sexta-feira, novembro 07, 2003

Encenações e Distracções nas Lutas Estudantis

O Aviz acabou de se juntar à discussão sobre o protesto de Coimbra criticando a forma como esta luta tem sido feita e como tem sido noticiada.
Vamos por partes:

1º- Ainda que o encerramento da faculdade de direito não seja um assunto estritamente interno à universidade, a forma escolhida para lidar com ele é. Cabe a Seabra Santos como reitor decidir como deve resolver a questão e não me pareceu correcto que Pacheco Pereira se tenha insurgido daquela forma por não ter havido uma intervenção da polícia. O reitor tem um conhecimento mais profundo de tudo o que está em jogo e do prejuízo que este encerramento poderá causar, se pedir a intervenção das forças de segurança está no seu direito mas já que apenas estão encerradas instalações da universidade cabe-lhe a ele fazer a queixa.

2º- Também eu discordo de muitas das iniciativas que têm sido levadas a cabo pelos dirigentes estudantis, todavia não pactuo com esse discurso redutor de dizer que os protestos são feitos por alunos que vão de carro para a universidade e que isso é a prova da sua hipocrisia ou do seu oportunismo político. Se têm automóveis tanto melhor para eles, a questão que deveria ser discutida é se existem de facto razões para protestar e se existe algum sentido para o que estão a fazer. Por mais oportunistas que possam ser os líderes estudantis, estes não conseguiriam uma tão grande base de apoio se pelo menos algumas das reivindicações não encontrassem eco nos alunos que os apoiam.

3º- A maneira como a comunicação social trata o assunto é criticável mas não difere em nada da maneira como costuma acicatar todo o tipo de confrontos sejam sociais, políticos ou pessoais. A sede de sangue e lágrimas das televisões não é exclusiva desta questão e nem sequer me parece ser de alguma utilidade enumerar aqui os muitos exemplos dessa falta de ética que se tornou rotineira.

Por último gostava de concluir dizendo que já é tempo de discutir os assuntos seriamente sem demagogias e fogos de artifício de ambas as partes. Enquanto uns fazem figuras tristes e outros fecham os olhos para não ver, continuamos com universidades mal equipadas, com bolsas miseráveis e que nunca se sabe quando chegam, péssimas condições para os muito estudantes deslocados, laboratórios sem garantias de financiamento e com aparelhos burocráticos dignos de um romance de Kafka. É já mais que tempo de amanharmos o assunto e passarmos ao que interessa...

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