerca de 115 mil milhões de dólares se actualizarmos os custos a preços de hoje. O desenvolvimento do Programa Apolo deu origem a variadas tecnologias que utilizamos no nosso quotidiano. O sistema utilizado na reciclagem de líquidos durante as missões Apolo serviu mais tarde para simplificar as máquinas de diálise renal e serviu também para desenvolver novos sistemas de purificação de água. A tecnologia utilizada na concepção dos fatos para os astronautas deu origem a fatos anti-incêndio para bombeiros, à tecnologia de conforto e de versatilidade das novas sapatilhas, ao desenvolvimento de fibra de vidro revestida a teflon utilizada na cobertura de estádios e de estruturas associadas a edifícios mais ecológicos de grandes dimensões, e a roupas especiais adaptadas a pessoas com esclerose múltipla, a marinheiros, pilotos de competição automóvel e técnicos de reactores nucleares. Foram desenvolvidos novos materiais que são hoje utilizados no isolamento térmico de casas e de pipelines. A tecnologia de detectores de gases da Apolo é hoje utilizada na indústria que lida com gases perigosos. Perante todos estes benefícios de que tiramos partido em todo o mundo para nosso conforto, segurança e lazer, é razoável considerar que o custo do Programa Apolo poderá ter sido largamente compensado pelos benefícios das tecnologias a que deu origem. O próprio Barack Obama, em discurso recente à Academia Nacional das Ciências em Washington, afirmou que o trabalho da comunidade científica envolvida no Programa Apolo teve como resultado não apenas "aqueles primeiros passos na Lua, mas também um gigantesco salto no conhecimento aqui na Terra". Obama enumerou as tecnologias resultantes da investigação na Apolo acima descritas e afirmou que o enorme investimento dessa era produziu uma avalanche de curiosidade e criatividade, cujos benefícios são incalculáveis.

Este bom exemplo de investimento público num projecto de desenvolvimento científico e tecnológico, que envolveu o que havia de melhor em todos os sectores da sociedade, deveria servir de lição aos que têm tentado propagar teorias economicistas de vistas curtas centradas apenas na redução do investimento público.

domingo, julho 19, 2009

Os "independentes"

O editorial de O Figueirense desta semana é muito certeiro sobre o exagero do significado político atribuído à designação de "independente" associada a algumas candidaturas às autárquicas. Cria-se uma espécie de aura de pureza política que não tem qualquer correspondência com a realidade. Quem esteve comprometido com políticas de urbanismo profundamente erradas que marcaram o concelho nos últimos 12 anos, quem votou a favor ou quem se absteve na aprovação da versão actual da aberração do Galante, não pode agora reivindicar para si um estatuto de pureza política só porque a sua candidatura não está associada a um partido. Um independente comprometido, não é grande coisa como independente.

O "independente" do PS
A distrital do PS Coimbra é dominada por Vítor Baptista, o pior político que conheço. Vítor Batista é o principal responsável pela destruição do PS em Coimbra e na Figueira, nem um agente infiltrado faria melhor. É com muita pena (não sou daquela esquerda que tem prazer em ver o PS de rastos) que constato a desilusão e o afastamento dos meus amigos socialistas desta distrital do PS. Por isso, quem tem no cartão de visita o carimbo de Vítor Baptista bem pode tentar gabar-se de ser independente, estar associado a um dos maiores símbolos da degradação política deste país é sobretudo uma marca de dependência daquilo que há de pior na política.

sexta-feira, julho 17, 2009

terça-feira, julho 14, 2009

quinta-feira, julho 09, 2009

Gonçalo Cadilhe sobre a Figueira da Foz

"... Paradoxalmente, vivo num lugar que nem é extraordinariamente bonito nem sequer se preocupa em cuidar da sua frágil beleza natural. A Figueira da Foz é uma cidade inchada pela avidez. Constrói-se, descaracteriza-se, derrama-se cimento, mas a população não aumenta. A cidade apenas incha."
"O melhor lugar", Gonçalo Cadilhe, Expresso , 28 de Junho 2009 (Via João Vaz)

quarta-feira, julho 08, 2009

NASA Spinoff

Não têm conta as vezes que neste ano internacional da astronomia já tive de enumerar as diversas tecnologias que utilizamos no quotidiano que nos fazem poupar tempo e dinheiro e que resultam da investigação em astronomia, astrofísica e espaço. Por vezes, contra argumentação em registo colérico. Esta página da NASA, NASA Spinoff, ajuda a perceber a dimensão do impacto dessas descobertas. Leiam e divulguem.

terça-feira, julho 07, 2009

Taxa sobre o CO2 na Suécia

Vale a pena ler este artigo no Le Monde sobre o sucesso conseguido na Suécia através da implementação de uma taxa sobre as emissões de CO2. Um dos objectivos da Suécia na presidência da UE será tentar convencer os seus parceiros a seguir o mesmo tipo de solução. Destaco a seguinte passagem:

"... desde a introdução desta taxa, as descargas de gases com efeito de estufa na Suécia diminuíram em 9%, apesar de, no mesmo período, o crescimento económico ter sido de 48%. (...) A taxa sobre o carbono rende anualmente ao Estado sueco 15 mil milhões de coroas (mil e quatrocentos milhões de euros). Em 1991, quando foi lançada, o montante da taxa era 27 euros por tonelada de CO2. Hoje, atinge os 108 euros por tonelada."

quarta-feira, julho 01, 2009

As penas de prisão de Madoff e de Skilling

A pena de prisão de 150 anos a que foi condenado Madoff e os 24 anos de prisão para Jeff Skilling, o cérebro da mega-fraude da ENRON, deveriam servir de exemplo para a nosso sistema de justiça. O que é importante realçar nos casos referidos é que os tribunais atribuíram o peso devido aos estragos que este tipo criminalidade causa. Fraudes que envolvem quantias avultadas de dinheiro e que afectam directamente milhares de pessoas ou indirectamente serviços de que dependem populações, são crimes que destroem muito mais vidas do que aquela criminalidade de faca e caçadeira que tanto excita os canais televisivos sensacionalistas e o CDS-PP. Causam desemprego, penhora de bens essenciais como a habitação e transporte, a perda de poupanças de toda um vida de trabalho, de reformas, etc. Os danos são incalculáveis e estendem-se muito para lá dos clientes directos ricos de Madoff e dos investidores milionários da ENRON. Do ponto de vista socio-económico estes crimes perturbam durante meses ou anos ou bom funcionamento de serviços essenciais para as populações, causam estagnação económica e cultivam a desconfiança generalizada.

Os tribunais que vão julgar os recentes escândalos financeiros em Portugal deveriam ter bem presente as consequências reais e nefastas da criminalidade financeira e deveriam olhar para o exemplo dos julgamentos de Madoff e Skilling.