sábado, outubro 11, 2003

Big Brother nos manuais escolares

Esta notícia aparece na edição de hoje do público:

No manual "Comunicar" de Língua Portuguesa do 10º ano, da Porto Editora, no capítulo dedicado a textos pragmáticos, é apresentado o regulamento do concurso televisivo Big Brother. Ao lado estão fotografias de ex-concorrentes, sós ou a dar autógrafos. Aos alunos é proposto que, "em diálogo com os colegas da turma", refiram o que "já conhecem sobre este concurso" e que, após a leitura do regulamento, emitam "um parecer sobre o mesmo".

Não sei se consigo arranjar palavras para comentar esta notícia, ou sequer se vale a pena dizer alguma coisa mas confesso que me é difícil ficar calado.

Que brilhante pedagogo teve a ideia pioneira de pegar no maior pedaço de bosta televisiva (sem menosprezo para a bosta como diria o Carvalhas") e impigi-lo aos miúdos do secundário? já não chega o tempo que muitos deles gastam a olhar para uma cambada de inúteis que passam o dia a chorar e a abraçarem-se uns aos outros e agora ainda vamos obrigar esses alunos a estudar o regulamento?

Quando fiz o secundário tive a oportunidade de conhecer Eça, Aquilino, Pessoa e todos os outros que me permitiram conhecer muitos aspectos da cultura portuguesa além de me despertarem o interesse pela grande literatura, talvez por isso mesmo fico agoniado quando vejo a grande generalidade dos "programas de divertimento" que nos são atirados para casa qual lavagem para porcos em estado vegetativo. Que o mais emblemático destes programas seja incluído num manual escolar é algo que me repugna e que é indicativo da falta de competência das pessoas que os elaboram.

O meu conselho a todas os alunos que tiverem de emitir o tal parecer que é pedido no livro, é que escrevam simplesmente e em bom vernáculo:

"Vão para a puta que vos pariu!"

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